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20 de ago. de 2013

Os contratos milionários do escritório da advogada e primeira dama do Rio Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral

BRASIL - Corrupção
Os contratos milionários do escritório da advogada
e primeira dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo
A primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo, ganha quase dez vezes o salário do marido no escritório contratado por concessionárias e prestadoras de serviço para o estado

Foto: Murillo-Tinoco

CABRAL E A MULHER, a quem ele chama de Riqueza: ela deu a notícia e o representou na posse de desembargadores

Postado por Toinho de Passira
Texto de Leslie Leitão e Helena Borges
Fonte: Veja

A primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo, ganha quase dez vezes o salário do marido no escritório contratado por concessionárias e prestadoras de serviço para o estado. O escritório Coelho & Ancelmo Advogados Associados chama atenção no Rio de Janeiro por duas características. A primeira é ter experimentado nos últimos seis anos um crescimento espetacular. De três profissionais e 500 processos em carteira, saltou para um empreendimento com vinte advogados e cerca de 10.000 ações. A receita do escritório era de 2,1 milhões de reais em 2006 e foi para 9.5 milhões no ano passado. A segunda característica a ressaltar é o fato de a banca ter como sócia-proprietária a advogada Adriana Ancelmo, de 43 anos, mulher de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, a quem ele trata pelo apelido de Riqueza. Adriana tem ganhos mensais de 184.000 reais por sua participação. E essa seria apenas uma bela história de um jovem casal bem-sucedido, não fosse uma terceira circunstância: pode não ser mera coincidência o progresso da banca durante os mandatos de Cabral como governador do estado.

O elemento mais forte de suspeição deriva do fato de que, antes de Cabral tomar posse, o escritório de Adriana tinha apenas 2% de seu faturamento vindo de concessionárias e prestadoras de serviço ao governo do Rio. Agora, 60% da receita vem de honorários recebidos por serviços prestados a empresas que, direta ou indiretamente, dependem de dinheiro público guardado no cofre do qual Cabral tem a chave.

A seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve dúvidas sobre se seria aceitável para Adriana ocupar ao mesmo tempo o cargo de primeira-dama e de advogada litigando contra o estado.

Adriana no seu "bem sucedido" escritório de advogacia
A OAB, então, encomendou um parecer sobre o caso ao advogado Sérgio Bermudes, um dos expoentes da profissão no Rio. A conclusão de Bermudes foi que o governador não fere nenhuma lei ao manter um parente próximo, no caso sua mulher, advogando para concessionárias ou prestadoras de serviço. Apesar do parecer de Bermudes, a questão jurídica continua aberta.

Não se sabe se o casal Cabral é unido em comunhão de bens, mas ele usufrui os ganhos da mulher. O salário de governador é de 20.600 reais. Sobre o caso, Bruno Navega, presidente da Comissão de Direito Administrativo da OAB, explica: "A lei de improbidade diz que o administrador nunca deve auferir vantagem pessoal em razão do cargo". A realidade parece se complicar quando se examina caso a caso o súbito avanço do escritório Coelho & o Ancelmo Advogados Associados junto às concessionárias e prestadoras de serviço ao estado — o salto de 2% para 60% do faturamento obtido delas por Adriana no governo de Cabral. O fato de que antes de ele tomar posse o escritório de Adriana não tinha uma única ação trabalhista da empresa MetrôRio, concessionária estadual do metrô, e hoje tem 197 pode ser creditado à competência e à agressividade comercial do Coelho & Ancelmo? Pode. O escritório, porém, não era especializado na área. Um ex-funcionário do departamento jurídico e dois ex-advogados da MetrôRio disseram a Veja que a empresa decidiu entregar ao escritório de Adriana suas causas trabalhistas "por determinação de cima".

Ouvida por Veja, a MetrôRio recusou-se a entrar em detalhes, informando apenas que o escritório Coelho & Ancelmo Advogados Associados é um dos dezoito contratados pela empresa. Também constam da lista de clientes de Adriana a Supervia, que administra os trens urbanos e o teleférico do Complexo do Alemão, a Telemar, a principal acionista da Oi, a Light, de energia, e fornecedoras de serviços de segurança (Facility) e saúde (Amil). Consultadas, todas disseram que o escritório primeira-dama foi escolhido por critérios técnicos.

Foto: Divulgação

O glamouroso casal Cabral, parecem estrelas de Hollywood

"Não interfiro na atividade profissional da minha mulher", disse a Veja o governador Sérgio Cabral. Pode ser, mas um episódio mostra que ela interfere na dele. Em abril de 2011, Cabral permitiu que Adriana desse em primeira mão aos interessados a notícia de que eles haviam sido escolhidos para ser os três novos desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Adriana chamou os escolhidos por Cabral — Patricia Ribeiro Serra Vieira, Luciano Sabóia Rinaldi de Carvalho e Cláudio Tavares de Oliveira Junior — ao seu escritório e contou-lhes a boa-nova. Em uma evidente e inadequada confusão de funções entre marido governador e mulher advogada, Adriana representou Cabral nas cerimônias de posse dos novos desembargadores.

A primeira-dama não quis conversar com os repórteres de Veja, mas a assessoria de comunicação do Coelho & Ancelmo Advogados Associados manifestou-se por escrito: "Desde 2007, por deliberação dos sócios, o escritório não atua em processos administrativos ou judiciais contra o estado do Rio de Janeiro ou pessoas jurídicas por ele controladas, nem tampouco presta consultoria aos seus clientes em matérias que envolvam interesse do estado".

17 de ago. de 2013

O inferno de Cabral, de Ruy Fabiano

BRASIL – Opinião
O inferno de Cabral
O quê ou quem fez os eleitores do Rio e depois de São Paulo rebelarem-se de forma tão virulenta contra os seus governadores? Por acaso, dois estados onde o PT sempre sonhou, sem conseguir, estender os seus domínios

Foto: Facebook

São militantes. Com estratégia e método, acionam quando julgam necessário milícias ninjas para agravar a intimidação. Até em São Paulo, tem gente pedindo a saída de Cabral. Pode?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ruy Fabiano
Fontes: Blog do Noblat

O naufrágio político do governador Sérgio Cabral é um desses enigmas transparentes da política brasileira.

Como alguém que, há três anos, foi reeleito no primeiro turno, com o maior percentual de votos dado a um governador naquela eleição – 66,06% - pode desabar dessa maneira?

Em questão de semanas, saiu do paraíso da popularidade para o inferno da rejeição pública, sem escalas. Sitiado em sua própria casa, não desfruta sequer da solidariedade dos vizinhos.

Não pode sair de casa e seu direito constitucional de ir e vir está suspenso. Os grupos de manifestantes organizados, postados dia e noite em frente a seu edifício no Leblon, querem o seu impeachment – nada menos. Um impeachment imposto pela “voz das ruas”, figura inédita no Direito brasileiro.

Voltemos ao enigma: que aconteceu de diferente entre o primeiro mandato, que gerou o triunfo espetacular da reeleição, e o segundo? A rigor, nada. O Cabral anterior era o mesmo de agora: fazia, dizia e apoiava as mesmas coisas, cercava-se das mesmas pessoas, dos mesmos auxiliares.

Era apoiado por Lula – e consequentemente pelo PT, o que explica os números triunfais de sua reeleição, num estado que sempre tratou o ex-presidente com pompa e circunstância.

Foi alçado à categoria de estadista quando da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em algumas favelas cariocas (ainda que sem prender nenhum bandido).

Seu fraco por mordomias, que não começou agora, não gerou antes as reações indignadas em curso. Ao contrário, ninguém lembrou delas durante a campanha eleitoral.

Por que então o drástico e traumático rompimento com a opinião pública? A chave evidentemente está no processo sucessório. O PT quer o cargo e o PMDB de Cabral não quer entregá-lo. Há um acordo, selado com Lula e Dilma, de que o partido continuaria a ter apoio do PT para a sucessão de Cabral, que apoia seu vice, Pezão.

Com a popularidade anterior, Cabral não apenas elegeria Pezão, como voltaria sem dificuldades ao Senado. Hoje, nem sai de casa - e, quando sai, não sabe se volta. Pezão já deve estar procurando outro emprego.

O cenário dá a medida da facilidade com que se constroem e destroem reputações, nestes tempos de facebook e twitter, que o PT aprendeu a manejar com maestria, aparelhando blogues e sites, internet afora, com o apoio de numerosas ONGs, sustentadas por verbas públicas, como a notória Fora do Eixo.

O simples fato de ser possível concentrar diuturnamente dezenas e dezenas de pessoas na frente de um prédio – com celulares de última geração e roupas de grife – mostra que não se trata exatamente de povo os que lhe fazem campana.

São militantes. Com estratégia e método, acionam quando julgam necessário milícias ninjas para agravar a intimidação. Não faço a defesa de Cabral, até porque não voto no Rio e esse não é um texto ad hominem. Estranho, no entanto, quando vejo ex-entusiastas seus – e que o eram até poucos meses atrás – pedindo o seu impeachment e sitiando-o em casa, sem que nesse período nada de diferente tenha ele praticado.

O mesmo se dá em relação ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, cujo prestígio foi atestado no início de junho, em pesquisa do Datafolha. Segundo ela, Alckmin seria reeleito governador de São Paulo e bateria o próprio Lula por larga margem: 42% a 26%. Em confronto com outros nomes do petismo, se reelegeria no primeiro turno, oscilando de 50% a 52%.

Por (digamos assim) coincidência, na mesma semana começaram em São Paulo os atos do Movimento Passe Livre, que desembocaram em sucessivas manifestações, que se estenderam por todo o país – e se mantêm até hoje, naquela capital, focadas, confessadamente, na figura do governador, em pleno processo de desconstrução. Também ali se quer o impeachment no grito.

Não há dúvidas de que, em ambos os estados, não faltam razões para que o contribuinte proteste. Mas os problemas não começaram em junho. Os dois governadores e suas respectivas administrações não eram diferentes antes do que são agora.

O que é evidente é que as justas e difusas indignações da população brasileira com a classe política estão sendo manipuladas, fulanizadas e direcionadas contra os adversários do PT – ele, de resto, há uma década no poder, responsável maior pelo desconcerto geral que deu recheio às manifestações.
Ruy Fabiano é jornalista.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

15 de ago. de 2013

O ex-Rio X, de Mara Bergamaschi

BRASIL - Opinião
O EX-RIO X
Durante a inauguração no Alemão, os jornais registraram que, mesmo ausente, Eike Batista recebeu mais elogios e agradecimentos do governador Sérgio Cabral (PMDB) do que os chefes militares responsáveis pela ocupação do Complexo durante um ano e meio.

Foto: AE

Eike Batista, então o homem mais rico do Brasil, anunciou junto com o governador Sérgio Cabral, que doaria R$ 20 milhões por ano para construir e equipar as UPPs

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mara Bergamaschi
Fonte: Blog do Noblat

Há exatos três anos, Eike Batista, então o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo, anunciou em cerimônia pública que doaria R$ 20 milhões por ano para o governo do Rio construir e equipar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Seriam, até 2014, R$ 100 milhões para “um projeto fantástico, modelo para o Brasil e para o mundo”.

Logo depois, no Natal de 2010, Eike daria uma entrevista ao jornal britânico The Guardian em que reafirmaria esse compromisso, classificando-o como fundamental para alcançar um de seus dois principais objetivos: transformar o Rio em um “lugar inacreditável” na próxima década.

Segundo definiu ao Guardian, o Rio X seria ”uma mistura de Califórnia, Nova York e Houston, combinando praias estonteantes com importância financeira e arquitetura ultramoderna.”

Para a capital, ele prometia, além da pacificação das favelas, a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, a recuperação da Marina da Glória e a transformação do Hotel Glória em suntuoso cinco estrelas, comparável aos de Dubai.

O outro objetivo primordial do bilionário, de acordo com o Guardian, era alcançar a primeira posição na lista da Forbes. Para isso, a holding EBX estimava investir R$ 34 bilhões no Estado na construção de portos, indústrias e prospecção de petróleo.

Entre 2010 e 2012, o grupo financiou a compra de uma centena de carros e motos para UPPs.Também construiu as sedes da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, e da Fazendinha e da Nova Brasília, no Complexo do Alemão.

Há um ano, durante a inauguração no Alemão, os jornais registraram que, mesmo ausente, Eike Batista recebeu mais elogios e agradecimentos do governador Sérgio Cabral (PMDB) do que os chefes militares responsáveis pela ocupação do Complexo durante um ano e meio.

Naquele momento, Cabral não parecia ver qualquer problema na onipresença de Eike nas esferas pública e privada do Rio. Até o Maracanã corria o risco de ganhar um X se, nos últimos dois meses, a popularidade de Cabral e o valor das ações de Eike na Bolsa não tivessem despencado juntos, meteoricamente.

Fora do rol dos bilionários, com uma fortuna agora estimada em R$ 400 milhões, o empresário rescindiu na semana passada, em silêncio, o convênio milionário para as UPPs.

Infelizmente suspenso, o mega projeto Rio X começa a se desintegrar por uma de suas melhores faces – a filantropia de grande alcance social. A Secretaria de Segurança disse que irá organizar seu orçamento para assumir, com ajuda de outros parceiros, os custos.

Enquanto isso, a UPP da Rocinha – e outras – estão provisoriamente instaladas em contêineres – como aquele para onde Amarildo foi levado antes de desaparecer.

Foto: Roberto Moreyra/EXTRA

Unidades de Polícia Pacificadora da Rocinho, um contêiner


Mara Bergamaschi é jornalista e escritora. Foi repórter de política do Estadão e da Folha em Brasília. Hoje trabalha no Rio, onde publicou pela 7Letras “Acabamento” (contos,2009) e “O Primeiro Dia da Segunda Morte” (romance,2012). É co-autora de “Brasília aos 50 anos, que cidade é essa?” (ensaios,Tema Editorial,2010)

22 de jul. de 2013

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, o alvo predileto dos manifestantes. Por que?

BRASIL -Povo nas ruas
Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro,
é o alvo predileto dos manifestantes. Por que?
Talvez tenha sido por méritos próprios, abusos e falta de compreensão das mensagens vindas da rua, que o mandatário carioca, continua enfrentando manifestantes pontualmente, um mês depois de iniciados os protestos e com passeatas esvaziadas no resto do país

Foto: Agência Estado
Governador Sérgio Cabral é o mais atacado nos protestos do Rio de Janeiro

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de João Marcello Erthal e Cecília Ritto, para a Veja
Fonte: Veja

Passado um mês do início dos protestos pela redução das passagens de ônibus, o Rio de Janeiro mantém, no eixo entre o Leblon e o Palácio Guanabara, um foco permanente de manifestações. Os endereços de residência e trabalho do governador Sérgio Cabral são os pontos de encontro de grupos que pedem desde o cancelamento da Copa do Mundo de 2014 até a suspensão das concessões de linhas de ônibus na cidade – dois assuntos fora da alçada de decisão do Executivo do estado.

O desfiladeiro da popularidade do peemedebista reeleito em primeiro turno em 2010, com a maior vantagem já obtida em uma eleição para o governo (66%), começou a ser cavado ainda em 2011, quando um acidente de helicóptero expôs a proximidade com o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta e detentor de contratos milionários com o governo. Menos de um ano depois, o mesmo empresário apareceu em fotos de uma viagem a Paris ao lado do governador e seu primeiro escalão, no episódio que ficou conhecido como o escândalo dos guardanapos.

Desde então, a visibilidade dos grandes eventos no Rio, palco da final da Copa das Confederações, e as críticas à atuação da Polícia Militar aumentaram o abismo entre o Guanabara e a rua – separados atualmente por duas fileiras de alambrados.

“O mandato do governador do Rio se fragilizou com a exposição de questões éticas e morais. E a pauta das ruas passa justamente por essas duas questões. Cabral encarnou isso e tornou-se o principal alvo dos manifestantes”, explica o sociólogo Paulo Baía, da UFRJ, que estuda há seis anos demandas por reconhecimento, direito e respeito que parte de ações nas ruas.

Baía aponta a ausência do governador como uma falha na estratégia adotada por Cabral para lidar com os protestos. “Nos outros estados, governadores e prefeitos foram rápidos em tomar algum tipo de medida para oferecer algum tipo de resposta. A Câmara, o Senado e a Presidência foram pelo mesmo caminho.

Cabral não, e acabou perdendo base no setor que mais o apoiava, a classe média mais abastada”, analisa. Cabral optou por ficar fora de um momento decisivo da reação aos protestos. Apesar de escalado para anunciar, ao lado do prefeito Eduardo Paes, a redução nas tarifas de transporte interestadual, preferiu não aparecer, deixando para o afilhado político o anúncio. Rompeu, assim, o combinado entre os governantes do Rio e de São Paulo, onde o prefeito petista Fernando Haddad comunicou o recuo no reajuste ao lado do governador Geraldo Alckmin.

Cabral não foi o único com dificuldade de entender o grito das ruas. Mas algumas declarações infelizes indicam um descompasso com o tom dos protestos. Quando vieram à tona as viagens diárias do governador no helicóptero do estado, usado também para levar família, empregados e o cachorro Juquinha para os fins de semana em Mangaratiba, ele se defendeu alegando não ser o único.

“Não sou o primeiro a fazer isso no Brasil. Outros fazem também, e faço de acordo com o cargo que eu ocupo. Não é nenhuma estripulia”, afirmou.

Naquele momento, como agora, os manifestantes interpelaram os governantes não só pelo que consideram ilegal, mas pelos abusos que parecem ‘acobertados’ pela legalidade.

“No primeiro mandato, as notícias sobre Cabral eram positivas. E ele tem mérito: trouxe de volta a autoestima do estado. No segundo mandato, no entanto, lutas políticas fizeram vazar questões antiéticas, com a exposição de uma simbiose entre as esferas pública e privada”, diz Baía.

Foto: Agência Globo

Os vândalos do Leblon

PESQUISAS

O Datafolha aferiu, entre os dias 27 e 28 de junho, a popularidade dos governantes. A aprovação ao governo de Sérgio Cabral caiu 30 pontos porcentuais entre novembro de 2010 e a data da pesquisa, indo de 55% para 25%. A perda interfere no jogo que se desenha para 2014, quando o vice-governador Luiz Fernando Pezão deve disputar o governo do estado com uma plataforma bem mais desfavorável ao PMDB do que a de 2010

. E Cabral, que depois de sua reeleição avassaladora era cotado para disputar a vice-presidência ou até a Presidência da República pelo partido, em 2018, pode ter dificuldades de fazer seu sucessor no ano que vem.

Diante do crescimento dos protestos, o governador acusou uma “antecipação de campanha” nociva ao Rio de Janeiro. O primeiro a levantar bandeiras para 2014, no entanto, foi o próprio PMDB, com o prefeito reeleito Eduardo Paes anunciando Pezão como pré-candidato já no discurso de comemoração ao resultado das urnas em 2012.

Desde então, quem aparece liderando as pesquisas de intenção de voto no estado é o arquirrival Anthony Garotinho, ex-governador e atual deputado federal pelo PR. O autoproclamado pré-candidato do PT ao governo, senador Lindbergh Farias, que também antecipou o debate rumo a 2014, atualmente assiste de camarote aos incêndios entre o Leblon e o Guanabara.

E tenta, a seu modo, faturar com o cenário tumultuado. Na última segunda-feira, Lindbergh apresentou um projeto de lei que proíbe o uso de balas de borracha e outras armas não-letais em manifestações de rua. O projeto é uma clara tentativa de se aproximar, indiretamente, dos jovens que atuam ou simpatizam com o movimento das ruas, sem com isso correr o risco de ser rejeitado pelas correntes que rejeitam os partidos políticos.

O governador do Rio enfrenta, a partir desta segunda-feira, mais uma rodada de protestos. O primeiro deles está marcado para o Palácio Guanabara, onde será realizada uma recepção para o papa Francisco, com presença da presidente Dilma Rousseff. O esquema de segurança para manter os manifestantes longe do papa inclui o isolamento de vias como a Rua Pinheiro Machado e o Túnel Santa Bárbara.

Desde as primeiras convocações pelo Facebook, os protestos se sofisticaram, e passaram a ter características de movimentos orquestrados, como se viu na última quarta-feira no Leblon. Depois dos gritos de guerra em frente à casa do governador, grupos de vândalos partiram pelo bairro e por Ipanema, promovendo um quebra-quebra transmitido ao vivo pela TV.

Os protestos planejados para a Jornada Mundial da Juventude repetem uma versão diferente do desconforto causado a Cabral, ao prefeito Eduardo Paes e à presidente Dilma Rousseff na final da Copa das Confederações. O que era para ser um momento de coroação de uma parceria entre as três esferas de governo, no estádio do Maracanã reformado com custo de 1,1 bilhão de reais, tornou-se um constrangimento. Dilma e Cabral não apareceram; Paes ficou na tribuna sem ser anunciado. Diante do pontífice, a trindade não terá a opção de se esconder do público.

17 de jul. de 2013

Boa viagem, Juquinha!, de Ricardo Noblat

BRASIL - Opinião
Boa viagem, Juquinha!
O jornalista Ricardo Noblat refere-se ao cachorrinho da familia de Sérgio Cabral que tem mais horas de voo em helicóptero que muito piloto profissional e as pálidas manifestações chapa branca do dia nacional de luta, promovida pelos sindicatos.

Foto:Oscar Cabral/Veja

Juquinha, o cachorrinho da família, é um dos mais assíduos passageiros da esquadrilha de Cabral, o governador do Rio. Não é uma gracinha?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte:   Blog do Noblat, "thepassiranews"

O PT faltou ao Dia Nacional de Luta promovido pelas centrais sindicais.

Pensando bem, era só o que faltava: o partido que governa o país sair às ruas para cobrar do governo o que ele prometeu e não fez. Ou o que não prometeu, mas poderia fazer se quisesse.

As centrais apoiam o governo. Estão de prontidão para socorrê-lo em qualquer aperto. Mas elas devem o mínimo de satisfação aos seus associados.

O Dia Nacional de Luta foi um fracasso. Tanto maior porque pode ser comparado com o recente movimento liderado por jovens que cobram passe livre nos ônibus.

Um brotou espontaneamente. Aderiu quem quis. E os que aderiram poderão dizer: "Eu participei das maiores manifestações populares da história do Brasil em pouco mais de 500 anos".

O outro movimento nada teve de espontâneo. Parecia a projeção em preto e branco de um filme antigo, como observou o jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula.

Com uma diferença: no passado, o vermelho que coloria as ruas era monopólio do PT. Hoje, o vermelho que se vê aqui e acolá foi providenciado por outros partidos.

A militância do PT tem mais o que fazer. Está empregada. Parte dela muito bem empregada.

Há pelo menos duas frases exemplares cometidas nos últimos 10 dias por figurinhas carimbadas da República. Reunidas e explicadas, ilustram o estado de coisas que uma quantidade crescente de brasileiros gostaria de empurrar para sempre esgoto a dentro.

"Eu sou de carne e osso e preciso, vez por outra, de um descanso", afirmou Cid Gomes, governador do Ceará, a propósito de uma viagem à Ásia.

Em junho último, quando multidões irrompiam por toda parte, Cid embarcou para uma viagem de 14 dias com destino a Coreia do Sul. Tinha compromissos oficiais por lá.

Uma vez na Europa, esqueceu a Coreia, divertiu-se o quanto pode na companhia de amigos e até encarou um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Na ausência de Cid, o vice dele voou à Israel e Arábia Saudita. A trabalho. E também para repousar.

Foto: Marcelo Fonseca/Folhapress

“O governador Sérgio Cabral encara como uma perseguição ao seu mandato informações que soem como ‘denúncias’ quanto ao uso de helicópteros do Estado”,

A segunda frase: "Não sou o primeiro a fazer isso no Brasil. Outros fazem também", defendeu-se Sérgio Cabral, governador do Rio e alvo de uma reportagem publicada pela VEJA.

A revista descobriu que Cabral usava helicóptero do governo, comprado por quase R$ 20 milhões, para fazer diariamente um trajeto de não mais do que 10 minutos entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o palácio onde despacha.

Às sextas-feiras, o helicóptero chegava a voar cinco ou seis vezes entre o Rio e o município de Mangaratiba, onde Cabral tem uma casa de praia.

Cabral seguia no último voo. Nos anteriores, sua mulher, filhos e amigos deles, babás e o cão Juquinha.

O mesmo número de voos se repetia no domingo, de volta de Mangaratiba. Aumentava quando se esquecia algo. Como um vestido da primeira-dama resgatado por uma babá em voo extra.

“O governador Sérgio Cabral encara como uma perseguição ao seu mandato informações que soem como ‘denúncias’ quanto ao uso de helicópteros do Estado”, advertiu nota distribuída pela assessoria dele.

Ninguém ligou. O tempo não anda bom para os lados de Cabral.

Então outra nota anunciou que doravante Cabral irá trabalhar de carro. Os voos para Mangaratiba foram mantidos. Às nossas custas, naturalmente.

Cabral só se preocupa com valores do tipo moral, ética e decência quando flagrado atropelando algum deles. Ou todos ao mesmo tempo.

Aí finge que mudará seu comportamento. E até inventa código de ética que não sai do papel.

Mas não muda de comportamento, como se vê.

Porque ele sempre foi assim desde que escolheu a política como meio de sobrevivência. E nada sugere que deixará de ser assim.


*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original

13 de jul. de 2013

CARTAS MARCADAS: As suspeitas sobre licitações de R$ 1,2 bilhão no Rio

BRASIL - Corrupção
CARTAS MARCADAS:
As suspeitas sobre licitações de R$ 1,2 bilhão no Rio
Um vencedor antecipado por ÉPOCA, em anúncio de jornal, e indícios de sobrepreço lançam suspeitas sobre licitações de R$ 1,2 bilhão no Rio. As empreiteiras estariam loteando as licitações, num perde ganha programado, com sobrepreço para todo lado.

Foto: Custódio Coimbra/O Globo

Perto do Teto - A Lagoa de Jacarepaguá...

Postado por Toinho de Passira
Texto de Isabel Clemente, para Época
Fontes: Época

Um dos grandes passivos ambientais do Rio de Janeiro é o complexo de quatro lagoas na Barra da Tijuca e Jacarepaguá, área de rápida expansão na Zona Oeste da cidade. Assoreada e poluída, essa bacia hidrográfica se estende por um perímetro de 15 quilômetros, numa região populosa e industrial. Recuperá-la é um dos compromissos do governador Sérgio Cabral para a Olimpíada de 2016. O projeto, discutido em audiência pública no ano passado, conta com apoio de moradores, ambientalistas e empresas privadas. Promete interromper a degradação ambiental da região, que será o principal palco dos Jogos Olímpicos. Orçada em R$ 673 milhões pelo governo do Rio, a obra prevê até a construção de uma ilha-parque, com espaço de lazer para a população.

A largada para esse ambicioso projeto foi dada em junho, com o anúncio do vencedor da licitação. Ganhou um consórcio formado por três das maiores construtoras do país: Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez. O desfecho dessa concorrência não era uma incógnita para interessados, só para o grande público. Informada sobre um arranjo para entregar a obra ao consórcio, ÉPOCA publicou, no dia 11 de junho, nos classificados de um jornal fluminense, um anúncio cifrado com o resultado. Só no dia 14 de junho, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) abriu as portas para a reunião a que os concorrentes compareceriam para entregar suas propostas lacradas. Até então, oito construtoras tinham feito visita técnica à obra, um pré-requisito para entrar na concorrência. Eram oito potenciais interessados.

No dia marcado, apenas dois representantes foram até a Avenida Venezuela, na região portuária do Rio. O critério era o menor preço. O que se seguiu confirmou o script do anúncio. No dia 17 de junho, numa nova reunião, às 17 horas, após a confirmação de que os dois concorrentes preenchiam as exigências do edital, foram abertos os envelopes das propostas financeiras. Ganhou o consórcio Complexo Lagunar, formado pelas três empreiteiras, com uma oferta 0,07% mais barata do que o máximo que o governo se dispunha a pagar. A construtora Odebrecht, segunda colocada, entrou com um lance quase igual ao orçado pelo governo. Diante do resultado anunciado na própria reunião, curiosamente, as empreiteiras não questionaram nada. Aceitaram, assinaram e foram embora.

“Uma empresa que oferece quase zero de desconto entra para perder. Nenhum orçamento é tão apertado que não admita um mínimo de desconto. Quando há disputa para valer, as construtoras partem para a guerra, tentam desqualificar a proposta e a habilitação da outra”, diz o procurador da República Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público Federal no Tribunal de Contas da União (TCU). Oliveira comentou em tese o caso desta reportagem. Não acompanhou nem conhecia o nome das empresas participantes da concorrência. Como especialista em licitações públicas, estranhou a estratégia mansa dessa competição por uma obra tão cara no Rio.


o anúncio cifrado publicado por ÉPOCA (à esq.) e o resultado da licitação (à dir.)
O desconto sobre o preço máximo foi de 0,07%

O presidente da Comissão Permanente de Licitação da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio, José Almeoni Mendes da Silva Pinho, riu ao ser informado de que ÉPOCA soube o resultado da concorrência antes. Almeoni diz que, antes da abertura dos envelopes, não dá para adivinhar quem ganhará ou fará proposta e que ele não sabia de nada. “Se eu soubesse de algo, teria levado aos meus superiores, porque aí estão burlando um processo que não é deles. É nosso. Não são eles que escolhem quem ganhará”, diz.

Treze dias antes da reunião para receber as propostas, a Odebrecht, perdedora na concorrência das lagoas, conquistara uma obra da Secretaria de Estado do Ambiente. Num consórcio com a construtora Carioca Christiani-Nielsen, sagrou-se vencedora numa licitação de R$ 600 milhões, um valor muito próximo da obra para recuperar as lagoas. O projeto destina-se a prevenir enchentes dos rios Pomba e Muriaé, no Noroeste do Estado. As perdedoras, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão – vencedoras na obra das lagoas –, fizeram, separadamente, propostas muito próximas ao lance vencedor.

De novo, ninguém brigou. No projeto para os rios Pomba e Muriaé – que inclui construção de barragens, diques, muretas de concreto nas margens e recuperação de pontes –, 14 das 31 empresas que compraram o edital foram conhecer de perto o que deveria ser feito. Um desses construtores afirmou que o orçamento estava alto demais. “As obras não valem tudo isso”, disse, sob a condição de se manter anônimo. O TCU trabalha com a mesma hipótese.

ÉPOCA apurou que auditores do Tribunal encontraram indícios de sobrepreço da ordem de R$ 109 milhões, ou 18% do valor total estimado pelo governo do Estado. O cálculo exagerado veio, segundo informações preliminares da auditoria, de preços excessivos atribuídos a diversos serviços técnicos – algo sofisticado, que escapa ao olhar de um leigo.

Os fiscais já pediram explicações aos responsáveis, entre eles o subsecretário Antonio Da Hora, da secretaria comandada pelo ex-ministro Carlos Minc (PV). Se ficar comprovada a suspeita, que inclui ainda a elaboração de um edital com cláusulas restritivas à participação de mais interessados, a licitação poderá, no limite, ser cancelada pelo TCU ou sofrer alguma reviravolta.

O TCU auditou a concorrência porque ela é em parte bancada com verba federal e por sua relevância econômico-social, em áreas com alto risco de enchentes. As licitações estão reguladas pela Lei nº 8.666. Não segui-la pode configurar de ilícitos administrativos a crimes sujeitos a pena de detenção e multa.

Em junho do ano passado, o governo do Rio pegou um empréstimo de R$ 3,6 bilhões do Banco do Brasil para o Programa de Melhoria da Infraestrutura Rodoviária e Urbana e da Mobilidade das Cidades do Estado do Rio de Janeiro. Parte desse dinheiro deveria ser usada na re¬cuperação do sistema de lagoas da Barra e de Jacarepaguá.

Estudos confirmam a necessidade de dragagem para desassorear as lagoas, que mal trocam água com o mar. Essa asfixia contribui para a proliferação de algas tóxicas e compromete a vida do mangue numa paisagem bela, mas repleta de lixo. O governo afirma já ter investido R$ 550 milhões em rede de saneamento para reduzir o despejo de esgoto nas lagoas. É urgente fechar todos os canais por onde escoa essa sujeira.

1 de jul. de 2013

Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos

BRASIL – Economia
Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos
A OGX, a petroleira de Eike Batista anunciou hoje ao mercado que vai paralisar a produção de três poços de produção do campo de Tubarão Azul ao longo de 2014. O motivo é falta de óleo. O comunicado “altera praticamente todo o cenário no qual se baseavam as expectativas do mercado para a companhia, partindo agora para outro patamar, muito mais de sobrevivência do que de crescimento”, alerta a corretora Planner em relatório enviado aos clientes.

Foto: Daniel Marenco/Folhapress

Governador Sérgio Cabral e a presidenta Dilma Rousseff vestem a jaqueta da OGX e ladeiam o empresário Eike Batista, na pomposa solenidade, que marcou o início de produção de petróleo da OGX, na Bacia de Campos, agora anunciado como inviável

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Exame, O Globo

Segundo a Agência Reuters a OGX, do empresário Eike Batista, anunciou nesta segunda-feira que suspenderá o desenvolvimento de três campos de petróleo e interrompeu a construção de cinco plataformas, motivando queda de até 39 por cento das ações da companhia.

A petroleira também informou que não investirá no aumento da produção dos poços do campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, onde a extração pode parar no ano que vem.

Citando novas interpretações de dados geológicos, a OGX disse não ser viável o desenvolvimento dos campos Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, onde as novas plataformas da OSX --também controlada por Eike-- iriam operar.

"Restam poucos caminhos para a empresa. Já há algum tempo deixamos de ter preço justo e indicação para (as ações da) OGX, pela mais absoluta incapacidade de reunir dados confiáveis para realizar projeções", afirmou o analista Luiz Francisco Caetano, da Planner, em relatório intitulado "OGX: O fim da história?".

O anúncio da OGX veio após os três poços marítimos da empresa em produção, todos em Tubarão Azul, sofrerem problemas operacionais e registrarem quedas e interrupções nos últimos meses.

A produção marítima, que chegou ao pico de 13,2 mil barris de petróleo por dia em janeiro, despencou para 1,8 mil barris por dia em abril, recuperando-se a 6,8 mil barris por dia em maio.

As sucessivas frustrações com o nível de produção da OGX e a queima de caixa pela petroleira têm motivado forte queda das ações da empresa, contagiando os papéis de outras companhias de Eike listadas na Bovespa.

No meio de junho, a agência de classificação de crédito Fitch rebaixou o rating da OGX para "CCC", indicando alto risco de não pagamento da dívida.

Neste pregão, os papéis OGX, chegaram a valer 39,2 por cento menos.

No fim de maio, Eike reduziu sua participação na OGX de 61,09 para 58,92 por cento, em operações na bolsa por um preço médio de 1,73 real por papel.

Eike tem o compromisso de aportar até 1 bilhão de dólares na OGX, que tem uma opção contra o empresário a ser exercida até abril de 2014 ao preço de 6,30 reais por papel, se o Conselho da companhia julgar necessário.

Porém, a saída de três conselheiros independentes da OGX na semana passada, os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e da ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, seria um sinal de que empresa não exigirá de Eike o cumprimento da operação.

A OGX teve prejuízo de 804,6 milhões de reais no primeiro trimestre, quase três vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, devido a uma baixa contábil bilionária com poços secos.

IMPACTO NO MERCADO

A queda das ações da OGX tem impacto no mercado brasileiro como um todo pois, além da visibilidade da empresa perante os investidores internacionais, muitos dos quais participaram de sua abertura de capital, o papel tem um peso de 2,55% no Índice Bovespa. A ação estreou no mercado em junho de 2008 custando R$ 11,31 e chegou a valer R$ 23,27 em outubro de 2010.

Além disso, como principal ativo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, as dúvidas sobre sua viabilidade afetam as outras companhias coligadas, como a MMX Mineração, a LLX Logística e o estaleiro OSX.

Somando as demais empresas (MMX e LLX), o peso do grupo no Ibovespa sobe a 3,72%. LLX ON cai 8%, MMX cai 6%. OSX está em alta, de 1,4%, já que ela receberá os US$ 449 milhões pela quebra dos contratos no curto prazo. MPX Energia cai 1,32% e a empresa de carvão CCX, 13,19%.

CENÁRIO JÁ COMPLICADO

A divulgação dos problemas de produção da OGX agrava um cenário já conturbado para a empresa, que tem um endividamento elevado e baixas receitas. O mercado já vinha especulando desde a semana passada como a empresa faria para pagar seus débitos, de cerca de R$ 8 bilhões, o que estaria levando os principais bancos do país a procurar alternativas para evitar perdas e Eike a tentar vender ativos e participações para capitalizar as empresas e reduzir o endividamento.

As estimativas são de que Bradesco, Itaú e BTG Pactual tenham quase R$ 1 bilhão cada emprestados para a OGX e a Caixa Econômica Federal mais R$ 750 milhões. O BNDES tem uma posição de cerca de R$ 9 bilhões emprestados para o grupo EBX como um todo.

Segundo a gestora de recursos Vetorial, o impacto da queda de OGX e suas irmãs está prejudicando outros setores, especialmente o financeiro, por conta das dívidas com os bancos. Somente a queda de OGX tem um impacto negativo de quase um ponto no Ibovespa, lembra a gestora.

Em março, a holding de Eike, a EBX, firmou acordo de cooperação estratégica com o BTG Pactual para assessoria financeira, linhas de crédito e futuros investimentos para projetos.

Naquele mesmo mês, o controlador do BTG, o banqueiro André Esteves, chegou a afirmar que no caso da OGX, diferentemente de outras empresas de Eike, não havia muito para o banco fazer. "Uma coisa que não vamos fazer e não temos capacidade de fazer é tirar mais petróleo do fundo dos poços", disse Esteves em entrevista a um jornal.

22 de mai. de 2013

Cabral nega apoio a Dilma em 2014 se PT lançar candidato próprio no Rio

BRASIL -
Cabral nega apoio a Dilma em 2014
se PT lançar candidato próprio no Rio
Com Pezão e Paes, ele participou de encontro com Michel Temer para debater aliança; Dilma quando soube do assunto que seria tratado cancelou participação. Não se sabe quanto tempo ela terá para empurrar o problema com a barriga.

Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação

Cabral nos tempos em que era um apoiador incondicional de Dilma e do PT. Põe agora, em cheque, a aliação do PMDB-PT no Rio.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

O governador do Rio, Sérgio Cabral, o vice-governador do estado fluminense, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, se reuniram na noite desta terça-feira, na residencia oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, para o encontro dos governadores do PMDB.

Cabral, como previsto, deixou clara a posição de que o apoio à candidatura presidencial da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014 depende de o PT não lançar candidato ao governo fluminense. O princípio defendido por Cabral é de que o PT tem a obrigação de apoiar o candidato do PMDB no estado caso queira contar com a retribuição.

O assunto principal da noite foi a eleição de 2014. A situação eleitoral do Rio é uma das mais complexas para a aliança nacional PT/PMDB. Mais cedo, havia expectativa de que Dilma comparecesse ao encontro, mas a ida foi cancelada no final da tarde. Provavelmente a presidenta soube que seria posta contra a parede pelos pmdebistas de Cabral e resolveu adiar o confronto para adiante.

No final de semana, o senador Lindbergh Farias (PT) pôs fim à trégua dada a Cabral e Pezão. Após evitar confrontos públicos com os peemedebistas, a pedido do ex-presidente Lula, o potencial candidato do PT ao governo do Rio voltou a atacar os adversários em evento no último sábado, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Os governadores começaram o encontro descrevendo para o comando nacional da legenda a situação do partido nos seus estados. Além de Cabral, outra a relatar problemas na relação federal e estadual foi a governadora Roseana Sarney, do Maranhão, que chegou ao encontro acompanhada do pai, senador José Sarney. Roseana fez questão de lembrar que o principal adversário de seu grupo político nas eleições, o ex-deputado Flávio Dino, foi nomeado por Dilma para presidência da Embratur, o que o teria fortalecido.

Também participaram da reunião os cinco ministros do partido: Edison Lobão (Minas e Energia); Moreira Franco (Aviação Civil); Antônio Andrade (Agricultura); Garibaldi Alves (Previdência) e Gastão Vieira (Turismo).

Será que Cabral está mesmo disposto a encarrar Dilma, Lula e Cia. Conseguirá Lula demover o senador Lindbergh Farias e seu grupo das pretenções de concorrer na eleição de governador do Rio de Janeiro? Fortes emoções nos próximos capítulos dessa novela carioca.

Foto: Givaldo Barbosa / O Globo

REUNIÃO NO JABURU - Temer ao lado de Sérgio Cabral, Roseana Sarney, José Sarney e os Ministros do PMDB durante reunião (conspiração) no Palácio do vice-presidente


21 de jan. de 2013

Ex-presidente Lula é eleito a personalidade mais corrupta de 2012

BRASIL - Corrupção
Ex-presidente Lula é eleito a personalidade mais corrupta de 2012
‘Algemas de Ouro’ também premiou o senador cassado Demóstenes Torres e o governador Sérgio Cabral. Eleição foi marcada por fraude eletrônica na votação. Perfis falsos no Facebook direcionaram 38% dos votos para candidatos ligados a PSDB e DEM

Foto: Leo Martins / Agência O Globo

O Troféu Algemas de Ouro 2012, premiou os politicos Demóstenes Torres, Sergio Cabral e Lula, representados por integrantes mascarados do Movimento 31 de julho, que foram receber os prêmios, ou seja, as algemas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, O Globo, CBN, Trofeu Algemas de Ouro- FaceBook

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou 2013 vencendo mais uma eleição. Entre as personalidades mais corruptas de 2012, Lula ganhou com 65,69% dos 14.547 votos válidos o Troféu Algemas de Ouro. Em segundo lugar, com 21,82%, ficou o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) seguido pelo governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), com 4,55%.

Ironicamente, a segunda edição da premiação organizada pelo Movimento 31 de Julho foi marcada pela fraude. Os organizadores detectaram a utilização de um programa de votação automática que criou perfis falsos no Facebook, que direcionou 38% do total de votos (23.557) para candidatos ligados ao PSDB e ao DEM.

A premiação, que aconteceu na tarde deste domingo no Leblon, Zona Sul do Rio, foi marcada pela descontração. Em clima de carnaval, com máscaras representando os candidatos que disputaram o Algemas de Ouro 2012, os manifestantes elogiaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do julgamento do mensalão e lembraram os feitos “históricos” de cada concorrente. Além de Lula, Demóstenes e Cabral, estavam no pleito o senador Jader Barbalho (PMDB-PA); os deputados federais Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Paulo Maluf (PP-SP); o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e sua ex-companheira de Esplanada, Erenice Guerra; o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido); e o empresário Fernando Cavendish.

— Depois de eleger poste, o ex-presidente Lula mostra que ainda tem fôlego para ganhar mais eleições daqui para frente. Foram três candidatos que fizeram jus à premiação. Todos eles se destacaram nas páginas do jornal, mas o ex-presidente se sobressaiu. No ano passado, ele foi responsável por um dos momentos mais lamentáveis da história brasileira ao tentar chantagear um ministro do Supremo. Acho que por sua atuação em 2012, e nem quero lembrar de Valérios e Rosemarys, ele mereceu esse troféu e o cheque simbólico de R$ 153 milhões — afirmou Marcelo Medeiros, coordenador do Movimento 31 de Julho.

No último dia 9, os organizadores comunicaram à imprensa e à rede social Facebook — plataforma utilizada para computar os votos — a tentativa de fraude. A denúncia partiu dos próprios eleitores da enquete que perceberam que parte das escolhas foram feitas por perfis falsos, recém-criados no ambiente virtual.

— Não é militância. Se fossem militantes, era válido. O que detectamos foi uma organização criada para fraudar a disputa. Coincidentemente, os votos sempre eram para candidatos da oposição do governo petista e Cabral — explicou Medeiros, que prometeu mudanças na plataforma de computação dos votos na próxima eleição.

28 de jul. de 2012

Dilma, cinco segundos, Marina Silva, a eternidade

BRASIL - Política
Dilma, cinco segundos, Marina Silva, a eternidade
A presença da ex-ministra Marina Silva na cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres causou mal estar entre os ministros do governo de Dilma Rousseff. A participação destacada da adversária pegou Dilma de surpresa. “A situação gerou constrangimento, porque Marina é adversária política de Dilma, cuja presença como presidente do país que será a próxima sede dos Jogos Olímpicos foi ofuscada pela ex-ministra”. – comenta o Estadão

Foto: Paul Gilham/Getty Images Foto: Cameron Spencer/Getty-Images

BEM ACOMPANHADA - Marina Silva ao lado do presidente da ONU, pacifistas, atletas lendários e intelectuais, pessoas exemplares, inspiradoras para a humanidade

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Exame, Yahoo, BBC Brasil, Estadão

Marina Silva tirou o sorriso dentuço do rosto de Dilma Rousseff, quando desfilou a convite do Comitê Olímpico Internacional, ao lado de celebridades mundiais, entre elas o presidente da ONU, Ban Ki-moon, carregando a bandeira com os anéis olímpicos.

Exageradamente, a imprensa anda dizendo que a presença de Marina na festa, ofuscou Dilma, que da tribuna do honra do estádio, acompanhada da filha Paula Rousseff, foi focalizada apenas por cinco segundos, no instante em que a delegação brasileira desfilava entre as comitivas dos outros países.

Marian estava ali como ecologista. “Marina foi escolhida pela sua "dedicação pela luta contra o desmatamento" e por ser uma "apaixonada defensora de nossa frágil terra", segundo palavras do Comitê Olímpico Internacional.

A situação criou constrangimento e a turma de Dilma surpreendida não soube disfarçar.

"Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia europeia", disparou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adversário político de Marina na polêmica do Código Florestal. "Não podemos determinar quem as casas reais escolhem, fazer o quê?"

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a primeira reação foi de surpresa. Para ele, o COI deveria ter feito um melhor trabalho de comunicação com o governo brasileiro.

"É óbvio que seria mais adequado por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das pessoas", disse, sem deixar de reconhecer a importância do trabalho ambiental de Marina. Ou seja, se o comitê tivesse consultado o governo brasileiro teria vetado o nome de Marina.

Para outro membro da delegação, que pediu para não ser identificado, o que o COI fez foi o equivalente a convidar um membro da oposição britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como convidado especial.

Em entrevista ao Estadão, em Londres, Marina Silva disse que o governo brasileiro tentou "apequenar" a sua participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos 2012, ontem, "em uma disputa política".

A ex-ministra chorou ao saber sobre a reação da presidente Dilma Rousseff e de ministros e disse que a equipe de Dilma "não sabe separar as coisas."

”Ela é reconhecida internacionalmente por sua luta em defesa do meio ambiente.

Segundo Marina, o convite para participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres também a surpreendeu. Os organizadores a sondaram no domingo para saber se concordaria com o uso de sua imagem no evento e apenas na terça-feira confirmaram como seria a sua participação.

Marina desembarcou em Londres na quinta-feira. Sobre manter segredo, disse que foi instruída pelo Locog.

"Eu fiz como eles me disseram. Falei apenas com meus filhos e marido e pedindo a eles segredo. Não tinha como revelar isso ao governo, a ninguém. Foi um pedido", disse.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

MORDOMIA - Antes da aparição de Marina, Dilma divertia-se na Tribuna de Honra, acompanhada do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nusman, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e da filhota Paula Rousseff

Quanto a insatisfação gerada por integrantes do governo com a sua presença na festa Marina Silva disse ao Estadão

"Não acho que a gente deve apequenar isso em uma disputa política. Aqui é o interesse maior do Brasil. Isso me entristece", disse Marina, no Hotel Corinthia, onde está hospedada a convite do Locog, na capital londrina.

A ex-ministra disse que esperava apoio da comitiva brasileira e, principalmente, da presidente Dilma para a sua participação.

"Meu apelo é para a presidente Dilma: que a causa que eu represento, e ali não era eu como figura política, não seja uma afronta para o Brasil, que seja uma dádiva. Porque eu tenho tanto respeito pelo Brasil pela nossa história e a presidente Dilma sabe como, na minha divergência, eu sou leal”.

Marina disse por fim que as críticas do governo não importam. "O mais importante é que estou fazendo meu trabalho. E isso ficará como legado para o Brasil."

Hoje, pela manhã, Dilma perguntada por jornalista disse que não havia sido informada sobre o convite para a adversária das eleições de 2010:

- Não sabia e não preciso saber de tudo. Foi um orgulho. – encerrou e nada mais disse.


27 de jun. de 2012

Fortuna de Eike "encolhe" R$ 23 bilhões em três meses

BRASIL – Dinheiro
Fortuna de Eike "encolhe" R$ 23 bilhões em três meses
Bilionário perde sete posições no ranking da Bloomberg, mas ainda é o brasileiro mais rico, com R$ 16 bilhões, na frente do segundo colocado

Foto: Reuters

LISEU - Eike Batista, temporariamente menos bilionário

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Época - Negócios, Reuters

Eike Batista despencou no ranking dos bilionários da Bloomberg. O brasileiro, que chegou a ocupar a sétima posição no mês de março, aparece hoje na 14ª posição entre os homens mais ricos do mundo.

A fortuna de Eike Batista é avaliada em US$ 23,4 bilhões, uma "perda" de US$ 11,1 bilhões (R$ 23 bilhões) em relação ao valor estimado pela Bloomberg no fim de março (US$ 34,5 bilhões).

Na ocasião, a fortuna de Eike Batista chegou a esta cifra recorde depois que ele vendeu 5,63% por US$ 7,7 bilhões de sua holding EBX a investidores árabes de Abu Dhabi Mubadala.

O ranking da Bloomberg é diário e leva em consideração o movimento das ações em posse dos bilionários. Como o mercado acionário é muito volátil, a classificação dos ricaços varia bastante. O levantamento começou a ser feito em março para rivalizar com a lista anual da revista Forbes.

Nesta quarta-feira, as empresas de Eike enfrentam um dia ruim.

Investidores frustrados com dados de produção da OGX, companhia de petróleo do bilionário Eike Batista, derrubaram a ação da empresa em mais de 25 por cento nesta quarta-feira e levantaram novas dúvidas sobre o potencial do setor de óleo e gás brasileiro.

Na noite da véspera, a OGX divulgou que a vazão de óleo nos primeiros poços perfurados pela empresa em um campo na bacia de Campos é de 5 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia, apenas um terço do que o mercado esperava.

"Acreditamos que o baixo nível de produção em relação às expectativas coloca em dúvida todas as premissas por trás de todo o programa de crescimento da OGX", escreveu a equipe de análise do Bank of America Merrill Lynch em relatório.

"Vemos isso como um grande desapontamento que provavelmente terá um longo efeito sobre as avaliações feitas sobre a OGX."

O BofA Merrill Lynch cortou o preço-alvo para a ação da OGX de 19,50 para 7,30 reais e reduziu a recomendação de "neutra" para "underperform", esperando um desempenho abaixo da média do mercado.

No mesmo tom, o JPMorgan disse que o volume para os poços do campo de Tubarão Azul gera "grande incerteza sobre o potencial de petróleo recuperável" da OGX. Dependendo do sucesso de futuras perfurações e da capacidade de extração do óleo, o JPMorgan vê impacto negativo de 10 a 70 por cento sobre o valor justo que atribui à OGX.

A ação da OGX desabou 25,3 por cento, para 6,25 reais, enquanto o Ibovespa perdeu 1,35 por cento. Na mínima do dia, o papel da petrolífera perdeu 29,4 por cento.

Segundo operadores, a notícia era o motivo para a queda de papéis de outras empresas de Eike. OSX recuou 12,5 por cento, LLX caiu 7,47 por cento, MMX registrou queda de 6,94 por cento e MPX perdeu 7,69 por cento.

Para tentar acalmar o mercado, o empresário Eike Batista convocou uma teleconferência com analistas após o fechamento do mercado.

Foto: Portal Marítimo

Plataforma FPSO OSX-1, com o que há de mais moderno na Indústria Offshore, em operação na no Campo de Tubarão Azul, aquele que apresentou produtividade abaixo do esperado

PRODUTIVIDADE

O bilionário explicou que a produtividade do campo é boa, mas que será preciso injetar mais água para aumentar a vazão. Aos analistas, Eike Batista disse que a OGX vai substituir as bombas dos poços em Tubarão Azul na bacia de Campos para adequar os equipamentos à vazão mais baixa.

Ele informou que o grupo EBX, controlador da OGX, possui em caixa 9 bilhões de dólares para investir e também disse que a empresa já começou a perfurar o pré-sal da bacia de Santos.

SINAL DE ALERTA

A companhia de Eike não é a primeira a passar por escrutínio, com sinais de que o otimismo de investidores com o setor de óleo e gás no Brasil esteja se esgotando após o impulso com a descoberta do pré-sal alguns anos atrás.

A HRT -que explora blocos de petróleo na bacia do Solimões, na Amazônia- teve suas ações penalizadas pela falta de descoberta de óleo em perfurações. No lugar do petróleo, a companhia encontrou grandes quantidades de gás com extração inviável economicamente. A ação da HRT acumula perda de 47 por cento neste ano até 26 de junho.

A estatal Petrobras não cumpre suas metas de produção desde 2003. O novo plano de negócios da companhia prevê produção de 4,2 milhões de barris/dia em 2020, cerca de 700 mil barris diários a menos que a estimativa anterior.

Foto: Reuters

CHATO SER RICO - Exceto o tempo em que era casado com Luma de Oliveira, não temos inveja e até torcemos por Eike Batista. Ele fica cada vez mais rico, investindo e gerando empregos no Brasil. Sim, ele é chato, pedante e metido, mas quem não seria?

PRIMEIRO ÓLEO

A OGX deu início à produção do seu primeiro óleo, em Waimea, agora batizado Tubarão Azul, em 31 de janeiro. No início dos testes, a produção teve diferentes níveis de vazão, entre 10 mil e 18 mil barris/dia, mas todas muito acima do nível ideal de 5 mil barris por dia.

A empresa chegou a prometer uma produção entre 40 mil e 50 mil barris diários ainda em 2012, mas adiou essa meta para o segundo trimestre de 2013.

No comunicado de terça-feira, a OGX disse que mais dois poços produtores e dois poços de injeção de água serão interligados nos próximos 12 meses para aumentar gradativamente a produção de óleo do campo de Tubarão Azul.

Apesar da vazão menor, a OGX informou que continua confiante na recuperação dos 110 milhões de barris de óleo equivalente do Campo de Tubarão Azul.

A estimativa para todo o complexo de Waimea -que envolve outros campos- permanece entre 500 milhões e 900 milhões de barris. A declaração de 110 milhões de barris abrange apenas uma parte do campo de Tubarão Azul, onde a OGX opera a plataforma FPSO OSX-1.

Eike Batista nunca escondeu seu desejo de se tornar o homem mais rico do mundo, superando o mexicano Carlos Slim, hoje com uma fortuna de US$ 69,1 bilhões. Apesar da atual queda, ele ainda é o brasileiro melhor colocado da lista que engloba 40 bilionários. Na 39ª posição, está o investidor Jorge Paulo Lemann, com uma fortuna de US$ 15,7 bilhões.

O BILIONÁRIO, A PODEROSA E O EMPATA
PINTOU UM CLIMA? Sérgio Cabral, numa de suas passagens pelo Rio de Janeiro, foi a testemunha desse momento histórico: o dia em que o bilionário Eike Batista, dono do grupo EBX, encontrou-se com uma das mulheres mais poderosas do mundo, a ex-guerrilheira e presidenta, Dilma do Brasil. Comemorava-se o início da produção de petróleo da OGX, a companhia de petróleo dele. Foi um momento mágico, ele havia encomendado uma lua cheia, um céu estrelado e de quebra Cabral apareceu exalando um doce aroma de perfume francês (presente de Cavendish)

Foto: Reuters

Foi essa foto, e não a baixa produtividade dos poços que fez as ações de Eike desabar. Os investidores avaliaram que Eike está tão desesperado para salvar as empresas que resolveu abrir mão do controle de qualidade, pelo menos, no quesito mulher.

Nos bastidores ele tentou explicar que estava apenas de olho no BNDES dela. Defende-se, inclusive dizendo que levou Cabral como “empata oficial”, para evitar que a coisa saísse do controle, mas Cabral como sempre, mostrou-se incompetente para cumprir sua tarefa.

Difícil mesmo foi depois se livrar do assédio de Cabral e dos ciúmes de Cavendish (o dono laranja de Delta Construções).

E vocês ficam pensando que vida de bilionário é fácil.


26 de mai. de 2012

Cachoeira também atuava no ramo das quentinha suspeitas

BRASIL - Corrupção
Cachoeira também atuava no ramo das quentinha suspeitas
A reportagem de Murilo Ramos e Marcelo Rocha para a revista Época, conta como Carlinhos Cachoeira fazia lobby para a empresa goiana fornecedora de alimentos, Cial, que além de fornecer quentinhas para presídios, inclusive o da Papuda, no Distrito Federal, onde no momento o bicheiro está “hospedado”, tem como clientes, entre outros, a Presidência da República e o governo de Sérgio Cabral.

Foto: Igo Estrela/ÉPOCA

FORNECEDORA
Um veículo da Cial faz entrega nas dependências do Palácio do Planalto. A empresa contou com lobby de Cachoeira para conseguir contrato em Goiás

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Revista Época

Até o dia 29 de fevereiro deste ano, quando foi preso, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estava acostumado à gastronomia de luxo. Entre os milhares de gravações captadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, há ocasiões em que se ouve Cachoeira tratando de jantares e da degustação de bons vinhos com o senador Demóstenes Torres (“Quero saber a que horas você vem, para... decantar o vinho”, diz Demóstenes).

Cachoeira come no presídio da Papuda a quentinha que ele mesmo amassou
Na prisão, a realidade é outra. As regras do presídio da Papuda, em Brasília, permitem a entrada de poucos alimentos externos. Cachoeira tem de se virar com a comida da cadeia. Por coincidência, trata-se da comida que ele mesmo patrocinou, por meio de lobby para influenciar o resultado de concorrências.

Uma das três fornecedoras de marmitas para os mais de 11 mil presos da Papuda é a empresa Cial Comércio e Indústria de Alimentos. De acordo com a investigação da polícia, no ano passado Cachoeira trabalhou para que a Cial ganhasse contratos com o governo de Goiás.

A Cial é uma empresa goiana. Além de servir à Papuda, ela administra dois restaurantes e fornece lanches, coquetéis e outras refeições para servidores do Palácio do Planalto. O contrato com a Presidência da República, firmado em 2008, já lhe rendeu R$ 27 milhões.

Nem todo contrato, porém, pode lhe trazer benefícios. Há quase dois meses, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) abriu uma investigação sobre o contrato da Cial e outras 16 empresas com o governo do Rio de Janeiro. Responsável por investigar práticas lesivas à concorrência, em agosto de 2009 a SDE recebeu a denúncia de que 17 empresas haviam formado um cartel para s burlar uma concorrência para fornecer marmitas a presídios. A Cial encabeça a lista das denunciadas.

Órgão do Ministério da Justiça, a SDE só inicia uma investigação se houver indícios contundentes de condutas desleais. No caso do Rio, a SDE identificou propostas de preços idênticos, falta de competição e elos entre as participantes. A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro afirma não ter encontrado irregularidades na concorrência. Nos últimos anos, a Cial recebeu cerca de R$ 30 milhões do governo de Sérgio Cabral (PMDB).

Foto: reprodução

INVESTIGADA
Trecho de documento da Secretaria de Direito Econômico. A Cial é investigada por suspeita de formação de cartel no Estado do Rio de Janeiro

Na investigação da PF sobre o esquema de Cachoeira, a Cial aparece como uma empresa defendida pelo bicheiro. Em conversa com um interlocutor identificado apenas por Michel, no dia 9 de agosto do ano passado, Cachoeira afirma que a Cial deveria ser favorecida por uma decisão judicial para fornecer marmitas ao presídio de Aparecida de Goiânia, o maior de Goiás.

Cachoeira pretendia afastar do contrato uma concorrente, a Coral. Michel pergunta a Cachoeira se a Cial era do bicheiro. “Não é minha não, rapaz”, diz Cachoeira. “É de amigos. É Cial. A nossa é a Cial.” Sem entender direito o que Cachoeira diz, Michel pergunta se é Cial ou Coral. “Não. É para ser a Cial. A Coral tem de levar ferro”, diz o bicheiro.

Um mês antes desse diálogo, Cachoeira conversara sobre o assunto com o ex-vereador de Goiânia Wladmir Garcez (PSDB). Segundo a PF, Garcez era um de seus principais auxiliares da organização criminosa. Numa gravação, Garcez afirma a Cachoeira que um interlocutor ligara para o então procurador-geral do Estado, Ronald Bicca, para “tirar a Coral do processo”.

Garcez e Cachoeira cogitam pedir ajuda ao senador Demóstenes para favorecer a empresa de seus amigos. A Cial não foi beneficiada pela Justiça porque o juiz que analisou o caso entendeu que a Coral tinha o direito de fornecer as marmitas.

Meses depois, devido a dificuldades financeiras da concorrente, a Cial conseguiu fornecer parte das marmitas. Mencionado em outras conversas entre Cachoeira e seus comparsas, o procurador Bicca deixou o cargo após a deflagração da Operação Monte Carlo.

A Cial enfrenta contestações sobre a qualidade de seus produtos servidos no Distrito Federal. De acordo com relatórios da Secretaria da Saúde do DF, a Cial serviu alimentos contaminados a pacientes de um hospital público de Brasília. Foi constatado, também, o reaproveitamento de refeições. A Secretaria da Saúde apontou ainda superfaturamento no preço de itens fornecidos.

A empresa corre o risco de ser considerada “inidônea” pelo governo do DF. Frederico Valente, proprietário da Cial, nega que sua empresa tenha participado de cartel no Rio de Janeiro. Valente diz não conhecer Cachoeira nem saber por que ele usou o nome da Cial em suas conversas.

Valente admite conhecer Garcez, mas diz nunca ter conversado com ele sobre o contrato da prisão de Goiás. Valente afirma, ainda, que a Cial enfrentou problemas pontuais no fornecimento de refeições para um hospital de Brasília, mas que todos foram sanados.

Como consumidor das refeições oferecidas pela Cial na Papuda, Cachoeira pode agora avaliar melhor os serviços da empresa que defendeu.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

20 de mai. de 2012

Vaccarezza para Cabral: “Você é nosso e nós somos teu...”(s)

BRASIL – Corrupção - CPMI
Vaccarezza para Cabral:
“Você é nosso e nós somos teu...”(s)

O torpedo do ex-líder do governo na Câmara, dirigido ao governador do Rio, é um texto que está entre a imoralidade política e a promiscuidade sexual, revelando uma desvairada orgia suprapartidária, em curso na CPMI do Cachoeira.

Foto: Captura do video SBT

O torpedo de Vaccarezza comprometeu ainda mais a reputação duvidosa da CPMI

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, O Globo, Blogo do Augusto Nunes- Veja

O torpedo enviada pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) ao governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB) flagrado por um cinegrafista do SBT na quinta-feira, 17, era o ingrediente que faltava na pizzaria da CPMI do Cachoeira.

A mensagem, dizia: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu...”

Como se vê trata-se de um texto que está entre a imoralidade política e a promiscuidade sexual, revelando possibilidades claras de uma desvairada orgia suprapartidária.

Vaccarezza tentou explicar a mensagem politicamente, não convenceu ninguém. O PT e o PMDB, não dizem em público, mas não gostaram e estão querendo a saída do deputado, ex-líder do governo, no Congresso, a deixar a CPMI. A oposição se aproveita para ameaçar a convocação de Cabral (PMDB-RJ), ganhando dividendos para evitar a convocação do governado Marconi Perillo (PSDB-GO).

Foto: Aílton de Freitas/O Globo

Vaccarezza saindo do armário para explicar o torpedo para Cabral.

Só resta a Vaccarezza, aproveitando o tom intimista e carinhoso da mensagem, sair do armário. Dizer ao mundo que a mensagem não tem nada da política é apenas um rompante de paixão, uma declaração de amor, uma promessa de alcova, ou qualquer coisa desse tipo. Está na moda e os críticos poderão ser acusados de homofobia, despois disso.

Por enquanto, constatou-se que o prometido no torpedo de Vaccarezza era politicamente real. Não havia riscos para Cabral nem os demais governadores que supostamente teriam ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira e a Delta Construções, serem interpelados na comissão parlamentar.

Naquele mesmo dia do torpedo dúbio, os integrantes da CPI, por ampla maioria, decidiram que eles não seriam convocados, com a ajuda da, também comprometida, oposição.

Na CPMI, base aliada e governo, salvo andorinhas isoladas, conjuga-se um estranho verbo irregular: Eu blindo os teus, tu blindas os meus, nos blindamos todos, eles ficam impunes.

Foto: Marcos de Paula/Agência Estado

Sérgio Cabral nunca escondeu que tem seus momentos de rapaz alegre


15 de mai. de 2012

Cabrais e Cavendishes - Roberto Pompeu de Toledo

OPINIÃO
Cabrais e Cavendishes


Há Cabrais e Cabrais.

Roberto Pompeu de Toledo
Fonte: Veja - 14/05/2012

Entre o primeiro Cabral (o Pedro Álvares, descobridor do Brasil) e o segundo (o Sérgio, governador do Rio de Janeiro) medeiam cinco séculos, mas algo os une: ambos se tornaram célebres pelas viagens. A bem da verdade, a viagem do primeiro Cabral tomou-o célebre já faz tempo, enquanto as do segundo só recentemente se impuseram com a evidência merecida. Isso não impede que o segundo, assim como o primeiro, entre para a história por força delas.

O primeiro Cabral deslumbrou-se com o mundo com que deparou. Araras, índios nus enfeitados com penas e índias que vão mostrar as vergonhas “têm tanta inocência como em mostrar os rostos”, conforme registro do escrivão Pero Vaz de Caminha, fizeram o espanto e a alegria da comitiva. O segundo igualmente se deslumbrou. Miçangas como finos restaurantes e sapatos para senhoras, segundo imagens captadas nos locais visitados, proporcionaram à sua comitiva alegria que não ficou a dever à distante antecessora. A comitiva do primeiro Cabral observou, curiosa, como os índios "andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros”. A comitiva do segundo Cabral tratou ela própria de exibir seu exotismo, os homens dançando e folgando com guardanapos na cabeça.

Sérgio Cabral passou 128 dias no exterior desde que assumiu o governo do estado, em 2007, segundo contabilizou o jornal O Estado de S. Paulo, com base em informações do Palácio Guanabara. O total o estabelece como um viajante de respeito. Ainda mais que nele não se incluem as viagens particulares; só as ditas "oficiais". Pedro Álvares Cabral gastou 44 dias em sua penosa viagem de Lisboa até o local hoje conhecido como Brasil - um terço do que gastou em suas perambulações o homônimo de cinco séculos depois. O destino preferencial de Sérgio Cabral foi Paris, onde esteve cinco vezes; quatro vezes esteve em Londres, e outras quatro em Nova York. A Pedro Álvares, na viagem à Índia que encetou em seqüência à breve passagem pelo Brasil, couberam destinos como Melinde e Calicute. Não parece, mas na época eram lugares igualmente glamourosos. Pena que até chegar a eles mais da metade dos navios foi destroçada nas tempestades e a tripulação foi dizimada.


Há Cavendishes e Cavendishes

Entre o primeiro Cavendish (Thomas, navegador inglês) e o segundo (Fernando, até outro dia dono da construtora Delta) há igualmente cinco séculos de distância, mas também pontos em comum: a busca da riqueza, para começar; os vaivéns da sorte, em seguida. O primeiro Cavendish poderia ter entrado na história pela glória de, entre os anos de 1585 e 1588, ter repetido a proeza de Fernão de Magalhães ao circunavegar o globo. Na história do Brasil, entrou na qualidade de pirata. O segundo Cavendish poderia ter se destacado como empresário que em poucos anos conduz a pequena empreiteira herdada do pai ao posto de uma das maiores do país. Acabou enredado na teia das operações do bicheiro Carlos Cachoeira.

Fernando Cavendish começou pequeno, virou grande e ameaça acabar em nada. Thomas Cavendish conheceu também os altos e baixos. Na viagem de circunavegação, amealhou fortuna saqueando navios e portos das colônias espanholas da América, numa época em que a Espanha estava em guerra com a Inglaterra. Tal foi seu sucesso que recebeu da rainha Elizabeth I o título de “sir”. Esbanjou a fortuna, no entanto, e na tentativa de refazê-la fez-se de novo ao mar, desta vez tendo por alvo os portos brasileiros. No dia de Natal de 1591, chega a Santos. Para sua sorte, praticamente toda a população da cidade se encontrava na igreja, celebrando a data. Foi fácil mantê-la ali dentro, presa, enquanto a vila era saqueada.

Fernando Cavendish, amigo íntimo de Sérgio Cabral, seu vizinho nas casas de veraneio de Mangaratiba e companheiro de estripulias em Paris, é um dos integrantes da agora famosa roda do guardanapo. Seu distante homônimo também gostava de festividades. Apesar de não passar de um “franco ladrão dos mares”, nas palavras de um historiador, “sabia dar às suas façanhas e depredações uma cor de elegância cavalheiresca, tomando-se popular, e sendo aplaudido, em vez de renegado, pela própria aristocracia europeia” (Rocha Pombo). Terminou mal, no entanto. Ao voltar a Santos, para um segundo assalto, foi repelido, assim como o seria em seguida no Espírito Santo, perdendo na aventura a frota e o grosso de seus homens. Morreu no mar, sem conseguir voltar à Inglaterra, “provavelmente ralado pelo remorso”, segundo outro historiador (Varnhagen).


*Acrescentamos fotos e ilustrações a publicação original

3 de mai. de 2012

RICARDO NOBLAT: Responda aí, seu Cabral

OPINIÃO
RICARDO NOBLAT: Responda aí, seu Cabral
“O PMDB foi contra a criação da CPI do Cachoeira. Onde já se viu governo criar CPI?” Celebrava entusiasmado o fato espantoso de nenhum dos seus caciques estar envolvido no mesmo mar de lama que ameaça afogar algumas estrelas de primeira grandeza de outros partidos. Mas aí Garotinho ganhou de presente mais de 80 fotografias e uma dezena de vídeos”. (mostrando uma amizade promíscua entre o governador do Rio Sérgio Cabral e o dono da Empreiteira Delta, aquela ligada a Cachoeira) “...e acabou com o entusiasmo do PMDB.”

Foto: PUC Rio Digital 2

Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

No fim da tarde do último domingo, em entrevista ao portal IG, o senador Ricardo Ferraço (ES), um dos representantes do PMDB na CPI do Cachoeira, foi incisivo quanto à necessidade de convocar o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) para ir depor ali:

— Será uma oportunidade para ele se explicar sobre as denúncias de que privilegiou a Delta por ser amigo do Fernando Cavendish. Não faria sentido chamarmos outros governadores acusados de envolvimento na teia da CPI, como o [Marconi] Perillo e o Agnelo [Queiroz], e deixarmos o Cabral de fora só porque pertence ao PMDB ou porque governa o Rio.

Palavras sensatas. Raciocínio lógico. Preocupação com a Justiça.

Cabral é do mesmo partido do senador. Que nem por isso se sente na obrigação de defendê-lo. Numa CPI todos são juízes. E como juízes deveriam se comportar.

Fotos do Governador Cabral, em Paris, acompanhado de Cavendish, o dono da Delta, alardeadas por Anthony Garotinho, no seu Blog
Ferraço estava sob o impacto das primeiras fotografias e vídeos divulgados dois dias antes no blog do ex-governador Garotinho que mostram passagens de uma farra milionária de Cabral em Paris na companhia de Cavendish e de secretários de Estado.

Na segunda-feira pela manhã, Ferraço deu o dito pelo não dito. E acusou Garotinho de fazer “disputa política”.

— O Renan me deu liberdade para agir de acordo com minhas convicções. E minha convicção é que não vou ser instrumento de lutas regionais. Pode tirar o Garotinho da chuva! —disse Ferraço.

Renan Calheiros (AL) é o líder do PMDB no Senado, e candidato a presidir o Senado mais uma vez. É razoável presumir que ele – e mais ninguém - tenha enquadrado Ferraço entre a noite do domingo e a manhã da segunda. Foi rápido no gatilho.

Ferraço confessou candidamente que Renan lhe deu liberdade para proceder de acordo com suas convicções. Desde que ele pense igual a Renan, é claro.

A liberdade de Ferraço proceder como pensa é uma outorga de Renan – não é um direito dele.

Garotinho faz, sim, “disputa política”, como acusou Ferraço depois de ouvir Renan. A “disputa política” feita por Garotinho é igual à promovida por Renan, Ferraço, Cabral e todos os interessados em conquistar o poder. E em mantê-lo.

O PMDB foi contra a criação da CPI do Cachoeira. Onde já se viu governo criar CPI? E ainda mais um governo tão bem avaliado quanto o da presidente Dilma?

CPI é instrumento da minoria. Que a maioria desativa sempre que pode.

Uma vez que Lula bateu o pé, atropelou Dilma e empurrou a CPI goela abaixo do PT, o PMDB do vice-presidente Michel Temer estava pronto para socorrer o governo diante de eventuais dificuldades. Apresentaria a conta mais tarde.

Celebrava entusiasmado o fato espantoso de nenhum dos seus caciques estar envolvido no mesmo mar de lama que ameaça afogar algumas estrelas de primeira grandeza de outros partidos. Mas aí Garotinho ganhou de presente mais de 80 fotografias e uma dezena de vídeos. E acabou com o entusiasmo do PMDB.

O governo federal está numa sinuca de bico. A faxineira ética, para continuar faturando como faxineira, está impedida de mexer um dedo em defesa de Cavendish, dono da empreiteira com o maior número de obras do Programa de Aceleração do Crescimento.

O naufrágio da Delta, contudo, comprometerá o programa que reelegeu Lula e elegeu Dilma. A Delta tem obras em todos os Estados – e mais no Distrito Federal. Aos governadores não interessa sua desgraça. Pelo contrário.

Cavendish sempre foi amigo de governadores, senadores e deputados. Arraia graúda era com ele. Miúda, não. Generosamente, a Delta jamais se negou a contribuir para campanhas eleitorais, por dentro ou por fora, de qualquer jeito.

Parece improvável a vitória da tese de que apenas os negócios da Delta no Centro-Oeste devem ser examinados com rigor pela CPI. Como se Cavendish nada tivesse a ver com eles. Como se a Delta, somente ali, tivesse apodrecido. Mas nunca se sabe...

Uma CPI não é formada apenas por deputados ou senadores ou todos juntos.

Há um integrante oculto em toda CPI, e ele é sempre o mesmo. E ele é poderoso. Atende pelo nome de opinião pública.

No resto do tempo, a opinião pública não costuma prestar muita atenção nos malfeitos dos políticos– ou de gente ligada a eles. Com uma CPI em funcionamento, e o barulho que ela provoca, a desatenção se reduz.

A CPI tem muitas perguntas a fazer a Cavendish. A Cabral, poucas. Mas não dá para não fazê-las sob pena de a CPI se desmoralizar. Ela começou mal, ontem.

Noblat sugere um elenco de perguntas caso Cabral fosse a CPMI depor:

PERGUNTAS PARA CABRAL:

* Quantas viagens oficiais ou particulares fez ao exterior desde que assumiu o governo do Rio? Data, destino, duração, motivo de cada viagem e comprovantes.

* Em quantas dessas viagens Cavendish esteve presente? Por quê?

* Cadê os documentos relativos ao pagamento de cada uma das viagens?

* Quantas vezes voou dentro ou fora do Brasil em jatinhos particulares?

* Quantas dessas viagens foram feitas em jatinhos emprestados por amigos?

* Liste os amigos que lhe emprestaram jatinhos e aponte aqueles que têm negócios com o governo do Rio.



*Acrescentamos fotos publicadas no Blog do Garotinho mais subtítulo e legenda ao texto original