1 de jul de 2013

Pobre Dilma! (Ou: Começar de novo!), de Ricardo Noblat

BRASIL - Opinião
Pobre Dilma! (Ou: Começar de novo!)
Noblat comenta sobre a receita para salvar o governo Dilma, apregoada pelo mensaleiro José Dirceu de Oliveira, depois do resultados das pesquisas, que detectaram que foi ela quem mais perdeu pontos de uma única vez desde que pesquisas começaram a ser aplicadas no país

Foto: Ed Ferreira/Agência Estado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Receita simples de um experiente observador da política brasileira para que o governo de Dilma se recupere já e vença as eleições do próximo ano:

- É preciso mudar e muito a relação política com a sociedade, o Congresso, os partidos, os governadores e prefeitos, as entidades empresariais, sindicais e populares. Além de mudar sua comunicação e a gestão e execução dos principais programas do governo.

E por fim:

- É preciso reavaliar prioridades e manter o rumo da política econômica para crescer sem inflação e distribuindo renda. É preciso também ouvir as críticas, demandas e reivindicações da cidadania. Além de ouvir as ruas e ir para as ruas defender e debater com o povo o plebiscito e a reforma política. No mais, é preciso mobilizar a base social e política do governo para defendê-lo e defender a obra do PT.

Que tal? Moleza?

Apresento-lhes o autor da receita para salvar o governo que mais perdeu pontos de uma única vez desde que pesquisas começaram a ser aplicadas no país: José Dirceu de Oliveira, ex-coordenador da campanha vitoriosa de Lula em 2002 para presidente da República, ex-ministro-chefe da Casa Civil, deputado federal cassado por seus pares, e finalmente condenado pela Justiça como chefe da quadrilha do mensalão.

Em resumo, ele recomenda uma mudança radical de comportamento do governo faltando 15 meses para a eleição que poderá estender o mandato de Dilma por mais quatro anos – ou não.

A mudança não é radical porque seus ingredientes sejam. É radical porque implica em virar o governo pelo avesso, a presidente pelo avesso.

Mudar a relação com a sociedade... Com os políticos, os líderes sindicais, o povo...

Perguntem a Dilma se ela enxerga problemas na sua relação com a sociedade, os políticos seus parceiros, os líderes sindicais, e o povo que até recentemente a sustentava no mais alto pedestal jamais alcançado por um presidente.

Talvez admita que enfrente alguns problemas com os políticos, sim, mas por culpa deles. Os políticos querem empregos e dinheiro sem limite. E chantageiam o presidente.

Pobre Dilma!

Os sindicalistas se parecem com os políticos. E se ela ceder aos seus apelos será o fim. De resto, não disfarçam seu despreparo. E falam muitas bobagens.

Mais de uma vez – pobre Dilma! – ela foi obrigada a mandar alguns deles calarem a boca. Ou a interromper a reunião com eles porque tinha mais o que fazer. Admira a paciência de Lula, mas a dela é menor. Fazer o quê?

José Dirceu propõe a mudança da gestão e da execução dos principais programas do governo. O que quer dizer com isso? Que os programas, verdadeiras joias da coroa do governo, estão sendo mal conduzidos?

Até aqui só quem dizia uma coisa dessas era a oposição.

Os principais programas do governo são mal geridos e mal executados...

Quero só ver Dilma concordar. Caso concorde assinaria o atestado de óbito de sua administração.

Agora é fácil falar em ouvir as críticas e demandas das ruas porque elas começaram a gritar. Mas quem foi capaz de prever que todo esse desmantelo ocorreria? Quem foi?

Não é justo cobrar das pessoas o que elas não estão preparadas para dar.

Jamais passou pela cabeça de Dilma aspirar à presidência.

Ela não pediu para suceder Lula. Acreditou que poderia dar conta do recado se contasse com os conselhos inteligentes dele.

Enganou-se.

Lula não esconde dos mais íntimos que também se enganou ao indicar como candidata a mulher que dizia ser melhor gestora do que ele.

Dilma está ameaçada de passar à História como a presidente que marcou o fim da Era do PT no poder.

Pobre Dilma!
*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original

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