31 de jul de 2012

Mulher de Cachoeira paga fiança; advogado Thomaz Bastos deixa o caso

BRASIL – Caso Cachoeira
Mulher de Cachoeira paga fiança;
advogado Thomaz Bastos deixa o caso
O bandido Cachoeira , no fundo de sua cela, no mesmo dia, recebeu a notícia de que sua mulher não pode mais lhe visitar, e seu advogado, o pomposo ex-ministro Thomaz Bastos, não é mais seu advogado. O que é ruim para o bandido é bom para o Brasil

Foto: Fernando Bizerra Jr./EFE

Carlinhos Cachoeira acompanhado do seu advogado, o ex-ministro Thomaz Bastos, no depoimento a CPMI, no Congresso em Brasília

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, ”thepassiranews”, G1 - Goiás, Ultimo Segundo

Praticamente no mesmo instante que se noticiava que a mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, havia depositado, nesta terça-feira, em juízo, fiança de 100 000 reais para responder em liberdade a acusação de corrupção ativa, o advogado Marcio Thomaz Bastos, ex-ministro da justiça, divulgou que está afastando-se, com seu escritório, da defesa do bicheiro.

No primeiro momento, concluiu-se que o fato da mulher de Cachoeira ter tentado chantagear o juiz federal Alderico Rocha Santos e negociar com ele a libertação do bicheiro, teria motivado o advogado a tomar a decisão.

Ontem foi divulgado que Andressa havia abordado O juiz federal Alderico Rocha Santos, que cuida do processo do seu marido em Goiás, prometendo que a revista Veja, não publicaria uma reportagem com informações desabonadoras, contra ele, se o magistrado soltasse o seu marido, Carlinhos Cachoeira.

Conseguiu apenas dificultar sua vida e a do seu marido. Está sendo indiciada, foi obrigada a pagar uma fiança de R$ 100 mil, para permanecer em liberdade, e está, entre outras coisas, proibida pelo juiz, que cuida do caso da chantagem, de visitar o seu marido.

A defesa de Cachoeira está ficando cada vez mais difícil, não só pela gama de crimes que vão se somando ao inicialmente denunciado, mas também, pelas novas e desastradas ações da quadrilha, na atualidade: ora ameaçando magistrados e promotores, ora posta sob a suspeita de ter assassinado um policial federal. Agora essa ação de Andressa que teria sido a gota d’água, no copo de Thomaz Bastos.

Para que a defesa de um bandido desse porte funcione, é preciso que ele confie completamente no advogado e não fique tomando iniciativas por conta própria, (ou determinando ações de outros membros da quadrilha) criando fatos novos comprometedores. Cachoeira inclusive tentou agredir e ameaçou um guarda penitenciário, pode está ganhando um novo processo, enquanto perde o item de “bom comportamento carcerário” fundamental para a obtenção de um habeas corpus.

Por outro lado, pode se imaginar, que Cachoeira não estava satisfeito com a atuação de Thomaz Bastos. O bandido, acostumado a negociar com autoridades dispostas a atender os seus pedidos com presteza e precisão, estranha que o advogado tão poderoso, não consiga lhe tirar das grades.

Quando contratou Thomaz Bastos, contratou o ex-ministro da Justiça, o homem que teve a Polícia Federal, sob suas ordens. Na cabeça do bandido, o advogado conseguiria pô-lo na rua em liberdade em dois tempos. Para isso topou pagar uma fortuna, especula-se que o contrato somava R$ 15 milhões.

O escritório de Thomaz Bastos já deve ter recebido pelo menos um terço do valor do contrato, senão o ex-ministro da justiça não teria posado para os fotógrafos ao lado do bandido, quando ele foi depor no congresso nacional.

A advogada Dora Cavalcanti, que integra a equipe do ex-ministro, Thomaz Bastos, e que acompanhou Carlinhos Cachoeira, como defensora, nas audiências em Goiânia, disse não há relação "com o mérito da causa" e muito menos com as denuncias de ontem (a tentativa de chantagem) a saída do escritório, da defesa do bandido.

Acrescentou que a saída foi combinada anteriormente com o réu e com sua família. “Passadas as audiências de Goiânia, nós deixaríamos o caso".

Dificilmente a advogado está falando a verdade: as hipóteses mais viáveis, é que ou Cachoeira simplesmente os dispensou, ou eles estão saindo do caso, porque o bandido, não estava honrando os pagamentos das parcelas combinadas no contrato. A hipótese mais remota, é a primeira imaginada, por todos: que Thomaz Bastos, por questões éticas, ofendido com a tentativa de chantagem de Andressa, e por todos os outros atos de Cachoeira e quadrilha, durante o andamento da defesa, resolveu cair fora.

O objeto do desejo de todo advogado criminalista, é um cliente estupidamente endinheirado e estupidamente enrolado processualmente. Cliente sem ética é o que não paga.

Cachoeira perde com a saída de Thomaz Bastos. Correu o risco de cair nas mãos de algum aventureiro. Tivesse ficado quieto, provavelmente seria posto em liberdade após a ouvida das testemunhas de Goiânia, sem necessidade de chantagear o juiz.

Felizmente, sua prepotência de mafioso e seus métodos truculentos, o estão fazendo atolar cada vez mais no próprio lamaçal.


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