30 de jul de 2012

Pedro Corrêa, nosso homem no mensalão

BRASIL – Julgamento do Mensalão
Pedro Corrêa, nosso homem no mensalão
Como Lula escapou, o nosso ex-deputado Pedro Corrêa será o único representante de Pernambuco, como réu, no julgamento do mensalão. Mesmo tendo sido cassado por causa do envolvimento com o mensalão a tese da defesa de Corrêa, no STF será de que se o mensalão existiu, nem Pedro Correa, nem seu partido sequer sabiam da sua existência, apesar do seu assessor ter sido flagrado fazendo um saque na conta de Marcos Valério, o operador do mensalão

Foto: José Cruz/ABr

INOCÊNCIA - Quem é inocente nessa foto? Lula, Dirceu, Pedro Corrêa? Apenas dois? Os três? Nenhuma das respostas, os únicos inocentes são a mesa, a cortina e a Bandeira Nacional, os microfones e os copos d’águas foram envolvidos

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Uol, Congresso em Foco, O Globo, G1 - Pernambuco, O Globo, Blog do Inaldo Sampaio, TV Sulanca News, Isto É

Pedro da Silva Corrêa de Oliveira Andrade Neto, Pedro Corrêa, 64 anos, é médico, pecuárista, o único “pernambucano” envolvido no processo do Mensalão, que começará a ser julgado no STF, no próximo dia 02 de agosto. A bem da verdade, a pernambucalidade de Correa é falsa, já que ele nasceu no Rio de Janeiro, em janeiro de 1948, embora tenha migrado para o Recife, com a família, ainda muito jovem. Por aqui se formou na faculdade de medicina da Universidade Federal e empreendeu uma bem sucedida carreira política.

No processo do mensalão, junto com os outros 37 réus, cabe a Corrêa responder pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-deputado teve o mandato cassado, no dia 15 de março de 2006. Dos 451 parlamentares, presentes a sessão 261 votos pela cassação, contra 166 pela absolvição. Houve 5 votos em branco e 19 abstenções.

Foto: Antônio Cruz/ABr

ANTES DO MENSALÃO ECLODIR - Os deputados Roberto Jefferson e Pedro Correa, reunidos como o Ministro José Dirceu na Casa Civil. Note-se o olhar desconfiado de Jefferson. Dois meses depois os três estavam cassados

De todos os acusados e evolvidos, Corrêa foi um dos poucos deputados cassado, pelos companheiros parlamentares, por causa do escândalo do mensalão. Como ele, apenas Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) perderam o mandato. O restante dos acusados, ou foram absolvidos ou renunciaram antes do julgamento, para evitar a cassação.

A cassação em 2006 interrompeu uma carreira política de 27 anos, na Camara Federal, onde Corrêa representando Pernambuco, por vários partidos (ARENA, PDS, PFL, PPB, depois PP) exercia mandatos desde 1979.

O deputado Pedro Correa sempre foi um aliado fidagal do Deputado Paulo Salim Maluf. Foi dele um dos 180 votos que Maluf recebeu no Congresso Nacional, na eleição para presidente da República, que disputou com o mineiro Tacredo Neves. O detalhe é que Pedro Corrêa votou em Maluf, depois que Tacredo Neves já havia obtido votos suficientes para se eleger, quando outros partidários de Maluf, preferiram absterem-se, ou votar também em Tancredo. A filha Claricinha Corrêa, esposa do deputado federal

Foto: Antônio Cruz/ABr

DIZ-ME COM QUEM ANDAS - Pedro Corrêa com o amigo e correligionário e quase cúmplice, Paulo Maluf, parceiros permanentes, desde sempre

Todas as acusações contra Pedro Correa, no escândalo do mensalão, partem do fato de que ele teria mandado seu ex-assessor do partido, João Cláudio Genu, a sacar R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério de Souza, operador do mensalão. (Marco Valério diz que o saque chegou a R$ 4 milhões, como essa negociata não tem recibo, a dúvida eterna vai prevalecer). O portal G1- Pernambuco conversou com Marcelo Leal De Lima Oliveira, o advogado do ex-deputado Pedro Corrêa, que o defende do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

O advogado admite que o assessor de Corrêa recebeu o dinheiro, da conta de Marcos Valério, mas que era um repasse do PT para pagar advogado de um ex-deputado federal do PP do Acre e não para que orientasse o partido a votar com o governo (a razão do mensalão) como diz a denúncia.

Para o advogado a Marcelo Leal o mensalão não existiu, ou, se existiu, o seu cliente não estava envolvido, nem ele nem o Partido Progressista, presidido por Corrêa, na ocasião.

Quanto à acusação de que o dinheiro era para comprar apoio político, disse o advogado:

”A acusação é desconexa e absurda quando diz que era para fazer pagamento, para que o PP votasse a favor do governo. A acusação fala das reformas tributária e previdenciária. Mas desde quando Fernando Henrique apresentou as propostas, muito semelhantes, que o PP votou a favor das reformas. E o PP continuou votando como sempre votou. Durante a CPI, foi feito um estudo que relacionava a lista de Marcos Valério com as votações. E, estatisticamente, não existe relação. O PP, de todos os partidos da base, é o que menos votava com a orientação do governo”.

Em relação a Corrêa, esse índice é ainda maior, ele estava desobrigado de participar de todas as votações, porque era presidente do partido. Ele várias vezes divergiu ou esteve ausente. “Não há qualquer relação entre o suposto pagamento do mensalão e votações no Congresso”.

Para o advogado, Pedro Corrêa vai ser absolvido.

Por fim o portal perguntou ao advogado: Como ficou a vida política de Pedro Corrêa pós-mensalão? O advogado respondeu na defensiva:

”Ele é médico por formação e pecuarista. Está levando a vida dele. Não ocupa cargo político. Agora, se ele exerce atividade política, não cabe a mim responder.”

Aline, a filha deputada, o braço parlamentar de Corrêa, segundo a Isto É
A pergunta do portal G1 foi inspirada numa reportagem publicada, no ano passado, na Revista “Isto É”, intitulada: “Um mensaleiro dá as cartas no PP” (Falava de Pedro Corrêa).

A matéria diz que “mesmo sem cargo há mais de cinco anos, desde sua cassação, o ex-deputado Pedro Corrêa continua indicando nomes no governo e traçando as estratégias no Partido Progressista”. “Pedro Corrêa tornou-se um especialista na articulação de bastidor. Embora distante dos holofotes, é ele quem chancela boa parte das indicações do PP para postos estratégicos no governo.”

Adiante a revista comenta que:

“Quando vai a Brasília, ao menos uma vez por semana, Corrêa se hospeda na casa da filha, deputada Aline Corrêa (PP-SP). Aline é uma espécie de braço parlamentar de Corrêa. Ela formula emendas e projetos do interesse do pai. A atuação de Pedro Corrêa tem feito tanto barulho no PP, e ensejado negócios importantes em São Paulo, que passou a incomodar o deputado Paulo Maluf (PP-SP)”.

Segundo a revista “o Palácio do Planalto, tomando conhecimento das atividades de Pedro Corrêa e companhia”, questionou a seriedade do PP, a ponto da presidente Dilma Rousseff ter escalado “a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para cobrar explicações” ao partido.

Aline Corrêa, a deputada federal, filha de Pedro, que está na segunda legislatura em São Paulo, tem um gênio forte e explosivo: recentemente chegou a ter um atrito sério com o dono do partido o deputado Paulo Maluf, que questionava exatamente o suposto poderio de Corrêa dentro do partido.

Maluf teve sorte, por que a discussão foi apenas retórica. Noutro episódio em 2008, Aline, ao ser agredida verbalmente pelo deputado Celso Russomano, atual candidato a prefeito de São Paulo, partiu para as vias de fato e esbofeteou seguidamente o companheiro de partido.

Segundo o jornal O Globo, enquanto espancava Russomano, a filha de Pedro Corrêa gritava:

- Sou pernambucana, me respeite que não sou sua mulher!

No ano passado, seguindo a tradição familiar, a deputada Aline Corrêa teve aberta uma ação penal contra ela, no Supremo Tribunal Federal, para investigar a falsificação do selo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em lotes de cigarros transportados por suas empresas. Aline foi acusada pelo Ministério Público, de falsificação, sonegação tributária, e como o papai, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. No entanto, os ministros do STF concordaram com a abertura de processo para investigar apenas o crime de falsificação.

Foto: Isto É

O importante não é quantos clientes o médico Pedro Corrêa teria,
nem quantos bois o pecuaristas Pedro Corrêa possuiria,
o importante é quantos prefeitos do Brejo da Madre de Deus elegeu?

A versão de médico e pecuarista de Pedro Corrêa é um disfarce. Correa como médico nunca receitou uma aspirina. Sua atividade de pecuarista é também de fachada. Ele possui uma fazendo em Fazenda Nova, vizinha ao Teatro de Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus. Trata-se de uma fazenda cenográfica, uma propriedade pequena, com uma casa grande espetacular, onde ele encarna nos fins de semana, o falso personagem de fazendeiro e o de verdadeiro chefe político regional.

Seu genro, o deputado federal Roberto Teixeira (PP-PE) foi eleito com os votos de sua área de influência, herdeiro temporário dos seus votos. Nesta eleição municipal Pedro Corrêa está introduzindo, na política, outra filha, Claricinha (Clarice) Corrêa, esposa do deputado. Ela já é candidata à vice na chapa do atual prefeito do Brejo da Madre de Deus, Édson Souza (PTB), que concorre a reeleição.

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

A filha Claricinha Corrêa, esposa do deputado federal Roberto Teixeira
e futura prefeita do Brejo da Madre de Deusa

Segundo o Blog do Inaldo Sampaio, Pedro Corrêa tem muita influência na região: há 12 ano, desde o ano 2000, elegeu todos os prefeitos eleitos, para o Brejo da Madre de Deus.

Pelo andar da carruagem, o objetivo de Corrêa, no momento, é que sua filha Claricinha Corrêa, ganhe espaço político como vice, para ser a próxima candidata a Prefeita nas eleições de 2016.

Numa entrevista recente á TV Sulanca News, uma emissora local, com base na internet, Pedro Corrêa afirmou que essa vocação política da família vem do fato deles não resistirem ao apelo de querer ajudar as pessoas mais necessitadas. Aproveita a oportunidade para lançar Eduardo Campos como a candidato a Presidente da República e criticar a "Lei da Ficha Limpa", para ele, uma lei muito dura.

Nossa expectativa, como a do advogado, é que Pedro Corrêa seja absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, no processo do mensalão. O supremo só condena baseado em provas irretocáveis. Os crimes de que Corrêa é acusado aconteceram no seu vestíbulo, executado pelo seu assessor, mas ele não aparece na cena do crime, suas digitais não estão na transação.

Quando acusado, no processo de falta de decoro parlamentar, ofereceu com destemor seu sigilo, fiscal, bancário e telefônico, estendido a esposa, filho e familiares. Dá a impressão que Pedro Corrêa percebeu, antes de todos, que está história de mensalão, mais dia menos dia, ia acabar virando um caso de polícia e se preveniu.

Assim, Pedro Corrêa, pode ter cara de culpado, jeito de culpado, mas processualmente é um quase inocente. Terá ao seu favor o beneficio da dúvida.

Com ele, Paulo Maluf tem muito que aprender.


Veja entrevista de Pedro Correia na "TV Sulanca News"


”passiravideo”



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