10 de jul de 2012

COLOMBIA: No fogo cruzado vilarejo pede cessar fogo a Farc

COLOMBIA
No fogo cruzado vilarejo pede cessar fogo a Farc
A pequena localidade de Toribío no Departamento de Cacua, sudoeste da Colômbia, cansada e amedronta, vivendo debaixo de uma chuva de balas e explosivos, de confrontos entre as Forças Armadas colombianas e os guerrilheiros da FARC, fizeram acordo de cessar fogo com os guerrilheiros e protestaram quanto a permanência do exercito regular em seu território

Foto: Getty Images

Soldado colombiano patrulhando nas ruas de Toribío

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BC Brasil, Semana, El Nuevo Siglo, El Espectador, El Tiempo

Depois de aguentar quase 72 horas de confrontos entre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e tropas do Exército colombiano, a população civil do município de Toribío, no Departamento de Cauca decidiu procurar os líderes da guerrilha para pedir um cessar-fogo.

No último domingo, líderes indígenas, camponeses e a população urbana da cidade de pouco mais de 26 mil habitantes falaram diretamente com as Farc.

De acordo com a contagem oficial, os ataques que começaram na sexta-feira deixaram cinco feridos, embora a população contabilize ao menos 13.

Entre os atingidos estão funcionários de uma missão médica que trabalhavam em um centro de saúde, alvo de um explosivo lançado por guerrilheiros baseados nas montanhas.

Além disso, pelo menos dez casas foram atingidas e 600 pessoas foram deslocadas por conta da ofensiva.

O líder indígena Gabriel Pavi contou à BBC Brasil que, apesar da presença do Exército na região, a situação estava incontrolável.

Segundo Pavi, no começo da tarde do domingo a comunidade se dividiu em quatro comitivas que caminharam a diferentes áreas rurais para falar com as Farc.

"Cada grupo levou entre uma e duas horas até chegar aos guerrilheiros. Nós conversamos com eles e exigimos que parassem de lançar bombas contra a cidade", explicou.

De acordo com o Pavi, a "missão civil" foi concluída com sucesso e, por volta de seis horas da tarde de domingo, os ataques cessaram.

Além de ir atrás da guerrilha, a população local também protestou contra os militares. Nesta segunda-feira, um grupo de indígenas destruiu trincheiras usadas pelos militares para se proteger das investidas da guerrilha.

O prefeito da cidade, Ezequiel Vitonás, deixou transparecer em entrevistas a rádios e jornais colombianos que a situação ainda é delicada.

Ele contabiliza que a região foi atacada mais de 450 vezes pela guerrilha nos últimos dez anos.

Foto: Captura de Video/El Pais.com>


Civis colombianos decidiram destruir as trincheiras do exército, para forçar os militares a deixarem a região. O presidente Juan Manuel Santos vai até o lugarejo na próxima semana para se reunir com a população

Um dos maiores ataques ocorreu há exatamente um ano, quando as Farc instalaram em uma "chiva" (microônibus típico da região) explosivos que destruíram uma delegacia e afetaram 400 casas. Nesse incidente, três pessoas morreram e 70 ficaram feridas.

Os militares negam que haja falta de controle por parte do Estado. Para o Exército, as Farc estariam usando o lançamento de explosivos como estratégia para "despistar" o deslocamento de suas tropas no sul do país.

Em meio à crise, o presidente Juan Manuel Santos convocou uma reunião emergencial do Conselho de Ministros na próxima quarta-feira na cidade de Toribío.

Para analistas, esse é um sinal do alerta que a ofensiva e a iniciativa de mediação civil geraram no governo federal.

"Santos não quer que a população civil se torne intermediária do conflito, pois pode parecer que o Estado perdeu capacidade de enfrentar o problema, avalia Ariel Ávila, estudioso da ONG Corporación Nuevo Arco Íris.

Ariel explica que, apesar de ser incomum, não é a primeira vez que a sociedade resolve agir por conta própria. Segundo ele, houve outros momentos assim, inclusive em Toribío.

A população local diz estar aliviada com o fim do ataque prolongado do final de semana, mas tem dúvidas de que a trégua dure muito tempo.

ANO PASSADO

Fotos: Reuters





Imagens do ano passado, julho de 2011, registram protestos contra os mesmos enfrentamentos entre a Farc e o Exército, que há tanto tempo, vem causando prejuízos, medos e desconfortos a pobre população civil da região.


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