13 de jul de 2012

"Na Estrada", de Walter Salles, estreia hoje

BRASIL - Cinema
"Na Estrada", de Walter Salles, estreia hoje
A Adaptação do cineasta para o clássico livro de Kerouac, “On The Road”, estreia nos cinemas brasileiros. O longa retrata a juventude além de seu tempo.

Foto: Divulgação

Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund numa cena de “Na Estrada” de Walter Salles

Postado por Toinho de Passira
Fontes: JC Online, The Guardian, G1, Band, Ultimo Segundo

Escrito em 1951, o romance beat “On The Road”, de Jack Kerouac, radicalizou o comportamento de uma geração de jovens e chocou os conservadores da época.

Afinal, retratava personagens libertários, que queriam seguir seus próprios caminhos, usavam drogas para expandir a mente e viviam o sexo sem pudores.

A ideia de transpor o livro para o cinema era, desde então, um desejo de cineastas, mas as produções nunca foram adiante. Coube ao diretor brasileiro Walter Salles tornar o projeto, enfim, realidade.

Em maio, o filme, que tem no elenco Sam Riley, Garret Hedlund, Kristen Stewart e participação de Alice Braga, disputou a Palma de Ouro em Cannes.

Antes de “Na Estrada” ganhar versão cinematográfica, Salles fez um documentário prévio sobre a história na busca de “uma identidade para o longa”.

“Foi um processo inspirador. Sem ele não teria sido possível fazer o filme. Mas aí ele foi alimentando o roteiro, procuramos personagens ainda vivos, até que decidimos: o longa tem que ser feito”, conta Walter Salles, hoje com 56 anos, que leu Kerouac pela primeira vez aos 18 anos.

“Li várias vezes e em cada uma tive uma reação. Tem algo que fica que é o momento de transformação interna que vivemos aos 18 anos, e queremos ampliar as possibilidades. Esses relatos de formação encontramos em qualquer geração. É o que faz esse livro sobreviver ao tempo.”

Foto: Divulgação

Na Estrada” narra a história do jovem escritor Sal Paradise (Riley), que tem a vida transformada ao conhecer Dean Moriarty (Hedlund) e sua namorada Marylou (Stewart), de 16 anos.

Embalados por sexo – com direito a cenas de “ménage à trois” –, drogas, bebop e jazz, eles cruzam os EUA em busca da última fronteira americana, ultrapassando todos os limites conservadores da época.

“Todas as experimentações e aventuras são vividas. Mas há, também, uma viagem interna que vem junto com a dor”, define Walter Salles.

Ernesto Barros, o crítico de cinema do Jornal do Comercio, comenta que “poucos cineastas poderiam estar melhor preparados para uma adaptação cinematográfica do clássico da geração Beat Pé na estrada (On the road, no original) que o brasileiro Walter Salles”.

E explica: “Filmes como Terra estrangeira (1996), Central do Brasil (1998) e Diários de motocicleta (2004) pavimentaram seu interesse pela temática da estrada e suas paisagens tanto físicas quanto espirituais”.

O filme de Salles, não tem recebido criticas entusiasmadas, como sempre acontece com filmes adaptados de livros cultuados. Seu primeiro teste de público, porém, foi promissor: permaneceu entre as 10 melhores bilheterias da França durante três semanas.

Foto: Divulgação

No dia seguinte à exibição em Cannes, Walter Salles falou a jornalistas brasileiros e comentou sobre o projeto a qual dedicou oito anos. Confirmou a sua longa filiação aos road movies. “Passageiro: profissão repórter, de Michelangelo Antonioni, me levou ao cinema, assim como os primeiros filmes de Wim Wenders, como Alice nas cidades. Depois teve a revelação de Bye Bye Brasil, que foi o primeiro filme sobre identidade brasileira construída na estrada, que me marcou”, relembrou.

“Eu tenho a impressão que os filmes de estrada têm uma qualidade muito específica: eles querem dizer que a medida em que você se distancia do ponto de partida, entende-se melhor de onde você vem e quem você é. Eventualmente, até quem você pode vir a ser. Então, nesse sentido, você está sempre se confrontado com personagens em crises existenciais e que se redefinem ao longo da narrativa. Como instrumento cinematográfico é muito atraente”, continuou.

Ao realizar o documentário, antes do filme, Salles seguiu as pegadas de Jack Kerouac e sua trupe pelas estradas americanas.

Das andanças e conversas com sobreviventes da época, Walter fez descobertas que definiram a maneira como ele conta em imagens as viagens do trio formado por Sal Paradise (vivido por Sean Riley), Dean Moriarty (Garrett Hedlund) e Marylou (Kristen Stewart) – na vida real, o próprio Kerouac, o amigo Neal Cassady e sua mulher, a adolescente LuAnne Henderson, que se esbaldaram no jazz, nas drogas e no sexo livre, bem antes que este trinômio simbolizasse o máximo da liberdade para jovens de todo o mundo.

Foto: Divulgação

Sam Riley, no filme “Na Estrada“

“Quando estava fazendo o documentário, me deparei, em 2006, com uma cópia do manuscrito do Pé na estrada, que o irmão da última mulher de Kerouac tinha guardado e nos emprestou.

Descobrimos que o início do manuscrito era completamente diferente do início do livro. Ao invés de começar com o divórcio do personagem narrador, o Sal Paradise, o manuscrito tem início com a morte do pai dele. É essa morte que impele o personagem para ir em frente e isso conduz à questão da busca dos pais possíveis, abandonados ali à beira da estrada – ou desaparecidos –, uma das razões de ser da história”, contou Walter.

Antes da chegada do cineasta brasileiro ao projeto, financiado por produtores franceses, (o título francês do filme é “Sur la route” 0 que se associaram ao diretor e produtor americano Francis Ford Coppola, que detinha os direitos da adaptação desde 1979, "Na Estrada" (“On The Road”) foi considerado, por muitos anos, infilmável. No entanto, inúmeros roteiristas e cineastas chegaram a fazer adaptações do livro, como o próprio Coppola e o escritor Barry Gifford, que fez uma versão que seria dirigida por Gus Van Sant.

“Na verdade, há mais de 15 roteiros escritos desde 1950. Os primeiros roteiros terminavam, invariavelmente, com a morte de Dean Moriarty, que nunca foi um personagem assimilável pela cultura protestante americana. Uma das razões pelas quais o filme demorou tanto tempo para ser feito é o desconforto que esse personagem, politicamente incorreto, gerava”, considerou.

Foto: Divulgação

A atriz Kristen Stewart numa cena de “Na estrada”

Sobre a atriz Kristen Stewart, a Bella da saga Crepúsculo, Walter falou que ela sempre foi a primeira opção para interpretar Marylou. “Eu a vi pela primeira vez em Na natureza selvagem, de Sean Penn. Mas a indicação foi do compositor Gustavo Santaolalla, que viu o filme ainda na montagem.

No primeiro contato que fizemos, ela disse que “On the road” era seu livro de cabeceira – e tinha 16 anos, na época. Foi interessante ouvir isso, porque Kristen se revelou uma atriz que não recusa a possibilidade de pular sem paraquedas”, comentou o cineasta.

Fotos: Divulgação
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Cartazes do filme, um deles com a brasileira Alice Braga, que faz uma participação especial


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