14 de mai de 2012

Hugo Chávez, o imortal?

Venezuela
Hugo Chávez, o imortal?
Faltam apenas cinco meses para as eleições presidenciais na Venezuela, os boatos de que Hugo Chávez não sobreviverá até o pleito, alastra-se com a mesma intensidade que os seus índices de popularidade para ganhar com folga a re-re-eleição.

Foto: Associated Press

PROVA DE VIDA - Hugo Chavez, discurso inflamado, em mais um regresso de Cuba, no aeroporto Simon Bolivar, em Caracas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Opera Mundi, 2001, Blog do Manuel Isidor, Jornal do Brasil, Radar Online - Veja, O Globo, Blog do Merval Pereira, La Prensa

”O delicado estado de saúde do presidente Hugo Chávez se tornou um problema de estado insustentável. Ansiedade, boatos, mentiras e meias-verdades continuar a alimentar uma agitação nacional coletiva” - diz o jornalista Manuel Isidro Molina, em artigo no conceituado jornal venezuelano “La Razón”.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, 57 anos, cantou e fez um empolgado discurso nesta sexta-feira, 12, procurando demonstrar vigor e espantar boatos de que estaria à beira da morte, ao chegar de mais uma de suas idas e vinda a Cuba, onde realiza o tratamento de um câncer recorrente que veio a público em agosto de 2010.

Agora que faltam apenas cinco meses para as eleições presidenciais, os boatos de que Hugo Chávez, não sobreviveria até o pleito, alastra-se com a mesma intensidade que a sua popularidade. Segundo pesquisas publicadas recentemente, o enfermo coronel Chávez, tem 63,7% das intenções de voto e o saudável, jovial e boa pinta Henrique Capriles, candidato único das oposições, tem apenas 23,2%.

A cada pesquisa, quanto maior o boato do agravamento do estado de saúde do presidente, mais ele conquista eleitores, mesmo impossibilitado de fazer campanha, por ordem médica.

O candidato de oposição está cada vez mais encurralado no seu discurso, não pode falar mal de Chávez, sob o risco de despertar piedade. Seus pronunciamentos tentam abordar de forma delicada e sútil, os problemas, econômicos, sociais e de política externa, da Venezuela, mas sem se referir ao responsável por este estado de coisas.

Já o coronel Hugo Chávez está livre para detratá-lo usando de todos os meios de que dispõe. Por exemplo, em discursos oficiais em cadeias de rádio e televisão, fala do adversário como se fosse um inimigo externo da Venezuela.

Ele não diz o nome do adversário, usa apelidos pejorativos para referir-se a eles. Capriles, por exemplo, é chamado costumeiramente pelo coronel Chávez, de "majunche” (pouca coisa) ou "cochino" (porco), acrescido de burguês, apátrida, e de representar a burguesia, o imperialismo e o capitalismo.

Capriles pacientemente não responde aos insultos, diz apenas que foi eleito pelos opositores "para resolver os problemas da Venezuela" e não para "brigar".

Foto: Getty Images

Henrique Capriles, o candidato da oposição, tem a desvantagem de ser saudável demais para conseguir vencer o velho coronel enfermo e abatido.

Como não há nada oficial crível as especulações dominam o noticiário sobre o estado de saúde do presidente, o jornalista Merval Pereira do O Globo, chegou a afirmar, em fevereiro que “o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, é considerado crítico, e as perspectivas não são nada boas. Os exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação”.

Recentemente O Globo afirmou que “quadro de saúde (de Hugo Chávez) não é dos melhores”: segundo o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda, o primeiro a noticiar o câncer do presidente, que vinha sendo negado pelo governo.

Segundo Bocaranda Chávez não vem apresentando melhora e "a negação da doença, manifestada a cada aparição, somada à depressão provocada por conhecer a realidade e não poder compartilhá-la com seus seguidores" são "os principais inimigos de sua recuperação".

O jornalista acrescentou que estes seriam os motivos pelos quais os médicos brasileiros que fariam parte da equipe médica de Chávez se retiraram do grupo.

Detalhe da primeira página do Jornal "La Razón", neste domingo

A imprensa desnorteada especula se o presidente tem o risco de morte eminente

Numa crise depressiva, Chávez chegou passou nove dias em silêncio, o que ocasionou rumores de sua morte. O presidente teve que passar pelo vexame de vir a público para provar que estava vivo.

Mergulhando nas especulações registra-se que o câncer do coronel realmente está em metástase. A versão dele, a nova cirurgia, com sucesso, foi para retira de um novo tumor e que o primeiro já havia sido neutralizado com a quimioterapia.

Especialistas comentam que se há um novo tumor, seria necessária mais quimioterapia e ainda mais agressiva que a primeira, e não o tratamento de radioterapia, com o que Chávez diz ter se submetido no último mês em Cuba.

Porém a chegada triunfal de Hugo Chávez parece desmentir tudo isso, no seu Blog, o jornalista Nelson Bocaranda, havia afirma que o presidente Hugo Chávez, estava com uma fratura no fêmur, causado pelo tratamento radioterápico e não conseguia caminhar sem ajuda.

Por outro lado, diz-se que o presidente é medicado com estimulantes e energéticos um pouco antes de chegar ao Aeroporto em Caracas, para durante alguns minutos parecer bem disposto e saudável. Quanto o disfarce de sua capacidade motora, diz-se que as fotos foram feitas apenas por fotografo oficial, não foi permitido jornalista na base aérea, e que surpreendentemente, pela primeira vez a chegada do presidente não foi televisionada ao vivo.

A Venezuela é hoje um gigante poço de petróleo à deriva. O país está parado esperando para ver até onde o seu presidente sobrevive. Como não há uma preparação para o inevitável, sucessor indicado, transição à vista, a Venezuela pode cair numa comoção social histérica, com riscos de golpes de estado e suspenção das eleições, se de repente Chávez se for.


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