2 de set de 2014

Na Venezuela, chavistas mudam Pai Nosso para "Chávez nosso que estás no céu".

VENEZUELA - BIZARRO
Na Venezuela, chavistas mudam Pai Nosso para
"Chávez nosso que estás no céu".
'Não nos deixe cair na tentação do capitalismo', diz um trecho da oração chavista, o mais novo golpe de oportunismo populista do presidente Maduro

Foto: Arquivo La Nación

Nicola Maduro segura cartilha com Hugo Chávez na capa. "El chavismo estrenó su propio Padre Nuestro: "Chávez nuestro que estás en el cielo" – diz o jornal venezuelano La Nación

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Exame, Veja, La Nación, El Mundo

“Chávez nosso que estás no céu”. Parece uma piada de mau gosto, blasfêmia, mas é a primeira frase da ‘oração chavista’, a mais nova criação do governo de Nicolás Maduro para tentar perpetuar o chavismo na Venezuela – reporta nesta terça-feira o jornal La Nación.

A prece chavista foi apresentada oficialmente nesta segunda em um evento do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), atualmente no poder. A mais nova peça do populismo rasteiro de Maduro pode soar como piada, mas é cínica o suficiente para mesclar o chavismo com a oração mais popular do catolicismo, a religião de mais de 85% dos venezuelanos.

Em um teatro em Caracas, com a presença de Maduro ministros, governadores e outras autoridades chavistas, a oração marcou o encerramento – e o ponto alto – do evento governista. A "oração" foi entonada em tom solene pela deputada chavista María Estrella Uribe:

“Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós. Santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para ajudar pessoas de aqui e ali. Dê a nós a tua luz para nos guiar todos os dias. Não nos deixe cair na tentação do capitalismo, mas livra-nos do mal, da oligarquia, do crime de contrabando, porque a pátria, a paz e a vida são nossas. Por séculos e séculos, amém, Viva Chávez!”

País com a maior reserva de petróleo comprovada do planeta, a Venezuela atravessa uma severa crise econômica, com escassez de produtos básicos, inflação de mais de 60% ao ano, entre outros problemas. Maduro acusa setores ligados à oposição venezuelana e conservadores dos Estados Unidos e Colômbia de promover uma "guerra econômica" contra seu governo.

A Venezuela atravessou uma violenta onda de protestos entre fevereiro e final de maio devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência que provoca em média 65 mortes por dia no país.

Os protestos foram repreendidos e resultaram na morte de mais de 40 pessoas, além de mais de 700 feridos.

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