5 de set de 2014

Vinte milhões de votos sem um claro motivo. Ou: Marina Silva por J.R. Guzzo, Coluna de Rodrigo Constantino, para Veja

BRASIL - Opinião
Vinte milhões de votos sem um claro motivo.
Ou: Marina Silva por J.R. Guzzo
“Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma.”

Foto: Veja

Não precisamos de um “guru espiritual”, e sim de um gestor eficiente

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Constantino
Fonte: Coluna do Rodrigo Constantino

O eleitor típico de Marina Silva é o jovem idealista ou o membro da elite que flerta com a esquerda “festiva”. Tem seu charme ser contra “tudo isso que está aí”, contra o “sistema”, ainda que votando em alguém do “sistema” há décadas. O que vale são as aparências, e Marina Silva conseguiu criar a imagem de que paira acima do jogo partidário comum – e podre. Isso encanta os que nasceram para se encantar com mitos, não fatos.

O que a democracia brasileira mais precisa no momento é se livrar do PT. Em segundo lugar, precisa de debates calcados em propostas e argumentos. Marina Silva pode ser útil para o primeiro objetivo. Infelizmente, não é para o segundo, de mais longo prazo.

O que defende Marina, de verdade? Quais são suas principais propostas? Foi contra o Plano Real quando ainda era do PT, ou contra os transgênicos, que ajudaram a revolucionar nosso agronegócio. E agora? Defende os avanços do setor rural ou pretende insistir em uma visão romântica e boboca da natureza como uma espécie de ‘mãe’ boazinha, nos moldes de “Avatar”?

Enfim, para crer no avanço de nossa democracia, seria importante termos uma noção melhor do por quê votam em Marina, do ponto de vista positivo (suas propostas), não negativo (protesto contra o sistema). Em sua coluna na Veja desta semana, J.R. Guzzo faz um bom resumo da coisa:

Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma.

Em 2010, quando se candidatou à Presidência, conseguiu um prodígio: quase 20 milhões de pessoas votaram nela sem saber direito por quê.

Não foi, certamente, por ficarem entusiasmadas a quando ouviram Marina falar em “centralidade da necessidade”, “controles ex post frente” ou “agenda plasmante”.

Que patuá é esse? Nem o rapaz do Rio de Janeiro que ganhou outro dia a supermedalha internacional de matemática seria capaz de entender.

Ela admite que não se pode viver sem luz elétrica, mas parece não encontrar nenhuma usina que a satisfaça.

Sabe que o Brasil não sobrevive 24 horas sem as exportações que só podem ser obtidas com agricultura capitalista de larga escala, mas defendo uma “inflexão” na área agrícola.

Marina tinha o dobro das intenções de voto de Eduardo Campos, mas era candidata a vice. Formou-se no PT, mas hoje é a sua principal concorrente.

Não se sabe o que pretende fazer, na vida real, diante de nenhum dos problemas que o eleitor quer ver resolvidos com urgência.

Seus 20 milhões de admiradores, até hoje, não lhe cobraram mais esclarecimentos – não entendem o que ela está dizendo, mas parece achar que é bom.

Dá para chegar ao Planalto nessa toada, falando de “sustentabilidade” e “esforço transversal”? Lula e Dilma, mais que Aécio, esperam que não.

Queremos menos discursos messiânicos e incompreensíveis e mais argumentos e propostas sérias. É disso que o Brasil precisa se pretende caminhar rumo ao progresso sustentável de verdade.

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