13 de set de 2014

Dilma diz ‘respeitar bastante’ Sarney. Por quê?

BRASIL - Eleição 2014
Dilma diz ‘respeitar bastante’ Sarney. Por quê?
Respeita também Collor, embora sem o mesmo entusiasmo.


Dilma e o respeitável Sarney

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fontes: Blog do Josias de Souza, UOL – Eleição 2014

Durante sabatina promovida pelo Globo, Dilma Rousseff foi questionada sobre a presença de José Sarney no condomínio partidário que dá suporte congressual ao seu governo. “Respeito bastante o ex-presidente Sarney”, ela respondeu. “Acho que ele fez boas contribuições para o país.'' E quanto a Fernando Collor? “A Justiça inocentou o Collor”, disse a presidente. “Ele não é uma pessoa absolutamente próxima do governo, tem sua posição lá em Alagoas e eu respeito.''

Pode-se dizer muita coisa de Dilma, menos que ela é uma pessoa ingênua. A presidente não ignora a reputação dos personagens que diz respeitar. Na definição de Nelson Rodrigues, a reputação de uma pessoa é a soma dos palavrões que ela inspira nas esquinas, salas e botecos. No caso de Sarney e Collor, Dilma parece atribuir-lhes qualidades que não são enxergadas nas ruas e nas mesas dos botequins.

Recordou-se a Dilma que, em passado nem tão remoto, as opiniões do ex-PT coincidiam com as impressões do resto do país. Ela não se deu por achada. “As pessoas podem fazer alianças e manter suas posições.'' Beleza. O diabo é que, nas “alianças” do petismo com o arcaico, o contribuinte brasileiro costuma entrar, involuntariamente, com o bolso.

Em 2004, quando era ministra de Minas e Energia de Lula, Dilma levou à frigideira o então presidente da Eletrobras, Luis Pingelli Rosa. Consumada a fritura, acomodou no lugar dele Silas Rondeau, um afilhado do respeitado José Sarney. Em 2005, chamada a substituir José Dirceu na Casa Civil, Dilma avalizou a nomeação de Rondeau para o comando da pasta de Minas e Energia.

Em 2007, o indicado de Sarney foi pilhado pela Polícia Federal na Operação Gautama. Acusado de beliscar R$ 100 mil em verbas de má origem, Rondeau rodou. Para o lugar dele, Lula nomeou, o senador Edison Lobão. Neófito em energia, Lobão exibia como principal credencial o fato de integrar o grupo de Sarney, o respeitável morubixaba do PMDB. Eleita em 2010, Dilma manteve Lobão na Esplanada.

Na semana passada, vieram à luz alguns dos nomes que o ex-diretor preso da Petrobras Paulo Roberto Costa acusou de receber propinas provenientes do esquema do petrolão. Entre eles, a governadora maranhense Roseana Sarney e Edison Lobão. Nas pegadas da revelação, perguntou-se a Dilma que providências tomaria em relação ao ministro.

E ela: “Eu preciso dos dados que digam respeito, ou que tenham alguma interferência no meu governo. Enquanto não me derem os dados oficialmente, não tenho como tomar uma providência. Ao ter os dados, eu tomarei todas as providências cabíveis, inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes.” Muito bem. Mas Dilma talvez devesse refletir sobre suas alianças. Sob pena de elevar os índices de rejeição que as pesquisas lhe atribuem.

De resto, em relação a Collor, Dilma precisa dizer por que associou o personagem a Marina Silva de forma pejorativa na propaganda eleitoral se o respeita tanto. Quanto a Sarney, a candidata à reeleição poderia considerar a hipótese de evitar que sua respeitável figura continue contribuindo para os déficits público e estético do seu governo.


Dilma e o respeitável Collor

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