11 de set de 2014

Sabatinado: Aécio afirma que 'não é eleição para homenagens' e se diz 'mudança segura'

BRASIL - Eleição 2014
Sabatinado: Aécio afirma que 'não é eleição para homenagens' e se diz 'mudança segura'
O Candidato ao ser sabatinado por jornalistas do O GLOBO, insinuou que nova política é 'governar com um terceiro time do PSDB e PT'

Foto: Ivo Gonzalez / Agência O Globo

Aécio Neves, candidato pelo PSDB, participa de sabatina O GLOBO

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

Aécio Neves (PSDB) participou nesta quarta-feira da série de sabatinas promovidas pelo GLOBO com os quatro principais candidatos à Presidência da República. A entrevista foi marcada por várias críticas do tucano à candidata Marina Silva, que aparece 20 pontos à frente de Aécio nas pesquisas. O ex-governador de Minas falou que essa "não é uma eleição para homenagens" e se apresentou como "um caminho de mudança segura". Em um momento, ele insinuou que Marina vai governar "com um terceiro time do PSDB e do PT".

- Tenho propostas para o Brasil, é isso que me anima. O que é a nova política? Governar com um terceiro time do PSDB e o PT?

Mesmo criticando Marina, o senador "lamentou" que a rival não tivesse apoiado José Serra no segundo turno em 2010, ele afirmou que não é hora de acenar possíveis apoios em uma eventual disputa entre Dilma e Marina. Na ocasião, ele declarou ter "uma seleção brasileira de pessoas" ao seu lado em um possível mandato.

- Lamentei muito ela não ter apoiado no segundo turno o ex-candidato José Serra, na última eleição. Talvez hoje não estivéssemos nessa situação. Eu sei que tenho a seleção brasileira de pessoas para compor o governo. As pessoas precisam saber que não é uma eleição para homenagem, é para virada consistente sem riscos.

Aécio afirma que começou uma "segunda eleição" desde a morte de Campos. Ele declarou que, nas urnas, vai prevalecer "a onda da razão", em menção velada a Marina.

- Nós estamos tendo uma segunda eleição. Tivemos uma eleição até o acidente que vitimou Eduardo Campos. Temos uma eleição nova e precisamos nos adaptar a essa nova realidade. Tenho feito um esforço maior e vou fazer até o último dia dessa eleição - disse Aécio - Acredito que, no momento da decisão, vai prevalecer a onda da razão.

Comentando ataques da presidente Dilma à política econômica de Fernando Henrique Cardoso, ele afirmou que "não teria havido governo do PT se não tivesse o governo do PSDB". E tentou ligar o nome de Marina aos petistas, ao lembrar a oposição "quase física" que, segundo ele, o partido realizava na época do Plano Real.

- O PT de Dilma, o PT de Marina se opunha de forma vigorosa àquilo que era construído - disse Aécio, afirmando que "não vê em momento nenhum" a ex-senadora "chamar atenção" para sua militância de 24 anos para o PT.

O ex-governador de Minas criticou ainda a "nova política" de Marina. Ele disse que pretende arrancar votos de Dilma e Marina "mostrando as contradições das candidatas".

- Eu vejo Marina falar muito dessa nova política. Sou de uma terra que sempre ensinou que existe é a boa e a má política.

PETROBRAS

Aécio se comprometeu a não privatizar a Petrobras e saiu em defesa da exploração do pré-sal.

- Tenho compromisso com a não privatização, mas com a reestatização da Petrobras: vou devolver a Petrobras aos brasileiros. Eu vou tirar a Petrobras da Política. O pré-sal é o tesouro que nós temos. O Brasil perdeu um tempo enorme, cinco anos, em que US$ 300 bilhões foram investidos no mercado de petróleo e nada aqui. O que está hoje sendo produzindo do pré-sal foi aquilo que começou a produzir no governo Fernando Henrique, lá atrás. No meu governo, o pré-sal será uma prioridade, com recursos indo 75% para a Educação e 25% para a Saúde.

REELEIÇÃO

Ao dizer que Dilma "desmoralizou" a reeleição, o candidato fez críticas à emenda que permitiu novos mandatos, votada com apoio do PSDB no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidenciável afirma que vai tentar acabar com a possibilidade de reeleição, que ele chamou de "covardia". Para ele, o governo petista faz uso da máquina nas campanhas.

- Foi uma experiência. A reeleição não foi votada para o Fernando Henrique. Foi para os prefeitos, foi para os governadores. Eu acho que a reeleição faz mal para o Brasil. É uma covardia. Não há limite entre o público e o privado. A atual presidente acabou por desmoralizar a reeleição. Os atos de reeleição da presidente Dilma são atos de governo.

Aécio declarou ainda que "não morreria de amores" por um novo mandato e que não seria candidato novamente, se eleito, caso disso dependesse a aprovação do fim da reeleição.

- Nós temos que ver aquilo que deu errado e modificar. Houve uma decisão tomada pela maioria do Congresso Nacional. Eu temo muito pelos próximos quatro anos que nós vamos ter pela frente - disse.

Perguntado se dá para "governar sem ir à casa de Paulo Maluf", em referência a um gesto do ex-presidente Lula, Aécio disse ser possível "governar com outra relação com o Congresso". Ele aproveitou para criticar a proposta de Marina de "governar com os melhores".

- É totalmente possível governar com outra relação com o Congresso, com projetos que sejam prioridade para o governo. É fundamental que você fortaleça os partidos. Esse ideal de governar com todos os partidos me preocupa. Essa ideia da Marina de governar com os melhores... Quem é que vai governar com os ruins? Não é assim que funciona. Por isso defendo a reforma política no primeiro dia do meu governo.

Aécio afirmou não defender um plebiscito sobre a reforma política, como fez Dilma em 2013, após as manifestações. Ele argumentou que a discussão deve ser feita no Congresso e, depois disso, virar um referendo.

- Será que esse é um tema para ser discutido num plebiscito? Não acho? Não quero que seja mais um momento para discursos, para manifestações políticas - declarou o candidato, que defende o voto distrital misto, o fim da coligação proporcional e o fim da possibilidade de reeleição para cargos executivos.

Aécio prometeu, se vencer as eleições, procurar os partidos no dia seguinte para "estabelecer uma agenda". E aproveitou o assunto de política partidária para fazer críticas ao PT.

- Todos os governos tiveram e terão problemas, mas vamos fazer justiça ao PT: no descompromisso com a ética eles são imbatíveis. [Sobre a Petrobras] não são denúncias eleitoreiras. O principal diretor, nomeado por eles, é que está dizendo que houve contaminação de 3% das obras.

MENSALÃO MINEIRO

Aécio foi questionado ainda sobre o Mensalão Mineiro. O candidato afirmou que o tucano Eduardo Azeredo, que já participou de alguns eventos da campanha de Aécio em 2014, tem que ter chance de defesa.

- Eduardo Azeredo responde por isso. Tem que dar chance de defesa a ele. Se alguém for comprovadamente responsabilizado, não será tratado pelo PSDB como fez o PT, como herói nacional. Porque isso, acima de tudo, deseduca.

FERNANDO HENRIQUE

Sobre Fernando Henrique, Aécio afirmou que não se pode comparar as taxas atuais de inflação com as registradas ao longo do período em que o tucano estava no poder.

- Quando o presidente Fernando Henrique assumiu, a inflação anual era de 1600%. Era um momento de absoluto desequilíbrio econômico interno. Tínhamos um quadro inflacionário que não permitia o investimento. O governo FH não fez tudo, mas cuidou da prioridade que tinha naquele instante.

Aécio afirmou que os governos petistas acham que o país foi descoberto em 2003.

- O Brasil é uma construção de vários governos - disse - Ele [Lula] acertou ao unificar programas de transferência de renda e câmbio flutuante e metas para o controle da inflação.

SEGURANÇA

Aécio defende o projeto de seu vice, o senador Aloysio Nunes (PSDB), que reduz a maioridade penal para 16 anos. Aécio afirmou que a mudança no código penal só valeria para os que cometem crimes hediondos e, consultados o Ministério Público e a Justiça, o infrator cumpriria pena em um presídio especial.

- Nós fizemos as contas: menos de 1% dos jovens que estão hoje em instituições de ressocialização. Os criminosos levam um menor de idade para cometer crimes. Morreu alguém, o menor de idade assume o crime mais grave e o outro pega o mais leve.

ABORTO E DROGAS

Aécio, que é contra a legalização do aborto, afirmou que tem o "mesmo sentimento da maioria da população brasileira".

- Meu sentimento hoje é o da imensa maiora do população brasileira, que se sente protegida pela legislatura atual. É uma questão que tem que ser amadurecida e eu não cercearei essa discussão.

Questionado sobre a militância do ex-presidente Fernando Henrique em favor da liberação da maconha, Aécio declarou não querer "que o Brasil seja uma cobaia".

- Eu disse o seguinte: vamos observar experiências do Uruguai, de Portugal e dos estados americanos e vamos ver o resultado disso. Eu não quero que o Brasil seja uma cobaia.

AEROPORTO DE CLÁUDIO

O tucano afirmou que a construção do aeroporto de Cláudio, em propriedade de sua própria família durante seu mandato como governador de Minas, foi "uma obra de governo extremamente respeitável"

- Foi uma obra como milhares de obras feitas em Minas, liberada pelo Ministério Público. Minas tinha 226 estradas sem ligação asfáltica. Eu liguei todas - justificou.

ECONOMIA

Na área econômica, o tucano defendeu uma política com "previsibilidade" e acredita que, se eleito, terá um 2015 "difícil pela frente":

- Eu diria que temos um ano muito difícil pela frente. 2015 vai ser difícil. Temos que ter uma política econômica de longo prazo. Com previsibilidade. A nossa eleição vai sinalizar a baixa dos juros em longo prazo. E o resgate dos investimentos'. Fiz uma meta ousada: investimento de 24% do PIB até o fim do meu mandato.

Aécio comentou ainda uma possível demissão do ministro da Fazenda de Dilma, Guido Mantega.

- Dilma, ao antecipar uma decisão como essa [demissão do Mantega], ela antecipa a fragilidade da equipe econômica. Esse governo acabou antes da hora. Encerrou. Fechou as portas.

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