22 de set de 2014

Irritada, Dilma nega tática do medo e dispara contra Marina, em entrevista nervosa ao 'Bom Dia Brasil'

BRASIL - Eleição 2014
Irritada, Dilma nega tática do medo e dispara contra Marina, em entrevista nervosa ao 'Bom Dia Brasil'
“Tornar o BC independente é criar um quarto poder. A Praça dos Três Poderes terá de se chamar Praça dos Quatro Poderes” - disse a presidenta querendo colar em Marina a pecha de ser a candidata dos banqueiros

Foto: Reprodução / TV Globo/VEJA

Dilma: irritação no Bom Dia Brasil

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja

A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT), a primeira a participar da série de entrevistas com os candidatos ao Planalto do jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, não disfarçou a irritação ao longo de toda a entrevista – abordada sobre temas espinhosos, chegou a disparar um “assim é complicado”, ao ser questionada sobre os dados em que baseava suas respostas.

Sobre as peças publicitárias que associam Marina ao fim da comida no prato dos mais pobres, a presidente foi categórica: , “Estou alertando, não provocando o medo” ,. Disse que tudo o que sua campanha afirma está no programa de governo da adversária, como a independência do Banco Central.

“Tornar o BC independente é criar um quarto poder. A Praça dos Três Poderes terá de se chamar Praça dos Quatro Poderes” , afirmou. Sobre a redução do papel dos bancos públicos, Dilma afirmou que programas do governo seriam colocados em risco. "O governo coloca subsídio entre 90% e 95% (no Minha Casa, Minha Vida). Passa isso para banco privado e nunca esse país vai ver uma casa para os mais pobres", afirmou. “E eu é que provoco o medo?" , prosseguiu.

Dilma disse ainda que não basta dizer que quer reduzir o papel dos bancos públicos, "tem que explicar para quanto quer reduzir". "Ela tem um alinhamento claro: tem uma posição favorável aos bancos. Eu não", afirmou. Na sequência, disse que os "bancos são importantíssimos". A petista ainda defendeu suas medidas protecionistas e afirmou que “não é a favor do desmame da indústria”

Dilma teve também de responder sobre o megaesquema de corrupção instalado na Petrobras e voltou a utilizar o discurso do “eu não sabia” . Sobre o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, delator do petrolão, afirmou: “Foi uma surpresa. Se eu soubesse que ele ela corrupto, estaria imediatamente demitido” .

Questionada sobre o fato de Costa ter ocupado o cargo por oito anos – dois deles quando Dilma já estava no Planalto, disse que a indicação dele não foi sua responsabilidade e que o ex-diretor era funcionário de carreira da estatal, portanto, tinha credenciais para o cargo.

“O que eu escolhi é responsabilidade minha (referindo-se a diretores nomeados em seu governo). No meu caso, não houve indicação política” .

Indicado pelo PP ao posto, Costa assumiu a Diretoria de Abastecimento em 2004, no governo Lula. Não à toa Dilma apressou-se a completar: “E não foi também no caso do Lula” .

A petista voltou a questionar o papel da imprensa na investigação de esquemas de corrupção. Disse que reportagens não produzem provas que possam ser analisadas pela Justiça. E afirmou que a investigação cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público. “Quem descobriu esse esquema fomos nós. A PF está subordinada ao Ministério da Justiça, que integra o meu governo” , afirmou. Ainda assim, disse que não tinha conhecimento dos desmandos de Costa na estatal: “Crimes de corrupção não são praticados à luz do dia” .

Ainda que imersa em escândalos e sustentando resultados preocupantes – a dívida não para de crescer mesmo após a capitalização de 120 bilhões de reais em setembro de 2010 – a Petrobras vai muito bem na visão da presidente. “A Petrobras já se recuperou” , afirmou Dilma. “Será um fator imenso de crescimento para o Brasil. A produção de petróleo é importantíssima para o país” , completou, para encerrar: “A investigação não impede o crescimento da produção de petróleo” .

Foi justamente ao tratar de economia que a irritação da presidente se tornou mais evidente. Ela discutiu com os jornalistas acerca dos números com os quais era questionada. "Não concordo com essa avaliação da situação internacional" , afirmou, ao ouvir que países como Chile e Bolívia apresentam crescimento maior do que o brasileiro. Afirmou que a redução do ritmo do crescimento chinês também atrapalha o Brasil. E que a melhora significativa da situação depende dos rumos da economia americana. "A situação no mundo é extremamente problemática" , continuou. Ao apresentar dados negativos sobre a Europa, foi abordada com números diferentes, ao que respondeu: "É complicado, fica me cortando".
Leia a transcrição e os vídeos da entrevista, na íntegra, no site do Bom Dia Brasil

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