24 de jun de 2012

EGITO: A Irmandade Mulçumana venceu a eleição

EGITO
A Irmandade Mulçumana venceu a eleição
Mohamed Mursi, o candidato da Irmandade Mulçumana, venceu o segundo turno das eleições presidenciais, e é o presidente eleito do Egito. Apesar do tom moderador, há preocupações do ocidente, que o novo mandatário, pressionados por seus apoiadores acabe por adotar um governo islâmico, similar ao exercido no Irã, agressivo contra o ocidente e ameaçador para o vizinho Israel. "O presidente Mursi vai ter um trabalho duro para controlar os diversos níveis do Estado", afirmou Elijah Zarwan, analista do Conselho Europeu para Relações Internacionais.

Foto: Tomas Munita/The New York Times

EXPLOSÃO DE ALEGRIA Seguidores de presidente eleito Mohamed Morsi celebram nas ruas do Cairo, enquanto fogos de artifício explodem na praça Tahrir

Postado por Toinho de Passira
Fontes: UOL, Reuters , BBC Brasil, The New York Times

Mohamed Mursi, um engenheiro de 60 anos, da Irmandade Muçulmana, venceu as eleições presidenciais no Egito com 51,7 por cento dos votos do segundo turno, contra os 48,27% recebidos por seu concorrente, no segundo turno do pleito, o general reformado da Aeronáutica, Ahmed Shafiq, que chegou a ser primeiro-ministro na era Mubarak.

Isso era tudo que o ocidente temia desde que a revolta egípcia que derrubou, há 16 meses, o ditador, Hosni Mubarak. Com a ascensão da Irmandade Mulçumana ao poder, certamente Israel vai ter um vizinho hostil, os Estados Unidos e a União Europeia, terão dificuldades de convivência, e o Irã ganha um forte aliado.

O conselho militar que tem governado o maior país árabe desde então havia neste mês restringido os poderes da Presidência. Assim, o chefe do Estado terá que trabalhar com o Exército numa planejada Constituição democrática, mas esse equilíbrio não está garantido, diante da intenção clara do novo governante em transformar o país numa república islâmica.

Milhares de simpatizantes e seguidores da Irmandade Muçulmana festejaram o resultado na Praça Tahrir, na capital egípcia, com bandeiras do país e com cantos de "Allahu Akbar!" (Deus é grande).

"O mundo olha para essa nação como um povo capaz de escolher livremente o seu líder", disse o líder da Irmandade Muçulmana Ahmed Abdelatti, em entrevista à imprensa, na sede do grupo político, banido no passado.

"O presidente da revolução egípcia, da segunda República, começa o seu trabalho hoje, para implementar o projeto Nahda (renascimento)", afirmou Yasser Ali, da campanha eleitoral de Mursi.

Foto: Associated Press

TOM MODERADO - Mohamed Mursi, ao falar, pela primeira como presidente eleito, neste domingo, 24. Pediu unidade e disse que carrega "uma mensagem de paz" para o mundo e prometeu preservar os acordos internacionais do Egito (uma referência ao acordo de paz com Israel?)

O presidente eleito, Mohamed Mursi, de 60 anos, é um engenheiro formado nos Estados Unidos, foi preso durante o regime de Mubarak. Ele já havia sido o mais votado no primeiro turno das eleições em maio e prometeu formar um governo inclusivo.

Por enquanto o Conselho Militar vai manter o controle do maior Exército do Oriente Médio, cujo principal aliado é os Estados Unidos.

Também por enquanto, Mursi prometeu respeitar tratados internacionais, principalmente o assinado com Israel em 1979, do qual depende muito da ajuda dos EUA.

"O seu desafio é liderar um país dividido e temeroso para a democracia, sem se tornar um bode expiatório para a continuidade militar", afirmou Elijah Zarwan, analista do Conselho Europeu para Relações Internacionais.

Apesar de Mohammed Mursi não ter sido a primeira opção da Irmandade Muçulmana nas eleições presidenciais, o poderoso movimento político egípcio logo abraçou a sua candidatura – diz a BBC Brasil.

Foto: Getty Images

FESTA EM FAMÍLIA - Egípcios, seguidores de Mursi, comemoram nas ruas do Cairo

Em sua campanha Mursi prometeu trazer "estabilidade, segurança, justiça e prosperidade" ao Egito, depois de um ano de tumultos.

Ele disse que chegou a hora de colocar em prática o famoso slogan da Irmandade Muçulmana – "o islã é a solução" – mas para abaixar o pelo do arrepio do ocidente, afirmou que seu plano político possui "referências do islã moderado".

Mursi entregou os papéis da sua candidatura presidencial no último dia do prazo, logo depois que o empresário e milionário Khairat al-Shater foi impedido de concorrer.

Muitos duvidavam que o discreto Mursi conseguiria conquistar os eleitores. Mas o apoio da Irmandade Muçulmana levou ao sucesso do seu partido nas eleições parlamentares – que conquistou a maioria nas duas Casas. No entanto, as eleições parlamentares foram consideradas ilegais e serão disputadas novamente.

Mursi precisou enfrentar as acusações de que a Irmandade Muçulmana pretende monopolizar a cena política no Egito.

O grupo decidiu apoiar um dos candidatos na disputa, mesmo tendo anunciado inicialmente que não iria apoiar ninguém.

Cumprindo uma promessa de campanha para representar todos os egípcios, o Morsi demitiu-se da Fraternidade Mulçumana e desligou-se do Partido da Liberdade e da Justiça.

Mursi disse que não vai escolher necessariamente um primeiro ministro de seu partido para liderar o governo, e sugeriu que pode convocar cristãos para compor sua assessoria. Ele também disse que não pretende estabelecer um código de roupas islâmico em seu governo.

Foto: European Pressphoto Agency /The New York Times

NOVOS TEMPOS - Mursi, protegido pela guarda presidencial, que antes protegia Mubarak e prendia integrantes da Irmandade Mulçumana, da qual faz parte o novo presidente

"A Presidência será uma instituição. A era do Super-Homem acabou", afirmou.

Ele tentou se aproximar de outros políticos reformistas antes do segundo turno. No entanto, um encontro com o terceiro e o quarto colocado no primeiro turno – o esquerdista Hamdeen Sabahi e o islamista moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh – não resultou em acordo.

Após 84 anos como uma sociedade, muitas vezes ilegal e secreta lutando nas prisões e sombras de monarcas e ditadores, a Irmandade Mulçumana está agora mais perto que nunca de seu objetivo de construção de uma democracia islâmica no Egito – disse o The New York Times.

O Marechal de Campo Mohamed Hussein Tantawi, o presidente do conselho militar, parabenizou o Sr. Morsi.

Imediatamente a guarda presidencial, que anteriormente serviu Mubarak, chegou à casa do Sr. Morsi para começar a protegê-lo. Essa é mais uma mudança gritante no Egito, dos dias atuais. A menos de dois anos atrás, quando militares armados da chegada dos policiais armados na casa de um líder da Fraternidade, invariavelmente, significava um encaminhamento para uma das prisões Sr. Mubarak.

Foto: Getty Images

PRAÇA TAHRIR - Símbolo do movimento que derrubou o ditador Mubarak, a praça, no centro do Cairo, é o palco perfeito para a festa democrática da comemoração dos que elegeram livremente o presidente. Uma homenagem aos que ali, morreram e resistiram para que esse momento fosse possível.


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