7 de nov de 2010

CHINA: Ai Weiwei, o artista dissidente, em prisão domiciliar

CHINA
Ai Weiwei, o artista dissidente, em prisão domiciliar
O célebre artista chinês, Ai Weiwei, foi colocado em prisão domiciliar, para ser impedido de realizar em Xangai um jantar-protesto, que teria como cenário, o seu estúdio que vai ser inexplicavelmente demolido pelas autoridades chinesas. O cardápio era de caranguejos, um deboche, pois numa semelhanças entre fonemas em mandarim, os chineses dissidentes usam o nome do crustáceo para simbolisar a idéia de censura

Foto: Getty Images

O multifacetário artista chines Ai Weiwei, sob risco de acabar na prisão, pelas suas críticas ao regime e apoio a outros dissidentes

Postado por Toinho de Passira
Fontes: El Pais, BBC Brasil, Expresso, Publico, Portal Terra, The New York Times

Uma força policial de mais de dez homens, impedem em Pequim que o proeminente artista e ativista chinês, Ai Weiwei, 53 anos, saia de sua casa ao norte de Pequim, desde a sexta-feira, onde deve ficar em prisão domiciliar até esse domingo. A intenção é impedir um mega protesto que o dissidente preparava para “comemorar” a demolição forçada do seu estúdio, na cidade de Xangai.

Os planos de Ai, era fazer uma festa de despedida, neste domingo, do seu estúdio de arte, avaliado em milhões de dólares destinado a chamar a atenção para a sua destruição iminente.

Em entrevista por telefone ao “The New York Times” Ai disse que construiu o estúdio a pedido das autoridades de Xangai, que pretendiam com isso elevar o nível cultural da cidade.

Mas em julho, depois da obra concluída, chegou à ordem de sua demolição.

A notícia da festa protesto ganhou adeptos em todo o país. O movimento já contava com a participação de oito bandas de rock e milhares de simpatizantes que viajariam de todo a China, até Xangai para participar do evento. Temendo perder o controle da situação, as autoridades chinesas, tiraram o artista de cena e desmobilizaram os viajantes.

Foto: Getty Images

Essa não é a primeir vez que as autoridades chinesas reagem a um gesto de Ai, um artista de inúmeras facetas, conhecido internacionalmente como escultor, cineasta, arquiteto e artista performático. Ajudou, por exemplo, a projetar o estádio Ninho de Pássaro para os Jogos Olímpicos Pequim 2008, depois renunciou a sua função depois de perceber que os líderes chineses politizado dos Jogos e deles pretendiam tirar vantagens políticas.

Ai Weiwei, em 2008, foi espancado tão severamente pela polícia em Chengdu, capital da província de Sichuan, onde ele tinha ido para depor no julgamento de um companheiro de militância, que precisou de uma cirurgia para drenar sangue do seu cérebro.

Ele conta que dois anos atrás, foi procurado em Pequim, pelo prefeito de uma das áreas de Xangai, que implorou para que ele construísse um estúdio em um lote de terras agrícolas abandonadas. Inicialmente desconfiado, acabou acreditando no projeto devido à insistência das autoridades.

Foto: Reuters

Um homem faz vigília em Xangai, diante do estúdio de Ai Weiwei, que será demolido pelas autoridades

Ai disse que trabalhou em estreita colaboração com as autoridades municipais reformando um armazém abandonado no local, gastando cerca de US $ 1 milhão para criar um vasto espaço de trabalho de frente para um lago.

Motivados outros artistas começaram a construir seus próprios estúdios nos arredores.

Foto: Reuters

Mesmo debaixo de ameaças um bom número de manifestantes compareceu, nesse domingo, diante do prédio que vai ser demolido em Xangai e entoaram músicas de protesto e prestaram homenagens ao ausente Ai

Então, em julho passado, quando o trabalho havia terminando, veio uma ordem da prefeitura para demolir o armazém.

O próprio Ai disse que suspeita que a retaliação foi motivada por sua atividade como dissidente.

Para a festa de despedida planejada para o estúdio, o artista encomendou 10 000 caranguejos, que é um número muito utilizado nos slogans oficiais. Além disso, a palavra chinesa designativa para caranguejo de rio ("hexie") , e uma palavra que em mandarim, significa tanto caranguejo de água doce e harmonioso. Entre os críticos do regime chinês censura, hexie se tornou um chavão para a oposição ao apelo do governo para criar uma sociedade harmoniosa, livre de oposição.

Foto: Getty Images

Explicando a instalação feitas com replicas de sementes de girassóis, manufaturadas em cerâmica, no museu Tate Modern, em Londres, Ai diz que “as sementes são um aperitivo popular entre os chineses, mas elas também são um “símbolo revolucionário”.

Durante a Revolução Cultural chinesa, a propaganda oficial mostrava o líder Mao Tsé-Tung como o sol e as massas populares como girassóis voltados em sua direção.


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