29 de set de 2010

ALAGOAS: Os desabrigados que Collor colocou no presídio

ALAGOAS
Os desabrigados que Collor colocou no presídio
Fernando Collor era governador de Alagoas, em 1988, quando o rio Mundaú transbordou, deixando 100 famílias desabrigadas. Collor mandou que alojassem as pessoas em um presídio abandonado enquanto seriam construídas novas moradias. 22 anos depois, os desabrigados continuam no presídio, sem direito a liberdade provisória, enquanto Collor, continua solto, foi eleito senador e é candidato a governador de Alagoas

Foto: Beto Macário/UOL

PRISIONEIROS DE COLLOR - Família Dos Anjos posta para morar num presídio há 22 anos, pelo governador de Alagoas, Fernando Collor, tem como porta de frente da casa uma grade de cela.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Notícias Uol

No fim de junho, no meio das notícias sobre as enchentes que varreram alguns estados do nordeste, inclusive Alagoas, o repórter Carlos Madeiro, da UOL, localizou uma comunidade que sofre efeitos das enchentes a bem mais tempo, que as vítimas desse ano. Parece uma viagem no túnel do tempo. Para 100 famílias de União dos Palmares a “calamidade pública” já dura 22 anos, quando foram desabrigadas pela enchente do mesmo rio Mundaú, em 1988.

Era governador de Alagoas Fernando Collor de Mello, aquele que se elegeu presidente, foi cassado e agora, Senador por Alagoas, é novamente candidato a governador.

Foi ele que diante da catástrofe, determinou que as famílias, vitimadas pelas enchentes, fossem enviadas provisoriamente para ocupar os pavilhões da colônia prisional Santa Fé, um presídio na zona rural, a 8 km do centro de União dos Palmares, que estava em reformas.

Foto: Beto Macário/UOL

Maria do Carmo, 57, abrigou na sua cela, a irmã que perdeu a casa com a enchente deste ano.

Era uma medida provisória, “até que novas casas fossem construídas”, mas a situação acabou tornando-se permanente.

Como era um presídio abandonado e em reforma, na colônia prisional não existe fornecimento de água ou banheiros, o serviço de transporte coletivo é improvisado. Banhos e necessidades fisiológicas são feitas no riacho Canabrava, a cerca de 300 metros do local. A água de beber e lavar roupa vem do chafariz no distrito da Santa Fé, distante 1 km da colônia.

As famílias dividem de forma improvisada os 15 pavilhões. As celas são separadas por tábuas. A energia elétrica é o único serviço essencial prestado à comunidade, mas desde o último dia 18 o fornecimento foi suspenso, assim como ocorreu na maior parte da região, devido à destruição da subestação da cidade de União dos Palmares.

Foto: Beto Macário/UOL

Maria do Carmo mostra carteira que recebeu do último cadastro para conseguir casa nova, em 2008

Os moradores já foram cadastrados inúmeras vezes. Desde 2008 receberam, depois do cadastro, uma carteirinhas de membro da “Associação de Sem-tetos de União dos Palmares”.

A nova enchente renovou a esperança dos moradores da colônia. Maria José da Conceição, 29, veio morar na colônia quando tinha nove anos e confessa que voltou a sonhar em ser contemplada com uma casa.

“Soube que o presidente esteve aqui, e espero que a gente seja incluída nessa lista. Nunca perdi a esperança, mas agora estou mais confiante. Quero criar meus filhos em um local melhor”, disse.

Primeira moradora a chegar ao local, Quitéria Pereira dos Santos, 45, (foto) que teve cinco filhos, nascidos e criados no pavilhão 15 da colônia, perdeu tudo com a cheia de 1988 e desde então não teve oportunidade de morar em outro lugar.

Enquanto essas 100 famílias estão vivendo num presídio, Fernando Collor e tantos outros tantos estão soltos por aí, candidatando-se a governador de Estado, deputado, senador e até presidenta da república.

Foto:Beto Macário/UOL

A preocupação do pessoal é que depois de tanto tempo sem manutenção, com rachaduras no teto e nas paredes, o presídio que estava em obras, mas as reformas pararam após a ocupação, desabe sobre eles.


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