8 de out de 2014

Por que Marina vai ter que apoiar Aécio?

BRASIL - Eleição 2014 -2º turno
Por que Marina vai ter que apoiar Aécio?
A família Campos com o aval da viúva Renata, já se manifestou que vai apoiar Aécio Neves no segundo turno. Vai ser assim independente do que Marina decidir. Naturalmente, todas as mais importantes lideranças do PSB alinhar-se-ão no mesmo rumo. Marina que foi apoiada e adotada com entusiasmo pelo grupo, não pode reclamar, nem tomar um caminho diferente, sob o risco de ficar isolada e desautorizada.

Foto: Roberto Pereira/Reprodução

FAMÍLIA AÉCIO, FAMÍLIA CAMPOS - Letícia e Aécio visitam Renata e Eduardo, para conhecer o novo filho do casal Miguel Campos. Também na foto o político paraibano Cássio Cunha Lima

Postado por Toinho de Passira

Na ultima eleição presidencial, 2010, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, mais conhecida com Marina Silva, obteve 19,6 milhões de votos, 19,33% dos sufrágios válidos no primeiro turno. Aboletada no frágil Partido Verde, desdenhou dos pedidos de apoio de ambos os candidatos remanescentes, Dilma Rousseff e José Serra e declarou que não apoiaria nenhum dos candidatos e que deixava aos seus eleitores a opção de escolher livremente para qual lado deveriam ir.

Talvez, por comodismo e para evitar comprometimentos, ela quisesse repetir o gesto agora, mas a situação é completamente diferente. O PSB e a família de Eduardo Campos apoiaria Aécio, quer ela quisesse ou não. Acolhida o seio do PSB, quando seu partido A Rede de Sustentabilidade não conseguiu registro no TSE, ela não exerce nenhuma liderança dentro do partido, que na verdade com a morte do centralizador Eduardo Campos, ficou momentaneamente acéfalo.

Não dá para esconder que atualmente a maior liderança do PSB, mesmo sem cargo formal, é a viúva de Eduardo, a decidida Renata Campos. Lembrar que com a publicação do resultado do pleito, novas e promissoras lideranças se impõe sobre o partido, como o futuro governador Paulo Câmara, o futuro senador Fernando Bezerra, e o atual prefeito do Recife Geraldo Júlio.

É bem verdade que o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, que assumiu com a morte de Eduardo, tem uma asa arriada para o lado de Dilma e opinou primariamente pela neutralidade, procurando beneficiar a petista. Mas ele não possui poder de levar o seu desejo adiante.

Aécio Neves e Eduardo Campos eram mais que dois políticos contemporâneos com ideias convergentes. Eram amigos fraternais. Desde há muito quando o mineiro vinha a Recife era recebido por Eduardo, sem nenhum formalismo político. Os encontros e as conversas aconteciam na sala de estar da Casa de Eduardo, em Casa Forte, com as bênçãos e a simpatia de Renata Campos. Farto registro fotográfico comprova isso.

Nesta segunda, enquanto Marina fazia mistério e fazia reuniões, Antônio Campos — irmão de Eduardo Campos, filiado ao PSB e primeiro membro da família do então presidenciável do partido a declarar apoio a Marina Silva depois da tragédia — anunciou no Facebook seu apoio à candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência.

Antônio Campos seguramente tomou a iniciativa com o concordo de Renata. A viúva, querendo ficar nos bastidores, prefere que o cunhado, como membro do partido represente a família na hora de se posicionar politicamente.

É importantíssimo para Aécio esse apoio em nível nacional, mas é particularmente valiosa a herança eleitoral pernambucana que o mineiro pode usufruir.

No primeiro turno, só 284.771 pernambucanos votaram em Aécio, 5,92% dos votos válidos. Por sua vez Marina Silva dispôs de 2.310.700 votos, 48,06%, de eleitores agora órfãos.

Verificando que nas últimas eleições, em 2910, Marina, então no Partido Verde, conseguiu 903.655, em Pernambuco, pode-se concluir que tecnicamente pelo menos 1.407.045, o total acrescido ao patrimônio eleitoral dela, pelos pernambucanos, aconteceu graças aos socialistas de Eduardo Campos. Se não tudo, pelo menos esse 1,4 milhões de votos pernambucanos, tende a migrar sim, para os lados de Aécio Neves, bastando uma sinalização da família campos, se for através de Renata, melhor ainda.

Portanto essas reuniões programadas, os acenos de Aécio, o mistério e as exigências programáticas de Marina, são apenas encenações do que já foi decidido. Marina sabe que não tem o controle da situação. Melhor para ela, nesse momento, aderir ao que já está decidido pelo partido, fingindo que protagonizou decisivamente da adesão a Aécio.

Prego batido, ponta virada, como se costuma dizer por aqui.

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