15 de out de 2014

“NÃO HÁ CRISE INTERNACIONAL” - diz manifesto assinado por 164 renomados economista

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
“NÃO HÁ CRISE INTERNACIONAL”
- diz manifesto assinado por 164 renomados economista
Professores - mestres, doutores e PhD em Economia, de universidades brasileiras, americanas e europeias - afirmam que não se pode falar de crise internacional generalizada, porque das 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão, enquanto o resto do mundo apresenta índices de crescimento.

Foto: Arquivo

DILMA - MANTEGA - Os economistas também dizem que com a política atual “a semente do desemprego está plantada” e, com isso, “os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja - Mercados - Geraldo Samor, Manifesto Economistas

Um grupo de 164 professores de Economia, ligados a universidades no Brasil e no exterior, acaba de publicar um manifesto para desconstruir “inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral,” da candidata a reeleição Dilma Rousseff.

De acordo com os professores, a maioria PhDs, “não há, no momento, uma crise internacional generalizada.” Como se sabe, a Presidente Dilma Rousseff aponta a existência de uma “grave crise internacional” para justificar o crescimento do PIB próximo de zero este ano.

“Alguns de nossos pares na América Latina … estão em franca expansão econômica. Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%. No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%.”

Os professores dizem que, entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no site da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão.

“Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns,” diz o manifesto. “É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.”

Os economistas também dizem que “a semente do desemprego está plantada” e, com isso, “os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.”

Os economistas dizem que “o atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional,” mas que a explicação é outra: as políticas econômicas equivocadas do atual governo.

Há, entre os signatários, seis professores da Unicamp, cuja escola de economia é mais associada a políticas econômicas heterodoxas. Em outras palavras, até em escolas que não rezam pela cartilha da Universidade de Chicago — o altar da ortodoxia — se faz, hoje, uma crítica à política econômica atual.

Leia abaixo a íntegra do documento:

Manifesto de professores universitários de economia
Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários de Economia, ligados a diversas instituições no Brasil e no exterior. O nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral.

1) Não há, no momento, uma crise internacional generalizada.
• Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica.

• Projeta·se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%.1

• No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%.1

• Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram·se em recessão.2

• Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns.

• É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.
2) Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada. E os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.

3) O atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional. Entretanto, como a realidade dos fatos mostra que não há crise internacional generalizada, a explicação só pode ser outra.

4) Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo.

5) O atual governo ressuscitou os fantasmas da inflação e da instabilidade macroeconômica.
• Uma política monetária inadequada gerou a suspeita de intervenções de cunho político no Banco Central, que foi fatal para sua credibilidade.

• A utilização recorrente de truques contábeis destruiu a confiança na política fiscal.

• Esta combinação de políticas monetária e fiscal opacas e inadequadas gerou um cenário macroeconômico extremamente adverso, com inflação alta e crescimento baixo.
6) O governo Dilma amedrontou os investimentos.
• Houve mudanças constantes e inesperadas de regras, como alterações arbitrárias de alíquotas de impostos.

• Diante desta instabilidade das regras do jogo, a desconfiança aumentou e o horizonte dos empresários encurtou.

• O acesso privilegiado aos órgãos governamentais passou a ser uma atividade mais lucrativa que o planejamento e investimento de longo prazo.
7) A mudança das regras do jogo não afetou apenas a iniciativa privada.
• O excesso de intervencionismo nas empresas estatais, como o represamento artificial dos preços de energia e gasolina, minou a capacidade de investimento dessas empresas.

• Por conta de empreendimentos questionáveis do ponto de vista econômico, a capacidade de investimento da Petrobrás foi comprometida.
8) O atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável.
• A distribuição arbitrária de crédito subsidiado produz distorções na alocação de recursos do país e contribui para o baixo crescimentoeconômico.

• Os subsídios envolvidos geram altos custos fiscais que o atual governo tenta esconder com malabarismos e truques contábeis. Estes expedientes destruíram a confiança nas estatísticas fiscais do país.

• Os recursos gastos na forma de subsídios injustificados poderiam ser utilizados para ampliar programas sociais e investimentos públicos em educação, saúde e infra·estrutura.

• O Brasil precisa continuar avançando na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, com melhor distribuição de renda.

• Além de deletéria para o desenvolvimento do país, a política de distribuição arbitrária de crédito subsidiado para grandes grupos econômicos é concentradora de renda.
No ambiente econômico do Brasil de hoje, os frutos de um novo empreendimento podem ser facilmente corroídos por mudanças inesperadas nas regras do jogo, pela alta inflação e pelo baixo crescimento econômico.

Portanto, não é surpreendente que o investimento tenha colapsado. Sem investimento, o Brasil jamais retomará o seu caminho para o desenvolvimento. E sem desenvolvimento, os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas sofrerão retrocessos.

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá·los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto.

Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

14 de outubro de 2014*

*No site Manifesto Economistas veja a lista dos 164 professores - mestres, doutores e PhD em Economia, de universidades brasileiras, americanas e europeias - que aderiram ao manifesto

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