11 de out de 2014

O silêncio de Marina passou do ponto

BRASIL - Eleição 2014 - 2º turno
O silêncio de Marina passou do ponto
Se não apresentar seu apoio a Aécio Neves, nas próximas 48 horas, a decisão da acriana deixa de ser relevante. Sua hesitação já é vista como insegurança de apoiar o mineiro. Até seus eleitores já estão migrando para Aécio sem o concordo oficial dela. Marina, a vacilante, está perdendo o bode da história.

Charge: Myrria -A Critica (AM)

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja

Uma semana após ter sido derrotada nas urnas, Marina Silva, que disputou a Presidência da República pelo PSB, tem neste fim de semana sua última chance de declarar apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves, depois disso, o apoio dela, não servirá mais para nada, se é que ainda serve.

Embora tenha divulgado que anunciaria sua decisão na última quinta-feira, Marina desistiu, de última hora, de participar da reunião dos partidos que compunham sua coligação, adiando o anúncio.

. De acordo com aliados próximos, Marina aguarda Aécio fazer um pronunciamento público de que vai se comprometer com os pontos colocados por ela e por seus seguidores, como condicionantes para apoio.

Os marineiros esperam que o candidato tucano faça declarações neste sábado, quando cumpre agenda em Pernambuco. Se a expectativa se cumprir, Marina anuncia no domingo sua decisão, ou não.

Marina já "esperou tempo demais" para declarar apoio, perdendo relevância política no processo, já que o período de campanha do segundo turno é de menos de vinte dias. "Isso que estamos vendo agora é a mesma coisa que deixou Marina fora do segundo turno. Ela passa a impressão ao eleitorado de que não tem a dinamicidade necessária para tomar decisões que um presidente precisa", afirma um membro da executiva do PSB, que diz que a demora é uma característica comum à ex-senadora.

Pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha na quinta-feira, mostra que em torno de 60% dos eleitores de Marina já migraram para Aécio, mesmo diante do silêncio dela.

Embora haja predisposição para aceitar o apoio e incorporar pontos defendidos pela ex-senadora em seu programa, Aécio não deve acatar todas as exigências feitas por Marina, especialmente sobre o compromisso de não reduzir a maioridade penal. Esse posicionamento foi sinalizado na quinta-feira pelo tucano:

"O caso não é abrir mão de propostas. É aprimorarmos. Se formos reconstruir o projeto desde o início, não estaremos fazendo uma aliança. Aliança tem que acontecer em torno do essencial. O essencial hoje é a mudança", declarou Aécio em coletiva realizada no Rio de Janeiro.

"Uma coisa é você agregar outras propostas ao seu programa, outra é você mudar aquilio que você já apresentou no primeiro turno", defende outro membro da executiva do PSB, apontandoque decisão do candidato do PSDB está correta.

Desde domingo, a ex-senadora não fez declarações públicas e permanece enclausurada no apartamento onde está vivendo, na zona sul de São Paulo, para onde se mudou durante o período eleitoral. A única saída dela aconteceu na quarta-feira, quando visitou o ex-presidente Fernando Herique Cardoso, com quem discutiu o apoio a Aécio. Embora tenha sinalizado no discurso após a apuração das urnas que não se manterá neutra, Marina tem mostrado resistência em apoiar o candidato tucano.

O silencio de Marina já foi atropelado pelos demais partidos da coligação pela qual disputou a Presidência da República: o PSB disse que vai participar ativamente da campanha do tucano, com a decisão incluiu inclusive acerto da participação do partido num eventual governo de Aécio.

Até a Rede Sustentabilidade, partido idealizado por Marina que não conseguiu registro na Justiça Eleitoral, já decidiu por apoiar ao tucano, deixado livres seus aliados para votar nulo ou em branco caso não queiram eleger o candidato do PSDB. Dos seis partidos da coligação, o PPS de Roberto Freire foi o primeiro a declarar apoio a Aécio.

Talvez quando Marina resolver falar, ninguém esteja mais disposto a ouvi-la.

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