17 de out de 2014

O primeiro governo Lula adotou medidas econômicas sugeridas por, agora demonizado, Armínio Fraga

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
O primeiro governo Lula adotou medidas econômicas sugeridas por, agora demonizado, Armínio Fraga
Durante a transição do governo FHC para o Governo Lula, o petista mostrou-se admirador de Armínio Fraga, tido por ele, como técnico competente, “que se preocupa mais com a economia do que com posicionamentos partidários”.

Foto: Arquivo

Armínio Fraga, considerado para permanecer à frente do BC pelo menos no início do governo Lula, 2002, "para emprestar credibilidade ao governo".

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha Política, Diário do Poder, Jus Brasil, Folha de S. Paulo

“Um dos mais notáveis e escorregadios manipuladores da verdade na história recente do Brasil, o ex-presidente Lula – para rebater declaração de Aécio Neves no último debate eleitoral - botou por escrito um desmentido de que no início de seu governo teria pedido a Armínio Fraga que permanecesse na presidência do Banco Central” – diz Claudio Humberto no site Diário do Poder.

”Lula está certo, e a verdade histórica restabelecida. Ele não convidou Armínio para permanecer no cargo, pois não poderia fazê-lo depois de ter o PT passado anos manifestando ferrenha oposição à implantação do Plano Real, ao programa de estabilização macroeconômica e à lei da responsabilidade fiscal. Não o convidou, mas queria tê-lo por perto, como consultor, pois apesar de enganar que não entende nada de economia, Lula bem sabia o valor do equilíbrio macroeconômico que na ocasião recebia de herança”.

A Folha de S. Paulo fez o registro desse namoro do PT com Armínio em matéria que publicou em 2002. Nela, deu conta de que petistas de alto coturno defendiam a colaboração de Armínio Fraga “num eventual governo do PT”. Registra reportagem de Fábio Zanini, publicada em 10/08/2002, cuja a manchete era: PT quer ajuda de Armínio Fraga em governo de Lulaque o economista, indicado para Ministro da Fazenda do Governo Aécio, era tido por Lula como técnico competente, “que se preocupa mais com a economia do que com posicionamentos partidários”.

Diz ainda a reportagem da Folha, que não foi contestada pelo PT: “Integrantes do alto escalão da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva defendem a colaboração do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em um eventual governo do PT, no mínimo como um consultor informal”.

”Petistas com voz ativa na campanha consultados pela Folha vêem o presidente do BC como peça importante para o período de transição e para a fase subsequente à posse de Lula”.

”Há quem sugira até a criação de uma espécie de "conselho" para assessorar o governo, do qual Armínio poderia constar. Não há ainda posicionamento formal do partido quanto a isso, entretanto”.

”Já a manutenção de Armínio no cargo pelo PT é definida por um líder partidário como "difícil"”.

”O presidente do BC, cuja indicação, em 1999, foi recebida com críticas ácidas por lideranças petistas, hoje é respeitado dentro do núcleo moderado do partido”.

”É tido, inclusive por Lula, como técnico competente, que se preocupa mais com a economia do que com posicionamentos partidários. Acima de tudo, é considerado bom negociador, mantendo relação estreita com um dos porta-vozes econômicos do PT, Aloizio Mercadante (SP)”.

”Segundo a Folha, apurou – naquele momento - junto ao alto escalão petista, existe pontualmente no partido o desejo de que Armínio permaneça à frente do BC pelo menos no início do governo Lula, para emprestar credibilidade ao governo e sinalizar ao mercado que mudanças de rota bruscas não serão feitas”.

"Lula e o presidente do PT, José Dirceu, afirmam internamente no partido que o presidente do BC será trocado, porque acham Armínio muito identificado com a atual política econômica. Mas eles têm sinalizado que seu auxílio, mesmo informal, num eventual governo seria positivo”.

”O PT enxerga em Armínio qualidades que o colocariam em condição de atuar em várias frentes. Além de ajudar no dia-a-dia da operação do BC no início do governo, poderia atuar como uma espécie de embaixador econômico informal do Brasil, por ter vasta rede de contatos com a diretoria de organismos multilaterais -FMI, BID e Banco Mundial- e de bancos estrangeiros.” – registra a reportagem.

Mais tarde, segundo o jornal Valor Econômico Antônio Palocci, então futuro ministro da Fazenda, reuniu-se em caráter particular, com Armínio Fraga e pediu que o economista, então Presidente do Banco Central, deixasse escrito algumas recomendações para o governo Lula: ”parte importante desse receituário proposto por Fraga foi seguida por Palocci, com quem o ex-presidente do BC acabou tendo um relacionamento profícuo”.

Ainda segundo o Valor, “entre as várias sugestões de Fraga para administrar aquela que era uma crise causada primordialmente por um problema de confiança estava a mudança da composição das políticas fiscal e monetária, com o aumento do superávit primário, “para eliminar de vez dúvidas quanto à sustentabilidade da dívida e permitir queda na taxa de juros”.

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