5 de dez de 2010

Companheiro Daniel Dantas doou R$ 1,5 milhão ao PT

ELEIÇÕES 2010
Companheiro Daniel Dantas doou R$ 1,5 milhão ao PT
Acolhido como um velho militante, Daniel Dantas escolheu o PT para colaborar $$$ pela primeira vez numa campanha eleitoral. O gesto parece mais um investimento, que uma doação. O PT ficou muito a vontade em receber o dinheiro, mesmo que Dantas tenha acusado o partido de extorsão no passado. O fato dele está condenado em 1ª instância, a 10 anos de prisão, sob acusação de corrupção e ainda ser suspeito de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas, só o aproximou dos petistas.


RETORNO GARANTIDO - O banqueiro Daniel Dantas, petista desde criancinha, fez uma doação investimento na campanha de Dilma

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha Online, Veja, Gazeta do Povo, O Globo, Folha de São Paulo, Congresso em Foco, Abril Notícias, ”thepassiranews”

A reportagem assinada por Fernanda Odilla e Rubens Valente na Folha diz que apesar de ser um “condenado na Justiça Federal por corrupção na Operação Satiagraha, em 2008, o banqueiro Daniel Dantas doou, por meio de suas empresas”, e foi aceito de bom grado, “R$ 1,5 milhão para o diretório nacional do PT nas eleições”, dinheiro que acabou ajudando a eleger a companheira Dilma.

O texto diz ainda que essa “É a primeira vez desde pelo menos 2002, quando a Justiça Eleitoral passou a divulgar as doações pela internet, que o banco Opportunity aparece na lista de financiadores de campanhas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.

“As doações ao PT ocorreram por meio de três fontes: o banco e suas empresas Opportunity Gestora e Opportunity Lógica, sediadas no mesmo endereço no Rio.” “Os repasses ocorreram no mês de setembro, antes do primeiro turno das eleições.”

Refrescando a memória, a Folha lembra que “Em julho de 2008, Daniel Dantas e outros executivos do grupo Opportunity foram presos duas vezes pela Polícia Federal, no decorrer da Operação Satiagraha, e foram soltos em seguida por decisões do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes”.

”Em dezembro daquele ano, o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, condenou Dantas a dez anos de prisão por suposto suborno de policiais federais que comandavam a Satiagraha”.

Dantas recorreu "...em diversas instâncias e conseguiu uma decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região que, na prática, impediu que De Sanctis julgue o processo principal originado da Satiagraha.

Em abril de 2008, o Opportunity selou um amplo acordo com os fundos de pensão ligados às empresas estatais, seus parceiros na companhia telefônica Brasil Telecom. Pelo acordo, os dois lados abriram mão de continuar discutindo judicialmente diversos processos em andamento, como os que tratavam de supostas irregularidades praticadas pelo comando do Opportunity.

“O acordo antecedeu a venda da Brasil Telecom para a Oi, o que originou a chamada Supertele. O presidente Lula assinou, em novembro de 2008, um decreto que criou as condições legais para a venda da BrT”.

Fique claro que, em estranhas condições, o governo Lula criou uma Lei, apenas para tornar possível a realização do bilionário negócio, enquanto em paralelo “o BNDES injetou R$ 2,6 bilhões em empréstimos para a Oi, o que possibilitou a transação entre as teles".


NO BOLSO - Na dispendiosa e poderosa folha de Daniel Dantas: Compadre Roberto Teixeira, Mangabeira Unger, Zé Dirceu (?) e Greenhalgh

Daniel Dantas sabe aplicar bem o seu dinheiro, no emaranhado de acusações e compra de influências das suas empresas junto ao governo. Veja alguns nomes que estiveram ou estão na folha de pagamento de Daniel Dantas:

O advogado Roberto Teixeira, compadre e benfeitor de Lula, foi contratado por R$ 1 milhão, não se sabe por que, nem para quê(?) Procurado pela Veja, depois de descoberta os pagamentos efetuados por Daniel Dantas, Roberto Teixeira, disse que não podia explicar qual serviço por ter assinado um contrato com uma cláusula de sigilo.

Lulinha: bem vindo agrados, para reduzir pressões do governo
Daniel Dantas também se esforçou para agradar o Fábio Lula da Silva, Lulinha, e a seus sócios da Gamecorp. Patrocinou o programa de TV do grupo com 100 000 reais mensais e bancou despesas de uma viagem da trupe à Coréia do Sul e ao Japão. Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.

Marco Valério, o homem forte do mensalão, esteve a serviço de Daniel Dantas, detinha milionárias contas publicitárias da Telemig Celular e da Amazônia Celular, quando essa empresas ainda pertenciam ao grupo Opportunity.

Mas também prestava outro serviço a Dantas: levava ao banqueiro recados de Delúbio Soares, o homem forte do caixa dois petista. Consta que na ocasião, segundo declarações de Daniel Dantas, Delúbio fez um pedido 50 milhões de dólares, para o PT, sugerindo que se fosse atendido ele poderiam ajudar a resolver as dificuldades que o banqueiro estava tendo com o governo.

Também contratou os serviços, de informante do advogado e ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, que teria recebido R$ 650 mil, para pedir informações privilegiadas sobre investigações contra ele, através do chefe de gabinete de Lula Gilberto Carvalho, futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, no governo Dilma.

Delúbio, o tesoureiro do PT, acusado por extorsão
O advogado Mangabeira Unger trabalhou para Daniel Dantas, enquanto morava nos Estados Unidos, era professora da Universidade de Harvard e ainda não era Ministro da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, de Lula. Ganhou US$ 2 milhões, para defender os interesses do banqueiro nos Estados Unidos. Depois como ministro foi acusado, mais de uma vez, de defender os interesses do antigo patrão e por essas e outras acabou saindo do ministério.

José Dirceu é outro caso emblemático nas relações Daniel Dantas – governo Lula. Sabe-se através do próprio Daniel Dantas que quando era poderoso Ministro Chefe da Casa Civil, Dirceu recebeu Daniel Dantas, deu orientações e conselhos. Agora não se sabe se Dirceu esteve ou está na folha de pagamento do banqueiro, se defende os seus interesses ainda ou é por ele chantageado. Talvez todas as opções sejam corretas.

Pelo visto pela doação inédita, e pelas figuras constantes no bloco de poder do novo governo, pode se concluir Daniel Dantas habilitou-se para continuar influindo e mandando no novo governo de Dilma Rousseff, a quem ajudou eleger.

Veja abaixo a surpreendente entrevista que o banqueiro Daniel Dantas, concedeu ao colunista Diogo Mainardi:

ENTREVISTA COM DANTAS
"Lendo com cuidado, dá para ver o instante exato em que o Brasil acabou"

Diogo Mainardi
Fonte: VEJA - Edição 1956 de 17 de maio de 2006

Daniel Dantas não fala. Para quem não fala, até que ele falou muito. O suficiente para mandar um monte de gente para a forca. Em primeiro lugar, Lula e seus ministros.

Passei quatro horas no escritório de Daniel Dantas, no Rio. No fim, arranquei dele meia hora de entrevista. Vale sobretudo como registro histórico. Lendo com cuidado, dá para ver o instante exato em que o Brasil acabou.

O PT PEDIU PROPINA AO OPPORTUNITY?
O que houve foi uma sugestão de que, se déssemos uma quantia expressiva ao partido, eles poderiam nos ajudar a resolver as dificuldades que estávamos tendo com o governo.

ENTÃO FOI PIOR DO QUE PROPINA: FOI EXTORSÃO. QUEM PEDIU O DINHEIRO?
Delúbio Soares.

QUAL A QUANTIA?
Entre 40 e 50 milhões de dólares. Era a necessidade de recursos que eles tinham. E Delúbio queria saber se poderíamos ajudá-los.

A QUEM FOI FEITO O PEDIDO?
A Carlos Rodenburg, que na época (julho de 2003) trabalhava conosco.

MARCOS VALÉRIO PARTICIPOU DO ENCONTRO?
Foi ele que marcou. Mas não estava presente quando foi feito o pedido.

VOCÊ PAGOU OS 50 MILHÕES DE DÓLARES?
Perguntei ao meu advogado, Nélio Machado, se o pagamento seria ilegal ou não. Ele respondeu que isso é tipificado no artigo 316 do Código Penal, e que não estaríamos incorrendo em crime algum.

PORQUE ERA UMA EXTORSÃO?
Não é exatamente esse o termo.

O QUE ACONTECEU DEPOIS?
Eu marquei uma reunião com o Citibank em Nova York e expliquei à diretora Mary Lynn que, se contribuíssemos com uma quantia muito grande para o PT, talvez nossas dificuldades cessassem, mas acrescentei que não era essa a minha expectativa. Ela me autorizou a dizer, em nome do Citi, que não seria possível pagar, porque isso contrariaria a lei americana.

ESSE FOI O PRIMEIRO PEDIDO DE DINHEIRO DO PT AO OPPORTUNITY?
Durante a campanha presidencial de 2002, Ivan Guimarães foi ao nosso escritório e entregou um kit do partido ao Carlos Rodenburg, com o objetivo de conseguir algum apoio financeiro. Rodenburg mandou devolver o kit, porque não sabia quem era Ivan Guimarães. Isso foi interpretado pelo PT como um ato hostil, mas nós éramos politicamente neutros e não tínhamos nada contra o partido.

POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.

A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.

O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.

LULA SE REUNIU COM A DIRETORIA DO CITIBANK. ELE PRESSIONOU OS AMERICANOS A TRAIR O OPPORTUNITY E FECHAR UM ACORDO COM OS FUNDOS DE PENSÃO?
Não posso comentar nenhuma notícia que eu tenha obtido através dos documentos que constam do processo em Nova York.

VOCÊ CONFIRMA QUE A BRASIL TELECOM SÓ CONSEGUIU TER ACESSO AO DINHEIRO DO BNDES DEPOIS DE CONTRATAR O ADVOGADO KAKAY, AMIGO DE JOSÉ DIRCEU?
Houve uma sincronia entre os fatos.

Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros.


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