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4 de jan. de 2015

A foto é o fato - Miriam Leitão

BRASIL – Opinião
A foto é o fato
A presidente fez um discurso propondo um pacto de combate à corrupção e há pessoas na sua foto oficial envolvidas em casos nebulosos. Há os que dizem que assim ela garante a “governabilidade” e o apoio no Congresso, mas um novo escândalo a fragilizará, por isso teria sido mais prudente ter maior rigor na nomeação dos seus ministros.


Dilma e seu enorme e fraco ministério

Postado por Toinho de Passira
Texto de Miriam Leitão
Fonte: Blog da Miriam Leitão

A presidente Dilma escolheu um ministério fraco, no geral, e quis fortalecer a economia. O maior sinal da contradição entre o anúncio de ajuste fiscal e seu desejo de nada ajustar está na foto do Ministério. Olha-se para a foto da posse e o que se vê é um Ministério inchado, com o extravagante número de 39 titulares. Austeridade não combina com aquele grupo mastodôntico.

O ministro Nelson Barbosa, na sua posse ontem, falou de um tabu: mudar a fórmula de calcular o salário mínimo. Teve o cuidado de garantir que ele vai continuar aumentando acima da inflação, mas essa será uma dura batalha. O atual governo criou a fórmula de dupla indexação do mínimo, à inflação e ao crescimento. Isso faz subir o salário e elevar o gasto da Previdência. Mas como mexer nisso se a presidente fala em fazer ajuste e não revogar direitos? Mesmo se conseguir fazer o ajuste que está começando a anunciar, a equipe econômica não fará milagres sozinha.

A presidente fez um discurso propondo um pacto de combate à corrupção e há pessoas na sua foto oficial envolvidas em casos nebulosos. Há os que dizem que assim ela garante a “governabilidade” e o apoio no Congresso, mas um novo escândalo a fragilizará, por isso teria sido mais prudente ter maior rigor na nomeação dos seus ministros.

Outros ministros são apenas escolhas das quais não se espera muito, ainda que seja possível torcer para que eles surpreendam. O novo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nesse grupo. Ele chefiou a missão em Washington sem conseguir melhorar as relações comerciais e políticas bilaterais. Por um desses atalhos que a burocracia permite, ou talvez por sorte, Mauro Vieira foi poupado de postos menos importantes. Já foi logo nomeado para Buenos Aires e depois Washington, que são considerados os melhores lugares da diplomacia brasileira.

Difícil lembrar marca importante que ele tenha deixado na passagem pelas duas embaixadas. A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos tem sido deficitária para nós, não há qualquer avanço notável em acordos, setoriais que seja, e nenhum dos ruídos entre os dois países foi removido. É torcer para que ele surpreenda.

Na categoria persistir no erro está a ministra Izabella Teixeira. Ela é avaliada pelos ambientalistas como a ocupante do cargo nos governos petistas que teve o pior desempenho. Em seu período, houve redução do tamanho das áreas de conservação, o menor índice de criação de novas áreas desde o governo militar e uma inversão da curva de desmatamento.

A escolha de Aldo Rebelo para o Ministério da Ciência e Tecnologia será um atraso em áreas em que estamos atrasadíssimos, como ciência, tecnologia e inovação. Ele pode ter se arrependido do projeto de proibir inovações que reduzissem emprego, mas é recente sua declaração pública de não acreditar que as mudanças climáticas sejam, como sustentam os cientistas da ONU, resultado da ação humana. Juntos, Rebelo e Izabella podem levar o Brasil a uma situação constrangedora em Paris, no fim do ano, quando o mundo terá a mais decisiva reunião do clima.

Na Controladoria-Geral da União, a presidente optou por Valdir Simão, que era braço direito do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Deveria ter buscado alguém independente que pudesse confirmar a ideia de que Dilma combaterá a corrupção. Ficou o temor de que a Controladoria será controlada pelo governo.

O Ministério é enorme e fraco. A área econômica para fazer o ajuste fiscal terá que tocar em temas sensíveis. Estará cercada de colegas que não têm qualquer compromisso com esse ajuste. Missão difícil.

1 de jan. de 2015

2014 e o debate perdido - Miriam Leitão, para O Globo

BRASIL – Opinião
2014 e o debate perdido
Perdemos o melhor ano para discutir novos avanços. A vitória do governo foi construída em cima de mentiras. A inflação está alta demais; o crescimento não tem força; por mais que o BNDES empreste, o investimento não aumenta; o país está perdendo mercados para suas exportações; a maior empresa do país está mergulhada na mais assustadora crise da sua história.

Charge: Clayton - O Povo (CE)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Miriam Leitão
Fonte: O Globo

Este foi o ano do debate perdido. A economia piorou um pouco a cada dia, as previsões de crescimento murcharam, e as mais pessimistas projeções de déficit fiscal foram suplantadas pela realidade. Por ser época de eleições, 2014 poderia ter sido a oportunidade de discutir os rumos do país, olhar os erros e gargalos com sinceridade e se comprometer com as correções.

Foi impossível conversar a sério sobre os vários dilemas. Como reduzir gastos? Por que o país não cresce? O que está errado na política econômica? De que forma combater a inflação? Como aumentar a poupança e o investimento? Com que armas proteger o país da corrupção?

O governo impediu que o debate ocorresse. Foi dele, a culpa. A oposição tentou de diversas formas. A campanha para a reeleição da presidente Dilma será lembrada como uma violenta estratégia de desqualificar adversários, ideias e programas. E de dissimular a verdade.

Todos os candidatos treinam com seus marqueteiros. É do jogo. Mas a campanha oficial levou as respostas pré-fabricadas a extremos. A presidente negou veementemente os fatos que estavam diante de todos. Algumas agências governamentais aceitaram adiar más notícias.

Perdemos o melhor ano para discutir novos avanços. A vitória do governo não foi ruim, mas sim a vitória construída em cima de mentiras. A inflação está alta demais; o crescimento não tem força; por mais que o BNDES empreste, o investimento não aumenta; o país está perdendo mercados para suas exportações; a maior empresa do país está mergulhada na mais assustadora crise da sua história.

Será demorado tirar a Petrobras da zona de turbulência e ela tem um efeito multiplicador na economia. A empresa está cercada de perigos: as nebulosas transações feitas por alguns dos seus diretores e gerentes, as dúvidas dos investidores, o risco do rebaixamento, o endividamento muito alto, a queda do preço do petróleo.

Na gestão da água, os governos erraram. Ano de seca grave no Nordeste e Sudeste. Erros foram cometidos pelo governo de São Paulo que, também por razões eleitorais, deixou de tomar as medidas sensatas que o momento exigia. Preferiu ir buscando água cada vez mais fundo, em vez de assumir o racionamento.

Os reservatórios das hidrelétricas baixaram durante todo o ano, e o governo preferiu também adiar as medidas necessárias de racionamento. Se adotado em tempo, menor risco haveria no futuro. Chega-se ao fim do ano com menos água em reservatórios do que no ano do apagão. Se houvesse indução à redução do consumo, haveria menos necessidade de uso das térmicas e, portanto, menor seria a conta a ser paga pelos consumidores em 2015.

O mundo está instável e com um crescimento desigual. Estados Unidos em recuperação forte, e a Europa, sofrendo os efeitos das punições que ela mesma aplicou ao governo da Rússia. Moscou, por sua vez, continuou na sua aventura bélica que lhe custou a desordem em que está neste momento, com recessão, inflação, desabastecimento e fuga de capitais. Nossos vizinhos maiores da América do Sul aprofundaram seus erros e receberam uma conta amarga. Rússia, Argentina e Venezuela provaram que, em economia, aqui se faz, aqui se paga. Não foi o pior ano da crise que começou em 2008 e não explica a nossa conjuntura. Perdeu-se a chance de discutir que tipo de relação queremos ter com o mundo.

Na democracia, o debate direto que permite correção dos erros e novos avanços deveria ser a regra em eleições. Não foi possível, desta vez, mas recomeçar sempre dá esperança. Por isso, Feliz Ano Novo para todos nós.
*Alteramos título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

13 de dez. de 2014

No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação

BRASIL – Economia
No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação
Surpreendentemente a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta.

Foto: Givaldo Barbosa /Agência O Globo/VEJA

A CARA DA PETROBRAS - Graça Foster, com seu visual apocalíptico, simboliza perfeitamente a Petrobras de hoje.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Radar Online

Nos tempos do regime militar a esquerda inventou, em certa ocasião, que um general havia proposto aumentar o preço do leite no dia das crianças. Queria creditar aos militares uma inoportuníssima insensibilidade política.

Pois bem, no meio desse furacão, as vésperas do Natal, a Petrobras resolveu aumentar, a partir de hoje, o preço da venda do GLP (o gás de cozinha) no granel – modalidade de consumo de comércios, indústrias e condomínios residenciais. O percentual de reajuste será em torno de 15%, no Rio de Janeiro, e de 18% em São Paulo.

O mais surpreendente e prosaico dessa decisão é que a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. No mês passado, atingiram um patamar abaixo do preço cobrado pela Petrobras – a média da tonelada de GLP vinda do Golfo do México, por exemplo, sai hoje 14% mais barata do que a produzida pela encrencada estatal brasileira.

Com a alta, a distância de preços aumentará ainda mais, podendo alcançar até 30% acima do cobrado no mercado internacional. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta. Seria oportuno perguntar se a alta visa cobrir o rombo causado pela corrupção gerida pelos diretores da estatal, presidida por Graça Foster, ou querem apenas testar a paciência dos brasileiros?

Como cereja do bolo, especialistas preveem que o aumento terá forte impacto na já desenfreada inflação brasileira.

Feliz Natal e prospero ano novo!

24 de nov. de 2014

Adiamento do anúncio da equipe econômica explicita divisão interna no PT

BRASIL – Novo Governo Dilma
Adiamento do anúncio da equipe econômica
explicita divisão interna no PT
Ninguém entendeu, nem mesmo Lula, porque Dilma, depois de escolher, não anunciou os nomes da nova equipe econômica. Sabe-se também que uma ala mais ideológica do PT aposta, ainda, que o adiamento possa se transformar numa oportunidade para reverter a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda

Charge: João Montanaro - Folha de S.Paulo (SP)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Gerson Camarotti
Fonte: Blog do Camarotti

Depois do adiamento do anúncio da equipe econômica, interlocutores do Palácio do Planalto ainda tentavam entender neste fim de semana as motivações da presidente Dilma Rousseff.

De forma reservada, houve críticas até mesmo do seu principal conselheiro político, o ex-presidente Lula. O consenso entre aliados é que o adiamento passou a imagem de fragilidade e explicitou uma divisão interna no PT.

Enquanto a ala mais próxima do ex-presidente Lula defendia uma definição imediata da equipe econômica para evitar especulações e passar um recado ao mercado que neste primeiro momento o governo terá uma linha mais ortodoxa na condução da economia, um ala mais ideológica do partido pensa diferente. E aposta que esse adiamento possa se transformar numa oportunidade para reverter a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda.

Há um temor de interlocutores de Dilma de que o ambiente positivo do mercado na sexta-feira, com o aumento expressivo do índice Ibovespa, pode sofrer uma inversão ao longo da semana caso permaneça uma indefinição.

Aliados mais pragmáticos apostavam na confirmação da equipe econômica para reverter a agenda negativa dos últimos dias, com a avalanche de notícias sobre a investigação do escândalo na Petrobras além de derrotas consecutivas da pauta do governo no Congresso Nacional. Esse grupo avalia que a única forma de mudar a agenda é apresentar uma sinalização concreta na economia.

19 de nov. de 2014

Vai faltar chocolate, alerta o maior fabricante do mundo

BRASIL – Economia
Vai faltar chocolate, alerta o maior fabricante do mundo
Consumo mundial não para de crescer e os produtores de cacau não conseguem aumentar a oferta no mesmo ritmo. A solução é produzir em massa um produto que pode lembrar de longe o sabor do antigo chocolate, ou transformar a iguaria numa coisa só para ricos

Foto: Getty Images

Gigantes do setor alertam: vai faltar chocolate

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Roberto A. Ferdman, para Blomberg
Fontes: The Washington Post, Estadão

Não há maneira fácil de dar essa notícia: vocês estão comendo chocolate demais, todos vocês. E a coisa está ficando tão fora de controle que o mundo pode estar se encaminhando para um panorama potencialmente desastroso se a tendência não for detida.

Em linhas gerais, foi esse o recado de duas gigantes do ramo dos chocolates, Mars, Inc. e Barry Callebaut. E os dados parecem reforçar o alerta delas.

Os déficits de chocolate, situação na qual os agricultores produzem menos cacau do que o mundo consome, estão se tornando a regra. Já estamos no meio daquela que pode ser a maior sequência de déficits de chocolate consecutivos em mais de 50 anos.

Parece também que os déficits não estão apenas se acumulando ano a ano – a expectativa da indústria é que estes aumentem. No ano passado, o mundo consumiu cerca de 70 mil toneladas métricas de cacau além do volume produzido. As duas gigantes do ramo dizem que já em 2020 esse déficit pode chegar a 2 milhões de toneladas métricas.

O problema passa pela oferta de cacau. O clima seco na África Ocidental (especialmente na Costa do Marfim e em Gana, onde são produzidos mais de 70% do cacau de todo o mundo) reduziu muito a produção na região.

Uma praga decorrente de um fungo chamado Moniliophthora roreri não ajudou a situação. A Organização Internacional do Cacau estima que a praga tenha eliminado de 30% a 40% da produção global de cacau. Por causa de tudo isso, o cultivo do cacau se mostrou um ramo desafiador e, como resultado, muitos agricultores passaram para gêneros mais rentáveis, como o milho.

E há também o insaciável apetite mundial pelo chocolate. É particularmente preocupante o apreço cada vez maior dos chineses pelo doce. A cada ano, a China compra mais e mais chocolate. Ainda assim, o consumo deles per capita ainda equivale a apenas 5% daquilo que um europeu ocidental consome. O chocolate amargo também se mostra cada vez mais popular, e essa variedade contém muito mais cacau por volume do que as barras de chocolate tradicionais (a barra de chocolate média contém apenas 10% de cacau, enquanto as barras de chocolate amargo costumam conter mais de 70%).

Por essas razões, o preço do cacau teve alta de mais de 60% desde 2012, quando as pessoas começaram a consumir mais chocolate do que o mundo era capaz de produzir. Com isso, os fabricantes de chocolate tiveram que ajustar o preço dos seus produtos, encarecendo as barras. A Hershey’s foi a primeira, mas as demais logo seguiram o mesmo rumo.

As tentativas para deter o crescente desequilíbrio entre a quantidade de chocolate desejada pelo mundo e a quantidade que os agricultores são capazes de produzir inspirou algumas inovações muito necessárias.

Mais especificamente, um grupo de pesquisa agronômica da África Central está desenvolvendo árvores capazes de produzir até sete vezes mais cacau do que as plantas tradicionais. Mas o aumento na eficiência pode prejudicar o sabor, diz Mark Schatzker, da Bloomberg. Ele compara a situação à de outras commodities produzidas em massa.

Há tentativas em andamento para tornar o chocolate barato e abundante – e, nesse processo, o doce acaba ficando tão sem sabor quanto os tomates comprados nas lojas de hoje, outro alimento que sacrificou o sabor em nome da abundância, como o frango e os morangos.

Ainda não se sabe se o consumidor vai se queixar do sabor mais fraco se isso mantiver os preços baixos. E a indústria não vai se importar com isso, desde que o risco de uma escassez monstruosa seja afastado.

15 de nov. de 2014

Economia na polícia – Miriam Leitão, para O Globo

BRASIL – Opinião
Economia na polícia
Em má hora a Petrobras passa a integrar, de forma constante, a crônica policial. Ela está com um alto endividamento, principalmente no exterior. As ações tiveram novas quedas nos últimos dias. Os bônus no exterior também estão em queda. A empresa recebeu rebaixamento pela Standard & Poor’s e pela Moody's e está a um degrau de perder o grau de investimento. A dívida, pós-capitalização, era de R$ 57 bilhões, e no segundo trimestre de 2014 já havia disparado para R$ 241 bilhões.

Charge: Lailson

Postado por Toinho de Passira
Texto de Miriam Leitão
Fonte: Blog de Miriam Leitão

O dia do juízo final, como definiu um policial federal, começou com prisão de outro ex-diretor da Petrobras, mas ficou realmente diferente quando avançou sobre as maiores empreiteiras do país, com ordens de prisão ou de busca e apreensão. Era previsível, porque elas foram citadas nos depoimentos do acusado Alberto Youssef. Imprevisível é a dimensão que vai chegar esse escândalo.

É como uma mancha de um grande vazamento de petróleo que ainda não foi controlado: ninguém sabe até onde se espalhará. Mas há uma esperança de ser parte da operação de extração do tumor que hoje liga grandes fornecedores da Petrobras aos principais negócios da companhia. Youssef disse no depoimento que recebia dessas empresas o dinheiro para pagar os “comissionamentos dos agentes políticos”. Portanto, ontem foi um dia de tensão na economia e na política por razões policiais.

O desdobramento econômico de tudo isso pode ser enorme. As empresas que estavam ontem no foco da Polícia Federal estão nas principais obras públicas do país, nos maiores projetos de investimento, das hidrelétricas aos aeroportos, passando pelas refinarias, evidentemente.

O ambiente econômico também foi afetado pela crise da Petrobras em si, que não conseguiu divulgar seu balanço trimestral pela falta de aprovação da PwC, a empresa de auditoria. No espaço de 13 horas, a petrolífera conseguiu divulgar um fato relevante de adiamento do balanço, e outra comunicação entendida como sendo segunda-feira o dia da divulgação dos resultados, mesmo sem a aprovação dos auditores. A BM&F adiou a abertura do pregão com as ações até entender melhor. Uma confusão completa.

Em má hora a Petrobras passa a integrar, de forma constante, a crônica policial. Ela está com um alto endividamento, principalmente no exterior. As ações tiveram novas quedas nos últimos dias. Os bônus no exterior também estão em queda. A empresa recebeu rebaixamento pela Standard & Poor’s e pela Moody's e está a um degrau de perder o grau de investimento. A dívida, pós-capitalização, era de R$ 57 bilhões, e no segundo trimestre de 2014 já havia disparado para R$ 241 bilhões. Cerca de 80% do endividamento da companhia é em moeda estrangeira. A perda do grau de investimento provocará um aumento forte do custo desse endividamento e uma forçada redução de investimentos.

Se havia a expectativa de que passadas as eleições presidenciais a economia pudesse voltar a trilhar um caminho de crescimento e normalidade, o que se vê até aqui é o prolongamento da crise. As vendas do varejo ampliado, divulgadas ontem pelo IBGE, entraram para o terreno negativo na taxa em 12 meses, saindo de 0,6% em agosto para -0,1% em setembro. Para se ter uma ideia do tamanho dessa freada, em setembro de 2013, o crescimento em 12 meses era de 4,9%. O Caged apontou fechamento de 30 mil vagas formais em outubro, resultado que surpreendeu negativamente. Enquanto isso, a presidente Dilma segue em viagem à cúpula do G-20 sem a definição de nomes para a equipe econômica.

O juízo que se pode fazer do dia de ontem é que o país entrou numa nova fronteira dessa investigação de corrupção: chegou às grandes empreiteiras, que são, ao mesmo tempo, importantes doadoras de campanha. As doações legais e declaradas pelos partidos não são problema. Elas passam agora a ser investigadas pela suspeita de pagamento de propina que pode ter se transformado em comissões para os partidos políticos. Se alguns desses executivos decidirem seguir o caminho da delação premiada, que trilham com sucesso Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o círculo se fechará cada vez mais sobre os beneficiários.

*Acrescentamos subtítulo e charge de Lailson à publicação original

9 de nov. de 2014

Dilma e o desafio de terceiro grau

BRASIL – Opinião
Desafio de terceiro grau
Na quinta-feira, foi divulgado o aumento da miséria que havia sido adiado pelo Ipea. Na sexta, seriam divulgados os dados de desmatamento, mas depois o governo recuou. Esses dados, do sistema de alerta em tempo real, têm que sair mensalmente. O governo continua escondendo que o desmatamento aumentou.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Miriam Leitão, para O Globo
Fonte: O Globo

A presidente Dilma tem três graus de desafios, se dividirmos o eleitorado entre os que votaram no governo, os que preferiram a oposição e quem se absteve ou votou nulo e branco. Aos 38% dos eleitores que votaram nela, Dilma tem que provar coerência; aos 36% que optaram pela oposição, ela tem que provar competência; e os 26% que não votaram precisam ser trazidos para o jogo.

Será difícil mostrar coerência aos seus. Os primeiros dias já foram de contorcionismo quase circense. Os juros, que os adversários elevariam, seu Banco Central os elevou; o ajuste fiscal, que não precisaria ser feito, virou um pedido ao Congresso para descumprir as metas de 2014; o dever de casa que ela negou, já admitiu que terá que fazer; os banqueiros, que "tomam comidas e livros dos pobres", frequentaram listas de ministeriáveis; a empresa na qual não ficaria pedra sobre pedra até se descobrir todo o "mal feito" teve a primeira pedra removida por exigência de uma firma internacional de auditoria; a crise elétrica inexistente pode provocar cortes de luz durante o verão. Coerência foi um produto escasso nesses primeiros dias.

Na entrevista que a presidente Dilma concedeu aos jornalistas, na quinta-feira, o marketing eleitoral sofreu novas torções. A presidente disse que o governo precisa cortar os gastos e tem que controlar a inflação. Os dois temas estiveram na campanha com outro tom: a inflação estaria controlada e os gastos, também, já que o ajuste fiscal não seria necessário. Agora, o ministro Guido Mantega diz que vão ser "reformatados" o seguro-desemprego, auxílio-doença e abono salarial. Não disse o que significa "reformatar", mas garantiu que o gasto vai diminuir. Admitiu também que os bancos públicos terão um papel menor.

Quando falou de onde diminuir gastos, Dilma disse que é "lorota" reduzir os ministérios. O exemplo que deu de como todos eles são necessários mostra uma avaliação deficiente de administração. "Eu não posso acabar com portos e aeroportos", justificando os ministérios dos Portos e da Aviação Civil. Ora, todos podem estar dentro do Ministério dos Transportes. Até porque hoje a logística é integração dos modais. Essa pulverização de instâncias administrativas é exatamente o oposto do que tem que acontecer. Lorota é achar que uma área tem relevância e gestão eficiente se tiver um ministério só seu. Esse monte de ministérios existe para atender a todos os pedidos fisiológicos da base partidária e distribuir nacos de poder para cada facção dos partidos e para as cotas pessoais dos líderes influentes.

Ela desagrada ao seu grupo quando fala em ajuste, em corte de gastos, em revisão do seguro-desemprego, e quando aumenta a gasolina e os juros. Não atrai os que não votaram nela ao entrar em contradição ou ao insistir em contar a história com as distorções do palanque.

Apesar do alerta do governo de aumento do risco de falta de energia neste verão, ela disse que tem 20 mil megawatts de energia térmica e "quando teve o apagão se tinha 4 mil era muito". Isso assalta a inteligência alheia. É claro que comparado com 13 anos atrás tem que haver mais megawatts de qualquer fonte.

A ideia de montar um sistema de térmicas como garantia para as oscilações hídricas foi criada naquela época pelos gestores da crise no governo Fernando Henrique. A crise é grave, há uma enorme conta que irá bater no bolso do consumidor provocada pelo adiamento de medidas necessárias na área energética. O tarifaço que houve este ano será seguido por outro no ano que vem, em que se começa a pagar a conta do empréstimo às distribuidoras.

Na quinta-feira, foi divulgado o aumento da miséria que havia sido adiado pelo Ipea. Na sexta, seriam divulgados os dados de desmatamento, mas depois o governo recuou. Esses dados, do sistema de alerta em tempo real, têm que sair mensalmente. O governo continua escondendo que o desmatamento aumentou.

Nestas duas semanas está sendo desmontado o palanque: a cada dia se confirma algo que era negado. O problema é que desta forma ela não atrai quem não votou nela e pode decepcionar quem acreditou no que a propaganda oficial dizia. Os que se abstiveram não têm motivos para entusiasmo diante dessa triste forma de fazer política.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo e ilustração à publicação original

30 de out. de 2014

A divisão do Banco Central e a subida inesperada dos juros - Míriam Leitão, para O Globo

BRASIL – Economia - Opinião
A divisão do Banco Central
e a subida inesperada dos juros
O BC surpreendeu, poucos esperavam essa decisão, de subir os juros, mesmo que apenas de 0,25 ponto para dar o sinal de que combaterá a inflação. Isso depois de passar todo o período eleitoral sem subir os juros, vendo o índice estourar o teto da meta e a propaganda oficial acusar os concorrentes de estarem defendendo juros altos quando falavam em combater a inflação.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão
Fonte: Blog de Miriam Leitão

O Copom ficou ontem dividido e por boas razões. Quem votou pela manutenção da taxa de juros olhou os sinais de que a economia está fraca e existem várias razões que atrapalham a recuperação da atividade. Quem votou pela alta olhou a inflação acima do teto da meta e o risco de uma elevação dos preços da gasolina. O BC surpreendeu, poucos esperavam essa decisão.

Subiu apenas 0,25 ponto para dar o sinal de que combaterá a inflação. Isso depois de passar todo o período eleitoral sem subir os juros, vendo o índice estourar o teto da meta e a propaganda oficial acusar os concorrentes de estarem defendendo juros altos quando falavam em combater a inflação.

O BC vive, há tempos, o pior dos dilemas da autoridade monetária: inflação elevada com novas pressões inflacionárias; crescimento baixo com pressões recessivas.

Pela inflação, os juros deveriam mesmo subir. A taxa terminará o ano bem perto do teto, mesmo se não houver aumento da gasolina. Os preços da carne e de outros alimentos continuam pesando no indicador. As cotações em queda de algumas commodities como soja, milho e trigo já ajudaram durante o ano, mas o efeito bom acabou. O câmbio está em alta. Tudo isso traz pressão inflacionária.

Pelo nível de atividade, os juros não deveriam subir. Há vários fatores que podem manter o PIB perto de zero. A incerteza sobre o futuro está paralisando os investimentos. E não é apenas a falta de nomes para a área econômica. Para os empresários do setor produtivo não basta a pessoa, é preciso fatos mais concretos para elevar a confiança.

A crise da água está atrapalhando a produção, o preço alto da energia continua incentivando empresas que já têm eletricidade contratada a suspender a produção para vender a energia no mercado à vista. Há especialistas afirmando que a qualidade dos balanços das empresas está se deteriorando rapidamente.

O mercado financeiro pode ter momentos de animação ou de queda, mas continuará volátil. A economia real, no entanto, precisa de algo mais sólido para se animar a retomar investimentos.

Há uma complicação a mais no cenário. Na Petrobras, os gestores têm medo de tomar decisões, assinar liberações, aprovar pareceres. Há receio de decidir algo que amanhã poderá ser contestado. Isso está afetando o ritmo de investimento da nossa maior companhia.

As empresas automobilísticas estão com grande estoque, o que reduz ainda mais o apetite para investir. Como é de hábito do setor, assim que as eleições acabaram as montadoras foram pedir ajuda ao governo. Além da manutenção do IPI baixo, elas querem estímulos às vendas. E ontem mesmo o governo aceitou ajudar. Uma linha de crédito especial será liberada no banco Pan, no qual a Caixa Econômica tem parte, para financiar a compra de carro a juros baixos.

No exterior, o FED — o banco central americano — anunciou o fim do ciclo de estímulo monetário. Eles foram saindo à francesa daquela montanha de US$ 85 bilhões que jogavam mensalmente na economia. Agora, sem essa injeção, a tendência é o dólar continuar subindo. Isso trará mais pressão inflacionária. O nosso Banco Central está com uma posição de quase US$ 100 bilhões de vendas de swaps. Não tem espaço indefinido para continuar usando o mesmo instrumento para evitar a desvalorização do real. Há um limite.

Diante desse quadro, o BC ficou dividido. Venceu o grupo que quis subir juros para dar um sinal de que a política monetária seguirá lutando para derrubar a inflação. Mas três votaram pela manutenção da taxa. Alguns podem interpretar a decisão como um sinal de que o BC, finalmente, terá autonomia no segundo mandato da presidente Dilma. Ainda que isto seja o oposto do que defendia a candidata.
*Acrescentamos subtítulo e foto à publicação original

27 de out. de 2014

Em discurso pós-eleições, Mantega consegue desanimar ainda mais o mercado

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
Em discurso pós-eleições,
Mantega consegue desanimar ainda mais o mercado
Em sua primeira entrevista coletiva após a reeleição de Dilma, ministro diz que resultado eleitoral mostra a aprovação de suas políticas

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O ministro Guido Mantega (Fazenda) concede entrevista coletiva no Ministério, para falar sobre as perspectivas para o novo governo da presidente Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (27)

Postado por Toinho de Passira

Fonte:  Veja, com Reuters e Estadão Conteúdo

A segunda-feira começou com o furor já esperado na bolsa de valores, com o dólar disparando — chegou a 2,58 reais — e o Ibovespa em queda de mais de 2%, depois de recuar 6,2% na abertura do pregão. Petrobras recua 14%. Investidores digerem a vitória da presidente Dilma Rousseff e aguardam uma sinalização de que as políticas que levaram o Brasil ao cenário recessivo serão, ao menos, reavaliadas. Enquanto ela não vem, as incertezas persistem tanto no mercado financeiro quanto no setor produtivo.

Prestes a deixar o Ministério da Fazenda, Guido Mantega deu sua primeira entrevista pós-eleições, nesta segunda-feira. Não que se esperasse grandes declarações do ministro demissionário. Mas a lógica prevê que, diante da dura reação do mercado em relação ao Brasil, o ministro tivesse a sensatez de acalmar os ânimos. Contudo, conseguiu o impensável: piorar tudo. Disse que o resultado das urnas mostra que a população aprova as políticas que estão sendo praticadas e que a volatilidade da bolsa nada tem a ver com o processo eleitoral.

Diz o ministro: "Isso (o resultado das urnas) mostra que a população está aprovando as políticas que estamos praticando. Hoje, todas as bolsas estão caindo. Vocês não vão me dizer que é pelo processo eleitoral no Brasil", disse. "Como está tendo queda de commodities no mundo, afeta as ações brasileiras. As eleições também afetam a bolsa. Causam volatilidade de todo tipo. Com o fim da eleição esse cenário tende a amainar", defendeu.

Diante de um país completamente rachado, o ministro poderia reconhecer, ainda que de forma não tão escancarada, a possibilidade de ouvir os anseios da outra metade do Brasil que não aprovou o governo Dilma. Mas Mantega prosseguiu, afirmando que as reações negativas são porque os pessimistas "ficaram mais pessimistas". "Terminada a eleição, esse cenário tende a se acalmar. Já há uma volta do otimismo da economia", disse.

Levantando um ponto sensível durante o pleito, a independência do Banco Central, Mantega disse que não faz sentido encaminhar projeto de autonomia do órgão ao Congresso. Depois de tal introdução, afirmou que o governo vai reforçar "o lado fiscal" e "manter a inflação controlada". "Já temos perspectiva para 2015 de um resultado fiscal mais forte. Vamos continuar nos esforçando para aumentar a transparência da execução fiscal. Isso tem avançado bastante", afirmou.

Ao final, depois de proferir um discurso que dá um golpe de misericórdia na credibilidade de sua gestão, o ministro disse que seu pronunciamento teve o objetivo de "confirmar os compromissos do governo brasileiro". "Temos compromisso de fortalecer os fundamentos da economia brasileira. Isso é fundamental e prioritário na nossa economia. Significa manter bom resultado fiscal para que a dívida pública fique sob controle", afirmou, acrescentando que isso é uma prioridade para os próximos quatro anos.

Ao longo da gestão do ministro, houve retrocesso na transparência dos dados fiscais e sua demissão chegou a ser sugerida por veículos de comunicação internacionais, como Financial Times e a revista The Economist.

Vale ressaltar, porém, que o setor público consolidado (composto por Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de 14,460 bilhões de reais em agosto, o pior resultado desde dezembro de 2008 e o quarto resultado negativo consecutivo. No acumulado do ano, o montante economizado para pagar os juros da dívida pública, somou apenas 10,205 bilhões de reais, contra 54,013 bilhões de reais em igual período de 2013. A meta do ano todo para o setor público consolidado é de 99 bilhões de reais, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Economistas já alertam que, de novo, o governo terá de usar abatimentos controversos - contabilidade criativa - para ajudar na meta. O Tesouro também chegou a atrasar por meses os repasses a bancos referentes aos benefícios de programas sociais, o que ajudou a inflar superficialmente as contas públicas.

No caso da inflação, ela se mantém acima do teto da meta desde setembro, depois de passar o ano próxima do teto de 6,5%.

NOVO MINISTRO

Questionado sobre sua sucessão, Mantega não quis responder. Disse que a pergunta deveria ser direcionada para a presidente Dilma Rousseff.

"Não cabe a mim falar em nome de ministros neste momento", afirmou.

Segundo ele, a entrevista desta segunda-feira foi convocada para falar de propostas. "Nós temos muitas coisas para fazer até o fim do ano, uma série de estímulos foram feitos e outros devem vir.

Temos dois meses pela frente de trabalho intenso, até terminar o ano, para que possamos fortalecer os fundamentos e criar as condições para que as empresas e trabalhadores se mobilizem para um novo ciclo de expansão."

15 de out. de 2014

“NÃO HÁ CRISE INTERNACIONAL” - diz manifesto assinado por 164 renomados economista

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
“NÃO HÁ CRISE INTERNACIONAL”
- diz manifesto assinado por 164 renomados economista
Professores - mestres, doutores e PhD em Economia, de universidades brasileiras, americanas e europeias - afirmam que não se pode falar de crise internacional generalizada, porque das 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão, enquanto o resto do mundo apresenta índices de crescimento.

Foto: Arquivo

DILMA - MANTEGA - Os economistas também dizem que com a política atual “a semente do desemprego está plantada” e, com isso, “os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja - Mercados - Geraldo Samor, Manifesto Economistas

Um grupo de 164 professores de Economia, ligados a universidades no Brasil e no exterior, acaba de publicar um manifesto para desconstruir “inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral,” da candidata a reeleição Dilma Rousseff.

De acordo com os professores, a maioria PhDs, “não há, no momento, uma crise internacional generalizada.” Como se sabe, a Presidente Dilma Rousseff aponta a existência de uma “grave crise internacional” para justificar o crescimento do PIB próximo de zero este ano.

“Alguns de nossos pares na América Latina … estão em franca expansão econômica. Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%. No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%.”

Os professores dizem que, entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no site da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão.

“Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns,” diz o manifesto. “É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.”

Os economistas também dizem que “a semente do desemprego está plantada” e, com isso, “os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.”

Os economistas dizem que “o atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional,” mas que a explicação é outra: as políticas econômicas equivocadas do atual governo.

Há, entre os signatários, seis professores da Unicamp, cuja escola de economia é mais associada a políticas econômicas heterodoxas. Em outras palavras, até em escolas que não rezam pela cartilha da Universidade de Chicago — o altar da ortodoxia — se faz, hoje, uma crítica à política econômica atual.

Leia abaixo a íntegra do documento:

Manifesto de professores universitários de economia
Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários de Economia, ligados a diversas instituições no Brasil e no exterior. O nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral.

1) Não há, no momento, uma crise internacional generalizada.
• Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica.

• Projeta·se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%.1

• No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%.1

• Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram·se em recessão.2

• Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns.

• É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.
2) Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada. E os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.

3) O atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional. Entretanto, como a realidade dos fatos mostra que não há crise internacional generalizada, a explicação só pode ser outra.

4) Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo.

5) O atual governo ressuscitou os fantasmas da inflação e da instabilidade macroeconômica.
• Uma política monetária inadequada gerou a suspeita de intervenções de cunho político no Banco Central, que foi fatal para sua credibilidade.

• A utilização recorrente de truques contábeis destruiu a confiança na política fiscal.

• Esta combinação de políticas monetária e fiscal opacas e inadequadas gerou um cenário macroeconômico extremamente adverso, com inflação alta e crescimento baixo.
6) O governo Dilma amedrontou os investimentos.
• Houve mudanças constantes e inesperadas de regras, como alterações arbitrárias de alíquotas de impostos.

• Diante desta instabilidade das regras do jogo, a desconfiança aumentou e o horizonte dos empresários encurtou.

• O acesso privilegiado aos órgãos governamentais passou a ser uma atividade mais lucrativa que o planejamento e investimento de longo prazo.
7) A mudança das regras do jogo não afetou apenas a iniciativa privada.
• O excesso de intervencionismo nas empresas estatais, como o represamento artificial dos preços de energia e gasolina, minou a capacidade de investimento dessas empresas.

• Por conta de empreendimentos questionáveis do ponto de vista econômico, a capacidade de investimento da Petrobrás foi comprometida.
8) O atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável.
• A distribuição arbitrária de crédito subsidiado produz distorções na alocação de recursos do país e contribui para o baixo crescimentoeconômico.

• Os subsídios envolvidos geram altos custos fiscais que o atual governo tenta esconder com malabarismos e truques contábeis. Estes expedientes destruíram a confiança nas estatísticas fiscais do país.

• Os recursos gastos na forma de subsídios injustificados poderiam ser utilizados para ampliar programas sociais e investimentos públicos em educação, saúde e infra·estrutura.

• O Brasil precisa continuar avançando na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, com melhor distribuição de renda.

• Além de deletéria para o desenvolvimento do país, a política de distribuição arbitrária de crédito subsidiado para grandes grupos econômicos é concentradora de renda.
No ambiente econômico do Brasil de hoje, os frutos de um novo empreendimento podem ser facilmente corroídos por mudanças inesperadas nas regras do jogo, pela alta inflação e pelo baixo crescimento econômico.

Portanto, não é surpreendente que o investimento tenha colapsado. Sem investimento, o Brasil jamais retomará o seu caminho para o desenvolvimento. E sem desenvolvimento, os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas sofrerão retrocessos.

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá·los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto.

Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

14 de outubro de 2014*

*No site Manifesto Economistas veja a lista dos 164 professores - mestres, doutores e PhD em Economia, de universidades brasileiras, americanas e europeias - que aderiram ao manifesto

3 de out. de 2014

Com Dilma, Petrobras perdeu R$ 162 bi – o equivalente a todo o Produto Interno Bruto (PIB),de Cuba, em 2013

BRASIL - Desgoverno Dilma
Com Dilma, Petrobras perdeu R$ 162 bi – o equivalente a todo o Produto Interno Bruto (PIB),de Cuba, em 2013
Desvalorização das ações chega a 43% desde início do governo da presidente. Ou seja, as Petrobras vale a metade do que valia, e ganhou o título de empresa de petróleo mais endividada do mundo, desde que Dilma assumiu.

Foto: Wilton Junioe/Estadão

Petrobras: 162 bilhões pelo ralo em valor de mercado

Postado por Toinho de Passira
Fonte:  Veja

A Petrobras deixou de ser a maior empresa do Brasil em valor de mercado na última segunda-feira, depois que as ações da empresa caíram 11% na Bolsa de Valores. Com isso a Ambev, avaliada em 253 bilhões de reais, voltou a ser a maior companhia — posto que ocupava até março deste ano. Até o dia 30 de setembro, as ações da estatal acumulam, apenas no governo Dilma, queda de 162,2 bilhões de reais em valor de mercado, ou 43%. É como se a Petrobras tivesse perdido mais que "um Bradesco" em menos de quatro anos, ou seis vezes a empresa TIM, por exemplo, de acordo com dados da consultoria Economatica.

A estatal tem vivido um ano de altos e baixos na Bolsa. Investidores passaram a apostar nos papéis da empresa em março, quando as primeiras pesquisas de intenção de voto mostravam a presidente Dilma Rousseff com um baixo nível de aprovação e um alto nível de rejeição entre os eleitores. Se contabilizadas as perdas apenas até março deste ano, somam 73%. Isso significa que o brasileiro que investiu 1.000 reais em papéis da empresa em 2008, tinha em março apenas 270 reais.

Com a aproximação das eleições, tanto as ações da empresa quanto a de todas as estatais se valorizaram, com investidores apostando numa mudança de governo. Alvo de corrupção e ingerência, a Petrobras atingiu no governo Dilma o título de empresa de petróleo mais endividada do mundo, com uma dívida de 300 bilhões de reais — maior, inclusive, que seu valor de mercado.


Em 2013, Cuba registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de 68,23 bilhões de dólares (169 bilhões de reais, aproximadamente), quase o mesmo valor que a Petrobras perdeu em valor de mercado no governo Dilma.

30 de set. de 2014

Por causa de Dilma em alta nas pesquisas: dólar dispara, ações da Petrobras derretem e bolsa despenca

BRASIL – Economia – Eleição
Por causa de Dilma em alta nas pesquisas: dólar dispara, ações da Petrobras derretem e bolsa despenca
Tem sido sempre assim, quando novas pesquisas trazem números favoráveis a reeleição da presidenta, os investidores reagem com brutal desconfiança. Nesta segunda não foi diferente, mais uma vez as ações da Petrobras, das estatais e a Bovespa foram golpeadas.Na mesma proporção o mercado de câmbio nervoso fez o dólar fechar na maior alta desde dezembro de 2008.


O Real teve a maior desvalorização entre os emergentes

Postado por Toinho de Passira
Fontes: UOL - Economia, O Globo, Folha de S. Paulo,

A uma semana das eleições, os investidores reagiram novamente, de forma negativa à maior probabilidade de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Com isso, o dólar fechou em seu maior patamar desde 2008, período em que os mercados eram fortemente afetados pela crise financeira global. A moeda americana fechou em alta de 1,69%, a R$ 2,455 na compra e a R$ 2,4570 na venda. Esse é o maior valor desde os R$ 2,471 de 9 de dezembro de 2008. Nesse cenário real é a moeda que apresenta a maior desvalorização frente ao dólar entre todos os países emergentes.

A reação também foi negativa na Bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações local, fechou em queda de 4,52%, aos 54.625 pontos, o maior tombo desde 22 de setembro de 2011, quando o recuo foi de 4,82%.

Operadores do mercado confirmam que grande parte desse movimento pode ser atribuído ao cenário eleitoral, com uma aversão de grande parte dos agentes de mercado a um novo governo do PT.

A volatilidade da atual eleição só não é maior do que a ocorrida no pleito de 2002, quando o temor em relação ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva fez o dólar chegar aos R$ 4. O comprometimento do candidato, ao lançar a “Carta aos Brasileiros’, com as diretrizes do que seria o seu governo, ajudou a acalmar os agentes do mercado financeiro na época.

Esse tipo de reação está acontecendo há alguns meses, tanto no mercado acionário como no mercado de câmbio.

Em geral, a maior parte do mercado financeiro é contrário à reeleição de Dilma, por entender que o seu governo é muito intervencionista e que a vitória da oposição poderia ser favorável a medidas que visem o crescimento da economia e melhor gerenciamento das estatais, incluindo aí a Petrobras.

A petrolífera brasileira, foi o principal motivo para derrubar a Bovespa nesta segunda-feira: as ações da Petrobras acabaram sendo as mais atingidas, no fenômeno da desconfiança do mercado a continuidade do governo de Dilma - os papéis de estatais e dos bancos fazem parte do “kit eleições”.

Os papéis da Petrobras, preferenciais (sem direito a voto) despencaram 11,17% e os ordinários (com direito a voto) tiveram um tombo de 10,44%.

Os papéis de outras estatais também foram atingidos. As ações sem direito a voto da Eletrobras recuaram 3,69% e as com tiveram queda de 6,13%. Já no caso do Banco do Brasil, a desvalorização foi de 8,54%. Outros bancos também registraram forte queda, sendo que Itaú Unibanco caiu 7% e Bradesco recuou 7,03%.

As ações da Vale também operaram em queda, após a tonelada do minério de ferro, seu principal produto, ter atingido US$ 77,97 na China, segundo dados da Bloomberg. Os papéis preferenciais da mineradora caíram 1,97% e os ordinários recuaram 1,59%.

Até sair o resultado final do 2º turno, a pisada vai ser essa. Imagina se ela ganha.

29 de set. de 2014

Manifesto por um Brasil mais rico, não mais caro - Ricardo Amorim, para IstoÉ

BRASIL - OPINIÃO
Manifesto por um Brasil mais rico, não mais caro
Quem pagará a conta do encarecimento dos produtos importados e da redução da competição com os nacionais é o consumidor

Foto: Captura de Tela

Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo: só neste ano, até a data de hoje, 29.09.2014, mais de 1,2 trilhões arrecadados

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Amorim
Fontes: IstoÉ

Na Idade Média, o tratamento para a peste bubônica era forçar o doente a penitenciar-se com um padre. Buscava-se tratar sintomas como febre, calafrios e delírio através da graça de Deus. O resultado: um terço da população europeia foi dizimada pela peste.

De lá para cá, muito mudou, mas nem tanto assim. Vários tratamentos médicos continuam lidando exclusivamente com os sintomas e não as causas das doenças. Na economia, também.

Na história brasileira, há mais casos de tratamentos de sintomas de problemas econômicos do que episódios em que as verdadeiras razões dos desarranjos foram confrontadas.

Nesta semana, tivemos mais um. Para lidar com dificuldades da nossa indústria, o governo e o Banco Central vêm adotando uma série de medidas, incluindo redução temporária de impostos para alguns subsetores, aceleração da queda da taxa de juros, adoção de restrições à entrada de capitais estrangeiros para enfraquecer nossa moeda e elevação de impostos sobre produtos importados.

Além de sujeitarem o País a eventuais retaliações comerciais, essas medidas criam um Brasil mais caro, não mais rico. Quem pagará a conta do encarecimento dos produtos importados e da redução da competição com os nacionais é você, o consumidor. Aliás, já paga.

No ano passado, impostos sobre importação arrecadaram mais que o Imposto de Renda Pessoa Física. Você pagou ambos. Os primeiros, nos preços elevadíssimos praticados no Brasil e o IRPF, na fonte.

A própria indústria, beneficiária no curto prazo, acaba perdendo no longo prazo, à medida que a elevação de preços reduz o número de consumidores que podem arcar com preços mais elevados.

O governo deve, sim, adotar medidas enérgicas para elevar a competitividade do País. Para isso, precisa cortar gastos públicos excessivos e de péssima qualidade. Somos pouco competitivos e nossos preços são elevados porque, no Brasil, compramos o produto ou o serviço e pagamos junto nosso governo gastão.

Não raro, pagamos duas vezes pelo mesmo serviço. Saúde e educação são exemplos óbvios. Através de nossos impostos, pagamos os sistemas públicos, mas, devido à baixa qualidade, quem pode paga também por serviços privados.

Com menos gastos públicos, os impostos também cairiam e, com eles, os preços. Com preços menores, o consumo aumentaria e a geração de empregos também.

Sobrariam mais recursos para investimentos em infraestrutura, reduzindo custos de transporte, energia, comunicação, etc. O governo necessitaria de menos dinheiro emprestado, permitindo que a taxa de juros caísse, sem gerar desequilíbrios. Juros menores atrairiam menos capital estrangeiro, levando a uma taxa de câmbio menos apreciada.

Menos gastança governamental e impostos são a receita para um país mais rico. Mais impostos sobre produtos importados constroem apenas um país mais caro.

Nossa presidenta tem reclamado do tsunami financeiro dos países ricos – que ela não controla –, mas não tem atacado sistematicamente o tsunami de gastos públicos, sob seu controle.
Ricardo Amorim - Economista, apresentador do "Manhattan Connection" (Globo News) e presidente da Ricam Consultoria (www.ricamconsultoria.com.br)
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

19 de set. de 2014

Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)

ARGENTINA - Megalomania
Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)
Em meio à recessão, crescente déficit fiscal e aumento da inflação e pobreza, a presidente Cristina quer construir o prédio mais alto da América Latina (que incluirá um hotel de luxo)


Cristina Kirchner afirma que pretende fazer uma espécie de Central Park em Buenos Aires. Em vez do Hudson, o fétido encontro do Riachuelo (a via fluvial mais poluída da Argentina) com o rio da Prata

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fonte: Blogs Ariel Palacios

A presidente Cristina Kirchner anunciou o projeto de construção do edifício – segundo ela – “mais alto da América Latina”, com 335 metros de altura. Segundo Cristina, o prédio, que estará localizado entre os bairros de Puerto Madero e La Boca, no encontro do rio da Prata com o Riachuelo, junto com os jardins ao redor, “terá a magnitude do Central Park de Nova York”. O edifício, que terá 67 andares e custará US$ 310 milhões será destinado aos canais estatais de TV da Argentina, o Instituto Nacional de Cinema, além de produtoras audiovisuais. A torre da presidente que apresenta-se como “defensora dos pobres” também contará com um hotel de luxo.

A obra, classificada como “megalomaníaca” pelos representantes da oposição, pretende representar morfologicamente o mapa da Argentina. No sopé do edifício “Argentina Audiovisual”, a poucos metros da margem, em pleno rio da Prata, uma ilha artificial será construída para instalar um estádio coberto de 13 mil metros quadrados com capacidade de 15 mil pessoas. Esta ilha representaria o arquipélago das Malvinas.

Cristina anunciou em rede nacional de TV que o prédio “será o símbolo da cidade” de Buenos Aires. Segundo ela, no 17 de outubro, data emblemática para os peronistas, pois é o dia em que o então coronel Juan Domingo Perón (em 1945) foi aclamado pela população na Praça de Mayo, dando início ao Peronismo, ela e os representantes da empreiteira Riva S.A. colocarão a pedra fundamental do edifício.


A torre de Cristina Kirchner pretende emular a morfologia do mapa argentino. Do lado, flutuando no meio do rio da Prata, uma simulação das ilhas Malvinas, onde será um estádio

A oposição indica que a obra ficará apenas no papel, tal como o projetado trem-bala Buenos Aires-Rosario, que nunca saiu do papel e que seria construído pela Alstom. Os analistas políticos indicaram que a obra é “faraônica” e recordaram que em 2010, ao inaugurar um gasoduto submarino entre a ilha de Terra do Fogo e a Patagônia, a presidente Cristina comparou-se com o faraó Kéops. “Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse dois anos depois.


“Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse em 2012, pouco depois de visitar um museu em Berlim, onde ficou longo tempo observando o busto da rainha Nefertiti. Humoristas afirmam que a torre de Cristina pretende ser uma espécie de pirâmide de Kéops à beira do rio da Prata. LEGENDA

Cristina disse que a obra levará cinco anos de construção. Na sequência, deu um recado ao próximo presidente: “meu sucessor terá que continuar com esta construção”. E depois, alertou em tom de piada a empreiteira: “melhor que o pessoal da construtora termine a obra no prazo, pois senão os mato…”.

A presidente – que há menos de duas semanas anunciou que pretendia mudar a capital do país de Buenos Aires para Santiago del Estero – encerra seu mandato em dezembro do ano que vem.


Meme do cartunista Bernardo Erlich ironizando o projeto de Cristina Kirchner, com o ad hoc King Kong enfrentando a aviação argentina.

FAVELAS – Na mesma cidade na qual a presidente Cristina projeta a construção do edifício mais alto da América Latina, a população das favelas cresce de forma persistente. Nos últimos quatro anos a proporção de habitantes das “Villas Miseria” (nome local para as favelas) aumentou em 70%. Atualmente residiriam nas favelas portenhas 275 mil pessoas, quase 10% da população da capital do país.

Segundo um relatório apresentado pela Universidade Católica Argentina (UCA), 27,5% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza. No entanto, segundo o governo Kirchner, a proporção de pobres é de apenas 6,1%. Os dados do governo são elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo acusado de maquiar os índices de inflação, pobreza e PIB.


 COMENTAMOS:  
Os argentinos estão reclamando de barriga cheia. Chamam Cristina de megalomaníaca por tentar construir uma obra orçada em US$ 310 milhões. Como chamar a nossa aventura da Copa padrão FIFA? Basta lembrar, que apenas na reforma do Maracanã, um estádio que já estava pronto, gastamos US$ 600 milhões.  

18 de set. de 2014

Financial Times : "visão de Armínio Fraga sobre Brasil explica porque ele é a escolha do mercado"

BRASIL - Economia
Financial Times: "visão de Armínio Fraga sobre Brasil explica porque ele é a escolha do mercado"
Entrevistado pelo jornalista Joe Leahyao do FT, o ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso destacou que o governo está perdido após escolher o modelo errado para a economia e defende um "retorno à ortodoxia econômica".

Foto: Arquivo

Aliado de Aécio, Armínio Fraga destacou que não aceitaria participar de um governo Maria Silva

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  InfoMoney , Financial Times

"A avaliação de Armínio Fraga sobre o que está dando errado no Brasil explica por que ele é a escolha do mercado para ser o ministro da Fazenda após a eleição de outubro". É o que afirma oFinancial Times em matéria de hoje sobre o economista que já foi "anunciado" para substituir Guido Mantega caso Aécio Neves (PSDB) - atualmente em terceiro lugar nas pesquisas - vença as eleições.

O Financial Times faz um perfil do economista, destacando que ele teve uma sólida carreira na iniciativa privada, sendo diretor-gerente da Soros Fund Management em Nova York entre 1993 e 1998 e administrando o seu próprio fundo, o Gávea Investimentos. O jornal ressalta que, apesar de Aécio estar atrás nas pesquisas, as propostas apresentadas por Armínio para resolver os problemas do Brasil são o que mais entusiasmam os mercados.

A economia do Brasil desacelerou de alta de mais de 4% para menos de 2% ao ano desde que Dilma Rousseff assumiu o cargo em 2011, com a economia entrando em recessão técnica no primeiro semestre deste ano, ressalta a publicação britânica. A inflação está no teto da meta, que é de 4,5% com banda de mais ou menos 2 pontos percentuais.

"Os críticos culpam a interferência do governo do PT, que está há 12 anos no poder, através de mudanças fiscais ad hoc, esforços para manipular os preços dos combustíveis e de energia para conter a inflação, a intervenção no sector bancário e outras medidas que contribuíram para a desaceleração", afirma o FT.

O Financial Times destaca que, se Armínio fosse o ministro, terá como prioridade restaurar a credibilidade do orçamento, eliminando o uso da "contabilidade criativa" para cumprir as metas fiscais para, em seguida, diminuir a inflação. Para ele, a reforma mais difícil de ser realizada é a do sistema tributário. Ele afirmou ainda que vai rever o papel da Petrobras, de forma a haver um reajuste nos preços de combustíveis de acordo com uma fórmula clara. O papel do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) também deve ter alterações, após ter visto o aumento dos seus desembolsos durante o governo petista.

Armínio Fraga também foi perguntado se, com Aécio mais fraco nas pesquisas, ele iria participar de um eventual governo de Marina Silva, do PSB. "A resposta foi um enfático não", destaca o jornal. "Eu não iria. Eu estou com Aécio e acho que ele é, de longe, a melhor alternativa", afirmou o economista.

E ele deu cinco ingredientes para a economia: o primeiro, reduzir gradualmente a inflação e baixar para o centro da meta de 4,5%. O segundo é o de restaurar a credibilidade da política fiscal, sem truques de "contabilidade criativa". Em terceiro, eliminar o subsídio aos combustíveis que vem levando ao forte endividamento da Petrobras. Em quarto lugar, definir os critérios de empréstimos mais transparentes para o BNDES e garantir a justificativa social para os empréstimos. Em quinto lugar, introduzir imposto sobre valor adicionado único.

11 de set. de 2014

Executiva mais bem paga dos EUA é transexual

ESTADOS UNIDOS – Economia - Transexualidade
Executiva mais bem paga dos EUA é transexual
Futurista, pharma magnata, empresário satélite, filósofo. Martine Rothblatt, a executiva mais bem paga nos Estados Unidos, nasceu do sexo masculino. Mas isso está longe de ser a única coisa que define ela. Basta perguntar a sua esposa. – diz o subtítulo da New York Magazine

Foto: Reprodução

Capa da New York Magazine, desta semana

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Vanity Fair, Terra, New York Magazine, Tribuna Hoje,

"O empreendedor da mulher mais bem paga nos Estados Unidos já foi um homem." - diz a reportagem de capa da conceituada revista americana New York Magazine.

A matéria, que ocupa dez páginas da revista, trata da intrigante personagem Martine Rothblatt, de 59 anos, presidente da companhia farmacêutica United Therapeutics, . que entrou para o topo da lista da revista Fortune entre as mulheres CEOs mais bem pagas dos EUA. Somente no ano passado, Martine ganhou US$ 38 milhões.

"É como ganhar na loteria", disse ela à revista. "Eu não posso afirmar que o que eu conquistei é o equivalente ao que uma mulher conquistou. Na primeira metade da minha vida, eu era um homem".

De acordo com a revista, ela é uma pessoa que se importa com seu gênero o suficiente para se submeter a cirurgias radicais de mudança de sexo, mas não o suficiente para se incomodar se for chamada de "ele" ao invés de "ela".

Martine é casada com Bina Aspen há 33 anos, uma união que começou no tempo que Martine Rothblatt ainda era um homem. Bina, a esposa, não se considera hetero e nem gay, intitula-se "Martine-sexual". O casal tem quatro filhos e quatro netos.

Martine, por sua vez, conta que se considera extremamente sortuda por Bina ter continuado a ser sua esposa mesmo após a sua transição, mas teve de lidar com o preconceito de outras pessoas. De acordo com a reportagem, Martine fez uma cirurgia de redesignação genital, mais conhecida como mudança de sexo, em 1994.

Na escola, os seus filhos foram vítimas constante de bullying e alguns vizinhos chegaram a se mudar depois que Martine começou a usar roupas femininas.

"Você ainda vai ser o meu pai?", perguntou Gabriel, o terceiro filho do casal, aos 11 anos, quando ficou sabendo da cirurgia de mudança de sexo de Martine. "Eu ainda vou ser o seu pai", Martine respondeu. "Eu não vou mudar. Vou mudar apenas fisicamente. Eu vou ser como uma borboleta", completou.

Foto: Peter Hapak/New York Magazine

Algo ainda a arremete ao mundo masculine, Martine é fascinada por carrões esportivos


Martine Rothblatt, com a esposa Bina Aspen

3 de set. de 2014

O mundo não tem culpa

BRASIL – Economia - Opinião
O mundo não tem culpa
O resultado de 2014 no Brasil está na conta das decisões e indecisões da atual política econômica. O ambiente de negócios não favorece o investimento, a crise elétrica tirou o horizonte das empresas, as respostas do governo para os problemas são novas doses do mesmo remédio que já não funcionou.

Foto: Arquivo

As tentativas de escamotear cada problema só aumentam a insegurança em relação ao Brasil.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão, para O Globo
Fonte: Blog da Miriam Leitão

O Brasil está estagnado, e a culpa não é do mundo. Na economia internacional, o pior passou. Sempre haverá algum tipo de instabilidade externa, e a arte de governar está em lidar com ela, atuando no que está sob controle interno. O crescimento da produção industrial de julho é uma andorinha. Melhor tê-la do que não, mas sozinha não fará o verão.

A economia americana teve queda no primeiro trimestre, pelo inverno rigoroso, mas mostrou robusta recuperação no segundo e espera-se um crescimento acima de 2% este ano. A economia alemã encolheu 0,2% no segundo trimestre. A Alemanha vive em grande parte do comércio internacional, é uma máquina que importa e exporta em grandes volumes e por isso sentiu o efeito das sanções contra a Rússia. Mas ela cresceu no primeiro trimestre, sua queda no segundo trimestre é menor do que a do Brasil e o PIB deverá ficar entre 1,5% e 1,8% este ano. Isso para falar de duas grandes economias que enfrentaram de frente a crise internacional iniciada em 2008. Estão melhores do que nós no momento.

Se olharmos para o lado, vamos ver que só ganhamos dos dois países cujos governos levaram a economia para o desastre: Venezuela e Argentina. Estamos crescendo menos do que o Chile, México e muito menos do que a Colômbia, que exibe um vigoroso aumento do PIB acima de 5%.

O resultado de 2014 no Brasil está na conta das decisões e indecisões da atual política econômica. O ambiente de negócios não favorece o investimento, a crise elétrica tirou o horizonte das empresas, as respostas do governo para os problemas são novas doses do mesmo remédio que já não funcionou.

Todo país passa por períodos difíceis, de baixo crescimento e acúmulo de números negativos. A economia é assim mesmo. Agora, no entanto, não é uma baixa pontual, o fraco desempenho está virando crônico. O problema aqui é a falta de diagnóstico inteligente sobre as razões do baixo desempenho e até mesmo a ausência de reconhecimento de que estamos indo mal.

A crise energética é gigante e vai além da falta de água nos reservatórios. A má administração provocou uma onda de dívidas cruzadas entre as empresas elétricas e chegou ao absurdo em alguns fatos, como a concessionária Santo Antônio dever ao consórcio Santo Antônio e por isso a usina começou a demitir. Parece piada, mas é isso mesmo. Consórcio e concessionária, com os mesmos sócios, brigam por pagamento não feito. Não adianta terceirizar a culpa no santo das chuvas. Como São Pedro não é uma variável que se controle do Planalto, era preciso ter uma política energética preparada para as oscilações do índice pluviométrico, mas o governo preferiu fazer populismo eleitoreiro e criou uma zona de sombra para a economia.

As tentativas de escamotear cada problema só aumentam a insegurança em relação ao Brasil. As alquimias e pedaladas tornaram os números fiscais uma ficção e criam nas contas públicas a mesma falta de credibilidade que a Argentina criou em relação aos indicadores de inflação e crescimento. No IBGE, o governo brasileiro não conseguiu intervir — graças ao próprio instituto — mas o Tesouro faz todo o tipo de invencionice para esconder o que todos sabem: a deterioração das contas públicas. E se é um segredo de polichinelo, o que o governo ganha com truques como o atraso nos repasses? Na época do governo militar, os números eram manipulados para se conseguir mais uma parcela dos empréstimos do FMI. É difícil saber o que o Tesouro acha que ganha ao espalhar o descrédito sobre os indicadores fiscais. Esse e outros problemas são fabricados aqui mesmo, em Brasília. O mundo não tem culpa.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

31 de ago. de 2014

Antessala do desemprego - Editorial Correio Braziliense

BRASIL - Economia
Antessala do desemprego
No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Postado por Toinho de Passira
Editorial Correio Braziliense

A verdade dos fatos volta a avisar que a economia brasileira vai muito mal. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% no segundo trimestre, derrubando previsões cor-de-rosa que o governo insistia em fazer ante o mau resultado (crescimento de 0,2%) dos três primeiros meses. Até então, o país estaria em trajetória de crescimento, ainda que lento. Era esse o discurso, mas nem isso se sustentou: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo, revisou para -0,2% a taxa.

Essa revisão é normal e tecnicamente recomendável. Dela resultou que a economia brasileira, que nos últimos três anos vinha desacelerando, está há seis meses andando para trás. A esta altura, é ocioso discutir se estamos ou não em recessão técnica (quando a taxa de crescimento é negativa por dois trimestres seguidos). O que importa é que, mesmo que haja algum refresco no terceiro e no quarto trimestres, 2014 está fadado a fechar um ciclo de quatro anos de baixo desempenho econômico.

No trimestre encerrado em junho, os feriados da Copa do Mundo e supostos respingos da crise mundial estão sendo culpados pelo desastre. É certamente um exagero de quem não pretende, por motivos de calendário eleitoral, reconhecer erros de condução da política econômica, que se acumularam nos últimos anos. Mais sensato e mais construtivo será encarar o problema e buscar coesão para corrigir o rumo e inverter a escalada que põe em risco os empregos e a renda, conquistas que precisam ser mantidas.

Olhar mais crítico sobre os números do trimestre constata mais uma queda na atividade da indústria, que recuou 1,5%, ampliando o já longo ciclo de perdas de competitividade do setor. Além de grande geradora de empregos formais, a indústria é tradicional investidora em expansão e em modernização de equipamentos.

Mas não é isso o que vem ocorrendo: os investimentos, que deveriam ser um dos motores do crescimento do PIB, recuaram 5,3% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Pior: na comparação com igual período de 2013, a queda foi 11,3%. Isso revela o nível da desconfiança da indústria numa reação da economia brasileira e na capacidade do governo de criar as condições para a retomada do crescimento em prazo razoável.

Outro dado preocupante que merece reflexão foi o desempenho dos serviços. Como ocorre com a maioria das economias de nações mais urbanizadas, esse é o setor que cresce mais rápido e mais aumenta a participação relativa no PIB. No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Parte do recuo pode ter sido um dos efeitos perversos da Copa. Só parte. É relevante lembrar que se trata de atividade diretamente ligada ao aumento da renda da população. Nele estão as faculdades e colégios particulares, os restaurantes, o entretenimento, os cuidados com a saúde e com a beleza, para citar algumas demandas, que, não faz muito tempo, passaram a fazer parte da vida de milhões de consumidores. Será imperdoável perder tudo isso por omissão ou incapacidade de conduzir política econômica que favoreça o crescimento.