8 de out de 2013

Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia, mas seu futuro político corre perigo

ARGENTINA
Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia,
mas seu futuro político corre perigo
O porta-voz do governo de Cristina Kirchner anunciou na tarde desta terça-feira que a cirurgia de retirada de um hematoma da cabeça da presidente foi um sucesso. Em nota, o hospital afirmou que a presidente evolui de forma satisfatória. Não se sabe a repercussão que a saída, da presidente, da campanha eleitoral, por motivo de saúde, irá piorar o melhorar as chances do governo de manter a maioria no legislativo. As consultas de opinião indicam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina

Foto: EPA

A publicação dessa foto rejeitada pelos principais jornais argentinos, mais alinhados com o governo. A presidente Cristina Kirchner, pouco antes de sua internação na clínica Favaloro, em Buenos Aires, apresentando um rosto abatido e repleto de placas vermelhas, uma imagem impactante para os argentinos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, O Globo, La Nacion, La Razón, Pagina 12, El Clarin …

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi submetida a uma cirurgia bem-sucedida para a drenagem de um hematoma cerebral nesta terça-feira, mas será obrigada a se afastar da campanha eleitoral para uma eleição fundamental para seu governo.

Cristina foi internada na segunda-feira na Fundação Favaloro, em Buenos Aires, para realização de exames pré-cirúrgicos, após sentir um formigamento no braço no domingo que obrigou seus médicos a optarem pela intervenção cirúrgica, no lugar do repouso indicado inicialmente.

A operação "sem complicações" começou pouco antes das 8h (9h no horário de Brasília), disseram os médicos em comunicado.

"A paciente evolui favoravelmente permanecendo internada na unidade de tratamento intensivo", disseram os médicos da presidente em comunicado.

O porta-voz do governo disse que Cristina estava bem humorada. "Cumprimentou todo mundo, agradeceu a todos, agradeceu a equipe médica... agradeceu a todas as pessoas que estão rezando por ela", disse a jornalistas o porta-voz Alfredo Scoccimarro, na porta do hospital.

A operação de baixo risco consistiu em abrir um orifício para permitir a drenagem do hematoma que se formou por baixo da meninge, membrana que envolve o cérebro, disseram fontes médicas.

A recuperação da cirurgia deixará Cristina fora da campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro, e também significa que a presidente ficará afastada do poder durante um momento delicado para o governo, em que a economia mostra sinais de fraqueza e a inflação está em alta acelerada.

O vice-presidente Amado Boudou assumiu a Presidência temporariamente na segunda-feira, mas uma fonte do governo disse à Reuters que o papel dele será protocolar.

Foto: Marcos Brindicci/Reuters

Homem segura bandeira com a foto da presidente argentina, Cristina Kirchner, junto com o falecido marido, Néstor Kirchner, em frente ao hospital onde ela está internada, em Buenos Aires

Cristina tem um estilo de gestão centralizador do poder e todas as decisões relevantes são tomadas por ela com pouca intervenção de seus ministros, o que, segundo críticos, implica um risco porque a ausência da presidente pode paralisar o governo.

Cristina ficou internada por várias horas no sábado para exames clínicos, após os quais lhe foram indicados 30 dias de repouso para permitir a absorção do hematoma causado por uma pancada na cabeça sofrida em uma queda em meados de agosto.

O acidente havia sido mantido em segredo e os detalhes sobre ele continuam desconhecidos.

Segundo fontes do “La Nación”, a chefe de Estado teria caído no último dia 9 de agosto, em uma viagem de Buenos Aires para Río Gallegos, no fim de semana das eleições primárias. Naquele dia, Cristina teria escorregado nos degraus do avião presidencial, o Tango 01.

Cristina, de 60 anos, vinha encabeçando os comícios eleitorais em uma tentativa de fortalecer os candidatos oficiais que se encontram em desvantagem nas pesquisas.

De acordo com as pesquisas, o governo pode perder o controle do Congresso nas eleições As consultas de opinião já indicavam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina, reeleita em outubro de 2011, com 54% dos votos.

No último ano e meio, a chefe de Estado enfrentou flagelos econômicos (disparada da inflação, intervenção do mercado cambial e desaceleração da economia), escândalos de corrupção e uma sucessão de panelaços — os mais recentes na última quinta-feira — que deterioraram de forma expressiva sua imagem.

Com este pano de fundo, a grande incógnita que as primárias ajudarão a desvendar é saber se Cristina tem margem de manobra para tentar uma reforma constitucional que lhe permita buscar um terceiro mandato.

A maioria dos analistas acredita que esse cenário é cada vez mais remoto e, nesse caso, as primárias serão cruciais para descobrir que dirigentes estão mais bem posicionados para as eleições presidenciais de 2015.

— Cristina está de saída. O que não sabemos é se o kirchnerismo também. Uma derrota nas legislativas prejudicará o candidato à sucessão, seja ele quem for — afirmou Carlos Fara, da Fara e Associados.

Foto: Gustavo Ortiz/El Clarin

Em frente a Fundação Favaloro, onde a presidente Cristina Kirchner está internada, os militantes deixam flores e cartazes desejando-lhes boa sorte

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