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19 de set. de 2014

Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)

ARGENTINA - Megalomania
Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)
Em meio à recessão, crescente déficit fiscal e aumento da inflação e pobreza, a presidente Cristina quer construir o prédio mais alto da América Latina (que incluirá um hotel de luxo)


Cristina Kirchner afirma que pretende fazer uma espécie de Central Park em Buenos Aires. Em vez do Hudson, o fétido encontro do Riachuelo (a via fluvial mais poluída da Argentina) com o rio da Prata

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fonte: Blogs Ariel Palacios

A presidente Cristina Kirchner anunciou o projeto de construção do edifício – segundo ela – “mais alto da América Latina”, com 335 metros de altura. Segundo Cristina, o prédio, que estará localizado entre os bairros de Puerto Madero e La Boca, no encontro do rio da Prata com o Riachuelo, junto com os jardins ao redor, “terá a magnitude do Central Park de Nova York”. O edifício, que terá 67 andares e custará US$ 310 milhões será destinado aos canais estatais de TV da Argentina, o Instituto Nacional de Cinema, além de produtoras audiovisuais. A torre da presidente que apresenta-se como “defensora dos pobres” também contará com um hotel de luxo.

A obra, classificada como “megalomaníaca” pelos representantes da oposição, pretende representar morfologicamente o mapa da Argentina. No sopé do edifício “Argentina Audiovisual”, a poucos metros da margem, em pleno rio da Prata, uma ilha artificial será construída para instalar um estádio coberto de 13 mil metros quadrados com capacidade de 15 mil pessoas. Esta ilha representaria o arquipélago das Malvinas.

Cristina anunciou em rede nacional de TV que o prédio “será o símbolo da cidade” de Buenos Aires. Segundo ela, no 17 de outubro, data emblemática para os peronistas, pois é o dia em que o então coronel Juan Domingo Perón (em 1945) foi aclamado pela população na Praça de Mayo, dando início ao Peronismo, ela e os representantes da empreiteira Riva S.A. colocarão a pedra fundamental do edifício.


A torre de Cristina Kirchner pretende emular a morfologia do mapa argentino. Do lado, flutuando no meio do rio da Prata, uma simulação das ilhas Malvinas, onde será um estádio

A oposição indica que a obra ficará apenas no papel, tal como o projetado trem-bala Buenos Aires-Rosario, que nunca saiu do papel e que seria construído pela Alstom. Os analistas políticos indicaram que a obra é “faraônica” e recordaram que em 2010, ao inaugurar um gasoduto submarino entre a ilha de Terra do Fogo e a Patagônia, a presidente Cristina comparou-se com o faraó Kéops. “Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse dois anos depois.


“Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse em 2012, pouco depois de visitar um museu em Berlim, onde ficou longo tempo observando o busto da rainha Nefertiti. Humoristas afirmam que a torre de Cristina pretende ser uma espécie de pirâmide de Kéops à beira do rio da Prata. LEGENDA

Cristina disse que a obra levará cinco anos de construção. Na sequência, deu um recado ao próximo presidente: “meu sucessor terá que continuar com esta construção”. E depois, alertou em tom de piada a empreiteira: “melhor que o pessoal da construtora termine a obra no prazo, pois senão os mato…”.

A presidente – que há menos de duas semanas anunciou que pretendia mudar a capital do país de Buenos Aires para Santiago del Estero – encerra seu mandato em dezembro do ano que vem.


Meme do cartunista Bernardo Erlich ironizando o projeto de Cristina Kirchner, com o ad hoc King Kong enfrentando a aviação argentina.

FAVELAS – Na mesma cidade na qual a presidente Cristina projeta a construção do edifício mais alto da América Latina, a população das favelas cresce de forma persistente. Nos últimos quatro anos a proporção de habitantes das “Villas Miseria” (nome local para as favelas) aumentou em 70%. Atualmente residiriam nas favelas portenhas 275 mil pessoas, quase 10% da população da capital do país.

Segundo um relatório apresentado pela Universidade Católica Argentina (UCA), 27,5% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza. No entanto, segundo o governo Kirchner, a proporção de pobres é de apenas 6,1%. Os dados do governo são elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo acusado de maquiar os índices de inflação, pobreza e PIB.


 COMENTAMOS:  
Os argentinos estão reclamando de barriga cheia. Chamam Cristina de megalomaníaca por tentar construir uma obra orçada em US$ 310 milhões. Como chamar a nossa aventura da Copa padrão FIFA? Basta lembrar, que apenas na reforma do Maracanã, um estádio que já estava pronto, gastamos US$ 600 milhões.  

8 de out. de 2013

Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia, mas seu futuro político corre perigo

ARGENTINA
Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia,
mas seu futuro político corre perigo
O porta-voz do governo de Cristina Kirchner anunciou na tarde desta terça-feira que a cirurgia de retirada de um hematoma da cabeça da presidente foi um sucesso. Em nota, o hospital afirmou que a presidente evolui de forma satisfatória. Não se sabe a repercussão que a saída, da presidente, da campanha eleitoral, por motivo de saúde, irá piorar o melhorar as chances do governo de manter a maioria no legislativo. As consultas de opinião indicam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina

Foto: EPA

A publicação dessa foto rejeitada pelos principais jornais argentinos, mais alinhados com o governo. A presidente Cristina Kirchner, pouco antes de sua internação na clínica Favaloro, em Buenos Aires, apresentando um rosto abatido e repleto de placas vermelhas, uma imagem impactante para os argentinos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, O Globo, La Nacion, La Razón, Pagina 12, El Clarin …

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi submetida a uma cirurgia bem-sucedida para a drenagem de um hematoma cerebral nesta terça-feira, mas será obrigada a se afastar da campanha eleitoral para uma eleição fundamental para seu governo.

Cristina foi internada na segunda-feira na Fundação Favaloro, em Buenos Aires, para realização de exames pré-cirúrgicos, após sentir um formigamento no braço no domingo que obrigou seus médicos a optarem pela intervenção cirúrgica, no lugar do repouso indicado inicialmente.

A operação "sem complicações" começou pouco antes das 8h (9h no horário de Brasília), disseram os médicos em comunicado.

"A paciente evolui favoravelmente permanecendo internada na unidade de tratamento intensivo", disseram os médicos da presidente em comunicado.

O porta-voz do governo disse que Cristina estava bem humorada. "Cumprimentou todo mundo, agradeceu a todos, agradeceu a equipe médica... agradeceu a todas as pessoas que estão rezando por ela", disse a jornalistas o porta-voz Alfredo Scoccimarro, na porta do hospital.

A operação de baixo risco consistiu em abrir um orifício para permitir a drenagem do hematoma que se formou por baixo da meninge, membrana que envolve o cérebro, disseram fontes médicas.

A recuperação da cirurgia deixará Cristina fora da campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro, e também significa que a presidente ficará afastada do poder durante um momento delicado para o governo, em que a economia mostra sinais de fraqueza e a inflação está em alta acelerada.

O vice-presidente Amado Boudou assumiu a Presidência temporariamente na segunda-feira, mas uma fonte do governo disse à Reuters que o papel dele será protocolar.

Foto: Marcos Brindicci/Reuters

Homem segura bandeira com a foto da presidente argentina, Cristina Kirchner, junto com o falecido marido, Néstor Kirchner, em frente ao hospital onde ela está internada, em Buenos Aires

Cristina tem um estilo de gestão centralizador do poder e todas as decisões relevantes são tomadas por ela com pouca intervenção de seus ministros, o que, segundo críticos, implica um risco porque a ausência da presidente pode paralisar o governo.

Cristina ficou internada por várias horas no sábado para exames clínicos, após os quais lhe foram indicados 30 dias de repouso para permitir a absorção do hematoma causado por uma pancada na cabeça sofrida em uma queda em meados de agosto.

O acidente havia sido mantido em segredo e os detalhes sobre ele continuam desconhecidos.

Segundo fontes do “La Nación”, a chefe de Estado teria caído no último dia 9 de agosto, em uma viagem de Buenos Aires para Río Gallegos, no fim de semana das eleições primárias. Naquele dia, Cristina teria escorregado nos degraus do avião presidencial, o Tango 01.

Cristina, de 60 anos, vinha encabeçando os comícios eleitorais em uma tentativa de fortalecer os candidatos oficiais que se encontram em desvantagem nas pesquisas.

De acordo com as pesquisas, o governo pode perder o controle do Congresso nas eleições As consultas de opinião já indicavam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina, reeleita em outubro de 2011, com 54% dos votos.

No último ano e meio, a chefe de Estado enfrentou flagelos econômicos (disparada da inflação, intervenção do mercado cambial e desaceleração da economia), escândalos de corrupção e uma sucessão de panelaços — os mais recentes na última quinta-feira — que deterioraram de forma expressiva sua imagem.

Com este pano de fundo, a grande incógnita que as primárias ajudarão a desvendar é saber se Cristina tem margem de manobra para tentar uma reforma constitucional que lhe permita buscar um terceiro mandato.

A maioria dos analistas acredita que esse cenário é cada vez mais remoto e, nesse caso, as primárias serão cruciais para descobrir que dirigentes estão mais bem posicionados para as eleições presidenciais de 2015.

— Cristina está de saída. O que não sabemos é se o kirchnerismo também. Uma derrota nas legislativas prejudicará o candidato à sucessão, seja ele quem for — afirmou Carlos Fara, da Fara e Associados.

Foto: Gustavo Ortiz/El Clarin

Em frente a Fundação Favaloro, onde a presidente Cristina Kirchner está internada, os militantes deixam flores e cartazes desejando-lhes boa sorte

2 de out. de 2013

Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB

ARGENTINA - Economia
Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB
Governo argentino, estaria aplicando baita maquiagem e intervenções cosméticas para dar revamp no índice do PIB

Foto: Arquivo

Com a mesma fúria que utiliza blush, rímer, delineador, pó compacto e botóx e algumas intervenções plásticas, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, aplica maquiagem pesada nos índices econômicos do país.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fontes: ,

O governo da presidente Cristina Kirchner tornou-se mundialmente famoso pela maquiagem do índice de inflação que faz em grande escala desde dezembro de 2006 por intermédio do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção da Casa Rosada. Graças à manipulação, a inflação argentina oficial exibe índices baixos, quase sempre de um terço à metade da alta de preços calculada pelas consultorias econômicas não-alinhadas com o governo, sindicatos, associações empresariais e os partidos da oposição (que no Parlamento elaboram um índice paralelo).

No entanto, a inflação não seria o único objeto de camuflagem, já que o governo – segundo um relatório elaborado em conjunto pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Universidade de Harvard – também estaria alterando de forma substancial os índices do PIB desde 2008.

O economista Ariel Coremberg, coordenador do relatório, que trabalhou no cálculo oficial do PIB até a intervenção do Indec, sustenta que os acadêmicos reproduziram os cálculos do PIB desde 1993 até 2012 com as mesmas fontes e métodos. “No entanto, temos que nosso gráfico e o do governo começam a se diferenciar em 2008”, afirma.

Segundo ele, com a medição tradicional, o PIB teria na realidade crescido um acumulado de 15,9% entre os anos 2007 e 2012, equivale a uma média de 3% por ano. Mas,de acordo com os dados oficiais, entre 2007 e 2012 o crescimento acumulado foi o dobro, de 30%, o equivalente a um aumento anual de 5,3% em média. A presidente Cristina costuma afirmar em seus discursos que a Argentina cresceu com “taxas chinesas”.

Enquanto que o governo sustenta que em 2012 o PIB cresceu 2,2%, o estudo da UB e Harvard indica que na realidade houve uma queda, já que teria sido de -0,4%.

Os economistas alertavam para a manipulação dos índices do PIB desde 2009, quando a maioria das consultorias indicaram que o país havia entrado em recessão e que o PIB tinha uma marca negativa de 4%. No entanto, o governo negou a crise na época, sustentando que o PIB exibia um aumento de 1%.

ALARDES - A exibição de um índice mais pujante do PIB serve para que o governo Kirchner faça alarde sobre uma suposta situação econômica próspera da economia argentina. Mas, por outro lado, segundo Coremberg, os índices artificialmente altos obrigam o governo a pagar mais aos credores internacionais, já que um dos títulos reestruturados da dívida pública é o “Cupom PIB”.

Os economistas independentes calculam que o PIB de 2013 terá um crescimento de 3%. Mas, caso o aumento do PIB deste ano seja de 5,1%, tal como prevê o governo Kirchner, o Estado argentino terá que desembolsar US$ 4 bilhões a mais para os credores. Esse volume equivale a 12% das reservas atuais do Banco Central, entidade de onde saem os fundos que a presidente Cristina utiliza para pagar os credores.

“MANIPULADOR SERIAL” - Em 2006 o governo do então presidente Nestor Kirchner deparou-se com o fracasso na implementação de uma política de congelamento de preços. No entanto, o denominado “modelo kirchnerista” não podia aceitar a alta inflacionária. Desta forma, Kirchner decidiu a maquiagem do índice.

“O governo, ao perceber que a febre da inflação era elevada demais, em vez de tentar debelar a doença optou por mudar o termômetro. Um termômetro que mede a febre para baixo”, ironizava em 2008 o colunista político Jorge Lanata. Nos últimos seis anos e meio a manipulação dos índices foi comandada pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno.

O cálculo da pobreza também seria alvo da maquiagem, já que o governo sustenta que a pobreza era de 6,5% em 2011 e caiu para 5,4% em 2012.

No entanto, a Universidade Católica Argentina, por intermédio de uma exaustiva pesquisa feita com acadêmicos e uma rede de paróquias em todo o país, sustentou que a pobreza, que em 2011 estava em 21,9% havia subido para 26,9% em 2012.

Durante a crise de 2001-2002 a pobreza assolava 54% dos argentinos. Mas, em 2003 começou a cair, até chegar a 20% em 2006. Mas, a partir de 2007, as estatísticas divergem: o governo afirma que a pobreza continuou encolhendo, enquanto que sindicatos, a oposição e a Igreja Católica afirmam que ela voltou a crescer.

Os analistas econômicos ironizam sobre o acúmulo de manipulações dos índices de produção industrial, inflação, pobreza e PIB e afirmam que o governo Kirchner é um “manipulador serial”.

POLE POSITION - Segundo a presidente Cristina, entre 2002 e 2012 o PIB argentino cresceu 99,1%, proporção que colocaria a Argentina na pole position do crescimento da América do Sul. No entanto, segundo o estudo feito pela UBA e Harvard, o crescimento real acumulado foi de 71,1%, o que coloca o país atrás do Peru (que cresceu 87,2% nesse período) e do Uruguai (77,4%).
*Alteramos titulo e legenda da publicação original

31 de ago. de 2013

Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)

ARGENTINA – Economia
Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)
Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ariel Palacios
Fonte: Blog do Ariel Palacios

Dados divulgados pelo Banco Central argentino indicam que as reservas da entidade monetária estão em seu nível mais baixo desde 2007, ano da primeira posse da presidente Cristina Kirchner. No total o BC conta com US$ 36,924 bilhões, volume que indica uma queda de US$ 6,366 bilhões desde o início deste ano.

O ponto culminante de reservas ocorreu em janeiro de 2011, meses antes da reeleição da presidente Cristina Kirchner, quando o BC alcançou a faixa de US$ 52,497 bilhões. No entanto, a partir dali iniciou uma sangria de fundos que – segundo os analistas – continuaria ao longo do segundo semestre deste ano, já que o governo, sem dinheiro próprio disponível, recorrerá às reservas do BC para implementar os pagamentos dos vencimentos da divida pública (os bônus Bonar VII e Discount). Para este pagamento a presidente Cristina retirará outros US$ 2 bilhões do BC, que ficará com reservas de US$ 35 bilhões.

Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito. Naquele ano, para poder implementar esta política, a presidente Cristina removeu o então presidente do BC, Martín Redrado, que recusava-se a usar as reservas com esse fim.

O governo Kirchner argumenta que o uso das reservas tem o objetivo de “propiciar o máximo de certezas sobre a Argentina”, gerando uma garantia de que o país não dará o calote. No entanto, os líderes da oposição sustentam que a Casa Rosada está “dilapidando” as reservas do BC. O governo também está usando as reservas para financiar o crescente déficit energético do país.

Nos próximos dois anos, até dezembro de 2015, mês no qual a presidente Cristina entregará o poder ao novo governo, a administração Kirchner terá que pagar vencimentos de US$ 21 bilhões. Na cityfinanceira portenha os analistas ressaltam que “o novo presidente herdará um BC com reservas baixíssimas”.

19 de jun. de 2013

"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial"

ARGENTINA
"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial
Um panelaço é uma modalidade de protesto que consiste em bater utensílios de cozinha metálicos para gerar um barulho que tem o objetivo ser interpretado como o som da “irritação popular”. Nos últimos panelaços portenhos foi utilizada de forma intensa a garrafa de plástico, que produz um som seco também adequado para expressar irritação. A vantagem das garrafas é que não estraga as panelas de casa, além de ser mais leve.

Foto: Blog Ariel Palacios

“El Cacerolazo” (O Panelaço): Denominação da barulhenta modalidade de protesto que consiste em bater de forma rítmica utensílios metálicos de cozinha, principalmente as “cacerolas” (panelas). Os participantes: batem panelas nas janelas de suas casas e apartamentos, ou saem às ruas para bater panelas enquanto marcham rumo a um ponto de concentração de protestos.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios, para O Estado de S. Paulo
Fonte: Blog do Ariel Palacios

A História dos panelaços mostra que os utensílios de cozinha não possuem ideologia política, já que os primeiros panelaços surgiram no Chile paraprotestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1973. No entanto, em 1986 e 1989 os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema direita, o general Augusto Pinochet.

Em 1996 foi a vez da Argentina tornar-se o cenário de panelaços acompanhados por apagões para protestar contra a política do presidente Carlos Menem.

Em 2001 e 2002 essa modalidade de protesto teve seu apogeu de forma quase diária contra os presidentes Fernando De La Rua, Adolfo Rodríguez Sáa e Eduardo Duhalde. Na época os panelaços argentinos obtiveram fama mundial.

A retomada do crescimento econômico, em 2003, com o presidente Nestor Kirchner fez os panelaços desaparecerem. Mas este modus operandide protestar contra o governo de plantão voltou quando a presidente Cristina Kirchner teve o conflito com o setor ruralista em 2008. Os portenhos, rosarinos, santafecinos e cordobeses, entre os habitantes de várias cidades argentinas, saíram às ruas para respaldar os ruralistas contra a administração Kirchner.

Os panelaços retornaram mais uma vez no ano passado com o crescimento dos problemas econômicos, especialmente a disparada da inflação, além dos escândalos de corrupção. De quebra, segundo afirmou ao Estado a analistade opinião pública Mariel Fornoni, o tom agressivo dos últimos discursos da presidente Cristina irritou diversos setores da população, servindo de combustível para os panelaços de setembro, novembro e abril passados.

Na lista das reclamações também estava o gasto da presidente Cristina Kirchner com assuntos lúdicos-políticos: as transmissões estatizadas dos jogos de futebol, o denominado“Futebol para todos”, que consumiram US$ 1,06 bilhão dos cofres públicos desde 2009.

Foto: Divulgação

Cristina Kirchner não gostou nada dos panelaços realizados contra sua gestão e acusou os manifestantes de “oligarcas”. Na foto, a presidente e seu Rolex Lady Date Just de ouro e brilhantes, avaliado em 42 mil dólares.

MAGNITUDE DOS PANELAÇOS – O governo Kirchner, que está com a popularidade em baixa desde o início do ano passado, foi alvo de um panelaço no dia 13 de setembro, que levou 200 mil pessoas às ruas de Buenos Aires. Na ocasião, outras 100 mil manifestaram-se nas principais cidades do interior da Argentina. Total de participantes nas ruas do panelaço de setembro no país: 300 mil pessoas.

Um novo panelaço foi realizado no dia 8 de novembro. No entanto, dessa vez a proporção de manifestantes superou as expectativas, com mais de 700 mil pessoas na capital. Os cálculos da Polícia Federal indicam que no resto do país os panelaços reuniram outras 500 mil pessoas.Total do panelaço de novembro 1,2 milhão pessoas.

No dia 19 de abril meio milhão de portenhos marcharam pelas ruas da capital para exigir uma mudança drástica na política econômica e o julgamento dos corruptos. Os cálculos indicam que outras 200 mil protestaram no interior. Total de pessoas mobilizadas nas ruas no panelaço de abril: 700 mil pessoas.

O governo da presidente Cristina Kirchner fez malabarismos para negar a magnitude dos panelaços, além de acusar os cidadãos que participaram dos protestos de“golpistas”. Os aliados da presidente indicaram nas ocasiões dos panelaços que a modalidade de protesto era“ilegítima”e que os manifestantes deveriam esperar as próximas eleições para indicar sua contrariedade com o governo.

A única agressão registrada foi contra um repórter do canal de TV C5N, cujo dono Cristóbal López, o “tzar” dos cassinos argentinos é amigo da presidente Cristina. O governo usou esse único ato para indicar que a manifestação, como um todo, havia sido “violenta”.

O repórter levou um brutal soco de 1 dos 700 mil manifestantes. O ato de violência isolado foi repudiado pela totalidade dos meios de comunicação, aliados ou críticos do governo.

OUTRAS MODALIDADES DE PROTESTOS NA ARGENTINA

♦PIQUETE:
Bloqueio de avenidas, ruas e estradas por grupo de pessoas como modus operandi de protesto. No início, quando eram poucos, os piqueteiros bloqueavam com pneus em chamas e escombros. Atualmente, com excedente de manifestantes, os bloqueios são feitos com “barreiras humanas”.

Acessórios dos piqueteiros: lenços cobrindo parte do rosto, que podem ser úteis na hora do gás lacrimogêneo (e também para proteger sua identidade das forças policiais). Há dez anos eram comuns varas de madeira, barras de ferro, canos de PVC com cimento dentro, utilizados tanto para a defesa pessoal, para o ataque, ou simplesmente para intimidar. No interior do país eram frequentes os estilingues. Mas, atualmente são raras as manifestações com estes objetos de intimidação. Os piquetes possuem o acompanhamento musical dos bumbos (instrumento originário das mobilizações do Peronismo). Esta modalidade, ocasionalmente, inclui atos de violência. Mas não é sine qua non.

♦ESCRACHO: É um protesto personalizado, realizado na frente das residências das pessoas-alvo da manifestação. A modalidade, além de incluir gritos contra as pessoas “escrachadas” contempla o arremesso de objetos contundentes sobre a residência da pessoa. Ou, em uma versão mais light, o arremesso de tinta ou lama contra as janelas e paredes da residência.

Alvos dos escrachos:

- Entre 1997 e 2001 os alvos primordiais eram ex-integrantes da ditadura. Com os escrachos os manifestantes revelavam aos vizinhos do militar que ali residia uma pessoa que havia cometido crimes durante a ditadura.

- Em 2001 e 2002 eram primordialmente os integrantes da equipe econômica, governadores, prefeitos e parlamentares.


*Ariel Palacios é jornalista, correspondente do O Estado de S.Paulo e da Globo News, em Buenos Aires

12 de jun. de 2013

Argentina e Venezuela 'queimam' imagem do Brasil, diz professor da American University

BRASIL - Economia
Argentina e Venezuela 'queimam' imagem do Brasil,
diz professor da American University
Para Arturo Porzecanski , professor da American University, em palestra na capital paulista, foco do Brasil no Mercosul dificulta desenvolvimento do comércio exterior do país e afasta investidores

Foto: Telam/La Nacion

Cristina Kirchner e Dilma Rousseff, apontando para direções opostas.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Talita Fernandes, para Veja
Fonte: Veja

Em tempos de mercados cada vez mais fechados e turbulências econômicas que não cessam, chegou a hora de o Brasil se afastar da Argentina e da Venezuela para evitar mais problemas, diz o economista e professor da American University (Washington, EUA), Arturo Porzecanski. De acordo com o estudioso da economia da América Latina, os dois países não têm os mesmos valores democráticos que o Brasil e a insistência do governo na proximidade com ambos arranha a imagem do país na percepção dos investidores internacionais. Para explicar seu raciocínio, o professor, que é uruguaio, mas radicado nos Estados Unidos, usa o ditado popular "Diga-me com quem andas que direi quem és".

Em evento realizado nesta terça-feira em São Paulo, Porzecanski disse que, enquanto o Brasil resiste em participar de alianças de livre comércio, movimento que vem sendo adotado por outros países, e insiste no Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, pela Venezuela - ele passa uma imagem aos possíveis investidores de que compartilha do mesmo pensamento econômico desses países.

Argentina e Venezuela se destacam por políticas econômicas desastrosas. Os dois países têm forte controle cambial e maquiam dados sobre inflação, que atinge patamares muito elevados nos dois casos. Na Argentina, por exemplo, o dado oficial é de inflação na casa dos 10% ao ano, mas cálculos extraoficiais apontam para um patamar inflacionário entre 20% e 30%. Na Venezuela, a inflação ultrapassa a casa dos 20%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL - Na última terça-feira, o governo de Cristina Kirchner anunciou a estatização de trecho de oito mil quilômetros de linhas férreas concedidos à gigante brasileira América Latina Logística (ALL).

DIFICULDADES - O Mercosul foi criado em 1991, com o tratado de Assunção, com o objetivo de criar uma união tarifária, ou seja, a isenção de tarifas de importação entre os países membros e a uniformização das tarifas cobradas sobre produtos importados dos demais países. Mais de 20 anos se passaram e, até agora, o Mercosul está muito longe de ser um bloco livre de tarifas de importação. Brasil e Argentina, que são as maiores economias que compõem o bloco, têm cada vez mais dificuldades nas relações comerciais. O episódio mais recente foi a estatização de ferrovias que estavam sobre concessão da gigante brasileira América Latina Logística (ALL), decisão que pegou a empresa de surpresa.

Outros problemas envolvem duas importantes companhias brasileiras: Vale e Petrobras. Em março, o Conselho Administrativo da Vale decidiu suspender o projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina. A suspensão originou uma série de embates e o país chegou a ameaçar a tirar a concessão da mineradora. A Casa Rosada considerou a medida como falta de apoio do Palácio do Planalto. A mesma avaliação foi feita em relação à decisão da Petrobras denão vender seus ativos no país. Há duas semanas, a Petrobras recuou de uma negociação com o grupo Indalo, de Cristóbal López.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Petrobras cogita vender toda a sua subsidiária no país, por causa da apetada margem de lucros e intervenções inesperadas e descabidas

MOMENTOS DIFÍCIES -Apesar do cenário, o ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Gustavo Loyola afirmou, no mesmo evento, que o país não vai se afastar de seus vizinhos latino-americanos e que a relação econômica com eles é importante. Contudo, Loyola compartilha do pensamento de Porzecanski de que o Brasil não deve deixar o Mercosul restringir sua política de comércio exterior. Ele reforça que o cenário atual para as relações econômicas bilaterais entre Brasil e Argentina é negativo. "Mas isso não quer dizer que o Brasil tenha de desistir."

O ex-dirigente do BC explica que o Mercosul passa por momentos difíceis - e que se pode falar até em crise. "Tem várias questões que pioraram o Mercosul nos últimos anos. Politicamente, o erro grosseiro foi a suspensão do Paraguai e o ingresso da Venezuela", comenta. Para Loyola, o bloco não deveria fechar as portas a novos membros, mas acha crítico que os países tenham permitido o ingresso da Venezuela que, na prática, não é um país democrático, e "não tem economia de mercado".

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Vale gastou 2,2 bilhões de dólares num projeto de extração de potássio em Mendoza. Pleiteava maior flexibilidade tributária e cambial, mas não houve acordo com o governo. Planeja vender a mina para recuperar o dinheiro aplicado

O Paraguai foi suspenso do bloco em junho do ano passado por questões políticas, quando o Congresso decidiu pelo impeachment do presidente Fernando Lugo. No momento da suspensão, os países membros usaram como justificativa a saída de Lugo e aproveitaram a oportunidade para chancelar a inclusão da Venezuela. O Paraguai era o único membro contrário à entrada do país então comandado por Hugo Chávez - e que hoje está sob o comando de seu sucessor, Nicolás Maduro. A decisão sobre a volta ou não do Paraguai ao Mercosul só será tomada após a posse do novo presidente eleito, Horacio Cartes, marcada para 15 de agosto.

Para os economistas, o cenário faz com que o empresariado tenha pouca confiança nos países do Mercosul e o sentimento de insegurança jurídica cresça. "Isso está provocando um distanciamento. Afasta o investimento e provoca o desinvestimento", comenta Loyola.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- As empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa foram prejudicadas pela desistência da Vale em terminar o empreendimento no Rio Colorado.

ALIANÇAS — Em meio às críticas ao Mercosul, Porzecanski usa o exemplo que vem sendo adotado por outros países latino-americanos. Ele cita a Aliança do Pacífico, firmada no ano passado por México, Colômbia, Peru, Chile, que recentemente anunciaram a retirada de 90% das tarifas de importação. Devem aderir ao bloco também Costa Rica e Panamá. O professor destaca que esses países têm também firmado uma série de acordos com os Estados Unidos, União Europeia e com algumas economias asiáticas.

Outro exemplo é a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que envolve 11 países no total, entre eles Japão e Estados Unidos. Porzecanski diz que não vislumbra nenhum caminho para o Mercosul nesse cenário. "O Brasil corre o risco de ficar isolado", comenta. “Não acho estratégia inteligente, pois esse foi o caminho seguido por países que viraram líderes”.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Deca fechou sua fábrica em Buenos Aires, onde estava desde 1995, não conseguiu reverter sucessivos prejuízos financeiros. Cerca de 140 pessoas ficaram desempregadas com a desativação da fábrica

MULTILATERALISMO FALHO - A estratégia de multilateralismo e poucos acordos bilaterais por parte do Brasil também é alvo de críticas. Segundo o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), as alianças comerciais bilaterais de países latino-americanos ajudaram na expansão de suas economias, como o México, por exemplo. "Enquanto isso, o Brasil ficou só nos acordos multilaterais. Por isso nós ficamos com uma economia mais fechada."

Nesta terça, a Câmara Internacional de Comércio (ICC, na sigla em inglês), divulgou um ranking feito com base no nível de abertura econômica dos países. O Brasil aparece na 67ª posição em uma lista de 75 economias. É o que ostenta a pior posição entre as 20 maiores economias mundiais, o G-20, e entre os Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "Com a perda da competitividade, sobretudo da indústria, nós ficamos apelando para coisas como a salvaguarda. Nesse ponto, há um risco muito grande para a competitividade no curto e no médio prazo. Mantemos um distanciamento dos polos mais avançados, onde são desenvolvidas as tecnologias mais de ponta e nós ficamos com as produções mais básicas apenas", comenta Grisi.

Ele avalia que o país tem perdido a oportunidade de negociar alianças comerciais com a Europa, por exemplo, e lembra que os EUA e a zona do euro discutem acordos enquanto isso. "Precisamos fazer acordos e liberalizá-los. E, assim, buscar por ganhos de competitividade", comenta.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- O frigorífico brasileiro JBS fechou a maior parte das operações que tinha no país, depois que Cristina Kirchner determinou que os frigoríficos vendam, para cada 2,5 quilos exportados, um quilo de carne abaixo do custo para o mercado argentino.


ARGENTINA X BRASIL- A Alpargatas dona das marcas Havaianas e Topper também passa por apuros na Argentina, com série de imposições para a troca de pesos por dólares, sofre para enviar suas remessas ao Brasil.


3 de jun. de 2013

Programa sobre corrupção dos Kirchners teve mais audiência do que jogo do Boca Juniors

ARGENTINA – Corrupção
Programa sobre corrupção dos Kirchners teve mais audiência do que jogo do Boca Juniors
A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, mudou o horário do jogo do domingo, 26, Boca Juniors X Newells Old Boys, pela Libertadores, fazendo coincidir com a apresentação do programa do grupo ”Clarin”, que investiga corrupção no governo. Resultado o Boca perdeu nas cobranças de pênaltis e na audiência: o povo preferiu o programa de denuncia.

Foto: Ariel Palacios

MONUMENTO À PROPINA - O edifício que nos anos 40 albergou o antigo Ministério de Obras Públicas e atualmente é a sede da pasta de Ação Social, ostenta em uma de suas esquinas o único ‘monumento à propina’ conhecido no planeta. É estátua de um homem que disfarçadamente deixa a mão à espera de um suborno. O arquiteto deixou um recado futuro sobre as eventuais negociatas que seriam protagonizadas no edifício. O detalhe da mão passou despercebido durante anos

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios*
Fonte: Blog Os Hermanos

A televisão argentina foi no domingo à noite, 26 de maio, o cenário de uma inédita disputa pela audiência entre um jogo de futebol, o Boca Juniors versus o Newell’s, e um programa de TV sobre denúncias de corrupção. O embate foi vencido pelo programa “Jornalismo para todos”, do canal Trece, que apresentou novos detalhes sobre a investigação que realiza há semanas sobre os vínculos irregulares entre o empresário Lázaro Báez – investigado na Justiça por suposta lavagem de dinheiro – e o casal Néstor e Cristina Kirchner.

Há duas semanas o governo Kirchner anunciou que alteraria o horário dos jogos noturnos dominicais em uma hora, coincidindo com o programa comandado por Jorge Lanata. Desde o final dos anos 80 o jornalista investigativo é autor da denúncia de uma série de escândalos de corrupção dos diversos governos argentinos.

Integrantes do governo Kirchner admitiram publicamente que a mudança era por uma disputa de audiência contra o programa, transmitido pelo Trece, que pertence ao Grupo Clarín, principal holding multimídia da Argentina, considerado “inimigo mortal” pela Casa Rosada.

A expectativa, nos dias prévios, era a de que o esporte favorito da população ganharia a luta pela audiência. No entanto, enquanto que o jogo do Boca obteve picos de 17,2% entre os telespectadores, o programa de Lanata alcançou 28,1%.

Foto: Captura de video

Lanata, vestido como jogador de futebo, disse no inicio que iria mudar o nome do programa, de “Jornalismo para todos”, para “Futebol para todos”

Lanata, famoso por sua ironia, estava vestido como um jogador de futebol, contava com dois locutores esportivos famosos e a plateia estava em uma arquibancada como a de um estádio.

O governo Kirchner possui poder para alterar os horários do futebol, já que em 2009 estatizou as transmissões dos jogos. O acordo foi amplamente benéfico para os clubes de futebol, que em troca obtiveram US$ 1,06 bilhão do Estado argentino nos últimos três anos.

Em fevereiro de 2010 o governo proibiu as publicidades de empresas privadas. De lá para cá as únicas publicidades são as do governo Kirchner. Os vídeos, que são exibidos nos intervalos, consistem em elogios à administração da presidente Cristina e críticas contra a oposição e empresários não-alinhados com a Casa Rosada.

Os aliados do governo Kirchner destacam que a atual administração é uma das melhores da História do país, equiparando Néstor e Cristina Kirchner ao fundador do movimento peronista, o general e presidente Juan Domingo Perón, figura reverenciada pelos peronistas. No entanto, seus críticos afirmam que o kirchnerismo está “destruindo as instituições democráticas” e que os escândalos de corrupção atingem níveis nunca antes vistos.


Deputada Laura Alonso, da oposição
Sem sutilezas, a deputada Laura Alonso, do partido Proposta Republicana (Pro), de oposição, define a presidente Cristina Kirchner como “a líder de uma cleptocracia populista”. Segundo ela, em comparação com períodos anteriores, como os anos 90, do ex-presidente Carlos Menem, “na era kirchnerista os protagonistas que roubam são menos…mas roubam maior volume”.

Alonso, uma das deputadas mais combativas no Parlamento argentino, sustentou ao Estado de S.Paulo, que o casal Kirchner utilizou “os mecanismos de acesso ao poder, previstos pelo regime democrático e representativo, para destruir todos os controles republicanos e institucionais” .

Segundo ela, “este é um governo com muito discurso e ‘packaging’. Ora, a presidente ignorou várias vezes determinações da Corte Suprema de Justiça. Isso não é um governo republicano. Além disso, o governo falsifica estatísticas. E de quebra, tenta acabar com o federalismo, pois não libera os fundos para as províncias e obriga os governadores a se ajoelhar para pedir as verbas. É autoritarismo fantasiado de discurso democrático” .

Na contra-mão, o ex-chanceler Jorge Taiana, ministro do governo Kirchner entre 2005 e 2010, sustenta que a atual administração é plena de méritos. Avaliando para o Estado de S.Paulo, os“prós” e os “contras” da década administrada por Néstor e Cristina Kirchner, Taiana afirmou, ao sair de um cocktail na Embaixada do Brasil, que “o principal mérito foi o de ter tirado a Argentina do inferno da crise. E além disso o governo tem o mérito de ter avançado na reconstrução do tecido produtivo e do Estado argentino”.

Segundo Taiana, o governo também “colocou em dia a defesa dos direitos humanos, crucial para ter uma democracia sólida” . O ex-chanceler também destacou “a consolidação da integração regional”.

“Esses foram os ‘prós’. Os “contras”
não são “contras”, são coisas que faltam ainda fazer, como avançar muito mais na integração regional. Neste mundo não há chances de crescer sem mais integração com os países vizinhos” , afirmou Taiana.
*Ariel Palacios é jornalista, correspondente do O Estado de S.Paulo e da Globo News, em Buenos Aires

27 de mai. de 2013

Lula e Cristina Kirchner- dize-me com quem andas..., de Sérgio Fausto, para O Estado de S. Paulo

BRASIL – Opinião
Lula e Cristina Kirchner - dize-me com quem andas...*
Lula na Argentina expressou apoio indireto as tentativas de controle sobre a mídia e o Poder Judiciário que Cristina Kirshner vem tentando obsessivamente. Inveja?

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

FARINHAS DO MESMO RECIPIENTE - Cristina Kirchner apresenta Lula como
“melhor amigo da Argentina”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Sérgio Fausto, para O Estado de S. Paulo
Fontes: O Estado de S. Paulo

Em sua passagem por Buenos Aires, na semana retrasada, Lula deu endosso público à guerra que a presidente argentina move contra a liberdade de imprensa em seu país. Disse, com outras palavras, que lá, como aqui, a imprensa "conservadora" não se conforma com o sucesso de governos "populares".

Pelo menos no caso do país vizinho, falar em sucesso é abuso de linguagem. O balanço de dez anos dos Kirchners no poder tem pontos positivos, mas os negativos vêm se multiplicando ao longo do segundo mandato de Cristina: inflação em alta, crescimento em baixa, investimento em queda, saldo externo em deterioração, inconsistência cada vez maior na gestão das políticas públicas. Parece familiar, não é mesmo? Mas seria injusto dizer que os governos Néstor-Cristina descrevem trajetória igual à dos governos Lula-Dilma. Sem negar semelhanças, a escala dos erros e dos problemas é muito maior lá do que aqui. Grande parte da diferença se explica pela desenfreada arbitrariedade do governo de Cristina Kirchner, tanto na economia quanto na política, inseparavelmente.

Na Argentina não são apenas verbais e localizadas as investidas contra grupos de comunicação não alinhados ao governo. O mais recente torpedo governamental consistiu em proibir supermercados e lojas de eletrodomésticos de publicar anúncios em jornais e canais de televisão. Válida para todos, a medida atinge principalmente os veículos que não contam com os recursos da publicidade oficial. O alvo principal é o Grupo Clarín.

Ele passou de amigo a inimigo do governo depois de assumir posição favorável aos protestos de agricultores contrários à criação de um tributo adicional sobre as exportações de seus produtos. Cristina cumpria o primeiro ano de seu primeiro mandato e acabou derrotada no Congresso.

Jamais deglutiu o revés. Desde então, constituir um aparato de mídia sob seu controle e destruir o Clarín se tornou prioridade para seu governo. Com esse duplo propósito, Cristina não poupou recursos públicos nem esforços, entre os quais a tentativa, em andamento, de estatizar a única empresa importadora de papel imprensa do país.

Na guerra contra o Clarín, esbarrou na resistência do Poder Judiciário. Uma liminar concedida há mais de um ano protege o grupo dos efeitos da chamada "Lei da Mídia", cuja aplicação obrigaria o Clarín a vender parte de seus canais de televisão e rádio. Inconformada, Cristina conseguiu aprovar uma lei que reforma o Judiciário, tornando eletivos os assentos no Conselho da Magistratura, órgão incumbido de escolher os juízes dos tribunais argentinos. Assim como no caso da "Lei da Mídia", essa nova iniciativa é apresentada como "democratizadora".

Que o objetivo da reforma do Judiciário não é democratizar a Justiça argentina fica claro pelos limites que impõe à obtenção de liminares contra decisões do governo e pelo empenho sistemático dos Kirchners em bloquear as investigações e decisões judiciais que têm por objeto as várias denúncias de enriquecimento ilícito que pesam contra o casal, sua família e seus aliados.

Da mesma forma, o modo discriminatório como o governo trata os veículos de imprensa, de acordo com sua maior ou menor proximidade com o governo, revela não ser democrático o propósito da "Lei da Mídia". Naquela mesma semana, Cristina chegou ao cúmulo de determinar que a transmissão dos jogos do campeonato argentino de futebol no domingo à noite se inicie uma hora mais tarde, para coincidir com o horário em que vai ao ar o programa do jornalista Jorge Lanata, que se tem destacado por denúncias de corrupção contra o governo.

Criar regras que limitem a concentração dos veículos de mídia nas mãos de um mesmo grupo e tornem viável a ampliação da oferta de fontes alternativas de informação é, sim, um passo na direção de maior democracia. Porém, quando a iniciativa parte de governos e partidos cuja prática política consiste em sistematicamente enfraquecer as instituições que garantem o equilíbrio do jogo democrático e põem limites ao uso discricionário do poder pelo governo de turno, é preciso não se deixar iludir pelas belas palavras e nobres intenções.

Não é coincidência que iniciativas para promover o "controle social da mídia" e "a democratização da Justiça" surjam sempre irmanadas nas ações dos governos da Venezuela, da Bolívia, do Equador e na cada vez mais "bolivariana" Argentina de Cristina Kirchner.

As declarações de Lula em Buenos Aires não são surpreendentes. Pouco mais de um mês antes, gravou mensagem de apoio a Nicolás Maduro, herdeiro do projeto chavista do "socialismo do século 21".

Quem ainda nutre ilusões sobre o que se esconde por trás dessa fachada deveria ouvir o diálogo gravado entre um assessor cubano e o principal ventríloquo do "jornalismo" chavista, Mario Silva, apresentador do programa La Hojilla. O diálogo tornou-se público na semana passada. Desnuda-se ali o confronto interno entre a facção civil e ideológica e a facção militar-cleptocrática do chavismo, aquela inspirada por Cuba e esta, pelas oportunidades de enriquecimento e poder que um regime arbitrário oferece.

Pela influência que tem em seu partido e no governo de sua sucessora, a palavra de Lula não é apenas uma opinião singela. As oposições devem cobrar da presidente Dilma Rousseff uma posição clara quanto às manifestações de seu antecessor. Concorda com elas ou não? Basta de ambiguidades em relação a temas tão essenciais à convivência civilizada e democrática: liberdade de expressão, autonomia do Judiciário, para não falar em direitos humanos, área em que Dilma esboçou mudanças ao início de seu mandato para logo voltar à política de vista grossa e boca fechada.

Não é aceitável dizer-se democrata em casa e solidarizar-se com toda sorte de arbitrariedades na vizinhança. É mais do que hora de acabar com isso.
*Alteramos o título e acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

14 de mai. de 2013

O beco sem saída do câmbio argentino

ARGENTINA - Economia
O beco sem saída do câmbio argentino
Na Argentina, a inflação chegou a 25% ao ano, de acordo com especialistas independentes (o governo reconhece apenas 10%), como o banco central utiliza para imprimir dinheiro para financiar os gastos do governo. Os argentinos perderam a confiança na sua moeda. Eles temem uma desvalorização repentina que penalizaria seu poder aquisitivo. Como resultado, o dólar dos EUA é mais uma vez um porto seguro. Mas a exemplo do que ocorre em Cuba, na Argentina ter dólar é impatriótico.

Foto:Alberto Raggio/Associated Press

FABRICANDO DINHEIRO- - O presidente da Argentina Cristina Kirchner exibe modelo da nova nota de 100 pesos argentino, com a imagem da ex-primeira-dama Maria Eva Duarte de Perón, mais conhecida como "Evita", durante uma cerimônia na Casa Rosada, ano passado.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Le Figaro, La Nacion, O Globo, Straits Times , Blog do Ricardo Setti

O jornal francês Le Figaro publicou semana passada uma matéria sobre o drama do cambio argentino. Diz que para os nacionais o dólar é o primeiro porto seguro. Constata que no Cambio Negro, o cambio paralelo conhecido na Argentina como “dólar azul” (dolar blue) alcançou o recorde de ser 100% mais valorizado que o dólar oficial.

Na Argentina por decreto o cambio oficial estipulou durante muito tempo que um dólar seria equivalente a um peso, desprezando qualquer flutuação natural do mercado . Como é quase impossível a um cidadão comum comprar dólares oficialmente, o mercado paralelo, clandestino e até passível de criminalização, cresce para quem quer se garantir como investidor, temente de uma desvalorização do peso, para quem precisa de dólares, para viajar, por exemplo.

Não adianta nada o governo de Cristina Kirchner, fazer ameaças e dizer que esse dólar paralelo é uma moeda impatriótica e ilegal.

Le Figaro diz que desde janeiro, o preço do dólar no mercado negro, teve um aumento de 40% em relação ao peso. E comenta que os argentinos fazem piada com a rápida subida, apelidando o dólar paralelo de "dólar Messi", uma referência ao camisa 10, da sua seleção de futebol e do Barcelona, o jogador de futebol Lionel Messi, conhecido pela sua velocidade.

Esse mercado negro subterrâneo e vigoroso é uma reação direta do endurecimento das restrições à compra de moeda oficial desde o final de 2011, impostas pelo governo de Cristina, mesmo para aqueles que pretendem ir de férias no exterior. O objetivo do governo é limitar a fuga de capitais para equilibrar o nível preocupante de reservas cambiais do banco central, o menor em seis anos.

Foto: La Nácion

Os "arbolitos" (arbusto) homens e mulheres que intermediam a venda de moeda estrangeira no paralelo, em ação, na "calle Florida” uma das principais avenidas de Buenos Aires

Em março, Valéria Maniero, jornalista colaboradora do Blog de Miriam Leitão, no O Globo, comentou que sobre uma viagem sua a Buenos Aires, que uma argentina que vendia roupas de lã, no bairro de "La Boca", em Buenos Aires, logo que ouviu a jornalista falar português, foi “logo dizendo que aceitava o pagamento em reais”.

“Um casaco, que custa 225 pesos, sairia, pela cotação oficial, em torno de R$ 90; mas o mercado aqui é outro, o paralelo, também conhecido como "blue". Ela faz a conta, então, com o "real blue" (1 real = 3 pesos), e o casaco acaba saindo por R$ 75. Diz que é bom para ela, que tem de vender e pagar suas contas, e para o consumidor, que pode levar para casa um produto mais barato”.

A compra e venda de real ou dólar no mercado paralelo é ilegal, como se sabe, mas corre solta na "calle" Florida, uma das principais ruas de comércio de Buenos Aires. Homens e mulheres, chamados por lá de "arbolitos", estão sempre gritando: "Câmbio, câmbio, compra e venda de câmbio. Dólares, reais e euros".

Na semana passada, (fala do começo de março) enquanto pela cotação oficial, R$ 1 poderia ser convertido por 2,5 pesos, na calle Florida, havia gente anunciando por 3,50 pesos, mas dependendo da quantidade, "a taxa poderia ser melhor". Uma agência de turismo de Córdoba oferecia por 3,60 pesos. Depois, esses reais podem ser vendidos a argentinos a partir de 3,70 pesos, disseram eles.

O argentino Juan Carlos Barboza, economista do Itaú Unibanco, explicou que os argentinos compram reais no mercado "blue", por dois motivos, o primeiro deles: o governo de Cristina Kirchner proibiu a compra de moeda estrangeira (dólar, real, euro) por parte dos argentinos para economizar. Fez isso porque em 2011 essa compra tinha disparado.

A situação cambial argentina é uma queda de braço entre o governo e o mercado livre, do dólar paralelo, parece que a cada nova medida oficial para conter a crise, tem o efeito contrário de agrava-la.No começo do mês, um dia depois de a equipe econômica do governo de Cristina Kirchner ter anunciado o envio ao Congresso de dois projetos de lei que têm como objetivo legalizar cerca de US$ 120 bilhões não declarados pelos argentinos, dentro e fora do país, um perdão para os sonegadores, e os que precisam lavar dinheiro, o dólar paralelo bateu um novo recorde no mercado local, subindo 36 centavos em relação ao dia anterior e fechando em 10,40 pesos.

Pela primeira vez desde o fim da conversibilidade (a paridade entre o dólar e o peso), em janeiro de 2002, a diferença entre o dólar oficial (5,22 pesos) e o paralelo ultrapassou 100%.

O dólar no paralelo aumentando na mesma velocidade que Messi em direção ao gol
As medidas comunicadas pela equipe do ministro da Economia argentino, Hernán Lorenzino, que seriam para tranquilizar, aumentaram o clima de nervosismo e provocaram um aumento da demanda por dólares no paralelo. De acordo com o jornal “Ámbito Financiero”, operadores das chamadas cuevas (cavernas), as casas de câmbio ilegais que estão espalhadas por vários bairros portenhos, afirmaram que o pacote cambial não modificou em nada o panorama que se vive no mercado. Pelo contrário, depois do anuncio da medida, aparecem novos clientes em busca da moeda americana.

A histórica diferença entre os dois mercados cambiais que existem na Argentina desde que a presidente Cristina Kirchner decidiu restringir drasticamente a compra de dólares preocupa economistas locais e, principalmente, importadores e exportadores, que operam com a cotação oficial.

Segundo explicou o gerente de relações institucionais da Câmara de Importadores do país (Cira), Miguel Ponce, “o problema é que operamos com o dólar oficial, mas vivemos num país que tem 25% de inflação e nossos custos aumentam no mesmo ritmo. Não podemos planejar investimentos no médio e longo prazo”.

— Já nos queixávamos quando a diferença entre as duas cotações era de 10%. Com 100%, estamos enfrentando graves problemas — enfatizou Ponce.

A Casa Rosada, porém, nega qualquer tipo de obstáculo para as empresas de comércio exterior. Na mesma coletiva em que anunciou o pacote cambial, o ministro da Economia, Hernán Lorenzino, afirmou que este ano o país terá um superávit comercial em torno de US$ 13 bilhões, superando os US$ 12 bilhões do ano passado.

Foto:

O dólar se sobrepondo ao combalido peso argentino

Para o economista Pablo Rojo, trata-se de “um superávit artificial, possível graças às rigorosas restrições à entrada de produtos importados”. De fato, a Cira vem denunciando a demora cada vez maior do governo para autorizar as chamadas Declarações Juramentadas Antecipadas, que os importadores devem apresentar antes de realizar qualquer operação.

— Neste momento estão em falta cristais de ótica, insumos para a produção industrial de madeira, insumos para a indústria de laticínios e bens de capital para as empresas de saúde, entre outros — afirmou Ponce.

— Se for considerada a cotação do dólar de 2007 mais a inflação real (leia-se não a do Indec, o instituto de estatísticas do governo) que acumulamos nos últimos seis anos, teríamos um dólar de 9,50 pesos. E os exportadores recebem 5,22 pesos.

No caso dos exportadores que pagam as chamadas retenções (os tributos cobrados às exportações de produtos como trigo e soja), o prejuízo é ainda maior, e os produtores que vendem ao exterior acabam recebendo um dólar a três pesos, disse o economista.

— Esta situação não pode aguentar muito mais tempo. Em breve algumas empresas começarão a demitir trabalhadores e até mesmo a fechar as portas — assegurou Rojo.

Em conversas informais, muitos exportadores e industriais argentinos defendem a necessidade de uma desvalorização do peso. Ciente deste desejo, esta semana Cristina disse que os que pregam uma desvalorização “deverão esperar a chegada de outro governo”. A Casa Rosada se mantém firme em sua posição e avalia que o plano de legalização de dólares dará certo e ajudará a acalmar o mercado cambial. nesta quarta-feira, o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, afirmou que o problema do mercado paralelo “é político”.

— Algumas pessoas geram expectativas de que está tudo errado. O dólar ilegal que existe hoje na Argentina tem uma importância relativa — opinou Kicillof, um dos principais assessores da presidente argentina.

O mercado e a realidade continua discordando.

Ilustração revista Veja

Cristina Kirchner manipulação e adultera de forma grosseira a realidade econômica do país. As estatísticas econômicas oficiais viraram piada. A inflação anual oficial foi de apenas 10%. O valor real é 24%, com a projeção de bater em 30% no fim de 2013. O crescimento do PIB do ano passado não passou de 0,7%, oficialmente chegou aos 1,9%, mais que o dobro da realidade. As reservas internacionais não passam de 3º bilhões de dólares, um histórico índice negativo, oficialmente está em 41 bilhões.

19 de abr. de 2013

ARGENTINA: Milhares protestam contra governo de Cristina Kirchner

ARGENTINA - Protesto
Milhares protestam contra governo de Cristina Kirchner
Proposta de reforma do Judiciário foi questionada pela oposição motivou o gigantesco protesto, que aconteceu simultaneamente na capital, Buenos Aires e em cidades importantes como Rosário, Santa Fé, Córdoba e Salta A semana também foi marcada pela revelação feita por um programa de televisão de que um empresário supostamente ligado ao ex-presidente Nestor Kirchner teria sido responsável pelo envio de mais de 50 milhões de euros, em aviões particulares, ao exterior. O caso foi classificado pela oposição como "lavagem de dinheiro".

Foto: Carlos Sarraf/Clarín

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, El Clarin

Os argentinos realizaram, na noite desta quinta-feira, protestos em vários pontos do país contra projetos de lei para a reforma do Judiciário. A manifestação foi convocada por meio de redes sociais e ocorreu em diferentes lugares de Buenos Aires, a capital argentina, e em cidades do interior, como Rosário, Santa Fé, Córdoba e Salta.

Muitos manifestantes levavam bandeiras argentinas e cartazes que diziam 'chega de inflação', 'basta de corrupção' e 'Constituição se escreve com C e não com K', em referência ao sobrenome da presidente Cristina Kirchner. Alguns gritavam: "Argentina, Argentina". E ainda: "Se este não é o povo, o povo onde está?"

Em Buenos Aires, a manifestação começou no início da noite com famílias inteiras caminhando pelas principais avenidas em direção à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada e sede da Presidência, e ao Obelisco, no centro da cidade. No fim da noite, uma multidão continuava concentrada em frente ao Congresso Nacional onde senadores aprovaram horas antes projetos de lei da reforma do Judiciário, enviado pela presidente ao Parlamento, na semana passada.

Foto: Juano Tesone/Clarín

A proposta de reforma do Judiciário foi questionada pela oposição e teria intensificado o protesto, batizado de '18 A' (18 de abril), desta quinta-feira. A semana também foi marcada pela revelação feita por um programa de televisão de que um empresário supostamente ligado ao ex-presidente Nestor Kirchner teria sido responsável pelo envio de mais de 50 milhões de euros, em aviões particulares, ao exterior. O caso foi classificado pela oposição como "lavagem de dinheiro".

"É claro que as pessoas estão insatisfeitas e as denúncias desta semana e o projeto de reforma do Judiciário, que é para favorecer o governo, intensificaram esta insatisfação", afirmou o senador opositor Gerardo Morales, da União Cívica Radical (UCR).

A presidente e seus principais assessores não fizeram comentários sobre as denúncias. Cristina defendeu, porém, a reforma do Judiciário. "Será uma Justiça mais democrática e com maior acesso para o povo", afirmou. O líder do governo no Senado, Miguel Pichetto, disse que o governo não poderia mudar "uma virgula do texto" porque a reforma será para o "bem dos argentinos".

Juristas e opositores disseram que ao limitar o prazo das ações contra o Estado, o governo estaria "desrespeitando a divisão de poderes", como afirmou a deputada opositora Victoria Donda, do Movimento Libres del Sur (Movimento Livres do Sul).

Os protestos ocorreram pacificamente e até o fim da noite não foram registrados incidentes graves. As emissoras de televisão do país mostraram as manifestações, mas com abordagens diferentes. "Protesto massivo em todo o país", informou a emissora de televisão TN (Todo Notícias), do grupo Clarin, definido pelo governo como "opositor'. Já a emissora estatal, Canal Sete, classificouo episódio como "Protesto da oposição em Buenos Aires". O mesmo informou o Canal23: "Oposição realiza manifestação".

Foto: Maxi Failla/Clarín


Foto : Nestor Sieira/Clarín


4 de abr. de 2013

“Essa velha é pior que o vesgo”, diz Mujica sobre Cristina e seu marido Nestor Kirchner

URUGUAI – ARGENTINA- Bizarro
“Essa velha é pior que o vesgo”, diz Mujica sobre Cristina e seu marido Nestor Kirchner
Sem perceber o microfone ligao o presidente uruguaio, José Mujica, disse comentou com um prefeito o pensa da presidenta Cristina Kirchner e do seu marido falecido. A declaração involuntário criou um embaraço diplomático.

Foto: El Clárin

MUJICA E CRISTINA - “Esta vieja es peor que el tuerto” – disse o presidente Uruguaio. Cristina deve estar está subindo pelas paredes, por ter sido chamada de velha.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja , La Red 21, Clarin, Diario de La Republica, Terra, El Espectador

O presidente do Uruguai, José Mujica, o velho ex-guerrilheiro Tupamaro, caiu nesta quinta-feira, em uma armadilha que já pegou vários mandatários imprudentes. Sem perceber que seu microfone estava ligado, fez um comentário que ganhou uma negativa repercussão internacional, principalmente na vizinha Argentina:

“Essa velha é pior que vesgo”, disse Mujica, em referência à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e a Néstor Kirchner, marido de Cristina, que morreu em 2010.

“Essa velha é pior que o vesgo ... o vesgo era mais político, ela é teimosa", disse Mujica, após fazer referências às difíceis relações de seu país com a Argentina. O áudio foi divulgado pela imprensa uruguaia pouco depois.

Ele conversava com o governador de um distrito uruguaio, depois de conceder uma entrevista coletiva. O assunto era a relação com os governos da Argentina e do Brasil. Mujica disse que para conseguir algo com o governo argentino, era preciso se inclinar um pouco para o Brasil.

Mais tarde, o presidente uruguaio tentou negar suas declarações. “Publicamente, nunca falei da Argentina”, disse. Segundo ele, a conversa era sobre o ex-presidente Lula e o Brasil. “Eu não vou dar bola nem atravessar o mundo esclarecendo nada. Inventem o que quiserem”, esbravejou.

Mujica não foi o primeiro presidente uruguaio a se colocar em uma situação incômoda com a Argetina. Em 2002, o ex-presidente Jorge Batlle também não percebeu que estava sendo gravado por uma câmera de televisão e disse que os argentinos eram “um bando de ladrões, do primeiro ao último”.

Depois do incidente, Batlle viajou a Buenos Aires para pedir desculpas ao então presidente Eduardo Duhalde. “Por que fui pedir perdão? Eu não era um cidadão, era o presidente da República e os 3 milhões de uruguaios podiam sofrer muito por um erro meu”, explicou.

Segundo o jornal “El Espectador” o primeiro a divulgar o áudio de Mujica, o Ministro das Relações Exteriores argentino Hector Timerman, reuniu-se na tarde desta quinta-feira com o embaixador uruguaio na Argentina, Guillermo Pomi, para entregar-lhe uma carta de protesto do Governo Argentino, chamando de "inaceitáveis" os "comentários depreciativos" do Presidente José Mujica:

"A Argentina assinala que é inaceitável que comentários ultrajantes, que ofendem a memória de uma pessoa falecida, que não pode se defender, tenham sido realizados por alguém que Kirchner considerava seu amigo", disse a nota.

A Chancelaria antecipou que "em relação às palavras usadas pelo presidente Mujica, para descrever a presidente da Argentina (...), a mandatária Cristina Kirchner não vai fazer qualquer comentário.”

Cristina jamais vai perdoar Mujica ter lhe chamado publicamente de velha. Vai não!

9 de nov. de 2012

Milhares protestam contra governo de Cristina Kirchner

ARGENTINA
Milhares protestam contra governo de Cristina Kirchner
Um panelaço que reuniu milhares de pessoas em várias cidades, principalmente em Buenos Aires, na Argentina e também grupos no exterior revela o descontentamento de parte da população com o governo e a divisão da sociedade argentina. Manifestantes reclamam da inflação, da falta de segurança e da proposta de mais um mandato para Cristina Kirchner, que evitou falar sobre o protesto.


Detalhe da primeira página do jornal Clarin de Buenos Aires, e hoje, 09/11/2012

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, La Razon, Clarin, La Nacion, Estadão, La Tercera, Noticias

Cerca de 700.000 pessoas lotaram as ruas centrais da capital argentina na noite desta quinta-feira para protestar contra o governo Cristina Kirchner. Houve ainda concentrações populares no interior do país, notadamente nos maiores centros urbanos, em cidades como Córdoba, Mendoza, Rosário, Bariloche, La Plata, Mendoza, Tucumán, Rosário e Salta. Argentinos residentes no exterior, não deixaram de registrar sua insatisfação, registrou-se protestos em Sydney, Londres, Roma, Paris, Viena, Amsterdã, Santiago, Bogotá, Baku (Azerbaijão), Madri, Ottawa e Nova York.

O protesto foi convocado inicialmente através das redes sociais até ser notícia nos principais jornais do país nos últimos dias. Na ultima semana, foram espalhados cartazes pela cidade, com campanhas de "sim" e "não" ao 8N, confirmando a divisão dos argentinos em relação ao governo.

Foto: La Nacion

O Obelisco e a Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, foi onde aconteceram as maiores concentrações na capital argentina

Na véspera, um apagão, em um dia de calor recorde, que deixou mais de um milhão de usuários sem luz, semáforos desativados e afetou até a Casa Rosada, a sede da presidência da Argentina, aumentou o mau humor de muitos argentinos.

A manifestação foi apelidada de 8N, uma referência ao dia 8 de novembro – e uma ironia ao 7D, sigla escolhida pela presidente para se referir a 7 de dezembro, data que ela impôs para que as empresas de comunicação se adaptassem à nova legislação do setor, a chamada "Lei de Meios", uma visível tentativa de controlar a mídia.

Os protestos interromperam o trânsito em uma das principais avenidas da capital, a 9 de Julho, onde fica o Obelisco. Os cartazes exibiam críticas à alta inflação, situação da economia, falta de segurança, aos casos de corrupção e à proposta de permitir que a presidente se candidate mais uma vez à reeleição, o que daria a ela a possibilidade de um terceiro mandato, atualmente vedado pela Constituição.

Grupos ligados ao governo acusaram a imprensa e a oposição, que governa a província de Buenos Aires, de incentivar a marcha. A maior parte dos políticos opositores deu seu aval à manifestação, mas resolveu não participar para não tirar a legitimidade popular do movimento, segundo o jornal Clarín.

Foto: Clarin

Em Londres, inglaterra, como em outras diversas cidades do mundo os argentinos reuniram-se para protestar contra a política da presidente para Cristina Kirchner

Citando fontes do governo, o jornal informou que a segurança foi reforçada na Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada, sede do poder Executivo, e na residência presidencial de Olivos, na província de Buenos Aires, de onde Cristina Kirchner acompanhou o movimento. Milhares de manifestantes também se concentraram em frente à residência oficial em Olivos.

A presidente, que participou de dois eventos nesta quinta, evitou falar especificamente sobre o "panelaço". Durante o dia, o mais perto que chegou de mencionar a manifestação foi ao inaugurar um espaço cultural que leva o nome do seu marido Néstor Kirchner, morto em 2010. Ela disse que Néstor lhe deixou a lição de que é preciso lutar sempre, mesmo nos "piores momentos".

"É nos piores momentos que se conhecem os verdadeiros dirigentes de um país”, declarou a presidente, que ainda ressaltou o fato da Argentina viver uma "democracia total" e "uma liberdade de expressão nunca vista antes" – uma conclusão contrariada pelas atitudes de seu governo, que persegue a imprensa independente.

A revista Noticias, de Buenos Aires, publicou uma matéria de capa sobre a sociedade dividida, entre antikirchneristas e kirchneristas. Ou seja, os que reprovam as medidas e o estilo do governo e os que apoiam o governo nacional.

Analistas políticos dizem que a popularidade de Cristina Kirchner desaba, porque agenda política do governo não inclui os temas que preocupam os argentinos, no momento, como a inflação, a insegurança pública e a queda de poder de compra da classe média, portenha.

REm um debate na TV C5N, o apresentador disse: "Parece que passou a ser pecado ser de classe media na Argentina. Somos um país de classe média, mas agora o governo parece ser contra essa classe e foi ela que protestou hoje em sua grande maioria", afirmou.


Cristina Kirchner pisoteando a imprensa - Caricatura de AMARILDO


22 de out. de 2012

Argentina denuncia Gana na ONU, pela retenção da “Fragata Libertad”, a pedido de credores internacionais

ARGENTINA - GANA
Argentina denuncia Gana na ONU, pela retenção da “Fragata Libertad”, a pedido de credores internacionais
O barco escola da marinha argentina, o famoso veleiro Libertad, está retido no país africano, desde 02 de outubro, por decisão de um tribunal local, a pedido de credores, que cobram da Argentina uma dívida de 370 milhões de dólares, resultante da declaração de moratória portenha de 2001

Foto: Michael A. Mariant/AP

A fragata argentina Libertad apreendida no porto de Tema, Uganda

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, El Clarin, G1, Uol - AFP, Google - AFP

Um embaraço econômico-diplomático vem incomodando a presidente argentina, Cristina Kirchner, desde quando a “Fragata Libertad”, um navio escola da Marinha Argentina, foi retida em um porto ganês, em 2 de outubro. O confisco foi uma forma de pressão encontrada por credores do fundo NML Capital, que sofreram um calote milionário quando a Argentina declarou moratória em 2001. O tribunal de Gana que autorizou a ação diz que só liberará o navio quando o governo argentino saldar a dívida.

Formanda por 326 pessoas – a maioria argentinos, mas também com cidadãos do Uruguai, Chile, Brasil, Paraguai, Equador, África do Sul e Venezuela –, a tripulação da fragata permanece na embarcação desde o início da crise diplomática, cujo estopim foi uma decisão de um tribunal do país africano, que determinou a apreensão da fragata a pedido de um grupo de credores das Ilhas Caymán. Eles reivindicam o pagamento de uma dívida de cerca de 370 milhões de dólares pela Argentina.

A retenção do navio-escola "Liberdade" gerou uma controvérsia sem precedentes na Argentina. O incidente já levou à renúncia, na segunda-feira, do chefe da Marinha, o almirante Carlos Alberto Paz. Na quinta-feira, a diretora da inteligência militar, Lourdes Puente Olivera, também deixou seu cargo.

Estas renúncias aconteceram depois de as autoridades argentinas suspenderem o diretor geral de organização da Marinha, Alfredo Mario Blanco, e o secretário geral da Marinha, o almirante Luis González, pela decisão de que a fragata fizesse escala no porto de Tema, no leste de Gana, quando a rota da viagem era fazer escala na Nigéria.

Num esforço para liberar a fragata pela via diplomática, o governo argentino enviou uma delegação a Gana composta pelos vice-ministros de Defesa, Alfredo Forti, e de Relações Exteriores, Eduardo Zuain, o que resultou infrutífero, pois a justiça ugandense, disse que só liberará o barco, após ter sido saldada a dívida.

A Argentina lembra que "distintas cortes, de vários países (Alemanha, França e Estados Unidos), já estabeleceram jurisprudência sobre a matéria a favor da Argentina", por negar arresto sobre "bens militares".

O chanceler argentino, Héctor Timerman, nesta segunda-feira, denunciou Uganda perante a ONU, classificando como ilegal o gesto do país africano, e exigindo providencias para a libertação da fragata Libertad.

Timerman se reuniu em Nova York com o presidente do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador guatemalteco Gert Rosenthal, com Ban Ki-moon e com o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Vuk Jeremic, além da secretária-geral assistente para assuntos legais, Patricia O'Brien.

"O embargo de um navio de guerra, que está amparado pelas imunidades do tratado do direito marítimo, implica um grave risco para todas as embarcações militares que estão navegando hoje pelos oceanos do mundo (...). Gana está violando um direito que garante o funcionamento normal da navegação militar", alertou.

O governo argentino pede a aplicação de um princípio de 1926 segundo o qual "os navios de guerra têm imunidade frente a todo tipo de ações entre particulares, ou um indivíduo e um Estado ou entre Estados", como lembrou Timerman.

Durante sua reunião com Ban Ki-moon, o chanceler argentino recebeu a promessa de que serão "utilizados os bons ofícios de seu gabinete para entrar em contato com o governo de Gana, trocar opiniões sobre como resolver este conflito".

Foto: Elena Craescu/EPA

Tripulantes da fragata montam guarda no cais do porto de Tema, Uganda.

Ban se interessou pela situação humanitária dos 326 marinheiros a bordo do navio-escola, a maioria dos quais serão retirados na terça-feira em um voo da Air France fretado pelo governo argentino, deixando uma tripulação de segurança de 45 homens, incluindo o capitão.

Timerman explicou que não existem antecedentes de ações deste tipo, à exceção de um barco russo retido em um porto francês, mas que a justiça francesa finalmente determinou a irregularidade do embargo e liberou a embarcação.

O presidente do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador guatemalteco Gert Rosenthal explicou que o Conselho de Segurança da ONU não pode se ocupar da questão, já que este caso "não ameaça precisamente a paz mundial".

Contudo, Rosenthal informou que a "ONU está do lado do cumprimento do direito internacional" e que "o direito do mar claramente liberta os navios do Ministério de Defesa dos governos membros, concedendo-lhes status diplomático".

A Argentina apelou nesta segunda-feira da decisão do juiz de Gana e alertou que se reservava o direito de recorrer aos tribunais internacionais, já que o caso é uma violação de uma convenção assinada tanto pela Argentina como pela República de Gana, continuou Timerman.

"A decisão do governo argentino é não negociar com os fundos abutres. Nunca um fundo abutre conseguiu se apropriar de uma propriedade do governo argentino. Sempre fracassaram, nos Estados unidos, na Alemanha, na França e na Suíça", disse Timerman.