12 de out de 2013

O tempo em que serviam feijoada a bordo

BRASIL – Memória
O tempo em que serviam feijoada a bordo
Em 1973 a Transbrasil introduziu um novo elemento ao serviço de bordo: feijoada completa às quartas e sábados.

Reprodução/Acervo Folha

Anúncio da Transbrasil na Folha em novembro de 1973; o texto fala da feijoada

Postado por Toinho de Passira
Texto de Pedro Afonso Scucuglia*
Fonte: Blog do Ricardo Gallo

Sabadão, manhã de sol, Brasília. Final de 1973, começo de 1974, não me lembro exatamente. Eu e um colega de trabalho, o Kemal Sampaio, havíamos terminado dois dias de visita ao Correio Brasiliense, um dos poucos jornais brasileiros, à época, impressos em off set. Preparávamos relatório para a escolha e compra do parque gráfico do jornal que o nosso “chefe”, o senador Paulo Pimentel, estava montando em Londrina, onde eu morava –e moro– e nosso destino final naquele dia.

Sempre gostei de voar e aquele trecho de viagem se prenunciava maravilhoso, ainda mais que embarcaríamos no novíssimo BAC One-Eleven, o Jatão da Transbrasil. E lá estava ele, brilhante em suas cores fortes, reluzindo ao sol do aeroporto de Brasília.

A metade inferior da fuselagem era vermelho escuro e uma faixa preta, fina, a separava do amarelo também escuro, da metade superior. O logo, em branco, ficava próxima da raiz das asas. O prefixo era PP SDP ou SDQ. Aos 66 anos, a memória falha um pouco.

Fomos recebidos magnificamente pelas “anfitriãs do ar” –sim, não eram apenas comissárias ou aeromoças, aquelas meninas lindas– e uma hora após a decolagem, aviso de proibido fumar já apagado (impensável imaginar isso hoje), veio o speech: o serviço de bordo começaria em seguida –e o prato principal era simplesmente… feijoada!

Com direito a caipirinha, torresmo de entrada. Voar e comer feijoada. Pode haver combinação melhor? Especialmente se você não vai pilotar?

E não era prato feito, pelo menos não em minha lembrança.

Parece-me ter sido assim: cada bandeja tinha uma cumbuca com a feijoada, outra com o arroz e uma terceira com os torresmos e a couve. Tudo quentinho, talheres de metal, copos de vidro e cerveja geladíssima. E tudo muito gostoso, saboroso, bem temperado.

Não vou me perder em devaneios comparativos do tipo “voar naquele tempo era melhor”. Mas uma coisa eu garanto: tinha um sabor diferente. Sabor de feijoada, amizade, alegria. E felicidade.
* Pedro Afonso Scucuglia, 66, é publicitário e jornalista

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