16 de jan de 2011

TUNISIA: Os tunisianos puseram o ditador para correr

TUNISIA
Os tunisianos puseram o ditador para correr
Depois da fuga do ditador Zine al-Abidine Ben Ali, expulso pelas multidões que invadiram as ruas exigindo democracia, o presidente da Câmara de Deputados da Tunísia, Fouad Mebazza, assumiu interinamente o poder no país, neste sábado. A idéia é formar um governo de coalizão, para dá ao país condições de, em curto prazo, realizar eleições. O país tenta voltar à normalidade depois de dias de tensões, pilhagem e violência descontrolada. O mais importante desse evento é que outros ditadores da região estão sendo acuados, por manifestantes locais, inspiradas no vitorioso movimento tunisiano.

Foto: Holly Pickett/The New York Times

Os tunisianos comemoram em Praça Pública, em Tunis, a fuga do ditador Zine al-Abidine Ben Ali

Postado por Toinho de Passira
Fontes: RTP, Diário de Pernambuco, O Globo, BBC Brasil, Estadão, The New York Times, Terra

Ninguém poderia imaginar que a onda de manifestações começou em dezembro, quando um jovem universitário desempregado, Mohamed Bouazizi, de 26 anos, ateou fogo a si mesmo após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença, fosse acabar derrubando o ditador, Zine El Abidine Ben Ali, que há 23 anos comandava o país com mão de ferro.

Os protestos inicialmente direcionados em solidarizar–se a Bouazisi foi acrescido de manifestações contra o desemprego. Inicialmente pareciam localizados na pobre região agrícola de Sidi Bouzid, onde os fatos aconteceram, reconhecida como uma das mais pobres do país.

Em pouco tempo, porém, a revolta se espalhou pelo país, como uma rastilho de pólvora, inundando praticamente todos os recantos, principalmente a capital Tunis. O governo enquanto acusava a oposição de explorar o incidente, decidiu enfrentar a população sublevada de forma violenta, com a polícia a polícia autorizada a disparar munição verdadeira contra os manifestantes. A dura reação governista, que causou mortes e ferimentos a mais de uma centena de tunisianos, parece ter dado mais força aos manifestantes.

Segundo o serviço secreto francês, Ben Ali teria levado na fuga 1,5 tonelada de ouro. Pouco antes da partida, a primeira-dama Leila Trabelsi, teria ido à sede do Banco da Tunísia resgatar os lingotes. O total do carregamento valeria 45 milhões.

De acordo com informações de diplomatas em Paris, Ben Ali não deixou o país voluntariamente, mas foi obrigado a fugir após o comando do Exército, que decidiu não mais atirar contra os manifestantes, dizer que não mais se responsabilizava pela sua segurança e dos seus familiares.

Foto: Mohamed Bouazizi/Associated Press

O presidente, tentando acalmar os manifestantes chegou a visitar o universitário e vendedor ambulante, Mohamed Bouazizi, antes dele falecer, em conseqüência das queimaduras.

Os principais jornais do mundo dizem que no momento a Tunísia é um país em estado de emergência a capital, Túnis, é uma cidade em estado de sítio. Após noites de pilhagens, que alguns residentes atribuíram a milícias partidárias do Presidente afastado, Zine al-Abidine Ben Ali, as principais artérias da cidade amanheceram ocupadas por tanques e outros veículos blindados, enquanto helicópteros de combate cruzavam os céus.

Foto: Fethi Belaid/Agence France-Presse-Getty Images

O shopping, próximo a Tunis, incendiado e saqueado por manifestantes

O país mergulhou no caos do vandalismo e da pilhagem generalizada. Noticia-se que dezenas, ou mesmo centenas de suspeitos de participação da onda de assaltos a lojas e a mansões, foram detidos numa ação conjunta das forças armadas e policia, visando defender a estabilidade social, segundo informou o Ministério de Assuntos Internos da Tunísia.

Mas as coisas ainda estão longe de se estabilizar, neste domingo, a capital da Tunísia viveu mais um dia de terror, com intensos tiroteios no palácio presidencial e nos arredores do prédio do principal, supostamente um confronto entre as forças de seguranças do governo interino, enfrentando partidários do governo que caiu.

A ação dos apoiadores de do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, era uma resposta a prisão de Ali Seriati, ex-chefe da guarda pessoal, acusado de conspiração contra a segurança do Estado. As forças de segurança aparentemente resistiram ao ataque, prendendo inclusive mais de 50 pessoas que usavam ambulâncias, carros alugados e veículos dos serviços de proteção civil, para perpetrarem os ataques.

Foto: Holly Pickett/The New York Times

Na quinta-feira, vândalos destruíram e saquearam em Hammamet, na Tunísia, uma das residências do presidente deposto. Noticia-se que um membro da família foi morto a facadas.

Com sempre acontece nessas ocasiões, num sinal de que os tempos do ditador se foram, funcionários de um café em Túnis retiravam da parede do estabelecimento o retrato do ex-líder, que estava no poder desde 1987.

- Estamos muito felizes de estarmos livres após 23 anos de prisão - disse Fahmi Bouraoui, cliente do café Mozart, um dos poucos estabelecimentos comerciais que abriu no domingo.

Foto: Fethi Belaid/Agence France-Presse-Getty Images

Apesar da felicidade de parte da população, manifestantes que protestam há semanas contra a corrupção no governo, a alta de preços e o desemprego ameaçam realizar novas ações em sua campanha.

- Nós voltaremos às ruas para continuar essa desobediência civil até que o regime se vá. A rua falou - disse Fadhel Bel Taher, que perdeu um irmão, morto em confrontos com forças de segurança durante os protestos.

Foto: Christophe Ena/Associated Press

Num hipermercado da zona norte de Túnis, constatou a reportagem da agência France Press, dezenas de pessoas aproveitavam do caos reinante para se apoderarem de todos os tipos de produtos.

Foto: Fethi Belaid/Agence France-Presse-Getty Images

Quando foi sabido da partida de Ben Ali para a Arábia Saudita, milhares de pessoas comemoram nas ruas como se fosse um fim de campeonato, principalmente em Sidi Bouzid, o berço do movimento de contestação.

Foto: Fethi Belaid/Agence France-Presse-Getty Images

Enquanto os tanques e os soldados procuravam restabelecer a ordem pública em Tunis, sucediam-se os motins em prisões do país. Em Monastir, pelo menos 42 prisioneiros morreram num incêndio que terá sido ateado por um recluso. Dezenas de detidos conseguiram escapar. Em Mahdia, uma segunda sublevação numa cadeia acabou com a polícia a disparando contra prisioneiros em fuga. Testemunhas no local dão conta de “dezenas de pessoas” foram abatidas.

O novo presidente, Fouad Mebazaa, terá o prazo máximo de 60 dias, para realizar novas eleições gerais no país.
O primeiro-ministro sucessor, Mohammed Ghannouchi chegou a ser nomeado, na sexta-feira, para o lugar de Zine al-Abidine Ben Ali, depois da fuga do Presidente. Esse seria o caminho natural pela Constituição da Tunísia, entretanto essa solução deixava em aberto a possibilidade de um eventual regresso de Ben Ali ao poder. Porém, a pedido do próprio Ghannouchi, o Conselho Constitucional da Tunísia declarou “vacantia definitiva” da Presidência, nomeando para o lugar do presidente da República, de forma interina, o presidente do Parlamento Fouad Mebazaa.

A cúpula interina procura agora dar os primeiros passos para a formação de um governo de unidade nacional. Rached Ghannouchi, líder da formação islamita Ennahdha, ilegalizada na vigência do regime, já se afirmou disposto a regressar à Tunísia para se posicionar na linha da frente das movimentações políticas do pós-Ben Ali.

Formar um executivo de unidade, antecipou Ghannouchi em declarações à France Press, “é possível, mas não será fácil”: “Tudo foi destruído durante a ditadura. Vai levar tempo a reorganizar a sociedade civil e a sociedade política. Há uma espécie de fragmentação”. Sabe-se que os principais líderes do país começaram ontem a negociar a formação de um governo de união nacional, que precisa se organizar imediatamente para fazer o país sair do caos social em que se encontra e conseguir fazer eleições livres, no curto prazo de 60 dias.

Na tarde de sábado, perto de oito mil manifestantes, na sua maioria tunisianos, percorreram as ruas da capital francesa para festejar a saída de Ben Ali e exigir a implantação definitiva da democracia na Tunísia. O movimento se repetiu em Marselha, onde mais de duas mil pessoas gritaram por “justiça”, apelidando o ex-Presidente de “assassino” e outras importantes cidades francesas, como Lyon, Lille e Toulouse. Manifestações semelhantes também ocorreram em Itália e na Suíça.

Foto: Christophe Ena/Associated Press

Comemorações na França

A imprensa francesa destaca que o presidente Nicolas Sarkozy ao tomar conhecimento da deposição retirou o apoio que sempre dispensou ao ditador da Tunísia, outrora elogiado, por ter posto em prática uma política de combate ao extremismo islâmico e reformas econômicas. O governo em nota, informou inclusive que os parentes do ex-ditador refugiados na França, não são bem-vindos e devem partir.

O presidente francês fez um pronunciamento mostrando a favor de eleições livres o mais rápido possível enquanto anunciava medidas para bloquear movimentos suspeitos de bens tunisianos na França.

“Há várias semanas que o povo tunisiano exprime a sua vontade de democracia”. "A França, ligada à Tunísia por tantos laços de amizade, dá-lhe apoio incondicional”, afirmou este sábado o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, arquivando ligações, anteriores, mais que amistosas, com o ditador Zine al-Abidine Ben Ali.

Analistas em todo o mundo aguardam para saber as consequências da revolução tunisiana e se o governo interino será capaz de estabilizar a Tunísia e as conseqüências que esse levante popular pode causar a região, sobretudo aos regimes totalitários da África.

No Egito, milhares de pessoas saíram às ruas do Cairo carregando bandeiras da Tunísia e cantando palavras de ordem contra o presidente egípcio Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Na Jordânia, ativistas gritavam "A Tunísia está nos ensinando uma lição". No Iêmen, estudantes pediram a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no cargo.

TUNISIA


Fonte: Wikipedia

A Tunísia oficialmente República Tunisina é um país da África do Norte e que pertence à região do Magrebe. É limitada ao norte e o leste pelo Mar Mediterrâneo, através do qual faz fronteira com a Itália, ficando especialmente próxima da Ilha de Pantelária e das Ilhas Pelágias. Possui fronteira ocidental com a Argélia (965 km) e a leste e sul com a Líbia (459 km). A sua capital e maior cidade é Tunes, que está situada no nordeste do país.

Quase 40% da superfície do território são ocupados pelo deserto do Saara. O restante é constituído de terras férteis, que foram berço da civilização cartaginesa, a qual atingiu o seu apogeu no Século III a.C., antes de sucumbir ao Império Romano.

Muito tempo foi chamada Regência de Túnis, estando sob a dominação otomana. A Tunísia passou a ser protetorado francês em 1881 e adquiriu a independência em 20 de Março de 1956. O país toma a denominação oficial de Reino da Tunísia com o final do mandato de lamina Bey, que, no entanto, não levou nunca o título de rei, e é proclamada república em 25 de Julho de 1957.

Integrada nas principais comunidades internacionais, Tunísia faz igualmente parte da Liga Árabe, da União Africana e da Comunidade dos estados de Sahel-Sahara.

O território onde está a Tunísia foi colonizado no ano 1000 a.C. pelos fenícios, povo de origem semita que fundam Cartago, importante centro comercial do mar Mediterrâneo até a destruição pelos romanos em 146 a.C. Passou então a fazer parte do Império Romano.

Os árabes conquistaram a região no século VII da Era Cristã e transformaram a cidade de Túnis no mais importante centro religioso islâmico do norte da África.

Em 1574, a Tunísia é incorporada ao Império Turco-Otomano e permanece administrada por governadores turcos até 1881, quando se torna protetorado da França. Na Segunda Guerra Mundial, o país, ocupado pelos alemães, tornando-se palco de decisivos combates. Com o fim do conflito mundial, floresceu o movimento nacionalista tunisiano, que acabou levando o país a libertação do protetorado francês.

Espera-se que agora, libertertada pelo povo, marche para uma democracia plena.



Um comentário:

Rosa disse...

Depor os ditadores: é o que precisamos fazer aqui com urgência. Na Tunísia, a rebelião começou com 1 morto; aqui já são centenas. O que se está esperando?