11 de mar de 2013

VENEZUELA: Guerra verbal no anuncio das candidaturas

VENEZUELA - Eleição pós Chavez
Guerra verbal no anuncio das candidaturas
Ao anunciar que será o candidato de oposição, Henrique Capriles chama adversário de mentiroso e o acusa de usar o cadáver de Hugo Chávez, para ganhar pleito. Maduro, atual presidente, e o adversário, não perdeu tempo e foi para televisão para chamar Capriles de fascista, o que se faz prever o que acontecerá de baixaria até 14 de abril, dia da eleição

Foto: EFE/El Universal

Capriles sabe que concorre a uma eleição que é impossível ganhar, mas quer marcar presença para embates futuros.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Uol, O Glob, G1, Reuters, Veja, Correio Braziliense, El Mundo, La Razon, El Universal

O sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, e o candidato da oposição, Henrique Capriles, iniciaram de maneira dura neste domingo (11/3) a disputa para as eleições venezuelanas de 14 de abril, que poderia coincidir com um referendo para decidir se o corpo embalsamado do falecido presidente será levado ao Panteão Nacional.

Capriles, um advogado de 40 anos que perdeu a eleição de outubro do ano passado para Chávez por 11 pontos, anunciou que enfrentará a Maduro, em uma entrevista coletiva na qual acusou o candidato oficialista de "mentir" sobre a morte do presidente e de usá-la para fazer campanha política.

"Vou lutar com vocês, com todos vocês. Nicolás, não vou deixar o caminho livre para você, companheiro. Você terá que me derrotar com votos", provocou Capriles durante uma entrevista coletiva, acrescentando que, na tarde desta segunda-feira, irá formalizar sua candidatura ante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Capriles é governador do estado de Miranda (norte) e já foi prefeito do município de de Baruta.

Capriles criticou duramente o governo por sua forma de lidar com a doença de Chávez. "Quem sabe quando morreu o presidente Chávez? Vocês tinham tudo calculado (...) Agora vocês utilizam o corpo do presidente para fazer campanha política", afirmou Capriles, depois de acusar "Nicolás e seu combo" de estar "doentes de poder".

Foto: Captura de video

Maduro atacou Capriles de fascista, em rede nacional

De maneira imediata e com uma foto de Chávez atrás, Maduro, um ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista de 50 anos, chamou Capriles de "fascista de rosto nauseabundo", "miserável" e o acusou de "sujar" a memória do "comandante supremo da revolução".

"Cai a máscara e se vê o rosto nauseabundo do fascista que é. Seu objetivo é provocar o povo da Venezuela, é um irresponsável. Está buscando que o povo da Venezuela saia da via e vá pelos caminhos da violência", disse sem explicar o que Capriles está fazendo para provocar a tal “violência”.

"Está buscando a violência para romper o tabuleiro político venezuelano e então manchar o processo eleitoral (...) e depois justificar sua retirada da campanha pela violência que ele mesmo gerou com suas grandes ofensas ao povo", acrescentou.

A eleição está programada para o dia 14 de abril e analistas apontam que serão difíceis para a oposição, devido ao clima de comoção entre os chavistas após a morte de seu líder, que governou o país por 14 anos.

Depois de atacar o adversário, Maduro, que assumiu o governo como presidente interino na sexta-feira, anunciou que o governo deve propor uma emenda constitucional para levar o corpo de Chávez ao Panteão, onde está o libertador Simón Bolívar, o que deve ser submetido a referendo em 30 dias.

"Se há alguém que ganhou em 200 anos o direito de ir ao Panteão Nacional é o comandante Hugo Chávez, elevado ao grau de redentor dos pobres", afirmou Maduro.

Ele não citou explicitamente a convocação de um referendo, a Constituição estabelece que as emendas da Carta Magna devem ser submetidas a votação popular. A Constituição estabelece atualmente que devem transcorrer 25 anos do falecimento de um venezuelano para que possa entrar no Panteão.

"O governo estaria fazendo uma jogada interessante: atrelar a emenda às eleições, de forma que estas estariam completamente centradas em Chávez", disse o presidente do insitituto Datanálisis, Luis Vicente León. O corpo de Hugo Chávez, exposto na capela ardente na Academia Militar, será levado na próxima sexta-feira (15/3) para o Museu da Revolução, em Caracas, anunciou Maduro.

O Museu da Revolução é um antigo quartel-general a partir do qual Chávez iniciou, em 4 de fevereiro de 1992, uma tentativa frustrada de golpe de Estado que o tornou conhecido e deu início a sua carreira política. Chávez faleceu na terça-feira da semana passada aos 58 anos, vítima de câncer, e seu corpo permanecerá na capela ardente até meia-noite de quinta-feira na Academia Militar, onde milhares de simpatizantes passam horas na fila para a despedida.


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