8 de mar de 2013

Hugo Chávez forever

VENEZUELA
Hugo Chávez forever
Durante quinze, dos trinta dias, que antecede as eleições do novo presidente da Venezuela, o corpo de Hugo Chávez estará exposto a visitação pública, como ensurdecedor material de campanha. Seu funeral, desde a saída do hospital em direção a câmara ardente, na Academia Militar e as homenagens diante dos 30 chefes de estado, nesta sexta-feira, foram atos políticos de campanha eleitoral, que beneficiam unicamente o candidato indicado por Chávez, o vice Nicolás Maduro, como seu sucessor. Embalsamado, o corpo do ex-presidente será uma sombra eterna sobre a oposição venezuelana. Até quando?

Foto: Ricardo Mazalan/AP

Nicolás Maduro, o presidente interino da Venezuela anunciou que os restos mortais de Hugo Chávez, como os de "Lenin e Mao Tse-tung" serão embalsamado , para que "el pueblo pueda tenerlo por siempre en una urna de cristal".

Postado por Toinho de Passira
Fontes: o Globo , Veja, BBC Brasil, Reuters, El Nacional, El Universal Paris Match

Para que todos os venezuelanos possam se despedir de Hugo Chávez seu velório será estendido por mais sete dias, disse nesta sexta-feira o presidente em exercício, Nicolás Maduro. Seu corpo será embalsamado para ser exposto permanentemente no Museu da Revolução, que ainda será construído, em uma urna de vidro.

Multidões de "chavistas", muitos carregando sua imagem ou vestindo camisetas com a imagem de seus olhos, tomaram as praças em torno de uma academia militar para onde o caixão do presidente foi levado depois de um cortejo de mais de seis horas pelas ruas da capital.

Uma fila de mais de três quilômetros, de pessoas que vieram prestar a última homenagem, se formou diante da Academia Militar, em Caracas, onde o corpo de Chávez encontra-se em câmara ardente. A vigília entrou madrugada a dentro e não foi desfeita debaixo de um sol abrasador, a espera para entrar no salão e homenagear o presidente chegava a durar nove horas.

Foto: Dan Lopez/Reuters

Hoje foi celebrado um rito fúnebre na presença de chefes de 30 chefes de Estado, entre eles o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e cubano Raúl Castro, no total, 55 delegações internacionais chegaram ao país para dar adeus ao carismático e controverso líder venezuelano, que mudou a cara da política na América do Sul.

- Vamos embalsamar o corpo de Chávez para que o povo possa vê-lo eternamente - disse Maduro, em cadeia nacional. - Comandante, leve nosso abraço a Simón, a Allende, a Che. Povo venezuelano, vão ver Hugo Chávez. É seu comandante, ele pertence a vocês.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Maduro, em campanha, ao lado de Evo Morales, presidente da Bolivia, na marcha que levou o corpo de Chavez até o local do velório

De acordo com Maduro, após o funeral de sexta-feira - que contou com a presença de todos os presidentes da América do Sul, com exceção do paraguaio Federico Franco, que não mantinha relações amistosas com Chávez – além das presidentas Dilma Rousseff do Brasil e Cristina Kirchner da Argentina, que compareceram ao velório, mas não ficaram para o funeral, o corpo de Chávez será levado para o Quartel 4 de Fevereiro - antigo Museu Militar - onde permanecerá por pelo menos sete dias. O local será convertido no Museu da Revolução. O corpo de Chávez será embalsamado e colocado em uma urna de vidro “sempre visível para o povo”.

Depois de uma cerimônia privada para a família de Chávez, o caixão com o corpo foi aberto e exposto ao público, que aguardava em uma longa fila. Dezenas de milhares de pessoas aguardam no local com quadros, flores, camisas e cartazes com imagens e fotos do presidente. “Chávez, eu juro, eu voto em Maduro”, entoaram partidários do líder.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Durante a espera, alguns venezuelanos passaram mal, sofreram com o calor, falta de hidratação e fadiga, afirmou o jornal “El Nacional”. Pelo menos dois milhões de pessoas já passaram pela capela onde está o corpo, informou o governo.

Quem sai conta que Chávez descansa vestido com seu habitual traje militar verde oliva, a boina vermelha que costumava usar em comícios e a faixa presidencial, de acordo com pessoas que viram o corpo velado na capela ardente da Academia Militar de Forte Tiuna, em Caracas. Alguns comentavam que ele aparentava estar sempre “forte”, informou o jornal venezuelano “El Nacional” nesta quinta-feira. Outros, no entanto, disseram que ele parecia um boneco.

Foto: Palacio Miraflores/Reuters

Maduro, Lula e Dilma no funeral de Chávez. Os brasileiros não ficaram para a cerimônia dessa sexta-feira

Em meio às cenas de luto e dor pela morte do presidente Hugo Chávez, os seguidores do mandatário venezuelano aproveitaram seu funeral para oferecer apoio irrestrito à virtual candidatura do novo presidente interino, Nicolás Maduro.

A procissão fúnebre que acompanhou os restos de Chávez do Hospital Militar de Caracas até a Academia Militar, na quarta-feira, pareceu em muitos momentos viver a condição dupla de manifestação de comício funebre.

Nomeado por Chávez à Vice-Presidência logo após sua reeleição, em novembro, Maduro foi no mês seguinte indicado como herdeiro político pelo presidente antes de partir a Cuba para uma nova cirurgia contra o câncer.

Já em ritmo de campanha, Maduro encabeçou a procissão do funeral vestido com a característica jaqueta com as cores da bandeira venezuelana, bem ao estilo Chávez.

Foto: Alejandro Bol Cvar/EFE

Entre os chefes de estado presentes, o polêmico, Mahmud Ahmadinejad, presidente do Iran

Enquanto dezenas de milhares de pessoas atravessavam com ele boa parte de Caracas, o Diário Oficial venezuelano trazia a publicação da confirmação de seu nome como presidente interino.

O mesmo Diário Oficial trazia também o primeiro decreto firmado por Maduro no exercício da Presidência, declarando sete dias de luto oficial pela morte de Chávez.

Para porta-vozes da oposição, a nomeação é ilegal, já que entendem que a Constituição estabelece que o substituto do presidente, em caso de ausência definitiva, seria o presidente da Assembleia Nacional, o também chavista Diosdado Cabello.

Novas eleições devem ser convocadas em 30 dias. Espera-se que Maduro enfrente nas urnas o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, derrotado por Chávez na eleição de novembro.

Foto: Rolando Pujol/EPA

Em Havana, Cuba, a bandeira a meio pau, simbolizando luto pela morte de Chávez

No funeral de Chávez, tanto entre o público presente quanto entre as autoridades que acompanhavam Maduro, eram frequentes as menções à provável candidatura do presidente interino. Vários dos oradores que se revezavam nas plataformas colocadas ao longo do caminho da procissão se dividiam entre as loas ao líder morto e as duras críticas à oposição "golpista".

Para complementar o ar eleitoral do funeral, durante a transmissão ao vivo em cadeia obrigatória de rádio e TV tanto repórteres quanto pessoas entrevistadas não paravam de falar bem do presidente morto e mal da oposição venezuelana.

Foto: Sebastien Micke/Paris-Match

Uma das declarações de maior impacto foi a do almirante Diego Molero, ministro da Defesa, que no meio da procissão advertiu aos que descreveu como grupos desestabilizadores de que as Forças Armadas estão fechadas com Maduro.

"Não se equivoquem. O fato de haver dor não quer dizer que não haja força. Aqui há um braço forte, armado, que são as Forças Armadas respaldando o povo", disse Molero.

Como chefe das Forças Armadas, Molero estará encarregado do Plano República, o sistema de controle e vigilância do processo eleitoral e dos materiais de votação. Por conta disso, suas palavras geraram comentários imediatos de rechaço entre políticos opositores.

Ainda assim, mesmo durante a cerimônia ecumênica após a chegada do caixão ao edifício da Academia Militar, um dos sacerdotes advertiu que se não houver "respeito" à dor do povo chavista durante da perda, o país poderia se ver submetido a "um tsunami de grandes proporções", em referência a uma possível explosão de raiva popular.

Foto: AFP

Entre todas essas expressões de dor e advertências à oposição, a transmissão em cadeia nacional durou cerca de 9 horas, uma das transmissões obrigatórias mais longas da história da TV venezuelana.

Em meio à comoção nacional pela morte de Chávez, os principais líderes opositores têm mantido uma postura discreta, evitando declarações que acirrem os ânimos.

Em pronunciamento na noite de terça-feira, Henrique Capriles, ainda não lançado oficialmente candidato à Presidência, afirmou que Chávez foi um "adversário", mas nunca um "inimigo". Segundo alguns, Capriles talvez não seja o candidato da oposição, devido a remota possibilidade de ser eleito e duas sucessivas derrotas poderia inviabiliza-lo para voos futuros.

Foto: CarlosGarcia Rawlins/Reuters

Hugo Chávez equiparado, pela morte, ao herói nacional Simon Bolivar


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