8 de fev de 2012

Cristina Kirchner vai à ONU denunciar ingleses

ARGENTINA
Cristina Kirchner vai à ONU denunciar ingleses
Em uma nova mostra da crescente tensão entre Argentina e Grã-Bretanha, a presidente argentina Cristina Kirchner repudiou o envio de um navio britânico às ilhas Malvinas (chamadas pelos britânicos de Falklands) e afirmou que seu país denunciará Londres perante a ONU pela "militarização" do Atlântico Sul.

Foto: Getty Images

Cristina fala tendo ao fundo um mapa das Ilhas malvinas pintado com as cores da bandeira argentina

Postado por Toinho de Passira
Fontes: R7, BBC Brasil, The Telegraph, Ultimo Segundo, Revista Época

Na tarde de ontem, a presidenta argentina Cristina Kirchner convocou um ato público contra a presença inglesa nas Malvinas. O evento ocorreu na Casa Rosada, sede do governo, e participaram governadores, congressistas, ex-combatentes da guerra das Malvinas e até a oposição que há anos não era convidada para um evento do governo.

Ao saberem da notícia os habitantes do arquipélago assustaram-se temendo alguma retaliação, como a possibilidade de um bloqueio aéreo para voos entre Chile e Malvinas que passassem pelo espaço aéreo argentino - algo que traria muitas dificuldades práticas para os moradores das ilhas. O que acabou não acontecendo. Pelo menos por enquanto.

Foto: Reuters

Um cartaz diante da Casa Rosada, sede do governo argentino, protesta contar a presença inglesa nas Malvinas.

Num discurso mais simbólico e diplomático, que prático, Cristina prometeu fazer uma queixa perante o Conselho de Segurança (CS) da ONU denunciando a Grã-Bretanha por "militarizar" o Atlântico Sul.

Buscaria uma resolução do conselho que obrigasse os britânicos a alterar a política adotada atualmente, como o envio de potente navio de guerra e do príncipe Williams, para realização missões militares no arquipélago.

As pretensões de Cristina tem zero de chance de se tornar realidade. Para que isso acontecesse seria preciso que os argentinos contassem com o apoio político dos membros do Conselho de Segurança da ONU, em especial os membros permanentes, EUA, França, Rússia, China, Grã-Bretanha - e os argentinos teriam ainda de convencê-los que o caso ameaça à paz ou representa um ato de agressão (conforme previsto no artigo 39 da Carta das Nações Unidas). Lembrar que a Grã-Bretanha, como membro permanente do conselho, tem direito a vetar qualquer resolução contra si mesma.

Foto: Royal Navy

A presença, na Malvinas, do navio da Real Marinha inglesa, o HMS Dauntless, que carrega 48 mísseis prontos para lançamento, vai ser denunciada, pelo governo argentino, como ato de 'militarização' do Atlântico Sul

De pronto Londres rejeitou as acusações, e o premiê britânico, David Cameron, chegou a acusar Buenos Aires de ter uma atitude "colonialista" perante ao arquipélago.

O governo de Cameron também rechaçou as acusações de militarização do Atlântico, mas disse que tem um compromisso com a defesa das ilhas.

Em comunicado, a Chancelaria britânica disse que "os habitantes das Falkland são britânicos por escolha própria. São livres para determinar seu próprio futuro e não haverá nenhuma negociação com a Argentina sobre a soberania, a não ser que os moradores das ilhas queiram isso".

Antecipando a rejeição de sua queixa no Conselho de Segurança, Cristina Kirchner disse que também levará seu protesto para ser analisado perante a Assembleia Geral da ONU.

Na Assembleia Geral votam todos os países-membros da ONU, e não existe direito a veto. As sessões da assembleia começam em setembro.

A assembleia já tratou da questão em 1965, quando adotou a resolução 2065 (seguida por outras), reconhecendo a existência de uma disputa de soberania entre Argentina e Grã-Bretanha e instando as duas partes a buscar uma solução negociada e pacífica.

Citado pela BBC Brasil, o argentino Marcelo Kohen, professor de Direito Internacional do Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento, em Genebra, comenta que pelo tom do discurso de Cristina Kirchner, “o governo argentino indica que não está buscando um efeito político imediato, e sim que está se concentrando em uma campanha diplomática de longo prazo”.

Foto: Royal Navy

O príncipe Williams, o segundo na sucessão do trono inglês, em missão militar, como piloto de helicóptero, nas Malvinas é uma provocação britânica.

No próximo dia 2 de abril, os dois países relembram o 30º aniversário da Guerra das Malvinas. Em 1982, a ditadura militar argentina achou que podia conquistar a simpatia popular ocupando as ilhas, a 500 quilômetros da costa argentina, que haviam sido anexadas pelo Reino Unido em 1833. Margareth Thatcher, então primeira-ministra, reagiu e o Reino Unido derrotou as Forças Armadas argentinas com facilidade.

Antes de entregar o poder aos civis, o governo militar argentino encomendou uma investigação sobre os erros e acertos cometidos pelo exército ao general Benjamin Rattenbach. O documento, conhecido como Relatório Rattenbach, foi mantido em segredo até agora. No anúncio feito na terça, a presidente Cristina Kirchner resolveu torná-los públicos. Segundo ela, os erros cometidos pelos militares não justificam a posição britânica de não querer negociar a posse das Malvinas na ONU.

Segundo a imprensa britânica, o primeiro-ministro David Cameron (como Thatcher em 1982) está usando as Malvinas para angariar o sentimento nacionalista e desviar a atenção dos eleitores da crise econômica europeia. Antes da ida de William às Malvinas, Cameron acusou a Argentina de “colonialista” porque, segundo ele, o país quer forçar os habitantes das ilhas a serem argentinos – apesar de se considerarem britânicos.

Neste século existem apenas 16 casos de colônias cujo destino está sendo discutido pelas Nações Unidas: dez são do Reino Unido, entre eles as Ilhas Malvinas.

O Brasil apoia oficialmente a reivindicação da Argentina pela posse das Malvinas.


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