5 de fev de 2012

Índia anuncia intenção de comprar caças franceses

FRANÇA - INDIA
Índia anuncia intenção de comprar caças franceses
Os indianos estão em negociação final para comprar daqueles aviões de caça franceses, da Dassoult, os Rafales. A maior despesa militar, numa única compra, de todos os tempos, algo em torno de US$ 10 bilhões. O presidente Sarkozy adorou a notícia. O Brasil precisa ficar experto. Pelas contas, o avião que Lula quase comprou e Dilma está dando um tempo, saiu para os indianos pela metade do preço que estava sendo cotado no Brasil. Por que? Por que?

Foto: Dassault/Divulgação

Linha de montagem do Rafale, seria fechada após a entrega do último, dos 180 aviões, comprado pelo governo francês.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, Blog Antônio Ribeiro - Paris, Terra, ”thepassiranews”, Veja, The Telegraph India, Rafaele News, Le Monde

Segundo o noticiário internacional, a Índia escolheu o avião Rafale, do fabricante francês Dassault Aviation, para renovar a frota da sua força aérea. Vai comprar 126 aviões, um negócio de US$ 10 bilhões, segundo foi divulgado.

Os franceses, apesar de não terem ainda obtido um contrato definitivo, comemoram a promessa de compra, considerada uma das maiores aquisições militares de todos os tempos, ainda mais valorizada, levando-se em conta a atual situação preocupante da economia mundial.

O presidente Nicolai Sarkozy, em campanha eleitoral e com baixos índices de aprovação, comemorando com entusiasmo, declarou que a oferta da Dassault receberia o “apoio total” de seu governo, acrescentando que um acordo incluiria “transferências significativas de tecnologia garantidas pelo estado francês.”

Os críticos dizem que para conseguir o negócio a Dassault, fabricante do Rafale, baixou o preço, a níveis de liquidação e demonstra uma disposição rastejante em aceitar qualquer pré-condição exigida pelo governo indiano.

Com efeito, percebe-se que o preço do aviãozinho francês caiu muito desde os tempos em que eles negociavam com a Força Aérea Brasileira. Pelos valores apresentados na concorrência no Brasil, os 36 aviões Rafales, custariam US$ 8,2 bilhões. Proporcionalmente, se fossemos comprar a mesma quantidade que os indianos, que vão pagar US$ 10 bilhões, a nossa compra, mantido o preço unitário das aeronaves na proposta apresentada ao Brasil, sairia em torno de US$ 29 bilhões.

Estamos cientes que alguns valores nessa negociação, que envolve repasse de tecnologia, são fixos, e que parte dos valores do custo final, sempre envolve as mesmas quantias, não importando no número de aeronaves compradas. Mas mesmo com essa variante, a diferença é exorbitante.

De acordo com as regras indianas, os fabricantes militares estrangeiros precisam “compensar”, ou comprar de fornecedores locais ou parceiros em empresas, componentes e serviços no valor de 30% do custo total de seu contrato. De acordo com os termos da proposta da Dassault, os primeiros 18 aviões serão construídos somente pela indústria francesa, e o restante será construído em parceria com uma companhia indiana. Os sindicatos franceses dirão que essa venda vai criar mais empregos na Índia que na França.

O contrato com a Índia será a primeira venda de exportação do Rafale, que está em serviço no poder militar francês há mais de uma década.

“Até agora, o Rafale era uma espécie de um constrangimento para a Dassault, uma espécie de elefante branco," conta Alexandra Ashbourne, consultora aeroespacial e militar em Londres.

Foto: Dassault/Divulgação

O batismo de fogo, dos Rafales, num ambiente de guerra real, aconteceu recentemente, quando atacou as tropas leais ao ditador líbio MuaMmar Kadhafi.

Os analistas enfatizaram que a seleção da Dassault marcou o início do que ainda pode ser um processo árduo. “Este não é, de forma alguma, o fim do jogo”, disse Howard Wheeldon, estrategista sênior na BGC Partners, uma firma de corretagem de Londres. “Este é apenas o início do próximo passo da concorrência.”

A Eurofighter, uma das concorrentes, por exemplo, deixou claro que não estava pronta para se considerar derrotada.

“Baseado na resposta do governo indiano, nós agora analisaremos cuidadosamente e avaliaremos esta situação junto com nossos parceiros europeus e seus respectivos governos”, disse Theodor Benien, porta-voz da Cassidian, uma divisão da EADS responsável pelo projeto Eurofighter.

As autoridades indianas disseram desde o início que contemplariam o contrato para quem fizesse a menor oferta. Em abril, o país reduziu suas escolhas ao Eurofighter Typhoon e o Rafale, descartando planos das companhias norte-americanas Boeing e Lockheed Martin e dois outros competidores da Rússia e Suécia. Esta decisão irritou oficiais em Washington, que esperavam que pelo menos uma das companhias norte-americanas chegasse à rodada final.

A Índia já usa jatos Mirage construídos na França pela Dassault, mas este pedido é para substituir sua frota antiga de caças russos.

Não se sabe como repercutirá essa compra indiana, na concorrência, posto em banho-maria desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu o governo, destinada a modernizar a nossa Força Aérea. A compra representaria a maior despesa da história militar do Brasil.

Quanto à diferença de preço, quase a metade do cobrado no Brasil, pode-se concluir que os indianos são mais modestos em cobrar propina que os brasileiros.


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