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8 de dez. de 2014

'Meu triplex, minha vida' - o suntuoso apartamento de Lula, localizado em área nobre do litoral

BRASIL – Morar Bem
'Meu triplex, minha vida' - o suntuoso apartamento de Lula, localizado em área nobre do litoral paulista
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pode passar o “reveilon” na Praia das Astúrias, no Guarujá, área nobre do litoral Sul de São Paulo. De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato, obra encomendado pela Bancoop, que era presidida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto acusado de, estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Foto: Divulgação

A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO - O apartamento 164, do Edifício Solari, pertencente a família Lula da Silva, ocupa o 16º, 17º e 18º andar, encimado por uma piscina e um tal ‘espaço gourmet’ (o que diacho será isso?)

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Blog do Josias de Souza, Blog do Jefferson, Extra, Veja

A Bancoop, cooperativa que deixou milhares de pessoas na mão devido às fraudes de seu diretor, o tesoureiro do PT João Vaccari (investigado na Lava Jato por atuar na quadrilha do petrolão), entregou ano passado o triplex cobertura de Lula, que fica em área nobre do Guarujá que foi tocada pela OAS (envolvida nos escândalos da Petrobras).

Recebido o imóvel, começaram as obras de reforma e decoração do lugar. Segundo operários, a obra faraônica, que durou um ano, ficou a cargo de Lulinha com uma supervisão permanente de Dona Marisa. Lula apareceu por lá, umas três ou quatro vezes, durante todo esse tempo.

No seu blog o delator do mensalão Roberto Jefferson, pergunta: “Então quer dizer que Lula, paladino dos pobres, recebeu triplex da Bancoop de Vaccari, reformado pela OAS, onde as elites paulistanas passam férias? “

O imóvel de veraneio de Lula fica na Praia das Astúrias, reduto da elite paulista no Guarujá, no litoral Sul de São Paulo. Mede 297 m².

As chaves foram entregues em dezembro de 2013. Mas só na semana passada foi concluída a reforma que ajustou o apartamento ao gosto da família Silva. Antes unidos apenas por uma escada interna, os três andares foram atravessados por um elevador. O piso ganhou revestimento de porcelanato. E a cobertura foi equipada com um ‘espaço gourmet’, ao lado da piscina.

Lula adquirira o imóvel em 2006, ainda na planta, da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. Até 2010, a entidade era presidida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Que figura como réu em ação penal na qual o Ministério Público o acusa de ter praticado, junto com outros ex-diretores, os crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ainda pendente de julgamento, a ação aponta o desvio de verbas da cooperativa para o PT e para dirigentes petistas.

A Bancoop deu o calote em mais de 3 mil famílias, deixando de entregar os apartamentos que comercializara. Para conseguir terminar alguns dos seus empreendimentos, a cooperativa contratou a empreiteira OAS. Foi o caso do Edifício Solaris, onde fica o apartamento de Lula.

Em 2010, o Ministério Público quebrou o sigilo da Bancoop e descobriu que seus dirigentes lesaram milhares de associados, ao que tudo indica para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002. Pessoas ligadas ao PT sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa. Houve, ainda, quebra de sigilo das contas de Vaccari.

Os promotores descobriram que, na gestão do ex-tesoureiro do PT, empresas fantasmas foram criadas para interceptar parte dos 460 milhões de reais captados pela cooperativa ao longo dos anos. Segundo o promotor José Roberto Blat, a cooperativa deu um prejuízo aos oito mil associados de pelo menos 100 milhões de reais. Quebrada, a cooperativa deixou uma dívida total avaliada em 86 milhões de reais.

Segundo O Globo, a cunhada de Vaccari, Marice Correia de Lima, também é feliz proprietária de imóvel financiado (e entregue) pela Bancoop. No último dia 18, ela foi levada coercitivamente por agentes da Operação Lava-Jaro a depor na Polícia Federal de São Paulo, para explicar por que recebeu 244 mil reais da OAS.Na campanha presidencial de 2006, Lula incluiu o triplex do Guarujá na declaração de bens à Justiça Eleitoral. Informou que, até aquele ano, pagara R$ 47,7 mil.

Foto: Arquivo

GENTE FINA É OUTRA COISA - O casal Lula da Silva, em acontecimento social, na Granja do Torto, em Brasília, ano 2010

Para terminar a obra, a OAS cobrou de cada morador do prédio de Lula um adicional de R$ 120 mil.

Hoje, o imóvel do ex-presidente está avaliado no mercado em cifras que variam entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão, podendo até dobrar de preço, dependendo do que foi acrescido na reforma. É coisa para o bolso de um tipo de elite que Lula costuma praguejar em todos os seus discursos.

1 de out. de 2014

Briga de facções: José Dirceu se irrita com declarações de Luiz Marinho sobre mensalão ter prejudicado o PT em SP

BRASIL – Eleição 2014
Briga de facções: José Dirceu se irrita com declarações de Luiz Marinho sobre mensalão ter prejudicado o PT em SP
Ex-ministro, da sua residência, onde foi passar o fim de semana, de folga da cadeia, comentou ser inaceitável afirmação de que mau desempenho do PT em SP está ligado à prisão de mensaleiros. Com chances de estar no regime aberto, já a partir de novembro, o perigoso, vingativo e mafioso Dirceu começa a preparar sua volta à cena política brasileira. Que Deus nos acuda!

Foto: Pedro Ladeira / O GLOBO

José Dirceu conversando com advogada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no início do cumprimento da pena

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo

Segundo o jornal O Globo, o ex-ministro da Casa Civil e o principal político condenado no processo do Mensalão, José Dirceu, se irritou com as declarações do prefeito de São Bernardo do Campo (SP) e coordenador da campanha de Dilma Rousseff em São Paulo, Luiz Marinho, que atribuiu o mau desempenho dos petistas no Estado à prisão dos condenados no mensalão. Marinho, em entrevista ao Estado de S. Paulo, afirmou que o PT está "penando" entre os eleitores paulistas.

"Além disso, tem a prisão dos companheiros, um conjunto de debates na sociedade que foi muito negativo em São Paulo. É por isso que nós estamos penando na disputa". O prefeito afirmou ainda que a prisão dos correligionários "impactou muito a nossa imagem. Isso é inegável".

Dirceu, que passou o último final de semana em casa, com a família - benefício assegurado a quem cumpre o regime semiaberto a cada 15 dias - se irritou e ficou incomodado com as declarações de Marinho. A alguns amigos, não escondeu seu descontentamento.

— É inaceitável. Como ele (Luiz Marinho) diz uma coisa dessas?! — afirmou Dirceu a interlocutores.

Marinho se referiu tanto ao desempenho de Alexandre Padilha (PT), candidato ao governo e que na última pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira, aparece em terceiro lugar com apenas 9% das intenções de voto, como de Dilma, que tem 27% dos votos dos paulistas, contra 34% de Marina Silva (PSB).

Segundo ainda o jornal, a assessoria de imprensa de José Dirceu negou que o ex-ministro tenha feito comentários durante o final de semana sobre as declarações de Luiz Marinho vinculando o desempenho de Padilha na eleição de São Paulo à prisão dos condenados no mensalão.

Trata-se de brigas internas de facções do PT. Dirceu deixou vazar o descontentamento, para queimar a imagem de Marinho, diante dos seus seguidores. Como o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) que apressou-se também em criticar as declarações de Marinho e disse que o caso mensalão não tem influência no mal desempenho de Padilha nas eleições e nem na performance de Dilma no estado. Para Devanir, o coordenador da campanha petista em São Paulo "errou na dose".

De outra facão, oponente a Dirceu, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), ex-líder do partido na Câmara, concordou com Luiz Marinho. Para Teixeira, que é da corrente "Mensagem ao Partido", as prisões dos condenados no mensalão no final do ano passado têm influência no desempenho de Padilha até agora.

Condenado a sete anos e 11 meses de prisão no processo do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, já está gozando de uma relativa liberdade, como essa de 15 em 15 dias passar o fim de semana com a família, na verdade ele só vai passar apenas um ano atrás das grades. Preso em 15 de novembro do ano passado, já poderá ir para casa para cumprir lá o restante da pena em novembro deste ano. O benefício está previsto na legislação penal, que dá ao preso um dia de liberdade em troca de três trabalhados. Dirceu é auxiliar administrativo no escritório do advogado José Gerardo Grossi, um renomado criminalista de Brasília.

De acordo com a lei, depois de cumprir um sexto da pena, Dirceu poderia trocar o regime semiaberto, em que pode sair para trabalhar durante o dia e voltar para a prisão à noite, pelo aberto, em que pode ficar em casa. Matematicamente, isso aconteceria em março de 2015. Mas ele será liberado antes.

Segundo a Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, já foram descontados 104 dias da pena total. Com isso, Dirceu já pode ir para casa em 27 de novembro. A data será ainda mais antecipada, já que ele continua empregado.

Tendo se livrado da acusação de formação de quadrilha, Dirceu acabou pegando uma pena pífia diante do crime e das circunstancia que o delito foi cometido. Endinheirado e maquiavélico, logo, logo, estará circulando com desenvoltura pela cena política brasileira como se nada tivesse acontecido.

Por outro lado, chega a ser constrangedor, O Globo o jornal admitir que Dirceu, preso encarcerado, disponha de uma “assessoria de imprensa”, que foi consultada para se pronunciar sobre a matéria. Bizarro, muito bizarro, bandido com assessoria de imprensa. Só no Brasil!

28 de set. de 2014

Alexandre Padilha - São Paulo: Por que o terceiro 'poste' de Lula não deu certo?

BRASIL - Eleição 214
Alexandre Padilha - São Paulo:
Por que o terceiro 'poste' de Lula não deu certo?
Campanha errática de novato pode repetir o pior desempenho do PT na história: os 9,5% de votos obtidos por Plínio de Arruda Sampaio em 1990

Foto:Felipe Cotrim/VEJA.com/VEJA

POSTE SEM LUZ - Lula insatisfeito com o desempenho do seu candidato poste ao governo de São Paulo, o desconhecido Alexandre Padilha

Postado por Toinho de Passira
Reportagem Felipe Frazão
Fonte: Veja

A menos que a eleição para o governo de São Paulo produza uma reviravolta histórica, o Partido dos Trabalhadores não chegará ao segundo turno – isso se houver segundo turno. Segundo as pesquisas eleitorais, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, lançado na disputa como o "terceiro poste" do ex-presidente Lula, deve fracassar na tentativa de conquistar o eleitorado paulista e realizar a maior obsessão de seu padrinho político: desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes depois de quase duas décadas.

Após três meses de campanha, Padilha não conseguiu sequer atingir dois dígitos nas pesquisas. Contra o desempenho do PT, que nas eleições recentes amealhou 30% dos votos, o ex-ministro chega à última semana com 9%, segundo o Datafolha. Se o prognóstico se confirmar nas urnas, o percentual representa apenas um quarto dos 35,21% dos votos atingidos em 2010 pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), candidato do PT com o melhor desempenho até hoje, mas derrotado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Há doze anos (três eleições seguidas), o PT consegue mais de 30% dos votos no Estado. Se permanecer abaixo dos dois dígitos, Padilha repetirá um resultado que o PT paulista não amarga desde 1990, quando o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (morto em julho deste ano) teve o pior desempenho de um candidato petista, com 9,55% dos votos válidos.

Apesar de admitir reservadamente que a eleição está perdida, dirigentes do PT paulista ainda com alguma dose de otimismo apostam que Padilha conseguirá chegar a pelo menos 15% dos votos até o próximo domingo. As pesquisas internas são mais modestas: indicam 11%, resultado próximo ao obtido pelo mensaleiro José Dirceu, quando foi candidato ao Palácio dos Bandeirantes há vinte anos.

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

A presidente Dilma Rousseff e o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), durante campanha em Osasco, São Paulo

PROPINA

Padilha também entra na reta final fustigado por um novo escândalo em sua gestão no Ministério da Saúde. A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação contra locadoras de veículos da Bahia que fraudaram uma licitação da Secretaria Especial da Saúde Indígena – as apurações apontam para a atuação de uma consultora do ministério que falava em nome de Padilha e teria cobrado propina de 15% em contratos superfaturados em 6,5 milhões de reais.

O petista negou envolvimento e disse que ele mesmo pediu as investigações após verificar o sobrepreço no serviço. Ainda que nada tenha sido provado, o desgaste é inevitável para quem já havia sido alvejado pela PF na Operação Lava Jato, que descobriu as gestões do ex-petista André Vargas no ministério durante a gestão de Padilha, em prol de um convênio com um laboratório Labogen, ligado ao doleiro Alberto Youssef.

Em uma das mensagens interceptadas, Vargas citou a indicação de um funcionário por Padilha – o que o ex-ministro nega. Além dos casos em âmbito nacional, Padilha viu seu discurso de combate ao crime organizado ser fragilizado pela descoberta de que o deputado estadual e ex-presidiário Luiz Moura (PT) havia sido flagrado em uma reunião na qual também estavam dezoito criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Expulso do partido e impedido de concorrer à reeleição, o deputado-bomba chegou a anular temporariamente na Justiça a candidatura de Padilha e de todos os candidatos do partido em São Paulo.

Desenhada por Lula, a campanha de Padilha começou a ser planejada em 2013, embora ainda em 2012 ele já sinalizasse que poderia despontar no partido, dada a sua dedicação em acompanhar as eleições municipais no Estado. O PT elegeu para a presidência do Diretório Estadual o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, que montou ampla base de partidos aliados e rendeu três vitórias seguidas ao PT na cidade da região metropolitana de São Paulo. Ex-coordenador da campanha de Mercadante, Emídio assumiu a mesma função com Padilha, com uma tarefa: popularizar o candidato no PT no interior do Estado – região mais refratária ao partido e simpática ao PSDB – e quebrar a base de apoio de Alckmin, atraindo para a coligação de Padilha partidos à direta do PT no espectro político brasileiro e que apoiavam, ao mesmo tempo, o governo Dilma Rousseff. As duas principais metas traçadas pelo ex-presidente, porém, não foram atingidas. Padilha tem a menor coligação entre os três principais candidatos, ao lado apenas do PR e do PCdoB.

Foto: Paulo Pinto/Analitica

FOTO SEM APOIO - f"Foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto do Maluf", admitiu um estrategista da campanha petista.

MALUF

Em junho, na última semana para formalizar as alianças, Padilha viu o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, e o PP, do deputado Paulo Maluf, aderirem ao candidato do PMDB, Paulo Skaf. Padilha já tinha passado pelo desgaste público de anunciar, com fotos e abraços, uma aliança do PT com Maluf, que teria barrada sua nova candidatura à Câmara dos Deputados neste mês pela Lei da Filha Limpa. "Foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto do Maluf", admitiu reservadamente um estrategista da campanha petista.

Ex-presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Skaf acumulava recall da eleição anterior e, com ampla exposição na TV em comerciais da entidade, já despontava como segundo colocado. O peemedebista também conseguiu apoio formal do Pros e do PDT, ambos da base governista – o que frustrou a estratégia recomendada por Lula. O site de VEJA apurou que um deputado estadual do PT chegou a sugerir pessoalmente a Padilha que ele "renunciasse e apoiasse Skaf no primeiro turno" – a aliança é tácita caso haja segundo turno entre Alckmin e Skaf.

Coube ao próprio Lula advertir, no início de setembro, que o candidato do PMDB estava "fazendo a campanha que o PT deveria fazer". "Como se explica numa fábrica que eu vi o Skaf estar na frente do Padilha? No meu tempo, era impensável imaginar um peão votar no seu empregador", reclamou Lula em reunião pública do partido. "Não tem explicação. Só pode ser falta de conhecimento e de motivação."

Foto: Alice Vergueiro/Futura Press/VEJA

AUSÊNCIA - Mensagem da presidente Dilma Rousseff durante o Encontro Estadual do PT de São Paulo. O evento marcou o lançamento das pré-candidaturas de Alexandre Padilha ao Governo Paulista e de Eduardo Suplicy ao Senado

QUEM É ELE?

Dados de pesquisas internas encomendadas pelo PT indicam que Padilha ainda é um total desconhecido de 70% dos eleitores de São Paulo – a mesma taxa de seis meses atrás. O "desconhecimento" de Padilha, aliás, tornou-se a principal justificativa do partido para o iminente fracasso de um candidato estreante, que seguia a cartilha dos "postes". Saiu do governo federal com um programa para exibir como bandeira, o Mais Médicos, que espalhou em um ano 14.462 médicos generalistas por 3.771 municípios do país – capilaridade de 68% das prefeituras, atingida por meio de uma parceria destinada a repassar dinheiro para a ditadura cubana.

O programa, porém, foi apenas tema de propagandas no horário eleitoral na TV, sem grande repercussão a favor ou contra Padilha, ainda que São Paulo tenha recebido o maior contingente – 2.187 profissionais. A suposta desatenção de sete em cada dez eleitores, porém, não impediu que a rejeição de Padilha batesse a casa de 36% na última pesquisa Datafolha.

Segundo aliados, também faltou ao candidato uma articulação fina com o comitê de Dilma em São Paulo. A primeira evidência ocorreu em junho, quando a presidente faltou à Convenção Estadual que homologou a candidatura de Padilha. Alegando estar gripada, Dilma só gravou de última hora uma mensagem em vídeo exibida nos telões do Ginásio do Canindé.

Padilha cumpriu agenda distinta – e distante – da presidente em pelo menos mais quatro atos de grande exposição de Dilma no Estado: caminhada em Campinas e em São Bernardo do Campo, visita à Assembleia de Deus Ministério do Brás e um comício em Jales (promovido pelo PMDB com a presença de Skaf).

Em outros três encontros de Dilma – com centrais sindicais, mulheres e taxistas –, Padilha compareceu, mas não teve destaque no palanque. O Palácio do Planalto hesitou em privilegiar a campanha do petista, já que a presidente dizia ter “dois candidatos” na disputa paulista (Padilha e Skaf), o que considerava uma fórmula para derrotar o tucanato.

Mas Skaf evitou se associar a Dilma por causa da rejeição da presidente, que chegou a 47% entre o eleitorado paulista. Só nesta semana, Dilma apareceu em depoimentos do programa de TV de Padilha – e defendendo investimentos do governo federal no Estado.

Foto: - Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (d), durante ato político acompanhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Santo André, no Grande ABC (SP)

DÍVIDA

Coordenador da campanha de Dilma no Estado, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), reconheceu mais um complicador na campanha estadual: a falta de dinheiro, que represou a produção de material de campanha, como cavaletes, bandeiras e adesivos. Uma das críticas é que Padilha gastou demais na fase da pré-campanha, quando percorreu 126 cidades no interior, de ônibus e avião. Além da ínfima repercussão, o candidato e o PT acabaram multados em 50.000 reais por propaganda antecipada com as caravanas.

Os gastos com a empresa Sales Táxi Aéreo durante a campanha, mais um item de valor elevado, ainda não foram declarados, correspondentes aos voos num bimotor turbohélice King Air B200, para oito passageiros. "A escassez de recursos, como nunca visto em campanha eleitoral, fez com que o nível de campanha de Padilha, a intensidade, fosse muito sofrível no começo", disse Marinho na semana passada.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, Padilha arrecadou 4,1 milhões de reais, mas gastou 35 milhões de reais – um rombo de 30,9 milhões de reais numa conta parcial até agosto. No mês passado, as equipes de comunicação e marketing, que consumiram cerca de 27 milhões de reais do borderô de campanha, chegaram a ser temporariamente reduzidas por causa de atrasos nos pagamentos.

Padilha investiu pesado em transmissões na internet ao vivo das agendas de campanha, o que demandou uma equipe paralela dedicada a web e redes sociais. Como ficou empacado no terceiro lugar e com previsão de arrecadação baixa em setembro, o comitê passou a concentrar a campanha nos maiores colégios eleitorais, ou seja, nas regiões metropolitanas da capital paulista, de Campinas e da Baixada Santista, onde o PT costuma obter melhor desempenho nas urnas. A coordenação pediu empenho total até ao senador Eduardo Suplicy, que se tornou um fiel acompanhante de Padilha, a ponto de protagonizar uma cena símbolo da campanha: carregou o ex-ministro nas costas durante uma caminhada.

A estratégia de priorizar os grandes centros urbanos também visa a dar a Padilha uma identidade maior com o eleitorado que passou a votar no PT a partir da primeira eleição de Lula – aqueles 30% de votos válidos dos paulistas. Nas últimas semanas, Padilha endureceu o discurso e buscou polarizar com Alckmin – estratégia usada desde o início da campanha por Skaf. Com jeito bonachão, fala mansa e ainda sem muita familiaridade com as câmeras, Padilha começou a campanha com um discurso que soou tímido e tentava atrair eleitores mais conservadores: foi apresentado como "bom moço" e "esperança da família". O estilo levou Lula a taxá-lo como o petista com mais "cara de tucano".

Ele fez questão de exacerbar a religiosidade, citando Deus e a Bíblia na TV e em entrevistas. Sempre apareceu em público ao lado da mulher, a jornalista e ex-assessora de imprensa Thássia Alves, o que provocou uma série de críticas no comitê, principalmente dos deputados que buscavam aparecer ao lado dele. Os políticos reclamavam que a candidata a primeira-dama aparecia demais e dispersava a atenção ao candidato.

Thássia se afastou dos palanques ao longo da campanha. Na quarta-feira, o ex-presidente Lula mostrou que a reclamação chegou até seus ouvidos, e que o desconhecimento de Padilha, de fato, ainda preocupa. Durante comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, orientou cabos eleitorais e militantes petistas para a ordem de votação nas urnas no dia 5 de outubro e pediu que confirmassem o voto só quando reconhecessem o rosto de Padilha: "Olhem a cara dele para vocês não esquecerem. A mulher dele não vai aparecer junto, é só ele".

Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com/VEJA

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha faz caminhada na região central da capital paulista

ÂNCORA

O fraco desempenho surpreende também porque ele sempre se mostrou à vontade entre militantes, andando nas ruas, pulando e cantando gritos e saudações típicas do partido durante caminhadas com juventude. O jeito "boa praça" agradou os militantes, mas não emplacou na TV. O prefeito Fernando Haddad, que não tinha a mesma desenvoltura entre cabos eleitorais e militantes nas eleições de 2012, apresentou um discurso mais claro e objetivo, contrapondo-se como um candidato "novo" contra o tucano José Serra e o fenômeno Celso Russomanno (PRB).

Pouco adepto a reuniões partidárias, Haddad demorou a aderir à campanha de Padilha porque durante a maior parte do pleito ostentou baixíssima popularidade: chegou a ser aprovado por apenas 15% dos paulistanos, e sua gestão, reprovada por 47%. Depois de ter sido cobrado por Lula, Haddad apareceu na TV pela primeira vez nesta semana pedindo votos para a chapa de deputados do PT.

A entrada de Haddad na campanha coincide com sua recuperação de popularidade, agora na casa dos 22%. A reprovação de sua administração diminuiu para 28% após a inauguração de ciclovias na cidade. A campanha de Padilha também mandou rodar um panfleto distribuído nas ruas com promessas de campanha de Haddad já atingidas – ainda que nem todas tenham sido de fato cumpridas como aparece no panfleto. A assinatura é da coligação PT-PCdoB-PR, embora não atenda as exigências da Lei Eleitoral: não há CNPJ registrado, tampouco a tiragem.

Para o PT, a cara campanha de Padilha – ao menos 35 milhões de reais declarados à Justiça Eleitoral até agora – serviu apenas para tirar Haddad do buraco.


O DESEMPENHO DOS CANDIDATOS DO PT AO GOVERNO DE SÃO PAULO

1982 - Luiz Inácio Lula da Silva ficou em 4º lugar com 1.144.648 votos (9.87% dos votos válidos)
1986 - Eduardo Suplicy ficou em 4º lugar com 1.508.589 votos (9.76% dos votos válidos)
1990 - Plínio de Arruda Sampaio ficou em 4º lugar com 1.636.058 votos (9.55% dos votos válidos)
1986 - Eduardo Suplicy ficou em 4º lugar com 1.508.589 votos -9.76% dos votos válidos
1994 - José Dirceu ficou em 3º lugar com 2.085.190 votos -11.32%dos votos válidos)
1998 - Marta Suplicy ficou em 3º lugar com 3.738.750 votos (22.51% dos votos válidos)
2002 - José Genoino ficou em 2º lugar com 6.361.747 votos (32.45% dos votos válidos)
2006 - Aloizio Mercadante ficou em 2º lugar com 6.771.582 votos (31.61% dos votos válidos)
2010 - Aloizio Mercadante ficou em 2º lugar com 8.016.866 votos (35.21% dos votos válidos).


Fonte: Fundação Seade.

23 de set. de 2014

Deputada Federal, filha do ex-deputado Pedro Correia, nomeou amante do doleiro Youssef para sua assessoria

BRASIL - Corrupção
Deputada Federal, filha do ex-deputado Pedro Correia, nomeou amante do doleiro Youssef para sua assessoria
A nomeada, Taiana de Sousa Camargo, ganhava mas nem precisava dar expediente em Brasília: “trabalhava” em São Paulo, onde Youssef vivia até ser preso pela Polícia Federal, como um dos procurados pela Operação Lava Jato

Foto: Agência Câmara

Deputada Aline Correa é amiga do doleiro Youssef

Postado por Toinho de Passira
Texto de ……………. …
Fontes: Diário do Podere, Veja, Diario de Pernambuco, Estadão

A deputada Aline Corrêa (PP-SP), filha do ex-deputado mensaleiro e presidiário Pedro Corrêa, nomeou como assessora parlamentar uma amante do doleiro Alberto Youssef, segundo reportagem de Andreza Matais para o jornal O Estado de S. Paulo.

E nem precisava dar expediente em Brasília: “trabalhava” em São Paulo, onde Youssef vivia até ser preso pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato.

A quebra do sigilo telefônico de Youssef pela CPI mista da Petrobrás revelou a proximidade da ex-assessora parlamentar com o doleiro. Entre 2010 e 2013 há o registro de 10.222 telefonemas entre os dois, uma média de sete contatos por dia.

”Nós tínhamos uma relação extraconjugal. Então, namorado conversa muito mesmo”, diz Taiana.

A nomeada, Taiana de Sousa Camargo, confirma que foi apresentada à deputada por Youssef:

”Ele me apresentou e pediu que me arrumasse um emprego. O Alberto era amigo do pai da deputada, conhecia toda a família”.

Ela ganhava R$ 1.690 por mês entre 2010 e 2013. A deputada amiga do megadoleiro recebeu R$ 350 mil de doação na sua campanha de 2010 a partir de uma solicitação de Youssef, preso acusado de vários crimes, entre eles um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás.

Taiana foi intimada a depor no inquérito da Lava Jato, mas a data ainda não foi agendada.

No processo consta que ela ganhou dois apartamentos em bairros nobres de São Paulo e três restaurantes de presente para ela. Taiana afirmou que ganhou os bens de presente. A quebra de sigilo telefônico de Youssef também mostra mais de três mil conversas do doleiro com sua mulher, Joana Darc Fernandes Youssef. Entre 2010 e 2013 foram 3.247 chamadas.

Foto: Arquivo

Ex-deputado Pedro Correa chegando a Penitenciária de Canhotinho, PE, para cumprir pena,
usando um casaco para não deixar as algemas visiveis.

Pedro Correa, o ex-deputado, pai da deputada Aline Correa, presidia o PP e tinha o mandato de deputado federal por Pernambuco, quando se descobriu que era um dos líderes mensaleiros da legenda. Autorizou um ex-assessor do partido, João Cláudio Genu a sacar 700.000 reais das contas de Marcos Valério.e tinha o mandato de deputado federal por Pernambuco, e tinha o mandato de deputado federal por Pernambuco.

Foi cassado pela Câmara Federal, em 2005. No auge da crise, afastou-se do comando do PP, mas foi reconduzido à executiva nacional da legenda. Ainda não recuperou seus direitos políticos, mas conseguiu eleger a filha, Aline Corrêa, deputada federal, com a ajuda do seu grande amigo e parceiro, o ficha suja Paulo Salim Maluf.

Durante o julgamento do mensalão, em setembro de 2012, foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Pelos crimes, recebeu pena de 7 anos e 2 meses de prisão, além de multa no valor de 1,13 milhão de reais. Teve a prisão decretada em 5 de dezembro de 2013, e se entregou à Polícia Federal no mesmo dia. Está preso na penitenciária de Canhotinho, interior de Pernambuco e exerce a função de médico, na condição de prisioneiro do semi-aberto, no interior da própria penitenciária.

4 de set. de 2014

Paulo Maluf se diz envaidecido com título de "Senhor Propina" concedido pela Transparência internacional

BRASIL -
Paulo Maluf se diz envaidecido com título de "Senhor Propina" concedido pela Transparência internacional
Nem mesmo a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que o considerou inelegível e a alcunha de “Senhor Propina”, dada a ele pela Transparência Internacional, na terça-feira, na Suíça, tiraram o humor do ex-prefeito de São Paulo, em plena campanha política, no dia do seu aniversário

Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

Maluf elogiou a presidente Dilma Rousseff e disse que admira o PT porque tornou-se um partido de "centro para centro-direita"."Eu me sinto comunista perto do PT de hoje", afirmou.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de São Paulo, O Globo, Blog do Reinaldo Azevedo

Na semana em que teve sua candidatura impugnada pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), baseada na Lei da Ficha Limpa o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) realizou uma carreata nesta quarta-feira (3) com direito a fogos de artifício, chuva de papel picado e carro de som na zona leste da capital paulista.

Maluf virou garoto propagada mundial da corrupção, ao ser citada como "Mr. Kickback" –ou "Sr. Propina", – em uma campanha mundial contra corrupção, lançada nesta terça-feira (2) pela organização não governamental suíça Transparência Internacional.

Imagem Reprodução

No cartaz da campanha da Transparência Internacional contra corrupção, Paulo Maluf destacadamente citado como exemplo negativo, é chamado de "Mr. Kickback" ("Sr. Propina")

Com ordem de prisão decretada pela justiça americana, na lista de procurados pela Interpol, a policia Internacional, Paulo Maluf, 83 anos, completados ontem, parece não se abalar, com nada, sempre confiado nas brechas da justiça, para continuar impune e politicamente poderoso no Brasil.

Perguntado pelos jornalistas sobre a fama mundial de corrupto, afirmou que fica até "envaidecido de estar importunando uma entidade europeia."

"De uma certa maneira, eu fico até envaidecido de estar importunando uma ONG na Europa. Eu pensava que só importunava picaretas brasileiros, mas agora eu vejo que importuno picareta da Suíça", disse.

De acordo com ele, membros da organização suíça estariam sendo processados por "coisas indecorosas". "Eu recebi uma informação de que dois diretores deles estão sendo processados por coisas indecorosas. Eu não me incomodo com isso", afirmou Maluf, que disse também ficar "envaidecido" de ver seu "trabalho dar coceira em pessoas que vivem na Europa".

Na campanha intitulada "Desmascare a Corrupção", que tem como objetivo pressionar o governo suíço a mudar a legislação sobre sigilo bancário no país, Maluf é acusado de ter desviado US$344 milhões (ou o equivalente a R$ 770 milhões) durante seu mandato como prefeito de São Paulo (1993-1997). O ex-prefeito sempre negou as acusações de corrupção.

Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

“Parabéns! Parabéns! Hoje é o seu dia e que dia mais feliz”. Ao som da rainha dos baixinhos Xuxa, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) comemorou o seu octogésimo terceiro aniversário numa carreata pela ruas da Zona Leste de São Paulo.

ANIVERSÁRIO

No dia do seu aniversário, ontem, 03, o parlamentar comemorou seus 83 anos, fazendo uma carreata, em campanha para mais um mandato de Deputado Federal, num carro de som com o logotipo "Loucuras de Amor".

Sua chegada de Maluf no ponto de encontro para o início da carreata, foi tocada a música "Parabéns da Xuxa".

Na carreata, o deputado federal acenou e mandou beijos para eleitores que caminhavam na rua. O trajeto de cerca de duas horas ocorreu sob um dos jingles mais famosos de suas campanhas eleitorais: "São Paulo é Paulo, porque Paulo é trabalhador", diz o refrão.

Segundo a Folha de S. Paulo, alguns eleitores, entretanto, estranharam a campanha de rua. "Ele não estava sendo processado pela Interpol? Ele está aí e ninguém acha ele?", indagou o publicitário Alexandre Mota, 48 anos, que passava pela região no momento da carreta.

O candidato à reeleição disse que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral contra a impugnação de sua candidatura. De acordo com ele, não há dúvida de que a Justiça Eleitoral manterá sua candidatura.

"Decisão da Justiça a gente cumpre. Mas foi 4 a 3, houve uma divisão. Nós vamos recorrer e já há jurisprudência sobre esse assunto", afirmou.

Por 4 votos a 3, venceu o entendimento de que a condenação de Maluf no caso de superfaturamento na construção do túnel Ayrton Senna, quando ele era prefeito de São Paulo, o enquadra no artigo da Ficha Limpa que trata da inelegibilidade por improbidade administrativa.

MARINA

Depois de ser comparada pelo PT aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, Maluf disse que o discurso da presidenciável Marina Silva (PSB) lembra o de presidentes do regime militar, como Ernesto Geisel e Emílio Médici.

"Dizer que vai governar sozinha? Quem sabe [Adolf] Hitler, [Benito] Mussolini ou [Joseph] Stalin poderiam falar isso. Aqui, com a mídia livre, não pode acontecer", disse, ressaltando que não vê condições administrativas e politicas para que ela governe.

O ex-prefeito de São Paulo também elogiou a presidente Dilma Rousseff e disse que admira o PT porque tornou-se um partido de "centro para centro-direita".

"Eu me sinto comunista perto do PT de hoje", afirmou.

Como presente de aniversário, ele disse que deseja que o Brasil volte a crescer 10% ao ano. Na semana passada, o IBGE anunciou que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses deste ano.

TESÃO

O ex-prefeito de São Paulo não quis se alongar em comentários sobre declaração do candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf, de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não tem "tesão" para governar. Perguntado se aos 83 anos teria "tesão" para mais um mandato, fez piada.

"Não vou comentar, mas não preciso, aos 83 anos, de certos instrumentos que muitos jovens fazem uso hoje em dia", finalizou, entre risos.

28 de mai. de 2014

Deputado do PT que participou de reunião com PCC em que se planejavam ataques a ônibus vai discursar hoje. E com o apoio do partido! Faz sentido!

BRASIL - Escândalo
Deputado do PT que participou de reunião com PCC em que se planejavam ataques a ônibus vai discursar hoje. E com o apoio do partido! Faz sentido!
Luiz Moura (PT-SP),deputado estadual, que deverá ir a tribuna proclamar inocência, tem uma biografia controversa, foi condenado a 12 anos de cadeia por vários assaltos a mão armada. Não cumpriu pena porque fugiu e foragido permaneceu por mais de dez anos. Em 2005, assinou, uma declaração de pobreza, cinco anos depois, na disputa eleitoral de 2010, já declarava bens superiores a R$ 5 milhões!!!???

Foto: Veja

Luiz Moura, do PT, deputado estadual em São Paulo (cima), deve discursar hoje na Assembleia Legislativa. Ele vai tentar explicar o que fazia numa reunião com membros do PCC, o partido do crime.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Refresco a memória de vocês. Em março, no auge dos incêndios a ônibus na capital, a Polícia Civil estourou uma reunião que acontecia na sede da Transcooper, uma cooperativa de vans e micro-ônibus, em que se planejavam justamente os ataques. Lá estavam, acreditem!, 13 membros do PCC. E quem mais participava do encontro? Ninguém menos do que Luiz Moura, que é presidente de honra da Transcooper.

Atenção, queridos leitores! Em três anos, essa cooperativa faturou, em contratos com a Prefeitura, R$ 1,8 bilhão. Sim, vocês leram direito: um bilhão e oitocentos milhões de reais! Há muito tempo a polícia investiga a infiltração do PCC no sistema de transportes da cidade. Só para registro: as dezenas de ônibus incendiados pertenciam, invariavelmente, às empresas privadas; nunca às cooperativas.

Luiz Moura é irmão do vereador Senival Moura, também do PT e igualmente ligado a associação de perueiros. Ambos são considerados subordinados políticos do secretário dos Transportes da cidade, o deputado federal petista licenciado Jilmar Tatto — aquele senhor que, durante greve recente de motoristas de ônibus, preferiu criticar a Polícia Militar. Tatto, ora vejam!, no papel ao menos, doou, sozinho, R$ 201 mil para a campanha de Moura, o homem que estava na reunião com o PCC. Entendo. Tatto prefere atacar outra sigla: a PM!

Foto: Veja

Jilmar Tatto, secretário de Fernando Haddad e chefe político de Moura

E o que vai dizer o deputado? Petista não é exatamente criativo em situações assim: vai jurar de pés juntos que não sabia que aqueles com quem se reunia eram membros da facção criminosa. Eles nunca sabem de nada. Os termos do discurso foram combinados numa reunião com a bancada petista nesta terça. O partido criou uma comissão interna para analisar o seu caso. Depois que a reunião veio a público, Tatto, o chefe político de Moura, preferiu silenciar.

Moura tem um biografia controversa. Foi condenado a 12 anos de cadeia por vários assaltos a mão armada. Não cumpriu pena porque fugiu e foragido permaneceu por mais de dez anos. Ao sair dessa forma particular de clandestinidade, solicitou e obteve o perdão judicial. Em 2005, assinou, imaginem, uma declaração de pobreza.


Atestado de pobreza Moura

Cinco anos depois, na disputa eleitoral de 2010, já declarava bens superiores a R$ 5 milhões. Em 2012, disputou a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. Nesse caso, seus bens eram de pouco mais de R$ 1 milhão. Qual vale? Não sei. Bens Luiz Moura




As duas declarações de bens: a de 2010, acima, e a de 2012, no alto


Prestação de contas na Assembléia: enche o tanque no seu próprio posto de gasolina

Na Assembleia, Moura é dado a praticas heterodoxas. Apresentou, por exemplo, o recibo de compra de combustível a que tem direito. O fornecedor, ora vejam!, é um posto de gasolina de que ele próprio é sócio.

Foto: Veja

Padilha discursa animadaço na festa de aniversário do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Não é uma figura pequena no partido, não! Tanto é assim que, na festança de seu aniversário, a etrela foi ninguém menos do que Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. O vereador Jair Tatto, irmão do Jilmar, também estava lá. Compreensível! Não é todo diz que se tem a chance de prestigiar o presidente de honra de uma cooperativa que fatura R$ 1,8 bilhão em três anos em contratos com a Prefeitura. Padilha deve ser saber o que faz e por quê.

O PT, como sempre, está dando a maior força a um de seus pilares morais. Quem pode negar que isso faz sentido?


*Acrescentamos subtítulo à publicação original

19 de mai. de 2014

Banheiro químico usado na Virada Cultural em São Paulo permite xixi masculino ao ar livre

BRASIL - Invenção
Banheiro químico usado na Virada Cultural em
São Paulo permite xixi masculino ao ar livre
Será que a novidade vai pegar? O problema é a balançadinha explícita e os descuidos masculinos ao deixar a cancela aberta.

Foto: Anderson Prado/Folhapress

Homens usam os novos modelos de mictórios durante a Virada Cultural.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Folha de São P)aulo

A grade novidades adotada em São Paulo durante a Virada Cultural neste fim de semana, foram os banheiros químicos diferentes que permitiram que homens apertados fizessem as necessidades olhando a paisagem, e não cercados por portas plásticas de mictórios, nem sempre com odor suportável.

Como se pode ver na imagem, trata-se de uma cabine de polietileno com apenas uma espécie de cancela que "esconde" a visão da cintura. A região das nádegas fica protegida dos olhares, embora o restante do corpo fique à mostra.

Mulheres lançaram olhares curiosos aos que descarregavam os litros de cerveja sob frondosas árvores do parque, na frente de todos.

Segundo o jornalista Giba Bergamim Jr., que reportou a novidade para a Folha de São Paulo, “quem usou, gostou. "Achei muito confortável. O banheiro químico fechado é mais disputado, às vezes fica fila e demora mais. Já esse aqui não é todo mundo que usa", disse o costureiro Renê Zenteno, 42, que aproveitou os shows da Virada no sábado.

Integrantes de um grupo de pagode, os amigos Pedro Tadeu, 26, Victor Vilas Boas, 21, e Luiz Miguel, 29, não só aprovaram a ideia como fotografaram uns aos outros na hora do xixi. "É engraçado, todo mundo vê, mas é prático", disse Tadeu.

O site da fabricante Fla-Con diz que a cabine é uma solução para o problema do xixi nas ruas no Carnaval. Com a adoção dos novos modelos em eventos, os banheiros químicos fechados se destinarão apenas a mulheres, e a homens que necessitem fazer o número dois.

21 de jan. de 2014

Marta Suplicy, ao ser condenada, mais uma vez, por improbidade administrativa, ameaça trono de Maluf

BRASIL - Corrupção
Marta Suplicy, ao ser condenada, mais uma vez, por improbidade administrativa, ameaça trono de Maluf
Marta Suplicy, está cada vez mais, perto de alcançar, Paulo Maluf, até então considerado imbatível, como o político mais condenado do país. Na última decisão, o juiz disse que os documentos apresentados no processo, comprovam que houve “contratação ilícita” e favorecimento da entidade, contratada, ou seja, sem licitação Marta repassou quase 400 mil, para uma ONG, da qual ela é (era) sócia-fundadora. Marta, atualmente a frente do Ministério da Cultura, administra um orçamento que beirou os 400 milhões em 2013.

Foto: Marcos De Paula/AE

Procurada para comentar a condenação Marta não conseguiu esboçar qualquer emoção: havia acabado de injetar sua dose diária de toxina botulínica tipo A, também conhecida com botox

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Ministério da Cultura, Época, Estadão, Estadão

A ex-prefeita de São Paulo, senadora licenciada e atual ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP), foi condenada, no início do mês, por improbidade administrativa pela Justiça de São Paulo por atos à frente da Prefeitura de São Paulo, capital, no período de 2001 a 2005, por decisão do juiz Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho, da 1ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista.

Além da suspensão dos seus direitos políticos por três anos, Marta Suplicy foi condenada ainda a pagar multa no valor de cinco vezes o que ela recebia de remuneração no período em que foi prefeita.

Da decisão ainda cabe recurso, o advogado da petista, Pedro Estevam Serrano, disse que irá. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Marta Suplicy contratou sem licitação, em 2002, a organização não-governamental GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual) para desenvolver ações sobre planejamento familiar, métodos contraceptivos e sexualidade para os moradores das subprefeituras de Cidade Ademar e Cidade Tiradentes, ambas na Zona Leste de São Paulo.

VELHOS ALIADOS - Em 2004, Marta recebendo apoio de Maluf para reeleição de Prefeita de São Paulo
A secretária municipal da Educação na gestão de Marta Suplicy, Maria Aparecida Perez, também teve seus direitos políticos cassados por três anos e ainda terá de pagar multa equivalente a cinco vezes o salário dela na época.

A ONG, Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual, também foi condenada a pagar multa no valor de 10% do contrato original firmado com a administração, de R$ 372.119,19 na época, o qual deve ser atualizado segundo os índices oficiais acrescido de juros moratórios contados da última citação realizada nos autos do processo. E foi proibida de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócia majoritária, pelo prazo de três anos.

Em sua decisão, o juiz afirma que os documentos apresentados comprovam que a “contratação ilícita levou ao favorecimento da entidade, que, em sua origem, teve relações estreitas com a chefe do Executivo local”. Marta Suplicy foi sócia-fundadora da ONG. Da para desconfiar que parte desse dinheiro tenha sido desviado para o patrimônio da sócia fundadora famosa.

“Nestes termos, verifica-se que o gestor desviou-se de seu dever de imparcialidade, praticando conduta voluntária e consciente, favorável à entidade com que há pouco mantinha estreita relação funcional, não se resguardando quanto à licitude objetiva do processo de escolha do prestador de serviço, para o que era imprescindível, no mínimo, a consulta de preços dirigida a demais agentes aptos à atividade contratada”, completa a decisão judicial.

A condenação é mais um embaraço na biografia política de Marta Suplicy, que como, praticamente todos os integrantes do Partido dos Trabalhadores, quando empossados em cargos executivos, agem como se os cofres públicos fossem da mãe Joana.

Claro que essa condenação terá sua aplicação protelada e não afetará a vida politica da petista, que continuará Ministra do Governo Dilma, como se nada tivesse acontecido, tendo no ano passado, administrado á sua maneira, o orçamento de R$ 368 milhões, do Ministério da Cultura.

Se a primeira sentença levou quase oito aos para ser proferida, imaginem o quanto vai demorar para que os tribunais superiores se pronunciem a respeito.

A semelhança dos crimes durante a condução da gestão municipal e a tática de protelar a aplicação das condenações, faz Marta Suplicy, cada vez mais próxima de Paulo Maluf, como se fora uma versão de saias do corrupto mais famoso do Brasil. Já está na hora de se reconhecer o brilho próprio de Marta, que já está a ameaçar o trono de Maluf.

No próximo mês de março Marta Suplicy tentará esconder que completará 69 anos de idade, antes que complete 85 esse processo não terá uma sentença definitiva, e pode ser até arquivado, antes disso, devido à longevidade da ré, irrecorrivelmente condenada à velhice.

13 de jan. de 2014

São Paulo: Apartheid no shopping?

BRASIL - Olhar estrangeiro
São Paulo: Apartheid no shopping?
Correspondente do jornal espanhol "El País" comenta os rolezinhos, movimentos de jovens convocados pelas redes sociais para se reunirem nos shoppings, sob o ponto de vista que a reação está gerando uma discriminação social, após a justiça de São Paulo permitir que seis centros comerciais façam triagem dos clientes para evitar os tais 'rolezinhos' de jovens da periferia

Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São Paulo

Ao menos 11 jovens foram detidos e levados para delegacia neste sábado (11), após rolezinho no shopping Itaquera.

Postado por Toinho de Passira
Texto de María Martín
Fonte: El Pais

Seis shoppings do Estado de São Paulo conseguiram ontem o apoio da Justiça para bloquear suas portas automáticas para que policiais e seguranças privados identificassem a quem quisesse entrar. O alvo da discriminação: menores desacompanhados, de baixa renda. Esse é o perfil de quem está colocando em xeque vários centros comerciais do Estado com os chamados rolezinhos, encontros multitudinários de jovens, convocados pelas redes sociais que, mesmo sem intenção de delinquir, incomodam clientes e lojistas.

Não é a primeira vez que os shoppings reforçam a segurança e identificam quem não se encaixa no perfil do consumidor padrão, mas a liminar (decisão provisória) do juiz proibia e previa uma multa de 10.000 reais a quem participasse desse tipo de manifestação convocada ontem em quatro centros comerciais do Estado. No shopping JK Iguatemi, situado na cobiçada avenida Brigadeiro Faria Lima, os seguranças chegaram a barrar a entrada de funcionários, jovens que não tinham cara de compradores de um dos shoppings mais caros da cidade.

A convocatória do rolê, com 2.500 pessoas confirmadas no Facebook, se diluiu mesmo antes de começar –a foto da liminar colada na entrada do shopping se espalhou pelas redes sociais antes do evento-, mas houve confronto entre jovens e policiais no centro comercial Metrô Itaquera, onde foi registrado em 7 de dezembro o primeiro episódio do fenômeno, com cerca de 6.000 participantes. A polícia, que estimou que ontem se reuniram cerca de 1.000 adolescentes, agiu com violência para dispersar a multidão. Clientes do estabelecimento registraram dois boletins de ocorrência por roubo e tumulto. Três adolescentes foram presos, mas dois deles já foram liberados, segundo a polícia.

As convocações desses jovens, público visto com desconfiança pelas famílias brancas de classe média-alta que preferem passar a tarde nestes estabelecimentos blindados por seguranças ao lazer na rua, tem marcado o Natal em São Paulo. O rolê de 15 de dezembro no shopping de Guarulhos acabou com 23 presos, que foram liberados pouco depois. Não foram acusados de portar drogas nem de roubo. Houve outras convocatórias como a de 4 de janeiro no Shopping Metrô Tucuruvi, na zona norte, onde a participação de cerca de 400 jovens, segundo a PM, levou aos lojistas a fechar suas portas três horas mais cedo, mesmo sem sinal de tumulto.

O fenômeno dos rolezinhos, com características similares aos chamados flash mobs (concentrações espontâneas de pessoas convocadas pelas redes sociais em um determinado espaço para realizar uma mesma ação) tem, como tantos outros na pauta do país, dividido a sociedade brasileira. Houve quem associasse a liminar dos shoppings ao apartheid. Esses são os que defendem que esses adolescentes da periferia, na maioria negros que beiram o salário mínimo (724 reais), estão colocando o foco na desigualdade entre classes, na opressão, incomodando os mais ricos que procuram nos shoppings consumir com segurança longe da realidade dos moleques. Do outro lado desse debate, estão os que os chamam de vândalos, defensores do espaço privado, ameaçados por um movimento sem lemas e sem objetivos claros que não entendem, e que acreditam que toda essa energia e capacidade de convocação podem ser investidos em outras áreas: desde participar de protestos mais articulados, como os de junho passado, até a procurar empregos.
*Alteramos títtulo, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

14 de dez. de 2013

A segunda morte de Juscelino Kubitschek

BRASIL - Bizarro
A segunda morte de Juscelino Kubitschek
A Comissão da Verdade da Câmara de São Paulo quer que o País troque a polêmica versão do acidente que matou o ex-presidente por uma implausível hipótese de assassinato político sem comprovação


ACIDENTE OU CONSPIRAÇÃO? - O carro em que o ex-presidente Juscelino Kubitschek viajava, destruído na via Dutra, em 1976

Postado por Toinho de Passira
Texto de Alan Rodrigues
Fonte: IstoÉ

Guimarães Rosa tinha uma frase impecável para expressar a sua relação cética, mas enxerida, com os mistérios do mundo: “Não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”. Uma interpretação linear dessa frase do escritor mineiro parece ter inspirado a Comissão da Verdade da Câmara de Vereadores de São Paulo em sua investigação sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Passados 37 anos da tragédia, os vereadores produziram um relatório que se proclama conclusivo: “A Comissão declara o assassínio de Juscelino Kubitschek de Oliveira, vítima de conspiração, complô e atentado político”. O calhamaço montado pelos vereadores paulistanos junta, segundo eles, “90 indícios, provas, testemunhos, controvérsias e questionamentos” para chegar à conclusão de que houve o crime. A leitura da papelada mostra, porém, que ali há realmente quase tudo isso. Exceto “provas”.

O que a Comissão Municipal da Verdade está sugerindo é que o País troque a plausível (embora mal documentada) versão de um acidente automobilístico pela inverossímil hipótese de um assassinato político que ainda carece de provas. Embora a remodelação incerta não ofereça nenhuma vantagem para a história brasileira, ela faz barulho por carregar a atração fácil das teorias conspiratórias.

Os historiadores registram que JK viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro ao anoitecer do domingo 22 de agosto de 1976. Ia ao encontro da bela Lúcia Pedroso, uma paixão semissecreta que havia 28 anos entrara em sua vida e o ajudava a suportar o “irrespirável” ambiente doméstico, como anotou em seu diário. Ele ia no banco de trás do Opala dirigido por Geraldo Ribeiro, que JK chamava de Platão, seu motorista por mais de três décadas. Na curva do quilômetro 165 da via Dutra, o Opala ultrapassou, indevidamente pela direita, um ônibus da Viação Cometa que acabou tocando-o na traseira esquerda. Desgovernado, o automóvel atravessou a pista e colidiu com uma carreta Scania-Vabis de 12 rodas que trafegava em sentido contrário. O carro foi arrastado por 30 metros, ficou destruído e seus passageiros estavam irreconhecíveis.


DEFINITIVOS - Vereadores de São Paulo levantam contradições da versão oficial, mas não apresentam provas de crime

A Comissão Municipal da Verdade propõe um cenário distinto. Levantando contradições em perícias, testemunhos controversos, elucubrações políticas e doses de pura especulação, joga sobre a fatídica curva da Dutra mais alguns veículos e um magnífico atirador. O carro de JK teria sido perseguido e empurrado por uma Caravan de agentes da ditadura militar brasileira. De dentro da camionete, a 90 quilômetros por hora, o atirador acertou a nuca do motorista Geraldo Ribeiro. Sem controle, o Opala atravessou a pista até ser abalroado pelo caminhão que vinha no sentido oposto. Tudo armado meticulosamente pelo general João Figueiredo, então chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI).

O problema básico da nova hipótese da Comissão Municipal da Verdade tem o tamanho de uma carreta Scania carregada de gesso. A Comissão aponta engodos da versão oficial e tentativas de suborno e intimidação por parte dos militares, arrola testemunhos que negam o choque do Opala de JK com o ônibus da Cometa, ouve gente que vislumbrou Geraldo Ribeiro desabado entre o volante e a porta do carro que cruzava as pistas e apresenta até um perito que diz ter visto um buraco de bala no crânio do motorista de JK. Mesmo que tudo isso se confirme, os membros da Comissão não resolveram um detalhe fundamental para que a tese da conspiração criminosa fique em pé: o Scania. Quem planejaria um assassinato que, para dar certo, dependeria de um caminhão que, trafegando desde o Rio de Janeiro, atingisse a curva do quilômetro 165 da Dutra no local preciso e no momento exato em que um Opala desgovernado estivesse atravessando a pista? Quem seria capaz de prever êxito numa empreitada dessas? Sem a carrreta não haveria morte, o carro de JK poderia ter passado direto para o outro lado da Dutra. E se, em vez do Scania, o Opala tivesse batido num Fusca, talvez Juscelino lastimasse apenas uma perna quebrada. Não havia, afinal, um modo mais simples de cometer um assassinato?



O aparelho de repressão da ditadura militar brasileira não ficou afamado por expertise em inteligência nem ostenta histórico de sofisticação técnica. Sua rotina se resumia basicamente em moer de pancadas os militantes presos e, com auxílio de equipamentos baratos de tortura, arrancar nomes e endereços de encontros. Ações que se pretenderam mais espetaculares acabaram em tragédia e vexame, como no caso do Rio Centro, quando a bomba destinada a aterrorizar uma plateia de estudantes explodiu no colo do sargento que a carregava. Em inúmeros casos já comprovados a repressão também deixou marca de incompetência na armação de cenários destinados a esconder execuções sumárias de adversários. No caso de JK a Comissão Municipal da Verdade apurou vários indícios de que a documentação da tragédia sofreu manipulações e de que houve algum teatrinho. E é com base nesses achados que vereadores se animaram a seguir adiante para afirmar que a causa da morte de JK foi forjada. Circunstâncias que embasam a conclusão, entretanto, também são historicamente imprecisas.

Foto:

Segundo a Comissão, Juscelino Kubitschek, presidente de 1956 a 1961, se articulava para disputar a presidência quando o País retornasse à democracia. E era isso que os militares queriam evitar. Os historiadores mostram, porém, que naquela época Juscelino já não fazia qualquer movimento que pudesse ser chamado de articulação. A ditadura ainda duraria mais nove anos e a última ação política de JK remontaria a 1968, quando ele tentou unir uma frente ampla, destroçada logo depois pelo AI-5. Aos 74 anos, com problemas de saúde, ele achava que não duraria muito. “O construtor de Brasília era um cassado, banido da vida pública havia 12 anos, intimidado por um processo em que a ditadura o acusava de enriquecimento ilícito. Sentia-se exilado em seu próprio País”, relata o jornalista Elio Gaspari em “A Ditadura Encurralada”, um dos quatro livros de sua monumental obra sobre os anos de chumbo. Em 1976, os projetos do ex-presidente eram mais singelos, circunscritos aos 300 alqueires da fazenda em Goiás. Costumava dizer que sua “escala de grandeza” havia se reduzido: “Em lugar de planejar a prosperidade do Brasil, planejo a construção de uma cocheira na fazenda”. O presidente Ernesto Geisel só foi informado sobre a morte de JK um dia depois, na segunda-feira, e reclamou dos assessores. O funeral de JK, oito anos após a edição do AI-5, trouxe o povo de volta às ruas, reunindo três mil pessoas numa passeata pelo Rio e 350 mil nos cortejos em Brasília. “Tanto pedi a Deus que esse homem não morresse no meu governo!”, lastimou Geisel.

Outra peça-chave do relatório da Comissão Municipal da Verdade deriva de inquirições feitas em 1996. Naquele ano, o ex-secretário particular de Juscelino Kubitschek, Serafim Jardim, questionou judicialmente a versão oficial da morte do antigo amigo e conseguiu a abertura de novas investigações. Por determinação da Justiça, o corpo do motorista do presidente, Geraldo Ribeiro, o Platão, foi exumado e a partir daí foi que surgiu uma das principais suspeitas sobre o caso. Um perito em balística, Alberto Carlos de Minas, que acompanhava a exumação, disse ter visto um furo de bala no crânio de Ribeiro. O perito prestou um novo depoimento à Comissão Municipal da Verdade em novembro. “Quando eles tiraram a caixa ossária eu vi o crânio”, disse Minas. “Vi um provável orifício provocado por entrada ou saída de arma de fogo”. O perito alega que “fecharam imediatamente a caixa e não me deixaram fotografar”. O laudo oficial da exumação acabou apontando a presença no crânio do motorista de um “pequeno fragmento metálico de forma cilindro-cônica, medindo sete milímetros de comprimento e diâmetro médio de dois milímetros”. A Secretaria de Segurança de Minas Gerais concluiu que o metal era “fragmento de prego enferrujado e corroído”. O vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da Comissão Municipal da Verdade, se inquieta com essas conclusões: “Prego de caixão vai entrar dentro do crânio de um cadáver? Isso é conto da carochinha. Não sei como o País pode ter acreditado nisso. Vamos pedir uma nova exumação”.

A ideia da nova exumação desagrada Maria de Lourdes Ribeiro, filha do motorista de JK. Advogada, ela diz que não permitirá a exumação, pois considera “primária” a tese do tiro. “Seria mais confortável para mim se eu comungasse com essa tese”, afirma Maria de Lourdes. “Eu até poderia pedir indenização do governo, mas meu pai me ensinou que a mentira prende e a verdade solta. Meu pai não levou um tiro.” Com a posição firme e exemplar da filha de Platão, é bem provável que o relatório da Comissão Municipal da Verdade não tenha o poder de reescrever a história brasileira como pretendia. Pelo menos até que alguém decida patrocinar uma terceira morte de JK.

28 de nov. de 2013

Acidente na Arena do Corinthians faz jornais internacionais questionarem capacidade do Brasil

BRASIL - Copa 2014
Acidente na Arena do Corinthians faz jornais internacionais questionarem capacidade do Brasil
Será que o Brasil está preparado para sediar grandes eventos, Copa do Mundo, Olimpíadas ? – pergunta o jornal britânico Financial Times, diante do acidente em São Paulo que matou dois operários

Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Acidente mortal no Estádio levanta preocupação sobre a Copa do Mundo do Brasil - diz o The New York Times

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Uol, The Guardian, The New York Times, Finacial Times

Vários jornais internacionais nesta quinta-feira deram destaque ao acidente com um guindaste na Arena do Corinthians, em São Paulo, que matou dois operários.

O diário financeiro britânico Financial Times afirma que o incidente "levanta questões sobre a capacidade do Brasil de sediar os dois grandes eventos esportivos para os quais se prepara".

O jornal ressalta que o país "vem lutando" para entregar a infraestrutura necessária para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas e que as construtoras "trabalham contra o relógio" em estádios e aeroportos para que o país fique pronto a tempo.

Acrescenta que o relacionamento do Brasil com a Fifa está "sob pressão" desde os protestos que tomaram as ruas brasileiras durante a Copa das Confederações.

"Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa e as Olimpíadas há alguns anos, esses eventos foram vistos como uma chance para o país exibir sua economia ascendente e o recente crescimento", avalia o FT.

"No entanto, à medida que o crescimento desacelera, (os protestos) se tornaram um foco para ressentimento entre muitos brasileiros, que argumentam que o dinheiro deveria ser gasto em melhorias dos serviços públicos".

Em sua reportagem sobre o acidente de quarta-feira, o americano The New York Times também ressalta a relação entre a organização da Copa e os protestos, afirmando que o alto custo dos estádios fomentou "a ira dos manifestantes e questionamentos sobre as prioridades de uma nação em que escolas e hospitais públicos estão em condições lamentáveis".

O jornal ainda afirma que, com o último incidente, os organizadores da Copa estão agora se questionando sobre a segurança dos funcionários envolvidos em suas "tentativas frenéticas" de finalizar os estádios.

Foto: Reinaldo Canato/UOL

Segundo funcionários, o Corpo de Bombeiros demorou cinco minutos para chegar ao local

'Revés mortal'

Para o jornal britânico The Guardian, o acidente no estádio que vai sediar a abertura da Copa representa um "revés mortal" nas preparações do Mundial.

"O fato de o acidente ter ocorrido a uma semana do sorteio que vai definir os grupos do campeonato reacende preocupações sobre a segurança da infraestrutura e o passo lento das construções dos estádios".

Ainda para o Guardian, o episódio é o último de uma longa lista de atrasos e fatalidades nos projetos de construção da Copa e "é claramente um constrangimento para o Brasil, (a construtora) Odebrecht e outros responsáveis pelo projeto".

O jornal lista outros tropeços nos projetos do Mundial, entre os quais os atrasos na entrega do Maracanã, a suspensão temporária do amistoso entre Brasil e Inglaterra, em maio, devido a riscos para a segurança dos torcedores no entorno do estádio, e o desabamento parcial do teto do estádio Fonte Nova, em Salvador, após fortes chuvas, em abril.

14 de nov. de 2013

Haddad, prefeito de São Paulo, apostou – e perdeu

BRASIL - Corrupção
Haddad, prefeito de São Paulo, apostou – e perdeu
O petista prefeito de São Paulo, o poste de Lula, resolveu declarar guerra a seu antecessor, Gilberto Kassab, um fiel aliado de Dilma, e com isso criou problemas para o PT e para ele mesmo

Foto: Marcello Casal- Jr./ABr

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele desagradou o Planalto e também seu padrinho

Postado por Toinho de Passira
Reportagem Alberto Bombig e Leopoldo Mateus
Fonte: Época

O jogo de roleta e a política têm pelo menos uma coisa em comum: nas duas atividades, os novatos e os experientes se diferenciam de forma clara. Os tarimbados na roleta começam cautelosamente, apostando poucas fichas em muitos números. Quando reúnem um bom cacife, partem para lances mais arriscados. Acuado pelos baixíssimos índices de popularidade – apenas 15% de aprovação, depois de aumentar impostos e ver o caos se instaurar no trânsito com as faixas exclusivas de ônibus – o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), um novato na política, resolveu apostar todas as fichas numa providência arriscada: jogar a culpa no antecessor.

O pretexto para bater em Gilberto Kassab (PSD) foi o escândalo que levou para a cadeia Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardozo de Magalhães, todos funcionários concursados da prefeitura paulista e acusados pelo Ministério Público Estadual de formar uma quadrilha que desviou ao menos R$ 500 milhões dos cofres públicos. Ao comentar a prisão dos fiscais em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Haddad afirmou tratar-se de uma “resposta do Executivo a uma situação de descalabro” herdada da gestão anterior. Questionado sobre quem seria o “prefeito” citado num dos grampos, Haddad respondeu: “Olha... Não é possível desconsiderar que (Ronilson) ocupou um cargo da maior importância na gestão anterior”.

“Ele (Haddad) só esqueceu de olhar para o próprio umbigo, para sua administração, quando a cidade está espantada com o descalabro desse primeiro ano”, bateu forte Kassab, em entrevista à Folha de S.Paulo. O ex-prefeito é citado pelos criminosos em escutas feitas com autorização da Justiça. Ele nega envolvimento com o grupo e diz que a investigação do caso começou ainda em sua gestão, no final do ano passado.

Desde o começo de sua gestão, Haddad se sentia incomodado com o fato de não poder atacar seu antecessor. O PSD de Kassab é um aliado importante de Dilma Rousseff (PT) na luta pela reeleição. Ele somará de dois a três minutos de tempo à propaganda presidencial. Por isso, o comportamento de Haddad desagradou ao governo federal. Em junho, quando a popularidade de Dilma caiu para a casa dos 30% de aprovação, Kassab procurou a presidente para afirmar que não a abandonaria qualquer que fosse o cenário. O Planalto jamais foi contra a investigação na prefeitura de São Paulo. Queria apenas que Kassab, até por ter iniciado a investigação, tivesse recebido outro tratamento por parte dos petistas paulistanos.

Foto: José Cruz/ABr

Kassab reagiu batendo forte.

Kassab deve reafirmar na próxima semana o apoio à reeleição de Dilma Rousseff, com quem conversa regularmente em Brasília e pelo telefone. Além de desagradar a Dilma, a atitude de Haddad irritou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma divergência numa cidade ou num Estado não pode atrapalhar uma aliança nacional. O Kassab está cumprindo aquilo que ele acordou com a presidente vários meses atrás. O problema de São Paulo vai ser resolvido em São Paulo. Fico feliz com o apoio do PSD a Dilma”, afirmou Lula na quarta-feira (13), em Campo Grande (MS).

Além de ter perdido prestígio no Planalto, Haddad viu a investigação do Ministério Público fazer um estrago – e dos grandes – em seu próprio gabinete. Em depoimento ao MP na terça-feira (12), Magalhães afirmou que, entre dezembro de 2011 até o final do ano passado, pagou uma mesada ao vereador Antonio Donato, secretário de governo de Haddad e homem forte do PT na gestão paulistana. Donato, que coordenou a campanha vitoriosa de Haddad, pediu afastamento do cargo na própria terça. Donato nega o teor da acusação e diz que se defenderá na Câmara Municipal. Um dos mais importantes secretários petistas na gestão Haddad afirma que o partido está “estarrecido” com a acusação a Donato. Segundo ele, Donato participou ativamente desde a construção da Controladoria do município, que investiga o caso, e de várias ações da operação que prendeu os acusados. Os petistas, reservadamente, acusam Kassab de ter “armado” essa situação contra Donato, embora o próprio ex-secretário tenha confidenciado a amigos enxergar “fogo amigo” petista no episódio.

O episódio complicou de vez a relação entre Kassab e o PT no âmbito municipal. Ela nunca foi boa e agora se complicou de vez. E por mais que Kassab diga que o episódio se restringe ao plano regional, reafirmando seus votos de fidelidade a Dilma, o PT ainda pode ser prejudicado com a briga. Kassab não é importante para o PT apenas nos planos de reeleição de Dilma. Na estratégia montada por Lula para tentar eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), ao governo de São Paulo, Kassab precisa sair candidato para tirar votos do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). O estrago está feito. E, com ele, Haddad vê seu castelo de fichas desabar aos olhos do crupiê.

Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

A sorte do PT é que Kassab considera Dilma, como se fora sua Momy poderosa