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13 de jan. de 2015

Lula está nas mãos de Dilma- Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
Papeis invertidos: Lula está nas mãos de Dilma.
Ex-presidente depende mais da presidente do que ela dele.Lula quis suceder Dilma a partir deste ano. Dilma não deixou, e se reelegeu. Uma parte do PT, possivelmente a maior, quer Lula candidato à vaga de Dilma na eleição presidencial de 2018. Dependerá outra vez de Dilma.

Foto: Divulgação

Lula chorando o leite derramado?

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Nem sempre o ano novo começa em 1º de janeiro. O ano político de 2015 começou, de fato, ontem, com a entrevista da senadora Martha Suplicy à jornalista Eliane Cantanhede, de O Estado de S. Paulo.

É necessário digeri-la bem para acompanhar a luta surda entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula pelo controle não só do PT como dos seus principais aliados com vistas à eleição de 2018.

Lula quis suceder Dilma a partir deste ano. Dilma não deixou, e se reelegeu. Uma parte do PT, possivelmente a maior, quer Lula candidato à vaga de Dilma na eleição presidencial de 2018. Dependerá outra vez de Dilma.

Na montagem do seu novo governo, ela deu um chega para lá em nomes indicados por Lula ou a ele ligados. Por ora, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, parece contar com a preferência de Dilma para sucedê-la.

Lula a tudo observa sem adiantar suas pretensões.

Lula precisa mais de Dilma do que ela, no momento, precisa dele. Precisa que ela seja bem-sucedida. Se não for, a conta do seu fracasso lhe será debitada. E com razão.

Não foi Lula que inventou a história de Dilma, “a excepcional gestora?” Uma gestora até melhor do que ele? Não foi Lula que pregou: “Votem na mulher”? E não foi a ideia da “mulher de Lula” que atraiu os milhões de votos que em 2010 elegeram Dilma e derrotaram José Serra, do PSDB?

E então? Não bastará que ela governe bem. É preciso também que o apoie.

Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco nos anos 50 do século passado, dizia que “ninguém governa governador”. Ninguém preside presidente. A não ser que ele seja um “banana”.

Dilma pode ser tudo, mas uma banana não é. Foi capaz de se impor a Lula e barrar seus passos no caminho de volta à presidência. Resistiu à pressão de Lula para que mudasse sua equipe econômica no segundo semestre de 2013.

Se tivesse cedido, Lula poderia tê-la atropelado, saindo candidato. Mudou a equipe agora. E escalou quem quis.

Dilma só precisará de Lula se por acaso for mal e enfrentar problemas com as ruas. “Lula está fora, totalmente fora”, comentou Martha. Mas ele ainda é o dono da chave dos movimentos sociais, todos dependentes dos favores do governo.

E é Lula, Dilma não, quem melhor transita entre os partidos que sustentam o governo dentro do Congresso. A insatisfação deles com a repartição de poder feita por Dilma só perde para a do PT lulista.

Se Dilma fracassar, Lula fracassará com ela pela absoluta impossibilidade de se desmarcar de sua criatura. Quem está, portanto, numa sinuca de bico é Lula e não Dilma.

O sucesso dela não será obrigatoriamente o sucesso dele. Mas o fracasso será, sim.

Enquanto isso, Mercadante espreita tudo de perto. E dá-se ao luxo de dizer que seu candidato à vaga de Dilma é Lula. Martha desmente que seja.

Lula acha que Mercadante sequestrou o governo. Martha detesta Mercadante, despreza Dilma e está magoada com o PT.

“Mercadante é inimigo. Rui Falcão, presidente do PT, traiu o partido. E o partido se acovardou ao recusar o debate sobre quem era o melhor [candidato] para o país, mesmo sabendo das limitações de Dilma”, espicaça Martha. “Já no primeiro dia [do segundo governo Dilma] vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos de Lula”.

A senadora sente-se marginalizada dentro de um partido “cada vez mais isolado e que luta apenas pela manutenção do poder”. Pensa em deixá-lo. Talvez em breve.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

24 de nov. de 2014

E a grana da Petrobras? As formigas comeram! - Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
E a grana da Petrobras? As formigas comeram!
Dilma não viu com a antecedência desejável um dos piores negócios feitos pela empresa


A empreiteira Mendes Júnior, por exemplo, recebeu um adicional de R$ 65 milhões pagos pela Petrobras por causa da saúva-preta, que teria atrasado uma obra em 15 dias.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fontes: Blog do Noblat

Há muitas perguntas sobre o escândalo da Petrobras que suplicam por respostas.

A mais óbvia: é possível que Dilma ignorasse o mar de lama capaz de afogar a empresa que ela sempre controlou desde o primeiro governo do presidente Lula?

Pois antes de suceder José Dirceu na chefia da Casa Civil, Dilma foi ministra das Minas e Energia. Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010.

Nada de relevante se faz na Petrobras sem autorização prévia do Conselho.

Ao deixar o Conselho em março de 2010 para concorrer à presidência da República, Dilma comentou que se sentia feliz pelo que fizera.

“É um orgulho passar pelo Conselho de Administração da Petrobras, e maior ainda presidi-lo”, disse. “Você tem uma nova visão do Brasil. Vê a riqueza do Brasil”.

De fato, ela viu. O que não viu, como diria mais tarde, foi por culpa dos outros. Ela é inocente. Completamente.

Não viu com a antecedência desejável um dos piores negócios feitos pela Petrobras – a compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos.

Ela pertencia à empresa belga Astra Oil, que a comprara em 2005 por US$ 42,5 milhões.

Um ano depois, a Petrobras pagou US$ 360 milhões. E só por 50% da refinaria. Três anos depois, pagou mais US$ 639 milhões pelos outros 50%. Demais, não?

Os jornais belgas celebraram a venda da Pasadena à Petrobras como o negócio do século. Para a Astra Oil, é claro.

Dilma alegou no ano passado que se baseara em “informações incompletas” e em um parecer técnico “falho” para aprovar a compra da primeira metade da refinaria.

E nós com isso?

O Procurador Geral da República aceitou a alegação e culpou a diretoria da Petrobras pelo mau negócio. O Tribunal de Contas da União (TCU) também livrou a cara de Dilma.

Foi Lula quem disse que Dilma era melhor gestora do que ele. Imagine!

No dia 29 de setembro de 2009, segundo a edição mais recente da revista VEJA, Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da Petrobras, informou a Dilma por e-mail que o TCU havia recomendado ao Congresso a paralisação das obras das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e de um terminal petrolífero no Espírito Santo.

Esquisito comportamento, o de Paulo Roberto. Por que se dirigiu a Dilma se era subordinado a José Sérgio Gabrielle, presidente da Petrobras?

No dia seguinte, Dilma reclamou de público da determinação do TCU de paralisar obras do governo federal: “É impossível a paralisação. Os custos são grandes”. Lula deu-lhe razão.

Quase quatro meses depois, Lula vetou uma decisão do Congresso que suspendia a execução de quatro obras da Petrobras salpicadas de fortes indícios de corrupção apontados pelo TCU.

Em momento algum, Lula falou em corrupção. Ao justificar seu veto, preferiu se referir vagamente a “pendências”, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

O veto acabou mantido pelo Congresso de folgada e bovina maioria governista.

Graças à decisão de Lula, a Petrobras injetou mais de R$ 13 bilhões nas refinarias de Abreu e Lima e Getúlio Vargas, e em complexos petroquímicos do Rio de Janeiro e de Barra do Riacho, no Espírito Santo.

As quatro obras foram superfaturadas. A de Abreu e Lima começou custando R$ 2 bilhões. Está por R$ 20 bilhões.

Nos governos de Lula e Dilma, a Petrobras virou o maior cliente das empreiteiras cujos donos e principais executivos acabaram presos há 10 dias.

Por sinal, Lula viaja pelo mundo à custa das empreiteiras e na condição de lobista delas.

O TCU calcula que a Petrobras nos últimos quatro anos fechou negócios no valor de R$ 70 bilhões. Desse total, cerca de 60% não dependeram de licitação. De nenhuma licitação. A lei permite que a Petrobras proceda assim.

Um negócio no Espírito Santo, por exemplo, rendeu à empreiteira Mendes Júnior o adicional de R$ 65 milhões pagos pela Petrobras por causa da saúva-preta, uma espécie de formiga em extinção cuja descoberta teria atrasado a obra em 15 dias.

24 de out. de 2014

Doleiro Yousseff promete entregar à Justiça números de contas secretas do PT em paraísos fiscais – Ricardo Noblat

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
Doleiro Yousseff promete entregar à Justiça números
de contas secretas do PT em paraísos fiscais
O PLANALTO SABIA DE TUDO -Youssef disse na "delaçãao premiada" que iria repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam¬panha presidencial de Dilma Rousseff, neste ano, só não o fez por ter sido preso pela Polícia Federal, na “Operação Lava a Jato

Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo

Alberto Youssef, o homem que sabia que "o Planalto sabia de tudo"

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Os trechos mais quentes da reportagem de VEJA deste fim de semana sobre as confissões à Justiça do doleiro Alberto Youssef, um dos cabeças do esquema de corrupção na Petrobras:

— O Planalto sabia de tudo!

— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.

— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

• Na semana passada ele (Yousseff) aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais.

Aos investigadores Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

• Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa¬ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e Paulo Roberto Costa sobre a ampliação dos “serviços”, antes prestados apenas ao PP, também em benefício do PT e do PMDB.

• “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do¬leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.

O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari.

• O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências.

Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a dar à PF a localização, o número e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

• Youssef dirá que um integrante da ¬coor¬denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam¬panha presidencial de Dilma Rousseff.

Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba.

25 de set. de 2014

Diante do mundo, Dilma se revela provinciana, arcaica e míope. Envergonha quem esperava dela o mínimo de grandeza - Ricardo Noblat

BRASIL - Opinião
Diante do mundo, Dilma se revela provinciana, arcaica e míope. Envergonha quem esperava dela o mínimo de grandeza
Quando Dilma decidiu comparecer à abertura de mais uma Assembléia Geral da ONU, imaginou-se que ela tentaria se apresentar por lá como a presidente de um país importante. Não foi o que aconteceu.

Charge Jorge Braga – O Popular (GO)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte:  Blog do Noblat

Por que Dilma não se fantasia de estadista e se oferece para intermediar negociações entre o mundo civilizado e os bárbaros assassinos do Estado Islâmico – aqueles que chocam o planeta ao degolarem seus prisioneiros?

Ontem, foi a vez do francês Hervé Gourdel, capturado no último domingo na Argélia por extremistas do grupo Jund al-Khilafah (soldados do Califado), vinculado ao Estado Islâmico.

A execução de Gourdel – como as anteriores - foi filmada para horror universal.

Quando Dilma decidiu comparecer à abertura de mais uma Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, imaginou-se que ela tentaria se apresentar por lá como a presidente de um país importante.

A ocasião seria perfeita para que ela se debruçasse sobre os principais problemas que afligem a Humanidade, reforçando, talvez, a pretensão do Brasil de um dia vir a ser admitido como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Não foi o que aconteceu.

Dilma discursou como candidata a presidente do Brasil na eleição marcada para o próximo dia cinco. A tribuna da ONU serviu apenas como símbolo de poder para destacar Dilma dos seus adversários mais próximos – Marina Silva e Aécio Neves.

Ali, Dilma aproveitou para gravar mais um dos seus programas de propaganda eleitoral. Limitou-se a repetir o que tem dito à exaustão em pequenos comícios pelo Brasil a fora. Na véspera havia derrapado feio ao abordar a realidade internacional em outro discurso.

A ONU aprova o emprego da violência pelos Estados Unidos e uma coligação de países que bombardeiam áreas da Síria sob o domínio do Estado Islâmico. Não é possível contemporizar com um tipo de terror que de fato ameaça o mundo.

Dilma, porém, contemporizou. Tratou os Estados Unidos e o Estado Islâmico como partes que deveriam sentar à mesa para discutir suas divergências. Como se tudo não passasse de divergências. Como se os Estados Unidos e o Estado Islâmico se equivalessem. Como se fosse possível dialogar com cortadores de cabeças.

Fiquei envergonhado com a performance de Dilma. Acho que muita gente também ficou.

Perto do desfecho do seu atual mandato, Dilma revelou-se provinciana, arcaica e míope. Muito menor do que a cadeira que ocupa no Palácio do Planalto.

21 de jul. de 2014

'Me acode, Lula!' - Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
'Me acode, Lula!'
A semente do escândalo do mensalão caiu em terra fértil quando Lula, na companhia de José Alencar, seu futuro vice, assistiu à compra por pouco mais de R$ 6 milhões do apoio do PL do então deputado Valdemar Costa Neto.

Foto: Ed Ferreira/Agência Estado

TRINDANDE DO PT - Dirceu, Lula e Dilma, o diabo reuniu em dia inspirado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: blog do Noblat

Quem disse indignado na semana passada: “A política está apodrecida no Brasil”?

E quem disse: “É preciso acabar com partidos laranjas, de aluguel, que utilizam seu tempo [de propaganda eleitoral no rádio e na TV] para fazer negócio"?

Por último, quem disse que deveriam “ser consideradas crime inafiançável doações de empresas privadas para partidos”?

Está de pé? Melhor sentar.Foi Lula quem disse. Acredite!

Estou de acordo: não é de hoje que Lula diz o contrário do que faz. Ou afirma algo que nega amanhã. Ou simplesmente reescreve fatos conhecidos.

Procede assim porque acha que a política é para ser feita assim. Aprendeu de tanto observar os costumes alheios quando era líder sindical ou político novato.

Aprendeu, também, depois de perder três eleições presidenciais seguidas.

Agora, chega! – concluiu em 1998 ao ser derrotado pela segunda vez por Fernando Henrique. Deve ser por isso que sempre o trata mal. Parece esquecido de que foi cabo eleitoral dele.

Adiante.

Lula mandou chamar à sua presença o presidente do PT, à época José Dirceu. E ordenou-lhe que jogasse as regras do jogo para elegê-lo. Não estava mais disposto a bancar o bobo.

A semente do escândalo do mensalão caiu em terra fértil quando Lula, na companhia de José Alencar, seu futuro vice, assistiu à compra por pouco mais de R$ 6 milhões do apoio do PL do então deputado Valdemar Costa Neto.

O negócio foi fechado em um apartamento de Brasília. Lula e Alencar ficaram no terraço. Dirceu, Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Valdemar, se trancaram num quarto.

O efeito devastador sobre o governo do escândalo do mensalão obrigou Lula a convocar uma cadeia nacional de rádio e de televisão para pedir desculpas aos brasileiros.

Uma vez terminado o julgamento do mensalão, disse que ele jamais existiu. E acusou o Supremo Tribunal Federal, cuja maioria dos ministros foi nomeada por ele, de ter se curvado à pressão da mídia.

Incoerência? Que nada. Esperteza!

Em 2005, Severino Cavalcanti (PP-PE), presidente da Câmara dos Deputados, renunciou ao cargo e ao mandato para escapar de ser cassado. Recebera um mensalinho pago pelo dono de um restaurante.

Lula saiu em defesa dele três anos depois. Afirmou que o respeitava muito. E culpou parte da “elite paulista” pela queda de Severino. Ainda não existia a “elite branca” capaz de vaiar Dilma.

A um amigo, em conversa recente, Lula referiu-se a Dilma como “aquela mulher”. Lamentou não ter combinado abertamente com ela que a substituiria já este ano como candidato a presidente.

Dilma conta a história de que consultou Lula sobre seu desejo de voltar ao poder. E diz que ele negou o desejo.

Antes de se lançar candidato do PSB à vaga de Dilma, Eduardo Campos ouviu de Lula que não disputaria a eleição.

O “Volta, Lula!” esfriou. O “Me acode, Lula!” só faz esquentar. Para tristeza de Dilma.

Ela imaginou que chegaria às vésperas da eleição deste ano menos dependente de Lula. Mas não. Em primeiro lugar, depende de Lula para se reeleger. Em segundo, do engenho e arte do seu marqueteiro.

O tempo de propaganda eleitoral de Dilma será três vezes maior que o de Aécio e cinco vezes maior que o de Eduardo. Por que?

Porque Lula costurou uma aliança de 10 partidos, a maioria de aluguel, que doou a Dilma seu tempo de propaganda em troca de dinheiro e de cargos no governo.

Se tudo der certo, Lula promete acabar com os meios reprováveis que teriam ajudado Dilma a se reeleger.

Você acredita?
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

13 de jan. de 2014

Maranhão: Em família, de Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL - Opinião
Maranhão: Em família
O jornalista Ricardo Noblat analisa a crise dos presídios do Maranhão e a delicada participação da presidenta Dilma Rousseff, atuando com luvas de pelica, no episódio, procurando parecer atuante, mas, sem afetar a família Sarney, seus aliados fidagais, principalmente em se tratando de um ano eleitoral.


Roseana Sarney, governadora do Maranhão.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

A crise da segurança Pública no Maranhão agravou-se desde o mês passado. Finalmente, na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff postou sete mensagens consecutivas em seu twitter.

Para dizer que acompanha a crise, que despachou para São Luís seu ministro da Justiça e que providências para controlá-la começaram a ser tomadas. Citou algumas. E voltou a se calar.

Todo cuidado é pouco. Dilma é candidata à reeleição. Há quatro anos, depois do Amazonas, foi o Maranhão, feudo da família Sarney há meio século, o Estado a lhe conferir a maior vantagem de votos sobre Serra (PSDB) – 79% dos válidos no segundo turno.

Primeiro cacique a se incorporar em 2002 à campanha de Lula, José Sarney foi o único a acompanhá-lo no avião que o devolveria a São Paulo oito anos depois.

Lula aprendeu a gostar dele. No passado, em comício no Maranhão, chamou Sarney de “ladrão”. No governo, encantado com seu apoio, batizou-o de “homem incomum” e fez-lhe quase todas as vontades.

A crise da segurança pública que provocou até aqui a decapitação de presos, atentados contra delegacias e a morte de uma criança queimada por bandidos, veio em má hora para os Sarney – e, por tabela, para Dilma.

Há um candidato favorito ao governo do Maranhão e ele é adversário da família – Flávio Dino, advogado, ex-deputado federal, filiado ao PC do B e atual presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

No plano nacional, o PC do B está com a candidatura Dilma e não abre. No Maranhão, Dino está com a candidatura a presidente de Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco. E também não abre.

Ali, na mais recente eleição municipal, o PSB apoiou Edivaldo Holanda Junior (PTC) para prefeito de São Luís, e indicou seu vice. Eduardo participou ativamente da campanha de Edivaldo. Que agora é eleitor de Dino.

Em Pernambuco, empurrada por Lula e Eduardo, Dilma teve três quartos dos votos. Agora não terá mais.

Minas Gerais presenteou-a no segundo turno com quase 60% dos votos válidos.

O candidato majoritário de Minas Gerais à vaga de Dilma é o senador Aécio Neves (PSDB). Que espera colher em São Paulo, com a ajuda do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, uma vitória igual ou maior do que a de Serra em 2010.

A luz amarela está acesa nos bastidores da campanha por ora informal de Dilma. Vê só por que ela aparenta estar alheia ao que acontece no Maranhão?

Alguém viu por aí a ministra dos Direitos Humanos? Ela não deveria ter viajado ao Maranhão? Roseana vetou – e Dilma acatou o veto.

O procurador geral da República deverá pedir intervenção federal no Maranhão. A ministra dos Direitos Humanos empenhou-se para que seus conselheiros não pedissem. Foi bem-sucedida.

Roseana deixará o governo em abril próximo para ser candidata ao Senado.

Somente na semana passada ela quebrou o silêncio e falou sobre a crise.

Foi um desastre. Agrediu o bom senso. Revelou-se despreparada para o exercício do cargo que ocupa pela segunda vez. Traiu a arrogância de quem está acostumada a não dar satisfações ao distinto público.

Cometeu a frase desde já candidata à frase do ano: “Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico”.

O Maranhão tem a pior renda per capita entre os 27 Estados brasileiros. Está em 26º lugar em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano. Quase 40% de sua população são pobres.

Ali, manda a família comum de um homem incomum.

17 de jul. de 2013

Boa viagem, Juquinha!, de Ricardo Noblat

BRASIL - Opinião
Boa viagem, Juquinha!
O jornalista Ricardo Noblat refere-se ao cachorrinho da familia de Sérgio Cabral que tem mais horas de voo em helicóptero que muito piloto profissional e as pálidas manifestações chapa branca do dia nacional de luta, promovida pelos sindicatos.

Foto:Oscar Cabral/Veja

Juquinha, o cachorrinho da família, é um dos mais assíduos passageiros da esquadrilha de Cabral, o governador do Rio. Não é uma gracinha?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte:   Blog do Noblat, "thepassiranews"

O PT faltou ao Dia Nacional de Luta promovido pelas centrais sindicais.

Pensando bem, era só o que faltava: o partido que governa o país sair às ruas para cobrar do governo o que ele prometeu e não fez. Ou o que não prometeu, mas poderia fazer se quisesse.

As centrais apoiam o governo. Estão de prontidão para socorrê-lo em qualquer aperto. Mas elas devem o mínimo de satisfação aos seus associados.

O Dia Nacional de Luta foi um fracasso. Tanto maior porque pode ser comparado com o recente movimento liderado por jovens que cobram passe livre nos ônibus.

Um brotou espontaneamente. Aderiu quem quis. E os que aderiram poderão dizer: "Eu participei das maiores manifestações populares da história do Brasil em pouco mais de 500 anos".

O outro movimento nada teve de espontâneo. Parecia a projeção em preto e branco de um filme antigo, como observou o jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula.

Com uma diferença: no passado, o vermelho que coloria as ruas era monopólio do PT. Hoje, o vermelho que se vê aqui e acolá foi providenciado por outros partidos.

A militância do PT tem mais o que fazer. Está empregada. Parte dela muito bem empregada.

Há pelo menos duas frases exemplares cometidas nos últimos 10 dias por figurinhas carimbadas da República. Reunidas e explicadas, ilustram o estado de coisas que uma quantidade crescente de brasileiros gostaria de empurrar para sempre esgoto a dentro.

"Eu sou de carne e osso e preciso, vez por outra, de um descanso", afirmou Cid Gomes, governador do Ceará, a propósito de uma viagem à Ásia.

Em junho último, quando multidões irrompiam por toda parte, Cid embarcou para uma viagem de 14 dias com destino a Coreia do Sul. Tinha compromissos oficiais por lá.

Uma vez na Europa, esqueceu a Coreia, divertiu-se o quanto pode na companhia de amigos e até encarou um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Na ausência de Cid, o vice dele voou à Israel e Arábia Saudita. A trabalho. E também para repousar.

Foto: Marcelo Fonseca/Folhapress

“O governador Sérgio Cabral encara como uma perseguição ao seu mandato informações que soem como ‘denúncias’ quanto ao uso de helicópteros do Estado”,

A segunda frase: "Não sou o primeiro a fazer isso no Brasil. Outros fazem também", defendeu-se Sérgio Cabral, governador do Rio e alvo de uma reportagem publicada pela VEJA.

A revista descobriu que Cabral usava helicóptero do governo, comprado por quase R$ 20 milhões, para fazer diariamente um trajeto de não mais do que 10 minutos entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o palácio onde despacha.

Às sextas-feiras, o helicóptero chegava a voar cinco ou seis vezes entre o Rio e o município de Mangaratiba, onde Cabral tem uma casa de praia.

Cabral seguia no último voo. Nos anteriores, sua mulher, filhos e amigos deles, babás e o cão Juquinha.

O mesmo número de voos se repetia no domingo, de volta de Mangaratiba. Aumentava quando se esquecia algo. Como um vestido da primeira-dama resgatado por uma babá em voo extra.

“O governador Sérgio Cabral encara como uma perseguição ao seu mandato informações que soem como ‘denúncias’ quanto ao uso de helicópteros do Estado”, advertiu nota distribuída pela assessoria dele.

Ninguém ligou. O tempo não anda bom para os lados de Cabral.

Então outra nota anunciou que doravante Cabral irá trabalhar de carro. Os voos para Mangaratiba foram mantidos. Às nossas custas, naturalmente.

Cabral só se preocupa com valores do tipo moral, ética e decência quando flagrado atropelando algum deles. Ou todos ao mesmo tempo.

Aí finge que mudará seu comportamento. E até inventa código de ética que não sai do papel.

Mas não muda de comportamento, como se vê.

Porque ele sempre foi assim desde que escolheu a política como meio de sobrevivência. E nada sugere que deixará de ser assim.


*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original

27 de jun. de 2013

Dilma: Trapalhada inesquecível, de Ricardo Noblat

BRASIL - Opinião
Dilma: Trapalhada inesquecível
"O vexame protagonizado por Dilma durou menos 24 horas. Mas não se apagará tão cedo da memória dos críticos de uma presidente amadora. Ou “despreparada”, segundo os jovens líderes do Movimento Passe Livre."

Ilustração sobre foto de Ueslei Marcelino/Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de por Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Nos últimos 15 dias, quem testemunhou a marcha de multidões clamando país a fora por uma reforma política? Ou leu algum cartaz cobrando a reforma?

Alguém ouviu o coro com slogans do tipo “Ô seu Cabral, ô seu Cabral, eu quero o voto distrital”?

Ou então “Não senhor, não senhor, não dou dinheiro pra eleger governador”?

Vi um cartaz exigindo a volta da distribuição de barras de cereais em aviões da GOL. Mas foi na internet, se não me engano. E não passava de brincadeira.

Se você chegar para um manifestante e disser que o combate à corrupção passa também por uma reforma política, ele responderá que é a favor. E ponto.

Nem por isso a reforma ganhará lugar de honra nas passeatas.

Os temas campeões de audiência nas passeatas são: transporte melhor e mais barato, saúde, educação, segurança e corrupção.

Se uma reforma das leis enxugasse o número de recursos que permite a procrastinação das sentenças, ela daria mais Ibope do que a reforma política que o Congresso se nega a fazer.

O Congresso é uma assembleia de vencedores nada interessados em alterar leis que os favoreceram. Ou que pelo menos não atrapalharam sua eleição. Não há suicidas ali. Não, aparentemente.

Salvo seus assessores de confiança, Dilma não ouviu ninguém para propor o que as multidões não pedem. E o que não servirá para acalmá-las.

Por alguma razão – ou por uma série delas – o governo precisa da reforma política para enfrentar em situação mais confortável as eleições do próximo ano.

A proposta de fazer a reforma por meio de uma Assembleia Constituinte exclusiva foi uma das maiores mancadas que um presidente já deu.

Primeiro porque simplesmente isso não é possível, a se levar a Constituição a sério. Segundo...

Bem, devido ao primeiro motivo, não importa o segundo, nem o terceiro, muito menos o quarto.

O vexame protagonizado por Dilma durou menos 24 horas. Mas não se apagará tão cedo da memória dos críticos de uma presidente amadora. Ou “despreparada”, segundo os jovens líderes do Movimento Passe Livre.

Dilma está empenhada em reduzir o tamanho do vexame insistindo em ouvir a população sobre a reforma que o Congresso não fez e que se puder não fará.

Fala-se em plebiscito. Aos brasileiros seria oferecido um prato cheio de itens que, combinados, poderiam fornecer as linhas mestras da reforma.

Os brasileiros responderiam: quero este, este também, este, não, este jamais. Caberia ao Congresso se render à vontade popular.

Fala-se em referendo. Seria a consulta posterior.

O Congresso, que tem horror à reforma, esboçaria uma com medo de Dilma e das ruas. Em seguida, o distinto eleitorado votaria para dizer se concorda com ela.

Fora a má vontade com que o Congresso tratará do assunto, resta só um probleminha: o tempo.

Só se tem até o dia 2 de outubro para promulgar a reforma caso se queira que o capítulo dedicado às eleições possa valer para as eleições de 3 de outubro de 2014.

Isso significa mais ou menos o seguinte: discute-se em julho as perguntas do plebiscito ou a reforma a ser referendada.

Em agosto, usa-se a televisão para explicar ao povo cada ponto da reforma.

O que é voto distrital, por exemplo. O que é voto distrital simples ou misto. Voto em lista. Financiamento de campanha com ou sem dinheiro público. E um monte de outras coisas.

Em outro capítulo: a reeleição para cargos majoritários deve ser mantida ou extinta? Deputados e senadores continuarão podendo se reeleger quantas vezes queiram? E as mordomias deles? Corta-se ou não?

Sim, a imunidade parlamentar, o direito a fórum privilegiado... Permanecerão intocados?

E o regime presidencialista? Mantêm-se em cartaz ou cede lugar ao parlamentarismo?

Se falamos de uma reforma política de verdade não se poderá vetar nenhum desses pontos.

A natureza das explicações dará razões de sobra para brigas entre partidários e adversários disso e daquilo outro. Como as brigas serão equacionadas? Prevalecerá uma explicação apenas para cada item? Haverá mais de uma?

Responda: um mês apenas bastará para que o povo ganhe intimidade com um assunto tão complexo e possa votar mais tarde de forma consciente?

Setembro está reservado para que o Congresso monte a reforma. E a aprove.

Aguardemos.

12 de nov. de 2012

Nada é por acaso, por Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL - Comentário
Nada é por acaso
“Dilma não decepcionou a plateia no seu papel aclamado de presidente sempre à beira de um ataque de nervos.”

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat , para O Globo
Fontes: Blog do Noblat

O jantar fora razoavelmente bem, já que a comida servida no Palácio da Alvorada tem fama de ser pobre em sabor.

Tomava-se cafezinho e jogava-se conversa fora sentados em confortáveis poltronas – a anfitriã Dilma Rousseff e as estrelas mais reluzentes do PMDB e do PT. Lula não compareceu.

Foi quando o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, protagonizou o único momento de tensão do encontro.

Avisados com antecedência da indigestão que o assunto causaria na presidente, os convidados haviam evitado falar a respeito de qualquer coisa que lembrasse reforma ministerial.

O assunto pairava sobre eles como se fosse uma nuvem. E como uma nuvem se dissiparia mais tarde não fosse Raupp.

Alguém falou sobre Minas Gerais e Raupp mandou a prudência às favas:

- Não seria hora de robustecer a presença de Minas no governo? - perguntou.

A conversa cessou de repente.

Lorota! Quem tinha esse costume era Tancredo Neves, o presidente eleito que morreu sem tomar posse em 1985.

Dilma não decepcionou a plateia no seu papel aclamado de presidente sempre à beira de um ataque de nervos.

Apenas esqueceu os palavrões usados em despachos com subalternos.

“A hora não é essa e eu não pretendo tratar tão cedo de mudanças no governo. É assunto que abordarei no momento apropriado “, encaixou Dilma.

Sabe quem ali, na frente dela, olho no olho, ousou contestá-la? Adivinhe...

Ninguém.

Sarney salvou a pátria e o jantar. “Contaram-me uma piada nova”, disse ele.

Enquanto Dilma se recompunha, os demais circunstantes se mostraram vivamente interessados em ouvir a piada. Aí Sarney contou-a.

- Quando Hebe Camargo chegou no céu, o anjo que a recebeu indagou: “Uai! Cadê o Sarney?”

As risadas foram intermináveis. Até Dilma sorriu.

O encontrou chegou ao fim sob a atmosfera de “estamos juntos até a vitória em 2014”.

Estamos juntos em termos...

O PMDB continua se achando sub-representado no governo.

Michel Temer é o vice-presidente? E daí? Só ele ganha com isso.

O partido paga para que Temer possa morar no Palácio do Jaburu, a poucos metros do Palácio da Alvorada.

Renan Calheiros deverá suceder Sarney na presidência do Senado? E daí?

Somente ele tem a ganhar com isso.

Somente Henrique Eduardo Alves tem a ganhar se suceder Marco Maia (PT) na presidência da Câmara dos Deputados. Henrique e seu fiel parceiro, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Edison Lobão (PMDB-MA) é o ministro das Minas e Energia. Mas quem manda de fato no pedaço dele é a própria Dilma.

O PP tem o Ministério das Cidades. E somente esse ministério vale mais do que todos os ministérios do PMDB reunidos.

Ocorre o mesmo com o PSB, que comanda o poderoso da Integração Nacional.

"Os ministérios que temos não garantem a eleição de um só vereador", exagera um dos líderes do PMDB.

Se Dilma não der um jeito nisso, mas chegar em 2014 pronta para se reeleger, a maior fatia do PMDB ficará com ela. A menor com a oposição.

Caso Dilma não chegue bem, o PMDB simplesmente poderá trocá-la por Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, aspirante à eleição presidencial.
*Acrescentamos subtítulo e foto da publicação original