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22 de ago. de 2012

Denise Leitão, a assessora do vídeo pornô, será capa da “Playboy” de setembro

BRASIL - Bizarro
Denise Leitão, a assessora do vídeo pornô,
será capa da “Playboy” de setembro
A ex-assessora do senador Ciro Nogueira, exonerada após aparecer em um vídeo de sexo que circulou nos bastidores da CPMI do Cachoeira e na internet, já fez as fotos que possivelmente estará na capa da revista Playboy de setembro (o site da revista não confirma). A advogada que rejeitou o convite de posar nua, antes e depois da divulgação do vídeo, disse que só aceitou agora por que está desempregada e precisa de dinheiro para pagar peritos que podem comprovar o responsável pela divulgação do vídeo na internet

Foto: Sergio Lima - 7.ago.12/Folhapress

Dizendo que foi difícil fazer as fotos, pois nunca havia feito nada igual, complementou: “É muito mais fácil fazer uma “sustentação oral.” Ela se referia a fala do advogado durante uma audiência

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha S. Paulo, G1, Extra, Extra

A ex-assessora parlamentar Denise Rocha, 28, confirmou que posou para a "Playboy". As imagens, feitas em São Paulo, no estúdio do fotógrafo J.R.Duran. A advogada deve ser a capa de setembro. A atriz Leona Cavalli, que seria a estrela da próxima edição, ficará para outubro.

"Quer saber por quê? Porque fui exonerada do Senado e estava precisando de dinheiro. Até o último momento, eu não iria fazer", disse a advogada, conhecida como Furacão da CPI, após ter um vídeo em que aparece fazendo sexo divulgado durante sessão da comissão que investiga o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.

Adiante ela afirmou que só aceitou fazer o ensaio para a revista masculina com o objetivo de arcar com os custos da pericia necessária para investigar como as imagens foram espalhadas.

Denise disse que foi "muito difícil" fazer o ensaio, "porque não tinha feito um trabalho fotográfico desses na minha vida, antes daquele book. Toda vez que vinha algum problema na minha cabeça, pensava na situação que eu estou vivendo, precisando de dinheiro. É muito mais fácil fazer uma “sustentação oral” (epa!), mas o fotógrafo é o melhor".

Ela não quis contar o valor que recebeu pelo trabalho.

Ela foi exonerada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Desabafando Denise disse que vai "partir para cima" do Senado, sem especificar quem será o seu alvo.

— Vou mostrar quem é quem no Senado. Vou partir para a linha de frente. Não posso dizer contra quem, direi no tempo certo — afirmou, enigmática.

— Vou provar que o vazamento foi por parte do homem que aparece comigo nas imagens — afirmou.

A advogada espera que, agora, as pessoas que a assistiram nas cenas vazadas no Senado a vejam "de uma forma mais bonita".

No gabinete do senador, ninguém quis comentar o assunto. Ao que se comenta, para justificar a demissão de Denise, insinuou-se que teria sido ela própria a responsável pelo vazamento do vídeo, no que ela está determinada a provar ao contrário e “partir para cima do senado.”

Foto: Playboy

APERITIVO - Foto de Denise com roupão da Playboy, no set do fotógrafo J.R.Duran


15 de ago. de 2012

O Globo - Editorial: "Perfil criminoso de Cachoeira pressiona CPI"

BRASIL – Opinião
Perfil criminoso de Cachoeira pressiona CPI
O Globo comenta o fracasso da intenção da base do governo de manipular a CPI do Cachoeira para pressionar a imprensa profissional e tentar influenciar no julgamento do mensalão. Diz o editorial que a “... a CPI se transformou em um fantasma a assombrar esta mesma ala petista e áreas do governo.”

Foto: Agência Brasil

Carlinhos Cachoeira, pior do que se imaginava a princípio?

Postado por Toinho de Passira
O Globo (Editorial)
Fonte: Blog do Noblat

A base parlamentar do governo deserdou a CPI do Cachoeira tão logo deu em nada o plano delirante de uma ala do PT de manipular a comissão para pressionar a imprensa profissional e tentar influenciar no julgamento do mensalão. Em vez disso, a CPI se transformou em um fantasma a assombrar esta mesma ala petista e áreas do governo.

Cassado o senador Demóstenes Torres, agente do contraventor Carlinhos Cachoeira junto ao Congresso, e estopim da ideia de se convocar a comissão, esperava-se algo de concreto dos trabalhos de “investigação” de senadores e deputados.

Cabem as aspas porque de averiguação a CPI nada faz. Limita-se a convocar infrutíferos depoimentos, aos quais os depoentes quase sempre comparecem para exercer o legítimo direito de ficar com a boca fechada.

De objetivo continua a haver as provas já colhidas nas operações da Polícia Federal em Goiás (Las Vegas e Monte Carlo), das quais emergem ligações perigosas do governador goiano Marconi Perillo (PSDB) com a turma de Cachoeira, um relacionamento ainda não esclarecido do grupo com outro governador, Agnelo Queiroz (PT), de Brasília, e o contato incestuoso entre Cachoeira e a empreiteira Delta.

Mas este é um assunto que não interessa à base do governo. Talvez pelo fato de a Delta, de Fernando Cavendish, ter transitado com grande desenvoltura nos gabinetes de Brasília em que se fecham contratos para obras públicas, fonte, como se sabe, de financiamento de políticos, de preferência via caixa dois, recurso muito vulgarizado nesta primeira fase do julgamento do mensalão, um simples pecadilho — não envolvesse dinheiro sujo.

Empreiteira do PAC, a Delta e Cavendish são um assunto que parece causar alergia à CPI.

Gravações reveladas pelo “Fantástico” do último domingo, em que fica exposto um perfil mais amplo do contraventor, conspiram contra a tática do comando da CPI de desidratá-la até o fim. Os grampos mostram que Cachoeira é multidisciplinar na criminalidade.

Já se sabia de suas práticas de lobby nos três Poderes da República e no uso de técnicas de lavagem de dinheiro, com as quais enxaguou muitos recursos recebidos da Delta. Mas, com estas gravações, ficou comprovado que o “empresário” da jogatina ordenou pelo menos um sequestro.

A CPI decidiu, ontem, entre outras medidas, reconvocar Cachoeira — cuja nova mulher, Andressa, teve os sigilos corretamente quebrados — e marcar o depoimento de Cavendish. Não se pode ser otimista com estes depoimentos. Nada revelarão, salvo retumbante surpresa.

A revelação de mais uma perigosa faceta de Cachoeira pressiona a CPI a fazer o que se recusa: analisar, com seriedade, o farto material recebido das investigações feitas do conglomerado Cachoeira/Delta e associados.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

9 de ago. de 2012

Ex-mulher de Cachoeira ganha status de investigada

BRASIL – Caso Carlinhos Cachoeira
Ex-mulher de Cachoeira ganha status de investigada
Segundo a agencia Senado, após o depoimento desta quarta-feira (8) à CPI mista do Cachoeira, a ex-mulher do contraventor, Andréa Aprígio, passou de testemunha a investigada, por não responder as perguntas dos parlamentares, nem explicar a sua evolução patrimonial

Foto: Agência Senado

A ex-mulher de Cachoeira, Andrea Aprígio, chorou diante da Comissão Parlamentar de Inquérito, não adiantou

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Uol Notícias, Agência Senado, Agência Brasil

Andréa Aprígio, a ex-mulher do mafioso Carlinhos Cachoeira, chegou para depor no Congresso, na CPI mista do Cachoeira, na condição de testemunha e portando um habeas corpus, que lhe permitia permanecer em silêncio.

Usando o tempo destinado a falar livremente, no início da sessão, em tom emocionado, pediu respeito à privacidade dela e da família e disse que os filhos estão sofrendo com a exposição da mídia e com a ausência do pai, preso desde 29 de fevereiro deste ano. Ela começou citando um ditado da avó, segundo o qual, mesmo separada do bicheiro, ela será sempre a ex-mulher dele.

Segundo ela, a única relação quem mantém com Cachoeira é de cordialidade, baseada num vínculo familiar.

"Sempre respeitei a inteligência e dinamismo de Carlos, mas tínhamos vidas profissionais distintas. Só posso responder pelo que conheço e pela minha conduta. Estou num momento desconfortável com exposição de minha imagem e de minha família", afirmou.

Andrea se disse defensora de “valores éticos, morais e cristãos”. Alegou que seu patrimônio é fruto de partilha de bens de uma separação consensual homologada em juízo e também fruto do próprio trabalho, visto que é engenheira civil e advogada.

"Minhas empresas são acusadas equivocadamente de serem canais de articulação ilícita, o que deixa indignados todos os que se empenham no crescimento delas", reclamou, referindo-se ao laboratório famacêutico Vitapan, a uma construtora e a uma fundação, todos com sede em Goiás.

Claro que esse discurso não convenceu os parlamentares. Os bens que lhe foram destinados na separação judicial, por serem oriundo do patrimônio do casal Cachoeira, estão debaixo das mesmas suspeições e riscos de confisco, que os bens que ele atualmente possue.

Terminado o discurso, os parlamentares discutiram se Andréa deveria ou não ser dispensada de responder as perguntas dos parlamentares. Depois de um rápido acordo com o advogado da testemunha, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), transformou a reunião em secreta.

Pelo que se sabe a reunião secreta foi um fiasco. Andréa Aprígio não respondeu à maior parte das indagações, entre as quais as que diziam respeito à evolução patrimonial das empresas dela.

Segundo a Agência Senado, o relator da CPMI, senador Odair Cunha (PT-MG) após o depoimento secreto, afirmou que Andréa Aprígio, passou a ser tratada também como investigada, por não ter explicado muitos fatos apontados nas investigações. Andréa saiu consolidada como suspeita de operar como 'laranja' em empresas ligadas à organização de Carlinhos Cachoeira.


PADRÃO CACHOEIRA DE QUALIDADE - Depois de conhecer a ex e a atual Senhora Carlinhos Cachoeira, ninguém pode negar o apurado gosto do mafioso para mulheres. Em estágios de belezas diferentes, ambas são visualmente encantadores e até morbidamente parecidas. O detalhe é que até os nomes, possuem a mesma raiz, enquanto a ex chama-se Andrea a atual, Andressa. Coisa de bicheiro.


7 de ago. de 2012

Andressa, mulher de Cachoeira, ficou calada na CPMI

BRASIL – Caso Cachoeira
Andressa, mulher de Cachoeira, ficou calada na CPMI
Convocada para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito, a mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, passou menos de cinco minutos na sala de sessão. Ficou repetindo a cantilena: “Vou exercer o meu direito constitucional de permanecer calada”. Acabou dispensada. A senadora Kátia Abreu, que foi ameaçada com um dossiê por Andressa, disse que o casal, Andressa - Cachoeira é a encarnação dos personagens Max e Carminha, da Avenida Brasil

Foto: Wilson Dias/ABr

Apesar dos protestos de parlamentares, Andressa se recusou a falar

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Agência Senado

A mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, ficou calada no depoimento desta terça-feira (7) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para investigar o elo do contraventor com políticos e empresários. “Vou exercer o meu direito constitucional de permanecer calada”, afirmou Andressa ao ser indagada pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), se estaria disposta a colaborar com as investigações.

Vital do Rêgo perguntou, então, se Andressa responderia às perguntas dos parlamentares se a reunião fosse realizada em caráter secreto, sem a presença da imprensa. "Vou exercer meu direito constitucional de permanecer em silêncio", reiterou a mulher do bicheiro, que compareceu à CPI acompanhada do advogado Gerardo Grossi.

Na semana passada, Andressa foi acusada de tentar chantagear o juiz responsável pelo processo que investiga Cachoeira, Alderico Rocha. Ela foi levada à sede da Polícia Federal de Goiânia para prestar depoimento e teve de pagar fiança de R$ 100 mil para não ser presa. Além da fiança, Andressa foi proibida pela Justiça de visitar Cachoeira no presídio da Papuda, em Brasília. O relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), criticou a postura da mulher do contraventor.

"Temos aqui uma pessoa que ameaça juiz, que ameaça parlamentares, então seria uma oportunidade para ela se defender", afirmou o petista.

O outro depoente do dia, o policial federal aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, também se recusou a responder às perguntas dos parlamentares. Thomé Neto é apontado como suspeito de realizar escutas telefônicas clandestinas para o grupo de Cachoeira.

Com as recusas dos dois depoentes de responder às questões, o senador Vital do Rêgo encerrou a sessão do dia.

Foto: Agência Senado

A senadora Kátia Abreu, disse que Andressa Mendonça, em declarações à imprensa, teria prometido desmoralizá-la e ameaçou apresentar um dossiê contra ela.

No início da reunião da CPI, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) comparou o casal Carlinhos Cachoeira e Andressa Mendonça aos vilões Carminha e Max da novela da TV Globo “Avenida Brasil”.

Ao iniciar a fala, a senadora afirmou que foi “afrontada” pela mulher do contraventor. Kátia Abreu relatou que Andressa disse, em entrevista à imprensa, que teria um dossiê contra ela. A mulher de Cachoeira teria dito ainda que Kátia Abreu sempre pedia dinheiro a Cachoeira para financiar campanhas.

“Carminha e Max só na TV. Não vão jogar meu nome no lixão não, porque eu não sou uma criança indefesa, sou uma mulher forte”, criticou a senadora. “Pelo visto, a bela resolveu ser fera e ela precisa ter muito cuidado para não ser enjaulada”, disse ainda a parlamentar.

A senadora também chamou Andressa Mendonça de “mentirosa e caluniadora”. “Essa calúnia é uma vingança [...] Ela não vai me intimidar. Estou aqui na primeira fila aguardando esta senhora cascata”, afirmou Kátia Abreu, antes da chegada de Andressa Mendonça à CPI.

A senadora também informou que foi ameaçada por meio de um telefonema anônimo, que teria partido de um orelhão em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, em razão de sua atuação contra Cachoeira na CPI. Kátia Abreu suspeita que a ligação teria sido feita por ordem de Andressa.


23 de jun. de 2012

Andressa na cova dos leões - Nelson Motta

OPINIÃO
Andressa na cova dos leões
O colunista Nelson Motta comenta a convocação da mulher de Cachoeira para ser ouvida na CPMI que investiga o seu marido


Andressa Mendonça, a mulher de Carlinhos Cachoeira, a bela na cova dos leões tarados

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelson Motta
Fonte: O Estado de S.Paulo

A convocação da bela Andressa Cachoeira para depor na CPMI provoca frisson e reaviva a memória da distante e vergonhosa tarde do depoimento de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério, na CPI dos Correios.

Enfrentar os questionamentos agressivos e mal-educados não foi nada perto do que ela teve que suportar dos galantes parlamentares que acudiram em sua defesa elogiando sua beleza e seu caráter. Renilda era apenas uma discreta senhora mineira, bem-vestida e educada, de feições delicadas, que podia ser vista, no máximo, como bonitinha. Mas bastou para a macharia suprapartidária se assanhar. Foi de embrulhar o estômago ouvir tanto sentimentalismo barato ao vivo diante de todo o País, com deputados e senadores louvando a depoente por seu amor ao marido bandido e à família, por suas lágrimas, omissões e mentiras. Faltou muito pouco para alguém dizer que ela era a mulher que qualquer homem gostaria de ter e oferecer um ombro amigo.

Mesmo sabendo que Renilda mentia cínica e deslavadamente, eles se derretiam em elogios, como senhores magnânimos que não conseguiam esconder o galanteador cafajeste de calçada, tipicamente brasileiro, que os habita. Pareciam personagens caricatos de Chico Anísio, e pior, de Nelson Rodrigues, canalhas vocacionais que seduzem até a cunhada, que não respeitam nem CPI. Alguns eram gordos, outros carecas, quase todos mais velhos, a maioria nordestinos e gaúchos, todos antiquados e verbosos no estilão que Bernardo Cabral usou para seduzir Zélia Cardoso de Mello.

Esses machões galantes e sentimentais jamais se comportariam assim diante de quem dissesse o que Renilda disse, mas fosse homem. Seriam implacáveis, durões, não elogiariam o amor do depoente pela esposa e a família, nunca aceitariam suas mentiras. Os membros femininos da CPI deviam ter protestado contra tal falta de decoro, mas nenhuma teve tal macheza.

Se com a frágil e discreta Renilda eles deram um vergonhoso show de machismo travestido de cavalheirismo, imaginem a excitação parlamentar quando a bela, sexy e exuberante Andressa se sentar à mesa da CPMI. É melhor tirar as crianças da sala.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

21 de jun. de 2012

Ameaçado, Juiz do caso Cachoeira, afasta-se do processo

BRASIL - Corrupção
Ameaçado, Juiz do caso Cachoeira, afasta-se do processo
O juiz Moreira Lima, responsável pelo processo de Carlinhos Cachoeira, pediu transferência por está sendo ameaçado. Neste momento a CPI que investiga o esquema Cachoeira está de férias brancas, emendando feriados. O novo juiz que assumiu o caso, diz que vai tentar correr com o processo, no mês de julho, pois estará muito ocupado nos próximos meses e também vai entrar de férias. Resultado: Carlinhos Cachoeira não vai continuar preso por muito tempo e Thomaz Bastos, seu advogado, vai ficar R$ 15 milhões mais rico. Conclui-se que apesar de pequenos desconfortos prisionais, o crime, nesse país, ainda continua compensando.


O juiz Moreira Lima, pedido para sair do país, fugindo da quadrilha de Cachoeira

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, G1, Agência Brasil, Estadão , Congresso em Foco

A notícia, que o Estadão chamou de estarrecedora, de que o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável por processos criminais que investiga a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, em Goiás, solicitou transferência à Corregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1), sob a alegação de que ele próprio e sua família têm sofrido ameaças de morte, presumivelmente por parte de policiais envolvidos no escândalo.

O magistrado faz uma solicitação inédita de passar “tempos no exterior”, para sair do foco da tensão. No pedido de afastamento, o magistrado goiano afirma encontrar-se em "situação de extrema exposição junto à criminalidade do Estado de Goiás" e explica que, apesar de se submeter a um rígido esquema de segurança recomendado pela Polícia Federal (PF), as ameaças que recebe são constantes:

"Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente à Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada, visto que mostraram que sabem quem são meus familiares e onde moram".

De acordo com o juiz, "pelo que se tem de informação, até o presente momento, há crimes de homicídio provavelmente praticados a mando por réus do processo pertinente à Operação Monte Carlo, o que reforça a periculosidade da quadrilha".

Dara Kramer informa na sua coluna que a procuradora Léia Batista, que atua no caso pelo Ministério Público de Goiás, também se sente ameaçada e pediu ao Conselho Nacional de Justiça que tome providências para garantir-lhe a segurança.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto, ao tomar conhecimento do fato declarou:

"É um caso de gravidade incomum".

A Operação Monte Carlo, deflagrada em fevereiro do ano passado pela Polícia Federal para investigar a atuação de organizações criminosas envolvidas na exploração do jogo em Goiás e no Distrito Federal. Sob a responsabilidade do juiz Moreira Lima, oito réus que estão presos, entre eles Carlinhos Cachoeira somam-se mais outros 73 réus que estão soltos, entre eles 35 policiais civis, militares e federais.

A corregedora-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, se reuniu nesta quarta com o juiz Moreira Lima na sede do CNJ, em Brasília, para ouvir os motivos do seu pedido de afastamento. Ao fim resumiu que o magistrado relatou à comissão de segurança do conselho que se sentia "extenuado" após 16 meses à frente do caso.

“Ele [Moreira Lima] não sai por covardia ou medo, mas porque cansou dessa notoriedade. Juiz se sente muito agredido quando tem esse nível de exposição”, observou a corregedora, pondo panos quentes na história.

O juiz Moreira Lima não viajar para o exterior, conforme havia solicitado no ofício em que pediu afastamento do caso. Deve assumir a 12ª Vara de Execução Fiscal de Goiânia, por enquanto.

Assumiu o processo, no seu lugar, o juiz Alderico Rocha Santos. O magistrado por um lado informou que irá acelerar a tramitação da ação penal durante o mês de julho, até porque não poderá efetivamente instruir o processo nos meses subsequentes, devido a uma movimentada pauta de audiências, previamente marcadas, na vara onde atua, além disso afirmou que vai gozar as “férias regulamentares”, a que tem direito, que estavam programadas.

Para um bom entendedor, o juiz escalado é muito ocupado, vai sair de férias, o processo vai atrasar, e o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, advogado de Carlinhos Cachoeira, vai conseguir um Habeas Corpus, justificando os R$ 15 milhões que está recebendo para defender o bandido.

Depois disso o mundo vai ficar ainda mais perigoso para testemunhas de acusação e aqueles que trabalham para fazer a quadrilha de Carlinhos Cachoeira pagar pelos seus crimes.


Tudo leva a crer, que Carlinhos Cachoeira vai assistir o desfile de 7 de setembro, no sossego do lar, na mansão de comprou do govenador Marconi Perillo, nos braços de sua bela esposa, roubada do amigo.


18 de jun. de 2012

Os dois PTs - Alberto Bombig

OPINIÂO
Os dois PTs
Como o julgamento do mensalão, as acusações contra a Delta na CPI do Cachoeira e as eleições municipais dividiram o partido entre a turma de Lula e a turma de Dilma

Fotos: Ruy Baron/Valor/Folhapress, Ueslei Marcelino/Reuters e Valterci Santos/Ag. Gazeta do Povo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Alberto Bombig

Fontes: Revista Época

Uma linha divide a estrela do PT. Seu nome: mensalão. De um lado, estão os acusados no maior escândalo de corrupção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, como José Dirceu e José Genoino. De outro, os integrantes do governo de Dilma Rousseff, que querem distância da banda enrolada do partido. Alguns membros do Partido dos Trabalhadores já levantam a tese dos “dois PTs”. O PT de Lula e o PT de Dilma. O primeiro lado é o defendido pelo ex-presidente, que, no afã de proteger seu legado, operou nos bastidores para adiar o julgamento do mensalão. Agora que foi marcado, ele tenta minimizar os prejuízos dos “réus companheiros”. Na outra ponta, a presidente Dilma e seu governo sabem que só têm a perder com o envolvimento com o “outro lado”. O PT de Lula, afinal, é o passado. O de Dilma é o futuro.

Há outros sinais da divisão no PT. A atitude da senadora Marta Suplicy na campanha eleitoral deste ano em São Paulo expôs as fragilidades do centralismo nas decisões petistas. Preterida em favor de Fernando Haddad, Marta decidiu enfrentar Lula. Assim, deixava claro a Dilma com qual dos dois PTs pretende ficar. Outro indício foi o desconforto de Lula com a atitude do governo federal, que deixou que a CPI do Cachoeira – incentivada por Lula contra os interesses da presidente da República – quebrasse os sigilos da empreiteira Delta. O PT, com isso, quase perdeu o controle da comissão. O cochilo, segundo ÉPOCA apurou, embute a estratégia de uma ala do governo: jogar aos leões a empreiteira líder em obras e negócios no Programa de Aceleração do Crescimento. Lula quase saiu do sério. Ele não chegou a reclamar diretamente com Dilma, mas externou seu desconforto a auxiliares e parlamentares de sua confiança. “A relação entre Lula e Dilma não chegou a azedar, mas deu uma esfriada”, afirmou um deles a ÉPOCA.

Os que acreditam na tese do partido rachado dizem que a linha divisória entre os dois PTs ficará mais clara a partir de agosto, quando o Supremo Tribunal Federal começar a julgar o mensalão. Ao contrário de Lula, Dilma planeja se manter afastada do processo e cogita participar de campanhas de candidatos petistas a prefeito somente no segundo turno, após o fim do julgamento. A tese petista sobre o mensalão sustenta que o esquema envolvia apenas sobras de campanha de 2002 e liga o escândalo a disputas eleitorais. Dilma teme associar sua imagem às disputas e não quer nem ouvir falar em palanque.

Fotos: Eraldo Peres/AP, Alan Marques/Folhapress (2), Antonio Gauderio/Folhapress e Marques/Folhapress, Antonio Gauderio/Folhapress e Marques/Folhapress

Em privado, petistas com cargo na gestão Dilma já admitem um resultado desfavorável aos eminentes réus do partido no julgamento: o ex-ministro José Dirceu, o deputado João Paulo Cunha (SP), o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente do PT e ex-deputado José Genoino (SP). A eventual condenação de todos eles poderá significar, ao menos em termos simbólicos, a reprovação do governo Lula no campo da ética. Essa possibilidade tem levado Lula a se alinhar com os réus numa campanha por sua absolvição.

Já em 2005, no auge do escândalo, o então líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, chegou a propor uma “refundação” do partido. Sete anos depois, a chance parece ter ressurgido na esteira da popularidade de Dilma. Hoje ministro da Educação, Mercadante passou décadas ao lado de Lula, como um de seus gurus para a economia. Agora é só elogios à presidente.

De volta a São Bernardo do Campo, seu berço político na Grande São Paulo, e mesmo em tratamento contra um câncer na laringe, Lula aceitou se ocupar da política partidária miúda. Dilma e seus auxiliares petistas ficaram ainda mais distantes da atividade, que a presidente diz detestar. “Lula voltou à articulação política numa situação nova. Antes, usava uma pressão indireta sobre as escolhas partidárias. E ganhava na maioria das vezes. Agora, usa o intervencionismo direto”, diz o cientista político Lincoln Secco, da Universidade de São Paulo e autor do livro História do PT. “Isso revela duas coisas: ele tem um poder muito maior no PT, mas isso tem custos políticos que nem sempre pode controlar. Vide o caso paulistano: ele impôs o candidato, Haddad, e acabou com as prévias. Mas há um setor do partido que simplesmente não entrou na campanha até agora.”

Com Lula à frente das negociações, o PT de Dilma sentiu-se desobrigado de negociar eleitoralmente com os líderes petistas e dos partidos aliados. O movimento é bom para Dilma, uma ex-pedetista que só adotou o PT em 2000. Assim, ela se afasta ainda mais da turma do mensalão. Ao lado dela, instruídos a não perder tempo com conversas políticas, atuam, além de Mercadante, os ministros petistas Gleisi Hoffmann (Casa Civil), José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), Guido Mantega (Fazenda), Giles Azevedo (chefia de gabinete), Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Comunicações).

Em sentido oposto, Lula manobrou para vetar a indicação do prefeito do Recife, João da Costa, à reeleição. Também costurou alianças com antigos aliados de partidos “faxinados” por Dilma após algum escândalo, como o PCdoB e o PP de Paulo Maluf. “A relação mudou. Em primeiro lugar, Dilma tem sido muito mais dura com auxiliares acusados de desvios éticos. Em segundo, embora seja do PT, ela não tem história na sigla. Nunca havia sido candidata a nada. A relação do partido com ela é mais fria”, diz Secco.

Por enquanto, ninguém aposta num confronto aberto entre Lula e Dilma, ungida por ele para assumir o comando do país. Mas os choques recentes são reais e cada vez mais frequentes. A presidente era contra a criação da CPI do Cachoeira, instalada para investigar o bicheiro Carlos Augusto Ramos. Estava disposta a atuar contra a CPI, mas perdeu a disputa com o antecessor. Deu o troco ao vetar a indicação de Cândido Vaccarezza (PT-SP), fiel escudeiro de Lula, para a relatoria.

A MENSAGEM

Para os políticos

O afastamento entre as turmas de Lula e Dilma pode ajudar a definir os rumos da CPI do Cachoeira

Para o eleitor
A eleição será um teste para o prestígio do ex-presidente
O deputado Vaccarezza acabaria flagrado ao celular enviando uma mensagem ao governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral. Prometia blindagem absoluta a Cabral nas investigações. Vaccarezza queria o apoio do PMDB para acuar a imprensa com a comissão. Não conseguiu e deixou os governistas fragilizados. Poucos dias depois, em 30 de maio, a CPI quebrou o sigilo da empreiteira Delta (braço operacional do esquema de Cachoeira) em âmbito nacional durante toda a era Lula (2003-2010).

Lula queria a Delta longe do foco da CPI que ele mesmo ajudou a criar. Mas o feitiço do feiticeiro ameaça ter vida própria. Na quinta-feira passada, governistas comandados pelo líder Jilmar Tatto (PT-SP) conseguiram uma vitória e postergaram a convocação de Fernando Cavendish, ex-homem forte da Delta. Mesmo assim, a CPI examinará as contas da Delta e poderá convocá-lo no futuro.

O deputado federal André Vargas (PT-PR) nega haver tempo ruim com o Planalto. “Nas relações com o Congresso e o PT, Dilma é diferente de Lula. Mas ela encampa os símbolos do partido e da gestão do ex-presidente. Os estilos são diferentes, e temos de entender isso”, diz Vargas. Verdade, mas algo mais os difere. Lula é pressionado pelo tempo, algo que Dilma, na primeira metade de seu primeiro mandato, tem de sobra. No discreto embate da presidente contra o lulismo, o tempo está de seu lado.

16 de jun. de 2012

Parlamentares da CPMI, almoçaram, em Paris, “por acaso”, com o “investigado” Cavendish

BRASIL – Corrupção – CPMI Cachoeira
Parlamentares da CPMI, almoçaram, em Paris,
“por acaso”, com o “investigado” Cavendish
“Como todo mundo sabe, Paris é uma cidade pequena onde todo mundo se esbarra. Portanto, nada mais natural que o senador Ciro Nogueira, do PP, e o deputado Mauricio Quintela, do PR, que por acaso são membros da CPI do Cachoeira, encontrarem casualmente num restaurante da Avenue Montaigne com o empreiteiro Fernando Cavendish" (da investigadíssima construtora Delta)- ironiza Merval Pereira no seu Blog

Foto: Divulgação

ACASOS E COINCIDENCIAS: - Vista de Paris a partir do terraço do Restaurante Maison Blanche, na Avenue Montaigne, a mesma onde aconteceu o tal almoço “casual”, “acidental”, “fortuito” e “imprevisto”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Josias de Souza, Blog do Merval, Blog do Garotinho

Josias de Souza comenta no seu blog que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), integrantes da CPI do Cachoeira, avistaram-se com o presidente licenciado da Delta Construções, Fernando Cavendish, num restaurante de Paris. Deu-se em abril, durante a Semana Santa.

Nesta quinta (14), votou-se na CPI o pedido de convocação de Cavendish. Foi rejeitado. Placar apertado: 16 a 13. O senador Ciro votou contra o depoimento. O deputado Maurício ausentou-se da sessão. Quer dizer: o comportamento de ambos influiu no resultado.

O encontro do sócio majoritário da Delta com congressistas fora veiculado em 31 de maio no blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Sem citar nomes, ele anotara: “Alguns deputados federais e pelo menos um senador almoçaram com Fernando Cavendish na Semana Santa, em Paris. Alguns inclusive são Membros da CPI do Cachoeira-Delta”.


A nota no Blog do Garotinho

Inconformado com o desinteresse da CPI em ouvir Cavendish, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) foi ao microfone. Insinuou a presença na comissão de uma “tropa do cheque para defender o Cavendish”. Abespinhado, Cândido Vaccarezza (PT-SP) levantou-se da cadeira. Dirigindo-se a Miro, declarou:

“Não assaque acusações genéricas. Se Vossa Excelência acha que tem um deputado que é da bancada do cheque, vire pro deputado e diga: é fulano. Eu não sou da bancada do cheque. Não sou!”

Miro não se deu por achado. Conversara com Garotinho. Pedira os nomes que o colega sonegara na nota que havia pendurado em seu blog. Garotinho não informou. Mas assegurou que o encontro de Paris ocorrera.

Dando-lhe crédito, Miro encaminhou à direção da CPI um requerimento. Quer saber quais parlamentares almoçaram com Cavendish e se o voto deles influiu no resultado da votação desta quinta. Citou uma missão oficial à África.

De fato, a missão ocorreu. Sete congressistas voaram para Kampala, na Uganda, para representar o Parlamento brasileiro na 126ª Assembleia Geral da União Interparlamentar. A viagem foi custeada pelo erário. O encontro aconteceu entre os dias 30 de março e 5 de abril.

Além de Ciro Nogueira e Maurício Quintella Lessa, integraram a comitiva Hugo Napoleão (PSD-PI), Átila Lins (PSD-AM), Alexandre Santos (PMDB-RJ), Iracema Portela (PP-PI) e Eduardo Fonte (PP-PE). No voo de volta, aproveitando-se do sacrossanto recesso da Semana Santa, alguns parlamentares fizeram escala em Paris.

Foi nessa passagem pela capital francesa que Ciro e Maurício avistaram-se com Cavendish. Acompanhou-os o deputado pernambucano, Eduardo Fonte (PP- PE), que não é membro da CPI. Nessa época, já crepitava nas manchetes dos jornais o escândalo Cachoeira e as ramificações da quadrilha com a empreiteira Delta.

Ouvido, Ciro Nogueira confirmou o encontro parisiense. Tratou-o como coisa fortuita. “Conheço Cavendish, tenho relação com ele há uns cinco anos. Mas nada que envolva doação de campanha. Nós só o cumprimentamos. Foi um encontro totalmente casual.”

O nome do restaurante? O senador disse que não se recorda. Lembra-se apenas do nome da rua: Avenue Montaigne. De resto, veio-lhe à memória um detalhe prosaico: acompanhados das respectivas mulheres, os parlamentares encontraram um Cavendish de namorada nova, “muito bonita.”

Na sessão em que a CPI refugou o pedido de convocação do presidente licenciado da Delta, coube a Ciro fazer um dos discursos de “encaminhamento” da votação. Se o encontro de Paris foi “casual”, a fala do senador foi providencial.

Ciro Nogueira soou assim na CPI: “Será que o doutor Fernando Cavendish vai chegar aqui e vai falar, vai entregar qualquer tipo? Não vai. Ou nos preparamos para a arguição dessas pessoas, ou nós vamos ser desmoralizados, como nós fomos ontem e anteontem [nas aguições dos governadores Marconi Perillo, de Goiás, e Agnelo Queiroz, de Brasília]”.

Reza a Constituição que as CPIs têm poderes análogos aos do Judiciário. Podem quebrar sigilos, intimar e interrogar pessoas. Em certas situações, podem até dar voz de prisão a depoentes que faltarem com a verdade.

Levando-se a analogia a limites extremos, os membros de uma CPI deveriam se abster de participar de decisões que envolvam “amigos”, como fazem os magistrados nos casos em que se declaram impossibilitados de julgar.

Na melhor hipótese, Ciro Nogueira teria rendido homenagens ao bom senso se houvesse privado a CPI do seu voto. Numa hipótese melhor ainda, pouparia a comissão do risco da pantomima abstendo-se de participar de uma investigação que tem na Delta do “amigo” Cavendish uma de suas ramificações mais promissoras.

Além de não convocar Cavendish, a CPI derrubou o pedido de oitiva de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, o órgão que mais brindou a Delta com contratos para execução de obras do PAC.

Pagot já disse e repetiu que tem o que dizer e deseja falar. Porém, numa reunião em que até Andressa Mendonça, a mulher de Carlinhos Cachoeira, foi convocada a depor, a CPI informou, por 17 votos a 13, que não tem interesse em ouvir o ex-mandachuva do Dnit.

Em articulação coordenada por Miro, um grupo de congressistas insurretos tenta viabilizar o depoimento de Pagot. Se der certo, ocorrerá em sessão informal e paralela. Algo inusitado, que, confirmando-se, levará às manchetes a criação de uma espécie de ‘CPI do B’. A autodesmoralização da CPI oficial já é evidente. Resta saber até que ponto os congressistas estão dispostos a permitir que o melado escorra.

Veja o vídeo do requerimento de Miro Texeira e a carapuça do petista Cândido Vaccarezza


15 de jun. de 2012

As dez horas do governador Agnelo na CPMI

BRASIL – Corrupção – CPMI CACHOEIRA
As dez horas do governador Agnelo na CPMI
Por duas horas a mais o governador do distrito Federal Agnelo Queiroz do PT, bateu, nesta quarta-feira, o recorde do tucano, Marconi Perillo, que havia passado oito horas, dando explicações a CPMI. O momento mais teatral do depoimento foi quando Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal, que já está escancarado há muito, por outras investigações que apuram outras irregularidades do petista. Afinal, corruptos escaldados não deixam rastros bancários, fiscais ou telefônicos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Governador do DF diz ser vítima de perseguição política para tirá-lo do poder, mas não convenceu

Postado por Toinho de Passira
Texto original de Jailton de Carvalho, Chico de Gois e Demétrio Weber
Fonte: O Globo

Após o governador Agnelo Queiroz (PT-DF) permitir, nesta quarta-feira, a quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário para colaborar com os trabalhos da CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo, anunciou que permitirá aos membros da comissão a quebra dos mesmos sigilos. No entanto, em seu depoimento na terça-feira, Perillo não autorizou a comissão a ter acessos. A quebra de sigilos será votada nesta quinta-feira, durante sessão administrativa da CPI.

O depoimento de Agnelo durou dez horas. Ele afirmou em diversas ocasiões que não tem qualquer tipo de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sobre a Delta Construtora, ele explicou que sua administração teve só um contrato com esta empresa, feito pela administração anterior. E ressaltou que é vítima de uma perseguição política para tirá-lo do poder.

- A organização aqui investigada tramou a minha derrubada. E não agiu sozinha. Valeu-se das falsas acusações plantadas no noticiário. Tudo com o objetivo de desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do Distrito Federal.

Sobre o contrato da Delta com o governo do DF, Agnelo disse que era na área de coleta de lixo e varrição, e foi assinado em 9 de dezembro de 2010, ainda no período do então governador Rogério Rosso, quando Agnelo era apenas governador eleito. Na terça-feira a construtora foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU).

Ao terminar a primeira parte da defesa, Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal. Não é a primeira vez que o governador do DF permite a quebra de seu sigilo fiscal: em abril deste ano, ele concedeu a mesma permissão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Também em novembro do ano passado, o ministro Cesar Asfor Rocha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Agnelo e do então ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), entre outros investigados por suspeita de desvios de verbas do Programa Segundo Tempo. A quebra do sigilo foi solicitada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

- Sei que não é usual uma testemunha fazer o que peço. Mas ofereço dar a CPI todos os meus sigilos. Ouvi há alguns dias atras, de um homem do povo, o “velho adágio”, segundo o qual quem não deve não teme – disse o governador. Por volta das 17h, ao ser pressionado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) - que argumentava que Agnelo “poderia não cumprir com sua palavra”-, o governador do DF assinou a autorização para as quebras dos sigilos.

Antes de Agnelo assinar, parlamentares do PT e PDT apresentaram um requerimento com pedido das quebras dos sigilos dos dois governadores, que deverá ser votado nesta quinta-feira. No entanto, após o anúncio da votação, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder do partido na Câmara, disse que o governador Marconi Perillo telefonou informando que também liberaria a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) elogiou o gesto de Agnelo Queiroz, e cobrou que a comissão vote o requerimento para a quebra do sigilo do tucano Marconi Perillo.

- Eu creio que torna inevitável, amanhã, que a CPI proceda a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico também do governador Marconi Perillo – afirmou o senador.

Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB- SP) criticou Agnelo e classificou como política à decisão do petista. Ele justificou que o governador do DF já abriu o sigilo à Justiça podendo a CPI requerer os documentos.

- Já que é nobre para quebrar o sigilo, deveria ser nobre também para se apresentar a essa CPI voluntariamente como o fez o governador Marconi Perillo – disse Sampaio.

CONTRATOS COM A DELTA

Sobre o contrato com a Delta para limpeza pública no DF, o governador ressaltou que esse contrato foi firmado antes de sua gestão, e mediante decisão liminar, determinada pela Justiça. Ele afirmou que 26 dias após tomar posse pediu auditoria nos serviços da limpeza. No último dia 6, o governo do DF notificou a empresa sobre o rompimento deste contrato.

Agnelo rebateu a acusação de que teria, como governador eleito, enviado ofício a Rosso solicitando a prorrogação do contrato com a Delta. Segundo ele, o ofício pedia a prorrogação de contratos "essenciais" que vencessem em dezembro e janeiro. Agnelo afirmou que esse não era o caso da Delta, cujo contrato, com duração de 52 meses, venceria em 2015.

- A empresa (Delta) foi desclassificada, e as outras empresas foram qualificadas, e assinaram contrato com a SLU ( Secretaria de Limpeza Urbana) . Veio a decisão judicial, que desqualificou o contrato. No lugar da Qualix e da Valor Ambiental, a SLU assinou contrato com a Delta. O preço baixo da Delta, de certo, tinha motivo para existir. Se os serviços fossem feitos ante um governo amigo, que permitisse ao lucro não ter fiscalização, permitia ter os preços baixos. Mas o governo eleito pelo povo do Distrito Federal não era amigo – disse Agnelo.

Agnelo afirmou ainda que, em janeiro deste ano, iniciou a pesagem dos caminhões de lixo recolhido pela Delta, o que levou a uma redução de R$ 1 milhão nos pagamentos à empresa.

Agnelo também afirmou que não conhece o presidente afastado da Delta, Fernando Cavendish: - Nunca encontrei com o sr. Fernando Cavendish. Nunca encontrei nem socialmente com ele. Nunca tomei café, nada.

RELAÇÕES COM CACHOEIRA

O governador do DF disse que se encontrou uma única vez com o contraventor Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que isso ocorreu na época em que era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agnelo contou que esteve com Carlinhos Cachoeira durante visita de trabalho à empresa Vitapan, de propriedade do contraventor, em Anápolis (GO). O governador disse que, como diretor da Anvisa, visitava diversas empresas e que, na Vitapan, manteve contato com a equipe técnica.

Agnelo enfatizou que não há ligação telefônica dele com Cachoeira nas gravações da PF.

- Não tem uma ligação minha, não tem uma ligação comigo ou qualquer secretário meu, do Cachoeira ou do seu grupo diretamente. Voz, interceptação dessas pessoas. Portanto, sr. presidente (da CPMI, senador Vital do Rêgo), acredito que a apuração da Polícia Federal, que respeito muito, muito séria, detalhada, ela não deixa dúvida nenhuma - disse Agnelo.

Segundo o governador, as informações divulgadas na imprensa sobre casas de jogos fora dos limites do DF são “infundadas”: - A história que hoje trago é a de um governo que vem sendo perseguido pelo crime organizado.

AUMENTO DE PATRIMÔNIO

Agnelo Queiroz afirmou que não há irregularidade em sua evolução patrimonial. Ele explicou que comprou a casa onde mora no período em que estava sem mandato, lembrando que tanto ele quanto a mulher são médicos e, portanto, teriam condições de adquirir o imóvel. O governador disse que a decisão de abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal, além do telefônico, tem o objetivo de mostrar justamente isso.

- O único período que não tinha mandato, que não estava cuidando da atividade pública, foi justamente o período em que fiz a aquisição, e isso ser considerado como se fosse um crime ou uma desonestidade, isso é inadmissível, não admito uma coisa dessas.

Agnelo falou sobre o tema ao responder ao relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que mencionou reportagem do GLOBO, do último domingo, que mostra que o patrimônio de Agnelo cresceu quase 12 vezes de 1998 a 2010. O governador disse à CPI que o ritmo de crescimento se deu nessa velocidade pelo fato de ser um patrimônio pequeno.

- Não quero nenhum tipo de suspeição sobre a minha vida. Eu tenho uma história de vida. Fui deputado distrital, deputado federal, ministro de Estado de Esporte do presidente Lula, e diretor da Anvisa. Uma história como essa, com 30 anos de trabalho, como médico que sou, minha esposa também, já aposentada por tempo de serviço, é evidente que não posso ouvir aleivosias dessa ordem - disse o governador.

ARAPONGAS


Ao afirmar que foi vítima de arapongagem por um grupo que atua no "submundo do DF", o governador Agnelo Queiroz disse que vai investigar o caso a fundo.

- Que os arapongas ponham as barbas de molho, porque vamos até as últimas consequências para pegá-los - afirmou.

O petista chegou a afirmar que há um grupo criminoso que além de grampear faz dossiês. Ele disse que foi grampeado assim como outras 300 pessoas no Distrito Federal.

- Eu fui vítima disso, grampeado também. Não só o meu como de 300 telefones pessoas do Distrito Federal. Essa prática criminosa da arapongagem, das montagens, dos dossiês. Somos vítimas disso. Repudio isso. Jamais posso admitir qualquer atitude que ocorra nesse sentido. Agora, tomei providência: instalei comissão de investigação na Polícia Civil para poder apurar rigorosamente essa política de arapongagem.


13 de jun. de 2012

As oito horas do governador Perillo na CPMI

BRASIL – Corrupção – CPMI CACHOEIRA
As oito horas do governador Perillo na CPMI
Após oito horas na CPI, Perillo nega influência de Cachoeira no governo. Governador se disse 'injustiçado' que está sendo vítima de "fatos distorcidos e informações descabidas"com a ligação de seu nome com bicheiro.Ele negou contradição sobre venda da casa na qual Cachoeira foi preso. Os aliados partidários do governador disseram que ele foi esclarecedor, o pessoal da base aliada, não ficou satisfeita com as explicações e vai pedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do govenador.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O governador afirmou que não tem responsabilidade pela casa após a venda. "É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, absolutamente dentro da lei. Enquanto outros cobram propina, fazem esquemas em licitações, eu sou acusado de ter vendido a minha casa, e tudo dentro da lei".

Postado por Toinho de Passira
Texto base: Felipe Néri, Priscilla Mendes e Vítor Matos para o Portal G1
Fontes: G1, Agência Brasil, Congresso em Foco, Revista Época, UOL

Em depoimento de oito horas e meia à CPI que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários nesta terça-feira (12), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), negou envolvimento pessoal com o contraventor e também rejeitou suspeitas de que o grupo que explorava o jogo ilegal no estado exerça algum tipo de influência em sua gestão.

Investigação da Polícia Federal apontou suposta influência de Cachoeira no governo de Goiás. O bicheiro teria relações com auxiliares do governador. Servidores do governo de Perillo, como a ex-chefe de gabinete, um assessor direto e o presidente do Detran, pediram demissão após divulgação de suposto vínculo com o grupo do bicheiro.

"Eu rechaço veementemente a possibilidade de corrupção no meu governo", afirmou o governador. "Acho que muitas pessoas gostariam de desestabilizar o meu governo. Agora, eu jamais diria que essa é a intenção da CPI."

Em uma das gravações de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a PF capturou um telefonema em que Perillo cumprimenta Cachoeira pelo aniversário do contraventor. Há suspeita de que uma casa vendida pelo governador tenha sido comprada indiretamente por Cachoeira, numa transação que teria envolvido assessores de Perillo. Em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, a Polícia Federal prendeu Cachoeira nessa casa.

Perillo começou a depor às 10h30 e falou por pouco mais de uma hora antes de começar a responder perguntas de deputados e senadores. Em suas considerações iniciais, ele afirmou que se sente "vítima de uma grande injustiça".

Por volta das 11h45, passou a ser questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), e em seguida pelos demais parlamentares. Sobre a venda de sua casa, na qual Cachoeira foi preso pela PF, ele negou que haja contradições nas versões - há ao menos quatro versões para a venda do imóvel. Perillo afirmou ainda que pode ser vítima de grampos ilegais e que vai abrir investigação para confirmar as suspeitas.

Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) e o senador Mario Couto (PSDB-PA), que não aparece na imagem, discutem calorosamente durante o depoimento de Perillo se ele estava ali como testemunha ou como investigado

Bate-boca na CPI
Durante a sessão da CPI, uma pergunta do relator desencadeou um tumulto e um bate-boca entre os parlamentares na sessão. Cunha perguntou a Perillo, que depôs na condição de testemunha, se o governador estaria disposto a autorizar a quebra de seu sigilo telefônico.

De imediato, parlamentares da oposição se dirigiram aos gritos ao relator, reclamando da indagação de Odair Cunha. "Ele [Perillo] nao é investigado. [...] O relator se perde, ele está aqui como testemunha", gritou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP."O governador Marconi Perillo é, sim, investigado pela CPI", respondeu Cunha. Depois, o presidente da comissão esclareceu que o governador não era investigado, mas sim testemunha.

Relações com Cachoeira
Em sua fala, Perillo destacou que "não há fato concreto" nas interceptações telefônicas que apontam o envolvimento de servidores em irregularidades. "Não há consequência prática entre as conversas e as ações do meu governo. Por uma razão muito simples: nunca tive proximidade com o sr. Cachoeira. [...] Reafirmo, nunca tive relação de proximidade com o sr. Carlos Cachoeira, embora fosse ele uma pessoa de livre trânsito na sociedade."

Ainda segundo o governador, na investigação da Polícia Federal não há registro de nenhum telefonema que ele tenha recebido de Cachoeira. Ele contou que, no telefonema que fez ao bicheiro, estava na casa de um amigo, durante uma reunião social, quando alguém lembrou que era dia do aniversário de Cachoeira e perguntou a ele se não gostaria de cumprimentá-lo. Perillo disse ter o hábito de parabenizar as pessoas pelos aniversários.

"Não estava telefonando para o contraventor, mas para o empresário", declarou Perillo, em referência aos negócios de Cachoeira na área da indústria farmacêutica em Goiás

De acordo com Marconi Perillo, o único encontro formal entre ele e Carlinhos Cachoeira se deu na sede do governo. "Ocorreu no Palácio das Esmeraldas, em audiência, como empresário, formalmente solicitada para tratar de assuntos da Vitapan (empresa farmacêutica)." A Vitapan é oficialmente da ex-mulher de Cachoeira, mas, segundo a PF, continua sendo comandada pelo bicheiro.

Foto: Sergio Lima/Folhapress

Estudantes da cidade de Itumbiara (GO) protestam contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no Congresso, em Brasília

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto, ironizou as declarações de Perillo. "No mínimo, o senhor não tem muita sorte. [...] O senhor vende uma casa, quem compra é o Cachoeira. Num momento de descuido, o sr. liga pro Cachoeira e a PF grampeia. E agora, por um azar do destino, a filha do senhor é colega da sobrinha do Cachoeira."

Jogo ilegal
Perillo disse ainda que, durante o governo dele, houve combate à contravenção e apreensão de máquinas caça-níqueis. "Em relação ao jogo do bicho, quatro operações em média foram realizadas no meu governo, quatro operações por dia", disse.

“A determinação minha sempre foi de combater a contravenção. No inicio, a atividade era legal, havia um contrato com o senhor Cachoeira e o governo do estado por meio da Gerplan”.

Perillo contou ter ouvido falar pela primeira vez no nome de Cachoeira em 1996, quando era deputado federal, e que Cachoeira havia ganhado uma licitação, pela Gerplan, para administrar jogos da loteria de Goiás. Citou que quando assumiu o primeiro mandato (1999-2002), o contrato do governo com a Gerplan estava em vigor.

"O senhor nunca foi informado sobre as ações do principal contraventor do seu estado?”, perguntou o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). “Esse é um juízo de valor que o senhor está fazendo. Eu o conheci como empresário”, respondeu o governador.

Depois, ao ser perguntado sobre sua posição a respeito do jogo, Perillo respondeu: "Não jogo e sou contra o jogo. Entre a hipocrisia reinante e a legalização, talvez fosse melhor que uma providência como essa fosse tomada. Embora repita: se fosse votar aqui no congresso, votaria contra".

Venda da casa
O governador negou ainda que existam contradições em relação à versão que apresentou sobre a venda da casa da qual era proprietário, em Goiânia. "Na minha opinião, essa história da casa está absolutamente explicada", declarou.

Há quatro versões para a venda da casa. Em depoimento à CPI, no último dia 10, o delegado Matheus Mella, da PF, que coordenou a Operação Monte Carlo, disse que a casa foi comprada pelo sobrinho de Carlinhos Cachoeira e que o governador Marconi Perillo recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques.

Na versão de Perillo, quem intermediou a venda foi o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, mas a escritura saiu em nome do empresário Walter Paulo Santiago. Afirmou que recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques.

Perillo voltou a afirmar que seu ex-assessor Lúcio Fiúza estava presente no ato da venda da casa de Garcez para Walter Paulo apenas para "dar legitimidade".

Foto: Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Segundo Perillo, há apenas um registro, na Polícia Federal, de ligação telefônica entre ele e Carlinhos Cachoeira. "São 30 mil horas de gravações. Três anos de gravações, e nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para meu gabinete, para mim. Apenas uma ligação minha para cumprimentar pelo seu aniversário".

Garcez disse que comprou a casa para si e que pediu dinheiro emprestado a Cachoeira e a Cláudio Abreu, ex-diretor da empresa Delta. Depois, teria verificado não que a quantia que possuia não suficiente para pagar a dívida e disse que revendeu o imóvel a Walter Paulo Santiago.

À CPI, Santiago afirmou que pagou em dinheiro pela casa para Lúcio Fiúza, ex-assessor do Perillo, e para Wladimir Garcez. Disse que, depois de comprar, emprestou a casa a Garcez, que, por sua vez, a emprestou a uma amiga, Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira.

O relator Odair Cunha questionou sobre o fato da escritura a casa não ter saído em nome de Garcez. "Durante longo tempo cogitou-se que vendi para o Cachoeira. Restou provado que não foi. Ocorre que não adianta forçar a barra. Quem pediu para comprar a casa foi o Garcez. Acertamos o valor e ele ficou de pagar com cheques pré-datados. Não tinha como eu escriturar a casa sem ter os cheques pagos. Segundo, eu não tinha como, não tinha bola de cristal, que o sr. Garcez tinha recorrido aos seus patrões", respondeu Perillo.

O governador disse que não viu quem eram os emitentes dos cheques. Nas cópias dos cheques entregues por Perillo à CPI, o emitente é a Excitant Indústria e Comércio, empresa que, de acordo com a PF, pertence a uma cunhada de Cachoeira - segundo a investigação da Polícia Federal, a Excitant recebeu depósitos da Alberto e Pantoja, empresa fantasma que supostamente abastecia as contas do grupo de Cachoeira.

Delta
Perillo negou que Garcez o tenha procurado para falar de pleitos de Cachoeira ou da Delta que, segundo a PF, ajudava o esquema do bicheiro.

Ele disse, porém, ter conhecimento de que Garcez procurava órgãos do governo com essa intenção.

"Garcez nunca me levou pleito algum de Cachoeira. Sei que levou a alguns órgãos do governo pleitos da Delta. Ele recebia um valor da Delta e um menor do Cachoeira. A mim, ele nunca levou pleito da Delta e do Cachoeira".

Segundo o governador, a Delta recebeu R$ 14 milhões em 2011 e R$ 4 mihões em 2012 por obras resultantes de contratos com o governo de Goiás.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O governador Marconi Perillo ao responder a pergunta feita pelo relator se ele abriria expontaneamente o seu sigilo respondeu: "Esta decisão não me cabe, cabe à CPI e ao Judiciário. Vocês são quem devem tomar tal decisão", disse o governador.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) perguntou se Perillo conhece Fernando Cavendish, presidente afastado da Delta, e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. "Nunca conversei com o Cavendish. Sei que ele já foi a Goiás. Teve encontros, não sei com quem." Sobre Abreu, esteve poucas vezes em eventos sociais em Goiânia.

Nomeações
O governador também foi perguntado sobre se foram nomeadas pessoas a pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que responde no Conselho de Ética por supostamente ter beneficiado o bicheiro, ou de Wladimir Garcez.

Sobre Garcez, ele disse que o ex-vereador afirmou à CPI não ter feito nomeações. A respeito de Demóstenes, ele respondeu que sim. "Pessoas qualificadas, que estão em vários órgãos. Mas nunca tratou comigo de qualquer pleito relacionado a Cachoeira."

Auxiliares exonerados
Perillo comentou sobre a sua ex-chefe de gabinete, que pediu exoneração após divulgação de áudios que apontavam que ela recebia informações privilegiadas sobre operações policiais cujo alvo seria o grupo de Cachoeira.

"A sra. Eliane Pinheiro era encarregada dos assuntos partidários. Trabalhou durante 20 anos em vários governos, inclusive no meu. Ela trabalhava atendendo aos partidos e aos parlamentares, em sala distante da minha. Nunca pediu pra favorecer nada a nenhuma pessoa ligada aos investigados. Ela saiu do meu governo por se sentir contrangida. Eu não sabia das relações dela com o Cachoeira", declarou.

Sobre o presidente do Departamento de Trânsito em Goiás (Detran-GO), Edivaldo Cardoso, que pediu exoneração após denúncia de elo com Cachoeira, Perillo afirmou que nunca recebeu pedidos do auxiliar.

"Edivaldo nunca me apresentou qualquer pedido de interesses de outra pessoa. A única conversa que teve comigo sobre o Cachoeira foi quando me convidou para um jantar em sua residência e disse que entre os convidados estaria o sr. Carlos Augusto Ramos. Nesse contato informal, ouvi do convidado propostas de isenção fiscal [relativas ao laboratório]", afirmou.

Jornalista
O governador também falou sobre suposto pagamento recebido pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni, que atuou em sua campanha eleitoral. Bordoni diz ter recebido da campanha de Perillo pagamento depositado na conta de sua filha de uma empresa apontada pela PF como laranja que abastecia o esquema de Cachoeira.

O relator Odair Cunha disse que Bordoni afirmou que prestou serviço por R$ 170 mil enquanto que o governador afirma que pagou R$ 33 mil. Cunha destacou fala de Bordoni, de que recebeu R$ 40 mil em dinheiro da mão do governador e que Perillo teria tirado dinheiro de um frigobar.

"Bordoni disse que recebeu do sr. R$ 40 mil em dinheiro, foi o primeiro pagamento, disse que o senhor tirou o dinheiro dentro de um frigobar. Disse Bordoni: só podia estar desligado porque o dinheiro não estava gelado", afirmou o relator, que arrancou risadas dos demais parlamentares.

Perillo rebateu: "Ele tem que provar isso na Justiça. Nesse escritório tem um pequeno gabinete, que tem frigobar, quadros, mas que todo mundo conhece. Claro que qualquer pessoa que tenha passado por lá tem condições de descrever esse ambiente."

Doações
O relator citou que a PF afirma que Rossini Guimarães, sócio de Cachoeira em empresa de segurança, doou recursos para campanhas do PSDB em Goiás. Perillo afirmou que recebeu doações de Rossini e que constam na prestação de contas. Perillo diz que desafia qualquer pessoa a provar que houve direcionamento em licitações no seu governo.

Perillo nega que tenha recebido doações da Delta para sua campanha. "Mas eles podem ter feito colaboração através da empresa de Rossini’, pergunta Odair Cunha. “Pode ter. Não sei”, disse Perillo.

Durante o depoimento, Perillo foi elogiado e criticado por parlamentares. O senador Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado, falou que o depoimento foi "esclarecedor" e o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) elogiou as respostas do governador. Mas o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, que voltou a defender a quebra do sigilo atacou: "O senhor vende uma casa, quem compra é o Cachoeira. Em um momento de descuido, o senhor liga para o Cachoeira e a PF grampeia. E agora, por um azar do destino, a filha do senhor é colega da sobrinha do Cachoeira. No mínimo, o senhor não tem muita sorte".

Foto: Sérgio Lima/Folhapress

O que Aécio Neves e Fernando Collor tricotavam durante o depoimento do governador Marconi Perillo ?


*Alteramos o título, acrescentamos: subtítulo, comentários adicionais baseados nas fontes, fotos e legendas a publicação original

10 de jun. de 2012

Protógenes, o caçador que virou caça

BRASIL –Corrupção
Protógenes, o caçador que virou caça
O risco que corre a caça corre o caçador. O deputado e ex-delegado Protógenes Queiroz está correndo mais riscos de ser imediatamente e severamente punido, que os criminosos que ele tentou alcançar na famosa operação Satiagraha. Acusam-no com gravações feitas pela Polícia Federal, de ligações suspeitas e promíscuas com o araponga, Dadá, que também é o braço de direito do contraventor Carlinhos Cachoeira. Na sua cobertura Daniel Dantas está dando risadas.

Foto: Sergio Lima/Folhapress

DO OUTRO LADO - Protógenes, desconforto e ira, na situação de investigado

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Congresso em Foco, Diário de Pernambuco, Blog do Jefferson, Wikipedia, Estadão

O deputado e ex-delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), o Xerife implacável, que presidiu a famosa e barulhenta Operação Satiagraha, passou de caçador destemido a caça raivosa. A mudança deve-se ao relatório do deputado Amaury Teixeira (PT-BA) apresentado na quarta-feira (6) no Conselho de Ética da Câmara defendendo que o delegado seja investigado por indícios de quebra de decoro parlamentar.

Protógenes é acusado de ter envolvimento com um dos integrantes da quadrilho do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O parecer será analisado, provavelmente, na próxima terça-feira (12) e se aprovado Protógenes, que representa o seu partido na CPMI do Cachoeira, vai ficar na estranha situação de investigado investigando.

A imprensa revelou que Protógenes colérico, ao saber do relatório, usou o microblog Twitter, para atacar o deputado que aceitou a representação do PSDB:

"O parecer do deputado Amauri do PT chegou com Corpus Christi, véspera de quinta santa, diz que Jesus reuniu seus apóstolos para a Última Ceia. Traição!"

Assumindo a postura de paladino perseguido comenta adiante: “talvez o erro ético maior foi requerer a CPMI do Cachoeira e revelar os ladrões dessa Republica e aqueles que se revelam no processo”.

E voltou às baterias novamente contra o relator:

“Um passarinho me contou agora que o Deputado Amauri do PT, cumpriu tarefa do PT em acordo com o PSDB. Querem desviar o foco da corrupção da Delta”.

Protógenes semeou ventos e colhe tempestades. Os inimigos que arrebanhou na operação Satiagraha (banqueiros, diretores de banco e investidores, que acabaram presos e processados) são perigosos, influentes e vingativos, o suficiente para alcançá-lo, onde quer que esteja.

O delegado, porém facilita a vida dos inimigos, pois é um justiceiro arbitrário, incompetente e falastrão. A Operação Satiagraha (“firmeza na verdade” em sânscrito), presidido por ele, está repleta de excessos e grosseira irregularidades na obtenção das provas, entre elas a colaboração imperdoável de arapongas.

FACA DE DOIS GUMES - Dadá, o araponga, servia igualmente o contraventor Carlinhos Cachoeira e o delegado Protógenes Queiroz
Protógenes é acusado formalmente por ter sido flagrado, em escutas telefônicas da Polícia Federal, numa suspeitíssima relação com o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o araponga Dadá, o homem encarregado de corromper servidores de órgãos públicos federais e fazer grampo ilegal, a serviço organização criminosa gerida por Carlinhos Cachoeira.

Dadá, porém, também tem uma ligação com o delegado, pelo menos desde que colaborou (?), de forma clandestina, com a operação Satiagraha.

Sobre o assunto o ex-deputado Roberto Jefferson disse no seu Blog:

”Esta relação de Protógenes, o delegado da Satiagraha, e Dadá, o araponga do bicheiro, é assunto mais do que gordo, suficiente não só para um processo no Conselho de Ética, mas também para encher uma CPI inteira. Afinal, alguém precisa investigar o investigador. Protógenes perdeu o controle e mostrou ao Brasil o quanto de informalidade, ilegalidade e interesses pessoais escusos envolvem as operações midiáticas da PF”.

O pedido de investigação sobre a possibilidade de quebra de decoro do deputado Protógenes Queiroz, feita pelo PSDB e aceita pelo relator, tem como ponto de partida reportagem do jornal O Estado de São Paulo publicada em abril. De acordo com o periódico, Protógenes foi flagrado, por grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em pelo menos seis conversas suspeitas com Dadá, o araponga.

. “A ligação de Protógenes com Dadá permite questionamentos sobre sua autoridade para integrar a CPI. Os diálogos revelam o empenho do deputado, delegado licenciado da PF, em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado”, comenta a jornalista Rosa Costa, para o Estadão.

Numa das conversas, Protógenes lembra ao araponga para só falar em juízo. "E aí, é aquela orientação, entendeu?, diz ele, antes do depoimento de Dadá. As ligações foram feitas para o celular do deputado. Fica evidente a preocupação de Protógenes em não ser visto ao lado de Dadá. Eles sempre combinam encontros em locais distantes do hotel onde mora o deputado, como postos de gasolina e aeroportos.

Com uma imagem de quem se tornaria o "xerife" da Câmara, Protógenes foi eleito graças à carona que pegou nos 1,3 milhão de votos do palhaço Tiririca (PR-SP) para preencher o total de votos exigidos pelo quociente eleitoral de São Paulo.

Nos áudios da Monte Carlo, Dadá trata o deputado por "professor" e "presidente" (do inquérito). Uma das interceptações mostra Protógenes sugerindo a Dadá que o encontre num novo hotel. "Não tô mais naquele não", avisa, num sinal de que os encontros são constantes. No grampo de 11 de agosto de 2011, acertam o local da conversa, mas se desencontram. "Tá onde?", pergunta. Dadá responde: "Em frente da loja da Fiat", ao que o deputado constata: "Ah, tá. Estou no posto de gasolina". "No primeiro?", indaga Dadá. "Isso", confirma o deputado.

Protógenes agora tem um encontro marcado, as claras e a luz do dia, com o Conselho de Ética da Câmara.

8 de jun. de 2012

O que o Governador Perillo, vendeu além da mansão?

BRASIL – Corrupção
O que o Governador Perillo, vendeu além da mansão?
Foi na mansão comprada ao governador de Goiás, que Carlinhos Cachoeira foi preso. As negociações da venda do imóvel estão em dezenas de gravações da Polícia Federal. Pelos depoimento de testemunhas, parece que Cachoeira, pagou duas vezes, pela compra do imóvel, que nem está no seu nome. Ou Marconi Perillo, vendeu mais alguma coisa, além da casa, ou enganou o contraventor

Foto: Ailton De Freitas/Agência O Globo

Em resumo, além de outras coisas, Marconi Perillo, terá que explicar por que recebeu pelo imóvel mais dinheiro do que declarou oficialmente

Postado por Toinho de Passira
Fontes: R7, Veja

Após sucessivas contradições do empresário Walter Paulo Santiago, que prestou depoimento à CPI do Cachoeira nesta terça-feira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), terá que ser muito convincente nas suas explicações à comissão – para tentar justificar junto aos parlamentares – como foi a verdadeira venda em 2011 de uma mansão sua em Goiânia.

O mistério que envolve a mudança de donos da casa é emblemático porque foi nesta mansão que o contraventor Carlinhos Cachoeira, cujas atividades criminosas com autoridades públicas motivaram a criação da CPI, foi preso em fevereiro pela Polícia Federal.

O depoimento de Perillo à comissão de inquérito está agendado para o próximo dia 12. Com a paralisação do Congresso nesta semana por causa do feriado de Corpus Christi, a CPI não fará nenhuma reunião até a oitiva de Perillo. Vão se acumular no colegiado, portanto, requerimentos para o acesso a dados confidenciais do governador e para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de duas empresas ligadas a Walter Paulo Santiago: a Faculdade Padrão e a Mestra Administração e Participações.

Durante suas explicações à CPI, Walter Paulo disse ter comprado a casa do governador tucano, mas apresentou pelo menos três versões sobre a origem dos 1,4 milhão de reais que foram aplicados na aquisição do imóvel: disse num primeiro momento que não poderia precisar de onde saiu o dinheiro, declarou depois que o caixa foi formado recolhendo recursos de diversas de suas empresas e, por fim, defendeu que o montante foi retirado exclusivamente da Faculdade Padrão, da qual é dono.

As inconsistências na versão sobre a origem do dinheiro aplicado na compra da mansão acenderam na CPI hipóteses de que o governador Marconi Perillo poderia até ter recebido duas vezes pela venda da casa: uma por meio de três cheques (dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil) emitidos pela empresa Excitant Confecções Ltda, de uma cunhada de Carlinhos Cachoeira, e outra vez, na versão de Walter Paulo, em “pacotinhos” com notas de 50 e 100 reais, ou, nas palavras do depoente, “uma coisica de nada” que pode ser transportada em “qualquer caixinha”.

O desencontro de versões ficou tão evidente que motivou especulações sobre o valor pago pela casa. Até aliados de Perillo saíram da reunião desta terça-feira sem acreditar na história apresentada por Walter Paulo. Há a suspeita de que parte do pagamento foi feita por fora, e que apenas 1,4 milhão de reais foi declarado. Mas os tucanos insinuam que a culpa seria de Wladimir Garcez, a quem o governador confiou a responsabilidade de negociar a casa.

Para justificar a desconfiança, os parlamentares citam um diálogo, obtido pela Polícia Federal, em que Cachoeira faz menção ao que seria o valor real do imóvel: 2 milhões de reais.

O entendimento de congressistas da CPI é que, diante da dificuldade de Walter Paulo explicar a compra da casa, a Mestra, da qual o empresário diz ser administrador, embora sem receber nada por isso, deve ser uma empresa laranja. A mansão que foi de Marconi Perillo está registrada em nome da Mestra, apesar de o dinheiro utilizado na aquisição da casa não ter saído dos caixas da empresa.

De acordo com o empresário, a Mestra tem capital social de R$ 20 mil e, portanto, não teria caixa para comprar a mansão do governador.

Desde 2006, quando foi fundada, a empresa só fez dois negócios, o que, na avaliação dos parlamentares, indicaria que a empresa é apenas de fachada. Ainda assim, Walter Paulo disse que, por meio da Faculdade Padrão, desembolsou 1,4 milhão de reais para a compra da casa – fora 100 000 reais de comissão ao ex-vereador Wladimir Garcez – para adquirir o imóvel “como investimento” da Mestra. Ele disse ser administrador da empresa, de graça, “para ajudar”.

Também em depoimento à CPI, realizado há 12 dias, o ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez, comparsa do contraventor Carlinhos Cachoeira, deu mais ingredientes para o choque de versões sobre a casa. Disse ter comprado o imóvel de Marconi Perillo com a intenção de morar nele e que o valor de 1,4 milhão de reais foi pago em três cheques pelo ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

A versão do governador sobre a venda da mansão é a de que Wladimir Garcez era apenas o intermediador da transação e que o dono da casa seria mesmo Walter Paulo. "Só há uma versão, a verdadeira dos fatos", disse Perillo em nota.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) diz ter ficado satisfeito com as explicações de Walter Paulo: "Em nenhum momento o governador participou das negociações. Ele agiu de boa-fé”, diz.

Na base aliada, o clima é outro: "A situação do governador Perillo se complicou, porque pode ser que esse dinheiro depositado não seja para o pagamento da casa", diz o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), diz que os depoimentos conflitantes lançam novas possibilidades para o caso: "O governador pode ter recebido duas vezes pela venda da casa", especula.

Em resumo imaginam que o dinheiro pode ter sido usado como caixa 2, na campanha de Perillo, ou foi aproveitada a transação para a contravenção presentear uma grana extra ao governador. Carlinhos Cachoeira poderia estar pagando também a compra da alma de Marconi Perillo.


3 de jun. de 2012

PT querendo usar CPI para melar julgamento do mensalão

BRASIL- Corrupção
PT querendo usar CPI para melar julgamento do mensalão
Já era público e notório, mas a edição de Veja desta semana, através de um documento interno produzido pela direção do Partido dos trabalhadores, prova que objetivamente os integrantes petistas da CPI do Cachoeira são instruídos para evitar que acontece ou tumultuar o julgamento do mensalão. Para tanto devem atacar alvos preferenciais com: oposicionistas, imprensa e membros do Judiciário.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: VEJA

Reportagem de VEJA desta semana revela a existência de um documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira. Consta do roteiro uma lista de alvos preferenciais do PT, entre eles Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Roberto Gurgel, procurador-geral da República.

O guia de ação produzido pela liderança petista, ao qual VEJA teve acesso, não deixa dúvida sobre as reais intenções do grupo mais umbilicalmente ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os alvos são os oposicionistas, a imprensa e membros do Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o mensalão seja julgado e passe, portanto, a existir oficialmente como um dos grandes eventos de corrupção da história brasileira e, sem dúvida, o maior da República.

O documento foca em especial Gilmar Mendes, que Lula tentou constranger, sem sucesso, em sua cruzada para adiar o julgamento do mensalão, conforme mostrou reportagem de VEJA da semana passada. São dedicados a Mendes quatro tópicos: 'O processo da Celg no STF', 'Satiagraha, Fundos de Pensão, Protógenes', 'Filha de Gilmar Mendes' e 'Viagem a Berlim'. São todas questões já levantadas pelos mensaleiros e seus defensores e que, uma vez esclarecidas, se mostraram fruto apenas do desejo de desqualificar um integrante do STF que os petistas consideram um possível voto contra os réus do mensalão.

Alguns petistas discordaram, à boca pequena, da atuação de Lula. Lembraram que é errado dar como certo o voto de Gilmar Mendes na condenação dos mensaleiros, uma vez que o ministro, por exemplo, foi contrário à inclusão de Luiz Gushiken, ex-ministro de Lula, na lista de réus do mensalão.

Sob anonimato, é mais fácil hoje do que há algumas semanas encontrar petistas fortemente críticos da estratégia de atacar a imprensa e envolver o procurador Roberto Gurgel na CPI do Cachoeira. No documento feito pelos petistas empregados na liderança do partido no Congresso, Gurgel é falsamente acusado de engavetar o caso conhecido como Operação Vegas, em que a Polícia Federal investigou o jogo ilegal no Brasil. O documento do PT dá como fatos as mais absurdas invencionices contra a imprensa, marteladas por blogs sustentados por verbas públicas de instituições dominadas por petistas. A avaliação de deputados e senadores do PT, confirmada por pesquisas de opinião, é que o partido, até agora, é o maior perdedor na CPI do Cachoeira.


31 de mai. de 2012

Demóstenes não fala e deputado pernambucano arma barraco

BRASIL - CPMI
Demóstenes silencia e deputado arma barraco
O senador Demóstenes Torres, na CPMI de Cachoeira, ao comunicar que usaria direito previsto na Constituição de 'permanecer calado' despertou um transe de baixaria no deputado pernambucano Sílvio Costa (PTB), que enfurecido começou a esbravejar e humilhar o interrogado. O senador Pedro Taques (PDT-MT) que o interrompeu pedindo respeito ao direito constitucional do depoente, acabou também sendo xingado pelo descontrolado Silvio que o chamou de “merda e filho da puta!”

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) anunciando a intenção de usar o direito constitucional de não responder às perguntas feitas pelos parlamentares na sessão à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Agência Brasil, Folha de São Paulo, Estadão, G1

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), decidiu encerrar a sessão de depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) nesta quinta-feira (31) após a recusa dele em falar aos integrantes da comissão e depois de um bate-boca entre parlamentares - um a favor e outro contrário ao direito de Demóstenes ficar calado.

Demóstenes é suspeito de ter utilizado o mandato para beneficiar os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira. Em depoimento no Conselho de Ética do Senado na terça, ele negou a acusação.

Demóstenes ao chegar a sessão, nesta quinta-feira, 30, comunicou que não responderia a perguntas e permaneceria em silêncio durante a sessão, usando a "faculdade prevista na Constituição Federal de permanecer calado".

Assim que Demóstenes manifestou a intenção de não falar, o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciou que o pedido de Demóstenes seria respeitado, assim como feito com outros depoentes que recorreram ao preceito constitucional de permanecerem calados na comissão.

Então o deputado Silvio Costa (PTB-PE) pediu a palavra e começou a questionar a postura do colega, chamando-o, aos gritos, de "hipócrita" e "mentiroso".

"O senhor passou cinco horas no Conselho de Ética e não conseguiu se explicar. Mas, aqui, com cinco minutos, o senhor explicou tudo. O seu silêncio é a mais prefeita tradução da sua culpa", ressaltou o deputado Silvio Costa. "O senhor apelou para Deus, se disse carola, mas o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar para mentiroso, não é lugar de gente hipócrita", disse o deputado se dirigindo a Demóstenes.

Diante da exaltação do parlamentar, o senador Pedro Taques (PDT-MT) reagiu: “Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição Federal, que afirma que o cidadão, seja lá quem for, merece respeito. Fui procurador da República por mais de 15 anos e tenho a convicção de que um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade". "A Constituição diz que devemos tratar a todos com urbanidade. Não cabe a qualquer parlamentar expor o outro, mesmo em se tratando de CPI", argumentou Pedro Taques.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) recebendo um caboclo xingador durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

O aparte de Taques enfureceu ainda mais Silvio Costa que voltou a criticar Demóstenes.

"Vou lhe chamar agora de ex-futuro senador porque esse seu silêncio... Você vai ter 80 votos a favor da sua cassação. Você é um hipócrita, você trabalhou contra o país, você é um demagogo!", bradou Costa.

Com o clima quente, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerrou a sessão e autorizou Demóstenes Torres a deixar a sala.

De pé e com dedo em riste, Costa disse a Taques: "Você é um merda. Filho da puta. Você é um merda!" O xingamento foi presenciado pelos integrantes da comissão e por jornalistas presentes à sessão.

Costa deixou a sala aos gritos e, em entrevista, criticou Taques. "Ele é metido a paladino da ética. Ele tem que assumir: foi defender Demóstenes. Ele é um dos defensores do Demóstenes. Ele hoje tirou a máscara", disse.

No mesmo momento, Taques foi cercado por colegas da CPI, que o defenderam. "Isso é um abuso de autoridade parlamentar. Nenhum cidadão pode ser humilhado", afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). "Os líderes podem falar, mas tem que ser com elegância. Está errado o que o Silvio fez", disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Indagado em entrevista se proporia uma representação contra o deputado por quebra de decoro, Taques afirmou: "Vou analisar o que será feito. Agora, você não pode representar por ofensa ao decoro contra quem não tem decoro". Ele disse ainda que não faz parte da "chacrinha" de Silvio Costa e que "desabafos se fazem em boteco, não em CPI".

SILÊNCIO
No início de sua fala, após dizer que iria ficar calado, Demóstenes informou que iria encaminhar à comissão as notas taquigráficas e a degravação do depoimento que deu na última terça (29) ao Conselho de Ética do Senado onde responde a processo por quebra de decoro parlamentar.

"Comunicamos que nós permaneceremos calados, uma vez que nosso advogado está providenciando junto ao Conselho de Ética a degravação desse depoimento que eu fiz, bem como as notas taquigráficas da sessão para que sejam encaminhadas a essa CPI", afirmou.

Nesta terça, Demóstenes falou por mais de cinco horas no Conselho de Ética do Senado, que o investiga por quebra de decoro parlamentar.