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24 de jun. de 2013

A arrogante “democracia” de Vladimir Putin

RUSSIA - EUA – Opinião
A arrogante “democracia” de Vladimir Putin
Uma dezena de manifestantes que participaram de um protesto contra Putin, em Moscou, realizado em maio de 2012, estão sendo julgados por incitar a violência que, segundo a maioria dos observadores, foi iniciada pelas forças de segurança do governo. Alexei Navalny, um popular blogueiro político que deseja se candidatar para concorrer à presidência da Rússia, está sendo julgado por acusações forjadas, para impedi-lo de concorrer ao cargo.

Foto: Kevin Lamarque / Reuters

CONSTRANGIMENTO - Barack Obama e Vladimir Putin, recentemente, num encontro durante a conferencia do G-8, na Irlanda do Norte.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem: Denis Corboy, William Courtney e Michael Haltzel, para The New York Times
Fontes: The New York Times, UOL

Os líderes ocidentais têm silenciado quase que totalmente enquanto o presidente russo Vladimir Putin lança uma campanha de táticas típicas de Estados policiais contra os russos que fazem oposição abertamente a ele. No entanto, ao enfatizar as práticas que priorizam os direitos humanos, o Ocidente poderia inspirar os russos que buscam obter mais liberdade sem colocar em risco a maior parte dos objetivos comuns que mantém com a Rússia.

A Rússia não é a versão revivida da União Soviética totalitária. Mas as medidas que Putin adotou após as grandes manifestações de oposição a seu governo começaram a acontecer, no final de 2011, sugerem uma arrogância típica do antigo poder totalitário soviético. Na defensiva, Putin está tentando a todo custo fortalecer sua base política ao mobilizar nacionalistas e xenófobos.

Grupos independentes, como o Golos, que monitora as eleições, e o Memorial, que promove os direitos humanos e a divulgação da história de forma honesta e verdadeira, podem ser fechados em breve pois se recusam a se registrar como "agentes estrangeiros", um termo que, em russo, descreve os espiões.

Nas últimas semanas, o grande mestre de xadrez Garry Kasparov, além de Pavel Durov, fundador da maior empresa de mídia social da Rússia, e de Sergei Guriev, que já dirigiu a principal escola de economia da Rússia, optaram por permanecer no exterior devido ao medo de serem presos por motivos políticos.

Uma dezena de manifestantes que participaram de um protesto contra Putin, realizado em maio de 2012, estão sendo julgados por incitar a violência que, segundo a maioria dos observadores, foi iniciada pelas forças de segurança do governo.

Alexei Navalny, um popular blogueiro político que deseja se candidatar para concorrer à presidência da Rússia, está sendo julgado por acusações forjadas. A condenação de Navalny --que é muito provável-- o tornaria inelegível para concorrer ao cargo

Foto: Aleksandr Utkin/RIA Novosti

Debochar de Putin, na Rússia. é um comportamento de alto risco

Jornalistas que criticam as autoridades russas foram espancados. Outros russos foram presos por acusações inventadas, uma tática criada para intimidar a classe média urbana, que se mostra cada dia mais alienada. A rede de TV estatal alimenta os espectadores com uma rígida dieta de propaganda anti-EUA, superior e incomum até mesmo nos tempos soviéticos.

Apesar do rápido declínio das liberdades pessoais, a maioria dos líderes ocidentais se abstem de fazer críticas mais duras. É possível que eles temam que esse tipo de atitude possa prejudicar a consecução de outros objetivos importantes, mas isso é improvável.

A maior parte dos laços ocidentais com a Rússia são laços de natureza comercial, e eles seriam pouco afetados. A Rússia vende energia para a Europa, os Estados Unidos reembolsam a Rússia por pelos lançamentos espaciais realizados a partir da estação espacial internacional, e os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pagam para ter acesso, via território russo, a suas forças instaladas no Afeganistão e para poderem apoiá-las.

A Rússia precisa da tecnologia ocidental para desenvolver seus depósitos energéticos no Ártico e lucra com a ampliação das redes de transporte terrestre entre a Europa e a China.

Para que não reste nenhuma dúvida: a cooperação com a Rússia em algumas áreas é incerta, mas por motivos alheios às políticas ocidentais relacionadas aos direitos humanos. Moscou resiste a pressionar o regime de Assad em Damasco, e provavelmente vê a realização de uma possível conferência internacional sobre a Síria como uma forma de ganhar tempo enquanto continua armando o regime sírio.

As negociações sobre um novo acordo de armas nucleares entre russos e norte-americanos, apregoadas pelo presidente Barack Obama na quarta-feira passada em Berlim, na Alemanha, podem naufragar porque o Kremlin pretende proteger sua enorme vantagem relacionada às armas nucleares não estratégicas e contesta os planos relacionados aos mísseis de defesa dos Estados Unidos.

A Rússia quer que as normas para a concessão de vistos por parte dos países ocidentais a cidadãos russos sejam relaxadas, mas a criminalidade e problemas registrados com viajantes que ficam no exterior com vistos expirados minam essas perspectivas.

Foto: Jeremy Nicholl

A polícia de choque russa é uma das mais violentas do mundo

Na década de 1990, o Ocidente perdeu o apoio popular na Rússia após aconselhar a privatização de propriedades estatais e, em seguida, não ter criticado a corrupção que grassou durante a implementação dessas mesmas privatizações. O Ocidente não deve repetir os mesmos erros agora ao não defender aqueles que têm enfrentado a intensificação da repressão na Rússia.

Os líderes ocidentais poderiam começar pedindo explicações ao Kremlin sobre as atuais violações de direitos praticadas pelo governo russo. Em julho de 2009, na Nova Escola Econômica de Guriev, em Moscou, Obama ressaltou o valor das liberdades de expressão e de associação. Desde então, ele tem sido cauteloso em criticar os abusos observados na Rússia e, infelizmente, manteve-se em silêncio publicamente em relação a esses abusos após sua reunião com Putin na segunda-feira passada, na Irlanda do Norte.

Foto: CTZ

A alemã, Angela Merkel é uma das poucas que reprova publicamente
a política de direitos humanos de Putin

A chanceler Angela Merkel, da Alemanha, tem sido mais direta em relação à situação na Rússia. Em novembro passado, diante de Putin, ela reprovou a condenação das jovens do Pussy Riot, que protestaram pacificamente em uma catedral de Moscou. E, em abril passado, Merkel disse que as organizações independentes da Rússia mereciam uma "boa oportunidade" de atuar.

Os líderes ocidentais devem perceber que a campanha de Putin para limitar as liberdades individuais irá, cada vez mais, restringir o espaço político na Rússia para a cooperação com o Ocidente.

De maneira menos conspícua, os países ocidentais também poderiam fazer mais: eles deveriam, por exemplo, oferecer mais espaço para que grupos independentes apresentassem provas sobre os abusos cometidos na Rússia.

Da mesma maneira, essas nações poderiam fornecer mais treinamentos e capacitações --fora da Rússia-- aos líderes das organizações sitiadas pelo governo russo. E, com certeza, até mesmo os pais mais céticos em relação às influências ocidentais querem que seus filhos obtenham uma educação mais globalizada dentro da própria Rússia ou no exterior --coisa que o Ocidente pode facilitar.

Já passou da hora de os líderes ocidentais promoverem um reequilíbrio de suas políticas relacionadas à Rússia e colocarem os direitos humanos e as liberdades políticas de volta na pauta de negociações.

Essa busca não deve ser uma cruzada. Pelo contrário, ela deve se tornar uma parte mais integral da política ocidental. Esse tipo de postura também enviaria uma mensagem de boas vindas para os agressores e as vítimas de outros países.


20 de mai. de 2013

Parlamentares afegãos rejeitam aprovar lei que dá direitos as mulheres e as protegem de violência doméstica

AFEGANISTÃO – Radicalismo
Parlamentares afegãos rejeitam lei que dá direitos as mulheres e as protegem de violência doméstica
O decreto aprovado pelo presidente Karzai em 2009, está sendo torpedeado por deputados conservadores que julgam o dispositivo anti-islâmico. Sob o ponto de vista de uma parlamentar, suprimir da tradição afegã, o direito de processar, por adultério, mulheres estupradas, levaria o país ao caos social. Outro lembrou que “o Alcorão deixa bem claro que um marido tem o direito de bater numa esposa desobediente”. Apesar da melhoria da condição de vida feminia, após a queda do regime talibã, as mulheres afegãs ainda estão muito distantes de gozarem de direitos básicos. Estão proibidas de praticar esportes, lutam pelo direito de poder andar de bicicleta, e são ameaçadas ou até agredidas por frequentarem escolas.

Foto: Reuters
BURCA FASHION - Ativistas costumam dizer que o Afeganistão é o pior lugar no mundo para se nascer mulher.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Al Jazeera, The Guardian, O Globo, Giornaettismo, Huffington Post, Veja

Legisladores conservadores religiosos do Parlamento afegão impediram que fosse aprovada, neste sábado, lei que criminaliza a violência contra a mulher, sob o argumento que parte do dispositivo proposto violava princípios e islâmicos e incentivava a desobediência feminina.

Os direitos das mulheres afegãs, ainda é sufocado por uma interpretação radical do Islã, mesmo depois de mais de uma década da queda do regime Talibã, que mantinha as mulheres virtuais prisioneiras em suas casas.

Khalil Ahmad Shaheedzada, um parlamentar conservador da província de Herat, disse que a lei foi retirada, pouco depois de ser posta em discussão no parlamento, devido ao repúdio causado por integrantes de partidos conservadores e religiosos que consideraram parte da lei, uma afronta ao Islã.

"Tudo o que é contra a lei islâmica, não merece nem ser discutido", disse Shaheedzada.

A Lei sobre Eliminação da Violência Contra as Mulheres está em vigor desde 2009, por decreto presidencial, uma espécie de Medida Provisória, local.

Ela foi levada ao debate no Congresso, numa tentativa de aprovação, pelo parlamentar, Fawzia Kofi, ativista dos direitos das mulheres, que teme uma reversão potencial, no formato em que se encontra, por qualquer futuro presidente que pode revogá-la para satisfazer os partidos religiosos linha-dura.

No mês de abril do próximo ano, haverá eleições para presidente e o atual mandatário, presidente, Hamid Karzai, autor do decreto, está impedido constitucionalmente a tentar uma nova reeleição.

Na lei barrada pela ala conservadora do parlamento afegão, consta a conquista de direitos básicos, como a criminalização da prática de casamento infantil e casamento forçado, e o "baad", que é a utilização da mulher como objeto de troca ou de venda, para a resolução de disputas entre clãs. Também prever a punição de até três anos, no caso de crimes de violência doméstica, e não permite que mulheres vítimas de estupro sofram acusações criminais de fornicação ou adultério.

No parlamento afegão, na chamada câmara baixa, equivalente a nossa Câmara Federal, há 250 assentos, entre os quais 60 ocupados por mulheres, quase todas eleitas em virtude da obrigatoriedade imposta pelas "quotas" constitucionais.

Kofi, revelou desapontado que existem muitas mulheres parlamentares, entre aqueles que se opõem à aprovação do decreto presidencial.

Foto: BBC

UNHAS LIVRES - Mulheres na fila de votação, exibem o título de eleitor e as unhas pintadas, símbolos de liberdade feminina

Na verdade o decreto atual em vigência, não é aplicado em toda a sua plenitude. A análise das Nações Unidas no final de 2011 registrou que apenas uma pequena percentagem dos crimes denunciados contra as mulheres foram investigados pela justiça afegã. Entre março de 2010 e março de 2011 - o primeiro ano completo da vigência do decreto, os promotores formalizaram apenas 155 acusações criminais, dos mais de 2.200 crimes relatados.

A proibição de casamento infantil e a ideia de proteger as mulheres vítimas de estupro foram particularmente os temas que aqueceram os debates no parlamentar, disse Nasirullah Sadiqizada Neli, outro parlamentar conservador da província de Daykundi.

”É errado que a família não possa casar sua filha enquanto ela não tiver 16 anos - disse Obaidullah Barekzai, deputado pela província de Uruzgan, no sudeste, onde os índices de alfabetização de mulheres estão entre os mais baixos do país.

Barekzai argumentou contra quaisquer limites de idade para as mulheres, citando a histórica figura de Hazrat Abu Bakr Siddiq, um companheiro do profeta Maomé, que teria casado a filha quando ela tinha ainda 7 anos. Pelo menos outros oito parlamentares, a maioria do Conselho Ulema, um órgão integrado por clérigos, juntou-se a ele em condenar a proposta de lei como anti-islâmica.

Sob o ponto de vista de Neli, suprimir da tradição afegã, o direito de processar, por adultério, mulheres estupradas, levaria o país ao caos social. E tem uma explicação: “com essas liberdades do mundo ocidental, as mulheres poderiam sentirem-se motivadas a praticarem sexo extraconjugal, sem riscos de punição diante da possibilidade de alegar estupro sempre que forem flagradas em adultério”.

Outro deputado, Mandavi Abdul Rahmani da província Barlkh, que também se opôs a aprovação da lei tem argumento mais radical:

"O adultério é um crime no Islã, seja pela força ou não", disse.

Adiantou ainda que no Alcorão está bem deixa claro que um marido tem o direito de bater numa esposa desobediente como um último recurso, de forma moderada, sem causar-lhe danos permanentes. "Mas essa lei", disse ele indignado, "Diz que se um homem bate na mulher, em qualquer circunstância, deve ser preso de três meses a três anos!”

Para ele a lei reflete valores não aplicáveis no Afeganistão e incentivará a desobediência entre as meninas e as mulheres, aos seus maridos, pais e parentes mais velhos.

Foto: AFP

SEM VÉU - A burca não é obrigatória, e muitas famílias permitem as mulheres mostrarem o rosto em público, embora seja de bom tom manter a cabeça coberta e o resto do corpo oculto pela vestimenta.

A liberdade para as mulheres é uma das mais visíveis e simbólica mudança no Afeganistão desde a campanha norte-americana 2001, que derrubou o regime talibã. Enquanto no poder, o Talibã impôs uma interpretação radicalissima do Islã com restrições severas à vida das mulheres.

Por cinco anos, o regime proibiu as mulheres de trabalhar, incluindo professoras, médicas e, enfermeiras, de ir à escola, ou mesmo de sair de casa sem um “mahram” (marido ou parente do sexo masculino). Em público, todas as mulheres foram forçadas usar a burca, uma vestimenta que cobre todo o corpo e deixa apenas uma cortina a altura dos olhos.

As proibições iam a detalhes, por exemplo, estavam proibidas de falar com vendedores homens; ser tratada por médicos homens (num país onde as mulheres eram proibidas de exercer a medicina); qualquer tipo de maquiagem (muitas mulheres tiveram seus dedos cortados por pintar as unhas); falar ou apertar as mãos de estranhos; rir alto (nenhum estranho deveria sequer ouvir a voz da mulher); usar saltos altos que possam produzir sons enquanto andam, já que é proibido a qualquer homem ouvir os passos de uma mulher; praticar qualquer tipo de esporte ou mesmo entrar em clubes e locais esportivos; andar de bicicleta ou motocicleta, mesmo com seus “mahrams”; usar roupas que sejam coloridas ou, na concepção talibã, “que tivessem cores sexualmente atrativas”.

Não parava por aí, era proibida também a participação de mulheres em festividades; lavar roupas nos rios ou locais públicos; aparecer nas varandas de suas casas; usar calças compridas mesmo debaixo da burca; se deixar fotografar ou filmar e muito menos cantar.

Por outro lado o testemunho de uma mulher valia, e informalmente ainda vale, a metade do testemunho masculino e a mulher não podia recorrer à Corte diretamente – isso tem que ser feito ao lado de um membro masculino da sua família. Sabe-se que essa tradição ainda não foi desincorporada, e por isso, a violência doméstica fica impune, pois a mulher teria que estar acompanhada do agressor, ou de outro membro masculino de destaque na família do marido, sogro, avô etc. para prestar a queixa.

O impasse legislativo do sábado refletiu o poder dos partidos religiosos. Embora o decreto continue em vigor, mesmo que vagamente aplicado é melhor que nada. Tecnicamente o parlamento pode ainda neste ano voltar a discutir a questão, dependendo do resultado do parecer de uma comissão, nomeada na ocasião, que examinará a possibilidade.

Algumas ativistas, entre elas, Heather Barr, pesquisadora da Human Rights Watch, se dizem preocupadas com possíveis mudanças na lei, com a certeza que os conservadores vão procurar enfraquecê-la -, retirando as disposições que não lhes agradam - ou mesmo revogá-la, na totalidade.

Os temores tem fundamentos quando se ouve parlamentares como Abdul Sattar Khawasi, membro da província de Kapisa, chamar os abrigos para mulheres vítimas de violência, como um lugar "moralmente corrompido" e o Ministro da Justiça, Habibullah Ghaleb, que declarar que considera esses abrigos de mulheres vitimadas, com casas de "prostituição e imoralidade".

Junta-se ao grupo o deputado Rahmani, que lamenta que o presidente Hamid Karzai tenha elaborado decreto, que segundo ele precisa ser mudado ou revogado

"Não podemos ter um país islâmico, com leis basicamente ocidentais", concluiu ele.

EXEMPLO DE VIOLÊNCIA AFEGÃ CONTRA MULHERES

Foto: Film Magic; Associated Press

No dia 09 de agosto de 2010 a revista Time publicou em sua capa a foto de uma garota afegã mutilada. A fotografa sul-africana Jodi Bieber, encontrou Bibi Aisha, 18 anos, em um campo de refugiados em Kabul e contou a sua história para o mundo.

O tio de matou um homem e como indenização precisou oferecer duas sobrinhas para a família da vítima. Ela foi aprisionada no estábulo até o dia em que menstruou sendo então entregue ao homem que seria seu futuro marido, que lhe submeteu a sucessivas torturas e espancamentos. Bibi fugiu mas, andando sozinha na rua sem a companhia de um homem, foi imediatamente presa.

Seu pai a encontrou na prisão após quatro meses, mas foi obrigado devolvê-la a família do marido. Como punição, ela foi segurada pelos cunhados e o marido arrancou seu nariz e orelhas com uma faca, pela ousadia da desobediência. Logo após o evento, o sogro de Bibi foi visto andando com seu nariz pelas ruas como se fosse um trofeu enquanto era deixada para morrer nas montanhas.

Bibi Aisha foi salva por um grupo de civis que faziam trabalho humanitário no Afeganistão. Após ser encontrada por Jodi Bieber e ser capa da Time, ela foi para os EUA onde recebeu atendimento de psicológos e passou por cirurgias de reconstrução.



14 de jan. de 2013

Centenas de milhares protestam contra casamento gay em Paris

FRANÇA
Centenas de milhares protestam
contra casamento gay em Paris
Surpreende e causa estranheza que a liberal e permissiva França, país que sempre esteve na dianteira da evolução dos costumes e da tolerância no mundo ocidental, tenha esse tipo de manifestação reacionária em pleno século XXI..

Fotos: Lionel Bonaventure / AFP



Manifestantes protestam contra casamento gay em Paris; marcha reuniu ao menos 340 mil

Postado por Toinho de Passira
Fontes: AFP, Le Figaro, Le Monde, BBC Brasil

Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Paris para protestar contra os planos do governo de conceder a casais gays o direito de se casar e adotar crianças.

Três grandes marchar convergiram neste domingo para o Champs de Mars, um grande parque perto da torre Eiffel.

O governo socialista de François Hollande está planejando fazer uma mudança na lei neste ano.

Mas os manifestantes, apoiados pela Igreja Católica e pela oposição de direita, argumentam que isso poderia minar um elemento essencial da sociedade.

Os organizadores das marchas disseram que o evento reuniu 800 mil pessoas - que chegaram a Paris em ônibus e trens. Eles portavam cartazes dizendo: "Não queremos sua lei, François" e "Não toque no meu código civil".

Já a polícia e um ministro do governo afirmaram que o número total de manifestantes não passou de 340 mil. Uma marcha similar realizada em novembro do ano passado reuniu 100 mil pessoas.

O evento foi liderado por uma comediante conhecida como Frigide Barjot, que disse a uma emissora de televisão francesa que o casamento gay "não faz sentido", porque uma criança "deve nascer de um homem e uma mulher".

Teste para o presidente

Foto: Vincenzo Pinto/AFP

Ativistas do grupo feminista Femen fazem protesto no Vaticano.

Apesar da França permitir a união entre casais do mesmo sexo, Hollande prometeu durante a campanha presidencial expandir esse direito.

O líder do grupo parlamentar de centro-direita UMP (União por um Movimento Popular), Jean-François Cope, disse que o evento seria um "teste" para o presidente porque "claramente milhões de franceses estão preocupados com essa reforma".

A Frente Nacional, de extrema direita, também se opôs à mudança, apesar de sua líder, Marine le Pen, não ter participado das marchas. Ela argumentou que o tema distrai os políticos dos problemas "reais" da França.

Apesar do apoio da Igreja e dos partidos de direita, os organizadores dizem que o movimento não é político nem religioso, tampouco dirigido contra os homossexuais, segundo o correspondente da BBC em Paris, Hugh Schofield.

Uma pesquisa de opinião com cerca de 1.000 pessoas, publicada pelo jornal Le Nouvel Observateur no fim de semana, revelou que 56% dos franceses apóiam o casamento gay, mas 50% desaprovam a adoção de crianças por gays.

Ainda segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados desaprovam o posicionamento da igreja contra a legislação francesa.

Pesquisas anteriores haviam indicado um apoio mais forte ao casamento gay.

Enquanto os manifestantes chegavam a Paris, quatro ativistas ucranianas fizeram seu próprio protesto pelos direitos dos gays na Praça de São Pedro, no Vaticano.

As mulheres do movimento feminista Femen apareceram fazendo topless enquanto o papa bento 16 recitava uma oração.

Foto: Vincenzo Pinto/AFP
A polícia deteve as manifestantes. Uma delas foi atacada por um fiel com golpes de guarda-chuva.


24 de nov. de 2012

SMS avisa maridos sauditas se suas mulheres cruzarem a fronteira

ARABIA SAUDITA
SMS avisa maridos saudistas
se suas mulheres cruzarem a fronteira
Para viajar ao exterior, as mulheres saudistas necessitam de autorização do seu tutor masculino, que pode ser o marido, o pai, irmão ou parente. Para fazer valer a lei, as autoridades da Arábia Saudita enviam mensagens de texto aos tutores homens, alertando quando as “suas” mulheres estão deixando o país.

Foto: Zawaj.com

ONDE ESTÁ MINHA MULHER? - Tecnologia de informação desse milênio aplicado em controle digno da Idade Média

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Limbo Tech, Al Araiya, Voz da Russia, Pakistan Daily times, France 24

Após perderem o direito de viajar sem o consentimento de seus homens responsáveis (tutores) e serem proibidas de dirigir, as mulheres na Arábia Saudita agora estão sendo monitoradas por um sistema eletrônico que controla qualquer movimento transfronteiriço.

A partir da semana passada, os responsáveis pelas mulheres, pais, maridos, irmãos ou parentes, começaram a receber mensagens de textos informando quando as mulheres sob sua custódia deixam o país, independentemente se estejam ou não viajando juntos.

Manal al-Sharif, uma ativista dos direitos da mulher que no ano passado promoveu uma campanha desafiando a lei que proíbe as mulheres de dirigir, espalhou a informação do sistema eletrônico no Twitter depois que foi alertada por um casal.

Viajando com sua esposa, o marido recebeu uma mensagem de texto das autoridades de imigração, informando-lhe que ela havia deixado o Aeroporto Internacional de Riade.

“As autoridades estão usando a tecnologia para monitorar as mulheres”, disse o colunista Badriya al-Bishr, que criticou o “estado de escravidão em que mulheres são mantidas” na monarquia ultraconservadora.

As mulheres não estão autorizadas a deixar o país sem autorização dos homens responsáveis, os quais devem dar seu consentimento ao assinar o que é conhecido como a “folha amarela”, no aeroporto ou na fronteira.

A Arábia Saudita aplica uma estrita interpretação da sharia, ou lei islâmica, e é o único país do mundo onde as mulheres não podem dirigir.

Nas redes sociais em tom de ironia se sugeriu o uso de chips localizadores e tornoseleiras eletrônicas, usadas em condenados com permissão de circular fora dos presídios.

O país impõe regras rígidas que regem a mistura entre os sexos, enquanto as mulheres são obrigadas a usar um véu e um manto preto, ou abaya, que as cobre da cabeça aos pés, exceto as mãos e rostos.

Foto: Divulgação


18 de ago. de 2012

Atleta tunisiana, medalha de prata, acusada, por patrícios radicais, de ter corridor “nua” em Londres

TUNÍSIA
Atleta tunisiana, medalha de prata, acusada, por patrícios radicais, de ter corridor “nua” em Londres
Habiba Ghribi foi a primeira mulher tunisiana a subir num pódio olímpico. A glória não foi bem aceita no seu país, por ela ter disputado a prova com braços, pernas, barriga e umbigo à mostra e sem véu. Pela internet foi dito que ele deveria inclusive perder a cidadania, por ter envergonhado o país

Foto: Stu Forster/Getty Images

DIREITO DE EXIBIR O UMBIGO - Habiba, ao invés de ser motivo de orgulho, escandalizou conterrâneos por causa da indumentária de atleta que usou para competir e vencer

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Aljazeera, Veja, Tunisia Live, El Pais - Blog, Folha de S. Paulo, National Post Sport

A atleta Habiba Ghribi não cabia em si de tanta alegria em ser a primeira mulher tunisiana a subir num pódio olímpico. Habiba foi medalha de prata nos 3.000 metros com barreiras e dedicou sua vitória a todos os compatriotas, em especial às mulheres. O problema é que muitos tunisianos não gostaram da forma como ela se apresentou na prova e chegaram a pedir a “cassação” de sua nacionalidade, pelas redes sociais, que se entupiram de mensagens agressivas e indignadas, contra a atleta.

Foto: Reuters

PSICOLOGICAMENTE NUA - Habiba, disputou a prova como as outras atletas, calção curto, top colado ao corpo e com o umbigo à mostra: nua, na opinião de alguns dos seus conterrâneos

Habiba, de 28 anos, disputou a final da prova no Estádio Olímpico de Londres, no dia 6 de agosto, como todas as outras atletas: de calção curto, sapatilhas e top colado ao corpo. A revolta dos mais conservadores ocorreu porque estava com braços e pernas à mostra, além, claro, de exibir o abdômen. “A Tunísia não precisa de mulheres que corram nuas”, escreveu um indignado leitor no Facebook, segundo publicou o site do diário espanhol El País. Outro “pecado” de Habiba foi competir sem o lenço que cobre a cabeça, o hijab.

Oficialmente o governo tunisiano comemorou o feito e elogiou a atleta:

"Pouco antes do Dia da Mulher, Habiba medalha de prata histórica veio como um presente a todas as mulheres tunisinas, enquanto eles celebram o dia importante. Ela provou que, apesar de todas as dificuldades mulheres tunisinas pode ganhar seu lugar como pioneiros em todos os campos ", declarou Sihem Badi, o ministro tunisino dos Assuntos das Mulheres, na página oficial do Facebook do Ministério da Juventude e Desportos.

Fotos: Reuters

DESAFIO EM DOBRO - A judoca saudita Wojdan Shaherkani e a belocista afegã Tahmina Kohistani, lutando e correndo também e principalmente contra o preconceito

Ainda segundo o El Pais, outras atletas árabes também foram insultadas nesta Olimpíada. A judoca saudita Wojdan Shaherkani – eliminada na primeira luta - foi chamada de prostituta e a afegã Tahmina Kohistani, que disputou a prova dos 100 metros rasos e ficou em último nas eliminatórias, foi classificada de “vergonha nacional”.

Mas a controvérsia sobre Ghribi exacerbou o debate sobre a igualdade de gênero na Tunísia um tema quente no país que deu origem à Primavera Árabe.

A Tunísia é um dos poucos países que protegem os direitos básicos das mulheres no mundo árabe. Ghribi, ao contrário de concorrentes sauditas e afegãs, pode competir sem o hijab.

Nesta segunda, 11, tunisianas foram às ruas para protestar contra o que veem como uma artimanha islâmica que inverteria o princípio da igualdade de gênero que fez da Tunísia, há seis décadas, o farol da modernidade no mundo árabe.

Um dos novos artigos propostos para a Constituição, segundo elas, poderá comprometer os direitos consagrados no Código de Estatuto Pessoal (CSP), promulgado em 1956 pelo primeiro presidente da Tunísia, Habib Bourguiba.

Nesse código foi abolida a poligamia, em que os homens muçulmanos poderiam ter até quatro mulheres, e a prática de repúdio, em que os maridos podiam se divorciar simplesmente dizendo isso três vezes.

Ao mesmo tempo, a norma instituiu o divórcio não só judicial, mas também o casamento civil.

Foto: Getty Images

MULHERES COMPLEMENTARES - Protestos das tunisianas pela inclusão no projeto constitucional que afirma ser a mulher um “complemento” dos homens

Embora nenhum desses princípios sejam perdidos sob o artigo proposto, as ativistas temem que a linguagem utilizada em sua elaboração pode representar um recuo em relação aos direitos das mulheres. No texto, o lugar da mulher na sociedade é definido em termos de sua relação com os homens.

O artigo diz que o Estado garante "a proteção dos direitos das mulheres (...) sob o princípio de que elas complementam, o homem e a família, além de estarem associadas ao homem para desenvolvimento do país".

Tudo parece estranho e absurdo, visto agora daqui, mas até bem pouco tempo, a legislação brasileira não era muito diferente na abordagem em relação a mulher. Até 1988, as relações familiares eram regidas pelo Código Civil de 1916, que preconisava:

“Art. 233. O marido é o chefe da sociedade conjugal, função que exerce com a colaboração da mulher, no interesse comum do casal e dos filhos

Como se vê a mulher brasileira era até então, legalmente tratada como um “complemento”. Só há 24 anos, um espaço de tempo exíguo, em termos históricos, a abordagem mudou, com a promulgação da constituição de 1988. A carta magna atual que tem como princípio que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...”; sacramentou essa igualdade, especificando: ”... homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta Constituição.”

Claro que mesmo com o advento da lei, as mulheres não adquiriram automaticamente todos os direitos que humana e legalmente possuíam. Tiveram que lutar muito e mesmo assim, muitas delas ainda estão longe de exercem na plenitude esses direitos.

Pode-se dizer porém, que desde então essa relação evoluiu, tanto, que uma delas, uma tal de Dilma Rousseff, acabou assumindo a presidência da república.

Foto: Reuters

ASSUSTANDO RADICIAIS - A vitória de Habiba, é muito mais que uma vitória olímpica, é uma simbólica vitória da mulher árabe contra o preconceito, daí ter assustado tanto os radicais.


23 de dez. de 2011

Primeiro beijo lésbico na marinha americana

USA
Primeiro beijo lésbico na marinha americana
Na base naval de Virginia, Estados Unidos, casal de oficiais feminino entra para a história como as primeiras pessoas do mesmo sexo, que se beijou em público após a legislação americana permitir que gays e lésbicas possam servir abertamente as forças armadas norte americana.

Foto: Reuters

A oficial da marinha Marissa Gaeta a também oficial da Marinha Citlalic Snell no momento do histórico beijo. Há menos de um ano, esse beijo não poderia ter acontecido.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:G1, Los Angeles Time, Sol, Huffington Post , Veja , Global Post

Uma oficial da Marinha a mericana, da tripulação da fragata USS Oak Hill, que voltou à terra firme nesta quarta-feira (21) após 80 dias em missão, foi recebida com um beijo que significou um marco na batalha pelos direitos de homossexuais nos Estados Unidos.

Tradicionalmente, os marinheiros fazem um sorteio para escolher um tripulante para ser o primeiro a descer do navio e ser recebido com um beijo apaixonado por alguém que espera em terra.

Pela primeira vez inclusa entre os que podia ser escolhido, a oficial de 2ª classe Marissa Gaeta foi a sorteada e ao chegar à base naval de Virginia Beach, na Virginia, desembarcou para dar um beijo em sua namorada, a também oficial da Marinha Citlalic Snell.

Isso só foi possível por que o presidente Barack Obama assinou o fim da lei de 1994 que impedia que cidadãos e cidadãs americanos homossexuais pudessem servir abertamente às Forças Armadas do país.

Com a decisão, homens e mulheres homossexuais puderam prestar o serviço militar sem temer represálias ou até mesmo a expulsão. Desde setembro o Pentágono começou a aceitar solicitações de ingresso de homossexuais.

Atualmente há 48.500 homens e mulheres homossexuais e bissexuais em serviço ativo ou na reserva das Forças Armadas dos EUA, e outros 22 mil estão nas forças de reserva e aposentados, de acordo com estudo Instituto Williams, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). No total, são mais de 70.500 homossexuais, que, por sua vez, representam 2,2% da força militar dos EUA, segundo esse estudo.

Desde dezembro de 2010, que o Congresso americano havia aprovado a lei que revogou a política conhecida como "não pergunte, não fale". A orientação permitia que os homossexuais permanecessem no Exército sem, no entanto, revelar sua orientação sexual.

A política foi implementada durante o governo de Bill Clinton. A promulgação da lei foi comemorada em todo país por grupos defensores dos direitos humanos. Segundo eles, a decisão honra a contribuição de todos os americanos que, independentemente de sua orientação sexual, podem e querem prestar serviço militar.

Nem tudo, porém, são flores, vários tabus ainda precisam ser quebrados dentro das forças armadas americanas. Atualmente existem sérias acusações de racismo, e de intolerância religiosa na tropa.

Mesmo os gays e lésbicas não podem ficar sossegados: Newt Gingrich, um dos candidatos republicanos com maior índice de aprovação entre os eleitores que disputará uma vaga para presidente dos Estados Unidos no próximo ano, diz que fará voltar a vigorar a situação anterior da lei “não pergunte, não fale”, revogada pelo presidente Obama caso se eleja.

O curioso é que a meia irmã do candidato Newt Gingrich, Candace Gingrich-Jones, é uma ativista gay, que discorda do seu irmão, sobre direitos dos homossexuais e disse que vai votar no presidente Obama na eleição presidencial de novembro.


16 de nov. de 2011

CHINA: Legalizando o desaparecimento forçado de dissidentes

03/09/2011

CHINA
Legalizando o desaparecimento forçado de dissidentes
Mesmo sendo ilegal, o desaparecimento temporários de dissidentes, sem motivação criminal justificável, tem sido uma prática cada vez mais comum na China. Diante do repúdio mundial, os chineses reagem ao contrário e o Congresso Nacional do Povo, está em vias de aprovar um novo dispositivo no Código Penal, que simplesmente legaliza esse tipo de violência. “Os críticos descreveram, a nova norma, como um do mais explícito retrocesso...” Um blogueiro resumiu: o novo dispositivo “elevou a sensação de insegurança do povo chinês a uma nova altura”.

Foto: Mike Clarke/Agence France-Presse — Getty Images

Manifestação, em outubro, em Hong Kong, exigindo a libertação do Prêmio Nobel Liu Xiaobo.

Michael Wines
Fonte: The New York Times

Em 27 de janeiro, uma ativista de direitos da Mongólia Interior, Govruud Huuchinhuu, desapareceu repentinamente após deixar um hospital no qual se submetia a um tratamento para câncer. Em 16 de fevereiro, o advogado de direitos humanos, Tang Jitian, desapareceu após ser levado à força por policiais. Em 30 de maio, um chinês de etnia uigur, Ershidin Israel, desapareceu após ser deportado do Cazaquistão para a China, como suspeito de terrorismo. Nas duas semanas seguintes, três outros uigures também desapareceram.

A escritora Govruud Huuchinhuu – na lista dos desaparecidos
O artista de Pequim e dissidente, Ai Weiwei, que desapareceu sob custódia policial em 3 de abril e só reapareceu em 22 de junho, é o ativista chinês mais famoso a sofrer de “desaparecimento forçado”, como as autoridades de direitos humanos chamam esses incidentes. Os especialistas dizem que 2011 viu um grande e preocupante aumento dentro da China de uma tática que uma convenção internacional da ONU busca proibir desde 2010.

Agora o governo da China está respondendo às queixas dos ativistas de direitos humanos de que os desaparecimentos desses e de outros chineses são ilegais e potencialmente desumanos: reescrevendo o código penal nacional para torná-los legais.

A proposta, elaborada por um comitê do Congresso Nacional do Povo, o equivalente ao Legislativo do país, está passando por revisão pública. Pretende emendar o código atual, que permite às autoridades colocar suspeitos de crimes sob prisão domiciliar por até seis meses. Pelo novo dispositivo é permitido às autoridades aprisionar em um local secreto ou em vigilância domiciliar qualquer um que seja acusado, por exemplo, de obstruir uma investigação. As famílias dos suspeitos teriam teoricamente de serem informadas de seu desaparecimento em 24 horas – a menos que ao fazê-lo atrapalhe a investigação de crimes envolvendo segurança nacional ou terrorismo.

Os críticos descreveram a proposta como um dos mais explícitos retrocesso na proteção as pessoas que divergem das autoridades chinesas, desde que o país começou a adotar um sistema legal parecido com o Ocidental, há três décadas. As autoridades de segurança, com a nova lei, teria total liberdade para promover o “desaparecimento” de dissidentes e outros ativistas sem dizer nada a ninguém – em outras palavras, legalizariam as atuais práticas usadas tão largamente pelo governo chinês.

Fotos: > Geibel/Agence France-Presse - Getty Images; Gemunu Amarasinghe/Associated Press

Os advogados Tang Jitian e Gao Zhisheng estão entre aqueles que desapareceram.

Para contrabalançar, a proposta que faz parte de uma revisão mais ampla do código de processo penal chinês, possui outros aspectos, que recebeu elogios de alguns juristas, porque daria a muitos suspeitos de crimes comuns novas proteções legais e conteria a capacidade das autoridades de cometer abusos.

Por exemplo, o texto proposto, que foi recém-publicado, parece proibir o uso de evidências obtidas sob tortura. Isso daria à maioria dos suspeitos de crime o direito incondicional a ver um advogado e ampliaria a exigência de que testemunhas de fato comparecessem aos tribunais para depor.

Apesar de esses serem princípios básicos do processo criminal em outros lugares, eles são avanços potencialmente inovadores na China, onde a Justiça não é um poder independente do governo, mas subordina-se ao Partido Comunista, cuja preocupação prioritária é a manutenção do poder do Estado.

Ainda não se sabe se as revisões, caso sejam aprovadas, serão implantadas da forma como foram redigidas. Alguns analistas expressaram ceticismo de que uma proibição da obtenção de evidência sob tortura seria eficaz, por exemplo, porque os advogados ainda não têm o direito de estarem presentes nos interrogatórios, quando grande parte da tortura ocorre.

Foto: Peter Parks/Agence France-Presse - Getty Images O artista Ai Weiwei, em Pequim, em junho, depois de sua libertação

O artista Ai Weiwei, falando a imprensa, em Pequim, em junho, depois de sua libertação.

“O equilíbrio entre usar a lei para proteger a sociedade e usar a lei para proteger os direitos individuais ainda pesa muito para o lado da proteção da sociedade”, disse Joshua Resenzweig, um analista independente de direitos humanos de Hong Kong e um especialista no processo penal da China. “E, algum mais cínico diria, para o lado da proteção do partido.”

Se o passado servir como indicação, as revisões propostas para os desaparecimentos forçados provavelmente afetarão um número relativamente pequeno de pessoas, a maioria dissidentes e outros espinhos que incomodam o Estado. Mas seu impacto limitado não reduz sua importância, argumentou Rosenzweig.

Os desaparecimentos forçados são amplamente considerados abusos de direitos humanos, porque negam as proteções legais aos suspeitos, submetem desnecessariamente os familiares a tensão psicológica e, de modo geral, aumentam as chances de que autoridades não supervisionadas, mantendo cativos em locais não revelados, pratiquem tortura. Liu Xiaoyuan, um proeminente advogado de defesa conhecido por seu envolvimento em casos controversos, chamou a revisão proposta de “simplesmente assustadora”.

“Ela literalmente dá para a polícia um passe para se livrar de qualquer forma de supervisão”, ele disse. “A lei criminal deve proteger os direitos dos cidadãos e restringir o poder das autoridades. A nova revisão faz exatamente o oposto.”

“Caixin”, uma intrépida revista de negócios investigativa, chamou o artigo de “amontoado de justificativas que levariam os órgãos investigativos a decidirem como bem entendessem informar ou não os familiares, e as detenções secretas ocorreriam de modo desenfreado”.

A proposta não foi aprovada e ainda pode mudar, apesar da maioria dos especialistas considerar isso altamente improvável. Ela já é objeto de vigorosas críticas públicas em alguns dos principais microblogs do país: uma postagem acusava que ela “elevou a sensação de insegurança do povo chinês a uma nova altura”. Outra postagem dizia: “A nova lei criminal deveria se chamar ‘regulamentação especial para controle do povo em tempos caóticos’”.

Foto: Odd Andersen/AFP/Getty Images

Impedido pelas autoridades chinesas de ir receber o prêmio Nobel da Paz, o dissidente chinês, Liu Xiaobo, foi representado na cerimônia, por uma foto na parede e uma cadeira vazia.

Alguns analistas dizem ver algum progresso nas críticas. “Atualmente os cidadãos chineses não mais aceitam como algo natural que o governo tenha o direito divino de escrever qualquer lei como lhe agrade”, disse Nicholas Bequelin, um pesquisador em Hong Kong do Human Rights Watch.

Em junho, um grupo de trabalho de ONU para os desaparecimentos forçados expressou crescente preocupação a respeito do aumento desses casos na China, os chamando de “a continuidade de uma tendência perturbadora de repressão aos dissidentes”.

“Não há desculpa para o desaparecimento de pessoas, especialmente quando essas pessoas estão expressando pacificamente sua discordância do governo de seu país”, declarou o grupo numa nota. Duas convenções da ONU, uma aprovada em 1976 e outra em dezembro passado, obrigam os países membros a se absterem de fazer seus cidadãos desaparecerem dessa forma e a protegerem seus direitos legais. A China prometeu ratificar ambas as convenções, mas ainda não o fez. Os Estados Unidos também não ratificaram a convenção de 2010, que proíbe explicitamente os desaparecimentos forçados.

Como Ai, muitos dos desaparecidos na China posteriormente reapareceram, alguns exibindo sinais de terem sofrido tratamento duro enquanto estiveram no cativeiro. Outros desapareceram sem explicação por períodos prolongados, incluindo o escritor e dissidente ganhador do Prêmio Nobel, Liu Xiaobo, que desapareceu por seis meses em 2008 e 2009.

E alguns nunca retornaram, como o proeminente advogado de direitos humanos Gao Zhisheng, do qual não se tem notícia desde seu desaparecimento em abril de 2010. Alguns estão desaparecidos há muito mais tempo.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original e nos baseamos na tradução de George El Khouri Andolfato – para o site UOL

12 de abr. de 2011

Phil Collins canta "The Times They Are A Changin” - de Bob Dylan

Phil Collins canta "The Times They Are A Changin”
de Bob Dylan

The Times They Are A-Changin'
Os Tempos Estão Mudando


Come gather 'round people
Venham pessoal
Wherever you roam
Por onde quer que andem
And admit that the waters
e admitam que as águas
Around you have grown
á sua volta aumentaram (cresceram)
And accept it that soon
E aceitem que logo
You'll be drenched to the bone.
Estarão cobertos até os ossos
If your time to you
Se seu tempo para você
Is worth savin'
Vale a pena ser salvo
Then you better start swimmin'
Então é melhor começar a nadar
Or you'll sink like a stone
Ou irá se afundar como uma pedra
For the times they are a-changin'.
Pois os tempos estão mudando

Come writers and critics
Venham escritores e críticos
Who prophesize with your pen
Aqueles que profetizam com sua caneta
And keep your eyes wide
E mantenham seus olhos abertos
The chance won't come again
A chance não virá novamente
And don't speak too soon
E não falem tão cedo
For the wheel's still in spin
Pois a roda ainda está girando
And there's no tellin' who
E não há como dizer
That it's namin'.
quem será nomeado
For the loser now
Pois o perdedor de agora
Will be later to win
Mais tarde vencerá
For the times they are a-changin'.
Pois os tempos estão mudando

Come senators, congressmen
Venham senadores, congressistas
Please heed the call
Por favor escutem o chamado
Don't stand in the doorway
Não fiquem parados no vão da porta
Don't block up the hall
Não congestionem o corredor
For he that gets hurt
Pois aquele que se machuca
Will be he who has stalled
Será aquele que nos impediu
There's a battle outside
Há uma batalha lá fora
And it is ragin'.
e está rugindo
It'll soon shake your windows
E logo irá balançar suas janelas
And rattle your walls
E fazer ruir suas paredes
For the times they are a-changin'.
Pois os tempos estão mudando

Come mothers and fathers
Venham mães e pais
Throughout the land
de toda a terra
And don't criticize
E não critiquem
What you can't understand
O que não podem entender
Your sons and your daughters
Seus filhos e filhas
Are beyond your command
Estão além de seu comando
Your old road is
Sua velha estrada
Rapidly agin(g)'.
está rapidamente envelhecendo
Please get out of the new one
Por favor saiam da nova
If you can't lend your hand
Se não puderem dar uma mãozinha
For the times they are a-changin'.
Pois os tempos estão mudando

The line it is drawn
A linha foi traçada
The curse it is cast
A maldição foi lançada
The slow one now
E lento agora
Will later be fast
Será o rápido mais tarde
As the present now
Assim como o presente agora
Will later be past
Será mais tarde o passado
The order is
A ordem está
Rapidly fadin'.
rapidamente se esvaindo
And the first one now
E o primeiro agora
Will later be last
Será o último depois
For the times they are a-changin'.
Pois os tempos estão mudando.

FONTE: Letras de músicas - Portal Terra


6 de fev. de 2011

OPINIÃO - Com muito ceticismo (e um pouco de esperança) no Egito - Caio Blinder

OPINIÃO
Com muito ceticismo (e um pouco de esperança) no Egito
“Vai ter emoção na praça da liberdade, um corre-corre e, no final das contas, a Irmandade Muçulmana vai assumir o controle na marra ou no voto”.

Foto: AP/Reuters

O xá e Mubarak: determinismo histórico

Caio Blinder
Fonte: Blog do Caio Blinder

Estrategistas, de pomposos generais a pomposos colunistas, costumam lutar a última guerra. Precisamos de referenciais e nesta crise em marcha no Egito é inevitável se agarrar nos galhos da revolução iraniana de 1979. Em uma mistura de atitude sempre alerta, uma saudável paranóia sobre os perigos do radicalismo islâmico, uma pitada de arrogância e um pouco de preguiça intelectual para não se desdobrar com os malabarismos e as surpresas da história, concluímos que vai dar no mesmo desfecho tenebroso. Para que perder tempo? Vai ter emoção na praça da liberdade, um corre-corre e, no final das contas, a Irmandade Muçulmana vai assumir o controle na marra ou no voto.

A ironia é que o próprio regime islâmico de Teerã arrota esta narrativa . Com uma incrível cara-de-pau, os déspotas de Teerã dizem que os manifestantes egípcios devem ter o direito de ir `as ruas e expressar sua fúria contra o regime Mubarak e derrubá-lo. O ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, disse que a revolução no Egito “vai criar um Oriente Médio islâmico” e condenou o envolvimento dos EUA e seus esforços para “tolher” o movimento popular por liberdade”. Como é que pode? Esta é a mesma turma que reprimiu e matou o movimento popular por liberdade no Irã em 2009.

Claro que existem numerosos paralelos entre Teerã 1979 e Cairo 2011. Líderes esclerosados no poder (o xá Reza Pahlavi e Hosni Mubarak) e, após vaciladas, presidentes americanos democratas puxam o tapete do aliado (Jimmy Carter e Barack Obama). Podemos pincelar também as diferenças. No Egito, ainda bem, não existe um líder religioso com o carisma do aiatolá Khomeini e a Irmandade Muçulmana, ao contrário dos fundamentalistas xiitas, esconde sua força justamente para não assustar e tentar enfraquecer esta narrativa de que a história irá se repetir, novamente como tragédia e não como farsa.

Mais do que isto, a Irmandade Muçulmana, ao contrário dos fundamentalistas islâmicos de Teerã, tenta se apresentar ao mundo como um movimento hoje mais moderado, numa jogada para se distanciar das idéias do seu mentor Sayyd Qutb, idéias racistas, misóginas, antissemitas e anticristãs. Qutb é um pensador reverenciado pelo Talibã. Será que deixará de ser reverenciado por seguidores no próprio país?

Mais do que nunca, será preciso cobrar de forma infatigável da Irmandade Muçulmana que esclareça suas posições sobre direitos das minorias religiosas, apedrejamento e se está disposta a aceitar a mera existência do estado de Israel, além de honrar o o tratado de paz firmado por Anuar Sadat e Menachem Begin. Sei que é um pouco quixotesco, mas não basta demonizar a Irmandade Muçulmana. Se houver um ambiente mais democrático no Egito, será fundamental tentar moderar o grupo. A história, reitero, não é muito estimulante, mas vigilância do mundo pode ajudar a impedir que se repita a tragédia iraniana, tanto a de 1979, como a de 2009.

A questão militar é igualmente tortuosa. No Egito, os militares estão nas entranhas do regime Mubarak. O regime é militar. É assim desde o golpe que derrubou a monarquia em 1952. Agora temos os esforços do Exército para se preservar, sacrificando Mubarak. No Irã, em janeiro de 1979, os militares não tiveram o beneplácito de Washington para um golpe e acabaram se acertando com Khomeini. O xá precisou partir para o exílio, justamente para o Egito do presidente Sadat e do seu então vice Mubarak. E o Exército acabou sendo absorvido pela revolução islâmica, que também criou seu próprio aparato de segurança.

Vendo de hoje, parece inconcebível que os militares egípcios aceitem este papel de subordinação. Há as versões de infiltração da Irmandade Muçullmana no escalão médio, mas tudo isto é incipiente. Sei lá. A gente reconversa sobre isto dentro de 30 anos. Por ora, os americanos precisam tirar proveito dos seus laços e assistência aos militares egípcios para que exerçam um papel construtivo em uma nova ordem. O caso do Paquistão, é verdade, não encoraja.

Como eu disse acima, são apenas pinceladas. Há exemplos promissores, como o apontado por Gideon Rachman, no Financial Times. O Irã não é o único exemplo de revolta popular bem sucedida contra uma ditadura no mundo islâmico. Existe o consolo da Indonésia. Em 1998, o regime Suharto caiu após 32 anos e a Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo, hoje é uma democracia funcional (combate o radicalismo islâmico) e está ingressando no primeiro time dos países emergentes. Existe também gente mais otimista (demais para o meu gosto). Alguns analistas de mercado disseram a agência Reuters que em um ano o Egito vai se parecer mais com a Turquia (com sua versão de democracia e controle islâmico sem as vestimentas radicais do Irã).

A situação no Egito ainda está muito volátil. Para os egípcios, a revolução islâmica de 1979 deve servir de advertência. Abbas Milani, um bom acadêmico iraniano hoje na Universidade de Stanford e que acaba de escrever uma biografia sobre o xá, palpita que a revolta no Egito deveria colocar os aiatolás de Teerã na defensiva e quem sabe se configure como uma prima bem sucedida do movimento pró-democracia no Irã em 2009. Seria uma maravilha, não?

Mas é bom tomar nota quando o veterano editor de Oriente Médio da BBC de Londres, Jeremy Bowen, reportando da praça Tahrir, no Cairo, observa que o movimento antiMubarak tem uma cara cada vez mais religiosa. Portanto, não quero perder as esperanças, mas preciso ficar cético, ainda com aquela guerra de 1979 em mente, sem as feridas cicatrizadas. E neste quadro volátil, feridas são abertas, como nesta nova dimensão da crise, com os confrontos de rua, na quarta-feira no Cairo, ao que tudo indica por iniciativa de provocadores pró-Mubarak. O referencial deixa de ser apenas Teerã 1979. É também Teerã 2009.

Cético, mas não cínico. Nada de lavar as mãos com determinismo histórico e achar que não adianta. A pomposa tarefa é valorizar as vozes e as caras não sectárias para que a praça Tahrir não se converta em 30 anos, ou menos, em mais uma praça de uma revolução traída.