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24 de jun. de 2013

A arrogante “democracia” de Vladimir Putin

RUSSIA - EUA – Opinião
A arrogante “democracia” de Vladimir Putin
Uma dezena de manifestantes que participaram de um protesto contra Putin, em Moscou, realizado em maio de 2012, estão sendo julgados por incitar a violência que, segundo a maioria dos observadores, foi iniciada pelas forças de segurança do governo. Alexei Navalny, um popular blogueiro político que deseja se candidatar para concorrer à presidência da Rússia, está sendo julgado por acusações forjadas, para impedi-lo de concorrer ao cargo.

Foto: Kevin Lamarque / Reuters

CONSTRANGIMENTO - Barack Obama e Vladimir Putin, recentemente, num encontro durante a conferencia do G-8, na Irlanda do Norte.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem: Denis Corboy, William Courtney e Michael Haltzel, para The New York Times
Fontes: The New York Times, UOL

Os líderes ocidentais têm silenciado quase que totalmente enquanto o presidente russo Vladimir Putin lança uma campanha de táticas típicas de Estados policiais contra os russos que fazem oposição abertamente a ele. No entanto, ao enfatizar as práticas que priorizam os direitos humanos, o Ocidente poderia inspirar os russos que buscam obter mais liberdade sem colocar em risco a maior parte dos objetivos comuns que mantém com a Rússia.

A Rússia não é a versão revivida da União Soviética totalitária. Mas as medidas que Putin adotou após as grandes manifestações de oposição a seu governo começaram a acontecer, no final de 2011, sugerem uma arrogância típica do antigo poder totalitário soviético. Na defensiva, Putin está tentando a todo custo fortalecer sua base política ao mobilizar nacionalistas e xenófobos.

Grupos independentes, como o Golos, que monitora as eleições, e o Memorial, que promove os direitos humanos e a divulgação da história de forma honesta e verdadeira, podem ser fechados em breve pois se recusam a se registrar como "agentes estrangeiros", um termo que, em russo, descreve os espiões.

Nas últimas semanas, o grande mestre de xadrez Garry Kasparov, além de Pavel Durov, fundador da maior empresa de mídia social da Rússia, e de Sergei Guriev, que já dirigiu a principal escola de economia da Rússia, optaram por permanecer no exterior devido ao medo de serem presos por motivos políticos.

Uma dezena de manifestantes que participaram de um protesto contra Putin, realizado em maio de 2012, estão sendo julgados por incitar a violência que, segundo a maioria dos observadores, foi iniciada pelas forças de segurança do governo.

Alexei Navalny, um popular blogueiro político que deseja se candidatar para concorrer à presidência da Rússia, está sendo julgado por acusações forjadas. A condenação de Navalny --que é muito provável-- o tornaria inelegível para concorrer ao cargo

Foto: Aleksandr Utkin/RIA Novosti

Debochar de Putin, na Rússia. é um comportamento de alto risco

Jornalistas que criticam as autoridades russas foram espancados. Outros russos foram presos por acusações inventadas, uma tática criada para intimidar a classe média urbana, que se mostra cada dia mais alienada. A rede de TV estatal alimenta os espectadores com uma rígida dieta de propaganda anti-EUA, superior e incomum até mesmo nos tempos soviéticos.

Apesar do rápido declínio das liberdades pessoais, a maioria dos líderes ocidentais se abstem de fazer críticas mais duras. É possível que eles temam que esse tipo de atitude possa prejudicar a consecução de outros objetivos importantes, mas isso é improvável.

A maior parte dos laços ocidentais com a Rússia são laços de natureza comercial, e eles seriam pouco afetados. A Rússia vende energia para a Europa, os Estados Unidos reembolsam a Rússia por pelos lançamentos espaciais realizados a partir da estação espacial internacional, e os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pagam para ter acesso, via território russo, a suas forças instaladas no Afeganistão e para poderem apoiá-las.

A Rússia precisa da tecnologia ocidental para desenvolver seus depósitos energéticos no Ártico e lucra com a ampliação das redes de transporte terrestre entre a Europa e a China.

Para que não reste nenhuma dúvida: a cooperação com a Rússia em algumas áreas é incerta, mas por motivos alheios às políticas ocidentais relacionadas aos direitos humanos. Moscou resiste a pressionar o regime de Assad em Damasco, e provavelmente vê a realização de uma possível conferência internacional sobre a Síria como uma forma de ganhar tempo enquanto continua armando o regime sírio.

As negociações sobre um novo acordo de armas nucleares entre russos e norte-americanos, apregoadas pelo presidente Barack Obama na quarta-feira passada em Berlim, na Alemanha, podem naufragar porque o Kremlin pretende proteger sua enorme vantagem relacionada às armas nucleares não estratégicas e contesta os planos relacionados aos mísseis de defesa dos Estados Unidos.

A Rússia quer que as normas para a concessão de vistos por parte dos países ocidentais a cidadãos russos sejam relaxadas, mas a criminalidade e problemas registrados com viajantes que ficam no exterior com vistos expirados minam essas perspectivas.

Foto: Jeremy Nicholl

A polícia de choque russa é uma das mais violentas do mundo

Na década de 1990, o Ocidente perdeu o apoio popular na Rússia após aconselhar a privatização de propriedades estatais e, em seguida, não ter criticado a corrupção que grassou durante a implementação dessas mesmas privatizações. O Ocidente não deve repetir os mesmos erros agora ao não defender aqueles que têm enfrentado a intensificação da repressão na Rússia.

Os líderes ocidentais poderiam começar pedindo explicações ao Kremlin sobre as atuais violações de direitos praticadas pelo governo russo. Em julho de 2009, na Nova Escola Econômica de Guriev, em Moscou, Obama ressaltou o valor das liberdades de expressão e de associação. Desde então, ele tem sido cauteloso em criticar os abusos observados na Rússia e, infelizmente, manteve-se em silêncio publicamente em relação a esses abusos após sua reunião com Putin na segunda-feira passada, na Irlanda do Norte.

Foto: CTZ

A alemã, Angela Merkel é uma das poucas que reprova publicamente
a política de direitos humanos de Putin

A chanceler Angela Merkel, da Alemanha, tem sido mais direta em relação à situação na Rússia. Em novembro passado, diante de Putin, ela reprovou a condenação das jovens do Pussy Riot, que protestaram pacificamente em uma catedral de Moscou. E, em abril passado, Merkel disse que as organizações independentes da Rússia mereciam uma "boa oportunidade" de atuar.

Os líderes ocidentais devem perceber que a campanha de Putin para limitar as liberdades individuais irá, cada vez mais, restringir o espaço político na Rússia para a cooperação com o Ocidente.

De maneira menos conspícua, os países ocidentais também poderiam fazer mais: eles deveriam, por exemplo, oferecer mais espaço para que grupos independentes apresentassem provas sobre os abusos cometidos na Rússia.

Da mesma maneira, essas nações poderiam fornecer mais treinamentos e capacitações --fora da Rússia-- aos líderes das organizações sitiadas pelo governo russo. E, com certeza, até mesmo os pais mais céticos em relação às influências ocidentais querem que seus filhos obtenham uma educação mais globalizada dentro da própria Rússia ou no exterior --coisa que o Ocidente pode facilitar.

Já passou da hora de os líderes ocidentais promoverem um reequilíbrio de suas políticas relacionadas à Rússia e colocarem os direitos humanos e as liberdades políticas de volta na pauta de negociações.

Essa busca não deve ser uma cruzada. Pelo contrário, ela deve se tornar uma parte mais integral da política ocidental. Esse tipo de postura também enviaria uma mensagem de boas vindas para os agressores e as vítimas de outros países.


17 de out. de 2012

Priscila Krause, a vereadora do DEM, ‘estreia’ oposição a Geraldo Júlio

BRASIL – Pernambuco - Recife
Priscila Krause (DEM) ‘estreia’ oposição a Geraldo Júlio
Segundo o Blog do Josué Nogueira, se o DEM está se chegando ao PSB, com certeza esqueceram de avisar a Priscila. Somos eleitores, fãs de carteirinha e seguidores de Priscila Krause. Sem ela, esses 12 anos de administração petista no Recife, seriam de estribeira solta. Ela cumpre com zelo e carinho exatamente as suas obrigações de vereadoras, a maior delas, fiscalizar o executivo municipal. É isso aí garota!

Foto: Assessoria de Imprensa/CMR

Priscila Krause demarcando o terreno na Câmara: “Serei uma incansável fiscal da mudança...”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Diario de Pernambuco, Portal da Camara do Recife


As especulações de que o DEM estaria se aproximando do governador Eduardo Campos não casam com a postura da única vereadora democrata na Câmara do Recife.

Reeleita com 13.386 votos, Priscila Krause (DEM) deixou bem claro nesta terça-feira em que lado está e estará durante a gestão do prefeito eleito, Geraldo Julio (PSB).

Se houve conversas de líderes democratas com socialistas, não avisaram a vereadora: Se não, veja o que ela disse em seu primeiro discurso após a eleição – proferido na tarde desta terça:

“Serei uma incansável fiscal da mudança e cabe, desde já, seguindo o conselho de um grande pensador político – ama a incerteza e serás democrático” – afirmou adiantando em seguida alguns questionamentos:

”O futuro prefeito será o gestor de um projeto municipal, constitucionalmente autônomo, ou será coadjuvante de um projeto de poder?”

”O futuro prefeito manterá os milhares de cargos comissionados que revelam, claramente, o aparelhamento partidário da gestão municipal ou obedecerá aos princípios da meritocracia?”, questionou.

Líder da oposição na Câmara, Priscila, além de mandar seu recado a Geraldo agradeceu aos eleitores. Também registrou, segundo sua assessoria, questionamentos em relação à “determinação” e “coragem” do novo prefeito em tomar medidas para privilegiar o transporte público em detrimento do individual.

“Está disposto a tomar decisões que afetem a popularidade para privilegiar o transporte público? O futuro prefeito está disposto a dar um freio de arrumação no crescimento desordenado da cidade?”.

Ainda conforme divulgou sua assessoria, Priscila lembrou que continuará na oposição com a “coragem do bom combate e a grandeza de reconhecer acertos do governo adversário” e demonstrou despreocupação com o “tamanho da oposição”:

“Não me amedronta ou inibe a fita métrica que eventualmente possa medir o tamanho da oposição. Ainda que, por hipótese, solitária, a oposição é parte integrante da democracia política, vale pela qualificação do debate e pela contribuição dada ao bem coletivo”.

Antes de discursar, Priscila esteve no encontro que congregou membros da oposição que começa a se redesenhar no pós-eleições


Aliás, mesmo informalmente a reunião originou a formação de um bloco que promete atuar em conjunto na Câmara.

Além da democrata, estão no grupo os vereadores eleitos Raul Jungmann (PPS) e André Régis (PSDB) e a vereadora reeleita Aline Mariano (PSDB).

17 de ago. de 2012

Recife – Eleição 2012: Ibope mostra Humberto caindo e Geraldo subindo

BRASIL – PERNAMBUCO – Recife – Eleição 2012
Ibope mostra Humberto caindo e Geraldo subindo
Humberto Costa se mantém em 1º lugar nas intenções de voto, com 32%., mas a margem de diferença entre petista e os demais concorrentes está menor. O candidato do Governador Gerado Júlio continua crescendo na intenção de votos.

Captura de vídeo

Quadro demonstrativo da evolução de votos na pesquisa IBOPE, para Prefeito do Recife

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1 -Pernambuco, Blog do Jamildo

O Ibope divulgou nesta quinta-feira (16) a terceira pesquisa de intenção de voto sobre a disputa pela Prefeitura do Recife, em 2012.

A pesquisa estimulada aponta que o senador Humberto Costa, candidato pelo PT, continua em primeiro lugar nas intenções de voto.

Veja os números do Ibope para a pesquisa estimulada:
Humberto Costa (PT) - 32% das intenções de voto
Mendonça (DEM) - 16%
Geraldo Julio (PSB) - 16%
Daniel Coelho (PSDB) - 10%
Esteves Jacinto (PRTB) - 2%
Edna Costa (PPL) - 1%
Roberto Numeriano (PCB) - 1%
Jair Pedro (PSTU) - 0%
Branco/nulo - 15%
Não sabe/não respondeu - 8%

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 15 de agosto de 2012. Foram entrevistadas 805 pessoas na cidade do Recife. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo turno
O Ibope pesquisou dois cenários para o segundo turno: uma opção seria a disputa entre Humberto Costa e Mendonça, outra seria Humberto Costa contra Geraldo Julio. O petista ficaria em primeiro lugar nas duas hipóteses - teria 47% das intenções de voto contra Mendonça, que ficaria com 30%. Concorrendo com Geraldo Julio, este ficaria com 26%, enquanto Humberto apareceria com 49%. O resultado foi semelhante na rodada anterior da pesquisa.

Rejeição
O instituto também perguntou às pessoas em que candidato não votariam de jeito nenhum. A rejeição apontada para cada candidato é: Mendonça (DEM) e Edna Costa (PPL), 25%; Humberto Costa (PT), 23%; Jair Pedro (PSTU), 21%; Esteves Jacinto (PRTB), 19%; Daniel Coelho (PSDB), 18%; Roberto Numeriano (PCB), 17%; Geraldo Júlio (PSB), 14%; não sabe/não respondeu, 16% e poderia votar em todos, 13%.

Foto: Eduardo Braga/SEI

Segundo o Blog do Jamildo o governador Eduardo Campos (PSB), repercutindo a pesquisa, exaltou nesta sexta-feira (17) o crescimento da candidatura do seu afilhado político a prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), lembrando que o socialista que nunca disputou uma eleição, tem 16% das intenção, o que representa um empate com Mendonça Filho (DEM) na segunda colocação.

"Eu disse que a campanha seria dividida em duas etapas. Antes e depois do guia eleitoral. Fomos fazer a primeira fase com entusiasmo da militância e fica claro que ganhamos o primeiro tempo. Uma candidatura que não tinha nenhum ponto nas pesquisas e está chegando na segunda colocação", disse o governador durante entrevista.

Apesar de patrocinar a campanha, até agora o governador não participou de atos de rua com Geraldo. Questionado se atuará mais na linha de frente nesta segunda etapa, que começa terça-feira (21), com o início da veiculação do guia eleitoral, Eduardo desconversou. "Vou fazer o que a coordenação da campanha entender que é importante fazer. Vamos ver qual é a hora exatamente, mais para setembro vão ver como as coisas vão caminhando".


11 de jul. de 2012

Demostenes Torres não é mais senador

BRASIL – Corrupção
Demostenes Torres não é mais senador
Os senadores cassaram Demóstenes. Bastavam 41 votos para sua condenação, o painel eletrônico do senado indicou que 56 companheiros votaram pelo seu afastamento definitivo do parlamento. 15 a mais do que o necessário. 19 votaram ao se favor, e cinco se abstiveram de votar. Agora ele só poderá se candidatar de novo após o ano de 2027.

Foto: Antônio Cruz/ABr

O ex-senador Demostenes Torres deixando o plenário do senado acompanhado do seu advogado

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Agencia Senado, BBC Brasil, Agência Brasil

A carreira política de Demóstenes Torres no Senado chegou ao fim às 13h24 desta quarta-feira (11), depois de 103 dias de agonia iniciados pela representação do PSOL no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Numa sessão histórica, o projeto de resolução (PRS) 22/12, determinando a cassação do senador, foi aprovado pela esmagadora maioria de 56 senadores. Outros 19 foram contrários a cassação e se registraram cinco abstenções.

Com a perda do mandato, Demóstenes fica inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato para o qual havia sido eleito. Ou seja, só poderá concorrer a um cargo político em 2028, visto que seu mandato se encerraria em fevereiro de 2019 e não há eleições previstas para outubro de 2027, seguindo-se o calendário atual.

No lugar dele, assumirá o mandato de senador o primeiro suplente de Demóstenes, Wilder Pedro de Morais, que é ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Acusado de envolvimento com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, atualmente preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, Demóstenes tornou-se o segundo senador cassado nos 186 anos na história do Senado brasileiro. O primeiro foi Luiz Estevão (PMDB-DF), em junho de 2000, por ter mentido ao Senado sobre seu envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT).

Uma das acusações contra Demóstenes também é a de ter faltado com a verdade a seus pares em discurso no dia 6 de março deste ano, quando negou qualquer ligação com Cachoeira, além de uma antiga amizade, e de nunca ter defendido interesses do negócio dos jogos ilegais. Cachoeira é apontado em relatórios da Polícia Federal como chefe de um esquema de corrupção, tráfico de influência, escutas ilegais e operação de máquinas caça-níqueis.

O fim do mandato de Demóstenes Torres foi anunciado às 13h24 pelo presidente José Sarney (PMDB-AP), diante de um Plenário cheio, com 80 senadores, e de galerias lotadas de populares. Assim que o resultado foi divulgado pelo painel do Senado, Demóstenes não esperou a proclamação pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) retirou-se rapidamente, e em silêncio, na companhia de seu advogado, pelo elevador privativo, até a chapelaria, onde um carro os aguardava.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Humberto Costa acusando Demostenes

O primeiro a falar na sessão foi o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ele resumiu o relatório que havia feito no Conselho de Ética, destacando as 97 ligações interceptadas pela Polícia Federal num aparelho Nextel entregue a Demóstenes por Cachoeira, e 40 encontros entre os dois, no período de março a agosto de 2011.

Para Humberto, é muito difícil acreditar que Demóstenes não sabia das atividades ocultas de Cachoeira:

– Um ex-secretário estadual de segurança pública, ex-chefe do Ministério Público, ex-integrante do CPI dos Bingos, que indiciou Cachoeira por seis crimes, entre eles corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Como não saber de suas atividades criminosas? Que amigo é esse que não procura saber como o outro se houve numa CPI de conhecimento de todo o Brasil? Perdoe-me, mas vossa excelência faltou com a verdade – afirmou.

Ainda na opinião de Humberto Costa, Demóstenes Torres defendeu interesses de Cachoeira em vários órgãos e entidades, entre os quais Anvisa, Ibama, Dnit, Infraero, Receita Federal, governo de Goiás e prefeituras. E o mais grave: ajudou a proteger o contraventor, vazando informações sobre operação policial, conforme gravação interceptada pela Polícia Federal.

Os presentes recebidos pelo parlamentar goiano também foram destacados, assim como o pagamento da conta do Nextel.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), líder do partido responsável pela representação contra Demóstenes, chamou atenção para o fato de que a República é o regime da coisa pública e do bem comum, portanto, ser republicano exige ética.

– Conduta moral e decoro não são favores à sociedade. São o dever-ser do parlamentar, o comportamento exigido de quem se dispõe à função pública – discursou.

Ao avaliar aspectos legais do processo, sem entrar no mérito da questão, o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), disse que ficou comprovado que “Demóstenes adotou conduta incompatível com o decoro, ferindo de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe a parlamentares”.

– Os fundamentos bem alinhavados demonstram a correta punição de perda de mandato. Também foram respeitados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. O representado foi devidamente assistido por advogado e teve acesso a todas as provas e foi avisado de todos os atos processuais, portanto a decisão do Conselho de Ética foi corretamente fundamentada, e ficou claro o cumprimento da Constituição, do Regimento Interno e do Código de Ética desta casa – opinou.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Demostenes, pela última vez usando a tribuna do senado, como senador, para se defender.

DEFESA

Demóstenes Torres teve 30 minutos para se defender. Em seu discurso, ele disse ter sido prejulgado pela imprensa, que o perseguiu como um “cão sarmento” e agora lhe deve um pedido de desculpa.

Apelando para a emoção, disse ser terrível ser julgado pelo clamor público e comparou a sua situação à de Jesus, diante de populares querendo a crucificação.

– Deixem-me ser julgado pelo Judiciário. Deixem-me ser julgado pelo povo de meu estado. Dêem-me o direito que foi dado a tantos outros de fazer a minha defesa. Quero o mesmo tratamento que foi dado a Humberto Costa. Por que a minha cabeça tem que rolar? – apelou, referindo-se ao processo respondido por Costa quando era ministro da Saúde por superfaturamento na compra de remédios. A história da gang dos vampiros da qual Humberto foi absolvido em 2010 pelo Judiciário por falta de provas.

Em relação ao Nextel, Demóstenes alertou para a existência de 250 mil horas de gravações, que, em nenhum momento registram a voz dele “pedindo dinheiro”.

– Mais de três anos de grampo. O que existe contra mim? Nada, nada, nada!.

Demóstenes disse também que jamais mentiu e desafiou os colegas a apontar uma única vez em que ele bateu no gabinete de alguém para pedir favores a Cachoeira ou a qualquer integrante do grupo criminoso.

O senador encerrou a defesa dizendo ser um bode expiatório que vai ser pego para não ficar mal para a imagem do Senado.

– Um senador com patrimônio ridículo: um imóvel financiado, carro do ano de 2010 e 20% de uma faculdade no interior de Minas que nunca me rendeu um centavo sequer. O que pega mal é punir um inocente. Não existe nenhuma prova contra mim – afirmou. Chorando, disse ainda que não renunciou porque deveria dar explicações à família.

– Quem cassa senador é senador e não a imprensa. Não acabem com a minha vida! – finalizou.

Noblat, que tinha Demostenes como um dos colaboradores do seu Blog lembra que Demóstenes perdeu o direito a fórum especial. Antes só poderia ser investigado mediante autorização do Supremo Tribunal Federal. E somente pelo Supremo poderia ser processado.

”Agora está entregue aos cuidados da Justiça comum.” – diz Noblat e complementa:
“Corre o risco de ser preso por ordem de um juiz de primeira instância. Existem no país 13 mil desses juízes”.


10 de jul. de 2012

Demostenes pode ser cassado amanhã! Ou não!?

BRASIL – Corrupção
Demóstenes pode ser cassado amanhã! Ou não!?
Se 41 senadores disser sim, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) deixará de ser senador nesta quarta-feira, por falta de decoro parlamentar. Reconhecido e cultuado como intransigente defensor da ética política, estarreceu o país, quando se descobriu que era uma fraude. Sua promíscua associação criminosa com bandido Carlinhos Cachoeira é mais de que um suficiente motivo para ser cassado e banido da vida pública brasileira. Suas chances de escapar são mínimas, mas, não totalmente improváveis.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Caso seja cassado, Demóstenes Torres terá seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim de seu mandato parlamentar, que acabaria somente em 2019. Neste caso, ele só poderá se candidatar novamente a partir de 2027, quando terá 66 anos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Revista Época, Folha de S. Paulo, O Globo , Estadão, Agencia Senado,

Está marcada para às 10h desta quarta-feira (11) sessão do Plenário do Senado destinada a apreciar o Projeto de Resolução 22/2012, propondo a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

O projeto foi aprovado no Conselho de Ética Decoro Parlamentar, que entendeu que Demóstenes feriu o decoro parlamentar ao manter estreitas relações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob a acusação de crimes como exploração de jogos ilegais e corrupção.

Gravações feitas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo mostram grande proximidade do senador com o contraventor Cachoeira. O bandido pagava inclusive a conta de um aparelho Nextel para Demóstenes, pois achava que esse tipo de telefonia não podia ser grampeada pela Polícia Federal (estava enganado). A carreira política de Demóstenes era manipulada por Cachoeira, que queria ampliar seus negócios e se aproximar da presidente Dilma Rousseff.

Todos os Senadores poderão usar a tribuna do Senado, para opinarem durante a sessão de julgamento.

Na abertura, o relator do processo no Conselho de Ética, senador Humberto Costa (PT-PE), e o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Pedro Taques (PDT-MT), apresentarão seus pareceres por 20 minutos cada, tempo que poderá ser prorrogado por mais 10 minutos.

Em seguida, concedida a palavra para os líderes de bancada e de partido e por fim os outros senadores que queiram se manifestar, pelo tempo máximo de 10 minutos.

Encerrada a discussão, falará por 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL, partido que ingressou com representação contra o senador goiano. O último a falar será o senador Demóstenes ou seu defensor, que também terá 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, para se pronunciar. Se os dois decidirem usar a palavra, o tempo será duplicado (20 minutos para cada). Só então, será iniciada a votação.

Segundo informou o líder do PT no Senado, senador Walter Pinheiro (PT-BA), as galerias serão abertas ao público, mas mediante a distribuição de senhas, que serão partilhadas entre os partidos políticos com representação na Casa. A prática, esclareceu, costuma ser adotada em todas as votações importantes no Senado.

O líder do PT destacou ainda que a votação será secreta, uma vez que não houve mudanças no rito de tramitação do processo disciplinar no Congresso. Os senadores não poderão divulgar, em Plenário, qual foi o seu voto, sob o risco de comprometer a legitimidade do processo. As declarações só poderão ser dadas do lado do fora do Plenário.

Ao iniciar a sessão no Plenário, por determinação do presidente José Sarney, as reuniões de comissões em andamento na Casa serão suspensas.

A última vez que o Plenário decidiu processo disciplinar em que esteve em jogo um mandato parlamentar foi em 2007, quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido pelos colegas. O rito do julgamento foi semelhante ao adotado no caso de Demóstenes.

Até agora, o único senador cassado pela Casa foi Luiz Estevão, do Distrito Federal, em 2000. Ele foi acusado de envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Segundo informações de bastidores, a situação não é positiva para Demóstenes. A votação deve acontecer com o plenário cheio, e a maioria dos senadores não quer assumir o desgaste político perante a opinião pública ao absolver o parlamentar.

O jornal “Folha de S. Paulo” fez uma enquete com 76 dos 81 senadores, perguntando como eles votariam: 52 disseram que votariam pela cassação e 24 não quiseram responder. Ninguém admitiu votar pela absolvição.

Ainda assim, de acordo com o jornal “O Globo”, setores de pelo menos cinco partidos - PMDB, PTB, PR, PP e PSDB - estariam dispostos a votar pela absolvição de Demóstenes. Esses senadores consideram que a perda do mandato é uma punição rigorosa demais, e alguns senadores estariam preocupados em criar um precedente. Além disso, segundo as lideranças do Senado, alguns parlamentares que optaram pela cassação no Conselho de Ética, onde o voto é aberto, podem mudar de opinião no plenário, com voto secreto.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Para se defender das acusações, Demóstenes preparou uma série de discursos políticos no Plenário do Senado. Sua principal tese é a de que a Polícia Federal editou e manipulou as conversas telefônicas para incriminá-lo e destruir sua reputação. Demóstenes pediu desculpas aos demais senadores, disse que é vítima de uma "máquina de moer reputação", que vive só de salário e quase não tem patrimônio. No sétimo e último discurso, antes do julgamento, o senador afirmou que chega ao julgamento com a "cabeça erguida", convicto de que será absolvido.

"Não há um cálculo preciso, mas estima-se que a campanha de demolição da minha honra tenha produzido até agora 3 milhões de textos dos mais diversos tamanhos e graus de agressividade", disse. "Mas eu resisti e chego à véspera da votação com a cabeça erguida e a convicção de que a verdade prevalecerá".

Que verdade?


24 de mar. de 2012

Demóstenes Torres cocheira abaixo

BRASIL - CORRUPÇÃO
Demóstenes Torres cocheira abaixo
Demóstenes Torres veiculou no seu Twitter notas defendendo-se das acusações e da desconfiança que passou a inspirar. Cada vez mais fica difícil defender ou acreditar na inocência do Senador. Uma pena! Adoraríamos que tudo fosse desmentido ou não estivesse acontecendo. A enxurrada de denúncias consistentes não deixam muito espaços às dúvidas. Pesadelo: um dos símbolos da seriedade e da ética parlamenta desfaz-se num mar de lama.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

"O senador Demóstenes Torres encontra-se num ambiente muito parecido com um abismo" – Josias de Souza

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Josias de Souza, Twitter Demonstenes Torre, Carta Capital, Blog do Reinaldo Azevedo, Revista VEJA, UOL - Notícias

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres, notabilizado pelo discurso ético-oposicionista, não está conseguindo segurar a enxurrada de acusações que o ligam de forma promíscua e vergonhosa ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

Grampos captados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, ano passado, revelam a intimidade de Demóstenes com Cachoeira e indica a concessão de favores, do explorador de jogos ilegais ao senador, um promotor licenciado.

Num dos diálogos, ocorrido em 4 de junho de 2011, Demóstenes diz a Cachoeira que seu tablet enguiçara. O amigo o tranquiliza. A Polícia Federal no seu relatório resumiu a conversa: “Demóstenes reclama que seu iPad deu pau, Carlinhos diz que vai mandar alguém entregar um novo.”

Dias antes, em diálogo telefônico de 20 de maio de 2011, o senador conversa com o bicheiro sobre avião e “Carlinhos oferece aeronave para Demóstenes”, que embarca na aeronave disponibilizada.

O Globo informou também, sobre a existência de outro inquérito, anterior à Operação Monte Carlo. Nesse processo, Demóstenes foi flagrado num grampo pedindo R$ 3 mil a Cachoeira para pagar uma despesa com táxi aéreo. Estarrecedoramente a PF acusa-o também de ter compartilhado, com o bicheiro, informações obtidas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Noutra notícia, redigida pelo repórter Leandro Fortes, da Carta Capital, informa-se que a PF acusa Demóstenes de ter extraído vantagens financeiras milionárias de seu relacionamento com Cachoeira. Coisa de R$ 50 milhões. Em seus relatórios, a PF sustenta que o senador amealharia 30% dos negócios ilícitos do amigo, estimados em R$ 170 milhões.

Demóstenes Torres veiculou no seu twitter um lote de notas inusuais. Normalmente, ataca. Teve de defender-se. Habitualmente desconfia. Viu-se compelido a responder à desconfiança que passou a inspirar.

Alvejado por suspeições variadas, emanadas de grampos e relatórios atribuídos à Polícia Federal, Demóstenes concentrou-se na notícia que, como promotor licenciado, sabe ser a mais grave.

Anotou: “De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da CartaCapital. Os informantes da revista estão enganados.” Noticiou-se que Demóstenes seria beneficiário de 30% do faturamento dos negócios do mercador de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira.

Não e não, Demóstenes escreveu: “Não faço parte nem compactuo com qualquer esquema ilícito, não integro organização ilegal nem componho algo do gênero.” Durante todo o dia, o senador preferira terceirizar a voz ao advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, seu defensor.

Para explicar o porquê de ter decidido quebrar o silêncio via internet, alegou: “Desminto essas inverdades em respeito a minha família, aos meus amigos, às minhas colegas e meus colegas senadores, a Goiás e ao Brasil.” Absteve-se de comentar notícia por notícia.

Esquivando-se do varejo, defendeu-se no atacado: “As injúrias, as calúnias e as difamações minam a resistência até de quem nada teme, mas permaneço firme na fé de que a verdade triunfará.”

Lamentou que a tempestade lhe chegue na velocidade de um alazão e estimou que a bonança virá montada numa tartaruga: “Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente.”

Considera-se injustiçado: “Para tripudiar sobre mim e o mandato que o povo me confiou, desrespeitam os mais elementares princípios constitucionais.” Mas vê luz no final do seu túnel escuro: “A tudo suporto porque nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil. Essa é a verdade que, ao final, prevalecerá.”

Por fim, Demóstenes escorou-se no divino: “O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência.” A julgar pelo sentimento dos colegas de Senado, entre eles José Agripino Maia, presidente do DEM, a certeza depende agora de investigações que espanquem as dúvidas.

”Se 5% do que a PF diz de Demóstenes for confirmado, o país estará diante de um personagem que é o avesso do avesso do que diz ser.” – conclui o Blogueiro Josias de Souza, da Folha de São Paulo.


*Esse post é baseado em textos publicado no Blog do Josias, com alterações e comentários adicionais.

6 de abr. de 2011

OPINIÃO: Quem paga a conta de Itaipu? - Eduardo Sciarra

OPINIÃO
Quem paga a conta de Itaipu?
Não há motivos financeiros nem razões de Estado ou de segurança que justifiquem um presente de mais de R$ 5 bilhões aos paraguaios

Foto: Reuters

Paraguaios pressionam o governo brasileiro a ceder nos acordos de Itaipu, que provocará um prejuízo de R$ 5 bilhões, ao Brasil, até 2023.

Eduardo Sciarra
Fonte: Folha de São Paulo

Nós não podemos votar o Tratado de Itaipu apenas porque a presidente Dilma quer ser bem recebida no Paraguai. Ou porque ela não quer ferir a suscetibilidade de Lula, mantendo sua errática política externa, que esconde o desejo mitômano de ser -Lula, não o Brasil- líder regional e protagonista global.

A Usina de Itaipu é monumento não só à excelência da engenharia brasileira, mas também à sabedoria dos diplomatas e à vontade madura de integração dos nossos dois povos. Especialistas em energia e juristas renomados não se cansam de elogiar o tratado original. Só foi possível financiar obra tão gigantesca (o custo total da construção é de US$ 27 bilhões) graças ao megafinanciamento assumido inteiramente pelo Brasil.

Ao Paraguai coube, pelo tratado, a venda compulsória da energia não consumida, numa operação sob a responsabilidade das respectivas estatais elétricas: a Ande e a Eletrobras. Em última instância, quem paga por isso são os consumidores brasileiros das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Pelos cálculos do Instituto Acende Brasil, no acumulado até março de 2010, o Paraguai já embolsou o equivalente a US$ 4,9 bilhões (royalties, rendimentos de capital e venda de energia propriamente dita). Mais: depois de 2023 (meio século da assinatura do tratado), com a quitação do financiamento, o Paraguai será proprietário de metade de um ativo avaliado em US$ 60 bilhões, cuja vida útil, estimam os geólogos, será superior a 200 anos.

A revisão ora proposta implica o aumento dos pagamentos anuais feitos pelo Brasil ao Paraguai de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões. Como o tratado vigora até 2023, serão 13 anos com pagamento onerado em US$ 240 milhões ao ano, totalizando US$ 3,12 bilhões, ou mais de R$ 5 bilhões.

A não ser pela megalomania e pelo protagonismo do ex-presidente Lula, não há justificativas econômico-financeiras e nem razões de Estado, de segurança nacional ou sequer de caridade cristã que expliquem um presente de mais de R$ 5 bilhões aos paraguaios.

Especialmente num momento em que a salgada conta da farra fiscal e da gastança do governo passado, executada pelo atual ministro da Fazenda, está sendo cobrada de todo o povo brasileiro, com cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento, atingindo programas sociais, cancelando investimentos e aumentando impostos.

É bom lembrar também que, na recente votação do salário mínimo, o governo obrigou sua base parlamentar a rejeitar o valor de R$ 560, alegando falta de recursos.

O Brasil pode e deve, sim, contribuir para o desenvolvimento do Paraguai, até como forma de apoiar a consolidação da democracia naquele país, seja pelo financiamento de obras de infraestrutura, seja estimulando a pesquisa e o desenvolvimento, com a Embrapa, e tantas outras formas de cooperação. Mas isso não pode se dar à custa do contribuinte brasileiro, muito menos do desajuste de contas internas.

Os brasileiros esperam que o Congresso Nacional cuide primeiro do real interesse do seu povo, rejeitando a revisão desse tratado. Pela saúde econômica do nosso país e por saberem não ser justo que sejam obrigados a pagar ao Paraguai por algo que não devem.


*Eduardo Sciarra É deputado federal pelo DEM-PR, é vice-líder do partido na Câmara dos Deputados.
**Acrescentamos foto e legenda ao texto original

19 de mar. de 2011

BRASIL: O traidor e ambicioso Gilberto Kassab abandona o DEM

BRASIL
O traidor e ambicioso Gilberto Kassab abandona o DEM
Para ser candidato a governador de São Paulo em 2014, o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, resolveu fundar um novo partido, apoiar o governo Dilma Rousseff, esquecendo que os eleitores votaram no seu nome, quando ele era da oposição. No momento é cortejado e posto na condição de líder nacional. O tempo dirá se ele não será engolido pela própria ambição e arquivado pelos novos aliados. O povo não gosta de traidores

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA: Dilma de olho no apoio de Kassab para diminuir a influencia do PMDB paulista no seu governo, Kassab quer escapar da influencia do DEM e dos Tucanos na decisão da escolha do candidato ao governo de São Paulo em 2014

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Portal Terra, Blog do Noblat, Estadão

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, como se todo mundo já sabia, deixou o Partido Democratas para criar uma nova legenda de mentirinha, para driblar a legislação eleitoral. Busca espaço para apoiar o governo de Dilma Rousseff e tentar ser candidato a governador do estado de São Paulo nas eleições de 2014.

Kassab aguardou a mudança de direção do DEM, que ocorreu na última terça-feira, quando o senador José Agripino (RN) assumiu a presidência do partido.

Com a adesão a uma nova legenda, como prevê a lei, Kassab escapa de um processo de infidelidade partidária por parte do DEM. Se trocasse para uma legenda existente, o Democratas poderia requisitar o mandato na Justiça.

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que segue Kassab na aventura, não confirmou o nome que será dado à nova sigla. Comentava-se até agora que seria Partido da Democracia Brasileira (PDB), mas, segundo uma fonte envolvida na formação da legenda, uma possibilidade é de que a denominação seja Partido Social Democrático (PSD).

O Blog do Noblat noticiou que a mudança do nome anunciado, PDB, ocorreu porque os adversários de Kassab, havia traduzido a sigla como Partido da Boquinha.

Neste final de semana, em Salvador, haverá a primeira reunião do novo partido. O vice-governador da Bahia, Otto Alencar (PP), que vai aderir à nova sigla está organizando o evento.

Mesmo lançada agora, a nova legenda terá que estar registrada oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até setembro para poder lançar candidatos nas eleições municipais do ano que vem. Entre as exigências do TSE está a coleta de quase 500 mil assinaturas de eleitores.

Kassab tem novos amigos, apesar de achar improvável que o PT deixe de lançar um candidato próprio para o governo de São Paulo em 2014, o chefe do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu declarou total apoio e deu até boas-vindas, ao prefeito.

No final, como um velho scrip de pastelão, Kassab funde o novo partido ao PSB de Eduardo Campos e tentará ser feliz bajulando o governo federal. Nunca mais ninguém vai ouvir falar dele.


16 de fev. de 2011

A revolução socialista de Eduardo Campos e Kassab

BRASIL
A revolução socialista de Eduardo Campos e Kassab
Tudo começou como uma possível e despretensiosa aliança entre um político dissidente e um partido disposto a abrigá-lo. No desenrolar das negociações, avolumaram-se as pretensões e as possibilidades. Ao final, segundo a Veja essa provável “aliança Kassab e Campos, engordará a base aliada do governo e poderá provocar a maior movimentação na política brasileira desde a fundação do PSDB, em 1988”. Uma triste notícia para a democracia brasileira.

Foto: Agência Estado/Abr

Kassab quer ser Governador de São Paulo e Eduardo Campos, presidente do Brasil, acreditam que unidos, chegarão lá.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja - 14/02/2011 , Blog Estadão, Diário de Pernambuco, Folha de Pernambuco

Um misto de destino, oportunismo e engenharia política, está propulsando uma poderosa aliança do partido presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos e um grupo dissidente dos Democratas liderados pelo Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Tudo começou com o descontentamento de Kassab ao constatar que o seu partido lhe negaria apoio para disputar a vaga de Governador de São Paulo em 2012, por comprometimento do diretório estadual com a candidatura a reeleição do tucano Geraldo Alckmin.

A princípio Kassab viu a possibilidade de migrar para o PMDB, via o vice-presidente Michel Temer. Mas as negociações parecem ter empacado, pelo mesmo motivo, o diretório paulista do PMDB, não é suficientemente confiável, aos olhos do Democrata.

No vácuo político entrou o governador de Pernambuco Eduardo Campos oferecendo a legenda que preside, o Partido Socialista Brasileiro, para apoiar o projeto do prefeito paulista. Embutida na proposta está incluso o sonho de Eduardo Campos de se viabilizar como candidato a presidente em 2012.

Conversa vai conversa vem os fatos evoluíram. Burocraticamente Kassab vai aguardara Convenção Nacional dos Democratas, no próximo 15 de março, para anunciar seu desligamento do Partido.

Tecnicamente kassab sairia do DEM para fundar um novo partido, que já tem até nome, o Partido da Democracia Brasileira (PDB), uma manobra legal que impediria a cassação do seu mandato e de outros dissidentes que estão de malas prontas para deixar os democratas.

O novo partido desde o começo seria da base aliada da Presidenta Dilma Rousseff e segundo cálculos sua formação daria uma baixa em 20% da tropa oposicionista, para gáudio do governo, que vê nisso a oportunidade de reduzir sua dependência do PMDB.

O PDB, terá vida curtíssima, trata-se apenas de um artifício legal transitório. Já nas eleições de Prefeito, em 2012, para Prefeitos e Câmaras Municipais, fundir-se-ia ao PSB, o Partido de Campos e a partir daí marchariam tonificados, para as eleições gerais de 2014.

O projeto inicialmente apenas uma manobra localizada, começou a tomar importância nacional, e já se fala que uma alternativa de poder para enfrentar a polarização entre petistas e tucanos, que se revezam na Presidência há quase duas décadas.

A nau dos dissidentes ganha cada vez mais importância com os anúncios de adesão que não para de crescer. Já se tem, como certo, nomes como o do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo que virá acompanhado do senador Luis Henrique (PMDB/SC), da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, e de 20 deputados federais.

Fala-se ainda que a nova legenda arrastará, surpreendentemente, veementes oposicionistas, como a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu (TO), o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) e o respeitadíssimo senador Demóstenes Torres (GO).

Por isso a Veja concluiu que “Kassab e Campos querem provocar a maior movimentação na política brasileira desde a fundação do PSDB, em 1988”.

Essa não é uma boa notícia. Eduardo era do governo e continuou, mas essa enxurrada de opoisitores aderindo ao governo Dilma, representas mais deterioração na política brasileira. A democracia brasileira vai ao fundo poço.


30 de jun. de 2010

Vice de Serra será jovem deputado carioca do DEM

ELEIÇÕES 2010
Vice de Serra será jovem deputado carioca do DEM
Finalmente os Tucanos e os Democratas chegara a um consenso e escolheram como o vice na chapa de José Serra, o deputado carioca Índio da Costa (DEM-RJ), tendo para tanto sido descartado o senador Alvaro Dias (PR), que anteriormente havia sido anunciado e que resignadamente e até com bom humor, aceitou a substituição colaborando com a pacificação dos Tucanos e Democratas

Foto: Renato Araujo/ABr

O presidente do PSDB e coordenador da campanha Sérgio Guerra, o candidato a vice Indio da Costa e o presidente dos DEM deputado Rodrigo Maia (RJ), na convenção dos Democratas em Brasília

Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Portal Terra, Agência Brasil

Intensas reuniões entre as cúpulas do DEM e do PSDB, com a participação de Serra, levaram à escolha de Indio da Costa no mesmo dia da convenção do DEM, realizada em um hotel de Brasília. O evento teve que ser adiado por algumas horas, antes de oficializar o apoio do partido a Serra e ao deputado vice.

"A gente traz um nome novo para o processo, um nome que não estava sendo cogitado, uma pessoa jovem, integrante de uma nova geração de políticos brasileiros", disse a jornalistas o deputado ACM Neto (DEM-BA) sobre Indio.

O Democratas não aceitou o nome de Alvaro Dias alegando que não foi consultado. O episódio provocou uma crise que aparentou abalar a união das duas legendas.

Serra foi a Brasília e no começo da noite disse não ter ficado sequela no processo e nem admitiu crise na campanha. "Não vamos alavancar novamente. A campanha está alavancada", afirmou.

Sobre o companheiro de chapa, disse que "ele é alguém que pode trazer uma nova geração... Hoje estamos apresentando aqui uma novidade."

De seu lado, Aécio Neves, ex-governador mineiro, que participou de reunião para a escolha do substituto de Alvaro Dias, admitiu equívocos por parte do PSDB.

"Houve equívocos. Se eles são insanáveis? Longe disso", afirmou em Belo Horizonte. A negativa de Aécio em assumir o posto de vice de Serra teria deflagrado a dificuldade de escolha da vice-candidatura tucana.

Foto: Renato Araujo/ABr

Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa entrou para a política por meio do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, um dos caciques do DEM e pai do presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), mas já haviam se distanciado.

Relator do projeto Ficha Limpa, que torna inelegíveis políticos com condenação em órgão colegiado da Justiça, Indio da Costa tem 39 anos, é advogado e foi vereador no Rio pelo antigo PFL, hoje DEM, por três mandatos.

Ele admite só ter conversado com Serra uma única vez durante a estreia do Brasil na Copa contra a Coreia do Norte, neste mês, quando os dois falaram das necessidades do Estado do Rio.

"Vou procurar atingir o eleitorado jovem, agregar na comunicação virtual, o que o Serra já vem fazendo muito bem", respondeu ele à Reuters quando questionado sobre sua missão nesta campanha. "Posso agregar todo um pessoal que está muito chateado com a política", afirmou.

ACM Neto disse ainda que o nome surgiu nas últimas horas. "Não tem abalo nenhum, não tem crise nenhuma e acho que agora a gente está com o clima que precisava para construir a vitória de Serra", completou o deputado baiano.

Também aliado de Serra, Roberto Freire, presidente do PPS, aprovou a escolha. "É uma excelente escolha. É um jovem, mas, apesar de ser jovem, tem uma boa experiência no Executivo e no Legislativo. É um homem sério, foi relator do projeto Ficha Limpa e, mais importante, tem ficha limpa", disse ele à Reuters.

Freire não admitiu que houve uma crise na chapa. "Tinha havido uma falta de comunicação, mas não uma falta de unidade."

Já o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, o pivô da crise sobre o candidato a vice na chapa serrista, ao vazar, via Twitter, o nome do senador Alvaro Dias para o posto, jogou mais um pouco de veneno no microblog Twitter: "Foi oportunismo do DEM forçar a vice. Quis lavar a cara no prestígio de Serra".

Foto: Renato Araujo/ABr

Alvaro Dias, que sempre disse que o lançamento do seu nome, nunca seria obstáculo para o partido buscar um acordo como os Democratas, esteve na convenção e buscou o bom humor. "O DEM é muito mais importante do que eu. O PSDB decidiu assim, e eu assino embaixo", disse encerrando a questão.

6 de mar. de 2010

Senador Demóstenes defende pobres de qualquer cor

BRASIL
Senador Demóstenes defende pobres de qualquer cor
Por defender o fim das cotas raciais para ingresso nas universidades públicas o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que defende as cotas sociais - que privilegiariam pobres de todas as raças - está sendo caluniado indiretamente pelo ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Igualdade Racial, que quer jogar contra ele o movimento negro e a pecha injusta de rascista

Foto: Waldemir Barreto/Ag Senado

Demostenes Torres defendendo o direito de todos

Fontes: Valor Economico , Portal Democratas, Blog Luis Nassif, Afrobras, Blog Democratas

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que ficou sob a mira do movimento negro ao defender o fim das rotas raciais para ingresso nas universidades públicas, disse ontem que o país vive a "ditadura do politicamente correto", defendeu as cotas sociais - que privilegiariam pobres de todas as raças - e afirmou que o ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Igualdade Racial, usa de "desonestidade intelectual" quando afirma que o fim da cota racial irá inviabilizar as demais políticas sociais afirmativas.

Em entrevista ao Valor, Torres afirmou que o movimento negro criou index - odeia Gilberto Freire, Darcy Ribeiro e Jorge Amado e "excomunga" a princesa Isabel - e reiterou que não considera a miscigenação brasileira como resultado do estupro e da violência, mas de uma relação consensual entre o branco livre e a negra escrava, "ainda que sob dominação". O senador não teme prejuízo eleitoral para seu partido decorrente de seu engajamento na tese. Abaixo, a entrevista:

Valor: Em véspera de eleição, o senhor considera popular a posição de combater o uso das cotas raciais nas universidades?

Demóstenes Torres:
Se é popular não interessa, interessa o que é certo para o país. Eu defendo as cotas sociais, ou seja, quem é pobre tem o direito a entrar na faculdade por meio do sistema de cotas de até 20%, e o pobre pode ser preto, pode ser negro, amarelo, preto, de qualquer cor. O problema estrutural no Brasil não é o racismo, mas a pobreza.

O rico negro sempre teve tranquilamente o seu assento à sociedade. Na época do escravagismo, tínhamos traficantes de escravos negros, senhores de escravos negros e assim por diante. Todo arcabouço jurídico que foi constituído no país foi para acabar com a discriminação, em especial com o racismo.

A lei é duríssima. Desde a promulgação da Constituição até agora foram criados 16 diplomas antirracistas. Por que vamos criar uma lei que racializa a sociedade entre negros e brancos? Até porque 87% da população têm sangue negro, mais de 90% têm sangue branco, mais de 60% têm sangue indígena.

Como vamos classificar? O Brasil é miscigenado, graças a Deus. Não precisamos criar mecanismos para racializar o Brasil porque o conceito de raça já acabou.

Valor: Como foram as reações a essa posição? O senhor recebeu pressões para recuar?

Demóstenes Torres:
Há três anos sustento essa posição. Não existe pressão que me faça recuar do que eu penso, do que eu estudo. Eu sou um estudioso. Eu sou pela cota social, que beneficia todos os pobres independente de sua cor. Sou autor da emenda constitucional que pretende criar a escola integral, pois não existe universidade que cure analfabetismo, ignorância. A cota, mesmo que social, deve ter um efeito limitado para que a educação um dia possa ser elevada a um patamar de excelência no Brasil. Não existe um passe de mágica para isso, existe trabalho.

Valor: Um dos argumentos do ministro Edson Santos em favor das cotas é que o PNAD do IBGE aponta maior pobreza e menos escolaridade entre os negros.

Demóstenes Torres:
Dentro do mesmo nível de escolaridade, negro e branco têm o mesmo tratamento. A cota racial tem uma coisa muito grave porque acolhe o negro rico. E como vamos tratar os 19 milhões de brancos pobres no país?

Valor: O sr. expõe isso ao eleitor?

Demóstenes Torres:
Claro.

Valor: O que o seu eleitor acha?

Demóstenes Torres:
Isso pesa a meu favor. O eleitor entende que não há razão para privilegiar uma cor. Quem é que pode ser contra acudir o pobre? O caboclo pobre, a mistura do europeu com o índio lá do Amazonas, por exemplo, não está nessa cota. Há uma parte expressiva da inteligência brasileira que concorda com esse posicionamento. Cota social é a mais correta, até porque no Brasil não há qualquer possibilidade de fazer uma diferenciação de cor. No Brasil, menos de 6% são pretos conforme a denominação do IBGE. Os pardos, mistura de branco e negro, são em torno de 42%. E isso autodeclarados.

Como vamos classificar a cor, qual o critério, vamos olhar para as pessoas e definir? Chega-se ao absurdo de gêmeos idênticos serem considerados um negro e outro, não. Cria-se um tribunal racial dentro da universidade. Estão tentando seguir no Brasil o exemplo fracassado americano. Não quero enfrentamento, apenas quero levar essa discussão para o país: o que melhor para o Brasil, a cota social ou a racial?

O reitor da UnB disse que nós poderíamos colocar uma cota de 20% para negros, 20% para pobres e 30% para originários das escolas públicas e isso não é real.

O presidente da Associação dos Reitores das Universidades Federais disse, em audiência pública no Senado, que é impossível ter autonomia universitária com algo acima de 20% de cotas, porque o mérito será totalmente escamoteado.

Valor: Outra argumentação polêmica é a de que a miscigenação de se deu sem violência.

Demóstenes Torres:
É só ler Gilberto Freire. Querem dar a impressão que no Brasil as negras foram estupradas e a miscigenação se deu de forma violenta. A integração da casa grande e da senzala, ainda que com dominação, foi muito mais consensual do que gostaria o movimento negro. Hoje o movimento negro tem umas pessoas que são odiadas. Gilberto Freire é uma delas. Darcy Ribeiro é outro, dizem que ele é o pirata da antropologia. O Jorge Amado, falam que abate moralmente o negro. Encontraram racismo até na obra "O Lavrador de Café" do Portinari porque coloca o pé do negro muito proeminente.

Valor: Isso é discriminação?

Demóstenes Torres:
Estamos vivendo no Brasil na ditadura do politicamente correto. A princesa Isabel é excomungada. Joaquim Nabuco é quase que um pária. Algumas coisas são absolutamente ridículas em termos de pesquisa. Será que é verdade que os negros brasileiros têm menos esgoto que os brancos, ou seja, que o esgoto que passa a céu aberto na casa do pobre ele escolhe a cor?

Valor: A história não justifica uma proteção ao negro?

Demóstenes Torres:
Muito antes do Brasil existir, a África já fornecia escravos para o mundo. Isso não quer dizer que devemos ficar contentes, mas não vamos solucionar esse problema aprovando uma legislação racista no Brasil separando os brancos e os negros. Não temo expor a minha opinião.

Valor: O que o senhor acha da nota do ministro, que afirma que uma decisão do STF contrária às cotas pode inviabilizar as demais políticas sociais afirmativas?

Demóstenes Torres:
O ministro cometeu um crime de responsabilidade ao enviar esse ofício. Esse argumento foi para criar animosidade em relação a uma posição partidária e em especial a mim. E mais ainda, o ministro está usando todos os recursos que tem o ministério para convocar o movimento social, inclusive patrocinando muita coisa, como eventos, para pressionar o STF . Os ministros do Supremo não podem sofrer pressão. São 11 julgadores que devem julgar com a maior isenção. A argumentação de que uma decisão contrária vai inviabilizar ações afirmativas no Brasil é falaciosa e, além de tudo, uma desonestidade intelectual.

COMENTAMOS: Irretocável o pensamento do Senador Demóstenes Torres. Aliás, nesta, como em outras ocasiões, o senador Demóstenes está sempre do lado certo, do bom senso e da correção. Obvio que seria bem mais cômodo não comprar uma briga deste tamanho. Mas ele o faz porque seu senso de justiça não o deixa quieto diante de um absurdo.

O absurdo é não querer seguir o seu pensamento democrático, apoiado por tantos outros, de querer abranger nas cotas as pessoas que margeiam a sociedade e se defrontam com barreiras de acesso as oportunidades apenas pela condição social.

Nada menos preconceituoso do que reunir com as mesmas oportunidades um grupo social sem lhes perguntar a cor, ou a origem.

Nessas ocasiões sempre é citada a análise do DNA de um grupo de 120 negros brasileiros feitos pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, que detectou, por exemplo, que a ginasta Daiane dos Santos tem ancestralidade mais européia do que africana.

Na verdade conclui-se que a Daine é uma brasileira típica, com 39,7% de ancestralidade africana, 40,8% européia e 19,6% ameríndia.

Naquela ocasião disse o cientista: a cor da pele é um “péssimo indicador de ancestralidade” porque representa uma parte ínfima do código genético humano.

Estamos mais uma vez com Demóstenes Torres e fazemos questão de dizer que ele é uma das poucos e saudáveis exemplo de políticos brasileiro que honram o mandato que receberam do povo.


21 de fev. de 2010

ELEIÇÕES 2010: Tentativa de cassar Kassab deve preocupar

ELEIÇÕES 2010
Tentativa de cassar Kassab deve preocupar
A oposição foi surpreendida com a decisão, pois, não acompanhou o processo que se firmava há mais de dois anos na justiça eleitoral, sem a devida assistência jurídica. Muito do que se diz agora, com a afirmação de que há jurisprudência para reverter à sentença do Juiz, já devia constar dos autos e até podia ter evitado esse desagradável desfecho

Foto: Arquivo

Gilberto Kassab não tem nada a temer, a decisão de agora, não vai lhe tirar da prefeitura, mas não pode descuidar, para não ser surpreendido, com decisões desfavoráveis no futuro, os adversários não desistem nunca

Fontes: O Globo, Agência Brasil, Portal Terra, Ultimo Segundo

O fato é que a perícia contábil da Justiça Eleitoral apontou que 33% dos recursos arrecadados pela candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM), no último pleito municipal tiveram origem em fontes de contribuição consideradas ilegais.

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Silveira, em sentença, numa ação movida pelo Ministério Público eleitoral, condenou o prefeito de São Paulo à perda de mandato pelo recebimento de doações ilegais na campanha de 2008.

Esbravejar agora contra o magistrado é um desserviço a defesa do Prefeito. Dizer que Lula também fez, não justifica, uma vez que não existem ações protocoladas contra a prestação de contas da candidatura do presidente da republica, por que ninguém se preocupou em acionar.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), tem que ser inteligente e conter sua indignação. Considerar a decisão judicial "100% eleitoral, irresponsável e criminosa" e ainda acrescentar que a visa a criar desconforto e instabilidade ao partido e "sem dúvida" atingir a eventual candidatura à Presidência do governador José Serra (PSDB-SP), principal aliado político de Kassab, é exatamente fazer o jogo dos adversários.

Serão outros integrantes do judiciário que irão, em outras entrâncias, julgar a legalidade do ato do Juiz. Tentar desmoralizar o judiciário e acusá-lo de parcialidade, para depois buscar justiça, não parece sensato.

Gilberto Kassab não vai ser cassado em definitivo. Vai continuar sendo prefeito normalmente. As ações que serão interpostas pelos advogados do prefeito terão liminares que lhe permitiram continuar no cargo enquanto o feito principal não for julgado.

Como esse é um ano eleitoral, não haverá tempo para que o processo seja julgado. Qualquer julgamento só deverá acontecer após o segundo semestre do próximo ano, com possibilidade de novos recursos que se estenderão até após o fim do mandato.

Que deu essa tacada agora, pretende embaraçar no pleito presidencial, mas como no jogo de sinuca, também se posicionou para complicar a possibilidade de reeleição de Kassab.

Correta está a posição do presidente nacional do Democratas (DEM), deputado federal Rodrigo Maia (RJ), que corrobora: "Estamos 100% tranquilos com relação às contas da campanha. Está claro que as doações foram legais e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. Tenho certeza que o TRE vai reformar a decisão". "O partido está junto com ele", disse Maia.

As oposições precisam tirar lições do episódio. Montar uma estrutura jurídica forte e atuante para atuar nas próximas campanhas, mantendo-se com a mesma vigilância após a publicação dos resultados eleitorais. Não se pode ficar desatento as investidas, nem se pode deixar impune nenhum deslize dos adversários. Esse será o jogo daqui para frente, para quem quiser ganhar a partida e permanecer em campo.


12 de dez. de 2009

CAPITAL DA CHANTAGEM: O jogo de Arruda para ficar no governo

CAPITAL DA CHANTAGEM
O jogo de Arruda para ficar no governo
José Roberto Arruda, o governador do Distrito Federal pilhado recebendo uma bolada indecente, tenta manter-se no cargo ameaçando inimigos e até aliados

Foto: Reuters

A cavalaria de Arruda contra os manifestantes, cenas só vistas, nos longínquos idos dos governos militares

Diego Escosteguy
Fonte: Revista Veja

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM, resolveu algemar-se ao cargo. Acossado pelas irretorquíveis evidências de que comanda um propinoduto no governo de Brasília, Arruda recusa-se a renunciar – e vai seguindo coxo no posto, à base de chantagem e de pancada.

Viu-se a tática da brutalidade na quarta-feira da semana passada, quando a polícia de Brasília espancou manifestantes que ocupavam as ruas da capital para exigir a saída dele – na maioria, aliás, integrantes do PT e adjacências que não fizeram o mesmo no caso do mensalão de Delúbio Soares. A chantagem, por sua vez, corre em silêncio. Ela começou quando os dirigentes do DEM, diante dos estragos provocados pelas imagens do governador e assessores recebendo maços de dinheiro, ordenaram que o colega deixasse o partido.

Arruda estrilou, ameaçando revelar como a propina arrecadada no governo de Brasília também estufa os bolsos de decanos do partido. Desde então, o governador mantém em sua mira os senadores do DEM e, sobretudo, o deputado Rodrigo Maia, o presidente da legenda. Para intimidar inimigos e até aliados, Arruda tem recorrido aos métodos de seu algoz, o delegado Durval Barbosa: diz ter vídeos e provas de corrupção contra todos.

Foto: Reuters

A cavalaria de Arruda caçava os manifestantes que querem cassar o governador

Até agora não apareceu nada, mas alguns democratas entraram em pânico e, já nos primeiros momentos da crise, cederam aos desejos do governador. Arruda queria tempo. O partido deu dez dias para ele apresentar sua defesa. Era o prazo necessário para o governador obter uma decisão favorável no Tribunal Superior Eleitoral que lhe garantisse a permanência no DEM – sem que isso acarretasse prejuízo político para a direção da sigla.

Arruda garantia, sabe-se lá com quais argumentos, que o advogado Marcelo Ribeiro, ministro do TSE, iria mantê-lo no partido. O governador impetrou um mandado de segurança, mas a estratégia deu errado: apesar de cair nas mãos do ministro Ribeiro, este declarou-se impedido. O caso foi, então, parar na mesa da ministra Cármen Lúcia, que indeferiu o pedido do governador. Sem saída, Arruda deixou o DEM. Por uma questão de prazo eleitoral, ele não pode mais se filiar a outro partido – e, portanto, está impossibilitado de concorrer a qualquer cargo no pleito do ano que vem.

O governador disse que pretende dedicar-se agora a cumprir o que lhe resta de mandato. Mas talvez não haja chantagem suficiente para segurá-lo no posto. Ele enfrentará um processo de impeachment na Câmara de Brasília – e os imprevisíveis desdobramentos das investigações, que poderão esbarrar na conexão nacional que Arruda tanto alardeia nos bastidores.

Foto:Site Democratas

O elo nem tão perdido entre o DEM e Arruda atende pelo nome de Paulo Roxo, lobista apontado como "achacador" de fornecedores do governo do DF. No Carnaval deste ano, Roxo levou os deputados Rodrigo Maia e ACM Neto (foto) para passear na Itália. Tomaram bons vinhos e visitaram a pista da Ferrari, em Maranello. Antes de o escândalo vir a público, Roxo, Arruda e Maia planejavam divertir-se com a família na Disney, em janeiro.


Lamentamos estar publicando este texto. Esperamos que tudo seja desmentido de forma convincente, o mais rápido possível.

5 de dez. de 2009

CORRUPÇÃO: As vergonhosas cenas do mensalão brasiliense

CORRUPÇÃO
As vergonhosas cenas do mensalão brasiliense
O governador de Brasília estrela um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção já vistos na história. Sem nenhum pudor, políticos foram filmados recebendo dinheiro de propina em meias, cuecas, bolsas e até via Correios. Depois, ainda rezam, agradecendo a Deus a graça alcançada

Foto: Celsio Junior/AE

DEPARTAMENTO DA PROPINA José Roberto Arruda tinha um secretário encarregado exclusivamente de subornar aliados e achacar empresários

Diego Escosteguy e Alexandre Oltramari
Fonte: Revista VEJA

No dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminha-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Ele aperta a mão de Durval e lhe dá um tapinha nas costas: "Meu presidente!".

Arruda acomoda-se gostosamente no sofá, dá um profundo suspiro e pede um chazinho à secretária. Tira do bolso um papelzinho e diz a Durval:

"Queria ver quatro coisinhas com você. Só posso pedir para você porque é algo pessoal". Arruda começa pela corrupção miúda, pedindo a Durval que consiga emprego para o filho dele numa das empresas que mantêm contratos com o governo. Depois abusa um pouquinho mais e recomenda que o delegado "ajude" a empresa de um amigo. Finalmente pergunta sobre o financiamento para a campanha. "Estou medroso com esse troço", diz Arruda. Durval tenta tranquilizá-lo: "A gente só não pode internalizar o dinheiro".

Ato contínuo, Durval abre o armário, pega um pacote com 50 000 reais e o entrega a Arruda. "Ah, ótimo", agradece o candidato. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país.

Talvez encantado com o espírito do Natal que se aproxima, Arruda veio a público na semana passada para dizer que, sim, ele recebeu o pacotão de dinheiro que aparece no vídeo - mas que, por nobreza de coração, usou os recursos na compra de panetones para os pobres que habitam a periferia de Brasília. Nem Papai Noel acreditou.

A burlesca cena protagonizada por Arruda está num dos trinta vídeos entregues por Durval aos promotores do Ministério Público do Distrito Federal, aos quais VEJA teve acesso na íntegra. Ele também forneceu documentos e prestou um minucioso depoimento, expondo as vísceras do esquema de corrupção chefiado por Arruda e pelo empresário Paulo Octávio, vice-governador de Brasília.

Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais - uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF. Ou seja, uma versão brasiliense e democrata do mensalão petista.

A colaboração de Durval, que espera com isso receber um perdão judicial, resultou na Operação Caixa de Pandora, deflagrada há uma semana pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, na qual se apreenderam, nos escritórios da quadrilha, documentos e cerca de 700 000 reais em dinheiro vivo. Os promotores calculam que a quadrilha do panetone tenha desviado dos cofres públicos a formidável soma de 500 milhões de reais - de modo que os pobres de Brasília, graças quem sabe às orações da propina divulgadas por Durval, devem desfrutar um gordo Natal neste ano.

Inexiste quantia, contudo, que supere a força simbólica de uma imagem como a do governador Arruda recebendo um bem fornido maço de notas de 100 reais. Não é à toa que as produções de Durval se tornaram hits instantâneos na internet e correram as televisões do mundo: nunca se registrou com tamanha precisão, muito menos de maneira tão límpida e pedagógica, a ilimitada capacidade dos políticos de ignorar os mínimos princípios de dignidade pública. O sentimento de repulsa é inevitável.

Foto: Dida Sampaio/AE

IRMANDADE O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (à dir.), em reunião com o deputado ACM Neto (à esq.): relação fraternal com Arruda dificulta expulsão do governador

Essa indignação apareceu graças ao talento dramatúrgico do obstinado Durval. Durante anos, ele gravou com esmero as estripulias cometidas pelos maganos dessa máfia. Além da participação especialíssima de Arruda, o Generoso, aparecem nos filmes deputados, empresários, jornalistas, lobistas, burocratas, assessores. São filmes ricos em elenco - e, sobretudo, em conteúdo. Todos foram rodados nos escritórios do diretor Durval. O enredo é sempre o mesmo. Os personagens procuram o delegado em busca de dinheiro e favores. O final é igualmente previsível.

Como se descobriu nos últimos dias, os coadjuvantes sempre dão um jeitinho de sair de lá com dinheiro - seja nas meias, na cueca, na bolsa, no paletó (veja os quadros). Antes de embolsarem o cachê, esses bufões da corrupção combinam negociatas e trocam confidências sobre os esquemas de cada um. Enquanto eles riem, só resta à plateia chorar: toda essa deprimente patuscada é paga com nosso dinheiro.

As gravações demonstram que Durval era o gerente da quadrilha, intermediando negociatas entre a cúpula do governo e as empresas que sobrevivem de contratos públicos. Num dos vídeos inéditos, gravado no dia 14 de outubro deste ano, Geraldo Maciel, assessor de Arruda, encaminha a Durval as determinações do governador. Maciel conta que Arruda ordenou a contratação da Brasif, empresa ligada ao DEM.

"Esse pessoal vai assumir os compromissos com você", explica o assessor de Arruda. "Compromissos", na linguagem da quadrilha, significa propina. "Ele (Arruda) é quem decide", responde o delegado. Em seguida, os dois acertam como será direcionada a licitação para contratar a Brasif - e como será o rateio. "O que ficaria livre para ele?", pergunta Maciel, numa referência a Arruda. "Um e duzentos", esclarece Durval. Um milhão, claro.

Pobre Durval. Numa das conversas, Maciel, o assessor de Arruda, desabafou: "Não aguento mais o Leonardo Prudente no meu pé. Ele quer entrar em todas". Prudente é aquele deputado que guardou os maços de dinheiro na meia - e que aparece em outro vídeo, mas neste estocando dinheiro num envelope, pelo menos. Deve ter sido a única vez na qual Prudente foi... prudente.

Na operação de busca e apreensão, quando os policiais estiveram em sua casa, o deputado tentou esconder sua fortuna de todas as formas. Prometeu até colaborar - mas os agentes flagraram o caseiro dele correndo na rua com uma sacola abarrotada de dinheiro.

"Tudo bem, vou mostrar", anuiu Prudente, revelando aos policiais o esconderijo dos 80 000 reais que guardava em casa - a banheira de hidromassagem.

Os quadrilheiros seguiam um rígido código de conduta - quem se desviasse dele, como o voraz deputado das meias, transformava-se num pária. Nos vídeos, Durval deixava claro quais eram as regras do jogo: "Não pode levar para casa. Isso é uma distorção. Não é democrático. Tem que ajudar os outros".

Para a turma do panetone, a comunhão da propina era uma obrigação moral. O publicitário Abdon Bucar, que fez a campanha de Arruda, presta serviços para o DEM e detinha contratos com o governo de Brasília, reclama de 1 milhão de reais que caíram na conta dele - caíram para ser lavados e sair de lá limpinhos.

"Meu contador disse que vou ter de arranjar outra nota, que a última deu problema", explica o publicitário.

Ele reclama do atraso na parte que lhe é devida. E avisa: "Vou arrochar os caras". Logo depois, cobra "os 750 000 do PFL". Durval, como sempre, ouve a reclamação com paciência e promete resolver.

Depois de anos gravando e operando a corrupção, e ameaçado por 32 processos na Justiça, Durval negociou a delação premiada com o Ministério Público, por meio do jornalista Edson Sombra, um amigo dele que afirma guardar mais de uma centena de fitas envolvendo dezenas de autoridades em Brasília.

Foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press

DURVAL VÍDEOSO homem que destruiu a cúpula do governo do DF tem 120 fitas com cenas de corrupção
A implosão do esquema de corrupção montado no governo do DF provocou um abalo sísmico no DEM. Diante das cenas chocantes, os democratas concluíram que a única saída para minimizar o prejuízo eleitoral do partido com o escândalo seria a expulsão imediata do governador.

A estratégia, porém, precisou ser alterada após uma reunião na qual Arruda ameaçou revelar segredos que aparentemente não podem ser expostos à luz do sol.

"Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo com vocês", avisou o governador. Nem todo mundo entendeu. Não parece ter sido o caso do presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia, amigo de Arruda e padrinho de algumas nomeações em seu governo.

Além da suspeita de que Arruda possa ter colocado sua máquina de desvios a serviço do partido, um detalhe ainda desconhecido liga a cúpula do DEM ao epicentro do tremor.

Maia é íntimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, arrecadador informal da campanha de Arruda e acusado por Durval de operar a engrenagem de achaques que funcionava no governo do amigo.

A intimidade de Paulo Roxo com o presidente do partido era tal que no sábado dia 28, assim que foi divulgado o primeiro vídeo da corrupção, o publicitário correu à casa em que Maia vive em Brasília, não por coincidência alugada por outro amigo do presidente do DEM, André Felipe de Oliveira, ex-secretário de Esportes no governo Arruda. Roxo estava preocupado com a reação de Arruda caso o DEM decidisse emparedá-lo. "Você precisa segurar o partido.

O desgaste pode ser muito maior se Arruda fizer uma besteira", alertou. Essa proximidade alimenta a suspeita de que a arca clandestina de Brasília pode ter contaminado o caixa nacional do partido. Na semana passada, sob a condição de anonimato, um dirigente do DEM revelou a VEJA que pelo menos oito comitês de candidatos apoiados pelo partido nas últimas eleições municipais receberam dinheiro captado por operadores de Arruda.

O deputado José Mendonça, do DEM de Pernambuco, era um dos mais aflitos. Ele pediu insistentemente a deputados e senadores do DEM que poupem Arruda da expulsão.

PROPINA NA SACOLINHA

Em 2006, o deputado José Roberto Arruda, então candidato ao governo de Brasília, aparece no vídeo refestelado no sofá do gabinete de Durval Barbosa, um de seus caixas de campanha, recebendo dinheiro vivo. Apanha os maços sem nenhum constrangimento. Mostra alguma preocupação apenas em sair com as notas.

"Tô nervoso com esse troço (…). Eu tô achando que podia passar lá em casa, porque descer com isso aqui..."

Ganha uma sacolinha de papel para esconder o dinheiro - segundo ele, usado para comprar panetones para os pobres.


PROPINA NA MEIA

Uma das cenas mais acachapantes já vistas na vasta cinebiografia da corrupção foi a do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, colocando dinheiro nos bolsos do paletó, nas calças e, sem ter mais onde enfiá-lo, apelando até para as meias. Diante de imagens irrefutáveis, o parlamentar do DEM explicou que não havia nada de mais na cena. O dinheiro era para ser usado em sua campanha e foi acondicionado nas roupas daquela maneira grotesca apenas por questão de segurança. Na sua casa, a polícia encontrou 80 000 reais escondidos numa banheira. - É que eu não uso pasta! - justificou.

PROPINA NA CUECA

Dono de um jornal que faz loas seguidas ao governo, o empresário Alcyr Collaço foi filmado guardando maços de notas nas partes íntimas. Para que tudo coubesse sem desconforto, ele tira até o celular do bolso da frente da calça. Em uma conversa com o ex-secretário Durval Barbosa, o empresário mostra que é bem informado sobre a distribuição da propina:

Durval: O Arruda, ele dá 1 milhão por mês ao Filipelli... Alcyr: Oitocentos paus. 500 é Filipelli (...) Vai 100 para o Michel, 100 para o Eduardo e 100 para o Henrique Alves, e 100 ia para o Fernando Diniz. Morreu. 800 paus.

PROPINA NA BOLSA

A deputada Eurides Brito mostra que no inseparável acessório feminino cabe sempre mais alguma coisa.

Na fila do mensalão, em segundos, a parlamentar entra na sala, tranca a porta, nem se senta e coloca cinco maços de dinheiro na bolsa de couro. Parecia apressada.

Em conversa com o ex-secretário, Eurides ainda fala mal do patrão Arruda. Logo depois, com a bolsa estufada, a distrital deixa a sala com a mesma rapidez com que entrou.

PROPINA NO BOLSO

O deputado Junior Brunelli é corregedor da Câmara Legislativa. Caberia a ele fiscalizar a atividade de seus colegas.

Em perfeita sintonia com seus pares, ele também aparece sorrateiramente no gabinete de Durval Barbosa, senta-se à sua frente, troca algumas palavras, enquanto recebe um maço de notas.

Nem confere - e sequer faz qualquer comentário sobre o dinheiro antes de enfiá-lo no bolso.

PROPINA NA MESA

Representantes de uma empresa que tem contrato com o governo de Brasília entregam a Durval Barbosa uma "encomenda": uma mala preta com 298 000 reais. O dinheiro, segundo eles, era para ser dividido entre os secretários. Eles retiram pacotes de cédulas e os vão empilhando em cima da mesa.

Empresário: Vim trazer aqui uma encomenda.

Durval: Tá certo. (...) Aqui tem quanto?

Empresário: Cem... duzentos... duzentos e cinquenta, duzentos e noventa... e oito.

A ORAÇÃO DA PROPINA

Depois de uma reunião no gabinete de Barbosa, onde embolsavam propina, Leonardo Prudente e Brunelli convocam uma oração para agraceder a "bênção" recebida.

Abraçados, os três ouvem a homilia proferida por Brunelli:

"Pai eterno, eu te agradeci por estarmos aqui. Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas que o teu sangue nos purifique (...) Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas (...)".

Brunelli é filho do fundador de uma igreja evangélica que vendia lotes no céu.


Como funciona a delação premiada

Foto: Everett Collection/Grupo Keystone

SEM SAÍDA Denzel Washington viveu o traficante Frank Lucas no cinema: delação

A humanidade, como regra, abomina os traidores. No mundo do crime, em que vigoram normas e convenções bem peculiares, a delação quase sempre é sinônimo de pena capital para o envolvido. No mundo civilizado, a delação premiada - instituto jurídico que concede extinção ou diminuição de pena em troca da colaboração com a Justiça - tem sido uma das principais ferramentas para combater o crime organizado.

Apesar de prevista na lei brasileira há vinte anos, a delação ainda é pouco aplicada no Brasil. O caso atual, com Durval Barbosa delatando os outros membros de sua quadrilha, pode abrir caminho para o uso mais intensivo desse mecanismo.

Nos Estados Unidos, esse tipo de negociação entre criminoso e Justiça, a plea bargain, foi decisivo para dinamitar as ramificações do narcotráfico na polícia de Nova York, no início da década de 70. A faxina foi possível graças a um acordo de colaboração com o narcotraficante Frank Lucas, um negro de origem pobre que fez fortuna vendendo heroína.

A droga chegava à América dentro dos caixões que transportavam os corpos dos soldados mortos na Guerra do Vietnã. Tudo com a cumplicidade de militares americanos. Condenado a setenta anos de prisão, Lucas passou apenas seis anos encarcerado como prêmio por sua ajuda à Justiça. Sua história chegou ao cinema com O Gângster, filme que tem Denzel Washington no papel principal.

A delação premiada também foi decisiva, na década de 80, quando as autoridades italianas travavam um intenso combate contra a máfia. A oferta de perdão ou benefícios a delatores permitiu o desmonte de uma gigantesca estrutura criminosa entranhada no aparelho estatal.

Um dos delatores mais conhecidos desse período foi Tommaso Buscetta, o principal colaborador da Operação Mãos Limpas. Além do perdão para seus crimes, Buscetta conseguiu garantia de vida para ele e a família. Suas confissões levaram à prisão perpétua de dezenove mafiosos.

Depois disso, Buscetta se escondeu nos Estados Unidos. Ele não foi o único delator que ficou famoso no caso. Em retaliação às investigações, o juiz que comandou o processo, Giovanni Falcone, foi assassinado num atentado a bomba. O mafioso que detonou a dinamite usada para executá-lo também se tornou colaborador da Justiça. Só que ele tentou usar a delação para se vingar de inimigos - e acabou desmascarado. É uma lição que não pode ser esquecida. Se bem usada, a delação é capaz de implodir máfias e punir culpados. Do contrário, pode servir para destruir reputações e perpetuar a injustiça.