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24 de set. de 2014

Edison Lobão, cadê você?

BRASIL - Desaparecimento
Edison Lobão, cadê você?
Por que o Ministro das Minas e energia tirou férias e sumiu de circulação num momento em que tanto se precisaria dele?

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Edison Lobão, um lobo estepe?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Noblat, ”thepassiranews”, Folha de S. Paulo, Blog do Rodrigo Constantino

Quem souber do paradeiro do advogado Edison Lobão, 78 anos, ex-jornalista, casado com a pernambucana Nice Lobão, deputada federal pelo estado do Maranhão, com quem tem três filhos e atual Ministro das Minas e Energia do Governo Dilma, deve informar imediatamente para o povo brasileiro.

Lobão entrou para a vida pública em 1962, num cargo comissionado, Assessor do Ministério de Viação e Obras Públicas (1962), do governo do Distrito Federal (1964/1968) e não largou mais as tetas dos cofres púbicos.

Foi eleito deputado federal pela ARENA e a seguir pelo PDS em 1978 e 1982, ingressando no PFL em atenção à liderança política de José Sarney, que manteve o controle da seção maranhense da legenda, embora filiado ao PMDB desde a sua candidatura a vice-presidente de Tancredo Neves.

Eleito em 1986 para o seu primeiro mandato de senador e em 1990 venceu as eleições para governador do Maranhão sob a tutela de Sarney. Em 1995 voltou ao senado sendo desde então sido reeleito sucessiva e initerruptamente.

Nomeado ministro de Minas e Energia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 21 de janeiro de 2008, passou a vaga no senado para o seu filho, Edison Lobão Filho, também conhecido como Edinho, seu primeiro suplente.

Após ter sido reeleito novamente senador, em 2011 foi reconduzido à pasta de Minas e Energia pela presidente Dilma Rousseff, onde está até hoje. Está?

Desde o começo do mês, quando o Ministro Lobão, apareceu na lista dos políticos citados como beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras, tornou-se um lobo desaparecido na estepe do silêncio.

A história diz que Lobão já escapou de outras acusações cabeludas, no passado recente, usando a mesma tática da invisibilidade de ausência.

Seriamos capazes de apostar, que desta vez, o plano não funcionaria, devido o momento delicado do processo eleitoral acirrado. Mas o lobo mau, maranhense escafedeu-se, com a cumplicidade da presidenta Dilma Rousseff, a candidata que não responde, e até agora assiste a tudo aboletado nas montanhas da impunidade presumida.

Temerosa de ser arrastada para o mesmo redemoinho onde está o seu importante Ministro, Dilma, conivente, em pleno 7 de setembro concede-lhe convenientes férias. A urgência e o descaramento, não lhe deixaram avaliar que seria visto como um simulacro de fuga, esse repouso remunerado intempestivo.

Até agora, inclusive, Lobão mereceu um tratamento VIP, por parte da Presidenta, que não o incluiu no pacote de aviso prévio, num próximo eventual governo, como fez impiedosamente com o Guido Mantega. O que nos faz supor que Lobão poderá sim, sobreviver a tempestade e continuar sentado, durante um próximo mandado de Dilma - que Deus nos livre - na quase vitalícia vaga, no Ministério das Minas e Energia.


Um estranho lobo anda uivando lá pros lados da Ilha de Curupu, no Maranhão

Da única vez que foi questionada pela imprensa sobre a situação de Lobão, Dilma reagiu como uma mãe ofendida pelas calúnias de que seu “filho” estaria sendo vítima: "Ele (Lobão) não sabe nem do que está sendo acusado, a revista (Veja) não diz. Vocês sabem?".

O repórter preferiu silenciar, mas se fora agudo teria dito: “Presidenta ele e a senhora sabem do que a revista está falando. Não se faça de sonsa. É sobre aqueles milhões em dólares que estão em contas numeradas em paraísos fiscais”.

Desde então até a imprensa esqueceu Lobão, até que ontem Noblat, no seu Blog conclamou a sociedade:

”Roga-se aos bons corações que informem o paradeiro de Edison Lobão, ministro das Minas e Energia de Dilma Rousseff, desaparecido desde que seu nome foi citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como envolvido no escândalo de corrupção que abalou a empresa e o governo”.

Por pura presunção fornecemos uma pista ao IBAMA: procurem inicialmente debaixo dos bigodes de Sarney: tem sido ouvido em noites de lua, um uivo sinistro lá para os lados da Ilha de Curupu, na Baía de São Marcos, no município de Raposa, no estado do Maranhão. Coincidentemente, a ilha privada e indevassável, abriga as mansões da família José Sarney.

20 de set. de 2014

O Brasil em um labirinto - José Sarney

BRASIL - Opinião
O Brasil em um labirinto
"Em política há uma lei inexorável: o impossível sempre acontece. No Brasil, várias vezes a tragédia teve consequências drásticas, provocando grandes mudanças".Em artigo publicado no jornal espanhol El País, o senador José Sarney disse que o Brasil passa por um “tsunami político” que ameaça as chances do PT de continuar no poder, enfraquecendo inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Sarney, Lula parece ter perdido “a aura da invencibilidade”.


Por incrível que pareça o articulista Sarney faz uma análise imparcial e interessante da situação atual do país, sem poupar os aliados.

Postado por Toinho de Passira
Texto de José Sarney
Fonte: El Pais

Basta lembrar as mais notórias: o suicídio de Getúlio Vargas, que, já praticamente deposto, com a bala no peito atinge os adversários; o derrame cerebral e a morte de Costa e Silva, que levam a um golpe dentro do golpe, desaguando numa Junta Militar e numa nova Constituição outorgada; a morte do Presidente Rodrigues Alves, eleito pela segunda vez, atingido pela gripe espanhola; Tancredo Neves, eleito para fazer a redemocratização, adoece no dia da posse e em seguida morre.

Agora estamos vivendo um momento destes. Sessenta dias antes da eleição, num desastre aéreo, desaparece o candidato a presidente Eduardo Campos. A comoção toma conta do país, mas não é ela a consequência maior. É a ressurreição de Marina Silva, que na eleição anterior obteve 20 milhões de votos. Impedida de concorrer por seu partido, não tendo conseguido registrá-lo na Justiça Eleitoral, fizera uma aliança com Campos — figurando em sua chapa como candidata a vice-presidente —, que, morto, lhe devolveu a oportunidade de participar, como protagonista, da corrida presidencial.

“Cambiaran las suertes”, como dizia um personagem de Rómulo Gallegos em Cantaclaro. O Brasil entrou num grande redemoinho político.

Marina Silva é uma figura carismática, mística, dogmática, preconceituosa e intransigente. Fundadora do PT, foi ministra de Lula e o rompimento com suas origens tem aspecto difuso, sem linhas precisas na separação.

Mas em torno dela se criou uma frente robusta de combate ao PT e ao governo Dilma, abrindo uma possibilidade antes considerada impossível: derrotá-los. As pesquisas estimulam essa hipótese.

Seus apoiadores são os mais ecléticos: os indignados que há pouco mais de um ano provocaram um barulho imenso no país; seus até recentemente frustrados seguidores; as fortes correntes e igrejas evangélicas que a têm como representante; as classes conservadoras, descontentes com as políticas econômica, externa, energética, agrícola, portuária e fundiária; na área política, alas descontentes do PT e o incalculável número de grupos dos partidos aliados queixosos do tratamento recebido da Presidente Dilma e da direção do PT.

A sensação dos aliados é que eles fizeram de tudo para massacrá-los nos estados, criando confrontações e arestas, e que agora há oportunidade para reagir. O PMDB, maior partido dessa aliança, que indicou o candidato a vice-presidente, está muito dividido e só não vota contra Dilma por causa do vínculo de sua participação na chapa; de uma figura de simples adereço, Michel Temer passou a ser decisivo para a vitória.

Por outro lado, um ciclo de pessimismo fez o país perder o sonho de potência emergente, com números que o mostram beirando a recessão, inflação e juros altos, e indicações negativas de agências de risco, além do desprestígio da diplomacia, ferida com o tratamento de “anão” por Israel, marcada pelo alinhamento com o chavismo bolivariano e por relações não muito amistosas com os Estados Unidos. A euforia foi embora.

Nunca esteve nos planos do PT perder as eleições. Ao contrário, cumpria com êxito seu objetivo de tornar-se um partido hegemônico, dominando a prefeitura de São Paulo, o que já ocorre, e almejando conquistar os governos dos maiores estados, São Paulo e Minas, e implantando políticas de controle social, conselhos populares e intervenção na mídia, como na Venezuela, no Equador e na Argentina.

O que acontece agora é um tsunami político. No momento, a energia inicial da onda já chegou ao fim. Os seus resultados já foram alcançados: levar a eleição para o 2º turno e, assim, provocar uma disputa acirrada, em que tudo pode acontecer. Maior partido de oposição, o PSDB, embora tenha excelente e talentoso candidato, ficou imprensado pela guerra entre as duas candidatas originárias da esquerda.

Para fugir da ameaça de derrota, pensaram alguns líderes do PT até mesmo em fazer Lula candidato. Mas o ex-presidente parece também ter sido atingido pelo maremoto e ter perdido a aura da invencibilidade, embora mantenha seu carisma e ainda seja a maior liderança política do país.

A Presidente Dilma, com seu forte caráter de chefia, já conquistou seu espaço como administradora e não é mulher de jogar a toalha ou aceitar humilhação.

Marina Silva é uma incógnita. A figura de hoje nada tem a ver com sua radical história de guerreira dos seringais. Senadora por dezesseis anos — em parte dos quais ocupou o Ministério do Meio Ambiente de Lula —, deixou uma marca de radicalismo, como fundamentalista, de capacidade limitada, preferindo sempre a confrontação ao diálogo, e buscando não o entendimento, mas a conversão. Sua formação é das Comunidades Eclesiais de Base, mas agora é evangélica ortodoxa, considerando que o mundo se reparte entre os destinados à salvação e os condenados à perdição.

As eleições serão a 5 de outubro. A campanha atingiu um alto grau de violência, com ataques rasteiros. O quadro é de pesquisas nervosas, esquizofrênicas, que indicam que tudo pode acontecer. As sondagens — e são muitas — sempre mostram uma vantagem de Dilma no 1º turno e a vitória de Marina no 2º turno, que exige maioria absoluta.

A palavra certa para a atual situação brasileira é perplexidade.

O Brasil perdeu o otimismo, há um alto aquecimento do censo crítico, desapareceu a sacralidade das políticas sociais. O Presidente Lula dá sinais de não desejar engajar-se num pacto de morte e se afasta de um duelo fatal.

O quadro é de um labirinto. Mistério e imprevisão.

13 de jan. de 2014

Maranhão: Em família, de Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL - Opinião
Maranhão: Em família
O jornalista Ricardo Noblat analisa a crise dos presídios do Maranhão e a delicada participação da presidenta Dilma Rousseff, atuando com luvas de pelica, no episódio, procurando parecer atuante, mas, sem afetar a família Sarney, seus aliados fidagais, principalmente em se tratando de um ano eleitoral.


Roseana Sarney, governadora do Maranhão.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

A crise da segurança Pública no Maranhão agravou-se desde o mês passado. Finalmente, na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff postou sete mensagens consecutivas em seu twitter.

Para dizer que acompanha a crise, que despachou para São Luís seu ministro da Justiça e que providências para controlá-la começaram a ser tomadas. Citou algumas. E voltou a se calar.

Todo cuidado é pouco. Dilma é candidata à reeleição. Há quatro anos, depois do Amazonas, foi o Maranhão, feudo da família Sarney há meio século, o Estado a lhe conferir a maior vantagem de votos sobre Serra (PSDB) – 79% dos válidos no segundo turno.

Primeiro cacique a se incorporar em 2002 à campanha de Lula, José Sarney foi o único a acompanhá-lo no avião que o devolveria a São Paulo oito anos depois.

Lula aprendeu a gostar dele. No passado, em comício no Maranhão, chamou Sarney de “ladrão”. No governo, encantado com seu apoio, batizou-o de “homem incomum” e fez-lhe quase todas as vontades.

A crise da segurança pública que provocou até aqui a decapitação de presos, atentados contra delegacias e a morte de uma criança queimada por bandidos, veio em má hora para os Sarney – e, por tabela, para Dilma.

Há um candidato favorito ao governo do Maranhão e ele é adversário da família – Flávio Dino, advogado, ex-deputado federal, filiado ao PC do B e atual presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

No plano nacional, o PC do B está com a candidatura Dilma e não abre. No Maranhão, Dino está com a candidatura a presidente de Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco. E também não abre.

Ali, na mais recente eleição municipal, o PSB apoiou Edivaldo Holanda Junior (PTC) para prefeito de São Luís, e indicou seu vice. Eduardo participou ativamente da campanha de Edivaldo. Que agora é eleitor de Dino.

Em Pernambuco, empurrada por Lula e Eduardo, Dilma teve três quartos dos votos. Agora não terá mais.

Minas Gerais presenteou-a no segundo turno com quase 60% dos votos válidos.

O candidato majoritário de Minas Gerais à vaga de Dilma é o senador Aécio Neves (PSDB). Que espera colher em São Paulo, com a ajuda do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, uma vitória igual ou maior do que a de Serra em 2010.

A luz amarela está acesa nos bastidores da campanha por ora informal de Dilma. Vê só por que ela aparenta estar alheia ao que acontece no Maranhão?

Alguém viu por aí a ministra dos Direitos Humanos? Ela não deveria ter viajado ao Maranhão? Roseana vetou – e Dilma acatou o veto.

O procurador geral da República deverá pedir intervenção federal no Maranhão. A ministra dos Direitos Humanos empenhou-se para que seus conselheiros não pedissem. Foi bem-sucedida.

Roseana deixará o governo em abril próximo para ser candidata ao Senado.

Somente na semana passada ela quebrou o silêncio e falou sobre a crise.

Foi um desastre. Agrediu o bom senso. Revelou-se despreparada para o exercício do cargo que ocupa pela segunda vez. Traiu a arrogância de quem está acostumada a não dar satisfações ao distinto público.

Cometeu a frase desde já candidata à frase do ano: “Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico”.

O Maranhão tem a pior renda per capita entre os 27 Estados brasileiros. Está em 26º lugar em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano. Quase 40% de sua população são pobres.

Ali, manda a família comum de um homem incomum.

11 de jan. de 2014

Pedrinhas, o presídio do terror, a vitória da barbárie no Maranhão dos Sarneys

BRASIL - Violência
Pedrinhas, o presídio do terror,
a vitória da barbárie no Maranhão dos Sarneys
Como o desgoverno de anos resultou nos horrores dos últimos dias, desde os bandidos degolados na penitenciária até a menina Ana Clara, de 6 anos, que morreu queimada, vítima de ataque criminoso a um ônibus urbano. “O Maranhão vai muito bem”, disse três dias depois a governadora do estado, Roseana Sarney, em entrevista coletiva. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes.” Ah,tá!

Divulgação Governo do Maranhão

CASA DO TERROR - Pedrinhas, o maior Complexo Penitenciário do Maranhão

Postado por Toinho de Passira
Reportagem Leslie Leitão e Alana Rizzo
Fonte: Veja

A vida da menina Ana Clara Santos Souza nunca deveria ter cruzado a de W.T.F., o bandido conhecido como Porca Preta, que aparece na foto abaixo empunhando um revólver. Aos 6 anos de idade, Ana Clara se preparava para ir à escola pela primeira vez. Adorava vestir-se de princesa e andar de bicicleta. Tinha acabado de dispensar as rodinhas da sua, e por esse motivo andava muito orgulhosa. Era um universo sem ponto de contato com o mundo sinistro habitado por Porca Preta. O bandido, de 17 anos, é um dos membros do Bonde dos 40, a sanguinária facção criminosa que disputa o mercado de drogas de São Luís e domina parte das cadeias do Maranhão à base de métodos que incluem a decapitação de adversários e o estupro de suas mulheres. O que fez com que Ana Clara e Porca Preta se encontrassem no último dia 3 não foi o azar, mas uma combinação de duas tragédias: a situação nacionalmente calamitosa das prisões brasileiras e a gestão particularmente funesta do problema pelo governo do Maranhão, onde o descaso, o apadrinhamento e o descontrole elevaram o horror a uma escala nunca vista.

Parte desse horror transbordou na semana retrasada para uma rua da periferia da capital maranhense. Da prisão de Pedrinhas, partiu a ordem para que bandidos atacassem ônibus em circulação na cidade em represália à entrada da Polícia Militar na cadeia depois de mais uma rebelião sangrenta. Um dos alvos escolhidos foi o carro em que haviam embarcado Ana Clara, sua mãe, Juliane Souza, e a irmã de 1 ano, Lorane. Porca Preta foi o encarregado de render o motorista, enquanto seus comparsas espalhavam gasolina no interior do veículo. Juliane, internada em estado grave, contou à mãe o que houve em seguida. Segundo disse, ela e as filhas já estavam na porta de entrada quando alguém riscou um fósforo e o ônibus explodiu em chamas. As três foram atingidas. Juliane atirou-se sobre a caçula e, com as costas e os braços queimando, rastejou com ela por baixo da roleta em direção à porta de trás. Achava que a filha mais velha a seguia. Ana Clara, no entanto, havia se desgarrado e permaneceu na parte da frente, onde as chamas ardiam altas. Com 95% do corpo queimado, ela ainda conseguiu sair do carro. São excruciantes as imagens feitas pelas câmeras de segurança do ônibus, que mostram a menina perambulando em choque, sozinha, com o corpo em chamas. Ana Clara morreu na última segunda-feira.


CENAS FORTES - VÍdeo publicado por Veja: desespero dos passageiros, no momento em que o ônibus é incendiado poo bandidos

“O Maranhão vai muito bem”, disse três dias depois a governadora do estado, Roseana Sarney, em entrevista coletiva. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes.” A entrevista girou em torno da série de motins no Complexo de Pedrinhas, que deu origem ao ataque ao ônibus em que viajava Ana Clara e, em 2013, resultou em sessenta presos mortos, ao menos cinco degolados. Roseana disse ainda que o que houve em Pedrinhas foi “inexplicável”. A governadora conseguiu errar em cheio em todas as declarações. Primeiro, o Maranhão, estado que sua família governa há cinco décadas, não vai nada bem. Tem o segundo pior índice de analfabetismo do Brasil e a pior renda per capita. Seu IDH só perde para o de Alagoas, e a mortalidade infantil é a segunda maior do país. Depois, o que aconteceu em Pedrinhas está longe de ser inexplicável.

A administração do complexo, como a de todas as prisões do estado, foi terceirizada para duas empresas - uma delas pertence a um velho apaniguado dos Sarney: Luís Cantanhede Fernandes. Sócio de Jorge Murad, marido da governadora, ele foi o homem que, em 2002, saiu em socorro da então candidata à Presidência Roseana depois que a Polícia Federal encontrou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo no escritório da Lunus, consultoria dela e de Murad. Na tentativa de livrar do naufrágio a candidatura de Roseana, Cantanhede assinou às pressas um contrato fajuto de empréstimo para justificar a origem da dinheirama. No ano passado, sua empresa, a Atlântica Segurança - juntamente com a VTI, de Fortaleza -, recebeu 71 milhões de reais para cuidar das cadeias do Maranhão. Nenhuma das duas tinha experiência no ramo.

A decisão de contratar empresas como essas para cuidar de um setor tão explosivo não chega a surpreender, tendo partido de uma governante cuja família há tanto tempo se dedica a cuidar com desvelo de assuntos de seu próprio interesse e de seus amigos. O que escandaliza no episódio é o fato de esses contratos terem sido mantidos mesmo diante dos resultados colhidos. O inferno de Pedrinhas supera com folga tudo o que já se viu no trágico cenário das cadeias brasileiras.

Foto: Manoel Marques - Reprodução - Francisco Silva/Jornal Pequeno

TUDO E MAIS UM POUCO - Nada do que existe no Complexo de Pedrinhas é estranho ao sistema penitenciário brasileiro, mas lá tudo é exacerbado: as instalações são imundas (foto à esq.) e tomadas por lixo e ratos, o despreparo e a corrupção entre os agentes podem ser medidos pela dimensão dos arsenais encontrados a cada revista mais rigorosa (ao centro) e o domínio de facções criminosas que disputam o controle do tráfico resulta frequentemente em batalhas sangrentas. A última, em 17 de dezembro, terminou com três presos decapitados e torturados (à dir.)

Na semana passada, a reportagem de VEJA percorreu cinco das oito unidades do complexo - com capacidade para 1 500 presos e população de 2  700. Nas celas de 6 metros quadrados espre­mem-se até dez homens, obrigados a disputar espaço com os ratos, atraídos pelos detritos acumulados em pilhas por todo canto. No pátio de uma das cadeias do complexo, o esgoto a céu aberto se mistura a montes de entulho e mato crescido. Algumas paredes dão a impressão de que poderiam ser derrubadas com um chute, de tão decrépitas.

Mas a parte das instalações em Pedrinhas ainda é melhor do que a de segurança. Os monitores encarregados de revistar os presos e administrar as visitas têm treinamento de uma semana e salário de 900 reais, menos de um terço do que ganham os agentes penitenciários do estado. Para aferir a eficiência do modelo, basta olhar a foto do arsenal apreendido em uma recente invasão da polícia: mais de 300 facas, facões e canivetes, além de munição para pistolas. Celulares circulam abertamente, e a cantina do complexo - que vende até cerveja - está sob o controle dos detentos. Os líderes das duas facções reinantes - o Primeiro Comando do Maranhão e o Bonde dos 40 - decidem quem vive e quem morre dentro da cadeia. E morre-se muito lá. No fim da matança mais recente, em 17 de dezembro, os presos se encarregaram de produzir e divulgar imagens estarrecedoras. Um dos vídeos mostrava corpos sobre o chão cobertos de ferimentos e sem alguns pedaços da pele. Três deles tiveram a cabeça cortada e elas foram colocadas lado a lado. Em uma das fotos que constam de trechos inéditos do relatório feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao qual a reportagem de VEJA teve acesso, um detento separa do corpo uma cabeça decapitada e a segura pelos cabelos, como um troféu. Em outra, dois homens chutam essa mesma cabeça de um lado para o outro, como se estivessem jogando futebol. O relatório inclui ainda a foto de pedaços de um corpo encontrado no lixo de Pedrinhas e dispostos sobre a bancada do Instituto Médico-Legal de São Luís - mais uma provável vítima do método conhecido em Pedrinhas como “picadinho”, destinado a fazer “desaparecer” corpos.

O acirramento das disputas entre as facções maranhenses e o banho de sangue que ele produziu no interior das penitenciárias não pegaram de surpresa o governo de Roseana Sarney. Inquéritos policiais instaurados em 2008 já indicavam alguns dos horrores em curso nos presídios. Em 2010, o CNJ fez a Roseana uma série de recomendações para conter a violência nas cadeias. Repetiu-as, em vão, em 2011. Em 2012, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, pediu à governadora que recebesse representantes do CNJ. Foi ignorado. Nos últimos dois anos, a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal recebeu 157 denúncias sobre o sistema penitenciário do Maranhão, das quais 46 sobre tortura. “Inexplicável”, governadora?

Cadeias são um mal necessário. Prender bandidos tem, sim, influência direta na queda da criminalidade. Essa correlação já havia sido verificada em diversos trabalhos internacionais. No ano passado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo feito em mais de 5 000 municípios de todos os estados brasileiros com dados de nove anos. O trabalho concluiu que, para cada elevação de 10% no número de presos, o de assassinatos diminui 0,5%, em média. Escrevem os pesquisadores: “Os resultados comprovam que prender mais bandidos e aumentar o policiamento são armas válidas para reduzir a taxa de homicídios, independentemente do que ocorra com outras variáveis socioeconômicas”.

Acontece que, desde o fim do século XVIII, o suplício deixou de ser uma prática aceitável. A punição aos criminosos perdeu a característica de “vingança social” para incorporar a de “reforma do indivíduo”. O objetivo passou a ser prender para evitar novos crimes e reduzir a reincidência. À luz desses conceitos, confinar o preso em jaulas onde não se deixaria um animal é, inclusive, contraproducente, como atesta um estudo recente da Itália. Ele analisou a vida em liberdade de 25 000 presos soltos em 2006 para abrandar o superlotado sistema carcerário daquele país. Os que tinham saído de presídios com uma alta taxa de mortes eram mais propensos a cometer novos crimes. Na fórmula matemática do estudo, o crescimento de 1 ponto nas mortes per capita atrás das grades aumenta em 4,2% a probabilidade de o criminoso ser pego novamente em delito. Mais do que ineficaz para os propósitos a que se destina, o tratamento degradante dos sentenciados extrapola o contrato firmado com a Justiça. Aos condenados, reserva-se a pena de reclusão, não o inferno.

Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

LAGOSTA, DÓLARES E CAVIAR - Em meio à crise, o governo Roseana Sarney encomendou lagosta. Criticado, substituiu o pedido por caviar. A governadora (ao lado do ministro José Eduardo Cardozo) entregou a administração dos presídios do estado ao amigo e sócio da família que, em 2002, a socorreu quando a PF encontrou 1,3 milhão de reais na sede da empresa de seu marido

Para o Palácio do Planalto, o governo do Maranhão está despreparado para resolver sozinho a crise no sistema carcerário estadual. A gestão sofreria de “autismo” e de “completo distanciamento da realidade”, como teria demonstrado a licitação para compra de lagosta e outros quitutes, suspensa depois de revelada pela Folha de S.Paulo e substituída por outra... que solicita caviar e uísque escocês. Embora assessores de Dilma Rousseff digam que Roseana Sarney perdeu capital eleitoral, a presidente não pretende dispensar o apoio da governadora e de seu pai, o ex-presidente do Senado e cacique peemedebista José Sarney. Foi por isso que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, evitou defender a intervenção federal no estado e foi por esse motivo também que, diante de tanto sangue derramado em território maranhense, Dilma limitou suas manifestações a uma lacônica mensagem postada na sexta-feira no Twitter. O texto diz que ela acompanha “com atenção a questão da segurança no Maranhão”. Ana Clara não andará mais de bicicleta, não se vestirá de novo de princesa nem irá à escola neste ano pela primeira vez. Mas é tranquilizador saber que a presidente acompanha tudo com atenção. E que o Maranhão vai muito bem, obrigado.

Com reportagem de Alexandre Aragão, Pieter Zalis, Cintia Thomaz e Daniel Pereira


*Alteramos título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

18 de out. de 2013

Renan Calheiros e a farra gastronômica superfaturada

BRASIL - Superfaturado
Renan Calheiros e a farra gastronômica superfaturada
Depois de detectada irregularidades pela imprensa, a licitação superfaturada para a casa do presidente do Senado, foi suspensa. Segundo assessoria, o presidente do Senado e família está comendo em restaurantes desde o início da semana. Para seis meses a compra estava licitada em R$ 98 mil e previa, entre outras coisas, 25 quilos de camarão vermelho grande, 20 quilos de frutos do mar, 1,7 tonelada de 33 tipos diferentes de carnes.

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Renan Calheiros, presidente do senado, fartura e superfaturamento

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Terra, Último Segundo, "thepassiranews"

A suspenção da licitação superfaturada para abastecer a residência oficial do presidente do Senado, com uma quantidade de comida suficiente para alimentar um batalhão de nobres, vem obrigando Renan, segundo a assessoria, a mulher Verônica Calheiros e os dois filhos a comer fora ou de favor na casa de amigos e parentes, desde o início da semana.

Assim, de surpresa, após ter sido questionado pela imprensa sobre a licitação, o novo diretor-geral do Senado, Helder Rebouças, informou, por meio da assessoria de imprensa da Casa, que decidiu suspender o pregão e reavaliar todo o processo.

A escandalosa compra programada previa, entre outros itens da boa gastronomia, 25 quilos de camarão vermelho grande, 20 quilos de frutos do mar, 20 quilos de salmão, 1,7 tonelada de 33 tipos diferentes de carnes, sendo 100 quilos de filé mignon, 50 quilos de picanha (de dois tipos diferentes), 54 quilos de linguiça para churrasco, nectarina importada além do trivial arroz e feijão, 30 quilos de carvão, 55 quilos de queijo de cinco tipos diferentes e 160 quilos de pão francês – uma estimativa de consumo de aproximadamente um quilo de pão diariamente. Ao todo, a lista de compras do senado, incluía 270 itens.


José Sarney, mais caro que Renan
O Senado pretendia gastar em seis meses, só com as despesas da alimentares da residência da presidente do Senado, algo em torno dos R$ 98 mil. Um custo médio de R$ 16,3 mil ao mês.

Ressalte-se que a licitação foi suspensa, momentaneamente, não pelo volume e exagero da compra, mas porque se percebeu que a compra estava superfaturada, os preços dos produtos tinham preços bem acima do mercado.

A reportagem do O Globo, lembrou que por estranho que pareça Renan pode ser considerado um presidente barato, pois durante os dois anos da presidência do seu antecessor, José Sarney, o custo médio pelos mesmos seis meses de despesas não ficava abaixo dos R$ 290 mil, quase três vezes a mais do que Renan pretendia gastar agora.

Um detalhe é que, como tinha residência própria em Brasília, Sarney nem ocupava permanentemente a residência oficial, que servia de albergue de luxo para os parentes e correligionários que visitava a Capital Federal.

Essa não é a primeira vez que os custos residenciais de Renan merecem atenção da imprensa, em maio desse ano o jornalista Vinicius Sassine, num reportagem no O Globo, denunciou que Renan tem à sua disposição na residência oficial um mordomo e dois garçons nomeados por atos secretos, nos mesmos moldes dos servidores que atuam no plenário.

Em mordomia e superfaturamento, ninguém ganha para Cid Gomes, o dispendioso
O mordomo é Francisco Joarez Cordeiro Gomes, que, em março (2013), recebeu R$ 18,2 mil brutos, dos quais R$ 2,7 mil somente em horas extras. Para servir cafezinho, água e comida na casa, os garçons Francisco Hermínio de Andrade e Djalma da Silva Lima receberam em março remunerações brutas de R$ 10,7 mil e R$ 11,6 mil, respectivamente, disse a reportagem.

Embora reconhecidamente superfaturados, os gastos para abastecimento da residência oficial de Renan, também são modestos se comparados com os gastos contratados pelo governador do Ceará, Cid Gomes, para esse ano.

De acordo com matéria publicada pelo GLOBO, o chamado “caviargate” de Cid foi mantido e prevê a contratação de um buffet, no valor de R$ 3,4 milhões, para abastecer a cozinha da residência oficial e o gabinete do governador com iguarias que incluem centenas de quilos do que há de mais fino na culinária internacional.

O edital que prevê até 495 pratos diferentes, e se apresenta com uma variação de receitas preparadas com caviar, escargots, bacalhau, salmão, presunto de Parma, funghi, vieiras, frutos do mar, pães exóticos, croissants, toucinho do céu ou trufas.

Os itens decoração e serviços não foram esquecidos: os vinhos finos devem ser servidos em taças de cristal, o ambiente ornado com arranjos com orquídeas. Um batalhão de 700 garçons, 500 garçonetes e 15 chefs de cozinha estarão a disposição do governador, sempre que ele achar necessário.

Por que os chefes de poderes, governadores, prefeitos, que recebem polpudos salários, não podem pagar as despesas alimentares de suas residências como fazem todos os trabalhadores brasileiros?

28 de mar. de 2013

Incentivado por Sarney FHC candidata-se a imortal

BRASIL - Cultura
Incentivado por Sarney FHC candidata-se a imortal
O ex-presidente é o primeiro e até agora único candidatoa a vaga da cadeira de número 36 era ocupada pelo jornalista João de Scantimburgo, na Academia Brasileira de Letras

Foto: Marcelo Sayão/EFE

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é candidato a ocupar a cadeira de número 36 da Academia Brasileira de Letras, que ficou vaga em virtude da morte do jornalista João de Scantimburgo, na última sexta-feira. A formalização da candidatura foi feita na tarde desta quarta-feira, após a sessão da saudade em homenagem a Scantimburgo, que se encerrou por volta das 17 horas.

O acadêmico Celso Lafer levou de São Paulo a carta formalizando a candidatura de FHC. O secretário geral da academia, Geraldo Holanda Cavalcanti, no exercício da presidência da ABL, determinou à secretaria que considere oficialmente inscrito ex-presidente.

A candidatura de FHC partiu de um convite feito por José Sarney, que levou o assuntos para análise dos demais acadêmicos, segundo a coluna Radar on-line, de Lauro Jardim.

O ex-presidente já teria garantidos os votos dos acadêmicos Eduardo Portella, Celso Lafer, Paulo Coelho, Merval Pereira, Geraldo Hollanda Cavalcanti, Antônio Carlos Secchin, Sergio Paulo Rouanet, Alberto da Costa e Silva, Sábato Magaldi, Hélio Jaguaribe, Marcos Villaça e José Murillo de Carvalho.

Como funciona o processo de eleição de um 'imortal'?

Uma vaga na ABL só é aberta com a morte de um de seus 40 membros. Ao fim da chamada Sessão de Saudade, em que o acadêmico morto é homenageado, é declarada oficialmente a vacância da cadeira. A partir de então, os interessados podem se candidatar num prazo de 60 dias.

É preciso enviar uma correspondência à ABL com um currículo, formalizando o interesse. As eleições ocorrem cerca de um mês depois do encerramento das inscrições.

Não há outra maneira de ingressar na Academia, ou seja, todos os interessados precisam passar pelo processo eleitoral.

17 de jan. de 2013

Jarbas Vasconcelos diz que ‘Senado é igual à mais esculhambada das câmaras municipais’

BRASIL
Jarbas Vasconcelos diz que ‘Senado é igual à mais esculhambada das câmaras municipais’
Em entrevista ao Blog do Josias, falando sobre as próximas eleições de presidente do Senado, Jarbas no seu costumeiro e contundente estilo trator, não perdoa Sarney, atual presidente, muito menos Renan Calheiros, provável futuro presidente, ambos do seu partido, o PMDB. Prever, com a eleição de Renan, que “será aprofundada a degradação do Senado, já combalido pela sequência de escândalos, desacertos políticos e má administração que levaram ao chão a imagem da instituição nos últimos anos”. O colunista do Diário de Pernambuco, disse que Jarbas deu um “soco verbal” no Senado.

Foto: Antonio Cruz/ABr

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Josias de Souza, Blog do Josué Nogueira

Dentro de 15 dias, o Senado deve reacomodar Renan Calheiros na cadeira de presidente, em substituição a José Sarney. Inconformado, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, declara: “O Senado é igual à mais esculhambada das câmaras municiais do país.”

Jarbas disse ao blog que a volta de Renan mergulhará o Senado no “imponderável”. Responsabiliza Sarney –“ele conduz a bancada e o próprio Senado como se estivesse no Amapá ou no Maranhão”— e investe contra Dilma Rousseff –“é preciso dizer, sem rodeios, que a presidente da República é conivente com tudo isso”. Vai abaixo a entrevista:

- Acha mesmo que o Senado é igual à mais esculambada das câmaras de vereadores do país? Assemelha-se apenas às piores, é igual à mais esculhambada delas, porque há câmaras municipais que são organizadas.

- Esculhambação não é um termo forte? É forte, mas é isso mesmo o que acontece. Basta observar a condução dos trabalhos no Senado. O plenário está sempre lotado de lobistas, de pessoas que não têm nada a ver com o processo legislativo, a gente mal pode se movimentar. Terminamos o ano de 2012 sem votar o Orçamento da União. Descobriu-se que há mais de 3 mil vetos presidenciais sem votar. A desorganização se manifesta nas menores coisas. Quer que eu lhe dê outro exemplo?

- Sim, por favor.: Nas sessões do final do ano, eu fiz duas ou três intervenções em plenário, irritadiço, porque não se votava nada. Pelo regimento, a Ordem do Dia tem que começar às 16 horas. Dava cinco da tarde, Sarney não aparecia e nada acontecia. Indaguei a quem estava presidindo se haveria votação. E as pessoas respondiam: ‘Estamos aguardando o presidente Sarney’. E eu dizia: não estou perguntando isso. Quero saber se haverá Ordem do Dia e se o horário será cumprido. Isso vai se acumulando e não se vota nada, a não ser as medidas provisórias, que interessam ao Executivo. Pior: quando chegam ao Senado, essas medidas provisórias já estão carregadas de penduricalhos, cheias de ‘jabutis’ colocados dentro delas na Câmara.

- Só Sarney pode presidir as sessões? Claro que não. Para isso temos dois vice-presidentes no Senado.

- O que ocorrerá a partir do previsível retorno de Renan à presidência? Vamos mergulhar no imponderável. O episódio da renúncia dele à presidência do Senado aconteceu ontem. Digo ontem por força de expressão. Foi nessa legislatura, que é de oito anos.

- Aconteceu em 2007.: Pois então, é o que eu digo. A coisa é recentíssima. O Renan empurrou com a barriga o calendário para a definição do candidato do PMDB imaginando que conseguiria se livrar das denúncias. É uma estratégia troncha, como dizemos aqui no Nordeste. A coisa agora está em plena ebulição. E vai piorar.

- Por quê? É um erro imaginar que não vai acontecer nada. As pessoas se perguntam: será que, numa bancada de 20 senadores, o PMDB não tem ninguém melhor do que Renan para indicar como sucessor de Sarney? O PMDB não tem outro nome, um senador com menos desgaste? Fica difícil de explicar.

- Por que, afinal, a bancada do PMDB sempre opta por Sarney ou por Renan quando é chamada a indicar um presidente para o Senado? O grande responsável por isso é Sarney. Ele imprime uma orientação pouco democrática e nada sadia à bancada.

- Como assim? Ao longo dos anos, Sarney foi acumulando práticas erradas. Quando questionado, sempre se faz de vítima. Ele conduz a bancada e o próprio Senado como se estivesse no Amapá ou no Maranhão, onde ele resolve tudo pela força e pela tradição. Ele chega e diz: ‘Vai ser fulano, vai ser beltrano, vai ser cicrano. Veja o que está ocorrendo agora: sem nenhum tipo de debate, a coisa já está toda definida. Sarney sai e o presidente da Casa vai ser Renan. O líder da bancada do PMDB vai ser Eunício Oliveira. Romero Jucá vai para uma das vice-presidências. É tudo na base do voto de coronel, do voto de cabresto. O pior é que o Congresso continua dando esses exemplos de lamentáveis práticas num instante em que o Judiciário brasileiro, por intermédio do STF, se afirma perante a sociedade.

- Por que senadores como o sr. e Pedro Simon não se apresentam como candidatos para disputar com Renan? Poderíamos até nos apresentar como candidatos. Mas não seria suficiente. Veja o meu caso: tenho a marca da oposição. Era preciso que encontrássemos dentro do PMDB uma pessoa como o senador Luiz Henrique, que está ligado à base do governo. Alguém que pudesse se lançar candidato e tivesse condições de pegar o telefone e marcar uma audiência no Planalto e se apresentar à presidente Dilma como candidato do governo. Coisa que o Simon não pode fazer e muito menos eu.

- Por que menciona Dilma? É preciso dizer, sem rodeios, que a presidente da República é conivente com tudo isso. Ela sabe que a eleição de Renan pode mergulhar o Senado e o país no imponderável. E não tem a capacidade de chamar Sarney para perguntar a ele se não tem outra solução menos traumática.

- Ela esboçou um movimento no ano passado, não? Fez isso de forma atabalhoada, tentando guindar o Edison Lobão. Ficou parecendo que queria se livrar dele no Ministério de Minas e Energia, não ajudar o Senado. Tudo isso sem método, numa manobra pública. Deveria ter chamado Sarney para dizer que o apoio do PMDB é importante para ela, mas que mais importante ainda –para o país e para a democracia –é um Senado revigorado, um Congresso altivo. É evidente que um Legislativo bombardeado pela opinião pública e pela mídia não interessa a ninguém, nem ao governo nem ao país. Muito menos ao processo democrático brasileiro.

- Não lhe parece equivocado atribuir relevo ao Planalto numa escolha que deve ser feita pelo Senado? É uma anomalia. Mas é assim que as coisas têm sido feitas. Essa prática não nasceu com Lula nem com Dilma. Mas os dois se acomodaram nisso. Lula e o PT não inventaram a corrupção. Porém, foram coniventes com ela. A tal ponto que o partido está hoje igual ou pior do que as outras legendas existentes, como o PMDB e outros.

- O que Dilma deveria fazer? Ela se diz uma gerentona, uma mulher dura, inflexível, combativa. Por que não combate isso, por que não enfrenta? Está na metade do governo dela. Por que não chama o feito à ordem? Ela poderia dizer a Sarney e a Renan: ‘Estou vendo os editorias de jornais, as manifestações de articulistas, as reações da opinião pública. A coisa está à vista de todos. Será que isso vai se acalmar depois de uma vitória de vocês?’ É evidente que esse lado podre do PMDB pode ignorar o apelo dela. Mas também é evidente que, se eles resolvem esticar a corda, essa corda pode arrebentar. Se arrebentar, prejudica o partido e o Congresso. Mas também prejudica o governo.

- O que significa arrebentar a corda? É uma ilusão imaginar que tudo vai morrer no dia 2 de fevereiro, depois da eleição para presidente do Senado. Todo mundo sabe o que vai acontecer. Vai acontecer o pior.

- O que é o pior? A repetição do que aconteceu em 2007. Serão rememoradas as denúncias velhas. Virão denúncias novas. As coisas envolvendo Renan são muito recentes. Não são desprezíveis as chances de termos a repetição do que já ocorreu: a pauta do Senado fica em segundo plano, ofuscada por um Renan forçado a se defender, muitas vezes usando a presidência do Senado para fazer isso. Não estou criando demônios. Já aconteceu. E não foi em outra década. Foi agora, é tudo recentíssimo. Por isso digo que caminhamos para o imponderável. Agora, já surgem denúncias envolvendo também a Câmara, que não me cabe comentar. Mas imagine o que será do país se caminharmos para uma crise que leve ao estrangulamento simultâneo das duas Casas do Congresso. Uma crise embalada por denúncias, com ameaças de renúncias de mandato. Isso é positivo? É evidente que não. O processo democrático brasileiro está consolidado. Mas nem por isso precisamos submeter as instituições a testes intermináveis e repetitivos. Sobretudo quando sabemos o que pode acontecer.

- O que fazer? Não tenho nada contra ninguém. Mas não é possível, não é razoável que o PMDB do Senado, numa bancada de 20 senadores, não encontre uma pessoa para colocar no lugar de Renan, que está sendo bombardeado. Algo, aliás, previsível. Me espanta que Renan tenha imaginado que a imprensa não faria o strep-tease dele numa hora como essas. É muito despreparo. E Renan não é um despreparado. Ele sabe disso. Tanto sabe que empurrou a definição da bancada para as vésperas do pleito. Imaginou que, desembarcando em Brasília no dia 28 ou 29 de janeiro, tudo se resolveria. Engano. O debate aflorou.

- Em dezembro, o grupo que o sr. integra cogitou lançar o nome de Luiz Henrique, do PMDB catarinense. Por que não evoluiu? Se Sarney não fosse o que é, teria chamado Luiz Henrique para conversar no instante em que o nome dele foi cogitado. Diria: ‘Você não vai ser candidato dissidente, apoiado por independentes. Você vai ser candidato do Senado, com o meu apoio.

- Luiz Henrique disse aos senhores que seria candidato. Por que recuou? Ele chegou a se animar. Dilma o convidou para uma viagem à Rússia. Eu disse a ele que seria ótimo que viajasse. Ele me perguntou por quê. Respondi que ele poderia se apresentar a Dilma como candidato governista. E ela só apoiaria Renan se quisesse. Passaria a ter uma alternativa dentro do PMDB. Só faria a opção pela banda podre se quisesse. Mas ele voltou da viagem e disse que Dilma não tocou no assunto. Ele também não se animou a tocar.

- Ele não poderia disputar sem falar com Dilma? Entendo que sim. Mas ele me disse que preferiria ser um candidato de consenso. Disse a ele que isso não existe. É algo que só ocorreria se Sarney fosse outro, apoiando o Luiz Henrique como candidato da bancada do PMDB. Mas os compromissos de Sarney são subalternos. E todo mundo vai pagar por isso, inclusive a Dilma.

- Por que até a presidente Dilma? Porque ela está sendo conivente com essa desarrumação. Insisto: poderia dizer publicamente que discorda.

- Se ela se contrapõe a Renan, não coloca em risco o que se convencionou chamar de governabilidade? Ela não precisa utilizar as expressões que eu uso, não precisa falar em banda podre. Basta dizer que esses nomes estão sob questionamento por fatos que ocorreram, que não foram inventados. Renan renunciou à presidência do Senado para não ser cassado. Se ela enfrentasse isso, se engrandeceria. Como não enfrenta, amanhã não poderá simplesmente lavar as mãos, dizer que não teve nada a ver com o processo.

- Há algo a ser feito? Ainda existe a possibilidade de surgir um nome do PMDB, alguém como o senador Ricardo Ferraço, do Espírito Santo. Fora disso, teremos de optar por um nome de fora do partido. Creio que o Randolfe [Rodrigues, do PSOL] foi precipitado ao se lançar como candidato.

- Por que dissidentes e independentes não conseguem se entender? Esse nível de desarticulação da gente não vem de hoje. É coisa antiga. A oposição tornou-se inexpressiva em parte por conta de sua própria desorganização. O processo é pobre. O Randolfe é uma bela figura, mas já foi candidato. Disputou contra o Sarney e teve oito votos, um deles o meu. Por que ser candidato de novo? Se não conseguimos um nome do PMDB, é muito melhor concorrer com Pedro Taques [PDT-MT]. É um nome novo, que disputaria pela primeira vez. Esse argumento, aliás, nem é meu, é do Cristovam Buarque [PDT-DF].

- Uma vez definido o nome, seja Ricardo Ferraço ou Pedro Taques, quantos votos terá o adversário de Renan? Se fosse Luiz Henrique, a gente concorreria em melhores condições. Com Ferraço, teríamos de 20 a 30 votos. Com um nome como o de Taques, 18 ou 20 votos.

- É esse o tamanho do pedaço do Senado que o sr. chassifica de sério, em torno de 20 votos? Infelizmente é isso mesmo. As pessoas que poderiam contribuir com a melhoria do ambiente no fundo estão atrás de espaço político. Não querem ser excluídos de comissões, têm medo de ficar isolados. O que é um erro.

- Portanto, o jogo está jogado. Renan presidirá o Senado.: Se tivéssemos o retorno da candidatura de Luiz Henrique, poderíamos sonhar com algo diferente. Do contrário, sem fatos novos, é muito difícil alterar o quadro.

- E daí? Bem, a consequência disso é que nada muda no Senado. A Casa já está equiparada à mais esculhanbada das câmaras municipais do país e tende a ficar pior. Será aprofundada a degradação do Senado, já combalido pela sequência de escândalos, desacertos políticos e má administração que levaram ao chão a imagem da instituição nos últimos anos.

19 de nov. de 2012

É inevitável a escandalosa volta de Renan Calheiros à presidência do senado?

BRASIL – Política
A inevitável escandalosa volta de Renan Calheiros
Renan está na expectativa da reação dos adversários e dos meios de comunicação sobre a sua candidatura à presidência do Senado. Distraídas com o mensalão, opinião pública e imprensa está facilitando a tarefa do alagoano que quer substituir José Sarney. Por enquanto noticia-se que ele trabalha nos bastidores afagando possíveis adversários acenando, nessa fase preliminar, com promessas de cargos, no loteamento da direção do Senado.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

REGRESSO? - Renan Calheiros em 2007, sentado na cadeira de Presidente do Senado

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Congresso em Fco

Em 2007, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciou ao cargo de presidente do Senado como estratégia para evitar que diversas denúncias surgidas contra ele levassem à cassação de seu mandato.

Foi absolvido pelo plenário pela falta de decoro parlamentar, ninguém fala ou sabe dos possíveis processos que correm contra ele, no STF, em segredo de justiça.

Assim, cinco anos depois, Renan trabalha intensamente nos bastidores para retornar ao posto do qual renunciou. Sabendo que seu nome ainda se reveste de polêmica, os aliados de Renan tratam de garantir que ele não tenha adversários na disputa. Assim, estão sendo negociados “pacotes” que abriguem em cargos estratégicos do comando do Senado eventuais nomes que pudessem se apresentar como alternativa à candidatura de Renan.

Ou seja, estão prometendo aos prováveis candidatos, cargos relevantes, tanto na mesa diretora, como nas comissões, comprando suas desistência a candidatura, naquele velho estilo é dando que se recebe.

Se não funcionar por esse caminho, possivelmente vai entrar em cena, os dossiês contra os postulantes, o velho estilo Renan de anular adversários.

O adiamento do anúncio oficial da sua candidatura, comprova que Renan enfrenta ainda algumas dificuldades, que por certo ele conseguirá remover de um jeito ou de outro.

Segundo o site Congresso em Foco, os dois principais nomes que ele tenta tirar do seu caminho, negociando compensações, são os senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Entraram no jogo a negociação em torno das presidências da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), principal comissão permanente do Senado e também da Comissão Mista de Orçamento. Nessa acomodação o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) da tropa de Renan, o atual presidente da CCJ assumiria a liderança do partido, que é hoje exercida pelo próprio Renan.

Essas não são as únicas articulações de bastidores que de desenvolvem no partido. Renan até agora não tratou disso publicamente. Com a volta de Valdir Raupp (PMDB-RO) ao Senado nesta semana, a expectativa é que o processo saia dos bastidores e seja iniciado. Presidente nacional do PMDB, ele estava afastado do cargo para coordenar as eleições municipais. A decisão sobre a candidatura à presidência cabe aos senadores, mas a presença de Raupp conta nas articulações.

Além de Luiz Henrique e Ferraço, há outros nomes que precisam ser abrigados. O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI do Cachoeira, também ambiciona a principal cadeira do Senado. Seu nome também foi colocado como possível para presidir a CCJ. Outro que se movimenta é Romero Jucá (PMDB-RR). Alijado da liderança do governo pela presidenta Dilma Rousseff, atualmente ele é o relator geral do Orçamento 2013.

Esse é o ponto que preocupa outros partidos no Senado. Os senadores do PT, por exemplo, temem que o PMDB possa tentar invadir outros espaços para abrigar outras compensações para abrir caminho à candidatura de Renan. Espaços que hoje são do PT, como a primeira vice-presidência do Senado (que hoje está com o senador petista Aníbal Diniz, do Acre) e a Comissão de Assuntos Econômicos (comandada atualmente pelo petista Delcídio Amaral, do Mato Grosso do Sul).

Renan tem um trunfo estratégico. Definido que a presidência do Senado ficará com o PMDB, é Renan quem, como líder da bancada, dá início ao processo de discussão interna para a escolha do nome. É, portanto, Renan quem dita o ritmo da sucessão de Sarney. Além disso, mesmo com toda a polêmica em torno do seu nome, ele ainda tem, afirmam os senadores peemeebistas, comando suficiente para impedir que outros se atrevam a disputar a indicação com ele e vencer.

Senadores ouvidos pelo Congresso em Foco, sob a condição do anonimato, comentam que apenas Renan pode tirar a presidência dele mesmo. Não existe na Casa adversário capaz de vencê-lo na disputa. Muito pelo trânsito que possui entre parlamentares da base e também da oposição. No entanto, dizem que a demora em ele admitir a candidatura é a possibilidade de passar os próximos dois anos como alvo da imprensa e até de colegas oposicionistas. Um parlamentar relatou que o “rescaldo de 2007” pesa na decisão.

A avaliação que o peemedebista faz neste momento é se vale a pena ser eleito presidente do Senado e correr o risco de passar o mandato “sangrando”. Além de voltarem à tona as denúncias que o fizeram renunciar em 2007, de ter a vida vasculhada.

Talvez Renan Calheiros, esteja lançando esse balão de ensaio, para ver se a imprensa ou algum adversário tem munição para enfrentá-lo ou desestabilizá-lo. Quem tiver alguma coisa contra o senador alagoano fale logo e não cale nunca!”

Depois de Sarney ter Renan Calheiros sentado novamente na cadeira de presidente do Senado, é uma desmoralização dupla e ímpar para a historia do parlamento brasileiro. Coisa para fazer os brasileiros eufóricos com o resultado do julgamento do mensalão, por os pés no chão e ver que ainda há muita estrada a percorrer ...

6 de nov. de 2012

Dilma homenageia Luiz Gonzaga na entrega Ordem do Mérito Cultural 2012

BRASIL - Cultura
Dilma homenageia Luiz Gonzaga
na entrega Ordem do Mérito Cultural 2012
A Ordem do Mérito Cultural, criada em 1995, nos seus 17 anos de existência condecorou 500 personalidades nacionais e estrangeiras de 60 instituições públicas e privadas. Sempre se destacou como sendo um “Samba do Crioulo Doido”, equiparando desiguais: ao mesmo tempo em que presta merecidíssimas homenagens, prestigia, pessoas e instituições culturalmente duvidosas, desmerecendo, desmoralizando e banalizando a comenda. Na gestão de Marta Suplicy não poderia ser diferente

Foto: Antonio Cruz/ABr

“Minha vida é andar por este país, pra ver se um dia descanso feliz...” disse Dilma no discurso, citando Luiz Gonzaga

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Agência Brasil, Terra, Discurso de Dilma, Academia Brasileira de Letras, Blog do Jamildo, O Globo

O Salão Nobre do Palácio do Planalto foi ocupado, nesta segunda-feira (5) por artistas e intelectuais e alguns picaretas, durante a entrega da Ordem do Mérito Cultural, um dos primeiros atos visíveis de Marta Suplicy, a frente do Ministério da Cultura.

Todos os anos, a Ordem do Mérito Cultural homenageia uma personalidade. Este ano, o escolhido foi o compositor popular e instrumentista Luiz Gonzaga, pelo centenário de seu nascimento, diz Agência Brasil, por isso o a decoração do ambiente foi toda feita com motivos e plantas comuns da região nordeste como mandacarus, e músicas do repertório do Rei do Baião foram executadas, durante a cerimônia. Elba Ramalho e Chambinho do Acordeão, (que interpreta Luiz Gozanga no filme "Gonzaga - de Pai pra Filho"), entoaram Asa Branca, o extra oficial, Hino Nacional do Nordeste, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Dilma começou o discurso cumprimentando o neto de Luiz Gonzaga, Daniel Gonzaga, neto de Luiz Gonzaga e a “nossa querida, queridíssima, Elba Ramalho”

Adiante fala do filme “Gonzagão – de pai para filho” [Gonzaga – de pai para filho] dizendo que assistiu que classificou de “emocionante e comovente”.

Adiante falando de Gonzagão comentou:

” Esse extraordinário músico, ao cantar as tristezas e as alegrias do Sertão, ajudou o brasileiro, a brasileira, a conhecer melhor o seu próprio país. Se sua obra se resumisse ao que foi apresentado aqui – Asa Branca –, já justificaria todas as nossas homenagens e todo o nosso reconhecimento, mas Gonzagão fez muito mais.

Nos deixou músicas eternas, e nos marcou com forte sentimento de brasilidade. Tornou o sertão nordestino, aquele sertão mais humilde, num mundo universal. Quem de nós não se comoveu com Assum Preto? Quem de nós não se agita na cadeira ao ouvir o Xote das Meninas? Qual de nós já não cantarolou muitas vezes versos como este – que eu não tenho o talento... eu não tenho o talento das nossas cantoras aqui presentes. Mas que eu vou recitar para vocês: “Minha vida é andar por este país, pra ver se um dia descanso feliz. Guardando as recordações das terras por onde passei, andando pelos sertões, e dos amigos que lá deixei”. – e apesar da declamação desastrada e sem graça ganhou aplausos da plateia.

Foto: Antonio Cruz/ABr

A poeta e atriz capixaba isa Lucinda e o pernambucano Alceu Valença, durante cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2012, no Palácio do Planalto

Entre os agraciados na edição 2012 do maior prêmio da cultura nacional estão artistas e instituição pernambucanas importantes como o escultor, pintor, desenhista, gravurista e ceramista Abelardo da Hora; o dramaturgo, jornalista e escritor Aguinaldo Silva ; o cantor e compositor Alceu Valença (que recentemente nos envergonhou assinando um manifesto em apoio ao mensaleiro José Dirceu); a cantora e grande mulher Elba Ramalho que apesar de ter nascido na Paraíba, tem por certo dupla cidadania e é pernambucana por adoção dos pernambucanos; a - Orquestra Popular Bomba do Hemetério atualmente sob o comando do genial Maestro Forró.

A Ordem do Mérito Cultural, criada em 1995, nos seus 17 anos de existência condecorou 500 personalidades nacionais e estrangeiras de 60 instituições públicas e privadas. Sempre se destacou como sendo um “Samba do Crioulo Doido”, equiparando desiguais: ao mesmo tempo que presta merecidíssimas homenagens, prestigia, pessoas e instituições culturalmente duvidosas, desmerecendo, desmoralizando e banalizando a comenda.

Neste ano, entre os 41 homenageados estavam figuras como Orlando Orfei um empresário circense italiano, domador de leões, pintor, escritor, dublê de cinema e músico) e na mesma empreitada foi homenageado o escritor baiano Jorge Amado(in memoriam), que dispensa apresentações. O lamentável é que até por uma questão de ordem alfabética, o baiano, tem como vizinho na lista o maranhense José Sarney, atualmente presidente do Senado, como se fossem equivalentes em talento, respaldo cultural e importância para a cultura brasileira.

Não custa lembrar que Sarney entrou para a Academia Brasileira de Letras, após ter conseguido uma milionária doação para a instituição, enquanto presidente da ARENA, o partido que sustentava os governos militares. Sarney foi reconhecido como escritor acadêmico, pelo risível romance intitulado, “Marimbondos de Fogo”. No seu discurso de posse, em 6 de novembro de 1980, agradece honrado a presença do então Presidente da República o general João Baptista de Figueiredo, lider militar, da chamada revolução de 1964, que implantou a ditadura no Brasil, a quem Sarney serviu por 20 anos e a qual traiu, na leva de ratos abandonando o navio, na eleição de Tancredo Neves em 1985.

Enquanto Jorge Amado não merece esse vexame, Sarney não merece constar de nenhuma lista descente.

A relação dos homenageados prossegue com a apresentadora Hebe Camargo , in memoriam; o cantor e compositor Herivelto Martins, in memoriam; a genial atriz Marieta Severo; o lendário ator e cineasta Mazzaropi, in memoriam; a atriz Regina Casé; o grande ator Paulo Goulart; o dramaturgo, ator e jornalista Plínio Marcos; o bloco afro baiano Olodum e o apresentador e empresário Silvio Santos que não compareceu, entre outros.

Foto: : Antonio Cruz/ABr

A presidenta Dilma Rousseff, e os premiados, a lendária e canonizada, paraibo-pernambucana, cantora Elba Ramalho e o canastrão maranhense, José Sarney, presidente do Senado e dono do Maranhão.


22 de jul. de 2012

ISTO É: A ferrovia da corrupção

BRASIL – Corrupção
A ferrovia da corrupção
ISTOÉ teve acesso a sete inquéritos abertos pela Polícia Federal para apurar os superfaturamentos na Ferrovia Norte-Sul que provocaram rombo de até R$ 1 bilhão


Os desvios de verbas na ferrovia norte-sul somam R$ 1 bilhão só no trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO) foram superfaturados R$ 400 milhões a obra já consumiu R$ 8 bilhões

Postado por Toinho de Passira
Texto de Claudio Dantas Sequeira
Fonte: Isto É

No início do mês, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, acusado de enriquecimento ilícito. Segundo os autos do inquérito da Operação Trem Pagador, ele teria comandado um esquema que desviou mais de R$ 100 milhões de obras da Ferrovia Norte-Sul, a mais extensa via férrea do País.

ISTOÉ revela agora que o rombo provocado pelo esquema de Juquinha, que comandou a estatal de ferrovias por oito anos, pode chegar à escandalosa cifra de R$ 1 bilhão, dinheiro que teria abastecido não só as contas pessoais do ex-presidente, familiares e ex-integrantes da cúpula da Valec, mas também o caixa de partidos como PR e PMDB.

A estimativa é da própria PF, com base numa série de investigações em andamento. Só na Delegacia de Crimes Financeiros da Polícia Federal em Goiás foram abertos sete diferentes inquéritos que abarcam os quase 4,5 mil quilômetros de extensão da ferrovia.

Ao longo da Norte-Sul, que já consumiu R$ 8 bilhões, correm suspeitas de superfaturamento em materiais, como trilhos e dormentes, nas ações de terraplanagem, escavações e aterros.

A PF encontrou ainda indícios de conluio entre empreiteiras, direcionamento de licitações e subcontratação de empresas ligadas a políticos. As investigações, que tiveram origem em fiscalizações do TCU, da CGU e denúncias do Ministério Público, estão longe de terminar.

As investigações indicam que só no trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), justamente o que ajudou a enriquecer Juquinha e sua família, foram desviados mais de R$ 400 milhões. Laudos técnicos que compõem os inquéritos mostram que a estrada de ferro consumiu todo o orçamento previsto nos contratos com as construtoras Andrade Gutierrez, SPA Engenharia, Constram, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa.

A Valec de Juquinha autorizou aditivos que atingiram o limite legal de 25% e mesmo assim a obra chegou ao fim infestada de problemas estruturais, como a falta de proteção vegetal de taludes e canais de drenagem superficial.

O resultado é a erosão de áreas que estão provocando a desestabilização dos trilhos, inviabilizando o uso da ferrovia. Não foram construídos oito pátios intermodais que estavam previstos em contrato. Isso significa que, mesmo os trens sendo liberados para transitar na estrada de ferro, eles simplesmente não têm onde ser carregados e descarregados.


INFLUÊNCIA - De acordo com delegado ouvido por ISTOÉ, o senador José Sarneye o deputado Costa Neto dividiam cargos na cúpula da Valec

As construtoras reclamam que a obra ali consumiu mais que o previsto, por conta de desvios e da existência de aterros moles, que acabam consumindo mais horas de trabalho das máquinas e do orçamento. Daí, segundo a PF, chega-se a outro problema: não há medição confiável, os métodos utilizados são os mesmos de 40 anos atrás. Essa falha foi explorada não só pelos empreiteiros, mas pela própria Valec, segundo a PF.

O escamoteamento de custos, de acordo com os relatórios de investigação obtidos por ISTOÉ, era processado em Brasília, no 20º andar do edifício-sede da estatal, e se estendia ao campo de trabalho. Laudos da Perícia Criminal indicam sobrepreço tanto no orçamento de referência da estatal como nas propostas das empreiteiras. A análise de centenas de planilhas de preços feita pelos peritos apontam uma variação entre 6,5% e 48% de sobrepreço nos orçamentos.

O TCU agiu em alguns casos, como nas obras de Aguiarnópolis (TO) e Anápolis-Uruaçu (GO). Em ambos, determinou-se a suspensão cautelar de 10% do valor dos contratos, muito pouco, considerando o volume de recursos utilizados. O tribunal instaurou tomadas de contas especiais em contratos como o da SPA Engenharia, que se recusou a seguir as determinações de repactuação do orçamento.

Um relatório interno da consultoria jurídica da Valec, obtido por ISTOÉ, mostra que só em dois contratos os fiscais encontraram sobrepreços de R$ 42 milhões e R$ 40 milhões, respectivamente. Desde o início da obra, a Valec tem comprado dormentes, fabricados pelas próprias empreiteiras, a valores 40% superiores ao de outros fornecedores.

Esses dados, além de abastecerem os inquéritos da PF, levaram o atual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, a criar uma força-tarefa para melhorar a fiscalização das obras da Norte-Sul e passar um pente fino nas obras em andamento. Talvez por isso, desde que assumiu no lugar de Juquinha no ano passado, Castello Branco tem sofrido pressões de partidos e empresários para deixar o cargo.

O perfil técnico do atual presidente da Valec causa desconforto para um grupo de políticos que se acostumou a gerenciar o orçamento bilionário da empresa. Escutas telefônicas feitas pela PF com autorização judicial mostram como se articularam os dirigentes da estatal às vésperas da faxina determinada pela presidenta Dilma Rousseff, diante das denúncias de pagamento de propina no Ministério do Transportes.

Em conversa gravada no dia 19 de outubro de 2011, Juquinha, ciente da iminente dança das cadeiras na Valec, telefona para seu advogado, Heli Dourado, e pergunta se ele conversou com o “presidente”, segundo a PF numa referência ao senador José Sarney.

Heli diz que “Sarney conversou com o ministro duas vezes e não tem mais o que falar com ele; que ele sabe que a pessoa é sua indicada”. Na conversa, Heli diz ainda que foi até a casa de Sarney para tentar evitar a queda dos apadrinhados. Segundo a PF, o presidente do Senado foi atropelado pela decisão do Palácio do Planalto.

Além de “presidente”, Sarney é citado por Juquinha e outros integrantes do grupo pelas alcunhas de “velhinho” e “chefe”. Para a PF, não há dúvidas de que o grupo usava constantemente o nome de Sarney. De acordo com um delegado ouvido por ISTOÉ, as investigações demonstram que o presidente do Senado e o deputado Valdemar da Costa Neto (PR) dividiam os cargos na cúpula da Valec.

A Ferrovia Norte-Sul, no entendimento dos investigadores, era uma espécie de “menina dos olhos” dos parlamentares. Quem cuidava dos interesses de Sarney nos contratos da ferrovia, de acordo com a PF, era Luiz Carlos Oliveira Machado, o então diretor de engenharia da estatal. Responsável por acompanhar diretamente todas as obras da Valec, Oliveira Machado é um dos principais alvos dos inquéritos.

Pelas investigações iniciais, ele estaria ligado às empresas CMT Norte-SUL e Trilha Engenharia, que foram subcontratadas nos lotes 2 e 11 para fornecer maquinário. Sarney informou, por meio de sua assessoria, que Oliveira Machado não é sua indicação e nem sequer lembra “se conhece essa pessoa”.

Costa Neto, por sua vez, admitiu sua relação com Juquinha e a indicação para a presidência da Valec, mas disse que não tinha nenhuma “ascendência administrativa” sobre ele.

Não é a primeira vez que o nome de Sarney surge em escândalos envolvendo a Ferrovia Norte-Sul. Seu filho Fernando Sarney, citado na Operação Faktor (Boi Barrica), é investigado por conta de contratos suspeitos da Valec com a empresa Dismaf para o fornecimento de trilhos.

A empresa, mesmo denunciada pelo Ministério Público por fraude no fornecimento de fardamento para o Exército, conseguiu entrar na Valec. Quem intermediou o negócio, segundo a PF, foi o senador Gim Argello (PTB) e o filho de Sarney. Um dos sócios da Dismaf é Basile Pantazis, que até estourar o escândalo no ano passado era tesoureiro do PTB.

Entre 2008 e o início de 2011, a Dismaf recebeu mais de R$ 410 milhões, segundo levantamento das ordens bancárias da Valec feito pela ONG Contas Abertas. A empresa quase conseguiu um segundo contrato de R$ 750 milhões, mas a licitação foi suspensa por determinação do TCU.


*fotos: Adriano Machado/AG. ISTOÉ; Wildes Barbosa/O Popular/Folhapress

26 de jun. de 2012

MÁ NOTÍCIA: Clã Sarney lança nova geração na política

MARANHÃO – Eleição 2012
MÁ NOTÍCIA: Clã Sarney lança nova geração na política
Quase 60 anos depois do atual senador José Sarney ter participado e vencido de um pleito pela primeira vez, os Sarneys estão lançando, nessa eleição, uma nova fornada de descendentes e aparentados, visando manter o domínio do desfortunado feudo do Maranhão


ALIADA ADEQUADA A prefeita de Paço do Lumiar, Bia Venâncio, acusada em 22 processos por corrupção, abriu mão da reeleição em beneficio de Adriano Sarney

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Prosa & Política, Blog do Edgar Ribeiro, Folha de São Paulo, Blog do Cesar Bello, Blog Sua Cidade, Wikipedia, Estadão

Com a segunda geração envelhecendo, o clã Sarney aposta em novos nomes para não ver seu legado minguar”- reporta a jornalista Andreza Matais da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo

Adriano Sarney, 32 anos, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e filho do deputado José Sarney Filho (PV-MA) vai disputar a eleição para prefeito de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.

Será a entrada da terceira geração da família na política, 57 anos após a primeira eleição de José Sarney.

Adriano é a maior esperança do clã para manter o controle do Maranhão. Com 110 mil habitantes e a 23 km do centro da capital, Paço do Lumiar é estratégica na "geografia Sarney": é o melhor caminho para a ilha de Cururupu, onde a família tem casas.

Vovô Sarney é um exemplo para o netinho Adriano
Cinco candidatos com experiência política já desistiram da eleição em Paço, para apoiar o neto do homem ou por acharem não terem chances com ele no páreo.

”Se for eleito, esse será o primeiro emprego de Adriano, que nos seus 32 anos de vida, nunca pregou "um prego em uma barra de sabão" diz o blogueiro maranhense.

A única atividade laboral de Adriano Sarney, que se tem notícia, foi quando a Polícia Federal que investigava possíveis irregularidade no sistema de crédito consignado no Senado o identificou como operador, no instante em que Sarney estava sendo bombardeado pela descoberta dos seus 300 imorais atos secretos. . Descoberto, Adriano, perdeu a boquinha, como não sabe fazer nada , a família resolveu pendurá-lo no cargo de Prefeito de Paço do Lumiar.

O principal cabo eleitoral de Adriano é a atual prefeita, Bia Venâncio (PSD) (que desistiu da reeleição para abrir espaço ao neto do senador) responde a 22 processos na Justiça e já foi afastada quatro vezes, sob acusação de corrupção. Como se vê uma correligionária perfeita para um Sarney que está começando. "Onde eu estiver, ele vai estar comigo", disse Bia enquanto enfileirava elogios ao novo pretenso candidato:

Papai Sarney Filho, destinou verbas federais para Paço do Lumiar, em forma de emendas parlamentares
"Tudo o que tem aqui em Paço tem o dedo da família Sarney."

Como não tinha nenhuma ligação com o município, Adriano é questionado sobre a legalidade de sua pretensão, por falta de domicílio eleitoral, (pela lei o candidato tem que residir na cidade onde pretende se candidatar) costuma exibir como prova de que tem endereço no município, uma conta de luz, em seu nome, de um sítio, nos limites da cidade..

A reportagem da Folha de São Paulo diz que o Blogueiro Cesar Bello está disposto a ingressar na Justiça eleitoral, para questionar o documento emitido pela Cemar, a companhia energética do Estado governado por Roseana Sarney.

O neto tem a quem puxar: o avô, hoje senador pelo estado do Amapá, também não possui nenhuma ligação com o estado que representa. Comprou em Macapá, apenas para constar, uma casa que serve como seu endereço junto à justiça eleitoral.

Segundo a Folha de São Paulo, as outras apostas da família Sarney, são Filuca Mendes (PMDB), afilhado de batismo de Sarney, candidato em Pinheiro. E Souza Neto, casado com uma sobrinha da governadora Roseana, que irá disputar como vice em Santa Inês.

Filuca já conseguiu uma pequena proeza. O PT decidiu apoiá-lo ignorando resolução que impede novas alianças com o DEM, também na chapa de Filuca. Petistas contrários prometem recorrer ao Diretório Nacional.

15 de abr. de 2012

Sarney passa bem após cateterismo

SÃO PAULO
Sarney passa bem após cateterismo
O presidente do senado José Sarney, foi internado após passar mal na sexta-feira (13), passou por procedimentos procedimento de cateterismo, seguido por angioplastia. Segundo boletim médico ele está na UTI de hospital em São Paulo e passa bem

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

José Sarney: dor no peito, na sexta-feira 13

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Agência Brasil, G1

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), passa bem após um procedimento de cateterismo, seguido por angioplastia com a colocação de "stent", realizado na madrugada deste domingo (15), segundo informou seu assessor Fernando Mesquita. Ele segue internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Sarney está com sua esposa, Marly Sarney, sob observação médica, podendo sair da UTI em 24 horas, segundo os padrões médicos, após esse tipo de procedimento.

Sarney chegou ao hospital no final da tarde de sábado (14) para se submeter a exames. Ele foi recebido pelo cardiologista Roberto Kalil Filho, médico pessoal e responsável pelo tratamento contra o câncer pelos quais passaram a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kalil coordena a equipe que cuida do senador.

Ele havia se sentido mal na noite desta sexta (13) na residência oficial, em Brasília. No sábado, o presidente do Senado, que está com 81 anos, viajou da capital federal para São Paulo e adiantou um "check-up" que já estava previsto.

Logo após ser internado, os médicos detectaram um quadro de insuficiência coronária, que pode ter sido causado pelo entupimento de uma artéria. A equipe médica, então, optou pela realização do cateterismo após Sarney sentir dor no peito. O último boletim médico informou que o quadro do senador é estável, mas ainda não há previsão de alta.

O cateterismo é um exame feito por meio da introdução de um cateter em um vaso sanguíneo para chegar ao coração. Já a angioplastia é o desentupimento do vaso sanguíneo com o implante do “stent”, uma espécie de "molinha" colocada dentro do vaso.


28 de jan. de 2012

Coisas que só acontecem no Maranhão

MARANHÃO
Coisas que só acontecem no Maranhão
O processo de cassação do mandato da Governadora José Sarney, no TSE, está engessado no TRE do Maranhão. Por que? Por que?

Foto: Valter Campanato/ABr

Coisas do Maranhão

Lauro Jardim
FonteRadar Online

É mais uma dessas histórias que só acontecem no Maranhão da família Sarney. Passada a eleição para o governo maranhense, em dezembro de 2010, o ex-governador José Reinaldo foi ao TSE pedir a cassação de Roseana por abuso de poder político e econômico. O caso foi parar nas mãos do ministro Arnaldo Versiani que, seguindo a liturgia da Justiça Eleitoral, expediu carta de ordem para que o TRE maranhense intimasse a governadora.

Por uma dessas coisas que só acontecem no Maranhão, o tribunal levou quatro meses para conseguir localizar e citar Roseana que, obviamente, estava no Palácio dos Leões. Quando conseguiu, coube novamente a Versiani solicitar ao TRE que ouvisse dez testemunhas de defesa da governadora. Em agosto de 2011, a tarefa foi delegada ao juiz Sérgio Muniz, que deveria ter se declarado impedido de realizar a tarefa, uma vez que é filho do secretário adjunto da Casa Civil de Roseana, Antonio Muniz.

Pois Sérgio não só aceitou o caso como permaneceu sentado sobre o pedido de Versiani por 58 dos sessenta dias de prazo para colher os depoimentos. No penúltimo dia, Sérgio devolveu a carta de ordem a Versiani solicitando mais sessenta dias de prazo e novos documentos para realizar a audiência.

Quando os documentos chegaram, o mandato de Sérgio no TRE maranhense havia terminado e o caso foi então delegado ao juiz federal Nelson Loureiro, que deu andamento imediato ao pedido, marcando a audiência das testemunhas de Roseana para esta sexta-feira. Na semana passada, porém, os advogados de Roseana entraram com recurso pedindo que o caso retornasse aos cuidados de Sérgio Muniz (já reconduzido ao cargo por Dilma Rousseff). Loureiro negou o pedido e o caso foi então parar no plenário do TRE maranhense.

Durante o julgamento, dois magistrados votaram para manter a audiência com Loureiro enquanto outros dois votaram a favor dos advogados de Roseana. Empate estabelecido, coube a quem desempatar? O voto final foi do juiz José Carlos Souza e Silva que, por uma dessas coincidências do Maranhão, era até pouco tempo presidente da Fundação José Sarney. O pedido de Versiani segue parado nas mãos de Sérgio Muniz.

COMENTÁRIOS NOSSO: Cadê o Conselho Nacional de Justiça?


6 de dez. de 2011

Sarney burlou de maneira torpe?

BRASIL - SENADO
Sarney burlou de maneira torpe?
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e o líder da bancada do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), protagonizaram uma forte discussão na tarde desta terça-feira (6) no plenário da Casa. O motivo da discussão foi a votação do requerimento apresentado pelo governo que pedia a inversão da pauta, para que a proposta que prorroga até 2015 a Desvinculação de Receitas da União (DRU) fosse discutida antes da votação do projeto do novo Código Florestal. A discussão começou quando Demóstenes discordou da votação do requerimento, afirmando que não havia acordo para a apreciação. E disse que esse tinha sido um gesto torpe da presidência do senado.

Foto: Blog do Noblat/ O Globo

TORPE DESCONTROLE - Foi Collor, para surpresa geral, quem conteve Sarney que desceu da mesa da presidência do senado e partiu em direção a Demóstenes Torres, enfurecido.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Blog do Noblat, Portal Terra,

A aprovação de um requerimento permitindo que o governo avançasse na discussão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a chamada DRU (Desvinculação de Receitas da União) até dezembro de 2015, na sessão dessa terça-feira, acabou gerando discussão no plenário do Senado.

Por 36 votos a 19, o plenário aprovou requerimento que inverteu a pauta e colocou a DRU como primeiro item, apenas para constar o prazo do terceiro dia de discussão da PEC, permitindo que ela seja votada na próxima quinta-feira.

Irritado com a manobra do governo, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), acusou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de ter descumprido o regimento e o acordo dos líderes de colocar a regulamentação da Emenda 29 na frente da DRU.

Com o dedo levantado e gesticulando, Demóstenes disse que a inversão não poderia ter sido aprovada.

- A presidente (Dilma Rousseff) disse: vamos tratorar. Mas uma coisa que baliza nossa atuação (aqui) é a palavra! O entendimento feito está sendo rasgado - disse Demóstenes.

Em seguida, Sarney argumentou que a discussão da regulamentação da Emenda 29 ainda não fora iniciada e que, portanto, a inversão de pauta era possível e lembrou acordo da semana passada, quando os líderes concordaram em dar 24 horas para saber a posição do governo sobre a proposta.

Foto: Pedro França/ Agência Senado

Demóstenes Torre -"Não use minha concordância para determinado procedimento para Vossa Excelência, o governo, de maneira torpe, burlar o que nós fizemos, torpe! Não queira me utilizar nesse tipo de.... não fiz esse acordo, o acordo era para votar o Código Florestal!", gritou indignado

Mais irritado, Demóstenes disse que não permitia que palavras usadas por ele na reunião que firmou o acordo fossem utilizadas para justificar a aprovação do requerimento.

- É burlar, de maneira torpe, o entendimento (de colocar a regulamentação da Emenda 29 em votação) - disse Demóstenes.

- Estou cumprindo o regimento - rebateu Sarney, mandando que a palavra "torpe" fosse retirada das notas taquigráficas.

Sarney estava na Mesa e Demóstenes embaixo, no plenário. Visivelmente descontrolado, Sarney desceu da Mesa acompanhado do senador Fernando Collor (PTB-AP) e partiu em direção de Demóstenes.

-Você me deve desculpas! Você me respeite! - esbravejou Sarney para Demóstenes, de dedo em riste e sendo contido por Collor para que não avançasse mais.

Demóstenes ouviu calado.

- Eu ia falar o quê para um homem de 80 anos? Ele sabe que está errado. Mas para voltar a ficar bem com o governo resolveu ajudar no tratoraço da Emenda 29 que ele mesmo colocou em votação semana passada, deixando a base em uma saia justa - disse Demóstenes.

Irritado, Sarney exigiu que a palavra "torpe" não constasse nas notas taquigráficas da Casa. "Eu mando cancelar a palavra '“torpe'” da taquigrafia", disse Sarney. Demóstenes retrucou: "Não precisa, não. Pode constar!".

Sarney reforçou a retirada da palavra que, mais tarde, não constou nas notas do Senado. "Está mandado cancelar, e ao presidente compete policiar os trabalhos do plenário!".

Ao deixar a Mesa, Sarney exigiu que Demóstenes pedisse desculpas pela discussão. Passados alguns minutos, o senador do DEM voltou ao microfone para pedir desculpas ao presidente da Casa.

"Ainda há pouco, em uma discussão acalorada com a Mesa, presidida pelo senador José Sarney, eu usei a expressão '“torpe'”, e o senador José Sarney ficou ofendido com a expressão. Então, estou pedindo a Vossa Excelência que a retire, que mande riscar essa expressão.O que acontece é que eu tenho um tipo de temperamento em que a minha discussão é dura, mas é extremamente leal. Essa lealdade não quer, de maneira alguma, fazer com que qualquer espécie de discussão transponha para o lado pessoal", disse o senador.

Demóstenes ainda reforçou que não tem nada contra o senador Sarney. "Não tenho, pessoalmente, nada contra o senador José Sarney. Muito pelo contrário, ele me trata sempre com muita lhaneza, com muita deferência [...] de forma que, em relação à ofensa, peço desculpas ao senador José Sarney. Peço que se retire a palavra '“torpe'” e mantenho, naturalmente, todos os outros termos institucionais, entendendo que, mais uma vez, a Mesa errou ao não cumprir o acordo que nós fizemos".