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12 de fev. de 2014

Terrorismo: a morte do cinegrafista, de Merval Pereira, para O Globoo

BRASIL - Opinião
Terrorismo: a morte do cinegrafista
Todos os que participam de ações terroristas estão assumindo o risco de um assassinato, que afinal aconteceu. Manifestações contra ou a favor de alguém ou alguma coisa são próprias da democracia, mas dentro da lei e da ordem. Do jeito que estão sendo feitas desde junho, uma escalada de violência, não é aceitável de maneira alguma.

Foto: Reprodução

ÓBITO - O cinegrafista Santiago Andrade, da BAND, sendo socorrido, com afundamento do crânio, depois ter sido atingido nessa quinta-feira (6) por um rojão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval Pereira

A violência chegou ao limite do suportável em uma sociedade democrática nessas manifestações utilizadas pelos black-blocs como pretexto para suas atuações terroristas. O desprezo pela vida humana está implícito na atitude irresponsável de atirar um rojão em direção a adversários, pois qualquer pessoa normal sabe que não é possível soltar um artefato com esse teor de destruição em uma manifestação pública sem correr o risco de matar alguém, como aconteceu no caso trágico do cinegrafista da TV Bandeirante Santiago Andrade.

Todo manifestante que participa dessas passeatas com a intenção de direcionar um artefato desses – um sinalizador, um rojão – contra alguém, seja policial, seja um jornalista, é um assassino em potencial, a atitude pode ser considerada um ato de terrorismo. É preciso que a sociedade entenda isso perfeitamente: os black-blocs, que têm na violência a maneira de se manifestar contra as instituições ou as grandes corporações capitalistas, assumem o risco de ferir gravemente ou até mesmo de matar, uma atitude inaceitável em uma democracia, onde quem tem o direito ao uso da força é apenas a polícia.

Com muito treinamento e com armas que, pelo menos na teoria, não provoquem danos como os causados pelo rojão. A sociedade exige, além do mais, que a Polícia não exorbite desse poder de uso da força que lhe é concedido e está sempre atenta a denunciar quando isso acontece. Sempre que a polícia age fora dos padrões exigidos em uma democracia, a imprensa é a primeira a denunciar os desvios e a cobrar punições.

Todos os que participam de ações terroristas estão assumindo o risco de um assassinato, que afinal aconteceu. Manifestações contra ou a favor de alguém ou alguma coisa são próprias da democracia, mas dentro da lei e da ordem. Do jeito que estão sendo feitas desde junho, com uma escalada de violência, não é aceitável de maneira alguma.

A atuação da imprensa vem sendo constrangida desde o início das manifestações por esses terroristas, que atacam indiscriminadamente os membros do que denominam de “mídia tradicional”. A tal ponto que jornalistas já não podem sair para trabalhar com suas identificações, pois se tornam alvos de ações terroristas.

A situação chegou a tal ponto que o fotógrafo do Globo que flagrou toda a cena do atentado que culminou na morte do cinegrafista não quis ser identificado como autor das fotos que possibilitaram a identificação dos criminosos. O mesmo aconteceu com o cinegrafista da TV Brasil que filmou a cena.

Em qualquer lugar do mundo, correspondentes de guerra usam coletes com identificação de que são jornalistas para serem respeitados pelas partes em disputa, sob a proteção da ONU. Nas manifestações no Brasil desde junho, identificar-se como jornalista, de qualquer empresa, é um risco, não uma proteção. Com o agravante de que não estamos em guerra.

Não importa se desta vez a intenção não era acertar o cinegrafista, mas os policiais que estavam mais adiante. A ação terrorista foi consumada, e suas conseqüências têm que ser punidas rigorosamente. O caráter terrorista da ação dos black-blocs contra a imprensa é revelado pela ameaça feita em frente à delegacia onde estava o primeiro culpado preso, Tiago Raposo, que aliás já havia sido detido em outras ocasiões por distúrbios em passeatas do gênero.

Um de seus companheiros de vandalismo estava lá tentando criar um clima contra a prisão quando se virou para outro cinegrafista, por sinal da mesma TV Bandeirantes, e ameaçou: “O próximo vai ser você”. O cinegrafista reagiu à ameaça e acabaram os dois se atracando, com o black-bloc levando um corte na testa.

Pelo relato do acontecido vê-se que o ambiente político está totalmente desequilibrado, graças a setores da sociedade e partidos políticos que avalizam as agressões dos black-blocs como manifestações legítimas, quando elas são a negação da democracia.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

18 de jun. de 2013

Mais de 200 mil brasileiros protestam nas ruas do país

BRASIL - Manifestações
Mais de 200 mil brasileiros protestam nas ruas do país
Com uma pauta de reivindações difusa, a onda de protestos turbinada pelas redes sociais e que inicialmente teve o aumento da tarifa de ônibus como alvo, tomou vulto, emparedou os políticos e silenciou o governo.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

OCUPAÇÃO - Manifestantes ocupam a cobertura do Congresso Nacional

Postado por Toinho de Passira
Post baseado no texto de Eduardo Simões e Jeferson Ribeiro, para Reuters
Fonte: Reuters

Mais de 200 mil pessoas tomaram as ruas de diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira, na maior manifestação popular no país em mais de 20 anos, para reivindicar melhores serviços públicos, combate à corrupção e protestar contra os gastos com a Copa do Mundo de 2014.

Com uma pauta de reivindações difusa, a onda de protestos turbinada pelas redes sociais e que inicialmente teve o aumento da tarifa de ônibus como alvo, também deu voz a críticas sobre a ação policial da semana passada, que terminou com dezenas de prisões e feridos, especialmente na capital paulista.

Apesar de a manifestação ter ocorrido de forma pacífica na maioria das cidades, no Rio de Janeiro a Assembléia Legislativa e alguns prédios históricos foram alvo de ataques e houve embates com policiais. Em Brasília, manifestantes invadiram a área externa do Congresso Nacional e a segurança do Palácio do Planalto foi reforçada.

A gigantesca onda de protestos em todo o país fez com que a presidente Dilma Rousseff se manifestasse por meio da ministra-chefe da Secretaria de Comunicação, Helena Chagas.

De acordo com a ministra, a presidente "considera que as manifestações pacíficas são legítimas e são próprias da democracia e que é próprio dos jovens se manifestar".

Foto: Eduardo Biermann

PACIFICA- Uma família de manifestante caminha pela Avenida Paulista na noite de segunda, 17

Os protestos ganharam força e se disseminaram principalmente depois da quinta-feira passada, quando a manifestação em São Paulo tornou-se violenta e houve denúncias de abusos que teriam sido cometidos pela Polícia Militar.

Nesta segunda-feira, a concentração dos manifestantes na capital paulista ocorreu no Largo da Batata, zona oeste do município. O contingente, estimado pela Polícia Militar em 65 mil pessoas, se dividiu tomando as direções da Avenida Paulista e da Marginal Pinheiros. Por volta das 22h, um grupo chegou ao Palácio do Governo, no bairro do Morumbi.

"Estamos aqui por causa da insatisfação com a corrupção e o mau uso do dinheiro público. Isso é uma revolta que devia ter acontecido há muito tempo", disse um manifestante que se identificou apenas como Gustavo, de 34 anos, que estava enrolado em uma bandeira do Brasil.

Foto: Eduardo Biermann/Veja

SEM TRANSTORNOS - Manifestantes ocupam Marginal Pinheiros, São Paulo, para protestar contra o aumento das passagens do transporte público -

GOTA D'ÁGUA

Segundo declarações de manifestantes, o aumento da passagem foi apenas o episódio que deflagrou a onda de reivindicações.

"Isso é só o começo. Os protestos vão continuar até a Copa e, se não aceitarem nossas demandas, eles vão se intensificar", disse o bancário Rafael, de 23 anos, que também não quis dizer seu sobrenome. "O preço da passagem foi a gota que fez o copo transbordar."

Apesar de taxas de desemprego nas mínimas históricas, o país enfrenta inflação rondando o teto da meta do governo e crescimento econômico tímido. As manifestações ganham corpo durante a realização da Copa das Confederações, teste final antes do Mundial de 2014 no Brasil, e pouco mais de um ano antes das eleições presidenciais.

Embora o clima da manifestação em São Paulo fosse pacífico, havia também aqueles que mostravam contrariedade com o protesto.

"A corrupção no Brasil é uma coisa de todos os dias. Eles vão protestar todos os dias?", indagou à Reuters uma mulher que se identificou como Cristina e que trabalha como caixa de um açougue. "Isso não muda nada. Muitos (dos manifestantes) são estudantes de classe média. Isso não é o povo."

No Rio de Janeiro, alguns manifestantes entraram em conflito com a Polícia Militar em frente à Assembleia --um carro foi incendiado e prédios históricos foram depredados. Segundo a PM, cerca de 100 mil pessoas ocupavam o centro da capital fluminense.

"É triste, lamentável. As pessoas podem se manifestar, mas não têm o direito de destruir o patrimônio público e de agredir profissionais que estão em serviço", afirmou à Reuters, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Em Belo Horizonte, segundo estimativa da Polícia Militar mineira, de 20 mil a 30 mil pessoas se reuniram em protesto perto do Estádio do Mineirão, onde as seleções do Taiti e Nigéria se enfrentaram pela Copa das Confederações.

A manifestação ocorreu mesmo após o Tribunal de Justiça do Estado ter acatado ação cautelar, proposta pelo governo de Antonio Anastasia (PSDB), proibindo protestos que bloqueiem vias públicas, principalmente às do entorno do estádio. Houve confronto entre policiais e manifestantes.

Outros protestos ocorreram em Maceió, Salvador, Porto Alegre, Belém, Vitória e Curitiba.

Foto: Sergio Moraes/Reuters

VANDALISMO - carro incendiado em frente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, região central da cidade-

INSATISFAÇÃO DIFUSA

No fim de semana, manifestantes e policiais se enfrentaram antes das partidas pela Copa das Confederações entre Brasil e Japão, em Brasília, e México e Itália, no Rio de Janeiro. Os manifestantes protestavam contra os elevados gastos públicos nos preparativos para o Mundial

O Brasil não via protestos tão numerosos desde os realizados em 1992, quando a população foi às ruas para pedir o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

Na capital paulista, esta é a quinta manifestação. A pauta de reclamações vem crescendo a cada dia desde a demanda inicial contra o aumento da tarifa do transporte público de 3 reais para 3,20 reais no início do mês.

Os protestos desta segunda-feira em São Paulo ocorriam de forma pacífica, num cenário diferente do visto até então. Depois de críticas a ação da polícia na manifestação de quinta-feira, o governo estadual proibiu o uso pela polícia de balas de borrachas e não enviou a Tropa de Choque para acompanhar o protesto.

Na quinta-feira, quarto dia de manifestação na capital paulista, a Tropa de Choque disparou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, e a cavalaria da Polícia Militar ocupou a Avenida Paulista, via mais importante da cidade.

Foram registrados vários relatos de abusos de policiais, com cerca de 100 feridos, segundo o Movimento Passe Livre (MPL), entre eles jornalistas que cobriam o evento. Cerca de 230 pessoas foram detidas para averiguação, e mais de 10 PMs ficaram feridos.

Embora a alta no preço da passagem tenha sido o estopim das manifestações em todo o país, especialistas ouvidos pela Reuters entendem que o movimento emana uma insatisfação difusa.

A convocação para as manifestações têm sido feitas pelas redes sociais, especialmente pelo Facebook, site no qual mais de 265 mil pessoas afirmaram que estariam presentes no ato mais recente em São Paulo.

O MPL já convocou um novo protesto em São Paulo para terça-feira, desta vez na Praça da Sé.


Reportagem adicional de Asher Levine, Esteban Israel e Tatiana Ramil, em São Paulo, e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro
*Alteramos o títtulo, acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

3 de dez. de 2012

Em risco, a jovem democracia egípcia

EGITO
Em risco, a jovem democracia egípcia
O presidente Mohamed Mursi mergulhou o Egito em uma nova crise na semana passada, quando deu a si mesmo poderes ampliados e colocou suas decisões além do alcance judicial, dizendo que esta era uma medida temporária para acelerar a transição democrática do Egito até que uma nova constituição entre em vigor. Divididos os egípcios voltaram a ocupar a Praça Tahrir usando as mesmas palavras de ordens e a mesma determinação que derrubou o ditador Hosni Mubarak

Charge: Daryl Cagle (USA)

A charge retrata, ironizando, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, como um faraó, referindo-se a exagerada concentração de poderes que ele passou a englobar desde quinta-feira

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, G1, G1, Ultimo Segundo, Exame, The Telegraph, CNN, Al Jazeera

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, pediu neste sábado um referendo sobre uma minuta para uma nova Constituição em 15 de dezembro. O anúncio aconteceu depois que pelo menos 200.000 islamitas se manifestaram a favor do presidente neste sábado, como uma resposta à fúria da oposição, na sexta-feira, rebelada pela decisão do presidente em auto expandir seus poderes, pondo, através de uma chamada 'declaração constitucional', que decretos e leis do presidente não podem ser contestados judicialmente.

Mursi pediu aos cidadãos que olhem 'com objetividade' a minuta constitucional e lhes solicitou que votem de acordo com sua consciência pelo bem do país e para cumprir as aspirações de 'liberdade, democracia, justiça social verdadeira e estabilidade'. Para ele, a nova Carta Magna 'ressalta a soberania do povo, os direitos e a dignidade de todos os egípcios, iguala os direitos de todos os cidadãos sem discriminação por crença ou raça e reduz os poderes do presidente, já que não pode dissolver o Parlamento'.

A Assembleia Constituinte, dominada pelos islamitas, aprovou na sexta-feira o projeto de Carta Magna, apesar do boicote dos grupos laicos que se queixam do predomínio da Irmandade Muçulmana e dos salafistas nesse organismo.

Mesmo com a proibição de contestações às decisões presidenciais, 12 denúncias já foram apresentadas à Justiça. As ações pedem o fim da aplicação do decreto e sua anulação. Os recursos, um deles apresentado pelo presidente do poderoso Clube de Juízes, Ahmed el Zind, afirmam que a medida de Mursi "viola todas as Constituições e as leis".

As ações também indicam que Mursi, como chefe do poder Executivo, não tem direito de emitir 'declarações constitucionais' sem recorrer a um referendo supervisado pelos juízes. Apontam ainda que as decisões do presidente são administrativas e podem ser submetidas a recursos perante os tribunais administrativos.

Milhares de egípcios protestaram contra o presidente Mohamed Mursi nesta sexta-feira mesmo depois que a Assembleia Constituinte, dominada pelos islâmicos, aprovou a minuta de nova Constituição na tentativa de pôr fim a uma crise desencadeada por um decreto do chefe de governo.

"O povo quer derrubar o regime", cantavam os manifestantes na Praça Tahrir, no Cairo, repetindo o que se ouvia no mesmo local há menos de dois anos, quando o ditador Hosni Mubarak foi derrubado. Os manifestantes lotaram a Praça Tahrir e saíram às ruas também em Alexandria e em cidades na região do Canal de Suez e do Delta do Nilo, respondendo ao clamor da oposição por uma grande manifestação.

Os manifestantes afirmam que pressionarão pelo "não" no referendo, que seria anunciado por Mursi, no sábado. "Saia, saia", cantavam alguns, também repetindo palavras usadas contra Mubarak.

Na mesquita do Cairo, alguns opositores cantaram contra o presidente, mas os simpatizantes de Mursi rapidamente os cercaram com gritos de apoio, segundo informações de jornalistas e de uma fonte da segurança. Milhares de simpatizantes de Mursi também foram às ruas em Alexandria.

A ONU também se diz preocupada com o futuro dos egípcios. A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, escreveu uma carta a Mursi para expressar sua preocupação. Ela pediu ao presidente egípcio que "reconsidere a declaração constitucional", anunciada na semana passada.

A comissária ressaltou que o Egito ratificou o Pacto Internacional de 1982 sobre os Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que preveem "o direito de acesso à Justiça e garantias à independência do Poder Judiciário". Para Navi, o decreto de Mursi vai contra esses acordos.

Pillay também disse a Mursi que "a aprovação de uma Constituição, nestas circunstâncias pode provocar ainda mais divisões".

Para minar ainda mais a situação, a Alta Corte Constitucional do Egito iniciou neste domingo uma greve por tempo indeterminado, em protesto contra a pressão de partidários do presidente Mohamed Mursi, que impediu os juízes de examinar a polêmica sobre a composição da comissão Constituinte, dominada por islamitas.

Antes do anúncio, a Alta Corte Constitucional do Egito havia postergado a audiência na qual devia examinar no domingo a legalidade da comissão que redigiu um polêmico projeto de Constituição e a própria Câmara Alta do Parlamento, ambos dominados por islamitas.

Centenas de partidários do presidente Mursi realizavam uma ruidosa manifestação diante das oficinas da Corte, muitos dos quais inclusive passaram a noite no lugar mostrando cartazes de apoio ao líder.

Alguns manifestantes chegaram a impedir a entrada dos juízes no edifício. Um dos acessos ao prédio foi bloqueado, assim como a estrada principal ao longo do rio Nilo.

Para denunciar as "pressões psicológicas ou materiais", a Corte anunciou em um comunicado que decidiu suspender suas audiências, rejeitando o "assassinato psicológico" dos juízes e chamou os eventos deste domingo de "dia negro na história da justiça egípcia".

Serão os primeiros sinais do outono da primavera árabe?

31 de out. de 2012

PT quer refugiar Genoino em vaga de deputado

BRASIL - Mensalão
PT quer refugiar Genoino em vaga de deputado
Para o PT lugar de bandido é na Câmara Federal. A cúpula do Partido dos Trabalhadores sinaliza, que mesmo condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, o mensaleiro José Genoino, tem o apoio do partido para assumir a vaga de deputado Federal (ele é suplente) aberta com a eleição do deputado Carlinhos Almeida (PT-SP) a prefeito de São José dos Campos. Como se vê a ousadia dos PT não tem limites. O povo precisa ir para a rua para impedir essa atrocidade.

Foto: Rodrigo Paiva/Folhapress

CRIME ELEITORAL - José Genoino e seu bando invadiram a sessão eleitoral, onde ele vota. Bateram nas pessoas, inclusive idosos, espancaram jornalistas e destruiram o patrimônio público, tudo isso num local que de votação, onde deve ser assegurada a paz e a tranquilidade para que os eleitores exerçam livremente o seu sagrado direito de votar. Vai ficar por isso mesmo?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog de Josias de Souza

As condenações do mensalão não afetaram a taxa de desfaçatez do PT. Continua nos mesmos 100%. O partido cogita acomodar José Genoino, sentenciado por corrupção ativa e formação de quadrilha, numa cadeira de deputado federal.

Candidato em 2010, Genoino não obteve votos suficientes para se reeleger. Porém, foi à fila como primeiro suplente da coligação petista. Por mal dos pecados, o deputado Carlinhos Almeida (PT-SP) elegeu-se prefeito de São José dos Campos.

Em janeiro, Carlinhos terá de renunciar ao mandato para assumir a prefeitura. É nessa cadeira que o PT deseja alojar o companheiro-condenado. “O Genoino é o suplente e vai assumir. Sem problema nenhum”, disse Rui Falcão, presidente da legenda.

“Genoino precisa recuperar a sua cidadania política”, ecoou Paulo Teixeira (PT-SP), ex-líder da bancada e candidato à vice-presidência da Câmara. Advogado do futuro deputado, o doutor Luiz Fernando Pacheco também não enxerga óbices à posse de Genoino.

Confirmando-se o inacreditável, Genoino engrossará a bancada dos condenados petistas ao lado de João Paulo Cunha (peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro). O passo seguinte será a defesa da tese segundo a qual a decisão do Supremo não implica a cassação automática dos detentores de mandato.

Petista como Genoino e João Paulo, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), já avisou: cabe à Câmara, não ao STF, cassar mandatos. Concluído o processo, um partido político teria de requerer a abertura de processo por quebra de decoro. Caberia à Mesa diretora acatar. Ou não.

Em fase de cálculo das penas, o Supremo só retomará a discussão sobre a ‘dosimetria’ em 7 de novembro. Aguarda-se pelo retorno do relator Joaquim Barbosa, que foi à Alemanha para tratar das dores que lhe torturam a coluna. Fechadas as contas, o acórdão vai à publicação.

Abre-se, então, a fase dos embargos. Só depois do julgamento de todos os recursos é que as sentenças serão executadas. Com otimismo, é coisa para maio de 2013. Com pessimismo, a encrenca vai ao segundo semestre do ano que vem. Tempo suficiente para que Genoino vire deputado e comece a receber os salários e todas as facilidades que o dinheiro público puder prover.

Conforme já noticiado aqui, o estatuto do PT prevê destino diferente para os filiados condenados em última instância: expulsão. Ao flertar com o impensável, o petismo deixa claro o que já era límpido como água de bica: o estatuto é de mentirinha. Os mensaleiros não merecem sanções, mas homenagens.

Para não prejudicar a eleição de Fernando Haddad, o plano de converter a Câmara em refúgio para Genoino era urdido nos subterrâneos. Abertas as urnas, o PT sente-se mais à vontade. Nos próximos dias, a legenda divulgará um manifesto criticando o que chama de politização do julgamento do Supremo.

No último domingo (28), Genoino foi votar protegido por uma milícia de cerca de 40 militantes petistas. Gritavam coisas assim: “Partido, partido. É dos trabalhadores…”, “Genoino, Genoino…”, “o povo na rua, a luta continua”. Os repórteres foram contidos aos socos e safanões.

Convertido em deputado federal, o condenado talvez tenha de utilizar parte da verba de seu gabinete para contratar uma equipe de guarda-costas. Ainda aferrados ao lero-lero de que o mensalão é uma ‘farsa’, os petistas comportam-se como o padre que, de tanto dizer a mesma missa, acaba desconfiando de Deus.
*Acrescentamos subtítulo e legenda a publicação original

18 de ago. de 2012

Condenação das meninas da banda “Pussy Riot” põe em cheque a legitimidade da democracia russa

RÚSSIA - Opinião
Condenação das meninas da banda “Pussy Riot”
põe em cheque a legitimidade da democracia russa
A juíza Marina Syrova sentenciou as três integrantes da banda “Pussy Riot” a dois anos de prisão por "vandalismo" motivado por ódio religioso nesta sexta-feira (17) em Moscou na Rússia. As três foram presas, processadas e declaradas culpadas porque cantaram uma "oração punk" no altar da catedral de Cristo Salvador em fevereiro, pedindo para que a Virgem Maria "livrasse" a Rússia de Vladimir Putin, o então primeiro-ministro e hoje presidente. A decisão desproporcional tem forte conotação autoritária. O julgamento motivou reações internas e externas quanto à legitimidade da democracia na Rússia.

Foto: Associated Press

As acusadas Maria Alyokhina, 24, Yekaterina Samutsevich, 29, e Nadezhda Tolokonnikova, 22, exibem o veredicto de condenação, dentro da cela envidraçada no recinto do julgamento.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Daniel SandfordDa BBC News em Moscou
Fonte: BBC Brasil

Foi um protesto que durou menos de um minuto, um julgamento que durou apenas uma quinzena e uma sentença lida em três horas.

Mas o caso da banda de punk russa Pussy Riot está sendo visto por diplomatas ocidentais e grupos de direitos humanos como o símbolo de muitas coisas equivocadas na Rússia, bem como do perigoso rumo autoritário que o país está tomando desde a volta de Vladimir Putin à Presidência, em maio.

O grupo de três jovens artistas ousou fazer o impensável: em fevereiro, elas fizeram uma performance de protesto contra Putin dentro de um dos locais mais sagrados da principal igreja de Moscou, a Catedral de Cristo Salvador.

As três integrantes da banda foram condenadas, na última sexta-feira, a dois anos de prisão, por vandalismo, em sentença que despertou fortes críticas internacionais por sua dureza.

As artistas - Maria Alyokhina, 24, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Yekaterina Samutsevich, 29 - podem ser jovens, tolas e insensíveis aos sentimentos religiosos dos demais, mas grupos como a Anistia Internacional afirmam que de forma alguma isso justifica que todo o poder do aparato oficial russo seja usado contra elas.

Em vez de receber uma multa por ofender a ordem pública, elas foram detidas ao longo de cinco meses antes do julgamento, no qual foram condenadas por ofensa criminal motivada por ódio religioso. Passarão dois anos detida em uma rígida colônia penal russa.

O presidente russo, Vladimir Putin alvo de protestos em Moscou e no mundo
Estado secular
A banda Pussy Riot vinha protestando conta supostos laços entre Putin e a liderança da Igreja Ortodoxa Russa, considerando essa relação constitucionalmente questionável (a Constituição russa diz que o país é secular e que nenhuma religião pode ser abraçada pelo Estado).

Agora, com a condenação das três, grupos de direitos humanos afirmam que a reação estatal ao protesto das três mostra que elas tinham razão em se queixar.

As autoridades da igreja foram alguns dos maiores entusiastas do julgamento da Pussy Riot. Por alguns momentos, as sessões judiciais pareceram quase uma corte religiosa, com as testemunhas sendo questionadas se eram reais praticantes da fé ortodoxa.

Também foram levantadas questões quanto a se o julgamento foi justo. Os advogados de defesa às vezes pareciam desesperados diante do que chamavam de mostras de parcialidade da juíza Marina Syrova.

Os advogados poucas vezes puderam questionar testemunhas da acusação, e muitas de suas próprias testemunhas foram vetadas.

Como Putin será afetado?
Por tudo isso, diplomatas ocidentais em Moscou afirmam que o caso Pussy Riot resume o atual estado das coisas na Rússia atual. O Estado russo é visto por críticos como um sistema político em que o Kremlin microgerencia muito além do esperado.

A linha entre o Estado e a Igreja é tênue, e, no sistema legal, promotores e juízes parecem não ter qualquer independência.

O governo russo tem sido alvo de fortes críticas internacionais, mas a questão é: o quanto isso afetará Putin?

Em primeiro lugar, muitos russos ficaram realmente chocados com o protesto da Pussy Riot na catedral, e Putin espera conquistar o apoio desse grupo mais conservador.

Segundo, o presidente parece acreditar que a maneira de lidar com a dissidência russa é pressionar os novos opositores, em vez de tratar com eles.

Em terceiro lugar, a condenação internacional pode ajudá-lo a ganhar a confiança de partes da sociedade russa que ainda são profundamente desconfiadas do Ocidente.

*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original
Leia mais no “thepassiranews”:
Banda Pussy Riot, no banco dos réus, por desafiar Vladimir Putin
Autoridade russa chama Madonna de “puta velha” (por apoiar as meninas do “Pussy Riot”)

7 de jul. de 2012

Dilma e os desagradáveis ruídos da democracia

BRASIL
Dilma e os desagradáveis ruídos da democracia
Em dois dias seguidos, em três locais, o primeiro em São Paulo, o segundo no Rio, em dois eventos, a presidenta ao inaugurar obras enfrentou ruidosos manifestantes, grevistas e descontentes. Nos três casos os gritos eram por reclamações do pessoal da saúde e na educação, exatamente os mais frágeis segmentos do Brasil, a quinta maior economia do planeta. Pelo visto, o povo sabe o que quer.

Foto: Jorge Araujo/Folhapress

Protesto em São Paulo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de São Paulo, Blog do Josias de Souza

Durante visita a São Bernardo do Campo (SP) nesta quinta-feira (5), a presidente Dilma Rousseff enfrentou um protesto de estudantes e servidores de universidades federais em greve.

Dilma ouviu aos brados queixas de cerca de 30 representantes da Universidade Federal do ABC e da Unifesp.

Eles reclamavam da falta de reajuste para servidores e de problemas de infraestrutura nos campi na Região Metropolitana de São Paulo.

Os estudantes gritavam: "Dilma a culpa é sua, a minha aula é na rua".

Os manifestantes protestaram durante a cerimônia de inauguração de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

"O pessoal pode se acalmar que as coisas irão para os seus lugares na hora certa. Pode ter certeza disso", disse Dilma, ao final de seu discurso.

Também participara do ato o ex-presidente Lula; o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho; e o ministro Alexandre Padilha (Saúde).

Foto: Stuckert Filho/Presidência da República

Protestos no Rio

Nesta sexta (6), Dilma Rousseff foi ao Rio entregar 460 apartamentos. Enfrentou um protesto de estudantes. A rapaziada gritava pela destinação de mais verbas para a educação.

O alarido abafou o discurso da presidente. Ela elevou o volume da voz e seguiu em frente. Sendo Josias de Souza, no seu Blog, “Numa vã tentativa de salvar a cena, o prefeito carioca Eduardo Paes, que foi ao ato junto com o governador Sérgio Cabral para tirar uma casquinha da popularidade da visitante, puxou um coro: ‘Olê, olê, olê, olá’, Dilma, Dilma!’. Mas não houve adesão dos presentes a intervenção do prefeito, e a coisa ficou mais vexatória ainda.

”A ação dos seguranças revelou-se, por assim dizer, mais produtiva. Sem muita conversa, rasgaram cartazes. Tomaram os celulares dos que filmavam o rififi. Lançaram os aparelhos no solo. De resto, impediram que os repórteres levassem sua curiosidade para perto do tumulto”.

No segundo estágio de sua agenda, Dilma deparou-se com outro protesto. Foi inaugurar uma ala nova da emergência do Hospital Miguel Couto. Aguardavam-na professores e servidores de hospitais federais em greve. Recepcionaram-na com um coro diferente daquela que Paes entorara na cerimônia dos apartamentos.

“Saúde na rua, Dilma a culpa é sua!”, gritava a turba. “A greve é todo dia, porque a Dilma não negocia!”, variavam os manifestantes. O carro que levava Dilma rumou para uma entrada lateral do Miguel Couto.

Acompanhada do prefeito e do ministro-senador Marcelo Crivela (Pesca), a presidente tomou o elevador. Não subiu. Dilma viu-se compelida a enfrentar as escadas. Visivelmente irritada, dessa vez, não discursou. Limitou-se a dizer meia dúzia de palavras ao séquito de repórteres.

Um deles perguntou à visitante se notara os protestos do lado de fora do hospital. E Dilma:

“Vi, meu querido. Vivemos numa democracia, vocês querem o quê?”.

Dilma precisa aguçar os ouvidos e arregaçar as mangas para atender aos apelos da barulhenta e sonora democracia, que pelo visto, teima em perseguí-la, como a voz da consciência, pelo Brasil afora.


23 de mai. de 2012

EGITO: Hoje é dia de eleições livres

EGITO
Hoje é dia de eleições livres
Os egípcios estão votando livremente pela primeira vez na história do país, deixando para trás os 30 anos de governo de Mubarak, e suas eleições de mentirinha, e os não menos antidemocráticos tempos dos faraós, sultões, reis e regimes militares. Sem favoristos visíveis, é provável que haja um segundo turno de votação agendado para 16 e 17 de junho

Foto: Moises Saman/The New York Times

Mulheres fazem fila diante de uma seção eleitoral, no Cairo, para votar nas primeiras eleições presidenciais livres na história do Egito

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, Reuters, BBC Brasil, G1

Os egípcios vão às urnas na quarta-feira na primeira eleição presidencial livre no país 15 meses depois de derrubar Hosni Mubarak no levante da Primavera árabe, opondo políticos islâmicos a ex-integrantes do deposto regime de Hosni Mubarak.

Cinquenta milhões de pessoas têm direito a voto, e as filas estão se formando em seções eleitorais. A votação dura dois dias e, caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos, haverá segundo turno, em junho.

A junta militar que assumiu o poder presidencial em fevereiro de 2011 prometeu uma votação justa e um regime civil.

Até 2005, as eleições no Egito antes eram indiretas, com o presidente escolhido pelo Parlamento e ratificado por consulta popular, tida como claramente fraudulenta pela oposição e por observadores internacionais. A partir daquele ano, houve eleição direta, mas a Irmandade Muçulmana, principal partido de oposição, era considerada ilegal. O pleito de 2012 seria o primeiro livre, não manipulado, da história do país. Eleições

Foto: Reuters

Um artista pinta um mural representando o candidato presidencial Amr Moussa e uma combinação das faces do ex-presidente Hosni Mubarak e Marechal de Campo Mohamed Hussein Tantawi, no Cairo

A campanha eleitoral oficial, que durou três semanas, terminou no domingo (20). Durante esse período, houve o primeiro debate televisionado na história do país, envolvendo dois candidatos. Cartazes e faixas dominam as ruas.

A eleição opõe islamitas a secularistas, e revolucionários a ex-ministros de Mubarak. Os principais candidatos são os seguintes:

Ahmed Shafiq, antigo comandante da força aérea e primeiro-ministro durante os protestos de fevereiro de 2011

Amr Moussa, que foi ministro das Relações Exteriores e chefe da Liga Árabe

Mohammed Mursi, que lidera a Irmandade Muçulmana e o Partido da Justiça e Liberdade

Abdul Moneim Aboul Fotouh, candidato independente islâmico
Até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro que poderes o presidente terá, o que provoca temores de atrito com os militares.

A votação começou pontualmente às 8h, hora local (06:00 GMT), com filas crescentes em muitos dos locais de votação no Cairo.

"É um grande dia", disse uma mulher à BBC. "Este é um grande momento para os egípcios mudarem (o país)."

Foto: Khaled Desouki/AFP

Mulher mergulha o dedo em tinteiro para votar no Cairo

Outra mulher, ao ser questionada sobre por quanto tempo estava esperando para votar, respondeu com uma risada: "30 anos".

Mohamed Mursi era originalmente o candidato reserva da Irmandade Muçulmana, mas acabou virando o titular após a primeira opção, Khairat al-Shater, ser desclassificado pela Comissão Presidencial Superior Eleitoral (HPEC) por ser réu de um processo ainda em curso.

A Irmandade Muçulmana, no entanto, comparou Mursi, engenheiro educado nos EUA e parlamentar, a um jogador de futebol reserva subestimado.

"Em qualquer jogo há um reserva que entra faltando dez minutos para o fim da partida, faz o gol e garante a vitória. Mursi é este jogador", disse o clérigo Mohamed Abdel Maqsoud a uma multidão de apoiadores da Irmandade no domingo.

Um segundo turno de votação está agendado para 16 e 17 de junho, se não houver vencedor.

O editor da BBC para Oriente Médio Jeremy Bowen diz que há também um conflito potencial com os militares, que parecem determinados a não abrir mão de seu poder no país.

O eleitorado não sabe que poderes o novo presidente terá para fazer seu trabalho, uma vez que tais responsabilidades não estão claras sem uma nova Constituição, destaca o correspondente.

Foto: Ahmed Ali/Associated Press

Egípcios fazem fila para votar em um colégio eleitoral perto de Giza.

A eleição está sendo saudada como um marco para os egípcios, que têm a oportunidade de escolher o seu líder pela primeira vez na história do país, de 5.000 anos.

O Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF), preocupado com a agitação pós-eleitoral, tem procurado tranquilizar os egípcios afirmando que a democracia veio para ficar.

"É importante que todos aceitem o resultado das urnas, que refletem a livre escolha do povo egípcio, tendo em conta que o processo democrático do Egito está dando seu primeiro passo e todos nós devemos contribuir para seu sucesso", disse o Conselho em um comunicado emitido na segunda-feira.

O primeiro-ministro, Kamal al-Ganzuri, disse na terça-feira esperar que as eleições corram tranquilamente.

Ele pediu que "os candidatos, as forças políticas, e os partidos estimulem seus apoiadores a respeitar a vontade dos outros e aceitar os resultados da eleição".

Os 15 meses seguidos à deposição de Mubarak foram turbulentos, com constantes protestos violentos e conflitos entre muçulmanos e a minoria cristã, que corresponde a 10% da população. Os cristãos temem que ascensão de conservadores islamistas aumente tensões religiosas.

A economia em deterioração também é um desafio para o novo presidente.

O investimento direto estrangeiro caiu de US$ 6,4 bilhões positivos em 2010 para US$ 500 milhões negativos no ano passado.

O turismo, importante gerador de receita para o país, também caiu em um terço.

O novo presidente também terá de reformar a polícia para lidar com a onda de crime que se seguiu à revolta popular.

Pelo menos um terço dos eleitores estavam indecisos sobre os candidatos e a disparidade em pesquisas deixa eleições sem favoritos.

Pela manhã se noticiou que um policial morreu nesta quarta-feira (23) e um civil ficou ferido na perna, vítimas de disparos durante confrontos entre partidários de dois candidatos em frente a um local de votação no Cairo.

Apesar disso, a coalizão "Observadores para a proteção da revolução', composta por várias organizações de direitos humanos, qualificou de "promissor" o começo da votação.

Foto: Pete Muller/Associated Press

Mulher procura o nome dela em lista de votantes em colégio eleitoral na periferia do Cairo


24 de nov. de 2011

EGITO
Os egípcios retornaram a Praça Tahrir
Os protestos no Egito contra o futuro do poder da cúpula militar desde a derrubada, há nove meses, do ditador Hosni Mubarak, ele próprio egresso da Força Aérea, entraram no sexto dia. Houve uma trégua, desde a madrugada de hoje, entre os manifestantes acampados na Praça e as forças de segurança, no intuito de normalizar a situação para a realização das eleições parlamentares na segunda-feira. Os militares foram a televisão pedir desculpas pelos quase 40 mortos e milhares de feridos. A alta comissária para Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, condenou, a atuação das forças de segurança egípcias contra os manifestantes que protestam na Praça Tahrir, e pede investigação independente, dos incidentes. A primavera árabe segue o seu curso.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Os confrontos na Praça Tahrir geram imagens que chocaram novamente o mundo. Dezenas de mortos, milhares de feridos

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Reuters, BBC Brasil, …, Estadão, Portal Terra, Notícias UOL, Paris Match UOL

Uma trégua entre a polícia egípcia e manifestantes durante a madrugada desta quinta-feira conseguiu aplacar a violência que matou 39 pessoas e mais de 2,5 mil feridos, em cinco dias, mas as pessoas que estão protestando na Praça Tahrir, no Cairo, prometeram ficar no local até que o Exército renuncie ao poder.

Em pronunciamento na TV, dois dos generais que comandam o país pediram desculpas à população pelas mortes de civis nos confrontos, ofereceram condolências às famílias dos mortos, e prometeu uma rápida investigação para descobrir quem estava por trás dos incidentes.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

A aparente paz possível em meio ao caos na Praça Tahrir

Manifestantes na Praça Tahrir, porém, disseram que uma trégua havia sido estabelecida à meia-noite. Ao amanhecer, a área estava tranquila pela primeira vez em dias.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Por dentro da batalha, o improviso dos manifestantes, no meio de uma nuvem de gás lacrimogênio

Faltando menos de uma semana para as eleições parlamentares no Egito, marcada para segunda-feira, 28, o clima de revolta contra o governo aumenta em várias cidades, em especial na capital Cairo. Desde sábado, manifestantes pedem a renúncia da junta militar que controla o país e de seu líder, marechal Mohamed Hussein Tantawi.

Desde o último dia 19, quando as forças de segurança tentaram remover dezenas de manifestantes acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo, ativistas e simpatizantes de partidos políticos diversos compareceram em peso para ocupar o local.

Nas ruas, a população continua desconfiada dos militares e já não confia na instituição que, até a revolução que tirou Mubarak do poder, era admirada e respeitada pelos egípcios.

Em cafés e locais de concentração de pessoas para um momento de lazer, os rumores frequentes são de que os militares manterão seu domínio sobre o país, mesmo após a eleição de um novo governo civil.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Uma lata e uma pedra: Capacete e arma improvisados pelo manifestante

O ministro do Interior do Egito, Mansour Al Essawy vem defendendo o adiamento do pleito, devido às condições de segurança do país, mais o Conselho Supremo das Forças Armadas, confirmou a realização das eleições na data marcada.

Em outros bairros do Cairo, como Zamalek, Dokki e Mohandisen, a vida segue normal. Para um desavisado, a impressão é de que as pessoas não se interessam pelo que ocorre na Praça Tahrir, símbolo da revolução que derrubou Mubarak.

Fotos: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match



Segundo a BBC Brasil existe um comércio ambulante, nas proximidades da Praça Tahrir, que vende máscara aos manifestantes, que vão enfrentar as tropas de segurança

Mas nas conversas em cafés e restaurantes, o assunto é o futuro político do país e os confrontos entre jovens e polícia nas imediações da Tahrir.

No editorial de ontem o Estadão comenta:

“De acordo com o combinado entre representantes civis e o Conselho Supremo das Forças Armadas depois da destituição de Mubarak, um governo civil deveria ser empossado em seis meses para conduzir a transição. O ciclo eleitoral a terminar em 10 de janeiro, aberto a tantos quantos quisessem disputar as preferências dos 50 milhões de egípcios aptos a votar, deveria gerar um Legislativo de 498 cadeiras.

A sua função mais importante seria escolher a comissão de 100 membros incumbida de redigir uma nova Constituição. Já sob a égide da Carta democrática, os egípcios voltariam às urnas o quanto antes para eleger o presidente do país. Só que os militares deram o dito pelo não dito. Subordinaram a si o governo provisório. Mantiveram a agenda eleitoral, mas se concederam a prerrogativa de nomear 80 dos 100 constituintes, esvaziando clamorosamente os poderes do Parlamento, e deixaram em aberto à data da eleição presidencial.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Os manifestantes conduzem os feridos para hospitais improvisados nas proximidades da Praça Tahrir

O pior de tudo para as muitas centenas de milhares de jovens que removeram em 18 dias uma ditadura de 30 anos foi à decisão dos militares de se colocar acima das leis. Nem a Constituição nem a legislação que a ela se seguir poderão interferir na esfera militar - incluindo, entre outras coisas, o orçamento das Três Armas, as atividades econômicas sob o seu controle e a política de defesa nacional.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Jovem manifestante preparado para lançar coquetel molotov contra as forças de segurança

As Forças Armadas egípcias estão no poder desde que depuseram o carcomido rei Faruk, em 1952, para livrar a nação da herança do colonialismo britânico. Ao longo desses quase 60 anos, nenhum aspecto da vida nacional do mais populoso país árabe ficou à margem de sua influência. Friamente, faz sentido que desejem preservar a sua hegemonia nas instituições de Estado, com os privilégios e as oportunidades de corrupção a isso associados. Não é tudo, porém.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

A alta comissária para Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu que “as autoridades egípcias encerrem o uso claramente excessivo de força contra os manifestantes na Praça Tahrir e em outros lugares do país, incluindo o aparente uso indevido de gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição".

Tiveram sensibilidade política para não reprimir (salvo numa ocasião) o clamor pelo fim da era Mubarak. Mas nas academias militares - da antiga URSS às dos Estados Unidos e Reino Unido - não lhes ensinaram a conviver com a algaravia inerente à política nas democracias nascentes. Fazendo lembrar o Iraque pós-Saddam, por exemplo, mais de 70 legendas e coligações lançaram milhares de candidatos ao Parlamento do Cairo. A favorita delas assombra a junta militar. Trata-se do Partido Justiça e Liberdade (PJL), codinome eleitoral da Irmandade Muçulmana, banida no antigo regime.

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match

Tentando minimizar os efeitos do gás lacrimogênio.

Como os seus camaradas de décadas atrás na Argélia, a oficialidade secular egípcia tem horror à ideia de ver os fundamentalistas no governo, ainda que se declarem tolerantes e pacíficos. Teme que se repita no país a vitória do partido conservador islâmico Nahda nas recentes eleições tunisinas. Por via das dúvidas, a Irmandade vem agindo como bombeiro no novo ciclo de conflitos de rua, a ponto de um dos dirigentes do PJL, o moderado Mohamed Beltagy, ter sido escorraçado da Praça Tahrir pelos jovens irados - e sem comando - que agora pregam a derrubada do marechal Tantawi.

No cenário político-religioso egípcio, a Irmandade parece uma organização agnóstica perto do Partido Nour, formado pelos zelotes da seita salafista. Para se ter ideia, seus cartazes mostram apenas os candidatos homens. Mas eles não constituem uma ameaça real e presente à democratização egípcia. Os militares, sim.”

Foto: Goran Tomasevic/Reuters/Paris Match


1 de jul. de 2011

Censura no blog dos outros é refresco

Editorial - Denúncia
Censura no blog dos outros é refresco
O Google não nos deixa publicar novas notícias e pôs, nosso blog sob suspeita, com sendo uma publicação de conteúdo “questionável”. Querem deixar transparecer que abandonamos o blog para depois tirá-lo do ar. Na verdade estamos sendo banidos do Google de maneira sorrateira e covarde. O mundo da internet, porém, é maior que o Google, bem maior...

Captura de tela

Se o leitor acessar o Blog na página do Google vai se deparar com esse aviso. Estamos também impedidos de publicar novas notícias.

Postado por Toinho de Passira
Fonte:”thepassiranews” sob censura

De quando em quando a gente vê um blogueiro reclamando e denunciando que está sendo censurado ou perseguido pelo conteúdo do seu blog. Nos aqui do “thepassiranews” sempre que soubemos desses ataques à liberdade de expressão, fomos solidários, participe em divulgar, denunciar e repudiar tais atos.

Demorou mais chegou a nossa vez.

Na verdade é que de uma forma ou de outra, nos últimos cinco meses, nosso blog, “thepassiranews”, não tem conseguido no seu endereço do Google.

Fossemos pretenciosos estaríamos imaginando uma conspiração poderosa e orquestrada para nos impedir de fazer aquilo que fazemos há cerca de dez anos: publicar sob o nosso ponto de vista e do ponto de vista dos mais importantes jornalistas e blogueiros opinativos do país, o noticiário brasileiro e internacional, com pitadas de humor e saudável deboche.

Tudo aconteceu de repente. Certo dia nosso blog amanheceu com um anuncio de que estava desativado que depois foi substituído por esse AVISO que publicanos na ilustração que diz:

Aviso sobre conteúdo

Alguns leitores deste blog entraram em contato com o Google porque acreditam que o conteúdo do blog é questionável. Em geral, o Google não revisa nem endossa o conteúdo deste ou de qualquer outro blog. Para saber mais sobre nossas políticas de conteúdo...

Primeiro lamentamos profundamente, em sendo verdade, que tenhamos perdido a credibilidade de grande quantidade dos nossos leitores, que tiveram o cuidado de protestar junto ao Google, do nosso comportamento questionável. Embora ninguém nos tenha informado do que estamos sendo acusados, nem permitido qualquer possibilidade de defesa.

Tudo permanece muito estranho até por que não publicamos ultimamente nada diferente, do que havíamos postados todos esses anos.
Mesmo achando desagradável e incomodo ter o nosso blog acusado de “questionável” decidimos seguir em frente como se nada tivesse acontecido, esperando continuar servindo os nossos leitores com o noticiário de sempre. Acontece que a coisa não parou por aí: em seguida o Google também tirou do ar a nossa página do PICASA, onde eram arquivadas as fotos que estão publicadas no Blog.

Para nós as imagens são muito importantes, pois sempre mantivemos o estilo revista, onde as notícias eram acompanhadas de fartas ilustrações e fotos. Consideramos até esse como sendo o nosso principal diferencial.

Também ultrapassamos essa barreira indo armazenar nossas fotos noutro lugar, tentando prosseguir. Mas o cerco continuou e agora finalmente estamos impedidos de enviar novos posts e publicar as nossas ideias no nosso antigo blog do endereço http://thepassiranews.blogspot.com/

Querem que pareça que desistimos de continuar blogando sem a pecha de nos estar censurando ou banindo.

Mesmo impedidos em poder direcionar os nossos leitores para outros endereços que passaremos a usar, (pretendemos hospedar nosso blog num portal através de contrato) somos agradecidos ao Google, pelos cinco anos de liberdade (dos dez que estamos ativos). Lamentamos, porém, essa interrupção, essa condenação sem direito de defesa esse gesto tão pouco democrático no ambiente da internet.

Tínhamos, através do Google, bastante visibilidade, orgulhávamo-nos de um acesso médio de três mil pessoas, do recorde de 7 mil acessos em um só dia (16 de julho de 2010) e de ter sido visitado por brasileiros em 182 países diferentes, segundo nos informa o “Flag Counters”.

Estamos aqui no Blog da Embratel, de onde nunca saímos, por precaução convicção de nunca abandonar um amor velho por um novo, aparentemente mais vantajoso. Estávamos certo e esse no momento é o único espaço que temos para nos expressar.

Mesmo que tenhamos que começar do zero, vamos recomeçar. Na verdade já estamos recomeçando. Sabemos que nossos leitores vão nos localizar nesse e nos outros endereços.

Esse tipo de dificuldade, só nos enche de energia e disposição para continuar. Temos cada vez mais a certeza que estamos no caminho certo, e até felizes por constatarmos que estamos causando desconforto, exatamente aqueles que queremos incomodar.


Leitores de todo mundo acessando o “thepassiranews”


31 de mar. de 2010

Fazendo pouco do TSE Lula lança o PAC 2

ELEIÇÕES 2010
Fazendo pouco do TSE Lula lança o PAC 2
Quem não respeita não merece respeito. O presidente não tem vergonha de ser condenado por infringir a lei eleitoral e lançar o PAC 2 no mesmo tom de palanque que o fez réu no Tribunal Superior Eleitoral, na sede do governo, com a ministrada reunida.

Fotomontagem de Toinho de Passira sobre foto de Ricardo Stuckert/PR

A festa de lançando o PAC 2, um palanque dentro da sede do governo, com se não existisse lei eleitoral, como se não estivéssemos numa democracia

Toinho de Passira

Acredito que já contamos essa história por aqui: conta a lenda, que o poderoso coronel Chico Heráclito, prefeito não se sabe quantas repetidas vezes prefeito de Limoeiro, sempre sucedido por correligionários fieis, um dia perdeu a eleição e um incômodo opositor assumiu a prefeitura.

Trazendo o desenvolvimento para Limoeiro, o novo prefeito criou uma rua contramão, do lado da Igreja matriz, sinalizada e devidamente policiada por um único guarda de trânsito, que tinha como única missão aplicar multa nos desatentos que transitasse nos raros veículos de meados do século passado, pela tal rua progressista.

O motorista do coronel Chico Heráclito, com ele a bordo, por desinformação e deboche "emburacou" na rua, quase atropelando o guarda, que deu todos os apitos que sabia para demonstrar a própria autoridade e fazer parar o carro do Coronel.

Explicado o que ocorria o respeitoso Coronel Heráclito, recebeu a multa e pagou com uma cédula grande, que representava mais de uma dezena de vezes o valor da infração. O guarda disse que não tinha troco e criou-se um impasse.

coronel disse que não se preocupasse e considerasse o troco como o adiantamento das próximas vezes que fosse passar por ali. Quando o dinheiro tivesse esgotado, só era avisar que ele daria outra cédula. Pois considerava a multa barata demais para desviar o caminho para a igreja.

É dessa mesma maneira debochada e desrespeitosa que está agindo o presidente Lula, pouco se preocupando que o TSE aplique multas de R$ 5 de 10 mil, por estar fazendo propaganda antecipada da sua candidata. Considera as multas do Tribunal Superior Eleitoral, um dinheirinho, de pouca monta, uma merreca, diante da grana braba que ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), mandou para os paraísos fiscais, exatamente para cobrir esses gastos.

Não se envergonha de como chefe da nação, desrespeitar seguidamente a lei, pois, acha-se superior e sobre ela. Talvez até estranhe o atrevimento daqueles que lhe ousam punir.

Inveja nesta hora, a democracia do seu aliado Hugo Chávez que manda prender os oposicionistas e os juízes que lhe desagradam, ou melhor, ainda, a democracia iraniana de Almanidejad que os condena à morte.


9 de jan. de 2010

CONSPIRAÇÃO GUERRILHEIRA - O decreto do fim do mundo

DEMOCRACIA AMEAÇADA
O decreto do fim do mundo
Por que exatamente no ano em que ocorreram as eleições para presidente da república, monta-se um clima artificial de instabilidade política no país. O núcleo guerrilheiro e terrorista do governo Lula, usa o pretexto da criação de uma política de direitos humanos, para tentar dar um golpe de estado por decreto, minando ao mesmo tempo e de uma só vez, a sustentação do estado democrático de direito em diversas fontes.

Agência Brasil

CONSPIRAÇÃO - Os principais responsáveis: Lula, Dilma, Vanucchi e Tarso Genro

Fontes: O Globo, Jornal Nacional, Blog Democratas

Alertados dos danos do tal decreto, denunciado no, no dia 31 de dezembro, na nota postada no Blog Democratas e mais tarde num texto de César Maia, que denunciava ter Dilma estuprado a lei de Anisti, fomos de encontro ao decreto publicado no Diário Oficial da União, onde constava o texto aprovado pelo presidente Lula do “Programa Nacional de Direitos Humanos” e ficamos preocupados com a gravidade da situação, que podia ser gerada pela publicação, até então tratada como uma crise militar.

Postamos nossas conclusões preliminares num texto onde entre outras coisas dizíamos, a respeito do tal decreto, que lendo nas entrelinhas, via-se que o projeto de Paulo Vanucchi e Dilma Rousseff era muito mais danoso que aparentava, e que foi concebido conspiratoriamente, nos subterrâneos da desfaçatez, por não respeitar os acordos com os comandos militares.

Ressaltamos o fato dele ter sido publicado sorrateiramente no fim do anos, para dificultar reações, no instante do recesso parlamentar e judiciário, quando todo mundo está focado nas festas natalinas e concluímos que a dupla havia inventado a “guerrilha burocrática” e que a crise que poderia se estabelecer seria não uma crise militar mas uma crise institucional.

Recebemos emails, não em forma de comentários, como é normal num blog, senão teríamos publicado, onde nos taxavam de direitista, torturador e até de blogueiro terrorista de direita, que atacamos o projeto pois tínhamos medo da implantação dos direitos humanos no país.

Nos três dias seguintes, muita gente, inclusive o irretocável Reinaldo Azevedo, comprovou que meu pânico inicial, tinha sido fruto de uma leitura apressada, de fim de ano, o problema era bem maior e bem mais grave do que havíamos descortinado.

Vale muito a pena, ler os textos do Reinaldo de Azevedo se quiser se aprofundar no tema:

01. O suposto decreto ...prega um golpe na justiça e extingue a propriedade privada...
02. Decreto... tenta censurar imprensa e movimentos sociais substituindo o congresso
03. Não se mata a democracia em um dia: o PT sabe que se trata de um processo lento

A questão é muito séria, pois demonstra exatamente a verdadeira índole doentia e deletéria do pessoal que quer continuar no governo brasileiro, dos petistas aboletados no poder há mais de sete anos, e que querem eleger, a todo custo, Dilma Rousseff, presidente do Brasil.

Ontem, numa matéria esclarecedora, o jornalista José Casado denuncia o tamanho da falcatrua que representa o tal decreto, que resolvemos transcrever, em parte.

Detalhe da pagina do "O Globo"

“Sob o pretexto da criação de um programa governamental dos direitos humanos, Lula alinhou uma miríade de promessas para este ano eleitoral: da regulação de hortas comunitárias à revisão na Lei de Anistia; da taxação de grandes fortunas às mudanças nas regras dos planos de saúde; da legalização do casamento homossexual à fiscalização de pesquisas de biotecnologia e nanotecnologia.

O decreto estabelece para os próximos 11 meses a elaboração de pelo menos 27 novas leis. E cria mais de dez mil novas instâncias burocráticas no setor público (entre ouvidorias, observatórios, órgãos “especializados e regionalizados do sistema de justiça, de segurança e de defensoria pública”, “centros de formação”, bancos de dados, comitês e conselhos federais, estaduais e municipais). Em paralelo, programa para este ano eleitoral duas dezenas de campanhas publicitárias nacionais (entre elas, uma sobre “informação às crianças e adolescentes sobre seus direitos” e outra sobre “direito ao voto e participação política de homens e mulheres”).

O plano foi coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com aval da Casa Civil, e recebeu contribuições de 17 ministérios. Na essência, tem propostas semelhantes às “diretrizes” sancionadas pelo Partido dos Trabalhadores para o programa de governo do então candidato Lula, no início da campanha eleitoral de 2002.

Seis meses depois, o candidato revogou-as com uma informal “Carta aos Brasileiros”, na qual se comprometia, principalmente, a manter o status quo na economia.

Agora, pela primeira vez em três décadas, Lula não será candidato.

Na reta final do seu mandato, o presidente assinou um decreto determinando o engajamento do governo em iniciativas para dar à Presidência da República meios de exercer o poder à margem do Congresso, via “plebiscitos, referendos, leis de iniciativa popular e de veto popular”.

O decreto tem um pouco de tudo e até mesmo propostas de senso comum, como a edição de legislação reprimindo castigos físicos em crianças. Como plano governamental tem, também, todos os ingredientes necessários para apimentar a campanha presidencial.

Quem adotá-lo poderá subir no palanque eleitoral dizendo-se a favor da taxação das grandes fortunas; da revisão da Lei da Anistia; da flexibilização das regras para reintegração de posse de propriedades invadidas; de mudanças no regime de concessão e outorga de licenças para rádios e televisões; da fiscalização de “projetos implementados pelas empresas transnacionais”, e, até da “fiscalização” dos impactos da biotecnologia e da nanotecnologia na vida cotidiana.

Caso seja adotado por um candidato governista, este poderia ter alguma dificuldade em explicar porque nos últimos 84 meses nada disso foi posto em prática. Mas algumas das propostas de ação contidas nesse decreto presidencial podem até acabar emulando uma boa agenda de debate eleitoral.

É o caso da revisão das regras para planos de saúde, da descriminalização do aborto e do direito ao casamento gay, entre outros.

A abrangência do programa de direitos humanos sancionado pelo presidente contrasta com o modesto desempenho dos projetos da área executados pela Secretaria de Direitos Humanos. Em 2009, por exemplo, a secretaria mostrou-se mais ativa em propaganda do que em ações de proteção aos idosos.

De acordo com dados do sistema de contas governamentais, gastou R$ 8,9 milhões em publicidade, ou seja, dez vezes mais do que no Programa Nacional de Acessibilidade, voltado aos idosos e pessoas com deficiência física.

As 73 páginas do decreto, disponível na página da Presidência da República na internet, requerem de qualquer leitor um pouco mais do que o exercício da paciência: o texto árido corre entre autoelogios e construções extremamente tortuosas, como “a valorização da pessoa humana como sujeito central do processo de desenvolvimento, enfrentando o atual quadro de injustiça ambiental”.

Mas sempre “orientado pela transversalidade” — escreveram os autores—, com foco na “intersetorialidade, ação comunitária, intergeracionalidade e diversidade.”

Em resumo eles usam temas como o casamento gay, o movimento dos sem terra e dos sem tetos, a taxação das grandes fortunas, que são de apoio de setores significativos da sociedade, para impor o sonho guerrilheiro de governar o país sem legislativo, sem judiciário e sem imprensa livres e sem oposição debaixo de uma ditadura totalitária, como nunca se viu antes no país, nem se verá, esperamos.

Veja a matéria do Jornal Nacional



7 de abr. de 2009

Democracia no fundo do poço

Democracia no fundo do poço

Foto:Agência Brasil

Lula: mesmo DNA dos companheiros sul americanos

Roberto Mohamed
Fonte: Monitor Mercantil

Nossa classe política chegou realmente ao fundo do poço. Nem o Congresso, nem as assembléias legislativas ou as câmaras municipais têm o menor respeito por parte do cidadão, que não enxerga mais qualquer atitude de seus representantes em favor do bem comum. Todas as ações parlamentares em qualquer instância de poder visam unicamente a favorecer interesses pessoais ou corporativos e, logicamente, aqueles de quem os financiou. Os últimos escândalos no Congresso Nacional apenas coroam um processo de deterioração da imagem dos partidos e seus representantes que funciona perigosamente ante o eleitorado.

Cresce o sentimento de que o Parlamento serve apenas para favorecer corruptos ou abrigar oportunistas, e isso é um erro que pode levar a um novo regime de força. Não se pode fechar os olhos diante de fatos que ocorreram em nossos vizinhos. Na Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai, sucessivos governos desastrosos amparados por uma classe política desmoralizada acabaram jogando esses países nas mãos de ditadores populistas, conduzidos pelos votos dos insatisfeitos. Qualquer coisa é melhor do que o que tinham no governo. E governos eleitos por insatisfação ou revolta se tornam ditaduras da maioria, calcados no populismo e na demagogia.

O Brasil tem instituições políticas e econômicas que jamais existiram em nossos vizinhos, exceto a Argentina, e isso nos dá condições políticas diversas desses países, mas não podemos deixar de reconhecer que Lula tem traços de Hugo Chávez e Evo Morales em seu DNA político. Essa estória de "nunca na história desse país" tem o mesmo ranço messiânico dos líderes populistas sulamericanos. A popularidade de Lula está amparada em discursos demagógicos, investimentos milionários em propaganda e programas assistencialistas eleitoreiros. Isso não lembra nada? O perigo chega quando a população começa a enxergar nos políticos a causa de todos os males do país e a imaginar que o governo poderia fazer mais se não tivesse que negociar com os oportunistas e corruptos.

Isso decorre da ilusão de que o Poder Executivo tem gente com vontade de trabalhar e os poderes Legislativo e Judiciário impedem isso. A patuléia parece desconhecer que a corrupção e oportunismo contamina os três poderes igualmente e, no caso do Executivo, de forma mais volumosa, afinal a chave do cofre está nas mãos dos membros desse poder.

Mas o imaginário popular, principalmente nos extratos mais humildes, se baseia naquilo que parece e não naquilo que é. Se alimentam da ilusão e da mentira, da imagem bem trabalhada, do falso sorriso e do discurso de improviso ensaiado. E Lula vai seguindo falando o que quer, o Congresso segue cobrando o que quer e o Judiciário finge que não compactua com isso.

Onde isso vai dar? Quem sabe em Caracas, Quito ou La Paz.


Roberto Mohamed é articulista do Monitor Mercantil
Originalmente a matéria tinha o título “Fundo do Poço”

16 de fev. de 2009

CHÁVEZ FOREVER

CHÁVEZ FOREVER
Fica cada vez mais dificil disfarçar a ditadura venezuelana em Democracia

Foto: Fernando Llano/AP

”Longa vida à revolução", gritou Chávez, na varanda do Palácio de Miraflores, diante de milhares de venezuelanos, e complementou: "Este soldado es ya precandidato para el 2013!" - Começando desde já a nova campanha

Fontes: Veja, El Universal, Folha de São Paulo, El Nacional

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, venceu o referendo de domingo que permitirá a reeleição ilimitada de ocupantes de cargos majoritários e ganhou suporte para suas políticas socialistas e contrárias aos Estados Unidos. Pela primeira vez, na historia, pelo menos de forma tão clara e evidente, alguém consegue através do voto se eleger ditador.

Chávez já está no poder há 10 anos e o referendo ajuda a abrir caminho para que ele cumpra sua meta de governar por décadas, embora a crise econômica global vá limitar sua habilidade de gastar o dinheiro vindo do petróleo no processo de nacionalização de empresas e ampliação de sua influência fora da Venezuela.

Foto:Reuters

A juventude estudantil oposicionista chora a derrota, comprovando que não vai ser assim tão fácil o futuro de Chavez.

Com a modificação de cinco artigos da Constituição de 1999 aprovada, ficam eliminados os limites de mandatos existentes para o presidente e todos os cargos majoritários. Na Presidência desde fevereiro de 1999, Chávez já é o mandatário há mais tempo no poder na América Latina.

O seu atual mandato de seis anos só termina no início de 2013, quando terá completado 14 anos à frente da Venezuela. Atualmente, a Carta Magna limita a no máximo dois mandatos presidenciais consecutivos, o que significa que Chávez deve abandonaria o poder ao fim de 2012.

Entre as principais preocupações do presidente estão os efeitos da crise econômica na Venezuela. O indicador mais importante para a economia venezuelana é o preço do barril de petróleo, que já caiu mais de US$ 100 desde o recorde alcançado em julho de 2008.

Chávez tem maioria de juízes entronados por ele nos tribunais superiores, maioria esmagadora no Poder Legislativo e usa sem limites a maquina estatal para se auto-promover, coisa de deixar até Lula e Dilma corados.


O presidente venezuelano tem um jeito de governar personalissimo, Hugo Chávez é a Venezuela, os opositores estão traindo a pátria quando discordam dele.

Foto: Reuters

Depois da Bolívia e do Equador, a Venezuela entra no time das ditaduras democráticas da America latina, constituições são modificadas, para que presidentes se perpetuem no poder.

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