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3 de mar. de 2010

BRASIL – ESTADO UNIDOS
Amorim esnoba Hillary Clinton defendendo Ahmadinejad
O governo Lula prefere se voltar contra os Estados Unidos, o maior investidor estrangeiro no Brasil, com um intercambio comercial de US$53,05 bilhões, para defender o Irã, de pifio comércio bilateral, priorizando a agenda política, mais uma vez preferindo se aliar aos vilões, como faz com Chávez, Morales, Castro ou Ahmadinejad, levando o país a ser cúmplíce de ditadores e extremistas repudiados pelas democracias mais importantes do planeta

Foto: Wilson Dias/ABr

Amorim: o chanceler de botequim e a secretária americana Hillary Clinton

Fontes: Agência Brasil, Estadão, O Globo, Veja Abril

Hoje fez falta, ao nosso chanceler Celso Amorim, aquele curso de doutor em Ciência Política, na London School of Economics (LSE), que ele colocou como tendo freqüentado, no seu famoso falso currículo oficial.

Sua atuação na entrevista coletiva ao lado da Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, foi vexatória. Apropriou-se de velhas e gastas expressões usada pela esquerda festiva dos anos setenta para dizer que o Brasil não concorda com a política americana em relação ao Irã.

Coisas como o Brasil “não vai se curvar” às pressões dos Estados Unidos e nem vai se deixar levar. “Nós temos de pensar com a nossa cabeça”. Faltou apenas um “abaixo o FMI”, ou um “Fora Yankees!” para se transformar numa daqueles eventos onde os nacionalistas daqueles tempos, pensando serem comunistas embriagavam-se falando que iam salvar o mundo.

A insistente repetição que agíamos com independência, demonstrava um ato falho, de quem no fundo tem consciência que é bem assim.

Sabe aquelas autoridades que perguntam: “Sabem com quem está falando?”

Quando o próprio personagem precisa externar que se acha sábio, poderoso ou independente, raramente o é.

Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte”, disse o chanceler.

Todo mundo tem visto que o Irã não está interessado em negociar.

Não é só o governo americano que pensa em impor sanções ao Irã para conseguir fazê-lo negociar com disposição de cumprir os acordos.

Pelo contrário, os governos europeus, da França, da Inglaterra e da Alemanha, estão pressionando os americanos, achando que a demora pode representar uma tardia solução para o problema.

Foto: Wilson Dias/ABr

Não foi surpresa para a americana a posição do governo Lula, mas talvez não esperasse o tom grosseiro, inoportuno e anti-americanista de Amorim, uma bobagem bem pouco diplomática

A matéria da Agência Brasil, sob a entrevista, disse que a sem modificar sua expressão facial, a secretária americana, Hillary Clinton, após ouvir o idiota do Amorim, acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

“O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões”, afirmou a secretária. “O presidente Barack Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.”

Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico.

“Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil”, disse ela.

Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição.

“Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar”, disse.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula e Hillary, um encontro a tarde, apenas protocolar: antes, pela manhã, já havia dito que não arredava pé em apoiar o Irã.

Até Lula foi mais diplomático que Celso Amorim falando logo cedo antes da entrevista da americana:

"Não é prudente encostar o Irã na parede. É preciso estabelecer negociações com aquele país. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: usar energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar", disse Lula.

A fala de Lula seguindo texto de Franklin Martins é desonesta, senão ingênuo, pois só os cegos e os aliados acreditam na boa vontade do governo iraniano.

Se eles quisessem apenas construir usinas nucleares para geração de energia, não precisavam construir instalações subterrâneas e se negar a deixar que Agência Internacional de Energia Atômica examinasse o projeto.

Como no caso do dissidente cubano, Lula está sendo cúmplice da bomba atômica de Ahmadinejad, do Irã.


5 de dez. de 2009

POLÍTICA EXTERNA: Governo Lula vai abrir as pernas em Honduras

POLÍTICA EXTERNA
Governo Lula vai abrir as pernas em Honduras
Lula mandou Dilma dizer que as eleições vão ser “consideradas”, dando inicio ao afrouxamento na política contra os hondurenhos e o Marco Top Top Garcia, saiu correndo atrás, para se alinhar com a nova corrente, começando por tentar explicar como o Brasil vai continuar dizendo que as eleições hondurenhas foram ilegais, mas vai aceitar o resultado

Fotomontagem Toinho de Passira

CADA UM TEM O ÍDOLO QUE MERECE: Marco Aurélio Garcia, o Top Top, esforça-se cada vez mais para ser uma Dilma Rousseff

Fontes: Agência Lusa, O Globo, Agência Brasil, O Globo

O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, desde segunda-feira, deixou o Governo brasileiro, no que se refere a política externa com Honduras, numa situação vexatória, ao pedir que as nações sejam coerentes e reconheçam as eleições do último domingo em Honduras:

"Não reconhecer o processo eleitoral e, no futuro, não reconhecer o governo é fazer muito mal ao povo hondurenho, que não merece isso", disse o dirigente costarriquenho na cúpula de chefes de Estado e de governo ibero-americanos, no Estoril, Portugal.

Em coletiva de imprensa, Arias defendeu que no passado o mundo já reconheceu eleições convocadas até por ditaduras.

"Na América Latina as eleições não são perfeitas. Sempre tivemos ditaduras e sempre foram essas ditaduras que organizaram as eleições como transição para a democracia", afirmou.

No Brasil, Tancredo Neves e José Sarney foram eleitos pelo colégio eleitoral, em eleições indiretas, convocada pela ditadura, e foi assim que o país, nas eleições seguintes, pode fazer eleições diretas.

Se bem que coerentemente, o Partido dos Trabalhadores não votou no Colégio Eleitoral, não apoiou Tancredo, quase dando a chance para Paulo Maluf ser presidente do Brasil, é que está registrado na história.

Óscar Arias continuou:

"Estou a pensar no povo de Honduras e isso é o que mais me anima e incentiva ao advogar pelo reconhecimento das eleições. O povo de Honduras não merece um novo furacão Mitch", disse ainda, fazendo referência ao fenômeno que, em novembro de 1998, devastou a região e deixou 20 mil mortos em vários países.

Arias falou sobre os processos eleitorais no Afeganistão e no Irã, que não foram considerados livres, apesar de os governos eleitos serem reconhecidos.

"O pior seria atuar com moral dupla", ressaltou, mas não quis responder a questões dos jornalistas sobre se fazia referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém relações com o Irã, mas já afirmou que não vai reconhecer as eleições hondurenhas.

"Não quero criar polêmica com ninguém", disse.

Depois disso Marco Aurélio Garcia, o TopTop, tem se revezado consigo mesmo em dá opiniões contraditórias sobre a posição brasileira em Honduras. No começo da semana disse que o governo americano ia ficar isolado apoiando a eleição e o resultado e com veemência disse que o Brasil não ia reconhecer as eleições nem dialogaria com o presidente eleito Porfirio “Pepe” Lobo.

Desde quinta feira adotou um discurso mais ameno sinalizando que apesar de continuar afirmando que a eleições foram ilegítimas, poderia se reconhecida sob algumas condições.

- “Consideramos que esta eleição é ilegítima. Mas se evidentemente tivesse tido uma fortíssima participação popular, não poderíamos ficar indiferentes a este dado. Uma coisa é repudiarmos a eleição como procedimento. Outra é considerarmos como um fato político. Para quem faz política, como fazemos, são elementos que devem ser considerados - disse.

Os jornalistas questionaram se não parecia um absurdo considerar algo ilegítimo e aceitá-lo em seguida.

Garcia não admitiu, mas, entre suas primeiras falas no começo da semana, e as da quinta feira, aconteceram dois fatos significativos:

Primeiro a previsão de Marcos Aurélio de que os Estados Unidos ficariam isolados, não aconteceu, pelo contrário, o Brasil e seu vizinhos liderados por Hugo Chávez, e que estão cada vez mais sozinhos em tentar dá um nó insolúvel para a crise hondurenha. Cada dia mais países sinalizam ou já apóiam totalmente a tese americana.

Depois, apesar de Lula continuar afirmando que não vai reconhecer o pleito, a candidata mãe, Dilma Rousseff deu os primeiros sinais de que o Brasil está abrindo as pernas. O sargentão Dilma, na Alemanha, entre uma fala e outra de Garcia, disse que o governo brasileiro terá que considerar as eleições hondurenhas nas discussões sobre a crise política no país:

- “Houve uma eleição. Há uma nova situação. Esse processo vai ser considerado. Não podemos desconsiderar o golpe, mas também não podemos desconsiderar as eleições” - disse Dilma.

Marco Aurélio Garcia, o TopTop, teve que correr atrás do prejuízo, pois não quer aparecer publicamente discordando de Dilma, já que desde outubro do ano passado, autonomeou-se coordenador da campanha da Ministra rumo ao planalto.

Assim a política externa brasileira, demonstra continuamente estar sem rumo e sem coordenação, guiada por amadores, e por conveniências momentâneas. Isso vai custar muito caro, no futuro imediato, do Brasil e dos brasileiros.


26 de set. de 2009

Zelaya, o presidente muamba

Zelaya, o presidente muamba
Ao receptar o presidente-muamba, Lula conseguiu melar a disputa eleitoral, impedindo qualquer possibilidade de saída democrática para a bananada hondurenha"

Foto: Getty Images

Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa

Diogo Mainardi
Fonte: Veja

Celso Amorim é nosso homem em Tegucigalpa. Como o protagonista do romance de espionagem de Graham Greene (na tela, Alec Guinness), ele copiou o desenho de um aspirador de pó e passou a negociá-lo como se se tratasse de algo maior: um plano militar secreto.

O aspirador de pó hondurenho é Manuel Zelaya. Ele representa o eletrodoméstico mais antigo, mais prosaico e mais rumoroso da América Latina: o caudilho bananeiro que dá um golpe para se perpetuar no poder. Mas Celso Amorim, contando com a cumplicidade e a obtusidade de seus chefes, montou uma farsa internacional e contrabandeou o aspirador de pó hondurenho como se ele fosse um defensor da democracia, derrubado ilegitimamente por uma ditadura militar.

Hugo Chávez comandou o retorno de Manuel Zelaya a Honduras. Um jatinho conduziu-o clandestinamente a El Salvador. Ele cruzou a fronteira hondurenha sem ser identificado e, até chegar a Tegucigalpa, percorreu o país escondido no porta-malas de um carro e a bordo de um trator. Os meios utilizados no transporte de Manuel Zelaya denotam claramente sua natureza fraudulenta: ele é o presidente-muamba. Hugo Chávez sempre apoiou os traficantes de drogas das Farc. Agora ele apoia os traficantes de golpistas da Unasul. Só resta descobrir o papel desempenhado por Celso Amorim e Lula nesse comércio ilícito.

Na última semana, Hugo Chávez comparou Manuel Zelaya a Pancho Villa. Pancho Villa tinha um bigode. Pancho Villa tinha um chapéu. Pancho Villa era um bandido. Se Manuel Zelaya de fato é Pancho Villa, onde está Woodrow Wilson, o presidente americano que o combateu? Barack Obama? Nada disso. Segundo Hugo Chávez, "falta firmeza" a Barack Obama.

A "falta de firmeza" de Barack Obama garantiu o sucesso do primeiro putsch lulista. Daqui a dois meses, em 29 de novembro, Honduras elegeria um novo presidente da República. Seis candidatos concorreriam ao cargo, dois deles ligados ao próprio Manuel Zelaya. Ao receptar o presidente-muamba na embaixada brasileira, Lula conseguiu melar a disputa eleitoral, impedindo qualquer possibilidade de saída democrática para a bananada hondurenha. Além disso, seu ato estimulou uma brutal onda de saques a supermercados e a bancos do país.

O imperialismo lulista é assim mesmo: Tegucigalpa é nosso quintal, e em nosso quintal quem escolhe o presidente é o nosso presidente. E ele já escolheu: é o aspirador de pó.


*“O Presidente Muamba” é o título original do texto de Diogo Mainardi
**Acrescentamos foto e legenda ao texto original

25 de set. de 2009

HONDURAS: Micheletti chama Lula e Amorim de mentirosos

HONDURAS
Micheletti chama Lula e Amorim de mentirosos
Em nota o governo de Honduras diz que o presidente do Brasil e seu chanceler sabiam previamente da ida de Zelaya para a embaixada do Brasil, ao contrário do que andam falando

Foto: Reuters

Zelaya e Lula, em Brasília, traçando planos

Fontes: Folha de São Paulo, Estadão

Veja a nota do Governo de Honduras:

A Secretaria das Relações Exteriores comunica à opinião nacional e internacional:

1. Que o presidente do Brasil, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, e seu chanceler expressaram em meios de informação nas Nações Unidas que seu governo não teve conhecimento prévio da entrada do senhor José Manuel Zelaya Rosales -fugitivo da Justiça hondurenha- aos locais que o governo do Brasil ainda mantém em Tegucigalpa;

2. Que essas afirmações foram categoricamente desmentidas por seu principal beneficiário e protegido, senhor José Manuel Zelaya Rosales, que ontem declarou desde as dependências do Brasil em Tegucigalpa que "foi uma decisão pessoal e que foi consultada com o presidente Lula e com o chanceler Celso Amorim, bem como com o encarregado de negócios em Tegucigalpa";

3. Que, à luz dessas declarações, resulta evidente a intromissão do governo do senhor Lula da Silva nos assuntos internos de Honduras;

4. Que, sendo a presença do senhor Zelaya na missão do Brasil em Tegucigalpa um ato promovido e consentido pelo governo do Brasil, recai sobre este a responsabilidade pela vida e pela segurança do senhor Zelaya e pelos danos à integridade física das pessoas e às propriedades derivadas por permitir que se converta dita missão em uma plataforma de propaganda política e concentração de pessoas armadas que ameaçam a paz e a ordem pública em Honduras.

Foto: Reuters

Quando perguntado por jornalistas sobre a nota do governo hondurenho, Lula pavoneou-se e botou banca:

"Vocês vão ter que acreditar num golpista ou em mim".

Nós do “thepassiranews” preferimos acreditar no Presidente de Honduras Roberto Micheletti, que não é golpista, nem foi pego, até agora em nenhuma mentira. Infelizmente não podemos dizer o mesmo, da dupla Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil e seu chanceler Celso Amorim.


HONDURAS: "¡Que se vayan los brasileños!"

HONDURAS
"¡Que se vayan los brasileños!"
Relato do Jornalista Rodrigo Lopes enviado especial do Zero Hora - Honduras

Foto: Rodrigo Lopes/Zero Hora

Fontes: Blog do Rodrigues Lopes, Blog do Rodrigues Lopes, Zero Hora

O carro para diante de uma barreira. Os policiais ordenam que todos os vidros do veículo sejam baixados.

– Brasileiros? – questiona aquele que parece ser o líder do grupo.

– Sim.

– E o que vocês pensam sobre Lula refugiar Zelaya?

– É uma decisão do governo. Não nos cabe opinar – respondemos.

Em tom ameaçador, um policial circunda o veículo e fala um pouco com cada um dos que estão dentro. Olhos raivosos. Então, começa a destrinchar uma lição de moral.

– Vocês, brasileiros, estão causando fome e morte a nossas crianças.

Ele fala ininterruptamente por quase cinco minutos, durante os quais só nos resta baixar a cabeça. Ao final, libera a passagem, mas avisa:

– Estaremos monitorando suas transmissões por satélite.

Cenas como essas se repetem em outras barreiras policiais, em restaurantes da capital hondurenha e até mesmo no hall do hotel Clarion, base de Zero Hora em Tegucigalpa.

Foto: Reuters

A decisão do governo Lula de acolher o presidente deposto, Manuel Zelaya, tornou os brasileiros persona non grata para muitos hondurenhos. Na saída do hotel, um dos recepcionistas acusa:

– Vocês são responsáveis pelo que acontece em Honduras. Quero saber de vocês: quem manda aqui?

– Micheletti – respondemos.

– Então, por que vocês estão apoiando quem não manda?

As manifestações isoladas encontram um lugar comum: a rua em frente à representação das Nações Unidas, no bairro Colonia Palmira, onde centenas de apoiadores do presidente interino, Roberto Micheletti, se reuniram ontem para o primeiro grande protesto em oposição ao presidente deposto, Manuel Zelaya, desde que ele retornou ao país, na segunda-feira. Os manifestantes são conhecidos como Camisas Blancas: grupos da classe média, ligados a empresários ou políticos de direita, que vestem branco.

– Lula, Lula, saque esta mula – diz, em coro, a multidão.

“Mula”, no caso, trata-se de Zelaya. Os ânimos ficam exaltados.

Foto: Rodrigo Lopes/Zero Hora

A rua lota. Por precaução, o repórter da TV Brasil, ao lado, retira a inscrição do microfone que identifica a emissora. Ser brasileiro, algo que sempre abriu portas no Exterior, hoje é um risco em Honduras. Basta identificar-se como tal para que uma roda se forme e centenas de perguntas passem a ser feitas:

– Por que estão fazendo isso?

– Vocês estão contando a verdade?

– Por que querem se aliar a Chávez?

Aos poucos, surgem cartazes criticando o governo brasileiro. Não estão escritos em espanhol nem em português, como se poderia esperar. Em grandes letras, dizem, em inglês: “Brazil, nós, o povo, não respeitaremos vocês se vocês não nos respeitarem”.Em outros cartazes, Lula aparece em desenhos ao lado do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O grupo avança em direção à embaixada do Brasil, mas passa distante, graças ao cordão de isolamento militar. De repente, corre-corre. Ao longe, vê-se apenas um amontoado de bandeiras, câmeras e microfones. Todos correm para chegar até o local onde um homem na faixa dos 60 anos está caído no chão, a cabeça ensanguentada.

– Alguém atirou uma pedra – acusa uma mulher.

Dois jovens aparecem algemados e são levados para trás da barreira militar. Somem da vista.

Foto: Rodrigo Lopes/Zero Hora

Enquanto isso, manifestantes passam na frente do cordão de isolamento e abraçam os militares. Homens apertam as mãos dos soldados. Algumas mulheres, mais exaltadas, dão beijos, sorriem. Nunca se viram, mas hoje os homens de farda representam a mão forte do governo Micheletti. São eles, aparentemente, que respondem pelo que resta de orgulho aos hondurenhos: cercam a embaixada do Brasil, mantêm o inimigo público número 1 do governo sitiado e tornam alguns brasileiros, lá dentro, prisioneiros em seu próprio território.


6 de abr. de 2009

Obama toma posse da presidência do mundo

Obama toma posse da presidência do mundo

Foto: Getty Images

Comprovando sua capacidade de liderar o mundo, no meio da crise.

Obama não tem sido dos mais brilhantes na condução da política americana, nos primeiros dias de governo, prestes a completar os cem dias de folga que a imprensa americana costuma dar a todos os presidentes principiantes.

A equipe econômica esbarrou entre si, houve pouco avanço, e muita incerteza na qualidade e eficiência nas medidas econômicas adotadas, parecendo alguém pisando num terreno desconhecido e escorregadio.

Quis o destino que o primeiro presidente negro americano encontrasse o país numa situação de penúria e dificuldades, impensável há poucos anos atrás. Bancos e grandes corporações falindo ou com sérios riscos de quebra, desemprego em índices nunca vistos, e com o futuro sem uma perspectiva definida.

Trilhões de dólares são despejados num buraco negro que tudo consome e faminto pede mais e mais.

Por mais que tenha encolhido os Estados Unidos, porém, continua sendo a locomotiva do mundo e todos têm que torcer para que o jovem e inexperiente presidente de origem queniana acerte com sua equipe, para que o resto do mundo comece a submergir.

Por isso nunca um presidente americano foi tão observado como Barack Obama nessa reunião do G20, seu primeiro teste diante e junto às lideranças mundiais, todos com mais tempo no cenário mundial, reconhecendo-lhe a importância, mas não dispostos a lhes ceder liderança de forma gratuita.

Foto: Reuters

Efeito Obama: o bom humor entre os chefes de estado, o primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi na extremidade morre de rir, até o presidente da China, Hu Jintao, normalmente muito compenetrado não resiste ao clima descontraído.

Neste tópico Obama é imbatível. Chegou um dia antes da reunião a Londres, ambientou-se, afinou-se com o premiê Britânico, visitou a rainha e sem muito esforço foi seduzindo a todos: imprensa, opinião pública e líderes mundiais.

Consciente da sua importância, mas sem exibir seu poderio. O comentarista político Caio Blinder disse sobre esse jeito Obama de ser: “Quem diria: um presidente americano que conhece o seu devido lugar.”

Obama lembrou que seu país não deve ficar constrangido com sua importância, mas também deve aceitar que os tempos mudaram. Na verdade no momento os americanos não estão em condições de impor regras nem dizer o caminho. Têm que ouvir, opinar e convencer para ter o seu ponto de vista aceito e isso ele fez com maestria.

Nos dias seguintes na reunião da OTAN cada vez mais desembaraçado parecia ter finalmente assumido a presidência dos estados unidos e conseqüentemente do mundo.

Foto: Getty Images

Na Republica Checa nesse domingo, recepcionado por uma multidão


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3 de abr. de 2009

Lula em papo de botequim prometeu dinheiro ao FMI

Lula em papo de botequim prometeu dinheiro ao FMI

Fotomontagem Toinho de Passira

Direto do Botequim Presidencial

Fontes: BBC Brasil , Ultimo Segundo

O Brasil não vai emprestar dinheiro ao FMI, Lula estava embriagado quando falou aquilo. Viajava de trem, debaixo do canal da Mancha, de Paris a Londres, enquanto tomava um uisquinho e conversava com jornalista mais chegado, quando resolveru contar pabulagem.

Existem vários tipos de bebados, os que ficam valentes, os que ficam cantando todas as mulheres do bar e os que viram gays e atacam os amigos. O nosso presidente é do tipo de bebado rico.

Como a assessoria tinha lhe instruido ele ressaltou para os jornalistas que mesmo diante dessa crise toda, o Brasil não ia pedir dinheiro emprestado ao FMI.

Esperava que houvesse uma comoção, mas ninguém ligou. Então ele, o rei da metafora e do improviso emendou a frase de efeito, dizendo que Brasil ia emprestar dinheiro ao FMI.

Metade da comitiva se engasgou.

Mantega e Meirelles olharam um para o outro, com aquela expressão de desastre, o chamado olhar PQP.

Não satisfeito Lula ainda perguntou aos jornalistas, em tom irônico:

- Não é chique? - arrancando risos, no momento em que foi retirado para o vagão reservado da comitiva, para longe da imprensa.

No momento o único que se arriscou comentar a medida foi o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Top- Top Garcia, afirmando também de improviso, que o Brasil ia colocar as reservas cambias no fundo, mas elas iam continuar a ser contabilizadas como parte das reservas internacionais, uma bobagem que só podia se originar de um evidente idiota.

Desde então, tanto Mantega como Meirelles vem dado explicações variadas e vazias: “não sabem ainda de onde vão tirar o dinheiro para emprestar ao FMI, de como vai ser o mecanismo, de quanto vai ser a quantia.

Tudo papo furado esperando que aconteça alguma outra novidade e essa história como tantas outras, da mesa do botequim presidencial, acabe sendo esquecida.


2 de abr. de 2009

Lula elogiado pelos ricos, não é bom sinal

Lula elogiado pelos ricos, não é bom sinal
Seguindo o raciocínio do PT, antes de ser governo, se os americanos estão elogiando Lula é porque ele não está fazendo boa coisa para o Brasil


Quem é mesmo essa velhinha sentada ao lado de Lula?
Foto: Reuters

Fontes: O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva virou figura folclórica na reunião do G20, o grupo das 20 maiores potências econômicas do mundo, o presidente brasileiro recebeu elogios brincalhão do presidente Barack Obama que disse que Lula é o "político mais popular da Terra" e o comentário, feito numa roda com outros líderes mundiais, foi corroborado com ênfase, pelo primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, por exemplo, acrescentou que o brasileiro é “o mais popular político de longo mandato".

Sem contar que um pouco antes, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que as “prioridades” dos governos da França e do Brasil estão “alinhadas”.

O tom geralmente é de admiração por Lula defender os direitos de países em desenvolvimento no cenário global - algo que parece não ter sido muito afetado pela pouco diplomática declaração sobre banqueiros "brancos de olhos azuis".

- Estava claro que Lula não estava promovendo teorias raciais, e sim chamando a atenção para essa injustiça de que a vasta maioria do mundo tenha de sofrer pela ambição e estupidez de poucos - disse o comentarista político Mark Weisbrot.

Até quando Lula curtindo a vida, resolveu conhecer o Eurostar, para se deslocar ontem de Paris para Londres, recebeu elogios do jornal "Guardian", dizendo que Lula foi um exemplo de respeito ao meio ambiente. Sarkozy, por exemplo, usou o avião presidencial para o mesmo trajeto. Para o jornal, "Lula deu uma lição nos outros líderes com sua jornada de pouca emissão de carbono".

Os ingleses não sabem que aqui no Brasil, para ir da cozinha para a sala, ele vai de Aerolula.

O encontro em Londres, aliás, tem sido um prato cheio para Lula. Para a foto oficial da reunião, ele sentou-se ao lado da Rainha da Inglaterra, na primeira fila, coincidentemente na frente de Obama, aquela foto para colocar na sala.

Seu prestígio, porém, aumentou muito depois da informação de que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o órgão ajude os países pobres afetados pela crise financeira internacional.

“Não somos um país pobre e pequeno. O Brasil é um país grande. O que faltava para ele era respeito”, disse Lula fazendo média com o nosso dinheirinho.

1 de abr. de 2009

Em cima do muro, lula passa vexame no Catar

Em cima do muro, lula passa vexame no Catar
Tudo deu errado para Lula e para a diplomacia brasileira, na cúpula dos sul americanos e árabes no Catar encerrada ontem

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

Lula falando na Cúpula no Catar, vexames e covardias

Fontes: Agência Estdo, O Globo, Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não teve coragem de se posicionar claramente sobre a condenação do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, pelo Tribunal Penal Internacional, que compareceu ao encontrava e acabou cobrado públicamente por Hugo Chávez e hostilizado de forma desrespeitosa pelo presidente da Líbia Muamar Kadafi.

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

O Brasil é membro do Tribunal Penal Internacional e tem entre os seus integrantes um representant oficial, o que se supõe que o país respeita e apoia as decisões dessa corte, que condenou presidente sudanês, Omar al-Bashir, (foto) por crimes de guerra e de lesa-humanidade no conflito armado de Darfur, tendo expedido uma ordem de detenção internacional.

O Tribunal não é reconhecido pela Liga Árabe que participava da cúpula e que na véspera, noutra reunião internacional, só com países árabes, aprovou uma rejeição contra a condenação do presidente do Sudão, um dos membros da liga, manifestando-lhe apoio e respaldo integral e de quebra ainda condenaram a "brutal agressão" israelense contra a Faixa de Gaza.

Ingenuamente a delegação brasileira, imaginava que no dia seguinte, o assunto não seria tratado, apenas por que se estabeleceu um acordo de deixar o tema fora da pauta, apesar da presença vexatória do criminoso de guerra, Omar al-Bashir e seus aliados arabes entre os participantes.

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

De nada adiantou está atrelado a dubiedade, mesmo assim o Brasil ganhou inimigos importantes e agressivos, a ponto do presidente da Líbia, Muamar Kadafi, e sua comitiva, ter se retirado da sala, de forma ruidosa e ostensivamente agressiva, no instante em que o nosso presidente começou a falar.

Mais tarde o Minitro da Relações Exteriores, Celso Tamborim, aconselhou o presidente Lula abandonar o almoço oficial da cúpula, diante de mais de 30 líderes mundiais, ao se constatar o brasileiro havia sido colocado, na mesa, ao lado do criminoso sudanes Al Bashir.

A sorte é que o presidente do Sudão atrasou-se e quando Lula comia a entrada descobriu-se que a cadeira vaga ao lado do brasileiro seria ocupada pelo sudanes que acabara de entrar no recinto e o nosso presidente para não se comprometer saiu as pressas foragido como se fosse ele o criminoso

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

Mas quem tem amigos como o presidente venezuelano Hugo Chávez, não precisa de inimigos, no momento da sua fala, o hermano, fez ressaltar a atitude brasileira, e intrometendo-se nos nossos assuntos internos e externos aconselhou o Brasil a acobertar os crimes de guerra do sudanes Omar Al Bashir, a quem convidou a visitar Caracas.

"Dou meu apoio pleno a Al Bashir. Bush é o verdadeiro genocida, que invadiu o Iraque e matou crianças. Por isso que digo que o TPI é um resquício do imperialismo. Se Al Bashir cometeu um crime, seria sua justiça que deveria julgá-lo. Não pode haver um poder supranacional. Presidentes tem imunidade", disse.

O Itamaraty garantiu que Lula não trocou uma palavra sequer com o líder sudanês. Oficialmente, o Palácio alega que Lula queria descansar para poder enfrentar as reuniões da parte da tarde.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, também deixou o almoço, mas já perto de seu final. A Argentina está julgando ex-generais que cometeram crimes durante a Ditadura. Jorge Taiana, chanceler argentino, explicou que o país "respeitava o sistema internacional", insinuando um apoio ao Tribunal Penal Internacional.

Enquanto Lula evitou inclusive falar com a imprensa para não ter de responder perguntas sobre Al Bashir. Michelle Bachelet, presidente do Chile, muito mais homem que LULA, e que teve seu pai morto pela Ditadura, foi explícita em sua posição e deixou claro que não compartilhava da posição de Chávez ou dos árabes.

"O Chile foi um dos países que impulsionaram o TPI. Pela nossa própria experiência, há momentos que a soberania de um país não basta. Há valores que são universais, que são o dos direitos humanos", disse Bachelet, que também foi presa pelo regime de Augusto Pinochet. Francisco Santos, vice-presidente da Colômbia, confessou ao Estado que não aceitaria entrar na foto oficial do evento se Al Bashir estivesse nela. Sem explicações, o sudanês não apareceu para a sessão de fotos.

Além da companhia de Al Bashir, Lula ainda perdeu um almoço com carneiro, regado á feijão francês e o “importante” pronunciamento do indio boliviano Evo Morales que também acusou os israelenses de genocídio e usou o evento para defender folha de coca. "Isso não é cocaína", completou enquanto muito doidão mastigava as folhas, completando o circo.


11 de mar. de 2009

Guiné-Bissau, após assassinatos, dias melhores?

Guiné-Bissau, após assassinatos, dias melhores?
Uma bomba matou o ministro Chefe das Forças Armadas e poucas horas depois é assassinado o presidente suspeito de ter mandado matar o ministro

Foto: Reuters

Isabel Vieira, a viúva, e o presidente interino Raimundo Pereira, presidente da assembléia nacional no velório do presidente da Guiné-Bissau João Bernardo "Nino" Vieira que governou o país por 23 dos seus 35 anos de existência

Fontes: The New York Times , Africanidades, Agencia Lusa, Diario Digital

A jornalista Lydia Polgreen do The New York Times, direto de Guiné-Bissau, relata que o assassinato do Chefe das Forças Armadas general Batista Tagme Na Waie, por uma bomba de controle remoto, seguida do assassinato do seu adversário, o presidente João Bernardo Vieira, 70 ano, menos de 12 horas depois, pode vir “a ser a melhor chance de estabilidade que a Guiné-Bissau tem em muito tempo” - segundo um diplomata ocidental.

Foto: Arquivo Blog António Aly Silva

Quem mataria quem, primeiro? Afinal morreram os dois.

O país de alguma forma era refém dos dois, das suas ambições dos seus antagonismos.

A primeira impressão é que os dois se autodestruíram. Teria sido o presidente que mandará por a bomba que matou o militar e destruiu toda a lateral do quartel quando esse subia ao seu escritório no começo da noite.

Foto: Luc Gnago/Reuters

Soldado monta guarda em frente ao quartel onde explodiu a bomba que o chefe das Forças Armadas de Guiné-Bissau

Provavelmente o general supondo essa possibilidade deixou instruções dos militares matarem o presidente no caso dele morrer de forma violenta.

A casa do presidente foi atacada por uma tropa de elite do exército que explodiu a entrada com lança-granadas-foguete. As narrativas dão conta que o presidente foi capturado vivo e sucessivamente alvejado e retalhado até a morte.

Foto: Reuters

Sangue, cápsulas de bala e um facão na área privada da residência do Presidente de Guiné-Bissau, no local onde ele foi assassinado.

Para trás ficaram jorros de sangue, um facão enferrujado e cápsulas de balas.

A jornalista surpreende-se afirmando que “em quase qualquer outro lugar no mundo, a morte de um presidente eleito democraticamente e do chefe das forças armadas seria recebida com horror. Mas nesta ex-colônia portuguesa, os assassinatos brutais do presidente João Bernardo Vieira e do general Batista Tagme Na Waie foram recebidas não apenas com serenidade, mas também com otimismo.”

Foto: Reuters

Um veículo militar conduz o caixão do Chefe das Forças armadas General Batista Tagme Na Wai, ao cemitério.

Como um filme B de ação e espionagem os fatos da semana passada no pequeno país africano, pode ter atrás de si, mais que a briga entre dois membros de tribos rivais, há quem garanta que foram os chefões da cocaína sul-americanos, que transformaram a Guiné-Bissau em um paraíso do narcotráfico, que ordenaram os assassinatos.

João Bernardo Vieira
Outros especularam que a luta de décadas entre os dois homens mais poderosos do país acabou consumindo a ambos. Eles inicialmente foram companheiros na luta pela independência de Portugal, então aliados desconfortáveis e, no final, rivais pelo poder neste país empobrecido e propenso ao conflito.

A Guiné-Bissau declarou sua independência em 1973, após uma guerra feroz de guerrilha que deixou o país devastado, então sofreu em meio a experiências desastrosas com a ditadura militar de inclinação marxista sob Vieira. Ocorreram tentativas de golpe e repressão brutal. Nos anos 90, ocorreram tentativas de democracia, então uma guerra civil e ruína. Eleições sucessivas em 2005 devolveram Vieira ao poder, mas uma eleição livre não impediu o declínio.

O narcotráfico é o novo flagelo do país. Segundo autoridades da ONU, até US$ 1 bilhão por ano em cocaína passa pelo país a caminho da Europa. Tanto Vieira quanto Tagme Na Waie eram suspeitos de envolvimento no narcotráfico, segundo diplomatas e analistas na região, uma alegação que aqueles que os apoiavam negavam veementemente.

Mas mesmo antes da chegada dos narcotraficantes, a rivalidade entre os dois homens já mantinha desestabilizada há décadas a política da Guiné-Bissau.

"É bem simples", disse Jan Van Maanen, um empresário holandês que também serve como cônsul honorário da Holanda e Reino Unido em Bissau. "Nino não gostava de Tagme, e Tagme odiava Nino."

Foto: Reuters

A filha do Presidente Joao Bernardo "Nino" Vieira durante os funerais

Este ódio mútuo tinha raízes pessoais e tribais. Tagme Na Waie era da tribo Balante, que domina o exército. Vieira veio da menos importante tribo Papel. O general alegava que o governo de Vieira já o tinha torturado com choques elétricos em seus testículos. Vieira suspeitava que o general estivesse minando seu poder e ameaçando seu governo.

Oficialmente, há duas comissões investigando os assassinatos, mas ninguém espera que eles sejam solucionados. A casa de Vieira foi saqueada após sua morte. Dois pedaços avariados de equipamento elétrico, suspeitos de serem componentes da bomba que matou o general, estão em um saco plástico preto no quartel-general militar.

Os parentes do general e soldados disseram que Vieira ordenou sua morte, mas outros argumentam que a relativa sofisticação do assassinato aponta para uma conexão estrangeira. Autoridades do governo disseram que um grupo de soldados enfurecidos com a morte de Tagme Na Waie matou o presidente.

Foto: Reuters

O país tenta voltar a “normalidade”, o mais depressa possível, depois dos assassinatos

Não demorou muito para a vida voltar ao que se pode chamar de normalidade em um país onde uma em cinco crianças não vive até seu quinto aniversário. As bandeiras foram baixadas a meio pau, mas as lojas reabriram rapidamente. Poucas pessoas queriam ou podiam lamentar dois homens que passaram muito além da expectativa média de vida do país, de 45,8 anos.

Bissau é uma cidade quase fora do tempo, um local onde o progresso parou há décadas. Ruínas graciosas do reinado colonial português margeiam as ruas esburacadas, escurecendo lentamente sob o forte calor tropical.

Foto: AP

Crianças diante de uma decadente construção colonial da antiga cidade Portuguesa de Bissau

Ervas daninhas brotam das janelas do Palácio Presidencial, alimentadas pelo sol e chuva que penetram pelo teto que ruiu. O prédio foi danificado na guerra civil do país, que terminou em 1999, e o país é pobre demais para consertá-lo.

A minúscula economia do país se baseia em cajus e peixes, e dois terços de sua população vive na penúria. O governo está perpetuamente sem dinheiro. Os funcionários públicos passam meses sem receber salário. Os adolescentes ficam estagnados na escola, porque os professores frequentemente estão em greve.

Os vizinhos da Guiné-Bissau dizem que se preocupam com a possibilidade do Oeste da África mergulhar em uma nova era de instabilidade e conflito. Os líderes regionais expressaram ultraje em relação aos assassinatos, que pareciam parte do golpe que se seguiu à morte do presidente do país vizinho, a Guiné. Um ataque anfíbio em um terceiro país, a Guiné Equatorial, visando derrubar seu governo, recentemente fracassou.

Mas na Guiné-Bissau, ocorreu uma estranha inversão do padrão. O país parece mais estável após os assassinatos. Os militares não tomaram o poder. O presidente da Assembléia Nacional, Raimundo Pereira, (Foto) foi empossado presidente, como exigido pela Constituição. O governo está preparando novas eleições.

Permanece o temor de que os militares possam intervir, ou que o novo governo seja ainda mais vulnerável à corrupção. Zamora Induta, um porta-voz das poderosas forças armadas do país, disse que os militares permaneceriam de fora da transição.

É difícil imaginar como a vida na Guiné-Bissau poderia piorar, disse Armando Mango, um advogado em Bissau.

"Era uma briga entre dois homens grandes", continuo ele. "Agora que estão mortos, talvez o país possa finalmente ter uma chance de recomeçar."

FAMILIA DO PRESIDENTE DEIXA GUINÉ- BISSAU

A viúva de «Nino» Vieira, Isabel Vieira, apareceu pela primeira vez em público, desde o assassinato, quando os restos mortais do Presidente foram colocados em câmara ardente, na sala do plenário da Assembléia Nacional Popular.

Isabel Vieira, que se encontrava na casa e foi poupada pelos rebeldes, estava até então abrigada na embaixada angolana em Bissau.

Nem ela nem os 12 filhos do presidente acompanharam o desfile fúnebre até ao Cemitério Municipal de Bissau.

Deixaram o país no mesmo avião militar senegalês que havia transportado os filhos de «Nino» Vieira para a capital guineense, a fim de assistirem às cerimônias fúnebres.

O destino inicial da família de «Nino» Vieira é o Senegal.



Utilizamos a tradução de apoio de George El Khouri Andolfato, para a UOL

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16 de fev. de 2009

CHÁVEZ FOREVER

CHÁVEZ FOREVER
Fica cada vez mais dificil disfarçar a ditadura venezuelana em Democracia

Foto: Fernando Llano/AP

”Longa vida à revolução", gritou Chávez, na varanda do Palácio de Miraflores, diante de milhares de venezuelanos, e complementou: "Este soldado es ya precandidato para el 2013!" - Começando desde já a nova campanha

Fontes: Veja, El Universal, Folha de São Paulo, El Nacional

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, venceu o referendo de domingo que permitirá a reeleição ilimitada de ocupantes de cargos majoritários e ganhou suporte para suas políticas socialistas e contrárias aos Estados Unidos. Pela primeira vez, na historia, pelo menos de forma tão clara e evidente, alguém consegue através do voto se eleger ditador.

Chávez já está no poder há 10 anos e o referendo ajuda a abrir caminho para que ele cumpra sua meta de governar por décadas, embora a crise econômica global vá limitar sua habilidade de gastar o dinheiro vindo do petróleo no processo de nacionalização de empresas e ampliação de sua influência fora da Venezuela.

Foto:Reuters

A juventude estudantil oposicionista chora a derrota, comprovando que não vai ser assim tão fácil o futuro de Chavez.

Com a modificação de cinco artigos da Constituição de 1999 aprovada, ficam eliminados os limites de mandatos existentes para o presidente e todos os cargos majoritários. Na Presidência desde fevereiro de 1999, Chávez já é o mandatário há mais tempo no poder na América Latina.

O seu atual mandato de seis anos só termina no início de 2013, quando terá completado 14 anos à frente da Venezuela. Atualmente, a Carta Magna limita a no máximo dois mandatos presidenciais consecutivos, o que significa que Chávez deve abandonaria o poder ao fim de 2012.

Entre as principais preocupações do presidente estão os efeitos da crise econômica na Venezuela. O indicador mais importante para a economia venezuelana é o preço do barril de petróleo, que já caiu mais de US$ 100 desde o recorde alcançado em julho de 2008.

Chávez tem maioria de juízes entronados por ele nos tribunais superiores, maioria esmagadora no Poder Legislativo e usa sem limites a maquina estatal para se auto-promover, coisa de deixar até Lula e Dilma corados.


O presidente venezuelano tem um jeito de governar personalissimo, Hugo Chávez é a Venezuela, os opositores estão traindo a pátria quando discordam dele.

Foto: Reuters

Depois da Bolívia e do Equador, a Venezuela entra no time das ditaduras democráticas da America latina, constituições são modificadas, para que presidentes se perpetuem no poder.

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12 de fev. de 2009

FORÇAS ARMADAS BRASILEIRA NO RESGATE DOS REFÉNS

Foto: Christian Escobar Mora/AP

Os membros da Cruz Vermelha Internacional, CICR, e militares brasileiros do Comando Militar da Amazônia que participaram da operação para libertar seis pessoas que seqüestradas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, (FARC)

Fontes:Estadão,

A chefe das operações do CICV para a América Latina, a suíça Patrícia Danzi, que esteve no helicóptero durante duas das três operações de resgate, comenta que os 18 militares brasileiros que participaram do resgate dos seis reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enfrentaram várias situações curiosas ao longo dos sete dias de missão na selva colombiana.

Como nenhum deles fala espanhol fluentemente, ninguém - nem os funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nem os reféns - entendia o que eles diziam em português.

As libertações despertaram sentimentos novos e emocionantes para todos", disse ao Estado a chefe das operações do CICV para a América Latina, a suíça Patrícia Danzi, que esteve no helicóptero durante duas das três operações de resgate.

Apesar de integrarem um batalhão de elite que atua nas fronteiras, os brasileiros não falavam espanhol. Dois deles se comunicaram com o restante da equipe em inglês e francês. "Mas eles entendiam tudo perfeitamente. Nós é que não conseguíamos entender português", contou Patrícia.

Segundo ela, um dos momentos mais difíceis para os pilotos foi sobrevoar a cordilheira em direção a Cali, onde os helicópteros tiveram de contornar montanhas de até 5 mil metros - um desafio novo para os pilotos brasileiros, acostumados a voar na selva e em condições meteorológicas adversas. Para evitar problemas de respiração provocados pelo ar rarefeito, um militar especialista em oxigênio foi incluído no grupo.

Foto: Fernando Vergara/AP

Ex-refém Alan Jara, o ex-governador do estado de Meta, em cativeiro por mais de sete anos, seqüestrado pela FARC, chega num helicóptero das Forças Amadas Brasileira a serviço da Cruz Vermelha em Villavicencio, Colômbia.

Patrícia também revelou que os três policiais e o militar libertados no domingo, na primeira das três etapas da operação, foram pegos de surpresa. "Eles foram informados de que quatro pessoas seriam soltas naquele dia, mas não sabiam que seriam eles", disse Patrícia.

"O envolvimento do Brasil deu uma dimensão internacional à missão", disse Patrícia. "A tripulação brasileira foi muito profissional. Eles fizeram um tremendo trabalho, apesar da pouca familiaridade com a área onde estavam voando."

Patrícia se disse contente com a missão, mas lembrou dos "milhares de colombianos cujo paradeiro é desconhecido", entre eles militares colombianos que há dez anos são mantidos em poder da guerrilha. O CICV não descartou a possibilidade de um acordo que permita outras libertações no futuro, mas não fez menção a um possível papel do Brasil, elogiado pela discrição na atual missão.

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Postados por Toinho de Passira