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18 de nov. de 2012

Jornalista da BBC relata o rompimento da 'bolha' de normalidade em Tel Aviv

ISRAEL - Opinião
Jornalista da BBC relata o rompimento
de 'bolha' de normalidade em Tel Aviv
“Na manhã deste domingo, os alarmes antiaéreos soaram pelo quarto dia consecutivo em Tel Aviv, desde o inicio da chamada Operação Coluna de Nuvem” A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas. O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia. Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Foto: Daniel Bar-On / AFP

Muitos edifícios em Tel Aviv contam com bunkeres para a proteção em caso de ataque

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guila Flint, para a BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil

Moradora de Tel Aviv, a repórter da BBC Brasil em Israel, Guila Flint, conta como a nova onda de violência vem alterando o dia a dia:

"O som alto e lúgubre das sirenes mexe com os nervos da população e rompe a sensação de segurança que havia na maior cidade de Israel.

De acordo com as instruções das autoridades, quando soa o alarme antiaéreo o cidadão deve correr para o bunker ou para o chamado 'espaço protegido' dentro do próprio apartamento.

Só que eu moro em um prédio velho, no centro de Tel Aviv, que foi construído ainda na época do Mandato Britânico, em 1921.

Aqui não tem bunker. Também não tenho o tal 'espaço protegido' no meu apartamento.

Desde a Guerra do Golfo, em 1991, a lei de Israel obriga todas as construções novas a terem um espaço especial em cada apartamento, no qual as paredes são reforçadas e as janelas são de ferro.

Na ausência de tal espaço e de um bunker, as autoridades recomendam correr para a escadaria do prédio, de preferência para um andar que não seja o mais alto.

Quando corro para a escadaria encontro vários dos meus vizinhos, muitos deles idosos.

Outro dia, quando soou o alarme, me deparei com uma vizinha tremendo e chorando no segundo andar. Tentei acalmá-la.

Eu já morava em Tel Aviv em 1991, quando 45 mísseis iraquianos do tipo Scud foram lançados contra a cidade durante a Guerra do Golfo.

Aquela guerra, que durou um mês e meio, com alarmes antiaéreos constantes, de alguma maneira me preparou para esse tipo de experiência.

Naquela época, além do perigo de explosões, também se falava do risco de que o Iraque lançasse bombas químicas contra Israel e foram distribuídas máscaras de gás a toda a população.

Outra diferença é que em 1991 Tel Aviv era o principal alvo, e agora a cidade é um alvo secundário comparando com as cidades do sul do país.

Dos mais de 800 disparos contra o território israelense, apenas 4 foram contra Tel Aviv. São as cidades de Ashdod, Ashkelon, Beer Sheva e Sderot, no sul, que estão realmente sofrendo com o contínuo sobressalto das sirenes.

Foto: Activestills.org

Tel Aviv é o reduto de grupos pacifistas, de ONGs de direitos humanos e dos seculares

Ontem falei com uma brasileira que mora na cidade de Gaza. O que os israelenses estão passando no sul é bem ameno comparando com o que os palestinos estão vivendo na Faixa de Gaza.

Lá já houve mais de 900 ataques das tropas israelenses, com a Força Aérea, a Marinha e a artilharia.

A brasileira palestina relatou que "tudo treme o tempo todo e parece que o mundo vai acabar" desde quarta-feira.

Tel Aviv é chamada de "bolha", considerada uma ilha de normalidade dentro desse oceano de violência e fanatismo que é o Oriente Médio. Uma cidade tolerante e cosmopolita, na qual a maioria da população quer a paz.

Aqui fica o reduto dos grupos pacifistas, das ONGs de direitos humanos, dos seculares.

Cada alarme antiaéreo que soa em Tel Aviv rompe mais um pouco dessa tênue bolha.

A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas.

O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia.

Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Grande parte da população dos dois lados do conflito é religiosa e acredita em algum tipo de proteção divina.

Aos seculares, como eu, resta acreditar na estatística. Afinal, a probabilidade de que um míssil iraniano do tipo Fajr, lançado a partir da Faixa de Gaza contra Tel Aviv, caia justamente na minha cabeça, é muito baixa. Mas, como já dizia John Lennon, “Give Peace a Chance."

John Lennon - canta "Give Peace a Chance”
de John Lennon, acompanhado da Plastic Ono Band, Toronto 1969


"Give Peace a Chance" foi composta por John Lennon em 1969, e se transformou num dos hinos da campanha contra a Guerra do Vietnã. Lennon gravou essa música durante o segundo Bed-in, no Canadá. Bed-ins eram conferências de imprensa em favor da paz, realizados em uma cama de hotel. Esse é um dos momentos mais marcantes dos protestos realizados por Lennon em favor da Paz Mundial.



5 de set. de 2012

COLOMBIA: Governo e guerrilha anunciam intenção de negociar paz

COLOMBIA
Governo e guerrilha anunciam intenção de negociar paz
Governo colombiano diz que plano de paz pode dar certo e a liderança da FARC confirma a intenção de negociar

Foto: La Republica

"Estamos diante de uma oportunidade real de terminar o conflito", disse o presidente Santos, falando a nação colombiana

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Semana

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deu nesta terça-feira detalhes sobre como será a negociação de um plano de paz entre seu governo e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Em pronunciamento à nação transmitido pela TV estatal, Santos disse que as negociações começarão na primeira quinzena de outubro, em Oslo (Noruega), e terão continuidade em Havana (Cuba).

De acordo com o presidente, as negociações não terão tempo limitado, e sua duração estará sujeita à revisão dos avanços.

"Se não houver avanços, não prosseguimos", disse.

Santos afirmou que o processo será dividido em três fases: exploratória, sessões de trabalho e fase de implementação simultânea do que for acordado.

AGENDA REALISTA -
O presidente disse ainda que o diálogo atual se diferencia das tentativas anteriores por ter uma agenda realista sobre cinco pontos concretos: desenvolvimento rural, garantias para o exercício da oposição política, fim do conflito armado, combate ao narcotráfico e proteção aos direitos das vítimas.

Santos garantiu que não haverá concessões de qualquer tipo no terreno militar, e que as operações das forças de segurança "continuarão com a mesma intensidade".

Segundo Santos, este diálogo se diferencia de tentativas anteriores de se chegar a um acordo de paz por dois motivos principais.

Um é a prosperidade da economia colombiana. O outro é o fato de se tratar de "um acordo para terminar o conflito", que tem as condições que o governo considera necessárias.

O presidente pediu "paciência e força" ao povo colombiano.

Foto: Reuters/Video Guerrilha

Timoleón Jiménez, o Timochenko, o líder das FARC

FARC - Minutos após as declarações de Santos, as Farc também deram sua versão sobre o diálogo de paz, em coletiva de imprensa em Havana.

Em um vídeo apresentado aos jornalistas, o líder das Farc, Timoleón Jiménez, o Timochenko, convocou a Colômbia inteira a participar do processo de paz.

"A paz é uma questão de todos, temos que fazer desta oportunidade um novo grito pela independência", disse.

Timochenko reconheceu o valor e a honra de soldados e policiais e disse que "a saída não é a guerra, mas um diálogo civilizado".


28 de ago. de 2012

COLÔMBIA: Governo e FARC conversam sobre negociação de paz

COLOMBIA
Governo e FARC conversam sobre negociação de paz
O presidente da Colombia, Juan Santos, confirmou que o governo está ultimando preparativos para netociar um plano de paz com os terroristas da FARC. Pesquisas dizem que o povo apoia, mas o ex-presidente Álvaro Uribe, insurge-se contra a ideia, dizendo que o governo vai ser mais uma vez ludibriado pela guerrilha e que lamenta que o presidente tenha aceitado a negociação.

Foto: Fernando Vergara / AP

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em rede de televisão anuncia que está em curso negociações de paz com a FARC, diante do palácio presidencial, em Bogotá, na Colômbia, nesta segunda-feira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Semana, The Guardian, BBC Brasil, Washington Post

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou finalmente que seu governo vem mantendo conversas sigilosas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para iniciar um processo de paz.

Ele frisou que as operações militares ''continuarão no país enquanto a paz não for alcançada'' e alertou que o diálogo com o grupo guerrilheiro tem como princípio a ''não-repetição de erros de negociações anteriores''.

Santos quer afastar os ''fantasmas'' das negociações fracassadas no passado, como a de 1984, no governo de Belizário Betancur (que chegou a conseguir um cessar-fogo) e no caso mais conhecido, o da Zona de Distensão de Caguán, de 1998, quando, depois de quatro anos de negociação, o conflito foi retomado.

A FARC tem sofrido grandes reveses militares nos últimos anos, durante os oito anos do governo de Álvaro Uribe e nesses dois anos do governo de Manuel Santos, está enfraquecida e encurralada, mas isso não quer dizer que esteja aniquilada. Usando de atos terroristas e sequestros, financiada pelo narcotráfico, mantém a população em suspense e o governo, de alguma forma, refém.

Por causa da FARC a Colômbia tem dificuldades com o turismo, e com investimentos externos. É difícil fazer um estrangeiro visitar um país, ou montar uma empresa numa nação submetida a uma sangrenta guerra interna.

Pelo que se sabe, até agora, a atual negociação foi costurada por Hugo Chávez e Raúl Castro. O que a transforma num evento de alto risco, para o presidente atual, Juan Manuel Santos, ex-Ministro da Defesa, o homem encarregado de dar combate a guerrilha no governo Uribe.

Pelo divulgado pela TV estatal venezuelana, a Telesur, que parece possuir fontes privilegiadas a respeito do assunto, (Hugo Chávez, certamente ) o inicio das negociações estaria marcado para 5 de outubro, na cidade de Oslo, na Noruega. Os interlocutores seriam: do lado do governo colombiano: Sérgio Jaramillo, integrante do Alto Conselho para Segurança Nacional, o ministro do Meio Ambiente, Frank Pearl, e o jornalista Enrique Santos, irmão mais velho do presidente da República, que já foi editor do jornal El Tiempo e da Revista Alternativa, conhecida por seu viés de esquerda.

>Do lado das Farc, o interlocutor seria Jaime Alberto Parra, conhecido como Mauricio Jaramillo, ''El Médico'', que estudou medicina em Cuba.

Uma pesquisa divulgada na edição do último domingo do jornal El Tiempo apontou que 74,2% dos colombianos respaldam a possibilidade de que o governo Santos inicie um diálogo com as Farc.

O ex-presidente Álvaro Uribe, padrinho político de Juan Manuel Santos, opõe-se visceralmente contra a ideia.

Falando hoje em Barranquilla, para empresários, disse que a única coisa que o anúncio dos diálogos de paz vão fazer é ajudar Chávez eleitoralmente, na sua reeleição.

"O que vai acontecer é que vamos ver os generais na cadeia e os guerrilheiros no Congresso.” - afirmou.

“Como esse governo vai explicar uma negociação com terroristas que assassinaram colombianos? Como vai assinar a paz com os maiores violadores de direitos humanos dos colombianos?

Repudiou a possibilidade de algum general participar das negociações: "Se os oficiais e soldados veem os generais sentados negociando como os chefes guerrilheiros, dirão: para que lutar se nossos comandantes estão negociando a paz?"

Qual é o momento indicado para uma negociação? Perguntou o ex-presidente e respondeu que com uma política triunfante e um governo forte. "Não pode haver um processo de negociação, se não forem suspensas as atividades criminais”

Por causa do evento ele parece disposto a lutar politicamente para que as negociações não prossigam e de ter rompido, por causa dela, em definitivo com o presidente Santos.

Só o tempo dirá quem tem razão. Mas no nosso entendimento essa é mais uma artimanha da FARC, para obter reconhecimento internacional, ter uma trégua para se reorganizar e fortalecer, e desmoralizar o governo democrático da Colômbia, que é o seu objetivo principal, em quase 50 anos de existência.