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4 de ago. de 2013

Cartas na mesa, de Fernando Henrique Cardoso, para O Estado de S. Paulo

BRASIL - Opinião
Cartas na mesa
“Com ou sem consciência de seus erros, o petismo é responsável por muito do que aí está. Não por acaso seu líder supremo, depois de longo silêncio, ao falar foi claro: identificou-se com as instituições que as ruas criticam e, como Macunaíma, aconselhou a presidenta a fazer oposição a si mesma, como se governo não fosse...”

Foto: Reprodução

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Henrique Cardoso*
Fontes: Estado de S. Paulo

Saí do Brasil depois que as manifestações populares provocaram um tsunami na avaliação dos principais dirigentes políticos. Na Europa o noticiário repercute a recidiva da crise egípcia, a volta da incerteza na Tunísia, a continuidade trágica da guerra civil síria, os atentados sem fim no Paquistão e no Afeganistão, enfim, uma rotina de tragédias preanunciadas que, vistas de longe, parecem "coisas do Terceiro Mundo". Enquanto isso, a China vai encolhendo sua economia, os EUA confiam na recuperação e a Europa se contorce em ajustes sem fim. Do Brasil ecoam apenas os passos do papa, por vezes tocando o solo lamacento dos ermos para onde o levaram em sua pregação.

De nossas aflições financeiras os mercados externos só eventualmente tratam, mas delas sempre se cuidam, retirando suas aplicações ao primeiro sinal de alarme. Do desabamento político poucas referências há. Embora nenhuma crise de legitimidade tenha sido o gatilho do torvelinho popular, este terminou por mostrar que existe algo parecido com ela. Se de nossa política a mídia ocidental cuidasse, talvez visse que nem só na África e no Oriente Médio há um desencontro entre o poder e o povo. Há algo que não está funcionando direito na política, mesmo nas partes mais longínquas do Ocidente, como a América do Sul. Há um elo nesse desarranjo: as sociedades urbanas de massas, agora hiperconectadas pela internet, sentem-se mal representadas pelos que as comandam. Isso vale tanto para nós como para a Itália, a Espanha, a Grécia ou Portugal, assim como valeu para a Islândia ou pode vir a valer para outras regiões onde, além da crise de legitimidade política, choques culturais e religiosos acrescentem outra crise à de identidade.

Em nosso caso, como nos demais países ocidentais, o fator geral mais evidente que condiciona e possibilita o surgimento do mal-estar político deriva da grande crise financeira de 2007/8. Mas seria enganoso pensar que basta retomar o ritmo do crescimento da economia e tudo se arranja. É melhor ter cautela e reconhecer que, uma vez visto o rei nu, sua magia se desfaz ou engana menos incautos. As novas formas de sociabilidade criadas pelos meios diretos de informação e comunicação estão a requerer revisão profunda no modo de fazer política e nas instituições em que o poder se exerce. A desconfiança nos partidos e nos políticos é generalizada, embora não atinja o mesmo grau em todos os países, nem as instituições desabem ou sejam incapazes de se aprimorar. Até agora os efeitos construtivos da pressão popular sobre as instituições - salvo na Islândia - estão por se ver. Mas basta haver eleições para que os governos (de esquerda, de direita ou o que mais sejam) caiam, como cairia o nosso se as eleições fossem em breve.

A questão é complexa e há responsáveis políticos, em maior ou menor grau. Para começar, o governo Lula zombou da crise, era uma "marolinha", e seguiu funcionando, fagueiro, como se nada precisasse ser feito para ajustar o rumo. Houve, portanto, uma avaliação errada da conjuntura. Mas houve outras barbeiragens. O lulopetismo, arrogante, colocou a lanterna na popa do barco e, rumando para o passado, retomou as políticas dos tempos militares geiselianos como se avançasse intrépido para o futuro. Tome subsídios para pobres e ricos, mais para estes que para aqueles, mais sem razão ao ajudar os ricos mais que os pobres. Perceberam tarde que o cobertor era curto, faltaria dinheiro. Se há problemas, tome maquiagem: o Tesouro se endivida, pega emprestado dinheiro no mercado, repassa-o ao BNDES, que fornece os mesmos recursos aos empresários amigos do rei. Toma-se dinheiro a, digamos, 10% e se concede a 5%. Quem paga a farra: eu, você, os contribuintes todos e os consumidores, pois algo dessa mágica desemboca em inflação.

A maquiagem fiscal já não engana: mesmo o governo dizendo que sua dívida líquida não aumenta, quem sabe ler balanços vê que a dívida bruta aumenta e os que investem ou emprestam, nacionais ou estrangeiros, aprenderam muito bem a ler as contas. Deixam de acreditar no governo. Mais ainda quando observam sua ginástica para fingir que é austero e mantém o superávit primário.

Não é só. Em vez de preparar o Brasil para um futuro mais eficiente e decente, com regras claras e competitivas que incentivassem a produtividade, o "modelo" retrocedeu ao clientelismo, ao protecionismo governamental e à ingerência crescente do poder político na vida das pessoas e das empresas. E não apenas graças a características pessoais da presidenta: a visão petista descrê da sociedade civil, atrela-a ao governo e ao partido, e transforma o Estado na mola exclusiva da economia. Pior e inevitável, a corrupção, independentemente dos desejos de quem esteja no ápice, vem junto. Tal sistema não é novo, foi coroado lá atrás, ainda no primeiro mandato de Lula, quando se armou o mensalão. Também neste caso há responsáveis políticos e nem todos estão na lista dos condenados pelo Supremo.

Com ou sem consciência de seus erros, o petismo é responsável por muito do que aí está. Não por acaso seu líder supremo, depois de longo silêncio, ao falar foi claro: identificou-se com as instituições que as ruas criticam e, como Macunaíma, aconselhou a presidenta a fazer oposição a si mesma, como se governo não fosse...

Se as oposições pretenderem sobreviver ao cataclismo, a hora é agora. O Brasil quer e precisa mudar. Chegou o momento de as vozes oposicionistas se comprometerem com um novo estilo de política e de assim procederem. Escutando e interpretando o significado do protesto popular. Sendo diretas e sinceras. Basta de corrupção e de falsas manias de grandeza. Enfrentemos o essencial da vida cotidiana, dos transportes à saúde, à educação e à segurança, não para prometer o milagre da solução imediata, mas a transparência das contas, das dificuldades e dos propósitos.

E não nos enganemos mais: ou nos capacitamos para participar e concorrer num mundo global áspero e em crise ou nos condenaremos à irrelevância.
*Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi Presidente da República
*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original

30 de jun. de 2013

Lula criticando Dilma nos bastidores: “Constituinte foi barbeiragem do governo”

BRASIL – Povo nas ruas
Lula criticando Dilma nos bastidores:
“Constituinte foi barbeiragem do governo”
Defensor da proposta, ex-presidente criticou maneira como ela foi articulada. Ideia da constituinte lançada por Dilma para promover reforma política e dar uma resposta aos protestos acabou descartada.

Foto: Bruno Santos/Terra

Lula não perdoa Dilma por ter consultado Fernando Henrique Cardoso no meio da crise

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Folha de S. Paulo

Segundo reportatem de Catia Seabra e Márcio Falcão para a Folha de S. Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou com petistas da estratégia do governo Dilma Rousseff para dar uma resposta à onda de protestos pelo país.

A aliados, Lula chamou de "barbeiragem" a articulação.

Antigo defensor da ideia, ele queixou-se da forma "atabalhoada" como foi gestada a proposta da convocação de uma constituinte exclusiva para discutir a reforma política, sem uma discussão prévia com o Congresso. Mais ainda, do recuo da iniciativa apenas um dia depois.

Ainda segundo petistas, Lula criticou especialmente a decisão de consultar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sem que governistas, entre eles o vice-presidente Michel Temer (PMDB), fossem ouvidos.

Dentro do PT, a atuação dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Aloizio Mercadante (Educação), os homens de confiança de Dilma, também tem sido objeto de reparos e fortes críticas.

Após a onda de manifestações que tomou conta das ruas do país, Dilma propôs um pacto nacional que incluía, entre outros pontos, a convocação da constituinte para a reforma política. Menos de 24 horas depois recuou após reação do Congresso e de ministros do Supremo Tribunal Federal para quem a medida é inconstitucional.

O governo passou então a defender a ideia de um plebiscito para a reforma e para tanto fez reuniões no Planalto com congressistas e presidentes de partidos aliados para discutir o tema.

A proposta de plebiscito também não agrada a aliados do ex-presidente. Na avaliação deles, a consulta é temerária: como cabe à Câmara elaborar as perguntas, nada impede que assuntos controversos como o fim da reeleição entrem no plebiscito.

Lula teria telefonado a Mercadante para externar sua insatisfação. A assessoria do Instituto Lula diz desconhecer o telefonema.

Na semana passada, a presidente foi a São Paulo para consultar seu padrinho político sobre a explosão de protestos pelas ruas do país. A convocação de uma constituinte não estava na pauta.

Interlocutores afirmam que Lula tem reservado sua opinião a público restrito, como o grupo de jovens recebido na quarta-feira. Após ouvi-los, Lula disse que o governo deveria apresentar dados em defesa da gestão petista.

Uma deficiência apontada na comunicação do governo está em registrar as obras de mobilidade urbana como gastos da Copa, alimentando a ideia de que esse custo é para a construção de estádios.

O secretário-geral da Presidência e principal nome ligado a Lula no ministério de Dilma, Gilberto Carvalho, confirmou que Lula tem ouvido os movimentos sociais.

"O presidente Lula fez uma reunião com os jovens, que eu soube que foi muito interessante. Acho natural os partidos procurem nesse momento articular as suas bases, suas militâncias para fazer esse debate, fazer essa disputa que está dada na sociedade."

Não se sabe se isso é uma encenação, ou se o ex-presidente articulando sua candidatura para 2014, quer descolar-se das ações de Dilma, sugerindo que se ele estivesse a frente do governo, as coisas seriam diferentes. (?)

14 de jun. de 2013

Eduardo Campos afaga tucanos: "Fernando Henrique é 'exemplo a ser seguido'"

BRASIL – Eleição 2014
Eduardo Campos afaga tucanos:
"Fernando Henrique é 'exemplo a ser seguido'"
Virtual candidato do PSB à Presidência disse que tucano foi protagonista de 'um bom momento na história do País'.

Foto: Aluisio Moreira/SEI

"É importante que a gente aprenda com estes bons momentos da história onde as pessoas podem deixar as ambições de lado e pensar no futuro do País" – disse referindo a FHC

Postado por Toinho de Passira
Baseado no texto de Angela Lacerda, para O Estado de S. Paulo
Fontes: O Estado de S. Paulo

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB Eduardo Campos (PSB) disse nesta quarta-feira, 12, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é um modelo a ser seguido na política por ter protagonizado, segundo a avalição de Campos, "um bom momento da história do País". O socialista, potencial candidato à Presidência em 2014, elogiou o tucano e afirmou também que "o viés eleitoral acelerado que se vive hoje" atrapalharia, inclusive, na costura da coalizão.

"Vi, durante a campanha de 2002 o presidente Fernando Henrique chamar ao palácio todos os candidatos a presidente da República para discutir a questão do Brasil naquela hora, quando havia uma crise cambial batendo às portas, havia necessidade do Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse, em entrevista, depois de nomear 350 médicos para reforçar os quadros das unidades hospitalares do Estado.

Indagado se a presidente Dilma deveria fazer o mesmo, ou se ainda era muito cedo, ele explicou: "Quis dizer com isso que naquele tempo quem era oposição é governo hoje e nós atendemos, todos os candidatos foram ao presidente Fernando Henrique, os que nós apoiávamos adotaram postura de responsabilidade".

"É importante que a gente aprenda com estes bons momentos da história onde as pessoas podem deixar as ambições de lado e pensar no futuro do País", destacou, ao ser indagado sobre declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para quem seria natural a oposição torcer por "uma quedinha" na popularidade da presidente Dilma.

Campos defendeu que tanto os que estão na base do governo quanto os que estão na oposição precisam ter "uma posição responsável" e pensar no que é importante fazer agora para ajudar o Brasil a se animar, a animar a economia. "Quem pensa em ganhar eleição, tem de ganhar pelos méritos e não pelos deméritos de alguém".

SEGUNDO TURNO - Sobre a confiança do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, quanto à realização de segundo turno nas próximas eleições presidenciais, a partir das últimas pesquisas de avaliação da popularidade da presidente, o governador afirmou respeitar a opinião do senador, mas disse que "fazer previsão de eleição com um ano e seis meses de antecedência é muito arriscado".

Para ele, mais significativo é o fato de que as últimas três eleições presidenciais no Brasil tiveram dois turnos. "É mais expressivo do que qualquer pesquisa que se exercite neste momento", pontuou, revelando a sua crença na realização de dois turnos nas eleições de 2014.
 COMENTAMOS:  Eduardo Campos está dizendo a Dilma, nas entrelinhas, que se o PT continuar jogando sujo, para tirá-lo da disputa, como vem fazendo até agora, não hesitará em apoiar o candidato tucano Aécio Neves, num eventual 2º turno. Se ela quiser pagar para ver...

2 de jun. de 2013

Beijar a cruz, de Fernando Henrique Cardoso

BRASIL - Opinião
Beijar a cruz
“O PT não conseguiu ver que os governos do PSDB simplesmente ajustaram a máquina pública e as políticas econômicas à realidade contemporânea, que é a da economia globalizada”.

Foto: Agência Brasil

Fernando Henrique, ex-presidente do Brasil

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Henrique Cardoso
Fonte: Blog do Noblat

Já passou da hora de o governo do PT beijar a cruz. Afinal, muito do que ele renegou no passado e criticou no governo do PSDB passou a ser o pão nosso de cada dia da atual administração. A começar pelos leilões de concessão para os aeroportos e para a remodelação de umas poucas estradas.

No início, procurava mostrar as diferenças entre “nós” e “eles”, em seu habitual maniqueísmo. Nossos leilões, diziam, visam a obter a menor tarifa para os pedágios. Ou então, afirmavam, nossos leilões mantêm a Infraero na administração dos aeroportos.

Dessas “inovações”, resultou que as empresas vencedoras nem sempre foram as melhores ou não fizeram as obras prometidas.

Pouco a pouco, estão sendo obrigados a voltar à racionalidade, como terão de fazer no caso dos leilões para a construção de estradas de ferro, cuja proposta inicial assustou muita gente, principalmente os contribuintes. Neles, troca-se a vantagem de a privatização desonerar o Tesouro pela obsessão “generosa” de atrair investimentos privados com o pagamento antecipado pelo governo da carga a ser transportada no futuro...

Ainda que renitente em rever acusações feitas no passado (alguns insistem em repeti-las), a morosidade no avanço das obras de infraestrutura acabará por levar o governo petista a deixar de tentar descobrir a pólvora. Já perdemos anos e anos por miopia ideológica.

O PT não conseguiu ver que os governos do PSDB simplesmente ajustaram a máquina pública e as políticas econômicas à realidade contemporânea, que é a da economia globalizada.

Tomaram a nuvem por Juno e atacaram a modernização que fizemos como se tivesse sido motivada por ideologias neoliberais e não pela necessidade de engajar o Brasil no mundo da internet e das redes, das cadeias produtivas globais e de uma relação renovada entre os recursos estatais e o capital privado.

Sem coragem para fazer autocrítica, o petismo foi pouco a pouco assumindo o programa do PSDB, e, agora, críticos do mais variado espectro cobram deste o suposto fato de não ter propostas para o Brasil... Entretanto, a versão modernizadora do PT é “envergonhada”. Fazem mal feito, como quem não está gostando, o que o PSDB fez e faria bem feito se estivesse no comando.

Agora chegou a vez dos portos. Alberto Tamer — e presto homenagem a quem faleceu deixando um legado de lucidez em suas colunas semanais —, na última crônica que fez em “O Estado de S.Paulo”, “Foi Fernando Henrique Cardoso que abriu os portos”, recordava o esforço, ainda no governo Itamar Franco, quando Alberto Goldman era ministro dos Transportes, para dinamizar a administração portuária, abrindo-a à cooperação com o setor privado pela Lei 8.630 de 1993.

Caro custou tornar viável aquela primeira abertura quando eu assumi a Presidência. Foi graças aos esforços do contra-almirante José Ribamar Miranda Dias, com o Programa Integrado de Modernização Portuária, que se conseguiu avançar.

Chegou a hora para novos passos adiante, até porque o Decreto 6.620 do governo Lula aumentou a confusão na matéria, determinando que os terminais privados só embarcassem “carga própria”. Modernizar é o que está tentando fazer com atraso o governo Dilma Rousseff.

Mas, aos trancos e barrancos, sem negociar direito com as partes interessadas, trabalhadores e investidores, sem criar boas regras de controle público nem assumir claramente que está privatizando para aumentar a eficiência e diminuir as barreiras burocráticas.

Corre-se o risco de repetir o que já está acontecendo nos aeroportos e nas estradas: atrasos, obras mal feitas e mais caras etc. No futuro, ainda dirão que a culpa foi “da privatização”... Isso sem falar do triste episódio das votações confusas, tisnadas de suspeição e de resultado final incerto no caso da última lei dos portos.

A demora em perceber que o Brasil estava e está desafiado a dar saltos para acompanhar o ritmo das transformações globais tem sido um empecilho monumental para as administrações petistas. No caso do petróleo, foram cinco anos de paralisação dos leilões.

Quanto à energia em geral, a súbita sacralização do pré-sal (e, correspondentemente, a transformação da Petrobras em executora-geral dos projetos) levou ao descaso no apoio à energia renovável, à de biomassa (como o etanol da cana-de-açúcar) e à eólica.

Mais ainda não houve preocupação alguma com programas de poupança no uso da energia. Enfim, parecem ter assumido que, já que temos um mar de petróleo no pré-sal, para que olhar para alternativas?

Ocorre, entretanto, que a economia norte-americana parece estar saindo da crise iniciada em 2007/8 com uma revolução tecnológica (de discutíveis efeitos ambientais, é certo) que barateará o custo da extração dos hidrocarburetos e colocará novos desafios ao Brasil.

A incapacidade de visão estratégica, derivada da mesma nuvem ideológica a que me referi, acrescida de um ufanismo mal colocado, dificulta redefinir rumos e atacar com precisão os gargalos que atam nossas potencialidades econômicas ao passado.

Não é diferente do que ocorre com a indústria manufatureira, quando, em vez de perceber que a questão é a de reengajar nossa produção nas cadeias produtivas globais e fazer as reformas que permitam isso, se faz uma política de benefícios esporádicos, ora diminuindo impostos para alguns setores, ora dando subsídios ocultos a outros, quando não culpando o desalinhamento da taxa de câmbio ou os juros altos (os quais tiveram sua dose de culpa) pela falta de competitividade de nossos produtos.

As dificuldades crescentes do governo em ver mais longe e administrar corretamente o dia a dia para ajustar a economia à nova fase do desenvolvimento capitalista global (como o PSDB fez na década de 90) indicam que é tarde para beijar a cruz, até porque o petismo não parece arrependido. Melhor mudar os oficiantes nas eleições de 2014.

21 de mai. de 2013

Candidatura de Eduardo Campos é fato consumado, alguém tem dúvidas?

BRASIL – Eleição 2014
Candidatura de Eduardo Campos é fato consumado, alguém tem dúvidas?
Cada vez mais o governador de Pernambuco é menos veemente em negar que é candidato a Presidente do Brasil, na eleição de 2014. O Partido dos Trabalhadores, capitaneado por Lula, tenta minar a sua pretensão, por implicância ou por achá-lo potencialmente mais perigos que Aécio. Mais depois de colocar o bloco na rua, Eduardo não tem mais, nem se quisesse, como voltar atrás e ele não quer.

Foto: Flickr/Eduardo Campos

Eduardo Campos para Presidente do Brasil, prego batido, ponta virada

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Blog do Jamildo, Blog do Camarotti, Correio Braziliense

A candidatura de Eduardo Campos a presidente do Brasil, começou a semana com uma surpreendente revelação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que numa entrevista a agência Reuters disse sem rodeios que o governador de Pernambuco, havia lhe confirmado que deverá ser candidato à Presidência em 2014.

O que surpreendeu é a que a noticia não teve nenhum impacto. Era uma confirmação de uma fonte importante e colocava Campos definitivamente no palanque de 2014, sem nenhuma dúvida. Mas, ao que parece, todo mundo já sabia, tinha tanta certeza, que nem registrou a revelação como uma novidade surpreendente.

O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, não tem mais nenhuma dúvida, e já combate a candidatura de Campos com todas as forças e veemência.

O comentarista político da Globo News em Brasília, o pernambucano, Gerson Camarotti, postou nos seu blog hoje, que por determinação de Lula, o PT tentará asfixiar a candidatura de Campos.

O jornalista diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinou a cúpula petista que deflagrasse “uma estratégia para tentar asfixiar a pré-candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência da República”. “A ordem, segundo Camarotti, é tentar inviabilizar a candidatura de Campos nos próprios diretórios estaduais do PSB”.

Até janeiro Lula vinha enviando emissários com propostas para que Campos fosse vice de Dilma em 2014. Com as várias negativas do governador, o ex-presidente ficou contrariado e desde então passou a articular pessoalmente o esvaziamento da candidatura de Campos.

Entre as ações, o PT tem pressionado governadores do PSB, como Camilo Capiberibe (AP), Renato Casagrande (ES) e Wilson Martins (PI). Além disso, aposta na parceria com os irmãos Cid e Ciro Gomes no Ceará. Assim, os petistas procuram isolar Eduardo Campos dentro do seu partido.

Por outro lado, continua Gerson Camarotti, em conversas reservadas com interlocutores próximos, Eduardo Campos deixou claro que não vai se intimidar com a estratégia petista para tentar tirá-lo do jogo em 2014. Nessas conversas, Campos tem afirmado que não adianta o PT “tentar tirar oxigênio” dele e que o importante é ver se há espaço político ou não para a sua candidatura. Ele tem dito que não se sente intimidado com esses movimentos por parte dos petistas.

Para quem questiona o governador sobre sua ausência no cenário nacional nas últimas semanas, Campos tem sido enfático em dizer que não houve recuo em relação à sua disposição de lançar candidatura própria, mas que não pode descuidar da administração estadual. Ele não esconde o incômodo com o fato de o PT ter decretad0 que ele é o único nome que não pode ser candidato em 2014. “Estão jogando pesado”, desabafou para um interlocutor. Em seguida, acrescentou: “Consegui terminar o primeiro semestre, agora só falta a metade de 2013.”

Para outro interlocutor, Campos ainda lembrou de um acordo feito com a presidente Dilma Rousseff em janeiro, de que o importante para os dois era “ganhar” o ano de 2013. Campos fez referência a uma conversa com Dilma em que ambos decidiram deixar só para 2014 a definição sobre candidaturas às eleições e priorizar, no ano de 2013, o enfrentamento do cenário econômico adverso. “Para mim nada mudou”, disse Campos para um integrante do PSB.

Para tanto, neste fim de semana Eduardo Campos lançou um novo slogan de campanha, "Fazer mais e bem feito", segundo o Blog do Jamildo, nas inserções do PSB, em Goiás.

No material exibido, Eduardo Campos destaca para os goianos, os desequilíbrios regionais e afirma que "Goiás e o Centro-Oeste, como o Nordeste e o Norte, não podem abrir mão de terem políticas de incentivo fiscal". Ele também fala de geração de empregos, desenvolvimento.

O slogan anterior de Eduardo Campos, lançado nacionalmente desde abril, dizia que "É possível fazer mais e melhor". Duas semanas depois, a inserção do PT trazia Lula e Dilma pregando que "É possível fazer cada vez melhor” . Plagiou o slogan eduardista dando um tom de continuidade.

Eduardo não se fez de rogado, renovou o slogan e continuou. Aguardemos os próximos capítulos.

Fernando Henrique: “Brasil precisa retomar reformas para crescer mais”

BRASIL – Política
Fernando Henrique:
“Brasil precisa retomar reformas para crescer mais”
Durante seus oito anos de governo, Fernando Henrique conseguiu realizar algumas reformas importantes para a economia, como a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que ajudou a equilibrar as contas públicas, e a privatização de vários setores, como o de telefonia, que deu um impulso enorme para o segmento.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

"Ela não negocia o necessário para que as coisas possam sair de uma maneira mais construtiva", disse FHC referindo-se a Dilma.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Alexandre Caverni e Bruno Federowski, para a Reuters
Fonte: Reuters

O Brasil precisa retomar o caminho das reformas para mostrar aos investidores que o país tem rumo e assim voltar a crescer de forma mais robusta e consistente, avaliou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"O Brasil não continuou no caminho das reformas", disse nesta segunda-feira Fernando Henrique durante debate no Reuters Latin American Investment Summit.

"Houve uma espécie de confiança demasiada em que o impulso que tinha sido dado pela estabilidade e pelo mundo (...) tinha sido suficiente para assegurar o bem-estar 'ad aeternum'".

Nos últimos dois anos, o Brasil cresceu bem menos do que as previsões iniciais tanto do governo como do mercado, e abaixo de outras economias emergentes, apesar de medidas de estímulo adotadas pelo Executivo federal.

Mas o ex-presidente lembrou que fazer reformas não é algo simples e que normalmente embute custos políticos.

"Tudo isso requer um esforço enorme do presidente e do governo e desgasta, você perde popularidade", disse o ex-presidente que é do PSDB, o principal partido de oposição ao governo federal.

Como exemplo desse processo doloroso, ele citou a aprovação da medida provisória que criou um novo marco regulatório para o setor portuário do país na semana passada.

Durante seus oito anos de governo, Fernando Henrique conseguiu realizar algumas reformas importantes para a economia, como a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que ajudou a equilibrar as contas públicas, e a privatização de vários setores, como o de telefonia, que deu um impulso enorme para o segmento.

Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aprovar uma modesta reforma da Previdência no seu primeiro mandato, mas não foi muito além. Como Fernando Henrique, Lula tentou e não conseguiu aprovar uma reforma tributária.

Já Dilma tem se restringido a medidas mais pontuais, evitando especialmente mudanças à Constituição, que requerem uma maioria qualificada no Congresso.

"Ela não negocia o necessário para que as coisas possam sair de uma maneira mais construtiva", disse o ex-presidente.

"Ela tem uma visão mais tecnocrática. Pode ser (bom), mas não basta", argumentou. "Como presidente, não basta ser tecnocrata, precisa ser político, tem que inspirar, tem que ter visão, tem que conversar com as pessoas, tem que liderar."

Para Fernando Henrique, neste momento é preciso mostrar com clareza que o Brasil tem rumo. "O capital é medroso, quando tem dúvida, se encolhe".

Além das reformas, Fernando Henrique disse que para um crescimento econômico mais expressivo é preciso olhar também para outras questões, como a necessidade de "um novo ímpeto forte de reengajamento do setor produtivo manufatureiro ao processo global".

O ex-presidente citou a Embraer como um exemplo positivo a ser seguido nesse "reengajamento".

"Hoje nós já temos tecnologia, gente competente, condições de competitividade", argumentou.

BC E INFLAÇÃO

Num momento em que se discute o que pode ser feito para baixar a inflação dos patamares atuais sem que isso afete ainda mais o crescimento da economia, Fernando Henrique não mostrou uma grande preocupação com a alta dos preços.

"O xis da questão é como você vai olhar para inflação, tomar medidas adequadas para evitar que ela galope, e ela está longe de galopar no Brasil", disse. "A inflação nossa é de 5, 6 por cento (ao ano), quando eu era ministro era de 20 por cento ao mês."

Em abril, o índice oficial da inflação acumulou alta de 6,49 por cento em 12 meses, praticamente atingindo o teto da meta do governo --que é de 4,5 por cento mais 2 pontos de tolerância.

Num cenário em que o Brasil tem registrado taxas mínimas históricas de desemprego, o ex-presidente rejeitou a necessidade de reduzir o emprego para se frear a inflação.

"O país não precisa de desemprego para lutar contra a inflação", disse, argumentando ainda que "nenhum governo vai fazer isso, tem eleição".

"Há mecanismo de controle da inflação que não são incompatíveis com a existência de crescimento."

Fernando Henrique defendeu que o governo não interfira no trabalho do Banco Central, mas admitiu que em alguns momentos cabe ao presidente da República agir, lembrando que ele próprio demitiu presidentes do BC durante seu governo.

"Quando o BC entra em choque com a visão do presidente e do ministro da Fazenda e quem vai pagar o preço é o presidente, o presidente atua", justificou, argumentando que quem tem a legitimidade do voto é o presidente da República.

EUROPA

Com a Europa no olho do furacão da crise econômica internacional, Fernando Henrique não poupou críticas ao velho continente.

Para ele, faltam líderes na Europa e as políticas econômicas adotadas são equivocadas.

"O que a Europa está fazendo? Uma política de rigor fiscal, apertar os cintos, sem horizontes, sem esperanças. (Isso) é errado, porque você não pode pedir que o povo aperte os cintos a vida inteira."

4 de mai. de 2013

Governo e país, de Merval Pereira, para O Globo

BRASIL -
Governo e país
“Imaginem se a oposição fosse tão aguerrida hoje quanto era o PT nos governos tucanos, a tal ponto que criticava até mesmo medidas que considerava acertadas...”

Foto: Presidência da República/Foto Oficial

"Afinal, o que fazia o PT quando estava na oposição? Deixava Fernando Henrique governar com tranquilidade ou tentava por todos os meios boicotar sua administração?"

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira, para O Globo
Fonte: Blog do Merval

Outro dia o ex-presidente Lula deu uma entrevista e lá pelas tantas disse que ficava “com pena” quando via o ex-presidente Fernando Henrique, aos 80 anos, falando mal do Brasil no exterior. Na mesma toada, a presidente Dilma Rousseff desabafou recentemente para repórteres: “Tem gente torcendo para o país dar errado”. Na verdade, tanto Lula quanto Dilma se referiam a oposicionistas que criticam a atuação do governo, e não o país.

Lula chegou a uma espécie de desabafo, pedindo a Fernando Henrique que deixasse a presidente Dilma “trabalhar em paz”. O que deixa especialmente irritada a presidente Dilma é a demonstração dos erros de seu governo, notadamente agora que a inflação voltou a ser um tema relevante, saindo da esfera meramente econômica para o campo político.

Apontar os erros da equipe econômica do governo tem rendido bons momentos aos oposicionistas de diversos quilates, desde o senador Aécio Neves, provável candidato tucano à sucessão de Dilma, até o governador de Pernambuco Eduardo Campos, aspirante a oposicionista que ainda busca seu lugar no campo oposto ao que se encontra hoje.

São críticas ao governo Dilma, não ao país. Um governo representa o país, é fato, mas pode representar mal e merecer críticas. E as críticas vêm de uma oposição que, há quase unanimidade sobre isso, é muito fraca no enfrentamento do governo, além de numericamente insignificante no Congresso. Agora mesmo, quando o PT e a presidente se confundiram em mensagens partidárias e institucionais pela televisão num claro abuso de poder, não há uma manifestação maciça da oposição de crítica a essa postura, muito menos uma análise crítica das mensagens.

Imaginem se a oposição fosse tão aguerrida hoje quanto era o PT nos governos tucanos, a tal ponto que criticava até mesmo medidas que considerava acertadas, como veremos mais adiante. É mais um exemplo de como confundem o público com o privado, como se consideram donos dos cargos que ocupam transitoriamente ou, no caso de Lula, como não consegue se desapegar da Presidência da República, logo ele, que criticava a atuação de Fernando Henrique e dizia que daria o exemplo de como um ex-presidente da República deve se comportar.

Não é preciso comentar o que Lula vem fazendo fora do governo para mais uma vez constatar-se que o que Lula diz não se escreve. Esse já foi tema de várias colunas, e continua inesgotável. Vale a pena ler de novo. Afinal, o que fazia o PT quando estava na oposição? Deixava Fernando Henrique governar com tranquilidade ou tentava por todos os meios boicotar sua administração?

Para se ter uma ideia de como a atuação oposicionista radical do PT se reflete hoje no governo, basta lembrar que o PT votou contra o Fundef, que mudou radicalmente o financiamento do ensino fundamental no país; contra a criação da CPMF; contra a Lei de Responsabilidade Fiscal; contra a reforma da Previdência; contra a privatização das telecomunicações, entre muitos outros votos não. E hoje é a favor de todas elas.

Já contei como logo no início do governo Lula, quando ele assumiu surpreendentemente como tarefa de seu governo prosseguir a reforma da Previdência, conversei com o então presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha ─ hoje condenado pela participação no mensalão ─ e perguntei a ele por que o PT se batera tanto contra a reforma quando o PSDB estava no governo se agora se mostrava favorável a ela. Ele, candidamente, respondeu: “Luta política”. Simples assim.

A “luta política” justificava tudo, até mesmo trabalhar contra medidas que consideravam acertadas. Fora os erros propriamente ditos, como apostar que o Plano Real era apenas eleitoreiro, e não daria certo. O hoje ministro da Educação, Aloisio Mercadante, era a cabeça econômica do PT, e apostava nisso. Hoje, diz que a oposição, ao criticar o governo, se parece com o PT quando criticava o Plano Real.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

28 de mar. de 2013

Incentivado por Sarney FHC candidata-se a imortal

BRASIL - Cultura
Incentivado por Sarney FHC candidata-se a imortal
O ex-presidente é o primeiro e até agora único candidatoa a vaga da cadeira de número 36 era ocupada pelo jornalista João de Scantimburgo, na Academia Brasileira de Letras

Foto: Marcelo Sayão/EFE

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é candidato a ocupar a cadeira de número 36 da Academia Brasileira de Letras, que ficou vaga em virtude da morte do jornalista João de Scantimburgo, na última sexta-feira. A formalização da candidatura foi feita na tarde desta quarta-feira, após a sessão da saudade em homenagem a Scantimburgo, que se encerrou por volta das 17 horas.

O acadêmico Celso Lafer levou de São Paulo a carta formalizando a candidatura de FHC. O secretário geral da academia, Geraldo Holanda Cavalcanti, no exercício da presidência da ABL, determinou à secretaria que considere oficialmente inscrito ex-presidente.

A candidatura de FHC partiu de um convite feito por José Sarney, que levou o assuntos para análise dos demais acadêmicos, segundo a coluna Radar on-line, de Lauro Jardim.

O ex-presidente já teria garantidos os votos dos acadêmicos Eduardo Portella, Celso Lafer, Paulo Coelho, Merval Pereira, Geraldo Hollanda Cavalcanti, Antônio Carlos Secchin, Sergio Paulo Rouanet, Alberto da Costa e Silva, Sábato Magaldi, Hélio Jaguaribe, Marcos Villaça e José Murillo de Carvalho.

Como funciona o processo de eleição de um 'imortal'?

Uma vaga na ABL só é aberta com a morte de um de seus 40 membros. Ao fim da chamada Sessão de Saudade, em que o acadêmico morto é homenageado, é declarada oficialmente a vacância da cadeira. A partir de então, os interessados podem se candidatar num prazo de 60 dias.

É preciso enviar uma correspondência à ABL com um currículo, formalizando o interesse. As eleições ocorrem cerca de um mês depois do encerramento das inscrições.

Não há outra maneira de ingressar na Academia, ou seja, todos os interessados precisam passar pelo processo eleitoral.

6 de mar. de 2013

Sem disfarce nem miopia, de Fernando Henrique Cardoso, para o Estadão

BRASIL - Opinião
Sem disfarce nem miopia
“Na cartilha de exaltação aos dez anos do PT no poder, com capa ao estilo realismo socialista e Dilma e Lula retratados como duas faces de uma mesma criatura, a História é reescrita para fazer as estatísticas falarem o que aos donos do poder interessa”. “Nada de novo sob o sol: é só lembrar dos museus soviéticos que borravam nas fotos os rostos dos ex-companheiros caídos em desgraça...”

Foto: Alessandro Carvalho

Quando o PSDB fez o Plano Real, percebeu as oportunidades que se abriam para o Brasil com a globalização, desde que ajustássemos a economia e iniciássemos políticas de inclusão social.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Henrique Cardoso sociólogo e ex-Presidente da República
Fonte: Estadão

As forças governistas, depois de precipitarem a campanha eleitoral, voltaram ao diapasão antigo: comparar os governos petistas com os do PSDB. Chega a ser doentio! Será que não sabem olhar para a frente? As conjunturas mudam. O que é possível fazer numa dada fase muitas vezes não pode ser feito em outra; políticas podem e devem ser aperfeiçoadas. Porém, na lógica infantil prevalecente, em lugar de se perguntar o que mudou no País em cada governo, em que direção e com qual velocidade, fazem-se comparações sem sentido e imagina-se que tudo começou do zero no primeiro dia do governo Lula. Na cartilha de exaltação aos dez anos do PT no poder, com capa ao estilo realismo socialista e Dilma e Lula retratados como duas faces de uma mesma criatura, a História é reescrita para fazer as estatísticas falarem o que aos donos do poder interessa. Nada de novo sob o sol: é só lembrar dos museus soviéticos que borravam nas fotos os rostos dos ex-companheiros caídos em desgraça... O PSDB não deve entrar nessa armadilha. É melhor olhar para a frente e deixar as picuinhas para quem gosta delas.

Quanto ao futuro, o governo está demonstrando miopia estratégica. Depois de quatro anos iniciais de consolidação da herança bendita, a política econômica teve de reagir ao violento impacto da crise de 2007/2008. Foi necessário, sem demora, expandir o gasto público, desonerar setores produtivos, ampliar o crédito por intermédio dos bancos públicos, etc. Em situações extraordinárias, medidas extraordinárias. Mas o cachimbo foi entortando a boca: a discricionariedade governamental tornou-se a regra desde então. Com isso, a credibilidade do Banco Central foi posta em xeque, a transparência das contas públicas também. Cresceram as dúvidas sobre a inflação futura e sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.

Não há que exagerar na crítica: por ora, o trem não descarrilou. Mas as balizas que asseguraram crescimento com estabilidade - câmbio flutuante, metas inflacionárias e responsabilidade fiscal -, mesmo ainda em pé, se tornam cada vez mais referências longínquas. A máquina governamental está enguiçada, como o próprio governo sente, e sua incapacidade para consertá-la é preocupante. Os expedientes utilizados até agora com o propósito de acelerar o crescimento deram em quase nada (o pibinho). Na ânsia de acelerar a economia, o governo beijou a cruz e apelou para as concessões (portos, aeroportos, estradas) e mesmo privatizações (de partes da distribuição energética). Mas a viseira ideológica, o hábito de se fechar em pequenos grupos, a precariedade gerencial não permitem dar efetividade a decisões que ferem o coração de suas crenças arcaicas.

Enquanto a China puxar as exportações de matérias-primas e de alimentos, tudo se vai arranjando. Mesmo assim, a produção industrial torna-se menos competitiva e perde importância relativa no processo produtivo. A balança comercial já deixou de ser folgada, mas com o financiamento estrangeiro as contas vão fechando. No curto prazo, tudo bem. Em prazo mais longo, volta a preocupar o fantasma da "vulnerabilidade externa".

Já se veem no horizonte sinais de retomada na economia mundial. Não me refiro a uma incerta recuperação do emprego e do equilíbrio fiscal, este em alguns países da Europa, aquele nos Estados Unidos. Refiro-me ao que Schumpeter salientava para explicar a natureza do crescimento econômico, uma onda de inovações. Provavelmente serão os Estados Unidos que capitanearão a nova investida capitalista mundial. O gás de xisto e os novos métodos de extração de petróleo tornarão aquele país a grande potência energética. Junto com ele, Canadá, México, Argentina e Brasil podem ter um lugar ao sol. De ser isso verdade, uma nova geopolítica se desenha, com, por um lado, um polo chinês- asiático e outro americano. Isso num contexto político e cultural que não aceita hegemonias, no qual, portanto, a multiplicidade de polos e subpolos requer uma nova institucionalidade global.

Diante disso, como ficará o Brasil: pendendo para a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), de inspiração chavista? À margem da nova aliança atlântica proposta pelos Estados Unidos que, por agora, contempla apenas a América do Norte e a Europa? Iremos fortalecer nossos laços com o mundo árabe longínquo, ou este terminará por se aconchegar na dupla formada pela China e pela Índia, ambos países carentes de energia? E como nos situaremos na dinâmica da nova fase do capitalismo global? Ao que eu saiba, ela continuará dependendo do aumento contínuo de produtividade para assegurar as bases do bem-estar social (que não será decorrência automática disso, mas de políticas adequadas). Como, então, querer acelerar o crescimento utilizando truques e maquiagens, do tipo subsídios tópicos, exceções de impostos setoriais, salvamento de empresas via hospital BNDES ou Caixa Econômica?

Quando o PSDB fez o Plano Real, percebeu as oportunidades que se abriam para o Brasil com a globalização, desde que ajustássemos a economia e iniciássemos políticas de inclusão social. Na época o PT não entendeu do que se tratava. Queria dar o calote da dívida externa e sustentava o inadequado programa Fome Zero, que jamais saiu do papel. Foram as bolsas que o PSDB introduziu que salvaram o PT quando este, tardiamente, se deu conta de que era melhor fazer uma política de transferência direta de rendas. Em geral, aferrou-se à ideia de que a globalização seria uma ideologia - o neoliberalismo -, e não a maneira contemporânea de organizar a produção com base em novas tecnologias e novas normas. Não estará o PT repetindo o equívoco, com uma leitura míope do mundo e distorcida do papel do Estado? A resposta cabe ao governo. Ao PSDB cumpre oferecer a sua visão alternativa e um programa contemporâneo que amplie as possibilidades de realização pessoal e coletiva dos brasileiros. Sem esquecer o passado, mas com os olhos no futuro.

7 de jan. de 2013

Sem saudades, de Fernando Henrique Cardoso, para o Estado de S. Paulo

BRASIL - Opinião
Sem saudades
“Há, portanto, boas razões para desconfiar que 2013 nos prepare dias melhores. Resta o consolo de que entre nós, brasileiros, a despeito do já dito e do desapontador "pibinho", que parece desenhar outro apenas melhorzinho para o ano em curso, pelo menos o Judiciário desempenhou seu papel. Sem me regozijar pelo que não me anima - a desolação da cadeia para quem quer que seja -, é forçoso reconhecer que as instituições republicanas funcionaram. Há choro e ranger de dentes entre alguns poderosos.”

Foto:Valeria Gonçalvez/AE

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Henrique Cardoso, para o Estado de S. Paulo
Fonte: Estadão

É quase uma constante começar o ano-novo com um balanço sobre o que finda e com votos de esperança para o futuro. Neste janeiro, não fosse a reiteração da esperança, haveria dificuldades em manter o ânimo. Melhor imaginar que algo de positivo ocorrerá no futuro, porque do ano que se encerrou pouco restou de bom. Na vida pessoal é distinto. Cada um fará o balanço que melhor lhe aprouver; eu, pessoalmente, nada de monta tenho a lastimar. Mas nos acontecimentos públicos, quanto desalento. Ainda bem que a História não se repete automaticamente. Vade retro!

Comecemos pela economia e pelas finanças internacionais. Quando parecíamos estar saindo da recessão que se arrastava desde 2008, a recuperação mundial mostrou-se mais lenta e a crise na Europa, ainda mais profunda. É desolação para todos os lados. Os americanos, mais pragmáticos, nadam de braçada num mar de dólares trocados por títulos de solvência difícil, à custa do resto do mundo. Este não sabe o que fazer com a taxa de câmbio para se defender da inundação de dólares enquanto os Estados Unidos postergam o dia do ajuste final. Sua taxa de desemprego continua elevada, embora não em ascensão; não exibem retomada vigorosa da economia, sem, todavia, cair no abismo fiscal anunciado pela imprensa, o fiscal cliff. Ou melhor, estão mergulhados nele, mas com escafandro: mantêm as ruas aquietadas e vão contornando sem violência os que protestam nas praças, como no caso do movimento Occupy. Não conseguem, é verdade, escapar do abismo político das posições radicalmente distintas entre republicanos e democratas, muito maior do que aquele no qual está imerso o Tesouro. Os dois partidos não se entendem para definir uma política fiscal que alivie as aperturas do Tesouro, pois os republicanos não aceitam impostos que taxem mais os ricos nem apoiam medidas que deem alívio às dificuldades dos mais pobres, sobretudo na questão da saúde. A sociedade americana parece bloqueada.

Os europeus pretendem levar a sério o que os americanos dizem, não o que fazem. Pilotam a economia com rédea de ferro, ortodoxos como ninguém conseguira antes. E a economia, tal como o cavalo do inglês que, quando aprendeu a viver sem comer, morreu, vai de austeridade em austeridade desfazendo o tão penosamente construído modelo social europeu, rompendo, ou melhor, sufocando o Estado de bem-estar social e destruindo as bases de um pacto de convivência aceitável. É governo caindo por todo lado e desemprego fazendo as famílias gemerem sem ilusões. E nada de o PIB crescer nem de as contas públicas melhorarem: da crise de liquidez do setor bancário privado passaram à quebradeira dos Tesouros nacionais, enquanto o euro continua intrépido, como se fosse bandeira da Alemanha triunfante. Esta, por sua vez, torna-se capenga pela falta de quem compre as mercadorias que sua produtividade torna baratas em comparação com as produzidas além-fronteiras.

Até a China, cujo aparelho produtivo, baseado em exportações, foi criado em aliança com as multinacionais, teve de se ajustar às circunstâncias, pois lhe falta hoje o vigor do mercado externo de outrora. O país reconstitui penosamente seus objetivos; por ora, essa transição não se completou e o velho modelo já não produz os mesmos exuberantes resultados. Tenta aumentar o consumo doméstico e criar a rede de proteção social indispensável para dar ânimo às pessoas e fazê-las, em vez de poupar para a velhice e a invalidez, consumir. Ao mesmo tempo, com demanda interna insuficiente, a China reduz suas compras de commodities e busca exportar mais os muitos produtos manufaturados que fabrica. O Brasil sofre com isso. Se aqui a crise não produziu um tsunami, suas marolas se converteram em marasmo, que obriga à navegação à vela em tempos de calmaria.

Se pelo menos a situação política mundial desse algum sinal de melhoria, haveria consolo. No final de 2011 meus votos foram pela construção de uma melhor governança global, processo que se avizinhava. Não foram atendidos, demos marcha à ré. As esperanças suscitadas pelo G-20 viraram poeira e, pelo menos até agora, a regulação do mercado financeiro virou balela. No plano das relações de poder, apesar dos avanços já alcançados - as razoáveis relações sino-americanas, o deslocamento do eixo do mundo para a Ásia, a progressiva aceitação da Rússia como parte do jogo de poder mundial e o reconhecimento do peso político específico de alguns dos países de economia emergente, como o Brasil -, não houve progresso de monta. O que parecia um ressurgimento que permitiria o reconhecimento do mundo árabe-islâmico como parceiro global - a Primavera Árabe - ainda é uma incógnita. Como se não bastassem a desastrada intervenção europeia na Líbia, que resultou em faccionalismo e violência, a revolta fomentada na Síria, com enorme custo humano, o fracasso da intervenção ocidental no Afeganistão e o congelamento de uma situação política precária no Iraque, há ainda o impasse nas relações palestino-israelenses. Este, graças à aceitação pela ONU do Estado palestino na condição de observador, junto com a enigmática revolução egípcia, poderá ser rompido. Sabe-se lá usando quais meios. Oxalá não os nucleares, pretextando a nuclearização do Irã.

Há, portanto, boas razões para desconfiar que 2013 nos prepare dias melhores. Resta o consolo de que entre nós, brasileiros, a despeito do já dito e do desapontador "pibinho", que parece desenhar outro apenas melhorzinho para o ano em curso, pelo menos o Judiciário desempenhou seu papel. Sem me regozijar pelo que não me anima - a desolação da cadeia para quem quer que seja -, é forçoso reconhecer que as instituições republicanas funcionaram. Há choro e ranger de dentes entre alguns poderosos. Há tentativas desesperadas de negar as evidências e acusar de farsa o que é correto. Mas tem prevalecido a serenidade dos que acreditam, como diz a bandeira dos mineiros sobre a Liberdade, que a Justiça pode tardar, mas não falha. São meus votos.

20 de dez. de 2012

FHC defende início do julgamento do mensalão mineiro

BRASIL
FHC defende início do julgamento do mensalão mineiro
'Tem que julgar e julgar rápido', afirmou o ex-presidente ao ser questionado sobre esquema que teria abastecido caixa de campanha de políticos tucanos

Foto: Marcos de Paula/Estadão

LEGENDA

Postado por Toinho de Passira
Texto de Alfredo Junqueira , para Agência Estado
Fonte: Estadão

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta quarta-feira, 19, que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicie o julgamento do chamado mensalão mineiro, esquema de desvio de recursos públicos que abasteceu caixa de campanha de políticos tucanos locais. Ele criticou o fato do processo do mensalão do PT, concluído esta semana, ter paralisado o País. Para o ex-presidente, isso mostra que ainda não existe "um sentimento efetivo do respeito à lei" no Brasil.

"O Brasil ficou quase paralisado frente a um julgamento quando deveria ser uma coisa normal. Por quê? É que tem graúdos aí sendo julgados. O que mostra que é inusitado. Um país que ainda tem pouco respeito à igualdade, pelo menos perante a lei, não dá. O fundamento da democracia é a igualdade", afirmou o ex-presidente, em discurso na Associação Comercial do Rio.

Questionado se essa critica se estendia ao fato de ainda não ter sido julgado o mensalão tucano de Minas Gerais, FHC disse que suas declarações valem para todos. "Isso vale para todos. Não sou uma pessoa de ficar... Está ou não errado? Não sou juiz. Não sei. Tem que julgar e julgar rápido", afirmou. O ex-presidente também disparou críticas contra o Congresso, a CPI do Cachoeira e a correligionários. Para ele, o Brasil precisa passar por uma "sacudida forte" e que é necessário iniciar um movimento para se construir um país decente.

"Estamos todos vendo que o rei está nu. E temos medo de dizer que o rei está nu. Um dia o povo vai dizer que o rei está nu, e nos enganou. Não vamos nos enganar mais, vamos falar com franqueza, com sinceridade, e assim vamos ajudar a conduzir um Brasil melhor para todos nós", disse FHC, ao fim do discurso.

Posteriormente, ele negou que estava se referindo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de mais uma série de denúncias nas últimas semanas.

"Eu não faço insinuações. Quando eu digo, eu digo. Já escrevi uma vez sobre o Lula um artigo com esse título (O Rei está nu), mas não foi agora. Faz oito anos. Agora eu disse metaforicamente. As coisas estão erradas e todos nós estamos vendo. Não foi pessoal", afirmou FHC.

Ao analisar a maneira como o poder público vem conduzindo questões importantes para toda a sociedade, o ex-presidente comparou o momento atual com o período da ditadura militar: "Estamos vivendo de novo como se vivia nos anos 70. Projeto impacto. O governo decide, publica e acabou", criticou o ex-presidente, citando a importância de se debater temas nacionais e dando como exemplo a questão dos royalties do petróleo.

FHC disse ainda considerar falsa a crise entre o Congresso e o STF, por conta da cassação dos mandatos de deputados condenados no mensalão e questões referentes aos royalties do petróleo.

"Não há crise nenhuma. Tudo é uma questão de interpretação. Uma vez que o Supremo toma a decisão de suspender os direitos políticos, não há como a pessoa exercê-lo. Agora, eu entendo que se informa à Câmara, que deverá tomar uma decisão formal de levar adiante a execução do caso. Fora disso, acho que é uma tempestade em copo d''água", disse.

3 de dez. de 2012

Melancolia e revolta, de Fernando Henrique Cardoso, para O Estado de S.Paulo

Melancolia e revolta, Fernando Henrique Cardoso para O Estado de S.Paulo

BRASIL - Opinião
Melancolia e revolta
“As proezas de cinismo e leniência praticadas por alguns dos personagens que apareciam como heróis-salvadores são chocantes. Dá lástima ver hoje uns e outros confundidos na coorte de dúbios personagens que alegam nada saber dos malfeitos.” “Chegará o momento, como chegou nos anos 1980, em que, com toda a aparência de poder, o sistema fará água”.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Henrique Cardoso para O Estado de S.Paulo
Fontes: Estadão

Não sou propenso a queixas nem a desânimos. Entretanto, ao pensar sobre o que dizer neste artigo senti certa melancolia. Escrever outra vez sobre o "mensalão" e sobre o papel seminal do Supremo Tribunal Federal? Já tudo se sabe e foi dito. Entrar no novo escândalo, o do gabinete da Presidência da República em São Paulo? Não faz meu estilo, não tenho gosto por garimpar malfeitos e jogar mais pedras em quem, nessa matéria, já se desmoralizou bastante.

Tentei mudar de foco indo para o econômico. Mas de que vale repetir críticas aos equívocos da política petrolífera, que começaram com a redefinição das normas para a exploração do pré-sal? As novas regras criaram um sistema de partilha que se apresentou como inspirado no "modelo norueguês" - no qual os resultados da riqueza petrolífera ficam num fundo soberano, longe dos gastos locais, para assegurar bem-estar às gerações futuras -, quando, na verdade, se assemelha ao modelo adotado em países com regimes autoritários. Até aqui o novo modelo gerou apenas atrasos, custos excessivos e estagnação na produção de petróleo, além de uma briga inglória (e injusta para com os Estados produtores) a respeito de royalties que ainda não existem e que, quando existirem, serão uma torneira aberta para gastos correntes e pressões inflacionárias. A contenção do preço da gasolina já se tornou rotina, mesmo que afete a rentabilidade da Petrobrás e desorganize a produção de etanol. O objetivo é segurar a inflação por meio de artifícios e garantir a satisfação dos usuários. Calo sobre os efeitos da redução continuada do IPI para veículos e do combustível artificialmente barato. Os prefeitos que cuidem de aumentar ruas e avenidas para dar cabida a tanto bem-estar... E os moradores das grandes cidades que se munam de ainda maior paciência para enfrentar mais congestionamentos.

E que dizer da tentativa de cortar o custo da energia elétrica, que teve como resultado imediato a perda de valor das ações das empresas? E essa agora de altos funcionários desdizerem o anunciado e, sem qualquer segurança sobre como será ajustado o valor do patrimônio das empresas do setor elétrico, provocarem súbitas altas nas ações? O pior é que ninguém será responsabilizado por eventuais ganhos de especulação advindos da falta de compostura verbal. Valerá a pena insistir em que o trem-bala é um desvario na atual conjuntura, pois terminará sendo pago pelos contribuintes, como estão sendo pagas as usinas mal licitadas? Para a construção destas, pelas condições estabelecidas pelo próprio governo, praticamente só acorrem empresas estatais financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com dinheiro transferido do Tesouro, quer dizer, seu, meu, nosso. E as rodovias e os aeroportos? Uma novela que já vai longe, numa trama desencontrada. Tomara ainda tenhamos final feliz...

Olhando em retrocesso, nos anos da grande ilusão, lá pelos finais de 1970 e meados dos 1980, os "projetos-impacto", como a Transamazônica, a Ferrovia do Aço e outros tantos, feitos a partir de decisões tecnocráticas nos gabinetes ministeriais, nos estarreciam. Clamávamos também contra indícios de corrupção. Não poderíamos imaginar que, depois das greves de São Bernardo do Campo e das Diretas-Já, as mesmas distorções seriam praticadas por alguns que então as combatiam. Criticava-se tanto o nepotismo e o compadrio, a falta de profissionalismo na administração e de transparência nas decisões, e se imaginava com tanta fé que o Congresso Nacional livre daria cobro aos desmandos, que é difícil esconder a desilusão. As proezas de cinismo e leniência praticadas por alguns dos personagens que apareciam como heróis-salvadores são chocantes. Dá lástima ver hoje uns e outros confundidos na coorte de dúbios personagens que alegam nada saber dos malfeitos.

O que entristece, porém, não é somente a conduta de algumas pessoas. É o silêncio das instituições democráticas. A mídia fala e cumpre o seu papel. Cumpre-o tão bem que é confundida pelos que sustentam os malfeitos como se fosse ela, e não a polícia, quem descobre os desatinos ou como se servisse à oposição interessada em desgastar o governo. Recentemente, algumas instituições de Estado começaram a agir responsavelmente: o Ministério Público pouco a pouco perdeu o ranço ideológico para se concentrar no que lhe é devido, a defesa da lei em nome da sociedade. Os tribunais, especialmente depois de o Conselho Nacional de Justiça ser organizado, começam a sacudir a poeira e a julgar, dando-lhes igual o réu ser potentado ou pobretão. Mas o Congresso e os partidos estão longe de corresponder aos anseios dos que escrevemos a Constituição de 1988.

O Congresso, que na Carta de 88, por sua inspiração inicial parlamentarista, ficou com responsabilidades enormes de fiscalização, prefere calar e se submeter docilmente ao Executivo. Voltamos aos tempos da República Velha, com eleições a bico de pena e as Comissões de Verificação dos Poderes, que cassavam os oposicionistas. Só que agora somos "modernos": não se frauda o voto, asseguram-se maiorias pelos balcões ministeriais ricos em contratos e por emendas parlamentares distorcidas. Com maiorias de 80% parece até injusto pedir que a oposição atue. Como?

De qualquer maneira, é preciso bradar e mostrar indignação e revolta, ainda que pouco se consiga de prático, mesmo sem esperança de vitória ou retribuição imediata, como se fazia no tempo do autoritarismo. Não há bem que sempre dure nem mal que não acabe. Chegará o momento, como chegou nos anos 1980, em que, com toda a aparência de poder, o sistema fará água. Entre as centenas, talvez milhares de pessoas que se beneficiam da máquina do poder e os milhões de pessoas "emergentes" ávidas por melhorar sua condição de vida por este Brasil afora, há espaço para novas pregações? Novas ilusões? Quem sabe... Mas, sem elas, é a rotina do já visto, das malfeitorias e dos "não sei, não vi, não me comprometo".
*Acrescentamos subtítulo e foto e legenda a publicação original

30 de nov. de 2012

FHC põe o dedo na ferida: “... o erro de Lula é confundir o público com o privado.”

BRASIL - Corrupção
Fernando Henrique põe o dedo na ferida:
“... o erro de Lula é confundir o público com o privado.”
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda ontem, em vez de explicar as relações confusas que foram estabelecidas em seu governo e que deram em corrupção, citou de novo que tirou milhões da pobreza. Tirou, porque nós (do PSDB) mudamos o Brasil’ – disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Foto: Ascom

Fernando Henrique Cardoso e o “xis” da questão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

Em palestra realizada na capital paulista, o ex-presidente Fernando Henrique, pôs o dedo na ferida, dizendo que “o erro do PT foi imaginar que, para mudar o país, era necessário “ocupar o Estado”.

— A confusão entre o público e o privado, nós não podemos aceitar. Esse é pilar fundamental da crença do PSDB. Uma coisa é o governo, outra coisa é a família. A confusão entre o interesse de família e o interesse público leva à corrupção, um cupim da democracia — criticou ele.

Perguntado se estava se referindo à Operação Porto Seguro, respondeu negativamente:

— Não, é geral. Não gosto de entrar em detalhes e não sou da investigação, mas é geral, não dá certo. O maior problema do Brasil, tradicionalmente na nossa cultura política, é o clientelismo e o patrimonialismo, confusão do público com o privado. Isso vem de sempre, desde o império, a colônia, mas tem de acabar.

A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, que acompanhou Lula em várias viagens oficiais, é apontada pela PF como integrante de um esquema que levava empresas a obterem vantagens em órgãos federais. Rosemary também usou sua influência para obter cargos em empresas públicas para sua filha e até para o ex-marido.

— O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda ontem, em vez de explicar as relações confusas que foram estabelecidas em seu governo e que deram em corrupção, citou de novo que tirou milhões da pobreza. Tirou, porque nós (do PSDB) mudamos o Brasil — afirmou o dirigente tucano.

Bizarro é que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) perguntado sobre as declarações do ex-presidente tucano acabou dizendo que não havia entendido bem o que FHC queria dizer com essa história de confundir o público com privado, família..?

Marco Maia, como todo bom petista, fingem ter perdido a noção do certo e do errado. Desde que Lula ocupou com a horda petista o estado brasileiro, o dinheiro público e os bolsos petistas confundiram-se, numa simbiose doentia.

Os petistas são hoje dependentes químicos do dinheiro público. Desviar verbas, fraudar licitações e cobrar propinas transformou-se numa atividade tão rotineira que nem parece mais uma coisa ilegal.

Só falta Zé Dirceu, o quadrilheiro, perguntar fingindo espanto: Era crime desviar dinheiro? Mesmo eu sendo Ministro?

Não há, porém, petista ingênuo, essa historia de confusão entre o público e o privado, tem mão única: nunca se ouviu, nem se ouvirá falar, de um petista que tenha por engano abarrotado um cofre público com o dinheiro do próprio bolso.

18 de nov. de 2012

Em dez anos, PT dobra o número de ministérios

BRASIL - Política
Em dez anos, PT dobra o número de ministérios
O número de Ministérios do Governo Dilma subira para 39, em poucas semanas, já há planos para o 40º Ministério, inchando ainda mais a máquina administrativa e a folha de pagamento do governo federal. Nos tempos de Fernando Henrique Cardoso eram 22 e no de Fernando Collor, 12. A Alemanha, a quarta maior economia do Mundo, possui apenas 16 ministérios.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Ministros saindo pelo ladrão - O salão oval não consegue mais suportar o grande número de ministro, nessa reunião no começo do ano, eram 38, em breve serão 40, daqui a pouco haverá uma sala anexa, onde alguns ministros participarão da reunião através de um telão.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo

A reportagem de Maria Lima, para o Globo, mostra que desde que chegou ao poder o Partido dos Trabalhadores quase que dobrou o número de ministérios. É visível que não se trata de uma preocupação de melhorar o gerenciamento do governo, a motivação primordialmente é acomodar políticos dos partidos aliados, uma espécie de mensalão ministerial.

Quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, em 2002, a esplanada dos ministérios abrigava 21 ministérios (aí incluídas as secretarias com status de ministérios). Lembrar que FHC recebia permanentes críticas do PT e de Lula, pelo número excessivo de ministérios.

Durante o governo petista, Lula-Dilma, quase dobrou número de ministros, o ano de 2012 termina com 38 titulares ocupando os ministérios, e com o 39º ministério, o da Pequena e Micro Empresa, prestes a ser ocupado. A presidente Dilma Rousseff ainda pode ampliar esse recorde e chegar a 40ª pasta, se cumprir a promessa de criar o Ministério da Irrigação Nacional, feita aos governadores do Nordeste no início do ano.

Para fazer funcionar esses ministérios, no mesmo período aumentou também o número de servidores ativos do Executivo Federal e, por consequência, o custo da folha de pagamento. O contingente de servidores passou de 809,9 mil para 984,3 mil. Já os salários, que consumiam R$ 59,5 bilhões em 2002 (ou R$ 115,9 bilhões em valores já corrigidos), chegaram a R$ 154,5 bilhões até agosto deste ano.

A ocupação da cadeira de ministro acontece, em quase toda sua totalidade, pelo critério político. Há um indisfarçável loteamento ministerial. Cada partido da base aliada tem proporcionalmente, baseado no número de parlamentares que possuem no congresso, direito a uma fatia ministerial do governo.

Cada um desses ministérios são verdadeiros feudos. A expressão “ministério de porteira fechada” significa que o partido ganhou um ministério para administrar, com todos os poderes para nomear todos os cargos de direção das empresas e órgãos que integram a pasta.

Seguindo a regra presidencial, os ministros escolhem esse presidentes de estatais e diretores de órgãos públicos federais, no mesmo critério político e esses dirigentes, espalham a influência do partido pela empresa, autarquia ou repartição, acomodando os correligionários, dentro dos seus feudos.

Por esse critério é que desde 2008, o advogado Edison Lobão, apadrinhado por José Sarney, ocupa como parte de cota do PMDB e sem o menor conhecimento técnico, o Ministro das Minas e Energias (vide apagões).

Outro exemplo clássico é o Ministério da Pesca, que foi criado no início do Governo Lula, para abrigar o PT de Santa Catarina e hoje hospeda evangélicos do PRB do ministro Marcelo Crivella (RJ), que ao ser nomeado, confessou aos jornalistas que nunca pôs uma minhoca num anzol e nem sabia dados sobre a pasta que iria ocupar, como, por exemplo, a extensão do litoral brasileiro. (O litoral do Brasil tem 7.408 quilômetros de extensão, ou 9.198 se forem computadas todas as reentrâncias).

Essa versão do mensalão, em novo formato, é praticado a luz do dia, sem nenhum pejo ou disfarce, uma espécie de cracolândia presidencial, onde o governo federal loteia o poder e o acesso aos cofres públicos, como se fora o butim de uma ação criminosa.

Nesse momento, por exemplo, a presidenta Dilma está oferecendo, ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, como moeda de troca por apoio no Congresso, o Ministério da Pequena e Micro Empresa, que é ainda um feto, pois teve sua criação aprovada pela Câmara. há pouco mais de uma semana, mas só virá ao mundo quando conseguir a concordância do Senado.

Segundo a jornalista Maria Lima, esta fatia ofertada ao PSD, já faz parte do projeto de reeleição de Dilma, em 2014. Kassab já declarou esse apoio, mas seu partido, com 54 deputados, ainda tenta melhorar a proposta presidencial, quem sabe com a criação de mais um ministério?

O estouro do número de ministérios para acomodar novos partidos da base governista, sindicatos e movimentos sociais ocorreu no primeiro governo Lula, que pulou das 21 pastas do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso para 34 no primeiro mandato petista, 37 no segundo e 39 com Dilma. Constate-se que no governo Collor existiam apenas 12 ministérios.

Economistas avaliam que a criação de pastas apenas para acertos políticos, sem levar em conta a lógica econômica ou de melhoria dos serviços públicos, compromete as contas públicas, num momento de estouro da meta de superávit primário, descontrole do gasto com custeio e baixo investimento em áreas estratégicas, como infraestrutura.

Foto: Hermínio Oliveira/ABr

ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS, BRASILIA Como nos presídios brasileiros, há uma insuportável superlotação de Ministérios. Só para se ter uma ideia do gigantismo da máquina administrativa brasileira, com 38 ministérios, a vizinha Argentina tem 16 ministérios, o Chile, 22, e a Alemanha, a quarta maior economia do Mundo, também 16.

O gigantismo e o domínio partidário de uma fatia do governo é terreno fértil para a corrupção, desmandos e entrave no funcionamento.

Os ministérios sucessivos são criados para administrar fragmentos antes sob a alçada de outros ministérios, às vezes acabam superpondo atividades e na maioria dos casos, piorando a qualidade do serviço que era prestado anteriormente.

A criação da pasta da Pequena e Micro Empresa é considerada dispensável, porque já há outros órgãos que cuidam especificamente das políticas do setor: Sebrae (sistema S); a Apex (Agência de Promoção de Exportações), que estimula as pequenas empresas; e um grupo ministerial permanente, com representantes dos ministérios, coordenando os programas desses órgãos.

O economista Mansueto Almeida, do Ipea, alerta para a criação de um emaranhado de estruturas que se misturam, sem resultados satisfatórios. No caso da Irrigação, já há três ministérios que, teoricamente, deveriam resolver esse problema: Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Integração Nacional, além de órgãos como Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).

O gigantismo é tal, que existe claramente ministros de primeira, segunda e até de terceira classe. Há ministros que jamais despacham com a presidenta Dilma, estiveram com ela, apenas no ato da posse, depois disso só a avistam de longe, em festas de lançamento de programas.

As reuniões ministeriais com a presidência, de parte desses ministros, é terceirizada, são feitas junta a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Hoffmann, porém, não consegue atender toda a demanda e subloca parte desses “desprestigiados” para despachar com outros ministros, terceirizando a terceirização.

São tantos e tão variados os ministros, que por vezes tem a entrada barrada, por subordinados, que não lhe conhecem, na entrada de prédios públicos de órgãos do próprio ministério. Não é raro vê-se no ministério da Casa Civil, uma fila de ministro esperando o elevador.

Em resumo, a politica ministerial é uma torre de babel, os ministros, na grade maioria, não possuem afinidades com a atividade que administram, não se conhecem, agem individualmente, cada um defende apenas sua facção partidária, não conversam entre si, e estão focados apenas nas próximas eleições, dando bananas para o futuro do país.

Não se surpreendam se em breve tivermos os Ministérios das Bananas: Ministério da Banana-nanica, Ministério da Banana-da-terra, Ministério da Banana-prata, Ministério da Banana Banana-maçã, etc.


23 de set. de 2012

Humberto Costa fora do segundo turno, se houver

BRASIL – Recife – Eleição 2012
Humberto Costa fora do Segundo turno, se houver
Segundo o Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau, o petista Humberto Costa, o candidato de Lula, deu um despencada monumental e está na terceira posição, com 16% das intenções de votos. O novo segundo colocado é Daniel Coelho, candidato de FHC, com 22%. Lá na frente Geraldo Júlio com 38%, o candidato de Eduardo Campos (com chances de vencer no primeiro turno). Na zona do desespero, Humberto Costa, tentou evitar, no tapetão do TRE, que essa pesquisa fosse publicada, alegando irregularidade. O juiz negou. Interessante, é que ele achava corretas as pesquisas do IPMN, quando aparecia com 40% das intenções de votos.


BYE, BYE- Humberto Costa, crescendo para baixo feito rabo de jumento.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Jamildo

A pesquisa do Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau/Jornal do Commercio para prefeito do Recife divulgada neste domingo (23) mostra o candidato Daniel Coelho (PSDB) como o único que cresceu nesses últimos dez dias, atingindo os 22% das intenções de voto e ultrapassando Humberto Costa (PT), que segue em queda livre e se encontra com 16% na terceira colocação.

Geraldo Julio (PSB) continua na liderança, mas sem crescimento na nova amostragem IPMN/JC. Variou um ponto percentual para baixo em relação à pesquisa anterior, ficando com 38%. Mendonça Filho parou de cair e variou um ponto para mais, atingindo 6%.

Geraldo Julio (PSB), pela primeira vez desde a primeira pesquisa, não apresentou crescimento. É aguardar a próxima pesquisa para saber se o socialista atingiu seu teto, o que o deixaria mais distante dos planos de liquidar a disputa no primeiro turno.

O deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) segue crescente, agora assume a segunda posição, com 22%, seis pontos a frente do petista. Se o percentual de Geraldo seguir estacionado e Humberto não se recuperar, Daniel deve figurar no segundo turno diante de Geraldo Julio.

O senador Humberto Costa (PT) segue em queda livre. O petista figurava com 36% das intenções de voto na primeira pesquisa, em 12 de julho, e apresentou quedas em todas as pesquisas, agora dispõe b, nova queda: 16% das intenções de voto e em terceiro lugar. Humberto tem duas semanas para recuperar a segunda colocação para figurar num segundo turno. Isso torcendo para que a candidatura de Geraldo Julio (PSB) siga estacionada para a disputa não ser finalizada no primeiro turno.

Mendonça Filho (DEM) parou de desidratar. O deputado federal, que começou a corrida eleitoral na segunda colocação, com 21%, caiu em todas as pesquisas, estando agora na quarta colocação 6%.

Os candidatos Roberto Numeriano (PCB), Edna Costa (PPL), Jair Pedro (PSTU) e Esteves Jacinto (PRTB) somam, juntos, 1% das intenções de voto.

Votos brancos e nulos somam 9%. Não sabem em quem votar/não responderam, 8%.

ESPONTÂNEA - A duas semanas da votação, as variações para baixo na pesquisa espontânea foram muito baixas. Ou seja, a esta altura o eleitor já sabe quem são os candidatos e qual é o seu candidato. Geraldo Julio (PSB) tem 36% na espontânea, uma baixa de apenas dois pontos se comparado à estimulada, quanto os nomes dos candidatos são exibidos. Daniel Coelho (PSDB) tem 21% na espontânea, tendo variado apenas um ponto em comparação à estimulada. Mesma variação teve Humberto (PT), que ficou com 15% na espontânea. Mendonça manteve os 6% na espontânea e estimulada.

VOTOS VÁLIDOS - O candidato do PSB à Prefeitura do Recife aparece muito perto de vencer a disputa no primeiro turno. Geraldo Julio tem 46% dos votos válidos, contra 27% de Daniel Coelho (PSDB), 19% de Humberto Costa (PT) e 7% de Mendonça Filho (DEM). Os outros candidatos somam 1%. Os votos válidos são gerados a partir dos valores de intenção de voto de cada candidato na pergunta estimulada, descontados os votos brancos, nulos e indecisos.

Na Justiça - Na tarde da última sexta-feira (21), a coligação liderada pelo candidato do PT a prefeito do Recife recorreu à Justiça Eleitoral contra a publicação desta nova rodada de pesquisa JC/IPMN. Os petistas contestaram vários itens do levantamento alegando que a pesquisa induziria o entrevistado.

A pergunta que não quer calar: No segundo turno, Humberto vai apoiar Daniel Coelho ou a Geraldo Júlio?


19 de set. de 2012

A questão é: quem está por trás de Humberto Costa?

BRASIL – Eleições 2012
A questão é: quem está por trás de Humberto Costa?
Imaginando que estaria prejudicando o candidato Daniel Coelho, num momento de baixaria eleitoral, tipo gol contra, o candidato petista Humberto Costa, resolveu informar que o candidato tucano tem o apoio de tucanos (que surpresa!). Além de só ter ampliado o prestígio do adversário, Humberto abriu a guarda para se perguntar, quem é mesmo que está na retaguarda dele?


Cada um tem o aliado que merece. Você confiaria deixar José Dirceu na sua retaguarda?

Postado por Toinho de Passira

Humberto Costa resolveu “atacar” Daniel Coelho do PSDB, porque o tucano está respirando no seu cangote, nas pesquisas eleitorais.

Temos que compreender que a burrice de Humberto está exacerbada pelo momento político local e nacional, derrotado e mal visto, ele está mergulhado num processo de insano desespero.

Por isso, justifica-se a sua mirabolante ideia em imaginar que seria um ataque, ao tucano Daniel Coelho, afirmar que por trás dele, está Fernando Henrique Cardoso, que já inclusive apareceu no programa eleitoral enaltecendo o candidato, o ex-governador de São Paulo e candidato a prefeito Serra, e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

Daniel nunca negou que era do PSDB. Essas “acusações” petistas são tiros pela culatra. As pessoas citadas, só acrescentam prestígio a candidatura de Daniel, são políticos dignos, de ficha limpa e de inquestionáveis serviços prestados ao país. O tucano agradece ao petista a gentileza.

Humberto, que teima nessa linha de ódio e baixaria, está perdendo a eleição sem que os seus adversários usem do mesmo expediente.

Ninguém ainda o chamou de vampiro, de sanguessuga e nem o “elogiou” por ter incrementado, a níveis estratosféricos, a corrupção dentro do Ministério da Saúde, onde ficou por dois funestos anos.

No momento, quem tem que esconder aliados é Humberto Costa: basta relembrar que foi a facção petista “Construindo um Novo Brasil', pertencente a Zé Dirceu (que dispensa apresentações), quem impôs Humberto, como candidato biônico a prefeitura do Recife.

A retaguarda de vidro do candidato Humberto Costa, está povoada da mais alta linhagem da escória política brasileira: corruptos e corruptores, lavadores de dinheiro, quadrilheiros, mais um ex-presidente encurralado e chantageado por comparsas mafiosos.

Melhor seria Humberto guardar a viola no saco e ir catar coquinho!

Em tempo: Sabem que está na retaguarda de Daniel Coelho?

Humberto Costa, basta olhar nas pesquisas.


4 de set. de 2012

"Herança pesada" – por Fernando Henrique Cardoso

BRASIL - Opinião
"Herança pesada" – por Fernando Henrique Cardoso
FHC analisa e esmiúnça a "herança maldita" que Lula deixou para Dilma

Postado por Toinho de Passira
Texto de *Fernando Henrique Cardoso
Fonte: Estadão

A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor. Obviamente, ninguém é responsável pela maré negativa da economia internacional, nem ela nem o antecessor. Mas há muito mais do que só o infortúnio dos ciclos do capitalismo.

Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados. Suspeitas, antes de se materializarem em indícios, são frágeis diante da obsessão por formar maiorias hegemônicas, enfermidade petista incurável.

Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria "apenas" para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times. Pouco a pouco, vai-se formando o consenso jurídico, de resto já formado na sociedade, de que desviar dinheiro é crime, tanto para caixa 2 como para comprar apoio político no Congresso Nacional. Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio.

Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas. Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos. A despeito da abundância de recursos fiscais, deixou de racionalizar as práticas tributárias, num momento em que a eliminação de impostos se poderia fazer sem consequências negativas: a oposição conseguiu suprimir a CPMF, cortando R$ 50 bilhões de impostos, e a derrama continuou impávida.

É longa a lista do que faltou fazer quando seria mais fácil. Na questão previdenciária, o único "avanço" não se concretizou: a criação de uma previdência complementar para os funcionários públicos que viessem a ingressar depois da reforma. A medida foi aprovada, mas sua consecução dependia de lei subsequente, para regulamentar os fundos suplementares, que nunca foi aprovada. As centenas de milhares de recém-ingressados no serviço público na era lulista continuaram a se beneficiar da regra anterior. Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência. Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa...

Mas o "hegemonismo" e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos "projetos de impacto", como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade relativa. O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzirem navios-tanque para a Petrobrás (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja por meio do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás). Depois do lançamento ao mar do primeiro navio, com fanfarras e discursos presidenciais, passaram-se meses para se descobrir que o custo não fez jus a tanta louvação. Que dizer dos atrasos da transposição do São Francisco, ou da Transnordestina, ou ainda da fábrica de diesel à base de mamona? Tudo relegado aos restos a pagar do esquecimento.

O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas "a fio d'água", cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobrás para que o País descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa. O custo da refinaria de Pernambuco será dez vezes maior do que previsto; há mais três refinarias prometidas que deverão ser postergadas ad infinitum. O preço da gasolina, controlado pelo governo, não é compatível com os esforços de capitalização da Petrobrás. Como consequência de seu barateamento forçado - que ajuda a política de expansão ilimitada de carros com a coorte de congestionamentos e poluição - a produção de etanol se desorganizou a tal ponto que estamos importando etanol de milho dos Estados Unidos!

Com isso tudo, e apesar de estarmos gastando mais divisas do que antes com a importação de óleo, o presidente Lula não se pejou em ser fotografado com as mãos lambuzadas de petróleo para proclamar a autossuficiência de produção, no exato momento em que a produtividade da extração se reduzia. No rosário de desatinos, os poços secos, ocorrência normal nesse tipo de exploração, deixaram de ser lançados como prejuízo, para que o País continuasse embevecido com as riquezas do pré-sal, que só se materializarão quando a tecnologia permitir que o óleo seja extraído a preços competitivos, que poderão tornar-se difíceis com as novas tecnologias de extração de gás e óleo dos americanos.

É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.
*Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi Presidente da República