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25 de abr. de 2014

Argentina teria perdido US$ 6 bilhões
em exportações de carne em 4 anos

ARGENTINA - Economia
Argentina teria perdido US$ 6 bilhões
em exportações de carne em 4 anos
Por trás do desaparecimento da Argentina no ranking dos top ten de exportadores bovinos está a decisão do casal Kirchner de restringir desde 2006 as vendas de carne bovina para o exterior. Desde o início das restrições 130 frigoríficos fecharam suas portas, provocando a demissão de 206 mil pessoas, que trabalhavam. nos frigoríficos e em setores vinculados


“Boi esfolado”, óleo sobre tela do barroco holandês, Rembrandt van Rijn (1606-1669), em exposição no Museu do Louvre, Paris.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fonte: Blog de Ariel Palacios - Estadão

A Argentina teria perdido US$ 6 bilhões em exportações de carne bovina nos últimos quatro anos. O anúncio foi feito pela Fundação Mediterrânea, uma das mais tradicionais instituições de estudos econômicos do país, que indicou que os motivos desta perda são a falta de um modelo exportador, a volatilidade do tipo de câmbio, além de uma política comercial externa adversa protagonizada pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

A Fundação, em um relatório, sustentou que entre 2010 e 2013 as exportações de carne bovina Made in Argentinaforam de 130 mil toneladas em média por ano. Esse volume propiciou divisas equivalentes a US$ 1,07 bilhões por ano.

O cálculo dos economistas é que, se a Argentina não tivesse perdido diversos mercados no exterior pelas políticas de restrição às exportações do governo da presidente Cristina Kirchner, entre outros fatores, poderia ter exportado US$ 2,6 bilhões de carne bovina.

Segundo os economistas Juan Manuel Garzón e Nicolas Torre, a Argentina “perdeu o protagonismo que havia conseguido nos mercado internacionais de carne bovina e também desperdiçou o grande potencial exportador da cadeia de produção”.

Os economistas destacam que ao contrário da Argentina, o Brasil, que teve uma crise e uma desvalorização da moeda em 1999, conseguiu concatenar oito anos de crescimento das exportações de carne bovina, quase quintuplicando o volume.

FORA DO RANKING – Em 2013, pelo segundo ano consecutivo a Argentina ficou de fora do top ten do ranking dos principais exportadores mundiais de carne, produto do qual os argentinos são orgulhosos e consideram como um dos mais destacados emblemas nacionais. A Argentina, com apenas 180 mil toneladas de carne bovina exportadas, ficou no décimo-primeiro posto em exportações de carne.

Em 2009 a Argentina estava em quarto posto mundial de exportações de carne bovina, com 621 mil toneladas. Na época o México somente vendia ao exterior 51 mil toneladas. Mas, meia década mais tarde a Argentina vendeu ao exterior apenas 28,98% daquele volume. Na contra-mão, o México aumentou suas exportações, chegando ao patamar de 205 mil toneladas em 2013.

Por trás do desaparecimento da Argentina no ranking dos top ten de exportadores bovinos está a decisão do casal Kirchner de restringir desde 2006 as vendas de carne bovina para o exterior, praticamente impedindo as exportações por intermédio de um sistema de cotas e licenças internacionais.

O objetivo dessa política era redirecionar a carne para o mercado interno e provocar a queda de preços do produto, o quitute preferido no cotidiano gastronômico dos habitantes do país. Nunca antes na História econômica argentina um governo havia proibido as exportações de carne.

No entanto, as restrições para as exportações – além de provocar a perda de mercados no exterior – tiveram o efeito colateral de provocar a redução do estoque bovino argentino, que perdeu 10 milhões de cabeças. Milhares de produtores, desestimulados para continuar com essa atividade, passaram ao cultivo de soja.

Desde o início das restrições em 2006 130 frigoríficos tiveram que fechar suas portas por causa da crise no setor. Isso provocou a demissão de 16 mil trabalhadores de frigoríficos. Outras 190 mil pessoas, que trabalhavam em setores vinculados aos frigoríficos, foram atingidas indiretamente.

Um detalhe do lado direito do quadro de Rembrandt que quase sempre passa desapercebido.

INFLACIONADA - As restrições tampouco conseguiram o objetivo de diminuir o preço no mercado interno já que, segundo o Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (Ipcva) entre fevereiro de 2013 e o mesmo mês deste ano os cortes de carne registraram um aumento de 33% a 51%. Os especialistas afirmam que os preços só não subiram mais porque o governo Kirchner impôs um congelamento de preços em diversas etapas desde fevereiro do ano passado.
*Alteramos titulo, acrescentamos subtítulo e legenda da publicação original

2 de out. de 2013

Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB

ARGENTINA - Economia
Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB
Governo argentino, estaria aplicando baita maquiagem e intervenções cosméticas para dar revamp no índice do PIB

Foto: Arquivo

Com a mesma fúria que utiliza blush, rímer, delineador, pó compacto e botóx e algumas intervenções plásticas, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, aplica maquiagem pesada nos índices econômicos do país.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fontes: ,

O governo da presidente Cristina Kirchner tornou-se mundialmente famoso pela maquiagem do índice de inflação que faz em grande escala desde dezembro de 2006 por intermédio do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção da Casa Rosada. Graças à manipulação, a inflação argentina oficial exibe índices baixos, quase sempre de um terço à metade da alta de preços calculada pelas consultorias econômicas não-alinhadas com o governo, sindicatos, associações empresariais e os partidos da oposição (que no Parlamento elaboram um índice paralelo).

No entanto, a inflação não seria o único objeto de camuflagem, já que o governo – segundo um relatório elaborado em conjunto pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Universidade de Harvard – também estaria alterando de forma substancial os índices do PIB desde 2008.

O economista Ariel Coremberg, coordenador do relatório, que trabalhou no cálculo oficial do PIB até a intervenção do Indec, sustenta que os acadêmicos reproduziram os cálculos do PIB desde 1993 até 2012 com as mesmas fontes e métodos. “No entanto, temos que nosso gráfico e o do governo começam a se diferenciar em 2008”, afirma.

Segundo ele, com a medição tradicional, o PIB teria na realidade crescido um acumulado de 15,9% entre os anos 2007 e 2012, equivale a uma média de 3% por ano. Mas,de acordo com os dados oficiais, entre 2007 e 2012 o crescimento acumulado foi o dobro, de 30%, o equivalente a um aumento anual de 5,3% em média. A presidente Cristina costuma afirmar em seus discursos que a Argentina cresceu com “taxas chinesas”.

Enquanto que o governo sustenta que em 2012 o PIB cresceu 2,2%, o estudo da UB e Harvard indica que na realidade houve uma queda, já que teria sido de -0,4%.

Os economistas alertavam para a manipulação dos índices do PIB desde 2009, quando a maioria das consultorias indicaram que o país havia entrado em recessão e que o PIB tinha uma marca negativa de 4%. No entanto, o governo negou a crise na época, sustentando que o PIB exibia um aumento de 1%.

ALARDES - A exibição de um índice mais pujante do PIB serve para que o governo Kirchner faça alarde sobre uma suposta situação econômica próspera da economia argentina. Mas, por outro lado, segundo Coremberg, os índices artificialmente altos obrigam o governo a pagar mais aos credores internacionais, já que um dos títulos reestruturados da dívida pública é o “Cupom PIB”.

Os economistas independentes calculam que o PIB de 2013 terá um crescimento de 3%. Mas, caso o aumento do PIB deste ano seja de 5,1%, tal como prevê o governo Kirchner, o Estado argentino terá que desembolsar US$ 4 bilhões a mais para os credores. Esse volume equivale a 12% das reservas atuais do Banco Central, entidade de onde saem os fundos que a presidente Cristina utiliza para pagar os credores.

“MANIPULADOR SERIAL” - Em 2006 o governo do então presidente Nestor Kirchner deparou-se com o fracasso na implementação de uma política de congelamento de preços. No entanto, o denominado “modelo kirchnerista” não podia aceitar a alta inflacionária. Desta forma, Kirchner decidiu a maquiagem do índice.

“O governo, ao perceber que a febre da inflação era elevada demais, em vez de tentar debelar a doença optou por mudar o termômetro. Um termômetro que mede a febre para baixo”, ironizava em 2008 o colunista político Jorge Lanata. Nos últimos seis anos e meio a manipulação dos índices foi comandada pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno.

O cálculo da pobreza também seria alvo da maquiagem, já que o governo sustenta que a pobreza era de 6,5% em 2011 e caiu para 5,4% em 2012.

No entanto, a Universidade Católica Argentina, por intermédio de uma exaustiva pesquisa feita com acadêmicos e uma rede de paróquias em todo o país, sustentou que a pobreza, que em 2011 estava em 21,9% havia subido para 26,9% em 2012.

Durante a crise de 2001-2002 a pobreza assolava 54% dos argentinos. Mas, em 2003 começou a cair, até chegar a 20% em 2006. Mas, a partir de 2007, as estatísticas divergem: o governo afirma que a pobreza continuou encolhendo, enquanto que sindicatos, a oposição e a Igreja Católica afirmam que ela voltou a crescer.

Os analistas econômicos ironizam sobre o acúmulo de manipulações dos índices de produção industrial, inflação, pobreza e PIB e afirmam que o governo Kirchner é um “manipulador serial”.

POLE POSITION - Segundo a presidente Cristina, entre 2002 e 2012 o PIB argentino cresceu 99,1%, proporção que colocaria a Argentina na pole position do crescimento da América do Sul. No entanto, segundo o estudo feito pela UBA e Harvard, o crescimento real acumulado foi de 71,1%, o que coloca o país atrás do Peru (que cresceu 87,2% nesse período) e do Uruguai (77,4%).
*Alteramos titulo e legenda da publicação original

31 de ago. de 2013

Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)

ARGENTINA – Economia
Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)
Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ariel Palacios
Fonte: Blog do Ariel Palacios

Dados divulgados pelo Banco Central argentino indicam que as reservas da entidade monetária estão em seu nível mais baixo desde 2007, ano da primeira posse da presidente Cristina Kirchner. No total o BC conta com US$ 36,924 bilhões, volume que indica uma queda de US$ 6,366 bilhões desde o início deste ano.

O ponto culminante de reservas ocorreu em janeiro de 2011, meses antes da reeleição da presidente Cristina Kirchner, quando o BC alcançou a faixa de US$ 52,497 bilhões. No entanto, a partir dali iniciou uma sangria de fundos que – segundo os analistas – continuaria ao longo do segundo semestre deste ano, já que o governo, sem dinheiro próprio disponível, recorrerá às reservas do BC para implementar os pagamentos dos vencimentos da divida pública (os bônus Bonar VII e Discount). Para este pagamento a presidente Cristina retirará outros US$ 2 bilhões do BC, que ficará com reservas de US$ 35 bilhões.

Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito. Naquele ano, para poder implementar esta política, a presidente Cristina removeu o então presidente do BC, Martín Redrado, que recusava-se a usar as reservas com esse fim.

O governo Kirchner argumenta que o uso das reservas tem o objetivo de “propiciar o máximo de certezas sobre a Argentina”, gerando uma garantia de que o país não dará o calote. No entanto, os líderes da oposição sustentam que a Casa Rosada está “dilapidando” as reservas do BC. O governo também está usando as reservas para financiar o crescente déficit energético do país.

Nos próximos dois anos, até dezembro de 2015, mês no qual a presidente Cristina entregará o poder ao novo governo, a administração Kirchner terá que pagar vencimentos de US$ 21 bilhões. Na cityfinanceira portenha os analistas ressaltam que “o novo presidente herdará um BC com reservas baixíssimas”.

19 de jun. de 2013

"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial"

ARGENTINA
"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial
Um panelaço é uma modalidade de protesto que consiste em bater utensílios de cozinha metálicos para gerar um barulho que tem o objetivo ser interpretado como o som da “irritação popular”. Nos últimos panelaços portenhos foi utilizada de forma intensa a garrafa de plástico, que produz um som seco também adequado para expressar irritação. A vantagem das garrafas é que não estraga as panelas de casa, além de ser mais leve.

Foto: Blog Ariel Palacios

“El Cacerolazo” (O Panelaço): Denominação da barulhenta modalidade de protesto que consiste em bater de forma rítmica utensílios metálicos de cozinha, principalmente as “cacerolas” (panelas). Os participantes: batem panelas nas janelas de suas casas e apartamentos, ou saem às ruas para bater panelas enquanto marcham rumo a um ponto de concentração de protestos.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios, para O Estado de S. Paulo
Fonte: Blog do Ariel Palacios

A História dos panelaços mostra que os utensílios de cozinha não possuem ideologia política, já que os primeiros panelaços surgiram no Chile paraprotestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1973. No entanto, em 1986 e 1989 os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema direita, o general Augusto Pinochet.

Em 1996 foi a vez da Argentina tornar-se o cenário de panelaços acompanhados por apagões para protestar contra a política do presidente Carlos Menem.

Em 2001 e 2002 essa modalidade de protesto teve seu apogeu de forma quase diária contra os presidentes Fernando De La Rua, Adolfo Rodríguez Sáa e Eduardo Duhalde. Na época os panelaços argentinos obtiveram fama mundial.

A retomada do crescimento econômico, em 2003, com o presidente Nestor Kirchner fez os panelaços desaparecerem. Mas este modus operandide protestar contra o governo de plantão voltou quando a presidente Cristina Kirchner teve o conflito com o setor ruralista em 2008. Os portenhos, rosarinos, santafecinos e cordobeses, entre os habitantes de várias cidades argentinas, saíram às ruas para respaldar os ruralistas contra a administração Kirchner.

Os panelaços retornaram mais uma vez no ano passado com o crescimento dos problemas econômicos, especialmente a disparada da inflação, além dos escândalos de corrupção. De quebra, segundo afirmou ao Estado a analistade opinião pública Mariel Fornoni, o tom agressivo dos últimos discursos da presidente Cristina irritou diversos setores da população, servindo de combustível para os panelaços de setembro, novembro e abril passados.

Na lista das reclamações também estava o gasto da presidente Cristina Kirchner com assuntos lúdicos-políticos: as transmissões estatizadas dos jogos de futebol, o denominado“Futebol para todos”, que consumiram US$ 1,06 bilhão dos cofres públicos desde 2009.

Foto: Divulgação

Cristina Kirchner não gostou nada dos panelaços realizados contra sua gestão e acusou os manifestantes de “oligarcas”. Na foto, a presidente e seu Rolex Lady Date Just de ouro e brilhantes, avaliado em 42 mil dólares.

MAGNITUDE DOS PANELAÇOS – O governo Kirchner, que está com a popularidade em baixa desde o início do ano passado, foi alvo de um panelaço no dia 13 de setembro, que levou 200 mil pessoas às ruas de Buenos Aires. Na ocasião, outras 100 mil manifestaram-se nas principais cidades do interior da Argentina. Total de participantes nas ruas do panelaço de setembro no país: 300 mil pessoas.

Um novo panelaço foi realizado no dia 8 de novembro. No entanto, dessa vez a proporção de manifestantes superou as expectativas, com mais de 700 mil pessoas na capital. Os cálculos da Polícia Federal indicam que no resto do país os panelaços reuniram outras 500 mil pessoas.Total do panelaço de novembro 1,2 milhão pessoas.

No dia 19 de abril meio milhão de portenhos marcharam pelas ruas da capital para exigir uma mudança drástica na política econômica e o julgamento dos corruptos. Os cálculos indicam que outras 200 mil protestaram no interior. Total de pessoas mobilizadas nas ruas no panelaço de abril: 700 mil pessoas.

O governo da presidente Cristina Kirchner fez malabarismos para negar a magnitude dos panelaços, além de acusar os cidadãos que participaram dos protestos de“golpistas”. Os aliados da presidente indicaram nas ocasiões dos panelaços que a modalidade de protesto era“ilegítima”e que os manifestantes deveriam esperar as próximas eleições para indicar sua contrariedade com o governo.

A única agressão registrada foi contra um repórter do canal de TV C5N, cujo dono Cristóbal López, o “tzar” dos cassinos argentinos é amigo da presidente Cristina. O governo usou esse único ato para indicar que a manifestação, como um todo, havia sido “violenta”.

O repórter levou um brutal soco de 1 dos 700 mil manifestantes. O ato de violência isolado foi repudiado pela totalidade dos meios de comunicação, aliados ou críticos do governo.

OUTRAS MODALIDADES DE PROTESTOS NA ARGENTINA

♦PIQUETE:
Bloqueio de avenidas, ruas e estradas por grupo de pessoas como modus operandi de protesto. No início, quando eram poucos, os piqueteiros bloqueavam com pneus em chamas e escombros. Atualmente, com excedente de manifestantes, os bloqueios são feitos com “barreiras humanas”.

Acessórios dos piqueteiros: lenços cobrindo parte do rosto, que podem ser úteis na hora do gás lacrimogêneo (e também para proteger sua identidade das forças policiais). Há dez anos eram comuns varas de madeira, barras de ferro, canos de PVC com cimento dentro, utilizados tanto para a defesa pessoal, para o ataque, ou simplesmente para intimidar. No interior do país eram frequentes os estilingues. Mas, atualmente são raras as manifestações com estes objetos de intimidação. Os piquetes possuem o acompanhamento musical dos bumbos (instrumento originário das mobilizações do Peronismo). Esta modalidade, ocasionalmente, inclui atos de violência. Mas não é sine qua non.

♦ESCRACHO: É um protesto personalizado, realizado na frente das residências das pessoas-alvo da manifestação. A modalidade, além de incluir gritos contra as pessoas “escrachadas” contempla o arremesso de objetos contundentes sobre a residência da pessoa. Ou, em uma versão mais light, o arremesso de tinta ou lama contra as janelas e paredes da residência.

Alvos dos escrachos:

- Entre 1997 e 2001 os alvos primordiais eram ex-integrantes da ditadura. Com os escrachos os manifestantes revelavam aos vizinhos do militar que ali residia uma pessoa que havia cometido crimes durante a ditadura.

- Em 2001 e 2002 eram primordialmente os integrantes da equipe econômica, governadores, prefeitos e parlamentares.


*Ariel Palacios é jornalista, correspondente do O Estado de S.Paulo e da Globo News, em Buenos Aires

3 de jun. de 2013

Programa sobre corrupção dos Kirchners teve mais audiência do que jogo do Boca Juniors

ARGENTINA – Corrupção
Programa sobre corrupção dos Kirchners teve mais audiência do que jogo do Boca Juniors
A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, mudou o horário do jogo do domingo, 26, Boca Juniors X Newells Old Boys, pela Libertadores, fazendo coincidir com a apresentação do programa do grupo ”Clarin”, que investiga corrupção no governo. Resultado o Boca perdeu nas cobranças de pênaltis e na audiência: o povo preferiu o programa de denuncia.

Foto: Ariel Palacios

MONUMENTO À PROPINA - O edifício que nos anos 40 albergou o antigo Ministério de Obras Públicas e atualmente é a sede da pasta de Ação Social, ostenta em uma de suas esquinas o único ‘monumento à propina’ conhecido no planeta. É estátua de um homem que disfarçadamente deixa a mão à espera de um suborno. O arquiteto deixou um recado futuro sobre as eventuais negociatas que seriam protagonizadas no edifício. O detalhe da mão passou despercebido durante anos

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios*
Fonte: Blog Os Hermanos

A televisão argentina foi no domingo à noite, 26 de maio, o cenário de uma inédita disputa pela audiência entre um jogo de futebol, o Boca Juniors versus o Newell’s, e um programa de TV sobre denúncias de corrupção. O embate foi vencido pelo programa “Jornalismo para todos”, do canal Trece, que apresentou novos detalhes sobre a investigação que realiza há semanas sobre os vínculos irregulares entre o empresário Lázaro Báez – investigado na Justiça por suposta lavagem de dinheiro – e o casal Néstor e Cristina Kirchner.

Há duas semanas o governo Kirchner anunciou que alteraria o horário dos jogos noturnos dominicais em uma hora, coincidindo com o programa comandado por Jorge Lanata. Desde o final dos anos 80 o jornalista investigativo é autor da denúncia de uma série de escândalos de corrupção dos diversos governos argentinos.

Integrantes do governo Kirchner admitiram publicamente que a mudança era por uma disputa de audiência contra o programa, transmitido pelo Trece, que pertence ao Grupo Clarín, principal holding multimídia da Argentina, considerado “inimigo mortal” pela Casa Rosada.

A expectativa, nos dias prévios, era a de que o esporte favorito da população ganharia a luta pela audiência. No entanto, enquanto que o jogo do Boca obteve picos de 17,2% entre os telespectadores, o programa de Lanata alcançou 28,1%.

Foto: Captura de video

Lanata, vestido como jogador de futebo, disse no inicio que iria mudar o nome do programa, de “Jornalismo para todos”, para “Futebol para todos”

Lanata, famoso por sua ironia, estava vestido como um jogador de futebol, contava com dois locutores esportivos famosos e a plateia estava em uma arquibancada como a de um estádio.

O governo Kirchner possui poder para alterar os horários do futebol, já que em 2009 estatizou as transmissões dos jogos. O acordo foi amplamente benéfico para os clubes de futebol, que em troca obtiveram US$ 1,06 bilhão do Estado argentino nos últimos três anos.

Em fevereiro de 2010 o governo proibiu as publicidades de empresas privadas. De lá para cá as únicas publicidades são as do governo Kirchner. Os vídeos, que são exibidos nos intervalos, consistem em elogios à administração da presidente Cristina e críticas contra a oposição e empresários não-alinhados com a Casa Rosada.

Os aliados do governo Kirchner destacam que a atual administração é uma das melhores da História do país, equiparando Néstor e Cristina Kirchner ao fundador do movimento peronista, o general e presidente Juan Domingo Perón, figura reverenciada pelos peronistas. No entanto, seus críticos afirmam que o kirchnerismo está “destruindo as instituições democráticas” e que os escândalos de corrupção atingem níveis nunca antes vistos.


Deputada Laura Alonso, da oposição
Sem sutilezas, a deputada Laura Alonso, do partido Proposta Republicana (Pro), de oposição, define a presidente Cristina Kirchner como “a líder de uma cleptocracia populista”. Segundo ela, em comparação com períodos anteriores, como os anos 90, do ex-presidente Carlos Menem, “na era kirchnerista os protagonistas que roubam são menos…mas roubam maior volume”.

Alonso, uma das deputadas mais combativas no Parlamento argentino, sustentou ao Estado de S.Paulo, que o casal Kirchner utilizou “os mecanismos de acesso ao poder, previstos pelo regime democrático e representativo, para destruir todos os controles republicanos e institucionais” .

Segundo ela, “este é um governo com muito discurso e ‘packaging’. Ora, a presidente ignorou várias vezes determinações da Corte Suprema de Justiça. Isso não é um governo republicano. Além disso, o governo falsifica estatísticas. E de quebra, tenta acabar com o federalismo, pois não libera os fundos para as províncias e obriga os governadores a se ajoelhar para pedir as verbas. É autoritarismo fantasiado de discurso democrático” .

Na contra-mão, o ex-chanceler Jorge Taiana, ministro do governo Kirchner entre 2005 e 2010, sustenta que a atual administração é plena de méritos. Avaliando para o Estado de S.Paulo, os“prós” e os “contras” da década administrada por Néstor e Cristina Kirchner, Taiana afirmou, ao sair de um cocktail na Embaixada do Brasil, que “o principal mérito foi o de ter tirado a Argentina do inferno da crise. E além disso o governo tem o mérito de ter avançado na reconstrução do tecido produtivo e do Estado argentino”.

Segundo Taiana, o governo também “colocou em dia a defesa dos direitos humanos, crucial para ter uma democracia sólida” . O ex-chanceler também destacou “a consolidação da integração regional”.

“Esses foram os ‘prós’. Os “contras”
não são “contras”, são coisas que faltam ainda fazer, como avançar muito mais na integração regional. Neste mundo não há chances de crescer sem mais integração com os países vizinhos” , afirmou Taiana.
*Ariel Palacios é jornalista, correspondente do O Estado de S.Paulo e da Globo News, em Buenos Aires