19 de nov de 2013

Justiça russa decide: brasileira, Ana Paula, do Greenpeace, responderá processo em liberdade

BRASIL - RÚSSIA
Justiça russa decide: brasileira, Ana Paula, do Greenpeace, responderá processo em liberdade
A brasileira, detida na Rússia, foi a primeira estrangeira a ser libertada condicionalmente mediante fiança. O tribunal russo decidiu, na manhã desta terça-feira, que Ana Paula poderá responder ao processo em liberdade, após pagamento de fiança, com a obrigação de permanecer no país.

Foto: Olga Maltseva / Greenpeace International

Após a audiência de Ana Paula Maciel, a ONG publicou uma foto da bióloga sorrindo no momento que saia da audiência onde foi anunciada a decisão.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Greenpeace, Swissinfo, Zero Hora, "thepassiranews", Twitter Greenpeace Brasil

A Justiça russa libertou nesta terça-feira sob fiança a bióloga brasileira Ana Paula Maciel e nove outros militantes do Greenpeace detidos durante uma ação da organização de defesa do meio ambiente no Ártico, elevando a 12 o número de ativistas libertados.

Além da brasileira, o holandês David John Haussmann, o argentino Miguel Hernan Perz Orzi, o polonês Tomasz Dziemianczuk, o italiano Cristian s'Alessandro, a argentina Camila Speziale, o canadense Paul Ruzychi, o francês Francesco Pisanu e a finlandesa Sini Saarela, detidos em setembro no navio Artic Sunrise, serão libertados após o pagamento da fiança.

Segundo o Greenpeace, as audiências dos demais detidos serão retomadas na quarta-feira.

Na segunda-feira, a Rússia libertou três russos após o pagamento de fiança de dois milhões de rublos (45.000 euros, quase 140.000 reais): o porta-voz Andrei Allakhverdov, a médica Ekaterina Zaspa e o fotógrafo independente Denis Siniakov.

Em contrapartida, o australiano Colin Russel teve a sua detenção prorrogada até 24 de fevereiro, no primeiro dia de audiências em São Petersburgo, para onde os 30 ativistas foram recentemente transferidos após permanecerem presos em Murmansk, porto russo do mar de Barents.

O greenpeace já arrecadou o valor necessário para a libertação dos quatro ativistas e vai depositar a fiança nas próximas horas.

"É a melhor notícia que recebi em dois anos, mas a justiça só será feita quando todas as acusações absurdas forem retiradas", reagiu Rosangela Maciel, a mãe de Ana Paula, de 31 anos, em um comunicado divulgado pelo Greenpeace.

A presidente Dilma Rousseff também se manifestou sobre a libertação da bióloga.

"Fiquei muito feliz com a notícia de que a bióloga brasileira Ana Paula Maciel poderá, mediante fiança, responder em liberdade ao processo ante a justiça da Rússia", declarou Dilma em sua conta no Twitter.

Ela também recordou que o ministério das Relações Exteriores brasileiro tem acompanhado o caso.

De fato, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo viajará em visita oficial à Rússia em 20 de novembro, e pretende abordar o caso, segundo o Itamaraty.

Foto: Marco Antonio Filho/Greenpeace

Em solidariedade aos 28 ativistas e dois jornalistas presos há dois meses na Rússia por um protesto pacifico, mais de 150 pessoas passaram pela falsa cela montada pelo Greenpeace no Parque da Redenção, em Porto Alegre, cidade natal de Ana Paula Maciel.

Segundo o advogado do fotógrafo Denis Siniakov, entrevistado pela rádio Echo de Moscou, os ativistas cuja audiência foi realizada segunda-feira poderão ser libertados ainda nesta terça.

"A libertação sob fiança de quatro membros da tripulação é, sem dúvida, uma boa notícia", comemorou o Greenpeace em um comunicado.

"Mas não podemos esquecer que as acusações não foram retiradas e que eles ainda correm o risco de serem condenados à prisão", ressaltou Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace.

"Não temos ideia das condições nas quais vão viver nossos amigos quando forem libertados, se eles permanecerão em prisão domiciliar ou se terão o direito de sair", indicou.

Naidoo acrescentou que a ONG está com o "coração partido" pelo ativista australiano cuja detenção foi prorrogada.

Vários tribunais de São Petersburgo iniciaram na segunda-feira a análise da detenção provisória dos 30 tripulantes que expira em 24 de novembro.

Os 30 membros da tripulação do Arctic Sunrise foram detidos no dia 19 de setembro pelas autoridades russas quando tentavam escalar uma plataforma de petróleo no mar de Barents para denunciar os riscos ambientais.

Eles devem responder às acusações de pirataria e de vandalismo, pelas quais podem ser condenados, respectivamente, a 15 e sete anos de prisão.

A detenção da tripulação do Arctic Sunrise causou um alvoroço na sociedade civil internacional.

Celebridades como Madonna e Paul McCartney pediram a libertação dos ativistas e as ações de protesto têm aumentado em todo o mundo a cada dia.

Sábado, militantes do Greenpeace protestaram em várias cidades, de Londres a Nova Délhi, para exigir a libertação dos ambientalistas.

O Tribunal Internacional do Direito Marítimo, com sede em Hamburgo, na Alemanha, vai proferir a sua decisão sobre o caso em 22 de novembro. Essa jurisdição da ONU, competente para resolver disputas marítimas, foi acionada pela Holanda, o navio do Greepeace, o Arctic Sunrise, oficialmente é de bandeira holandesa.

A Rússia decidiu ignorar esse procedimento.

Foto: Denis Sinyakov/Greenpeace

Momento em que os ativistas do Greenpeace tentavam escalar a plataforma russa em pleno Ártico, para protestar pacificamente, contra exploração de petróleo na região, o que ocasionou a prisão de todo o grupo

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