9 de fev de 2011

O ainda imprevisível futuro do Egito

EGITO
O ainda imprevisível futuro do Egito
A ONU calcula que, desde o começo dos protestos, cerca de 300 pessoas foram mortas. Grupos oposicionistas rejeitaram os comentários feitos na noite de terça-feira pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, de que os protestos podem levar a um golpe de Estado.

Charge : CLAY BENNETT- Chattanooga Times Free Press (EUA)

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil

Centenas de milhares de manifestantes voltaram a tomar as ruas da capital do Egito nesta quarta-feira no 16º dia seguido de protestos contra o presidente Hosni Mubarak.

Além de ocupar a Praça Tahir, o local que tem sido usado para os protestos diários no centro do Cairo, os manifestantes também realizam um protesto pacífico na rua do Parlamento egípcio, a poucos quarteirões de distância.

No Canal de Suez, a importante rota comercial entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho a nordeste do Cairo, cerca de 6 mil trabalhadores estatais entraram em greve e há relatos de outras paralisações pelo país, segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne.

Pelo menos uma pessoa foi morta em choques entre manifestantes e a polícia na cidade de Kharga, cerca de 500 km ao sul do Cairo.

Grupos oposicionistas rejeitaram os comentários feitos na noite de terça-feira pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, de que os protestos podem levar a um golpe de Estado.

Suleiman disse que a crise precisa terminar, afirmando que "não queremos lidar com a sociedade egípcia com ferramentas policiais".

No entanto, ele disse que, se o diálogo com os manifestantes falhar, a alternativa seria "a ocorrência de um golpe de Estado, o que significaria acontecimentos imprevisíveis, incluindo inúmeras irracionalidades".

A correspondente da BBC no Cairo Yolande Knell disse que no centro dos protestos iniciados no dia 25 de janeiro estava o fim da brutalidade empregada pelas Forças de Segurança, mas desde então muitos manifestantes vêm sofrendo repressão e sendo detidos sem acusação.

A ONU calcula que, desde o começo dos protestos, cerca de 300 pessoas foram mortas.

Knell afirma que os funerais destas pessoas vêm ocorrendo diariamente.

Na terça-feira, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse durante conversa telefônica com Suleiman que a transição de poder no Egito deve produzir "progresso imediato e irreversível que represente as aspirações da população egípcia".

Mais cedo, a Casa Branca havia classificado de "particularmente contraproducentes" as declarações de Suleiman de que o Egito não estaria pronto para a democracia.

O editor para a América do Norte da BBC Mark Mardell disse que Biden vem telefonando diariamente para Suleiman e a última ligação foi a mais dura até o momento.

Ele disse que até agora as várias sugestões feitas pela administração americana vem sendo recebidas com comentários de má-vontade por parte do governo egípcio e pouca ação.

Os Estados Unidos pediram para que o Egito suspenda o estado de emergência, em vigor há 30 anos no país, e pare de perseguir jornalistas e ativistas.


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