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16 de nov. de 2011

Morreu Muammar Kadhafi, o ditador líbio

20/10/2011

LIBIA
Morreu Muammar Kadhafi, o ditador líbio
Kadhafifoi encontrado escondido num esgoto, encurralado após um ataque aéreo da OTHAN, a um comboio onde ele se encontrava. Capturado vivo, acabou morto com um tiro na cabeça, segundo a versão do governo interino da Líbia, atingido por uma bala anônima, num fogo cruzado(?)

Fotos: Ben-Curtis/Associated Press e Mahmud Turkia/AFP/Getty Images



GLÓRIA E MORTE - As imagens mostram dois momentos do ditador Gadhafi: trajando um vistoso uniforme de Comandante em Chefe das Forças Líbia e sem vida, alvejado após ter se escondido, como um rato, num esgoto da sua cidade Natal, Sirte.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Reuters , Al Jazeera, The New York Times, BBC Brasil, Washington Post, G1

Muammar Kadhafiestá morto, anunciaram os novos líderes da Líbia. O antigo líder foi morto por combatentes que invadiram a cidade natal dele e seu último bastião nesta quinta-feira. Seu corpo ensanguentado foi exibido ao redor do mundo a partir de uma imagem de celular.

Autoridades seniores do governo interino, que colocou fim ao governo de 42 anos há dois meses, afirmaram que a morte dele permitirá uma declaração de "libertação" após oito meses de derramamento de sangue. O atual governo enfrenta dificuldades para subjugar milhares de homens leais ao antigo líder.

Foto: Reprodução TV

O primeiro-ministro líbio Mahmoud Jibril, do governo provisório, confirmando a morte de Kadhafi

"Nós confirmamos que todos os males, mais Gaddafi, desapareceram deste querido país", disse o primeiro-ministro Mahmoud Jibril em Trípoli, enquanto o corpo era levado como um prêmio de guerra a Misrata, a cidade cujo cerco e sofrimento sob as mãos das forças de Kadhafia tornaram um símbolo da causa rebelde.

"É o momento de dar início a uma nova Líbia, a uma Líbia unida", acrescentou Jibril. "Um povo, um futuro." Uma declaração formal de libertação, que dará início a uma contagem regressiva para uma eleição, será feita na sexta-feira, disse ele mais tarde.

Há poucos detalhes da operação que teria resultado na morte de Khadafi. A Otan (aliança militar ocidental) afirmou que bombardeou dois veículos com forças leais ao líder deposto na manhã desta quinta-feira, perto de Sirte, mas não ficou claro se o bombardeio matou o coronel. Chegaram a circular informações de que Khadafi teria sido capturado com vida. Logo em seguida, entretanto, a TV árabe Al-Jazeera exibiu imagens do que dizia ser o corpo de Khadafi.

Outro vídeo, com imagens granuladas, que circulava entre combatentes do CNT, mostrava o que seria o cadáver de Khadafi.

As imagens mostram vários combatentes aparecem comemorando, com gritos de júbilo, ao redor de um corpo vestido com uma roupa cáqui - semelhante a vestes usadas pelo ex-líder líbio. O cadáver tem o rosto manchado de sangue, e uma aparente ferida de bala do lado da cabeça.

Um combatente do CNT disse à BBC que encontrou Khadafi "escondido em um buraco em Sirte", e que ele teria implorado para não ser morto a tiros. O combatente mostrou aos jornalistas da BBC uma pistola dourada, que segundo ele teria sido tomada de Khadafi.

Canais de TV árabes também mostraram imagens de tropas cercando duas grandes tubulações, onde, segundo repórteres, Khadafi teria sido encontrado.

Líderes ocidentais, que tiveram a cautela de não se pronunciarem antes da declaração de Jibril, ecoaram seus sentimentos agora que Gaddafi, autoproclamado "rei dos reis" na África, morreu aos 69 anos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi um dos primeiros defensores da revolta de fevereiro em Benghazi, afirmou:

"O povo da Líbia hoje tem uma chance ainda maior depois dessa notícia de construir um futuro democrático e forte."

Foto: Mahmud Turkia/AFP

A nova bandeira nacional, retomada pelos rebeldes que forçaram Kadhafi a fugir da capital Trípoli em agosto, tomava as ruas e praças, enquanto a multidão festejava e disparava para o alto.

Em Sirte, que já foi um vilarejo de pescadores e como cidade natal de Kadhafi ganhou esquemas grandiosos e se tornou uma nova "capital da África", os combatentes dançavam e exibiam uma pistola dourada, que, segundo eles, foi retirada de Gaddafi.

Os relatos sobre as horas finais do ex-líder foram confusos. Aparentemente, elas custaram a vida de assessores importantes. Mas as principais autoridades do Conselho Nacional de Transição, incluindo Abdel Majid Mlegta, afirmaram que ele morreu em decorrência dos ferimentos que sofreu em confrontos.

Fotos: Mauricio Lima/ The New York Times e Esam Al-Fetori/Reuters





A comemoração das tropas rebeldes

Uma descrição possível, feita a partir de várias fontes, sugere que Kadhafipode ter tentado sair de seu último reduto ao alvorecer em um comboio de veículos após semanas de resistência.

Entretanto, ele foi detido por um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e capturado, possivelmente três ou quatro horas depois, após tiroteios com combatentes do CNT, que o encontraram escondido em uma galeria pluvial.

A Otan informou que seus caças dispararam contra um comboio perto de Sirte por volta das 8h30 (4h30 no horário de Brasília), atingindo dois veículos militares do grupo, mas não pôde confirmar se Kadhafi estava em algum deles.

Os relatos de seus inimigos sugerem que a captura e a morte logo depois decorrente dos ferimentos podem ter ocorrido por volta do meio-dia.

Foto: Mahmud Turkia/AFP/Getty Images

O corpo sem vida de Mo'tassim Kadhafi, o filho do ditador

Um dos filhos de Kadhafi, Saif al-Islam, continuava solto, acreditam eles. Mlegta, do CNT, disse à Reuters que ele foi cercado depois de também tentar fugir de Sirte. Um outro filho, Mo'tassim, cuja prisão foi anunciada no começo do dia, foi morto ao resistir à prisão, acrescentou Mlegta.

Ele disse que Kadhafi foi ferido em ambas as pernas no começo da manhã enquanto tentava fugir em um comboio que foi atacado por caças da Otan. "Ele também foi atingido na cabeça", disse ele. "Houve muitos disparos contra o grupo dele e ele morreu."

Não foram poucos os combatentes do CNT em Sirte que disseram ter visto o ex-líder morrer, mas muitos relatos eram conflitantes.

Fotos: Philippe Desmazes/AFP e Mauricio Lima/ The New York Times



O esgoto onde o ditador estava escondido.

A televisão líbia exibiu um vídeo de duas galerias pluviais, de cerca de 1 metro, onde afirmou que os combatentes encurralaram o homem que por muito tempo inspirou temor e admiração ao redor do mundo.

Na versão oficial dada pelo premiê líbio, Mahmoud Jibril, citando um laudo pericial, diz que Kadhafi morreu vítima de uma bala na cabeça, durante o fogo cruzado.

"Kadhafi foi tirado de uma tubulação", na qual tentou se esconder, descreveu Jibril. "Ele não mostrou resistência. Quando começamos a andar com ele, ele foi atingido por uma bala em seu braço direito, e quando o colocamos na caminhonete ele não tinha outros ferimentos."

"Quando o carro se moveu, ele foi atingido no fogo cruzado entre os revolucionários e forças de Kadhafi", continuou Jibril.

O coronel estava vivo quando foi tirado do local, mas morreu minutos antes de chegar ao hospital para o qual seria levado na cidade de Misrata, sempre segundo o laudo citado por Jibril.

Foto: Mahmud Turkia/AFP

As mulheres comemoram nas ruas de Trípoli

Depois do levante em fevereiro no leste do país ao redor de Benghazi, inspirado pelos movimentos da Primavera Árabe que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito, a revolta contra Kadhafi cresceu lentamente em todo o país até a queda dramática de Trípoli, em agosto.

Foto: Philippe Desmazes/AFP

Um combatente exibe uma pistola dourada, supostamente uma arma encontrada com Kadhafi, quando da sua captura

Esperava-se o anúncio da liberação final, enquanto o presidente do CNT preparava-se para falar à nação de 6 milhões de habitantes. Agora, eles enfrentam o desafio de transformar o país rico em petróleo em uma democracia que possa acabar com as divisões tribais, étnicas e regionais exploradas por Kadhafie seu clã.

O período de dois meses desde a queda de Trípoli representou um teste de paciência para a aliança de forças anti-Kadhafi e seus apoiadores árabes e ocidentais, que começaram a questionar a capacidade das forças do CNT de acabar com a resistências dos homens leais a Kadhafi em Sirte e em outras duas cidades.

Procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) sob a acusação de ordenar a morte de civis, Kadhafi foi derrubado pelas forças rebeldes em 23 de agosto, uma semana antes do 42o aniversário do golpe militar que o conduziu ao poder em 1969. Os combatentes do CNT hastearam a bandeira nacional vermelha, preta e verde acima de um grande edifício no centro de um bairro de Sirte e os tiros de comemoração ecoaram entre os camaradas extasiados.

Centenas de soldados do CNT cercavam a cidade costeira no Mediterrâneo há semanas em uma luta caótica que matou e feriu muitos homens de ambos os lados.

Foto: Manu Braboi/Associated Press e Ismail Zitouni/Reuters -





A explosão de felicidade.

Os combatentes do CNT afirmaram que havia um grande número de corpos dentro do último reduto das tropas de Gaddafi. Não foi possível verificar imediatamente essa informação.

Foto: Abdel Meguid Al-Fergany / Associated Press

Kadhafi em prece durante um cerimonia religiosa em Trípoli.


*Utilizamos como base o texto de Rania El Gamal e Tim Gaynor da Reuters
**Alteramos título e acrescentamos subtítulo, comentários, informações de outras fontes, fotos e legendas ao texto original.

15 de nov. de 2011

LIBIA: Talitha, a amante do filho de Gaddafi, no fogo cruzado

29/08/2011

LIBIA
Talitha, a amante do filho de Gaddafi, no fogo cruzado
A modelo holandesa, capa da Playboy, foi a Tripoli encontrar com o ex-amante, o quinto filho de Gaddafi, Moatassem, as vésperas dos rebeldes invadirem Trípoli. Acabou ilhada num hotel, cercada de inimigos do ex-namorado que segundo seu entendimento, pretendiam incendiá-la, com gasolina. Escapou com ferimentos leves, e contou a um jornalista, os momentos de aflição e os tempos de glamour que passou ao lado do filho do ditador líbio.


Talitha van Zon, modelo holandesa, nos tempos em que estrelava as páginas da Playboy do seu país.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Daily Mail , The Sunday Telegraph , The Sydney Morning Herald, Volkskrant, Newshopper Sulekha , Sol

O jornalista do jornal inglês The Sunday Telegraph encontrou a modelo Talitha van Zon, capa da Playboy holandesa, edição de dezembro de 2000, sozinha e assustada numa enfermaria de um hospital de Trípoli, onde ela estava sendo tratada dos ferimentos, após se atirar da sacada de um hotel de luxo, quebrou um braço, machucou as costas e sofreu escoriações, fugindo de um grupo de rebeldes, que segundo ela estavam a ponto de "queimá-la viva".

Foto: Reuters

Moatassem Gaddafi, o quinto filho do ditador, atual candidato a sucedê-lo, gosta de gastar, cercar-se de lindas mulheres e tomar uísque Jack Daniels com Coca-Cola.

Talitha conhecida como ex-namorada do quinto filho do coronel Gaddafi, Moatassem Gaddafi, 35 anos, Conselheiro de Segurança Nacional da Líbia, havia ido ao Líbano encontrá-lo, em Trípoli, pela segunda vez neste ano, segundo ela, para buscar ajuda para pagar o tratamento de saúde do seu pai, que sofre do mal de Alzheimer.

A modelo disse ao jornalista que se encontrará com o ex-namorado na Líbia, em fevereiro, deste ano, pouco antes do levante, e lembra que Moatassem havia reclamado do "povo ingrato", relatando inquietações de populares, no leste do país.

Nesse final de agosto, ela fez o que chamou de "grande erro", retornando para a Líbia. Mutassim, que a convidou, assegurava que a situação estava sob controle e que o regime mantinha-se vitorioso nos enfrentamentos com os rebeldes.

A encontrá-lo, numa única vez, na sexta-feira que antecedeu o ataque dos rebeldes a Trípoli, Talitha disse que durante o encontro ele bebeu calmamente fartas doses do uísque americano Jack Daniels, com Coca-Cola, brindando uma vitória sobre os rebeldes. Era servido por garçons filipinos, que vestiam impecáveis jaquetas brancas, em pleno cenário da guerra, num hotel da capital.

Mutassim Gaddafi, na ocasião, exibia um exagerado otimismo, até porque seu prestígio havia crescido, dentro do regime. Sob seu comando estivera às tropas de elite do governo, que enfrentaram os rebeldes em torno das cidades de Benghazi e Misurata, e apesar de seu desempenho questionável, ganhara a imagem do filho guerreiro do coronel Gaddafi, o herdeiro eficaz.

"Fiquei chocado quando me reencontrei com Mutassim. Ele havia mudado- disse Talitha ao Sunday Telegraph.

"Foi à primeira vez que eu o tinha visto desde um pouco antes do levante de fevereiro. Ele estava de barba, sentado em um sofá repleto de armas automáticas, e ele era escoltado por sisudos guardas costas, muito jovens, pareciam ter 16 anos, armados com submetralhadoras.

Talitha na Playboy holandesa
A imagem de Mutassim sentado debaixo de um retrato de seu pai, planejando a guerra contra os rebeldes estava muito longe do divertido playboy, com quem ela tinha tido um relacionamento, depois de conhecê-lo numa boate na Itália, em 2004.

Seu romance durou apenas três meses, até que Talitha descobriu que havia "outras mulheres" na vida Mutassim. Mesmo assim a dupla manteve um relacionamento íntimo, descompromissado, desde então.

A ex-coelhinha da Playboy foi atraído para o mundo do luxo que o clã Gaddafi, ostentação e glamour regado a caríssimos presentes.

Ela conta que o acompanhou em viagens deslumbrantes ao redor do mundo. Em Mônaco, Talitha disse que além de ter assistido o Grand Prix, de formula um, compareceu, à noite, a um jantar, para convidados VIPs, onde a princesa Caroline de Mônaco era uma das comensais.

No natal desfrutou das férias na ilha caribenha de Saint Barts, juntos com outras dezenas de convidados de Mutassim, que foram levados ao paraíso tropical, num Boeing especialmente fretado.

De acordo com Talita, quando Mutassim estava em Paris ou Londres, ocupava vários andares dos hotéis mais caros. Enchia-os com amigos, cabeleireiros italiano, gente vinda de todas as partes do mundo.

"Perguntei-lhe uma vez o quanto ele gastava, e ele levou um minuto para responder: ''cerca de US $ 2 milhões”! Eu disse ''você quer dizer um ano? Ele disse: ''não – em um mês''.

Cercada de coleções de bolsas Louis Vuitton e relógios caros, Talitha disse que permaneceu em uma “gaiola dourada" e tinha pouca ideia sobre a vida dos líbios que parecia "bastante felizes".

Foto: Reuters

Em 2009, Moatassem reuniu-se com a secretária Hillary Clinton. Na viagem demonstrou interesse em modernizar as forças armadas líbia. Disse que apesar de ter ofertas de vendas da Rússia e da China, prefeira comprar armas aos EUA. Não conseguiu convencer os amerincanos.

Das vezes que visitou Trípoli, ficou em casas de Mutassim, em praias, fazendas e vilas do seu país, sempre decorados com exageradas aplicações de ouro e lustres gigantescos, caros, mas de gosto duvidoso.

Talitha disse que Mutassim negava que o povo líbio passasse dificuldades. Dizia que eles, além de assistência hospitalar e escolar gratuitas, dispunham de programas que forneciam alimentos mais baratos.

A jovem disse que o filho de Gaddafi confessava idolatrar Adolf Hitler, Hugo Chávez e Fidel Castro e ansiava ter o tipo de sucesso que eles desfrutaram.

Sabe-se que durante muito tempo, ele passou na sobra do seu irmão mais velho, Saif al-Gaddafi, até então considerado como o verdadeiro herdeiro político de Gaddafi. Sabe-se que Mutassim, teria tentado derrubar seu pai, do poder, e isso lhe custou anos de exílio, no Egito, só tendo regressado recentemente, quando depois de conseguir readquirir a confiança do pai, foi investido no importa cargo de Conselheiro de Segurança Nacional da Líbia.

Talitha disse que certa vez ele confirmou a participação do governo líbio no atentado Lockerbie, que parecem ter sido feito por vingança.

O atentado de Lockerbie foi um ataque terrorista ao voo 103 da Pan Am em 21 de dezembro de 1988. O avião Boeing 747-121 que partira de Londres com destino a Nova Iorque, explodiu no ar logo acima da cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas (259 no avião e 11 na terra) de 21 nacionalidades diferentes. Deste total, 189 vítimas eram cidadãos dos Estados Unidos da América.

Talitha disse: 'Eu disse a ele que as vítimas eram civis, não militares, e ele disse: ''Talitha, os americanos atacaram a nossa casa na Líbia e meu pai perdeu um filho (uma referência ao bombardeio dos EUA de Trípoli em 1986)''.

Naquela sexta-feira, no hotel, em certo momento, disse ela, Mutassim ergueu a taça e brindou a vitória que ele tinha certeza estava próxima.

Mas no dia seguinte os rebeldes apoiados por ataques aéreos da OTAN lançaram um ataque surpresa em Trípoli e Mutassim partiu sem se despedir, para se juntar aos combatentes a deixando para trás.

Talitha, então, foi posta, por pessoas do governo, num comboio que partia de Trípoli, em direção à Tunísia. A viagem não prosseguiu, pois foram emboscados pelos rebeldes. Com tiroteios eclodindo pela cidade, ele foi levada de volta e colocada sob os cuidados de uma funcionaria do hotel.

"À medida que a batalha estava acontecendo, conversando com o pessoal do hotel, fui tomando conhecimento, pela primeira vez, o que realmente pensava líbios, a respeito de Muammar Gaddafi.- disse a jovem.

”As pessoas disseram que odiavam e que ele havia arruinado sua vida."

Quando os rebeldes chegaram ao hotel, quando ela foi pedir ajuda a funcionária que ficara responsável pela sua proteção, foi por ela arrastada para fora do quarto, e exibida aos rebeldes, possivelmente como amante do filho de Gaddafi.

Talitha disse que não entendia o que estava sendo dito em árabe, mas detectou a palavra "benzeno" (gasolina) que era repetida várias vezes. Convenceu-se de que eles estavam dispostos a “queimá-la viva”.

Sozinha, apavorada, escapou das mãos da mulher e se jogou da sacada de um hotel. Quebrou um braço, sofreu lesões nas costas e inúmeras escoriações. Depois disso outros funcionários do hotel a socorreram, correndo risco de vida, levando-a para o hospital através de ruas onde ainda havia combates.

Agora ela está a caminho de casa.

"Vir para a Líbia, no meio de uma guerra foi o maior erro da minha vida", disse ela.

O paradeiro de Moatassem Gaddafi é desconhecido enquanto os rebeldes estão entusiasticamente saqueando suas casas luxuosas.

Ele foi visto pela última vez, na resistência do complexo Bab al-Azizia, invadida na semana passada por rebeldes. A qualquer momento saberemos da sua morte. Se é que ele ainda está vivo.

Foto: Lino Azzopardi/Associated Press

TRIPOLÍ NUNCA MAIS - A Associated Press, mostrou, agora a tarde, Talitha van Zon, chegando com outros refugiados, sã e salva, ao porto de La Valetta, Malta, nesta segunda-feira 29 agosto, após uma viagem de 35 horas no mar agitado.


OPINIÃO: A nova Líbia

23/08/2011

OPINIÃO
A nova Líbia
“Nos casos da Líbia e Síria, os mais difíceis, o governo da presidente Dilma tem errado muito. Houve para nós uma breve primavera: a ideia de que direitos humanos seriam um dos princípios da diplomacia, mas essa esperança se esfumaçou rapidamente”. - Míriam Leitão

Foto: Saeed Khan/AFP/Getty Images

Míriam Leitão
Fonte:Blog de Míriam Leitão -O Globo

Os líbios agora passarão a construir a nova era pós-Kadafi. Terão a vantagem de ter apoio internacional. A grande pergunta é: a Líbia será uma democracia? O politólogo Eduardo Viola, da UnB, define como semidemocracia o que poderá ser instalado em Trípoli. O Brasil errou no caso da Líbia e ontem às pressas tentava consertar. Erra também na Síria.

O que fazer diante de um ditador que promove um banho de sangue para manter seu regime? O Brasil se absteve no Conselho de Segurança da ONU à declaração de área de exclusão aérea na Líbia, no dia 17 de março. Há 15 dias, em entrevista ao Globo , o ministro Antonio Patriota disse que não reconheceria o Conselho Nacional de Transição (CNT) como governo líbio - medida que havia sido tomada por Estados Unidos, União Europeia e vários países árabes - porque os rebeldes controlavam apenas uma parte do país. Ontem, na undécima hora, é que reconheceu o CNT. Isso é que é incapacidade de ver a tendência dos acontecimentos. A mesma contramão vem sendo tomada em relação à Síria de Bashar al-Assad, mesmo após o regime ter assassinado duas mil pessoas e depois de até a Arábia Saudita ter retirado seu embaixador do país.

O novo governo líbio terá apoio das maiores economias e dos bancos internacionais e mercado para o seu petróleo. Começará a difícil tarefa de construir instituições democráticas num país tribal. Eles divulgaram dias atrás uma constituição provisória. Viola acha que os rebeldes começarão a construir alguma forma de representação política, mas acredita que vai demorar até que se instale um governo com as características de uma democracia. Estavam certos os países que desde o começo disseram que era preciso fortalecer os rebeldes diante da reação sangrenta de Kadafi e seus filhos. A cooperação deve continuar agora para que os líbios reorganizem o país, após o fim de uma ditadura de 42 anos. Claro que há dúvidas sobre o futuro da Líbia, se o CNT será capaz de unir as tribos e fazer a transição para a democracia. Mas essa dúvida não era justificativa para manter Kadafi e sua dinastia no poder.

A Líbia tem vários trunfos para se reerguer: tem a maior reserva de petróleo da África, maior que a da Nigéria, é capaz de produzir até 1,8 milhão de barris/dia, como fez em 2010. No começo do conflito, em fevereiro, estava produzindo 1,6 milhão e passou a produzir apenas 100 mil. Apesar dos seis meses de luta, o país preservou sua estrutura de escoamento do produto para a Europa. A Itália é o maior comprador. Compra 28% do petróleo que a Líbia vende. O país tem US$ 150 bilhões de reservas cambiais. Mas antes, o novo governo terá de restabelecer a ordem, os serviços públicos e instalar um governo minimamente operacional. A normalização econômica e política pode demorar um ano.

O que a comunidade internacional não podia era assistir de braços cruzados ao massacre dos líbios, como não pode assistir ao massacre dos sírios.

É sempre preferível a solução negociada, mas o ditador nunca quis negociação. As hesitações, manifestações ingênuas e abstenções do Brasil, neste período em que ocupa temporariamente uma cadeira no Conselho de Segurança, pode levar o mundo a se perguntar para que mesmo o Brasil quer uma cadeira permanente.

Na Síria, o caminho para a democracia parece ainda mais longo. "A alta oficialidade síria tem participado diretamente do massacre de Bashar Assad. Eles sabem que serão julgados com o mesmo rigor que o ditador. Tendem a manter a radicalização ", acredita Viola.

Os episódios seguidos no Norte da África não repetem o mesmo roteiro. Em cada país, é diferente. Mas o vendaval continua. Em janeiro, caiu Ben Ali, na Tunísia; em fevereiro, caiu Hosni Mubarak, no Egito. Em junho, caiu Abdullah Saleh, no Iêmen. Em agosto, é a vez de Kadafi. Bashar al-Assad é o próximo da lista.

Nos casos da Líbia e Síria, os mais difíceis, o governo da presidente Dilma tem errado muito. Houve para nós uma breve primavera: a ideia de que direitos humanos seriam um dos princípios da diplomacia, mas essa esperança se esfumaçou rapidamente.

"A expectativa que se formou era de que a presidente Dilma, por sua história de vida e pelas primeiras declarações, faria uma correção nos rumos da política externa dos últimos anos, em que houve fatos como as declarações do presidente Lula contra as manifestações em Teerã. Mas as posições do Brasil em relação à Síria, quando Bashar fazia um banho de sangue no país, mostraram que não haverá mudanças", disse Viola.

Em Teerã, nas eleições de 2009, as manifestações acusando Mahmoud Ahmadinejad de fraude foram definidas por Lula como "choro de perdedor". Elas foram violentamente reprimidas, claramente fraudadas. No primeiro governo, Lula visitou Muammar Kadafi. O cerimonial imposto pelo governo líbio incluiu homenagens ao pai de Kadafi e lições de geopolítica dadas pelo ditador na sua tenda cenográfica. Foi patético. Foi desse passado que o país sonhou se livrar. Os primeiros sinais dados pelo ministro Antonio Patriota foram encorajadores, mas agora já se sabe que o Itamaraty continuará no mesmo equívoco.

O Brasil deve ter relações políticas e comerciais com o maior número de países do mundo; de preferência com todos. Isso é diferente de gestos de fortalecimento de regimes que, em seu ocaso, usam o aparelho de Estado contra seus opositores com a ferocidade com que foi feito por Kadafi e Bashar al-Assad. É lamentável que o Itamaraty tenha perdido a capacidade de ver a diferença entre manter relações com os países e apoiar regimes indefensáveis.


*Acrescentamos subtítulo e foto ao texto original

LIBIA: Khadafi, o tirano encurralado

21/08/2011

LIBIA
Khadafi, o tirano encurralado
Forças rebeldes estão a poucos quilômetros de Trípoli, a capital da Líbia e prometiam dominar a capital ainda neste domingo, depois de seis meses de luta. Mas uma forte resistência das tropas do tirano demonstram, na realidade, que a coisa não vai ser tão fácil, como se poderia imaginar. O plano dos rebeldes agora é sitiar a capital e esperar que o ditador acabe capitulando ou fugindo, após ter passado 41 anos, com ditador.

Foto: AFP

Rebeldes avançam rumo a Trípoli a partir de várias frentes, mas encontram forte resistência.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasill, Reuters, Spiegel, Al Jazeera

Os rebeldes que lutam contra o regime de Muamar Khadafi estão a poucos quilômetros de Trípoli, a capital da Líbia, e esperavam chegar em peso à cidade neste domingo à noite.

Disparos e explosões foram ouvidos na capital líbia no domingo pela manhã, mas Khadafi fez um pronunciamento na TV afirmando que os rebeldes, a quem chamou de ratos, haviam sido eliminados em Trípoli.

Os rebeldes confirma que foram recebidos com forte resistência por parte de tropas leais ao líder líbio, ao se encaminharem para a capital do país, Trípoli.

Em grupos, centenas de combatentes que avançavam pelo oeste da Líbia teve de interromper sua ação por conta do forte ataque que sofreu na cidade de Maya, a trinta quilômetros da capital.

O avanço dos ativistas contrários ao regime líbio rumo à capital está se dando por diferentes frentes, pelo leste, sul e oeste do país e conta com o apoio aéreo e marítimo das forças da Otan.

A ação, batizada como ''Operação Sereia'', visa, como disse à agência de notícias AFP Ahmed Jibril, um porta voz dos rebeldes, cercar Trípoli e obrigar Khadafi a se render ou a ter de fugir. A operação, admitiu Jibril, poderá durar vários dias.

O porta-voz do governo da Líbia, Moussa Ibrahim, pediu um cessar-fogo imediato, mas garantiu que Trípoli está sendo bem guardada por milhares de combatentes.

Foto: AP

Os rebeldes atacam o último reduto de Kadhafi em várias frentes

Nos últimos dias, homens e mulheres que residem na cidade receberam armas e treinamento para lutar contra as milícias anti-Khadafi

No sábado, os combatentes anti-Khadafi conquistaram regiões importantes do país que estavam nas mãos do regime líbio até pouco tempo.

A cidade de Zawiya, que fica 50 quilômetros ao oeste de Trípoli, foi conquistada no sábado.

Um grupo de militantes partiu da cidade na manhã deste domingo com destino a Trípoli, tendo conquistado Jaddayim, uma pequena cidade e a primeira no caminho rumo à capital.

Eles também assumiram o controle da cidade de Zlitan, 160 quilômetros ao leste de Trípoli.

Os ativistas contrários ao regime estão avançando em diferentes frentes, pelo leste, sul e oeste.

Foto: AFP

Imagens dos rebeldes avançando em direção a Tripole invadem as agências de notícias

Navios de guerra da Otan estão controlando o acesso ao mar.

Forças leais ao governo estão combatendo os rebeldes na cidade portuária de Brega, que abriga uma das principais reservas de petróleo do país.

Os militantes admitiram que foram obrigados a recuar da zona industrial da cidade, após terem sofrido um pesado bombardeio.

Segundo o repórter da BBC Rupert Wingfield-Hayes, que está acompanhando a jornada dos rebeldes a partir de Jaddayim, em caminhonetes ou a pé, centenas de combatentes deslocam-se pela cidade, em todas as direções.

O repórter da BBC conta que a cidade foi tomada no domingo de manhã após árduos combates entre rebeldes e tropas do governo.

Matthew Price, enviado especial da BBC a Trípoli, conta que sons de tiros foram ouvidos ao longo de toda a noite de sábado, assim como explosões.Os distúrbios pareciam vir de regiões no norte, no leste e no sudeste do centro da cidade. Um porta-voz do governo atribuiu os disparos e estampidos a pequenos grupos de gangues armadas.

Foto: AFP

Os rebeldes tentam se infiltra nas áreas ainda sob influencia militar de tropas leais ao ditador

Rebeldes afirmam que soldados pró-Khadafi baseados na cidade teriam abandonado seus postos e se juntado aos rebeldes.

Os combates mais intensos se deram por volta das 23h de sábado, mas os ruídos de disparos diminuíram consideravelmente no domingo.

O repórter Matthew Price diz acreditar que os enfrentamentos provavelmente se deram entre combatentes anti-Khadafi que já estavam em Trípoli e forças do governo e não entre rebeldes que teriam entrado na cidade.

A noticia que chegam da região dizem que rebeldes líbios lutavam neste sábado em cidades costeiras de ambos os lados de Trípoli, numa tentativa de finalmente derrubar Muammar Gaddafi, enquanto a luta chegou, inclusive, a atravessar a fronteira com a Tunísia, em meio a uma guerra civil que já dura seis meses.

Os Estados Unidos disseram que os "dias estão contados" para Muammar Gaddafi, à medida que insurgentes, apoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), colocaram ainda mais pressão pela saída do ditador, em meio a relatos de que o número de desertores do regime aumentou.

Foto: Associated Press
Agora começa a se falar que o combate pode durar vários dias, ou semanas

Forças de segurança da Tunísia disseram ter interceptado invasores líbios armados em veículos além da fronteira, e que houve tiroteio durante a noite (horário local) no deserto, com diversas baixas.

Os soldados tunisianos não souberam informar se os invasores eram rebeldes ou apoiadores de Gaddaf.

Constantes explosões provocadas por granadas, morteiros e armas automáticas puderam ser ouvidas na sexta-feira no centro de Zawiyah, cidade situada na costa, a cerca de 50 quilômetros a oeste de Trípoli, na qual os rebeldes entraram nesta semana.

Morteiros atingiram um hospital central perto do amanhecer, deixando buracos nas paredes, enquanto era visíveis as cenas de destruição no interior do edifício. Na sexta-feira, houve confrontos ao redor do hospital.

Na praça central, moradores queimavam uma bandeira verde de Gaddafi. "Gaddafi está acabado. Os civis estão começando a retornar para as cidades. A Líbia está finalmente livre", disse um deles, que se identificou como Abu Khaled.

Foto: DPA

Comemorações em Zawiya uma das cidades recentemente conquistada pelos rebeldes

Em um beco próximo, moradores se aglomeravam para ver os corpos dos soldados do governo estendidos na rua. Tiroteios e explosões eram ouvidos a distância. A tomada de Zawiyah transformou o conflito, ao deixar Trípoli sem sua principal ligação terrestre com o mundo exterior, gerando uma pressão sem precedentes sobre o mandato de 41 anos de Gaddafi.

Segundo testemunhas da Reuters, enquanto tentavam consolidar o controle da cidade e sua estratégica refinaria de petróleo, os rebeldes de Zawiyah reunidos na praça central trocaram tiros com as forças de Gaddafi, refugiadas em um hospital próximo, antes de expulsá-las.

O cerco súbito de Trípoli tem prejudicado os habitantes da capital e afetado o fornecimento de combustível e alimentos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou na sexta-feira que vai realizar uma operação de resgate em massa para evacuar centenas de trabalhadores estrangeiros, provavelmente por mar.

Em torno de 600 mil dos cerca de 1,5 a 2,5 milhões de trabalhadores estrangeiros na Líbia fugiram do país desde o início da guerra civil, mas várias centenas permaneceram em Trípoli, que até esta semana estava bastante longe dos combates e ligada a duas horas de carro à fronteira com a Tunísia.

Foto: AFP

Os rebeldes se posicionam para enfrentar as tropas de Kadhafi, já nos arredores de Trípoli.

Os governos integrantes da Otan vêm trabalhando de perto com os rebeles, para desenvolver um plano já vislumbrando um período pós-conflito.

As lições tiradas do colapso do regime iraquiano ainda estão frescas na mente de todos.

E a aliança não quer ver o caos se instalando durante um vácuo de poder, que poderia vir acompanhado de mortes por vingança, saques e muitos outros crimes.

Na realidade, a reta final desse conflito traz problemas bem particulares para a Otan, cuja autorização para atuar no país permanece sendo direcionada à proteção dos civis.

Críticos argumentam que isso não passa de ficção, que a Otan está de um dos lados de uma guerra civil e opera em ataques aéreos para balancear o confronto.

A intervenção da aliança começou com o objetivo imediato de proteger os civis de Benghazi das tropas do governo. E a guerra pdoe terminar com a Otan tendo que garantir a segurança da população em Trípoli.

Esse será o verdadeiro teste no entendimento entre os governos ocidentais, os rebeldes e os países que investiram neles, como a Grã-Bretanha e a França.

Foto: DPA

Khadafi fez um pronunciamento televisionado – o segundo em dois dias - no qual garantiu que não vai abandonar Trípoli. Seus partidários afirmam que dezenas de milhares de combatentes o defenderão.

“Vamos lutar até liberarmos cada centímetro de terra e evitar que ela seja ocupada. Estou com vocês nessa batalha. Não vamos entregar Trípoli para os colonialistas e traidores”, disse Khadafi.

“Saiam às ruas aos milhares. Os que não tiverem armas devem nos procurar para receber uma. As massas devem se armar.”

11 de abr. de 2011

Lula nega os afagos a Kadhafi

BRASIL
Lula nega os afagos a Kadhafi
“Nenhum farsante escapa da vala comum reservada aos falsificadores da História” – diz o colunista Augusto Nunes referindo-se a negativa de Lula de que chamou Kadhafi de “amigo e companheiro” num discurso num jantar em Trípoli, julho de 2009

Foto: Roberto Stuckert/Presidencia da República

O encontro em Tripoli, registrado pelo fotografo official da presidencia da republica, Roberto Stuckert, e testemunhando pelo índio boliviano Evo Morales

Augusto Nunes
Fontes: Blog do Augusto Nunes, Reuters

“Não fale uma sandice dessas”, irritou-se o ex-presidente Lula com Denise Chrispin Marin, correspondente do Estadão em Washington. “Conheço as pessoas e sei como me referi a elas”, continuou, decidido a ampliar a coleção de momentos inverossímeis registrados na entrevista coletiva desta quarta-feira. Ao saber que o palestrante aprendiz está pronto para pacificar a Líbia – é só Dilma Rousseff chamar –, a jornalista lembrou que em dezembro de 2003, num jantar em Tripoli, Lula qualificou Muammar Kadafi de “companheiro e amigo”. E então o ator canastrão incorporou o ofendido de araque para garantir que não disse o que disse.

Não parou por aí. “Jamais falaria isso por uma razão muito simples: porque eu tenho discordância política e ideológica com Kadafi”, recitou sem ficar ruborizado. Ou porque é muito gentil ou porque a perplexidade a emudeceu, Denise desperdiçou uma boa chance de emparedar o embusteiro. Deveria ter registrado que os afagos verbais em Tripoli foram confirmados pelo nicaraguense Daniel Ortega e pelo argelino Mohamed Ben Bella, presentes ao jantar. Foram também testemunhados pelo tradutor sem o qual Lula não sabe o que se passa ao redor.

Melhor ainda seria recordar ao amnésico seletivo que as carícias retóricas murmuradas em Tripoli foram reprisadas há um ano e meio em Sirte, na 13ª Reunião de Cúpula da União Africana. E desmontar a farsa com a leitura em voz alta da reportagem do enviado especial Andrei Netto, publicada pelo Estadão em 2 de julho de 2009. Um dos trechos reproduz a derramada saudação a Kadafi feita por Lula: “Meu amigo, meu irmão e líder”, discursou o convidado de honra, mirando com olhar de noiva o psicopata anfitrião.

O restante do palavrório deixou claro que aquilo não fora um escorregão de palanqueiro sem compromisso com a verdade. Lula estava lá para reafirmar a solidariedade do governo brasileiro a estadistas incompreendidos. Elogiou abjeções mundialmente desprezadas, louvou celebrou a generosidade de assassinos, louvou o fervor democrático de liberticidas, festejou o patriotismo de corruptos de carteirinha e reiterou a admiração pela biografia infame do ditador da Líbia.

Mais de sete anos depois de Tripoli, menos de dois depois de Sirte, o companheiro, amigo, irmão e liderado de Kadafi resolveu proclamar inexistentes o acasalamento promíscuo e as cenas de cumplicidade explícita. É tarde. E é impossível. Espertalhões bem mais sagazes que Lula também tentaram substituir fatos amplamente documentados por mentiras convenientes. Nenhum dos farsantes foi muito longe. Todos acabaram vencidos pela verdade. Todos jazem na vala comum reservada aos falsificadores da História.


*Alteramos título e crescentamos subtitulo foto e legenda ao texto original subt


1 de abr. de 2011

Importantes colaboradores abandonam Kadhafi

LÍBIA
Importantes colaboradores abandonam Kadhafi
O chanceler da Líbia, Moussa Koussa, homem de alta confiança do ditador é a mais proeminente figura a fugir do país. Outros importantes funcionários e diplomatas, como seu embaixador na ONU, Ali Abdussalm Treki, negam-se a continuar colaborando com o governo de Kadhafi. A rede de TV Aljazeera diz que já não aconteceu uma fuga em massa, pois há um forte esquema de segurança tentando impedir que outros importantes integrantes do governo líbio deixem o país

O ex-ministro Moussa Koussa, 60, era um dos funcionários mais antigos do governo Khadafi.
Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, BBC Brasil, Reuters , Aljazeera

Muitas figuras do governo da Líbia renunciaram desde a revolta contra Kadhafi começou em 15 de fevereiro. O anuncio, nesta quinta-feira, da fuga para Londres do ministro das Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, soma-se a do ministro do interior, Abdel Fattah Younis e ministro da Justiça, Mustafa Mohamed al-Jalil, além de numerosos embaixadores em todo o mundo.

Nesta quinta também a Reuters informou que o ex-chanceler líbio atual embaixador na ONU, Ali Abdussalm Treki, deixou o cargo, e condenou o "derramamento de sangue" em seu país.

A rede de TV Al Jazeera informou que "um número elevado de pessoas" próximas a Kadhafi deixou a Líbia com destino à Tunísia, no rastro da decisão do ministro de Relações Exteriores, Moussa Koussa.

Entre os dissidentes foragidos estaria o presidente da empresa nacional de petróleo da Líbia, Shokri Ghanem, o porta-voz do Congresso Geral do Povo da líbia, Mohamed Abdul Qasim al-Zwai, o chefe de inteligência estrangeira, Abuzeid Dorda, e Abdelati al-Obaidi, um alto diplomata a cargo de assuntos europeus.

A Aljazera acrescentou ter ouvido de um alto diplomata líbio, que agora apoiar a oposição, que a maioria dos altos funcionários líbios estão tendo dificuldades de abandonar o país, impedidos por um forte esquema de segurança.

As 112 maneiras de se escrever Kadhafi

LÍBIA
As 112 maneiras de se escrever Kadhafi
O nome do líder líbio é escrito de centena de maneiras diferentes devido a dificuldades da transliteração da língua árabe e também da pronúncia regional da Líbia. Dizem que o comandante líbio prefere as grafias Moammar El-Gadhafi, Muammar Gadafi ou al-Gathafi

Foto: Arquivo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Portal Sapo, Wikipedia , Portal SIC

As dúvidas não são de agora, mas nesses últimos tempos as dúvidas como se escreve e se pronuncia o nome do líder da Líbia têm surgido com mais frequência nos meios de comunicação social.

Khadafi, Kadhafi ou Gadaffi são apenas três das mais de cem formas possíveis.

Um levantamento feito entre 1998 e 2008 chegou à conclusão que o nome e o apelido do líder da Líbia foram escritos de 112 maneiras diferentes.

Apesar de estar no poder há mais de 40 anos, a uniformização está longe de ser consensual.

O New York Times, por exemplo, escreve "Qaddafi", o Washington Post "Gaddafi", Los Angeles Times "Kadafi" e a France Press Kadhafi.

Uma das explicações para tanta divergência é que não há como traduzir para o alfabeto romano ou latino os nomes árabes. Kadhafi é especialmente complicado porque tem sons que não têm equivalente noutros idiomas. A dificuldade aumenta se quisermos escrever e pronunciar o nome e o sobrenome. A Biblioteca do Congresso norte-americano elaborou uma lista com 112 grafias possíveis utilizadas pelo New York Times, Associated Press e outras agências noticiosas entre 1998 e 2008.

Eis as 112 formas de escrever o nome do líder líbio

  • Qaddafi, Muammar
  • Al-Gathafi, Muammar
  • al-Qadhafi, Muammar
  • Al Qathafi, Mu'ammar
  • Al Qathafi, Muammar
  • El Gaddafi, Moamar
  • El Kadhafi, Moammar
  • El Kazzafi, Moamer
  • El Qathafi, Mu'Ammar
  • Gadafi, Muammar
  • Gaddafi, Moamar
  • Gadhafi, Mo'ammar
  • Gathafi, Muammar
  • Ghadafi, Muammar
  • Ghaddafi, Muammar
  • Ghaddafy, Muammar
  • Gheddafi, Muammar
  • Gheddafi, Muhammar
  • Kadaffi, Momar
  • Kad'afi, Mu`amar al-
  • Kaddafi, Muamar
  • Kaddafi, Muammar
  • Kadhafi, Moammar
  • Kadhafi, Mouammar
  • Kazzafi, Moammar
  • Khadafy, Moammar
  • Khaddafi, Muammar
  • Moamar al-Gaddafi
  • Moamar el Gaddafi
  • Moamar El Kadhafi
  • Moamar Gaddafi
  • Moamer El Kazzafi
  • Mo'ammar el-Gadhafi
  • Moammar El Kadhafi
  • Mo'ammar Gadhafi
  • Moammar Kadhafi
  • Moammar Khadafy
  • Moammar Qudhafi
  • Mu`amar al-Kad'afi
  • Mu'amar al-Kadafi
  • Muamar Al-Kaddafi
  • Muamar Kaddafi
  • Muamer Gadafi
  • Muammar Al-Gathafi
  • Muammar al-Khaddafi
  • Mu'ammar al-Qadafi
  • Mu'ammar al-Qaddafi
  • Muammar al-Qadhafi
  • Mu'ammar al-Qadhdhafi
  • Mu`ammar al-Qadhdhāfī
  • Mu'ammar Al Qathafi
  • Muammar Al Qathafi
  • Muammar Gadafi
  • Muammar Gaddafi
  • Muammar Ghadafi
  • Muammar Ghaddafi
  • Muammar Ghaddafy
  • Muammar Gheddafi
  • Muammar Kaddafi
  • Muammar Khaddafi
  • Mu'ammar Qadafi
  • Muammar Qaddafi
  • Muammar Qadhafi
  • Mu'ammar Qadhdhafi
  • Muammar Quathafi
  • Mulazim Awwal Mu'ammar Muhammad Abu Minyar al-Qadhafi
  • Qadafi, Mu'ammar
  • Qadhafi, Muammar
  • Qadhdhāfī, Mu`ammar
  • Qathafi, Mu'Ammar el
  • Quathafi, Muammar
  • Qudhafi, Moammar
  • Moamar AI Kadafi
  • Maummar Gaddafi
  • Moamar Gadhafi
  • Moamer Gaddafi
  • Moamer Kadhafi
  • Moamma Gaddafi
  • Moammar Gaddafi
  • Moammar Gadhafi
  • Moammar Ghadafi
  • Moammar Khadaffy
  • Moammar Khaddafi
  • Moammar el Gadhafi
  • Moammer Gaddafi
  • Mouammer al Gaddafi
  • Muamar Gaddafi
  • Muammar Al Ghaddafi
  • Muammar Al Qaddafi
  • Muammar Al Qaddafi
  • Muammar El Qaddafi
  • Muammar Gadaffi
  • Muammar Gadafy
  • Muammar Gaddhafi
  • Muammar Gadhafi
  • Muammar Ghadaffi
  • Muammar Qadthafi
  • Muammar al Gaddafi
  • Muammar el Gaddafy
  • Muammar el Gaddafi
  • Muammar el Qaddafi
  • Muammer Gadaffi
  • Muammer Gaddafi
  • Mummar Gaddafi
  • Omar Al Qathafi
  • Omar Mouammer Al Gaddafi
  • Omar Muammar Al Ghaddafi
  • Omar Muammar Al Qaddafi
  • Omar Muammar Al Qathafi
  • Omar Muammar Gaddafi
  • Omar Muammar Ghaddafi
  • Omar al Ghaddafi

    em árabe:
  • معمر القذافي

  • 21 de mar. de 2011

    OBAMA NO BRASIL: Festejado no Brasil, Obama está sob ataque nos EUA - Josias de Souza

    OBAMA NO BRASIL
    Festejado no Brasil, Obama está sob ataque nos EUA
    O jornal “The New York Times” comenta que no discurso feito no Rio, Obama citou apenas superficialmente a nova encrenca militar dos EUA no mundo muçulmano.


    Detalhe da primeira página do “the New York Times” de hoje, 21 de março de 2011

    Josias de Souza
    Fontes: Blog do Josias de Souza, The New York Times, Portal White House

    A atmosfera turístico-festiva que marcou a passagem de Barack Obama pelo Brasil contrasta com o cenário belicoso que se arma contra ele nos EUA.

    Em notícia destacada na primeira página, o ‘The New York Times’, diário americano mais influente no mundo, esboçou o drama de Obama.

    O texto anota que, ao autorizar a participação dos EUA na coalizão que bombardeia a Líbia, Obama tornou-se, ele próprio, alvo.

    É atacado à direito e à esquerda. Dissemina-se a impressão de que se tornou complicado para Obama manter o foco na crise econômica doméstica.

    A notícia realça o esforço de Obama para injetar aparência de normalidade numa cena anormal. Ele tenta minimizar o papel dos EUA na Líbia.

    No discurso feito no Rio, diz o texto, Obama citou apenas superficialmente a nova encrenca militar dos EUA no mundo muçulmano.

    Congressistas republicanos, adversários de Obama, insinuam que ele demorou demais a agir em defesa dos rebeldes que se opõe ao ditador Muammar Gaddafi.

    Pior: além de demorar, dizem os republicanos, Obama não explicou adequadamente os objetivos da ação militar. Revelou-se um líder fraco. Em casa e no exterior.

    Foto: Pete Souza/Official White House Photo

    As imagens, de caráter turístico social, divulgadas pelo portal da Casa Branca, da visita de Obama ao Brasil, ajudam a aquecer as criticas da impropriedade da viagem

    O jornal reproduz declarações do senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, à emissora de TV Fox.

    Graham disse que não sabe o que levou Obama a autorizar a ação militar na Líbia. E declarou-se preocupado com o fato de os EUA ocuparem "o banco de trás", em vez de exercer o "papel de líder".

    Integrantes do partido Democrata, ao qual Obama é filiado, saíram em defesa do presidente. Mas também expressaram preocupação.

    Receiam que Obama possa ter extrapolado os limites de sua autoridade ao não submeter o bombardeio da Líbia à deliberação do Congresso.

    Os ataques aéreos contra as forças de Gaddafi contrastam com a intenção da Casa Branca de reduzir a presença americana no Afeganistão.

    Num instante em que o Oriente Médio arde, a investida na Líbia introduz no cenário dos EUA uma novidade de consequências imprevisíveis.

    No terceiro ano de sua presidência, recorda o jornal, Obama insinuava a intenção de se concentrar na busca de soluções para desemprego e a crise econômica doméstica.

    De olho na reeleição e à margem das manobras da oposição no Congresso, tenta reconquistar eleitorado independente e moderado.

    O ataque à Líbia entra nessa equação como um complicador. Sobretudo porque Obama chegou à Casa Branca cavalgando um sentimento anti-belicista.

    As pesquisas detectam o crescimento da aversão do americano à opção pelas armas. E Obama tornou-se administrador de três conflitos.

    Dois herdados –Iraque e Afeganistão— e um terceiro, o da Líbia, recém-nascido sob seu comando.

    Enquanto Obama cumpria sua agenda no Rio, última escala da passagem pelo Brasil, a Casa Branca esforçava-se para se contrapor às críticas.

    Foto: Valter Campanato/ABr

    Obama fala aos brasileiros do Theatro Municipal do Rio

    O jornal reproduz parte do discurso pronunciado por Obama no Theatro Municipal do Rio.

    Escreve que, em 20 minutos de fala, Obama celebrou os levantes que reivindicam democracia no norte da África e no Oriente Médio.

    Os Obamas no Cristo Redentor
    Destaca o trecho em que Obama disse que o futuro do mundo árabe será definido pelo seu povo.

    Menciona o pedaço do discurso em que Obama declarou: embora não se saiba para onde os movimentos vão levar, não se deve temer a mudança.

    O diabo é que a decisão de Obama de enfiar os EUA dentro da coalizão militar anti-Gaddafi contradiz o discurso que esgrime desde a campanha eleitoral.

    Defendia a busca de soluções multilaterais para os conflitos. Ao avalizar o ataque, diz o jornal, Obama leva à berlinda sua própria doutrina.

    Açula, de resto, os ânimos dos adversários liberais. A despeito das críticas, Obama mantém intacta a agenda que o mantém longe de Washington.

    Nesta segunda (21), chega ao Chile. Depois, vai a El Salvador. E as bombas continuam caindo sob Gaddafi.
    *Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas ao texto original

    20 de mar. de 2011

    LÍBIA: Na guerra dos holofotes Sarkozy ganhou de Obama

    LÍBIA
    Na guerra dos holofotes Sarkozy ganhou de Obama
    Quando aviões franceses bombardearam alvos na Líbia, iniciava-se a maior intervenção militar internacional no mundo árabe desde a invasão do Iraque em 2003. Em visita ao Brasil, o presidente Obama, demorou uma eternidade para divulgar que autorizará os Estados Unidos a participação da ação.

    Fotomontagem de Toinho de Passira sobre foto da Reuters

    Obama chegando na manhã deste sábado, com a família, na base militar em Brasília, para uma visita de dois dias ao Brasil, trouxe a tiracolo, além da sogra, o coronel Kadhafi

    Postado por Toinho de Passira
    Fontes: Noticia UOL, Le Figaro, Al Jazeera, Noticia Yahoo, Reuters, BBC Brasil , Reuters

    No instante, quase exato, que o Force One pousava na base militar em Brasília, trazendo o presidente Barack Obama, para sua visita ao Brasil, aviões Rafales, da força aérea da França, atiraram e destruiram quatro tanques utilizados pelas forças leais ao Muammar Kadafi, na periferia do reduto da oposição de Benghazi, na Líbia.

    A viagem do presidente americano ao Brasil, Chile e El Salvador, acontece sob fortes crítica da imprensa e da opinião pública americana. As crises mundiais com os riscos de vazamento nuclear no Japão, a guerra civil na Líbia e as tensão espalhadas pelo mundo árabe, segundo os americanos, recomendava que o presidente continuasse em Washington, no centro das decisões, com a cabeça voltada apenas para os interesses americanos, diante desses acontecimentos.

    Muitos criticam o presidente Obama, acusando-o de vacilante e dubio nas decisões referentes a Líbia. O americano tem razões em ser ponderado: teme meter os Estados Unidos em uma nova guerra, sem fim previsivel. Não tem a menor garantia, que com a queda de Kadhafi e das outras ditaduras árabes, nascam nesses países regimes democraticos simpaticos aos americanos.

    Foto: Reuters

    Quatro caças Rafale, que haviam partido da base francesa de Saint Diziers foram os primeiros a disparar contra as tropas de Kadhafi.

    Mas como o mundo é dos oportunistas e atirados, sentindo o vácuo na liderança mundial, diante dos fatos que se desenrolavam na Líbia, o presidente frances, Nicolas Sarkozy assumiu a responsabilidade de iniciar os ataques.

    Enquanto Obama tinha um morno encontro com Dilma Rousseff, Sarkozy tinha voltado para si todos os refletores mundiais. O francesinho, em baixa de popularidade interna, segundo as últimas pesquisas seria eliminado, logo no primeiro turno, nas eleições presidenciais de 2012, tenta com a guerra, impor-se como lider mundial, buscando votos no orgulho frances.

    De quebra Nicolas Sarkozy ainda pôs na vitrine, os caças franceses Rafales, que nunca haviam participado de uma ação real de combate. O que pode render prestígio e finalmente uma compra por parte de um país estrangeiro, o Brasil, por exemplo, de um lote desses aviões até hoje, utilizado unicamente pela força aérea francesa.

    Foto: Getty Images

    Nicolas Sarkozy nas rédeas dos acontecimentos: "... a França está decidida a assumir seu papel perante a História".



    Pode não ser a verdade absoluta, mas o que passou para a comunidade internacional é que só depois de forçado pelo ousado ataque francês, Barack Obama, resolveu agir autorizando, desde Brasília, a participação dos Estado Unidos na ação militar na Líbia. Falando num vídeo provavelmente produzido dentro do Force One, Obama confirmou a autorização de forma pouco confiante.

    Foto: Jim Watson/Agence France-Presse - Getty Images

    "Estou ciente dos riscos de uma ação militar. Quero que os americanos saibam que o uso da força não foi nossa primeira escolha".

    Foto: Fireman Roderick Eubanks/United States Army

    Mais tarde foram divulgadas imagens do destróier “Barry” da Marinha dos Estados Unidos, disparando misseis Tomahawk, desde o Mar Mediterrâneo, visando atingir alvos do sistema de defesa aérea da Líbia.


    18 de mar. de 2011

    LÍBIA: Kadhafi finge recuar, ocidente endurece

    LÍBIA
    Kadhafi finge recuar, ocidente endurece
    Após a resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovou na quinta-feira, apoiando uma zona de exclusão aérea e "todas as medidas necessárias" para proteger os civis das forças de Gaddafi, Dilma mandou o Brasil ficar em cima do muro e se abster de votar, o ditador líbio declara um cessar fogo fajuto, para fazer o ocidente vacilar enquanto ele continua a sua derrocada sangrenta contra os rebeldes. Pode haver bombardeio ocidental sobre as forças de Kadhafi, neste fim de semana.

    Foto: Roberto Schmidt/AFP

    Bombardeio da Força aérea de Kadhafi sobre os revoltosos, na cidade portuária de Ras Lanuf

    Postado por Toinho de Passira
    Fontes: Reuters , BBC Brasil, The New York Times, Al Jazeera, Le Figaro, Le Monde, Il Messaggero, Corriere della Sera, The Washington Post

    O governo de Muammar Kadhafi anunciou um cessar-fogo unilateral em sua ofensiva para reprimir a revolta na Líbia, ao constatar que aviões de combate do Ocidente se prepararam nesta sexta-feira para atacar as forças do líder líbio.

    As noticias, porém dão conta, que o discurso difere da prática: as tropas do governo continuam bombardeando, nesta sexta, a cidade de Misrata, no oeste do país, que estava sob controle dos rebeldes, matando ao menos 25 pessoas, incluindo crianças, disse um médico local à Reuters. Os moradores afirmaram que não havia sinais de cessar-fogo.

    No leste do país, onde os rebeldes mantêm o controle, a declaração do governo foi repudiada, sendo considerada uma armadilha ou um sinal do desespero de Kadhafi.

    O governo Obama também mostrou ceticismo.

    "Decidimos um cessar-fogo imediato e cessar imediatamente todas as operações militares", disse o ministro das Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, em Trípoli na sexta-feira, depois que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução autorizando ação militar e pediu pelo diálogo com todas as partes.

    No campo de batalha a conversa é outra, Kadhafi prometeu não mostrar "nem dó nem piedade" e os rebeldes pedem ajuda estrangeira antes que não haja mais tempo.

    Kadhafi teme uma invasão ocidental, como aconteceu no Iraque, o que pode mesmo acontecer, apesar de estar afastada a hipótese, pelo menos momentaneamente, dessas ações militares serem lideradas pelos Estados Unidos.

    Foto: Getty Images

    O conselho de Segurança da ONU aprovando o bloqueio do espaço aéreo na Líbia.

    As nações começam a se pronunciar como poderão participar de um possível ataque as forças leais a Kadhafi. O Catar disse que participaria, mas não estava claro se isso significa auxílio militar. A Tunísia disse que não participaria de nenhuma forma.

    "A Grã-Bretanha mobilizará (caças) Tornados e Typhoons, além de aeronaves para reabastecimento aéreo e vigilância", disse o primeiro-ministro David Cameron ao Parlamento.

    A Itália anunciou que disponibilizaria sete bases militares, além de equipamentos e tropas. Nápoles será o centro de coordenação.

    Dinamarca e Canadá afirmaram que planejam contribuir com caças. A França sediará reuniões no sábado para debater a ação com a Grã-Bretanha, a Liga Árabe e outros líderes.

    O secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, disse após uma reunião com embaixadores da aliança militar que a OTAN estava "finalizando seu planejamento a fim de se prontificar para tomar a ação apropriada... como parte do amplo esforço internacional."

    Foto: Doug Mills/The New York Times

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu na sexta-feira o líder líbio, Muammar Gaddafi, a obedecer as exigências da ONU por um cessar-fogo, ou então enfrentará as consequências, incluindo uma ação militar.

    Enquanto isso, habitantes de Misrata disseram que a cidade do oeste do país estava sob bombardeio pesado pelas forças de Kadhafi na sexta-feira.

    "Eles estão bombardeando tudo, casas, mesquitas e até ambulâncias", disse à Reuters um porta-voz dos rebeldes chamado Gemal, por telefone, desde o último grande reduto rebelde na parte ocidental do país.

    Outro rebelde chamado Saadoun disse: "Achamos que eles querem entrar na cidade a qualquer custo antes de a comunidade internacional começar a implementar a resolução da ONU."

    A TV Al Arabiya também disse que a cidade de Zintan, sob controle rebelde e também no oeste do país, foi atacada por foguetes na sexta-feira. As notícias sobre os confrontos não podiam ser confirmadas de forma independente. As autoridades impedem que os jornalistas estrangeiros baseados em Trípoli reportem livremente.

    Enquanto outros países e a OTAN devam participar em ação militar, as autoridades norte-americanas esperam que os EUA façam o 'trabalho pesado' numa campanha que provavelmente incluirá ataques aéreos contra tanques e artilharia.

    Foto: Getty Images

    Em comunicado o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nome dos aliados ocidentais e países árabes exigiu que o líder líbio, Muammar Kadhafi, parasse o avanço de suas tropas e cessasse os ataques a Benghazi e que se retirasse das cidades de Misrata, Zawiyah e Ajdabiya. Além de fornecer água e energia elétrica às cidades que tiveram o fornecimento interrompido.

    Para esse domingo, espera-se que ocorra, numa demonstração de força e determinação, pelo menos sobrevôos de aviões ocidentais sobre a Líbia. A possibilidade da missão se transformara em um ataque aéreo, vai depender da reação das forças de Kadhafi.

    17 de mar. de 2011

    LIBIA: Kadhafi está vencendo

    LIBIA
    Kadhafi está vencendo
    Tudo que não podia acontecer na Líbia está acontecendo: o ditador Muamar Kadhafi está voltando a controlar o país esmagando militarmente os rebeldes. A onda libertária no mundo árabe está sendo desestimulada pelo poder de resistência e violência desmedida do líbio, que sempre se disse invencível. Agora se não houver uma intervenção militar ocidental urgente o mundo assistirá a um banho de sangue.

    Foto: Roberto Schmidt/AFP/Getty Images

    Antiga bandeira Líbia, rejeitada pelos rebeldes, tremula na região do porto petrolífero de Ras-chave, simbolisando o retorno do controle de Kadhafi na região, depois de intensos combates

    Postado por Toinho de Passira
    Fontes: Jornal Extra , Reuters , Destal Jornal, Terra, Estadão , the Washington Post …, I online, El Pais, The New York Times

    Ultimamente, devido a outros acontecimentos internacionais, o noticiário sobre a Líbia ficou em segundo plano. Mas dentro do território do país norte africano há uma sangrenta guerra civil em curso.

    De fora, a impressão que se tem é que o ditador Muamar Kadhafi, no poder há 42 anos, está minando eficientemente a resistência dos rebeldes e retoma gradualmente o controle do país. O ditador líbio está usando o exército regular, inclusive a força aérea, mais mercenários estrangeiros, sem economizar em violência ou ferocidade, para esmagar os revoltosos.

    A resistência está em desvantagem numérica e luta sem armamento suficiente com um exército improvisado, mesclado de desertores das forças armadas líbia e cidadãos que pegam nas armas pela primeira vez.

    As últimas notícias dão conta que depois de retomar a cidade de Ras Lanuf, importante porto petrolífero e reduto rebelde mais avançado na região leste da Líbia, as forças fiéis ao ditador Muamar Kadhafi partiu em direção a Bengazi, outro importante reduto em poder rebelde.

    Assegura-se que em 24 horas, as forças de Kadhafi avançaram 150 km, retomando Al-Uqaila, a cidade portuária de Ras Lanuf, a 650 km de Trípoli e Brega. Nesta terça-feira a forças aéreas fiel ao ditador bombardearam novamente a cidade de Ajdabiya, a última grande cidade em poder dos rebeldes.

    A televisão estatal anunciou ontem que "a calma já foi restabelecida" nos portos e pediu que empresas estrangeiras voltem a enviar seus navios petroleiros ao país.

    Segundo agências de notícias, aos gritos de "Alá é grande!", rebeldes abandonavam a cidade de Brega em veículos que transportavam baterias antiaéreas para se posicionar nos arredores de Ajdabiya. A televisão estatal líbia anunciava ontem a "limpeza" de Brega.

    A Liga Árabe, no último fim de semana, decidiu pedir ao Conselho de Segurança da ONU a adoção de uma zona de exclusão aérea na Líbia, o que impediria que aviões e helicópteros fossem usados contra os opositores do governo de Muamar Kadhafi. As tropas governamentais continuam a ganhar terreno e cercaram Ajdabiya. Misrata, a oeste, foi também alvo de ofensivas terrestres e as tropas de Kadhafi preparam-se para tomar de assalto a capital rebelde, Benghazi.

    Saif al-Islam Kadhafi, filho mais velho de Muammar Kadhafi e mais provável sucessor do pai, disse ontem que "tudo terá acabado em 48 horas", em entrevista à Euronews.

    Saif al-Islam acusa ainda o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a mais forte voz contra o regime de Kadhafi, de ter usado dinheiro líbio para financiar a campanha presidencial de 2007 e ameaça que se não lhe devolver o dinheiro divulgará as provas das transferências bancárias.

    "Nós financiámos (a campanha). Temos todos os pormenores e estamos prontos para revelar tudo. A primeira coisa que queremos que esse palhaço faça é devolver o dinheiro aos líbios", disse Saif al-Islam à estação francesa de televisão. O governo Frances não comentou as acusações.

    Foto: Reuters

    Khadafi teria determinado a queima de corpos dos rebeldes mortos para apagar provas da mortandade massiva.

    Com a continuidade da repressão violenta dos manifestantes, fala-se em 10 mil mortos e 50 mil feridos, começam a surgir rumores de tentativas do regime para apagar as provas do massacre. O jornal "El País" citava ontem várias testemunhas, líbias e espanholas residentes na Líbia, que assistiram "corpos a serem levados por forças de segurança" para "aparentes valas comuns". Há rumores de que corpos estão sendo queimados para apagar as provas do massacre.

    Na ONU a França, o Líbano e o Reino Unido, os únicos signatários a favor da proposta de uma zona de exclusão aérea na Líbia, capaz de deter a fúria de Kadafi, através de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, finalmente começaram a contar a partir de ontem, com o apoio do governo americano.

    Washington finalmente resolveu apoiar a implementação da zona de exclusão aérea e pediu aos restantes membros do Conselho que tomassem uma decisão rápida. Hillary Clinton defende que a resolução não pode demorar para além de quinta-feira. Também Sarkozy pediu ontem, através de uma carta ao Conselho, mais celeridade na tomada de decisão.

    As negociações diplomáticas para chegar a um acordo sobre a zona de exclusão aérea têm- -se multiplicado nos últimos dias. O projeto, que inclui também operações terrestres na Líbia, foi apresentado na terça-feira aos países-membros do Conselho.

    O presidente russo, Dmitri Medvedev já fez saber que se opõe à medida, alegfando que as operações terrestres seria o inicio de uma guerra com envolvimento de contingente internacional contra o governo Líbio. Como Moscou tem poder de veto no conselho de segurança da ONU, se a linha russa não mudar de rumo, a possibilidade de uma intervenção das Nações Unidas no conflito, vai acabar arquivada ou postergada indefinidamente.

    Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, falou ontem na necessidade de um cessar-fogo entre ambas as forças envolvidas no conflito e aproveitou para criticar o "uso continuado de força militar contra civis" na Líbia.

    A Cruz Vermelha Internacional mandou evacuar os seus efetivos de Benghazi e pede, num comunicado, aos rebeldes e às forças do regime que poupem os civis e o pessoal médico.

    Foto: New York Times/Asso​ciated Press

    Os jornalistas do jornal The New York desaparecidos na Líbia: a fotógrafa Lynsey Addario, o reporter Stephen Farrell, o fotografo Tyler Hicks, e o chefe do escritório do The New York Times, em Beirut, Anthony Shadid (vencedor do premio Pulitzer)

    O jornal "The New York Times" noticiou que está há dias sem contato com quatro dos seus jornalistas enviados à Líbia, sequestrados pelas forças do regime. Tanto Stephen Farrell - que já tinha sido sequestrado pelos talibãs, em 2009, no Afeganistão - como outro jornalista, Anthony Shadid, e os fotógrafos Tyler Hicks e Lynsey Addario se encontram em local incerto. A última vez que contataram a redação do diário norte-americano foi terça-feira.

    Enquanto isso uma reportagem de Michael Georgy e Maria Golovnina, direto de Trípoli para a Reuters, diz “os negócios nunca estiveram tão bons para Abdul Basit Sawaan, gerente de uma loja que vende fardas para apoiadores do líder líbio, Muammar Kadhafi”.

    Se no leste do país os rebeldes enfrentam ferozmente as tropas “Em Trípoli, a capital, muita gente, como Sawaan, já aposta numa vitória do veterano governante, no poder desde 1969.

    Falando sob um grande retrato do líder, Sawaan disse que sua empresa recebeu um impulso inesperado no mês passado, quando apoiadores de Kadhafi se reuniram na sua loja para comprar equipamentos do Exército.

    Foto: Getty Images

    Tropas de Kadhafi patrulham a capital Tripoli sem enfrentar resistência

    "Há muitos voluntários querendo lutar contra os terroristas", disse Sawaan, enquanto assistentes levavam coturnos e fardas cáqui para dentro da loja. "Tenho certeza de que Kadhafi vai vencer."

    Em Trípoli, as ruas são patrulhadas por temíveis milícias, e muitos parecem estar silenciosamente resignados com a permanência de Kadhafi. E, como muitas empresas dependem do sistema vigente, o conceito de invencibilidade de Kadhafi, cultivado ao longo das décadas, parece estar bem vivo.

    A vasta máquina líbia da propaganda estatal atrai multidões às ruas de Trípoli para criar uma impressão de apoio esmagador ao dirigente. A praça Verde, no centro da capital, parece agora receber uma interminável manifestação de apoio a ele, com frequente presença de bandas de música, fogos de artifício e pessoas com bandeiras.

    As tentativas de jovens líbios de realizar protestos em Trípoli, seguindo o modelo de bem sucedidos levantes populares nos vizinhos Egito e Tunísia, foram violentamente reprimidas. Bairros inteiros, como o de Tajoura, tentaram desafiar o regime, montando barricadas e realizando protestos. Agora, no entanto, sua determinação parece ter sido esmagada.

    Trípoli, onde vivem 2 dos 7 milhões de habitantes da Líbia, parou no mês passado, quando os rebeldes avançavam rapidamente no leste. Agora, a cidade voltou ao seu burburinho habitual nas ruas e cafés.

    Mas a produção de petróleo do país continua reduzida, e relatos de escassez de comida e remédios em outras regiões deixam no ar um clima palpável de nervosismo e insegurança.

    Muitos acreditam que os distúrbios ainda poderão voltar a qualquer momento.

    "O problema é a economia. Eles estão derrotando as pessoas, mas isso não significa realmente que haverá paz", disse Mohammed Ibrahim, gerente de um restaurante em Trípoli. "Se Kadhafi não criar empregos e gerar investimentos, a Líbia não ficará estável. Haverá uma grande quantidade de jovens com raiva e que podem aderir a grupos como a Al Qaeda."

    Fotos: Ah​med Jadallah/Reuters



    Agora o que se vê, a miúde, nas imagens enviadas pelas agencias de noticias, são as Forças aliadas ao governo de Kadhafi comemorando vitórias, uma após a outra.