18 de mar de 2011

LÍBIA: Kadhafi finge recuar, ocidente endurece

LÍBIA
Kadhafi finge recuar, ocidente endurece
Após a resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovou na quinta-feira, apoiando uma zona de exclusão aérea e "todas as medidas necessárias" para proteger os civis das forças de Gaddafi, Dilma mandou o Brasil ficar em cima do muro e se abster de votar, o ditador líbio declara um cessar fogo fajuto, para fazer o ocidente vacilar enquanto ele continua a sua derrocada sangrenta contra os rebeldes. Pode haver bombardeio ocidental sobre as forças de Kadhafi, neste fim de semana.

Foto: Roberto Schmidt/AFP

Bombardeio da Força aérea de Kadhafi sobre os revoltosos, na cidade portuária de Ras Lanuf

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , BBC Brasil, The New York Times, Al Jazeera, Le Figaro, Le Monde, Il Messaggero, Corriere della Sera, The Washington Post

O governo de Muammar Kadhafi anunciou um cessar-fogo unilateral em sua ofensiva para reprimir a revolta na Líbia, ao constatar que aviões de combate do Ocidente se prepararam nesta sexta-feira para atacar as forças do líder líbio.

As noticias, porém dão conta, que o discurso difere da prática: as tropas do governo continuam bombardeando, nesta sexta, a cidade de Misrata, no oeste do país, que estava sob controle dos rebeldes, matando ao menos 25 pessoas, incluindo crianças, disse um médico local à Reuters. Os moradores afirmaram que não havia sinais de cessar-fogo.

No leste do país, onde os rebeldes mantêm o controle, a declaração do governo foi repudiada, sendo considerada uma armadilha ou um sinal do desespero de Kadhafi.

O governo Obama também mostrou ceticismo.

"Decidimos um cessar-fogo imediato e cessar imediatamente todas as operações militares", disse o ministro das Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, em Trípoli na sexta-feira, depois que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução autorizando ação militar e pediu pelo diálogo com todas as partes.

No campo de batalha a conversa é outra, Kadhafi prometeu não mostrar "nem dó nem piedade" e os rebeldes pedem ajuda estrangeira antes que não haja mais tempo.

Kadhafi teme uma invasão ocidental, como aconteceu no Iraque, o que pode mesmo acontecer, apesar de estar afastada a hipótese, pelo menos momentaneamente, dessas ações militares serem lideradas pelos Estados Unidos.

Foto: Getty Images

O conselho de Segurança da ONU aprovando o bloqueio do espaço aéreo na Líbia.

As nações começam a se pronunciar como poderão participar de um possível ataque as forças leais a Kadhafi. O Catar disse que participaria, mas não estava claro se isso significa auxílio militar. A Tunísia disse que não participaria de nenhuma forma.

"A Grã-Bretanha mobilizará (caças) Tornados e Typhoons, além de aeronaves para reabastecimento aéreo e vigilância", disse o primeiro-ministro David Cameron ao Parlamento.

A Itália anunciou que disponibilizaria sete bases militares, além de equipamentos e tropas. Nápoles será o centro de coordenação.

Dinamarca e Canadá afirmaram que planejam contribuir com caças. A França sediará reuniões no sábado para debater a ação com a Grã-Bretanha, a Liga Árabe e outros líderes.

O secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, disse após uma reunião com embaixadores da aliança militar que a OTAN estava "finalizando seu planejamento a fim de se prontificar para tomar a ação apropriada... como parte do amplo esforço internacional."

Foto: Doug Mills/The New York Times

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu na sexta-feira o líder líbio, Muammar Gaddafi, a obedecer as exigências da ONU por um cessar-fogo, ou então enfrentará as consequências, incluindo uma ação militar.

Enquanto isso, habitantes de Misrata disseram que a cidade do oeste do país estava sob bombardeio pesado pelas forças de Kadhafi na sexta-feira.

"Eles estão bombardeando tudo, casas, mesquitas e até ambulâncias", disse à Reuters um porta-voz dos rebeldes chamado Gemal, por telefone, desde o último grande reduto rebelde na parte ocidental do país.

Outro rebelde chamado Saadoun disse: "Achamos que eles querem entrar na cidade a qualquer custo antes de a comunidade internacional começar a implementar a resolução da ONU."

A TV Al Arabiya também disse que a cidade de Zintan, sob controle rebelde e também no oeste do país, foi atacada por foguetes na sexta-feira. As notícias sobre os confrontos não podiam ser confirmadas de forma independente. As autoridades impedem que os jornalistas estrangeiros baseados em Trípoli reportem livremente.

Enquanto outros países e a OTAN devam participar em ação militar, as autoridades norte-americanas esperam que os EUA façam o 'trabalho pesado' numa campanha que provavelmente incluirá ataques aéreos contra tanques e artilharia.

Foto: Getty Images

Em comunicado o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nome dos aliados ocidentais e países árabes exigiu que o líder líbio, Muammar Kadhafi, parasse o avanço de suas tropas e cessasse os ataques a Benghazi e que se retirasse das cidades de Misrata, Zawiyah e Ajdabiya. Além de fornecer água e energia elétrica às cidades que tiveram o fornecimento interrompido.

Para esse domingo, espera-se que ocorra, numa demonstração de força e determinação, pelo menos sobrevôos de aviões ocidentais sobre a Líbia. A possibilidade da missão se transformara em um ataque aéreo, vai depender da reação das forças de Kadhafi.

Nenhum comentário: