17 de abr de 2012

Polêmica: Cristina Kirchner renacionaliza petrolífera

ARGENTINA
Polêmica: Cristina Kirchner renacionaliza petrolífera
A presidente da Argentina decretou a renacionalização da YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), que em 1999 havia sido vendida em leilão público para a Repsol - controlada por capitais espanhóis. A YPF é responsável por 65% da produção de petróleo e gás natural do país. Não foi difícil associar a medida aos atos do governo populista do venezuelano Hugo Chávez (que costuma nacionalizar empresas estrangeiras, para despertar o nacionalismo dos compatriotas, em momentos de crise) e até do ditador argentino o presidente general, Leopoldo Galtieri, que inventou a desastrada guerra das Malvinas, para tentar apoio popular para o seu governo.

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A presidente argentina Cristina Kirchner, em cadeia nacional, anuncia a nacionalização da YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), uma ariscada empreitada, para conseguir apoio popular, diante da crise enfrentada pelo país.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra, BBC Brasil, Estadão - MSN, R7, Revista Exame

Simbolicamente Cristina exibe um tubo de petroleo argentino.
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira que seu governo pretende "expropriar" 51% da petrolífera de capital argentino e espanhol Repsol-YPF. A declaração - segundo Cristina, inspirada na Petrobras - estremeceu as relações diplomáticas com a Espanha.

Um projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, estabelece que o Estado passa a controlar a empresa - que havia sido privatizada nos anos 1990.

A presidente justificou a decisão diante da queda na produtividade da petroleira, no aumento inédito das importações de combustíveis, no passado, e no fato do país ser um dos poucos no mundo que não tem o "controle" deste setor.

"Depois de dezessete anos, pela primeira vez em 2010, tivemos que importar gás e petróleo. Também tivemos redução no saldo comercial [devido à queda nas exportações do setor], que entre 2006 e 2011 foi de 150%", afirmou.

"Não se trata de estatização, mas de recuperação da empresa, que passará a ser controlada pelo Estado argentino", disse, em rede nacional de rádio e de televisão.

Ela também anunciou a assinatura de um decreto intervindo na companhia, que passará a ser administrada por autoridades locais, antes mesmo da aprovação do texto pelos parlamentares argentinos.

Foto: Governo Argentina

Antes de Cristina completar o anúncio, o ministro argentino do Planejamento Federal, Julio De Vido (ao centro), designado auditor no processo de nacionalização da petroleira YPF, ocupou formalmente, o edifício sede e o controle da petrolífera e determinou a saída imediata, do edifício, dos funcionários da empresa que exerciam cargo de direção.

O anúncio da nacionalização era esperado há vários dias e já tinha gerado forte reação das autoridades da Espanha.

Durante o discurso, Cristina leu trechos de reportagens da imprensa espanhola sobre o assunto e afirmou. "Essa presidente não fará eco de frases insolentes [da Espanha]. Primeiro porque sou chefe de Estado. Minha responsabilidade é conduzir", disse.

Pouco depois do anúncio, a número dois do partido governista da Espanha (PP), Dolores de Cospedal, disse que o governo espanhol "responderá" à medida argentina. "Nesta questão, a Espanha tem o apoio dos sócios europeus e outros sócios".

Foto: Reuters

O presidente da Repsol YPF, o espanhol Antonio Brufau, em Madrid, disse que "A expropriação é apenas uma forma de tapar a crise social e econômica que a Argentina está enfrentando". Disse ainda que a Repsol pedirá em uma arbitragem internacional uma compensação de mais de 10 bilhões de dólares.

Na sexta-feira passada, a Comissão Europeia afirmou ter o "dever de defender os investimentos realizados pelos estados-membros do bloco no exterior", sinalizando apoio à Espanha.

O rei Juan Carlos também teria telefonado para Cristina tentando evitar a expropriação. O diretor da Repsol-YPF, Antonio Brufau, ainda pedia diálogo poucas horas antes do anúncio presidencial.

Cristina afirmou que a decisão argentina não é um "fato inédito", já que outros governos, como México e Bolívia, possuem 100% das empresas petrolíferas estatais. Ela citou o Brasil como um modelo.

"No Brasil, o estado tem 51% [das ações] por meio da Petrobras. Nós escolhemos o mesmo caminho [com a Repsol-YPF]. Queremos ter uma relação igualitária com nosso sócio [Brasil], para ajudar a América Latina a se transformar também em região de auto-abastecimento. E, por isso, queremos incluir Venezuela no Mercosul para fechar o anel energético", disse.

O restante das ações da Repsol-YPF -mais de 40%- corresponderá às províncias e um percentual reduzido aos espanhóis (especula-se que em torno de 6%).

A presidente disse que a medida não afeta "outros sócios ou acionistas" da Repsol-YPF. No entanto, após o anúncio, as ações da empresa registraram forte queda na Argentina e no mercado internacional.

A presidente afirmou também que seu governo quer trabalhar junto com o empresariado, mas que "não vai tolerar" a falta de cooperação com seu país. O anúncio da presidente foi interpretado por analistas argentinos como sinal de “maior ingerência do Estado” na economia local.

Foto: Getty Images

O apoio popular foi imediato

Observadores internacionais dizem que só as ditaduras determinam o que uma empresa pode ou não fazer com seus lucros. No caso da Argentina, grande número de empresas - e não somente a YPF - não tem interesse em investir no país, (muito menos agora depois dessa violência), porque o atual governo tabelou os preços ao consumidor. Eles seguem sendo reajustados muito abaixo da inflação, porque os números oficiais são achatados, por manipulação do governo.

A presidenta Cristina Kirchner, pode ter dado um tiro no pé, na intenção de agradar o público interno e camuflar dificuldades, vai enfrentar fugas de capitais, suspenção ainda maior de investimentos estrangeiros no país e retaliações do continente europeu, principalmente Espanha, no que concerne a as exportações dos seus produtos. O que significa menos dinheiro em circulação, desemprego e possibilidade de moratória por falta de condições de cumprir seus compromissos internacionais.


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