10 de abr de 2012

Dilma , a emergente de segunda classe

BRASIL – ESTADOS UNIDOS
Dilma, a emergente de segunda classe
Obama tratou a visita de Dilma aos Estados Unidos como um evento de segunda classe. Nada parecido com a pompa e circunstancia dada aos indianos, chineses e russos. A culpa não é de Dilma, nem do Brasil. Ou os americanos não nos acha tão importante assim, como sonhamos ser, ou estão querendo colocar agua no nosso chope, temendo num futuro, ter uma concorrência direta na liderança política do continente americano. Mesmo quando éramos o primo pobre fomos mais bem tratados.

Foto: Roberto Stuckert-Filho/PR

Dilma reunida com Obama na Casa Branca. Apesar de reconhecer que os US$ 63 bilhões, de exportações para o Brasil geraram cerca de 300.000 empregos nos EUA, nesse momento de crise, os americanos não demonstraram gratidão, nem o respeito que era de se esperar.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, White House, Veja, Bol

Numa nota de apenas 280 palavras o site da Casa Branca registrou o encontro da Presidenta Dilma, com o presidente Barack Obama. Apesar de reconhecer que “os Estados Unidos e o Brasil são as duas maiores economias e democracias do Hemisfério Ocidental”, o governo americano recepcionou a delegação brasileira de forma muito menos pomposa e cerimoniosa que o fez com a Índia, a China e a Rússia, que são emergentes como nós.

Não devemos ficar tristes, não precisamos mais dos americanos, como precisávamos no passado, quando com medo da economia e do poderia americano nos alinhavamos automaticamente com eles, principalmente nas questões de política externa.

Claro que causa desgosto e temor aos americanos ver que o Brasil apoiando o polêmico programa nuclear iraniano, dizendo acreditar que se trata de um programa com fins pacíficos. Não agrada ver a ligação exagerada e investimentos maciços na Ilha de Cuba, ajudando a fortalecer o governo dos irmãos Castro. Não lhe é simpático ver que o governo Dilma, como todos os governos brasileiros, sempre estão do lado da Argentina, na questão de posse das Ilhas Malvinas. Não gostam também como é tratada, a questão Palestina, na maioria das vezes, contrariando os interesses de Israel.

Mas não parece ser esse o fundamento principal da questão. A China, a Rússia, tem posições muito mais polêmicas e agressivas, sobre a maioria desses temas, e são tratados com salamaleques embora firam interesses americanos, com muito mais desenvoltura e profundidade.

Os americanos não querem colaborar para que o Brasil seja mais poderoso econômica e politicamente no cenário internacional. Não serão eles que vão colocar mais uma azeitona na nossa empada. No que depende deles o nosso Martini não terá cereja.

A diplomacia brasileira percebeu isso e fez o que pode. Afinal a presidenta Dilma era a convidada, a visitante, e ninguém poderia obrigar o anfitrião a mudar de atitude. Por isso a nossa governante defendeu a "agenda do século 21" entre Brasil e Estados Unidos. Tecnicamente a agenda se centrou na cooperação em áreas em que Brasil e Estados Unidos têm maior potencial de integração: aeroespacial, energia e biocombustível, defesa, atuação em segurança alimentar em terceiros países, entre outras.

Foto: Lawrence Jackson/White House

No site da Casa Branca, Mercandante e Pimentel, fazendo papagaio de pirata de Dilma

Além dessas, a grande aposta desta visita são as possibilidades de parcerias nas áreas de educação, ciência e tecnologia – foco da continuação da viagem de Dilma nesta terça-feira em Boston, que o comentarista politico do O Globo, Merval Pereira, afirmou ser a parte mais importante da viagem, com possibilidades de retorno importante para o futuro do nosso país.

Ela vai visitar as universidades de Harvard e a sede do Massachussets Institute of Technology, instituições que receberão bolsistas do programa Ciência Sem Fronteiras.

Essa duas universidades são ´ao as principais parceiras nos Estados Unidos, do programa “Ciência sem Fronteiras“, do governo brasileiro, que tem a meta de oferecer 100 mil bolsas de estudo para universitários brasileiros no exterior.

Para se ter uma idéia da importância desse programa, basta dizer que esses números ousados do Brasil, não chegam nem de perto com os programas da Índia e principalmente da China, que há décadas incentiva e apoia os jovens a fazer cursos nas universidades americanas.

Mais de 50% dos atuais mandatários chineses, em cargos de destaque na politica e na economia, tem formação universitária americana.

No plano empresarial, foram assinados ainda protocolos de iniciativas bilaterais têm por objetivo fortalecer a cooperação entre empresas, para que as brasileiras possam avançar em termos de inovação, absorvendo o ímpeto da "grande criatividade e grande competitividade" da economia americana, nas palavras da presidente.

Porém segundo a BBC Brasil, que no encontro de Dilma e Obama, não foram sequer mencionados: o programa nuclear do Irã, a posição de Cuba na política continental e a vaga permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. E não se ouviu falar também da compra dos caças americanos, pela força aérea brasileira, o que faz crer que os americanos já estão informados que Dilma vai mesmo na direção dos caças franceses.

Em sua conversa com os jornalistas, Dilma disse que tem com o presidente Barack Obama "uma relação de alta qualidade, muito sensível". Obama, que qualificou o antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, de "o cara", já se encontrou três vezes com a colega brasileira como presidentes.

Ele foi ao Brasil em março do ano passado, quando Dilma tinha pouco tempo de governo – o que analistas consideraram um gesto importante.

Foto: Associated Press

ENTREABERTA - Dilma relaxou mais do que devia, enquanto falava a imprensa ao lado de Obama.

Ternura à parte, como a própria Dilma lembrou, "temos muitos pontos de convergência, e muitos em que não convergimos em nossas posições".

Dilma fora do script, meio relaxada ao sentar, em certo momento lembrou o saudoso Lula, na conversa com os jornalistas, falando da independência brasileira em política externa saiu-se com essa pérola:

"Representamos nações diferentes e não podemos acreditar que todo mundo é Joãozinho-do-passo certo, aquele que só anda no passo certo. Nós não somos Joãozinho-do-passo certo", disse Dilma, "nem errado".

O mais curioso ato do protocolo bilateral, porém, foi o reconhecimento dos americanos da existência da cachaça brasileira, como marca internacional. A bebida entrava nos Estados Unidos, com “brazilian rum” e agora vai ser chamada de cachaça mesmo. Imaginamos que esse projeto aprovado agora é originário do governo Lula. Carlos Alberto Sadenberg no seu programa da CBN comentou está curioso para saber como os americanos vão pronunciar a palavra cachaça, principalmente depois de tomar umas doses da branquinha.


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