29 de abr de 2012

A pizza cachoeira

BRASIL - CORRUPÇÃO
A pizza cachoeira
Pelo volume das acusações, pela força politica dos envolvidos, pela qualidade dos escolhidos para compor a comissão parlamentar de inquérito que vai investigar supostos atos criminosos de Carlinhos Cachoeira, do senador Demostenes Torres e da construtora Delta, ninguém tem dúvida que mais uma pizza, metade governo, metade oposição, já está a caminho

Charge: Humberto – Jornal do Comércio (PE)

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Congresso em Foco, G1, Veja, Blog do Garotinho, Diário de Pernambuco

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instalada no Congresso Nacional em Brasília deveria ser processada, preventivamente, por propaganda enganosa. Os sisudos parlamentares que encabeçam e os demais integrantes da comissão mentem ao prometer, em entrevistas, arrebentar, prender e acabar os criminosos e corruptos brasileiros que forem encontrados em situação delituosa durante a investigação.

Há muito que nenhuma comissão parlamentar de inquérito no Brasil, produziu algum resultado prático. Há sempre muito barulho para nada. As expectativas criadas são sempre muito aquém das conclusões. Nesta em particular, a lama espalhada por Carlinhos Cachoeira, senador Demostenes Torres e a Construtora Delta espalha-se epidemicamente pelo mundo político brasileiro, como a peste negra.

Tem-se a impressão que Cachoeira comprou e corrompeu todos quanto quis. Esse é um escândalo que começou Democrata, mas já esbarrou em tucanos, pedetistas, pemedebistas, petistas, enlameando igualmente congressistas, governadores, prefeitos e uma facção preocupante do Governo Federal.

Não nos surpreenderia se fosse encontrada, via Construtora Delta, volumosas doações de campanha, para a candidatura de Dilma, nas últimas eleições.

O site Congresso em Foco, destaca que um quarto dos 32 parlamentares indicados como investigadores na CPI Mista, tem problemas com a Justiça. Respondem, no total, a oito inquéritos e cinco ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), a maioria originada de problemas ocorridos na função de cargos públicos que os parlamentares já exerceram. Seis desses oito congressistas pertencem à base aliada do governo.

Os parlamentares enrolados com a Justiça são (em ordem alfabética): Cássio Cunha Lima (PSDB-PB); Delegado Protógenes (PCdoB-SP); Fernando Collor (PTB-AL); Jayme Campos (DEM-MT); Luiz Pitiman (PMDB-DF); Maurício Quintella Lessa (PR-AL); Silvio Costa (PTB-PE), e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Dá a impressão que mandaram a raposa tomar conta do galinheiro.

Os primeiros sintomas de que a lama pode respingar no governo federal, nos próprios investigadores, ou nos seus partidos é que os representantes do PT e do PMDB, segundo o Jornal Nacional, tentarão restringir as investigações sobre a construtora Delta ao centro-oeste, onde a empresa estaria envolvida, mais explicitamente no pagamento de propinas. Não se pode desprezar que a empreiteira recebeu pagamentos do governo federal que ultrapassam R$ 4 bilhões nos últimos doze anos.

Há, por exemplo, contratos milionários da construtora no estado do Rio de Janeiro, mas que não seriam alvo da CPMI, instalada. “Nós temos de ir além especialmente investigando as relações de promiscuidade dessa quadrilha com os entes públicos, município, estado e União, com contratos milionários, superfaturados”, disse o senador tucano Álvaro Dias (PR).

A oposição critica o que chama de "excesso de controle do comando da CPI", uma vez que as investigações estão nas mãos do governo.

Como tem maioria absoluta no plenário da CPNI, os governistas determinam o que deve e o que não deve ser investigado, pois todos os requerimentos de pedidos de ouvida de suspeitos e do exame de documentos, devem ser aprovados pela suspeita maioria da base aliada.

Em paralelo, muita gente está aproveitando as denuncias e as conversas telefônicas divulgadas para torpedear políticos avulsos que direta ou indiretamente “cachoeiraram”.

Por exemplo, descobriram que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) indicou uma prima do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Mônica Beatriz Silva Vieira, para diretoria regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba, do governo de Minas Gerais, no ano passado. O tucano explicou dizendo que sua intervenção, aconteceu porque a moça tinha um currículo qualificado e que atendeu uma solicitação, do tão então insuspeito colega, o senador Demóstenes Torres. Por mais que tenha explicado e justificado, sempre fica alguma lama grudada na reputação dos acusados.

O ex-governador e atual deputado federal, Anthony Garotinho, da base aliada do governo, tem se deliciado publicando uma série de fotos e vídeos do seu inimigo político, o governador do Rio, Sérgio Cabral, sua mulher, Adriana Ancelmo, o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, empresa que está no centro das investigações da CPI do Cachoeira, a noiva do empresário, Jordana, e outros convidados, numas suspeitas férias em Paris, em 2009.

A divulgação do vídeo segue à publicação, nesta sexta-feira, por Garotinho, de uma sequência de fotos do que seria uma comemoração em Paris, em que aparece, além de Cabral e Cavendish, o alto escalão do governo estadual. Logo após a divulgação das imagens, o governador divulgou nota tentando desmentir Garotinho.

De acordo com a nota, o encontro festivo aconteceu no Clube Inglês (e não no suntuoso Hotel Ritz, como informara Garotinho), para comemorar a condecoração recebida por Cabral (e não o aniversário da primeira-dama Adriana Anselmo), durante viagem oficial à França.

No vídeo divulgado neste sábado, contudo, há referências ao aniversário da primeira-dama. Comenta-se também sobre o futuro casamento de Cavendish com Jordana, morta em acidente de helicóptero em 2011. "Você é padrinho", diz o empresário ao governador, que, momentos depois, pede aos noivos que se beijem.

A amizade entre Cabral e o empresário não é segredo. Mas as suspeitas de favorecimento à construtora em contratos Brasil afora – e a gorda participação da empresa em projetos com dinheiro público no Rio – criam para Cabral um problemão diante da opinião pública.

O Governador em nota rebateu as acusações, atirando:

”Nunca neguei minha amizade com o empresário Fernando Cavendish”.

Jamais imaginei e, muito menos tinha conhecimento, que a sua empresa fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro.”
”Quando assumi o governo, a Delta já era uma das maiores empreiteiras do Rio e do Brasil.”

Cabral comenta que não privilegiou a Delta, do seu amigo Cavendish, durante o seu governo, diz que a empresa teve 7,98%, do total investido no estado, numero similar, embora inferior, do investido no governo anterior ao seu, justamente o de Rosinha Garotinho, esposa deputado federal, Anthony Garotinho, quando a Delta, de Cavendish, teve uma participação de 8,07% no total investido no estado.

Garotinho leva vantagem sobre Cabral por não parar de exibir momentos vexatórios do governador junto com o empresário Cavendish, na milionária farra em Paris.

Será que o pemedebista paraibano, o senador Vital do Rêgo, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, vai deixar o correligionário Sérgio Cabral sangrar? Será que o Palácio do Planalto vai deixar isso acontecer?

Por essas e por outras, que o forno está esquentando, não para assar os culpados, mas para preparar a pizza cachoeira.


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