19 de abr de 2012

Cristina Kirchner: o perturbador calote petrolífero

ARGENTINA
Cristina Kirchner: o pertubador calote petrolifero
Enquanto o governo argentino anuncia que não vai pagar nem um “peso furado” pela estatização da petroleira YPF, diante da fatura de US$ 10 bilhões exigidos pela espanhola Repsol. A Petrobras que opera na Argentina desde 1993 e no ano passado, respondeu por 6% da exploração e 14,1% do refino de petróleo e derivados portenho, põe as barbas de molho, até porque, antes mesmo da estatização da YPF, os argentinos já atacaram a petrolífera brasileira, de forma desleal e faltosa, como costumam fazer no futebol.

Charge Financial Times

Cristina Kirchner retratada numa charge na publicação inglesa The Economist.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, BBC Brasil, El Clarin, Petronoticias, ”thepassiranews”, Financial Times, La Nacion

No dia seguinte do anúncio da estatização da petroleira YPF, o governo argentino disse que não vai pagar os US$ 10 bilhões exigidos pela espanhola Repsol.

O senado argentino passou a tarde discutindo a desapropriação da YPF. O ministro do planejamento, Julio de Vido, que assumiu o controle da petroleira, usou fotos para mostrar supostos danos ambientais provocados pela YPF, na província de Mendoza. Ele disse que a empresa terá que pagar por isso.

O vice-ministro da economia, Axel Kicillof, disse ainda que a YPF tem uma dívida de US$ 9 bilhões e, por isso, o governo argentino não vai pagar o que Repsol exige receber pela expropriação.

A petroleira espanhola diz que vai cobrar indenização de US$ 10 bilhões.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, saiu em defesa da YPF. Disse que há um profundo mal-estar. "É uma decisão que rompe o entendimento que sempre existiu entre os dois países."

O embaixador argentino foi convocado para prestar esclarecimentos em Madri. Para o chanceler espanhol, a Argentina deu um tiro no pé e vai perder a confiança do mundo. A chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o governo argentino precisa cumprir com os compromissos firmados com investidores europeus.

A Argentina já vinha recebendo menos investimentos estrangeiros, no ano passado foram US$ 6 bilhões. Para o mercado, a insegurança jurídica na Argentina deverá reduzir ainda mais o interesse dos investidores. Mas Cristina Kirchner deixa claro que vai mesmo seguir o rumo da intervenção.

Foto: Getty Images

Cristina Kirchner lança um olha apaixonado para um tubo com petróleo argentino na cerimônia que anunciou a expropriação da YPF da espanhola Repsol. O Financial Times diz que o ato é apenas mais um gesto perturbador da estridente presidenta.

Embalada nas repercussões positivas o público interno, a presidenta anunciou que foi anexado ao projeto original de expropriação mais uma expropriação a outra empresa da Repsol, ligada ao setor de gás.

Em meio a temores de que mais empresas venham a ser estatizadas pelo governo argentino - a exemplo do que ocorreu na última segunda-feira com a petrolífera Repsol-YPF - especialistas acreditam ser "pouco provável" uma eventual expropriação "em massa" dos ativos da Petrobras, dado o tamanho da relação entre Brasil e Argentina.

Sem, entretanto descartar a hipótese, pela forma impetuosa e assoberbada que a presidente Cristina Kirchner costuma agir. Analistas afiram que reestatização da Repsol-YPF, privatizada em 1999 durante o governo de Carlos Menem (1989-1999) se deveu não só a critérios econômicos, mas também políticos, uma intervenção na Petrobras poderia prenunciar uma crise diplomática com o Brasil, que tem, hoje, grande importância econômica para a Argentina.

"O Brasil é hoje o principal destino das exportações argentinas. Acho pouco provável, portanto, que a Argentina compre briga com seu parceiro comercial mais importante", disse à BBC Brasil Jean Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e ex-secretário de energia do Rio Grande do Norte.

"Além disso, a estatização da YPF mexe com o nacionalismo argentino, pois a companhia foi uma das primeiras estatais do gênero no mundo", acrescentou.

No ano passado, o fluxo de comércio entre Brasil e Argentina somou US$ 39,6 bilhões.

Também não está descartada a hipótese, de em meio à estratégia argentina de aumentar o controle do Estado sobre empresas, a Petrobras poderia querer "negociar" a venda de seus ativos, mediante remuneração "pelo valor de mercado".

"A Petrobras pode, eventualmente, aproveitar o atual momento para se desfazer de alguns ativos na Argentina e, assim, levar adiante seu plano para o Brasil", disse à BBC Brasil Armando Guedes Coelho, ex-presidente da Petrobras.

O plano em questão é o "pré-sal". Nos últimos meses, a petrolífera brasileira tem vendido vários ativos no exterior com o propósito de fazer caixa para se concentrar na operação brasileira de exploração do pré-sal, considerada a principal fronteira energética brasileira pelos próximos anos.

Foto: Divulgação

A Petrobras pode enfrentar problemas na argentina? Só o futuro dirá.

Em maio de 2011, a Petrobras deu o primeiro passo nesse sentido ao vender a refinaria de San Lorenzo, Argentina, e parte de sua rede de postos de gasolina, que hoje inclui 300 unidades.

A petrolífera, no entanto, não confirma ter planos de sair da Argentina, nem reduzir suas operações no país.

No ano passado, por exemplo, investiu, somente em exploração e produção de petróleo e gás, US$ 344 milhões, alta de 54% em relação a 2010.

Ainda que uma expropriação dos ativos da Petrobras nos mesmos moldes do que aconteceu com a Repsol esteja, por ora, descartada, não agradou à companhia brasileira a decisão unilateral da província de Neuquén, anunciada no início deste mês, de decretar o cancelamento da concessão de exploração de três campos de petróleo, um deles pertencente à Petrobras ("Veta Escondida").

Até dezembro do ano passado, a Petrobras mantinha 17 poços em produção de gás não convencional na região, com uma produção diária de 7,8 mil barris/dia.

No campo de 'Veta Escondida', a petrolífera brasileira, como operadora, possuía 55% da concessão e alega que havia feito, nos últimos três anos, investimentos da ordem de US$ 10 milhões.

Na ocasião, o governo da província de Neuquén justificou sua decisão afirmando que a área permanecia sem produção e com investimentos insuficientes.

Para discutir o imbróglio, está prevista uma reunião para a próxima sexta-feira, 20, entre a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido.

Ainda não há confirmação de um local definido para o encontro, mas fontes disseram a BBC que a reunião acontecerá na capital argentina, Buenos Aires.

A Petrobras opera na Argentina desde 1993. No ano passado, respondeu por 6% da exploração e 14,1% do refino de petróleo e derivados no país.

Em 2011, o faturamento da companhia foi de 704 milhões de pesos (à época, US$ 164 milhões), alta de 15%.

A produção de petróleo e gás gira em torno de uma média de 85,8 mil barris de petróleo equivalente por dia.

Por tudo isso o governo brasileiro tem mantido uma posição cautelosa diante da decisão argentina, dizendo apenas que a expropriação foi um ato soberano do governo de Cristina Kirchner. Apoio mesmo, os argentinos só receberam do ministro do petróleo da Venezuela de Hugo Chávez, que adotou a prática de expropriação semelhante há algum tempo.

Foto: Getty Images

Adesivos ufanistas de partidário do governo, espalhados pelo país, dizem que são igualmente argentinas, CFK (Cristina Fernandes Kirchner e a petrilifera espropriada a YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales)


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