Mostrando postagens com marcador Edward Snowden. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edward Snowden. Mostrar todas as postagens

4 de nov. de 2013

Edward Snodwen, o ex-espião americano, que revelou escutas dos EUA pode receber asilo na Alemanha

ALEMANHA - Espionagem
Edward Snodwen, o ex-espião americano, que revelou escutas dos EUA, pode receber asilo na Alemanha
A mais importante revista alemã Der Spiegel, ao mesmo tempo que publica um manifesto do espião, apoia e cita personalidades que querem ver o americano asilado em território alemão

Foto: Rossiya 24/Reuters

O ex-técnico da CIA Edward Snowden, flagrado por um canal de TV Russo, durante passeio em Moscou

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Der Spiegel, Veja, The Guardian,

Edward Snowden, de 30 anos, ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), publicou na revista alemã Der Spiegel, deste fim de semana, manifesto em que justifica vazamentos da inteligência americana.

Ao mesmo tempo em que a revista associa-se a um número crescente de de figuras públicas, jornalistas, atores, políticos e atletas que estão pedindo e defendendo que seja oferecido ao espião americano Edward Snowden asilo na Alemanha. No debate além de políticos da oposição, como o líder do Partido de Esquerda Gregor Gysi, Snowden recebe também o apoio de uma fonte improvável: o ex-secretário-geral da CDU (partido de Angela Merkel), Heiner Geissler que lamenta a deterioração da relação EUA-Alemanha, mas argumenta que "Snowden fez o mundo ocidental um grande serviço Cabe agora a nós para ajudá-lo." Na mesma linha políticos social-democratas exigem o asilo ", Snowden é um herói, não um traidor", disse Axel Schaefer, vice-presidente do grupo parlamentar do SPD.

"Asilo para Snowden", diz a revista na capa.
O escritor e intelectual público Hans Magnus Enzensberger argumenta em sua contribuição, que "o sonho americano está se transformando em um pesadelo", e sugere que a Noruega seria melhor posicionada para oferecer Snowden refúgio, dado o seu historial de oferecer asilo político a Leon Trotsky em 1935. Ele lamenta o fato de que na Grã-Bretanha ", que tornou-se uma colônia dos EUA", Snowden seja considerado um traidor.

Outras figuras públicas na lista incluem o ator Daniel Brühl, o romancista Daniel Kehlmann, o empresário Dirk Rossmann, a ativista feminista Alice Schwarzer e o presidente da Liga de futebol alemão, Reinhard Rauball.

No manifesto publicado na Der Spiegel Edward Snowden, justificou os vazamentos que fez sobre métodos e alvos do serviço secreto como um "chamado por maior controle" sobre as agências de espionagem.

O texto recebeu o título de Um Manifesto pela Verdade e nele Snowden, afirma que o debate sobre inteligência iniciado em vários países é benéfico. A revista afirma que recebeu o arquivo por meio de um canal criprografado.

"Em vez de causar danos, a informação que trouxe a público é útil, e isso está claro agora, porque reformas e leis estão sendo sugeridas", escreveu ele. "Os cidadãos têm o direito de lutar contra a supressão de informações que lhe são essenciais. Aqueles que falam a verdade não estão cometendo nenhum crime."

Na semana passada, foi levantada a possibilidade de Snowden depor a promotores alemães na investigação dos indícios de que a chanceler Angela Merkel foi espionada pelos Estados Unidos.

Snowden poderia responder às perguntas por escrito ou falar com os promotores alemães na Rússia, onde se encontra desde julho, já que não pode deixar o país sob risco de perder o estatuto de refugiado.

Numa carta aberta à Alemanha na semana passada, Snowden disse que contava com o apoio internacional para interromper a "perseguição" de Washington contra ele.

Admiradores têm Snowden como um herói dos direitos humanos. Outros dizem que ele é um traidor por roubar informações da NSA, onde trabalhava e se comprometeu a guardar segredo as informações a que teria acesso.

16 de set. de 2013

O vai e vem da viagem de Dilma aos Estados Unidos

BRASIL – ESTADOS UNIDOS
O vai e vem da viagem de Dilma aos Estados Unidos
Para que a viagem seja viabilizada, o governo Obama precisaria dar garantias de que a espionagem ao Brasil não ocorrerá mais, comenta interlocutores de Dilma, sabendo que Obama não fará isso, e se fizer estará mentindo.

Foto: Dida Sampaio;Agência Estado

Dilma Rousseff e Barack Obama, o dilema da saída honrosa

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Veja, Folha de São Paulo, O Globo, Diario de Pernambuco, Blog de Glenn Greenwald

Dilma Rousseff já sabe que não pode nem deve fazer a viagem oficial aos Estados Unidos, para encontra o Presidente Obama, que estava programada para outubro. Resta um pouquinho de esperança que Obama e sua equipe de governo encontrem, de última hora, uma solução honrosa, uma explicação milagrosa, para a vexatória descoberta da espionagem contra ela, seu governo e a Petrobras.

Neste momento, os dois governos buscam uma fórmula comum, da viagem não acontecer e que isso não pareça e muito menos represente uma crise diplomática.

Na Rússia, quando falou com a imprensa sobre o tema, semana passada, ela disse ter combinado com o presidente americano, uma resposta diplomática até a quarta-feira, 11 de setembro, e acrescentou que houvera dito a Obama que não estava atrás de um mero pedido de “desculpas”. Essa é uma imagem elaborada para passar a versão de uma presidenta durona, irredutível, útil junto ao público interno, principalmente em ano pré-eleitoral.

Quase uma semana depois do prazo fatal, constata-se que o governo americano não se esforçou ou não conseguiu solucionar o impasse, mesmo com a ida aos Estados Unidos do nosso novo chanceler o diplomata Luiz Alberto Figueiredo, até Washington. O que se viu, foi uma nota burocrática, chinfrim e inócua, em nome da Secretaria de Estado, assinada pelo porta-voz da agência de Segurança, Caitlin Hayden, um integrante do terceiro escalão, do governo Obama.

O texto elaborado cuidadosamente para nada dizer e parecer uma explicação falava que algumas das informações veiculadas no Brasil “distorceram” o trabalho de inteligência feito pelo governo americano, embora reconheça que as notícias “levantaram questões legítimas para nossos amigos e aliados sobre as capacidades que são empregadas.”

Ou seja, dizem que as noticias estão exageradas, mas, que espionaram, espionaram e muito e não disseram, mas, subtende-se que estão e vão continuar bisbilhotando. E priu! É como se Obama dissesse a Dilma, “foi mal!”, aquela desculpa esfarrapada que os nossos filhos dão quando querem admitir um leve pecadilho.

Alguns opinam que, o cancelamento, para Dilma e para os interesses do Brasil, acarretará um prejuízo enorme, tendo em vista que em nome do Brasil, a presidenta seria paparicada com um jantar formal na Casa Branca, o único programado para um Chefe de Estado estrangeiro, neste ano, o que proporcionaria, tanto a ela, como ao país, uma visibilidade internacional positiva importante.

Outros calculam que uma atitude firme e soberana, além de ter efeitos junto ao público interno, angariará simpatias e vantagens, inclusive econômicas, junto a turma que compete com os americanos, os Chineses e os Russos, por exemplo.

Sabe-se que a espionagem governamental e industrial nunca teve limites. No mundo, atual, e no passado, espiona-se e espionou-se indiscriminadamente: vizinhos, amigos e até inimigos. Todos são igualmente alvos, dependendo dos interesses momentâneos ou futuros. Pode-se avaliar o tamanho desse interesse por parte do EUA, constatando que orçamento americano, deste ano, reservou para os diversos órgãos responsáveis por espionagem, a bagatela secreta de US$ 52,6 bilhões, valores que só chegaram ao conhecimento público por causa dos vazamentos de documentos.

Fala-se que Dilma poderá já anunciar o cancelamento ou adiamento da viagem, já essa semana, por conselho do ex-presidente Lula, com que andou reunida. Cogita-se, porém, também a possibilidade dela adiar o anúncio, para depois de 24 de setembro, dia em que ela e Obama discursarão na abertura da Assembleia da ONU, e quando uma nova conversa entre os dois, sobre o tema, poderá novamente acontecer.

Uma anuncio comum de que a viagem será adiada de comum acordo, seria uma forma menos traumática do cancelamento.

Há hoje um temor adicional: como tanto o Brasil quanto os Estados Unidos não sabem o que Edward Snowden, copiou há uma preocupação parte a parte, até onde esses vazamentos poderão levar.

"Imagine se a presidente está lá em Washington e sai um outro vazamento com uma outra denúncia grave como as últimas, que espionaram isso ou aquilo. Será um vexame monumental", disse um interlocutor de Dilma ao jornal Estado de S. Paulo.

Certamente o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que mora no Rio, com o seu garotão, que é o responsável pelos vazamentos internacionais, dos documentos secretos obtidos por Edward Snowden, está reservando alguma preciosidade incômoda, para essa ocasião. Sem regulamentos, Greenwald pauta a crise abrindo a caixa de pandora sempre que for conveniente jornalisticamente, no seu soberano e solitário entender.

Ao fim disso, tudo vai ficar como está, Obama vai continuar espionando, Dilma vai continuar fingindo que protesta, e o mundo continuará girando.

7 de set. de 2013

Como e de onde Obama consegue espionar Dilma?

BRASIL - Espionagem Internacional
Como e de onde Obama consegue espionar Dilma?
A partir da ilha de Ascensão, a 2,5 mil quilômetros do Recife, que agentes de Barack Obama conseguem bisbilhotar conversas telefônicas e trocas de e-mails da presidenta Dilma Rousseff

Foto:Air Force/EUA

Painéis solares e antenas de espionagem na Ilha de Ascensão,
menos de 3 km do litoral de Pernambuco

Postado por Toinho de Passira
Post baseado na reportagem da IstoÉ, acrescido de pesquisas e fotos adicionais
Fontes: IstoÉ

Reportagem de Claudio Dantas Sequeira e Josie Jeronimo para a IstoÉ, afirma que acerca de 2,5 mil quilômetros do Recife (PE), numa região inóspita do Atlântico Sul, existe uma pequena ilha de colonização britânica chamada Ascensão. É lá que os agentes de Barack Obama captam aproximadamente dois milhões de mensagens por hora. São basicamente conversas telefônicas, troca de e-mails e posts em redes sociais. É dessa pequena ilha que os técnicos da NSA, uma das agências de inteligência dos Estados Unidos, vêm bisbilhotando as conversas da presidenta Dilma Rousseff e de alguns de seus ministros mais próximos, segundo especialistas.

A ilha de Ascensão tem apenas 91 quilômetros quadrados e seria irrelevante se não estivesse numa posição estratégica, a meio caminho dos continentes africano e sul-americano. Ao lado de belas praias, sua superfície abriga poderosas estações de interceptação de sinais (Singint), que se erguem como imensas bolas brancas. Elas integram um avançado sistema de inteligência que monitora em tempo real todas as comunicações de Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia e Venezuela e fazem parte de um projeto conhecido como Echelon, que envolve, além dos Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália e Canadá.

Foto: Associated Press

INÍCIO DE TUDO - Documentos mostrados pelo ex-analista da CIA Edward Snowden indicam que a interceptação americana partiu da ilha de Ascensão

Foto: Simon Norfolk

Equipamentos de espionagem na ilha de Ascensão, operada pela agência britânica de espionagem


Localização da Ilha de Ascensão, em relação a costa brasileira

O indicativo mais forte de que a invasão de Obama nas conversas da presidenta Dilma e seus ministros se deu a partir da ilha estão nos próprios documentos exibidos por Edward Snowden, denunciando o esquema. Neles, lê-se, na parte inferior, o grau de classificação “top secret” (ultrasecreto), o tipo de documento Comint/REL (comunicação interceptada) e sua divulgação (USA, GBR, AUS, CAN, NZL), exatamente as siglas que indicam os países do sistema Echelon.

“Há um alto grau de probabilidade de que a NSA já tenha entrado não apenas no sistema de comunicações da presidenta, mas em todos os sistemas nacionais críticos”, alerta o consultor em segurança Salvador Ghelfi Raza, que já trabalhou para o governo de Barack Obama.

As antenas da ilha de Ascensão conseguem captar as mensagens logo depois de serem produzidas, antes mesmo que elas cheguem aos satélites para serem distribuídas. Uma vez recolhidas, as informações são lançadas em um gigantesco computador instalado no Fort Meade, em Maryland, nos EUA. Lá, são processadas em um programa chamado Prism (Prisma), que localiza, por intermédio de palavras-chaves, aquilo que os bisbilhoteiros procuram, entre os milhões de dados recebidos por hora.

A partir daí as informações são submetidas a um outro programa, que quebra a criptografia. Ainda em Maryland, computadores traduzem as informações coletadas. Feita a análise, o que for de interesse do governo americano será distribuído aos agentes espalhados por todo o mundo para continuar o serviço de monitoramento. Muitas vezes empresas americanas ligadas à telefonia e à internet são acionadas para informações complementares. Com acesso à rede, por um técnico autorizado, é possível captar todo o tráfego de dados, sejam arquivos de vídeo, sejam fotos, trocas de mensagens ou chamadas de voz sobre IP.

Foto: Emerald Hunter/Flickr

Estações de interceptação de sinais (Singint), que se erguem como imensas bolas brancas. O curioso é que, segundo a placa, na praia é permitido o topless

A cooperação de grandes corporações, como Microsoft, Google, Facebook ou mesmo os gigantes da telefonia, Verizon e At&T, é fundamental para o funcionamento da rede da NSA. Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram ainda que os EUA contam com dezenas de empresas de segurança da informação, num total de 1,2 milhão de técnicos, agentes e autoridades.

Na ilha de Ascensão, que serviu à Inglaterra na Guerra das Malvinas, também estão instalados o serviço de inteligência criptológica britânico (GCHQ), estações de monitoramento de testes nucleares e uma das duas estações da emissora de rádio “The Counting Station”, apelidada de “Cynthia”, pela qual a CIA se comunica com seus agentes secretos espalhados pela América do Sul e África.

Quem mais foi espionado?

ENRIQUE PEÑA – O presidente do México Enrique Peña, foi espionado pela NSA quando ainda era candidato. Os EUA conseguiram saber, por exemplo, quem seriam os novos ministros do novo gabinete seis meses antes das nomeações

ANGELA MERKEL -Autoridades da Alemanha, provavelmente a própria chanceler Angela Merkel, também foram alvo da NSA, que intercepta por mês, em média, 200 milhões de telefonemas, e-mails e outras comunicações, segundo os documentos vazado por Snowden

ONU -Embaixadores de vários países da União Europeia em Washington e em Nova Iorque, na sede da ONU, foram monitorados pela NSA

Foi a partir de 11 de setembro de 2011, com George W. Bush e o início da guerra ao terror, que a Casa Branca determinou uma modernização completa da base de Ascensão. Desembarcaram na pequena ilha voos regulares com supercomputadores, novas estações de monitoramento e uma vasta gama de equipamentos de ponta.

O contingente de agentes da NSA cresceu cinco vezes e foi acompanhado por esforços britânicos no mesmo sentido. Ao assumir em 2009, Barack Obama determinou uma revisão completa da política de cyberdefesa, que ele classificou como “o mais sério desafio econômico e de segurança nacional” que os EUA deveriam enfrentar como nação.

Para o democrata, era necessário promover um salto tecnológico e estratégico em toda a infraestrutura de comunicações e informação. Logo ele nomeou um comitê executivo, integrado por representantes governamentais e do setor empresarial, e um coordenador, o cyberczar, com livre acesso a seu gabinete e com quem passou a despachar diariamente.

Hoje, a NSA é a agência principal do sistema de inteligência americano. Abaixo dela estão outras 18, inclusive a velha CIA. Embora muitos acreditem que o Echelon seja coisa do passado, a verdade é que ele foi atualizado e sua plataforma de operação digital é a base da atual defesa cibernética, que não respeita limites na realização de seus objetivos estratégicos, políticos e comerciais.

O SISTEMA ECHELON
O sistema Echelon serve para a interceptação mundial de telecomunicações e é encabeçada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos

Foto: Associated Press

RAF Menwith Colina - é uma estação da “Royal Air Force’ perto de Harrogate, North Yorkshire, Inglaterra, que base de serviços de comunicação e apoio de inteligência para o Reino Unido e EUA

Considerado por muitos como uma ”lenda tecnológica”, o sistema Echelon existe desde 1946, mas passou a ganhar contornos de realidade há 13 anos. Na ocasião, o Parlamento europeu recebeu denúncias de que os Estados Unidos, juntamente com a Inglaterra e Austrália, teriam montado uma rede de informações abastecidas por 120 satélites para monitorar as movimentações de chefes de Estado e fazer espionagem, industrial em âmbito global.

Empresas francesas da área de tecnologia tinham perdido, na década anterior, grandes contratos para firmas americanas. O Parlamento sustentava que a vitória das empresas dos EUA só foi possível graças a informações privilegiadas obtidas pelo sistema Echelon.

Entre as disputas comerciais travadas entre franceses e americanos, em que empreendimentos dos EUA ficaram à frente, estão a concorrência para o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e a disputa da Boieng e da Airbus para um contrato milionário com a Arábia Sudita.

5 de set. de 2013

Dilma sobe o tom, quer mais que explicações, por espionagem, quer um pedido de desculpas dos EUA

BRASIL – ESTADOS UNIDOS - Espionagem
Dilma sobe o tom, quer mais que explicações, por espionagem, quer um pedido de desculpas dos EUA
A presidenta está "furiosa" com história da espionagem dos americanos aos seus emails e telefonemas, denunciado no programa Fantástico. A proporção que o tempo passa seu grau de irritação com os EUA aumenta. Nos últimos dias Dilma por via diplomática, subiu o tom, quer muito mais que apenas uma explicação dos americanos

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Dilma ameaça cancelar viagem, que faria aos EUA em outubro, descartar a compra de caças da Boeing, para à FAB e outras "coisitas más". Obama pois os fones de ouvido de molho

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters

Reportagem de Brian Winter, para a Reuters, diz que a presidente Dilma Rousseff está "furiosa" após uma reportagem apontar que o governo dos EUA espionou suas comunicações privadas e pode cancelar a viagem de Estado que tem marcada para Washington em outubro e reduzir os laços comerciais, a não ser que receba um pedido público de desculpas, disse uma fonte de alto escalão do governo brasileiro nesta quarta-feira.

O programa "Fantástico", da TV Globo, divulgou no domingo que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou emails, telefonemas e mensagens de texto de Dilma e do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, quando ainda era candidato. A reportagem baseou-se em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden.

Dilma tem uma viagem de Estado marcada para Washington no mês que vem para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e discutir a possível venda de caças norte-americanos ao Brasil, um negócio de 4 bilhões de dólares, cooperação nas áreas de petróleo e biocombustíveis, assim como outros acordos comerciais.

A visita, a única do tipo em que Obama recepciona um chefe de Estado neste ano, tinha o objetivo de enfatizar a melhora recente nas relações entre as duas maiores economias das Américas, assim como reconhecer a ascensão do Brasil como potência regional importante.

Mas a fonte disse à Reuters que Dilma considerou insuficiente a resposta dada até agora pelo governo norte-americano à reportagem do "Fantástico" e está preparada para cancelar a visita e adotar medidas de retaliação, incluindo descartar a compra de caças da norte-americana Boeing, uma das três finalistas na disputa para fornecer caças à Força Aérea Brasileira (FAB).

"Essa é uma grande, grande crise", disse a fonte sob condição de anonimato. "Precisa haver um pedido de desculpas. Precisa ser público. Sem isso, é basicamente impossível para ela ir a Washington em outubro."

Obama e Dilma vão participar da reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia. No entanto, até esta quarta-feira, os dois líderes não tinham nenhuma reunião bilateral marcada, disse a fonte.

Analistas têm afirmado que seria politicamente difícil para Dilma participar de toda a pompa de uma visita de Estado, que inclui um jantar de gala entre outras formalidade, numa data tão próxima às acusações de que o governo dos EUA a espionaram.

Na segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, exigiu uma resposta por escrito do governo norte-americano sobre a reportagem do "Fantástico" até o final desta semana. Uma autoridade do Itamaraty disse à Reuters que nenhuma resposta havia sido enviada até a tarde desta quarta.

Foto: Pete Souza/White House

OBAMA DIZ QUE EUA MIRAM "ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO"

Em declarações na Suécia nesta quarta, a caminho da reunião do G20, o presidente norte-americano disse que a inteligência dos Estados Unidos não está "bisbilhotando os emails das pessoas ou escutando seus telefonemas".

"O que nós estamos tentando fazer é mirar, bem especificamente, em algumas áreas de preocupação", disse Obama, acrescentando que tais áreas incluem ações contra o terrorismo, armas de destruição em massa e segurança cibernética.

Autoridades brasileiras estão céticas sobre como as comunicações privadas de Dilma teriam entrado nessas categorias. O Brasil não é uma base conhecida de operações terroristas, não produz armas nucleares, e tem sido uma democracia estável e um aliado cordial dos Estados Unidos nas últimas três décadas.

Obama também disse nesta quarta que salvaguardas devem ser fortalecidas para garantir que os programas de vigilância se mantenham dentro de determinados parâmetros.

"Só porque nós podemos fazer algo, não significa que devemos fazê-lo", disse.

A reportagem da TV Globo mostrou o que afirmou ser um slide da NSA de junho de 2012 que apontava os padrões de comunicação entre Dilma e seus auxiliares mais próximos.

Esse slide e um outro que mostrava mensagens escritas enviadas pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, quando ainda era candidato à Presidência, faziam parte de um estudo de caso da NSA mostrando como os dados poderiam ser "inteligentemente" filtrados pela agência, segundo a reportagem.

A reportagem baseou-se em documentos obtidos junto a Snowden pelo jornalista Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um dos auxiliares em que Dilma mais confia, disse na terça-feira que o Brasil ainda tem de receber uma explicação "razoável" dos Estados Unidos.

"Acho que essa espionagem indiscriminada não tem a ver a com segurança nacional", disse o ministro. "É uma espionagem com um caráter comercial, industrial."

Bernardo disse que a espionagem era "mais grave do que fica parecendo à primeira vista", o que pode explicar a razão que levou Dilma a buscar um pedido de desculpas depois de inicialmente pedir uma explicação por escrito dos EUA.

A autoridade do governo brasileiro que falou sob condição de anonimato à Reuters comparou a crise atual com a última vez que os dois países brigaram em público --em 2010, quando o antecessor de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentou intermediar um acordo sobre o programa nuclear iraniano, o que não deu certo e gerou uma onda de recriminações entre Washington e Brasília.

"Isso é muito pior que o Irã", disse a fonte. "Ela está completamente furiosa."

2 de set. de 2013

Dilma quer que os EUA ache uma explicação por ter espionado as comunicações presidenciais brasileira!!?

BRASIL - ESTADOS UNIDOS
Dilma quer que os EUA ache uma explicação por ter espionado as comunicações presidenciais brasileira!!?
O novo chanceler brasileiro, convocou o embaixador EUA, para dizer que o Brasil está indignado, com a história de que os americanos espionaram a presidenta. Exigiu dentro de uma semana, explicações por escrito do governo Obama. Nos bastidores, comenta-se que Dilma estuda adiar ou cancelar ida aos Estados Unidos, programada para outubro.

Foto: Carolyn Kaster / AP

Obama: “Eu sei o que você e Lula andaram aprontando..."

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Blog do Camarotti, G1, Ultimo Segundo, Fantástico, The New York Times

O governo brasileiro expressou indignação aos Estados Unidos nesta segunda-feira com as denúncias de espionagem a presidente Dilma Rousseff, segundo revelação feita por reportagem do programa "Fantástico", da TV Globo. Emails, telefonemas e mensagens de celular da presidente teriam sido monitorados por agência de espionagem dos EUA.

O Ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, depois de reunião com Dilma, convocou o embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, para demostrar o desagrado do governo brasileiro e exigir explicações.

"As violações das comunicações da senhora presidenta da República, do nosso ponto de vista, representam uma violação inadmissível e inaceitável da soberania brasileira." - disse

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, complementou que a defesa da soberania do país, no que diz respeito à interceptação feita "em tese" com relação à presidente, bem como de empresas e cidadãos brasileiros, "se impõe como uma questão que deve ser defendida de forma intransigente pelo Estado brasileiro".

De acordo com Figueiredo, o tipo de ação do Brasil, após os fatos, dependerá da resposta que for dada pela Casa Branca.

O chanceler brasileiro disse ainda que espera uma resposta "formal escrita" dos EUA nesta semana sobre as ocorrências.

As denúncias feitas pelo Programa Fantástico foram baseadas em documentos fornecidos pelo ex-prestador de serviço do serviço secreto dos EUA, Edward Snowden, atualmente asilado na Rússia, ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro.

CANCELAMENTO DA VIAGEM

No seu Blog, o comentarista da Globo News, Gerson Camarotti, disse ter ouvido de fontes que a presidente Dilma Rousseff deve adiar a visita oficial a Washington, agendada para outubro, se não houver resposta satisfatória do governo dos EUA sobre a espionagem da qual foi alvo.

Nas palavras de um interlocutor da presidente, isso evitaria um clima de “constrangimento” com o presidente Barack Obama. De acordo com esse interlocutor de Dilma, se não houver resposta ou se não for considerada “satisfatória”, não se descarta nem mesmo o cancelamento da viagem.

O jornal Americano “The New York Times” expressa dúvidas da manutenção da viagem de Dilma, lembrou que antes de notícias das espionagens, a Casa Branca havia anunciado que Dilma Rousseff seria homenageada com um jantar de Estado, em outubro, durante sua viagem aos EUA. Esse é o único jantar programado pelo governo Obama para a um líder estrangeiro, nesse ano.

Dos BRICS, só os líderes da Índia de China receberam tal deferência. O gesto segundo o New York Times denota o desejo dos EUA de melhorar as relações com o Brasil, e com a presidenta Dilma Rousseff.

O NYT comenta que até a semana passada, a assessoria de Dilma, assegurara que não havia planos para cancelar o jantar de Estado por causa das revelações de espionagem da NSA.

O governo americano não tem explicações convincente para explicar a espionagem. Espionou, tá espionado e não tem nada que possa dizer que deixe Dilma satisfeita.

A presidenta tem razão de estar enfezada. Entenda-se que as primeiras denúncias, já muito grave, diziam que o governo americano espionava as comunicações no Brasil, dos cidadãos comuns, de empresas e talvez alguns órgãos do governo. Agora a situação se agravou, e muito, ficou claro que eles espionaram a presidente da republica e suas ligações com os principais assessores, ministro, e quem sabe, até com o guru Lula. Meu Deus!!!

20 de ago. de 2013

Brasileiro detido em Londres, por ser companheiro do jornalista americano que revelou espionagem dos EUA

BRASIL – REINO UNIDO
Brasileiro detido em Londres, por ser companheiro do jornalista americano que revelou espionagem dos EUA
Para Greenwald, o jornalista, que é colunista do “The Guardian”, e o companheiro do brasileiro David Miranda, o ato de deter o jovem, foi um tentativa de intimidação uma vez que se ele não respondesse as perguntas poderia ser preso. O jornalista disse que está com muita raiva diante do ocorrido e que tal situação somente mostra o caráter verdadeiro dos Estados Unidos. Um porta-voz da Casa Branca, no entanto, negou nesta segunda-feira ter pedido a detenção de Miranda.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

No aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, David Miranda, conta a imprensa a história de sua detenção em Londres

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil , The Guardian, The Telegraph, Mirror, Terra, Tribuna Hoje, Reuters

O brasileiro David Miranda, 28 anos, foi detido no aeroporto de Heathrow, em Londres pela Scotland Yard e mantido incomunicável, sem assistência de um advogado, por nove horas. As autoridades inglesas disseram-se apoiadas numa lei, antiterror inglesa, apesar de não apresentarem nenhuma prova ou mesmo indício de que o jovem tivesse qualquer ligação com qualquer atividade terrorista.

A explicação por trás dessa truculência é o fato do carioca ser companheiro do jornalista e advogado americano Glenn Greenwald, 46 anos, colunista jornal inglês The Guardian. Greenwald revelou em reportagens no The Guardian e no O Globo como funciona um gigantesco aparato de espionagem virtual da Agência de Segurança Nacional Americana (NSA), que tem o Brasil como um dos países mais vigiados na última década, com base em documentos vazadas pelo espião americano ex-técnico da CIA, Edward Snowden, atualmente exilado na Rússia.

O brasileiro voltava de Berlim, onde esteve com a cineasta americana Laura Poitras, que trabalha com seu companheiro, Glenn Greenwald, nas investigações do material vazado por Edward Snowden.

Greenwald confirmou que seu companheiro teve a viagem para Berlim paga pelo, que trabalha para o diário britânico The Guardian. O objetivo da viagem teria sido levar informações e receber documentos a respeito do trabalho que o jornalista e a cineasta fazem sobre os documentos vazados por Snowden.

O jurista britânico David Anderson, revisor independente da legislação sobre terrorismo no Reino Unido, disse à BBC que a duração da detenção do brasileiro foi "incomum".

Além dele, políticos da oposição demonstraram insatisfação com o uso da lei antiterror para interrogar uma pessoa que não estaria ligada a atividades terroristas.

Foto: Vincent Yu/AP

Glenn Greenwald, em Hong Kong, falando a imprensa, pela primeira vez sobre a identidade de Edward Snowden, como sendo o homem que lhe forneceu os documentos sobre os programas de vigilância secreta do governo dos EUA (10 de junho de 2013)

HORAS DE TENSÃO

Glenn Greenwald, foi informado da detenção, às 6h30 da manhã, do domingo, no Rio de Janeiro, através de um telefonema feito por "um oficial de segurança” do aeroporto de Heathrow, três horas após o brasileiro ter sido impedido de continuar a viagem.

Segundo Greenwald, o funcionário que ser recusou a se identificar nominalmente, tendo fornecido apenas seu numero funcional: 203.654.

O jornalista imediatamente entrou em contato com a direção do jornal The Guardian, e com autoridades diplomáticas brasileiras em Londres, inclusive o embaixador brasileiro no Reino Unido.

Apesar dos esforços, nem os advogados britânicos, nem os diplomatas brasileiros conseguiram obter qualquer informação e muito menos se encontrar com David, no aeroporto, enquanto ele esteve sob custódia da Scotland Yard.

David Miranda só foi liberado após se esgotar o minuto final do prazo de nove horas previsto, como prerrogativa da polícia, em reter qualquer cidadão, de acordo com a lei antiterror.

Segundo a imprensa britânica, que na sua unanimidade protestou contra a prisão, num documento recente do governo do Reino Unido, sobre a execução da “Lei antiterrorismo ", diz que menos de três pessoas em cada 10 mil são analisados ao passarem pelas fronteiras britânicas." ( Ressalte-se que David não estava entrando no Reino Unido, mas apenas em trânsito para o Rio).

Além disso, "na maioria dos casos, mais de 97%, as detenções duram menos de uma hora." Um anexo a esse documento afirma que apenas 0,06% de todas as pessoas detidas são mantidos por mais de 6 horas. Quer dizer, o caso do brasileiro, estranhamente é uma exceção e um exagero, difícil de explicar.

Em artigo, Greenwald analisa que as autoridades sabiam que era zero a possibilidade de David estar associado com uma organização terrorista ou envolvido em qualquer conspiração neste sentido.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

David Miranda: "não houve violência física, mas psicológicas..."

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

Nesta segunda-feira, no Jornal Nacional, da Rede Globo, Miranda disse que sofreu ameaças e "violência psicológica" durante as nove horas em que ficou detido.

No entanto, segundo ele, os policiais não fizeram perguntas relacionadas a respeito de possíveis atividades terroristas.

"Perguntaram sobre os protestos aqui no Brasil, sobre meu relacionamento com Glenn, perguntaram sobre a minha família, meus amigos. Nenhuma pergunta sobre terrorismo. Nenhuma."

Ele afirma ainda que os policiais britânicos o ameaçaram de prisão, caso ele não respondesse determinadas questões.

"Não houve nenhuma violência física contra mim, mas você pode ver que foi uma violência psicológica fantástica."

"Perguntaram qual meu papel nessa história da NSA, dos documentos. Eu expliquei que não tenho envolvimento direto com esses documentos, não trabalho com eles", afirmou Miranda.

Autoridades brasileiras e britânicas elevaram a pressão sobre o governo do Reino Unido para que apresente mais explicações sobre por que David Miranda foi detido.

Um porta-voz da Casa Branca revelou que os Estados Unidos foram avisados com antecedência por Londres sobre a decisão de deter Miranda, mas negou que o governo americano tenha pedido a ação.

Foto: Captura de Video

A repórter Sônia Bridi conversou, na tarde desta segunda-feira, com David Miranda e Glenn Greenwald, na residência do casal, no Rio de Janeiro, para o Jornal Nacional

DOCUMENTOS CODIFICADOS

Miranda teve equipamentos eletrônicos que carregava confiscados pela polícia, incluindo um laptop, telefone celular, câmera fotográfica, cartões de memória, DVDs e consoles de videogame. Mas afirma não saber se entre os arquivos que transportava, alguns deles codificados, estavam documentos secretos da NSA.

"Eu estava levando alguns arquivos para Laura e estava trazendo alguns arquivos para o Glenn. Eu não sei o que continha naqueles arquivos, porque eles são jornalistas, eles trabalham em várias histórias.

Greenwald afirmou que tem cópias de todos os documentos que foram confiscados pela polícia britânica.

Em artigo publicado nessa segunda no Guardian, o jornalista chegou a afirmar que o episódio "nos encoraja ainda mais" a "continuar relatando agressivamente o que esses documentos revelam". O mesmo tom foi adotado na entrevista dada pelo jornalista no Aeroporto Tom Jobim, na chegada de seu companheiro.

Greenwald disse que iria "fazer reportagem com muito mais agressão do que antes, (...) publicar muito mais argumentos do que antes, eu vou publicar muito mais coisas sobre a Inglaterra também".

Mas na entrevista ao JN, mais tarde, ele afirmou que não quer se vingar do governo britânico.

"Eu nunca disse nada que vou punir ninguém ou vou buscar vingança. Vou publicar só para mostrar ao mundo a informação que população do mundo deve saber."

Foto: Agência Senado/AFP

Greenwald depondo em audiência pública no Senado brasileiro: "o Brasil era um dos paéses mais espionados pelo governo americano"

PRESSÃO

Na tarde de segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, conversou sobre o tema por telefone com o chanceler britânico, William Hague. Segundo o Itamaraty, na ligação, feita por volta das 13h, Patriota reiterou a "grave preocupação" do governo brasileiro com o ocorrido, classificado como "injustificável", e repetiu que espera que incidentes como esse não se repitam.

Em uma nota, o Ministério do Exterior da Grã-Bretanha disse que Hague e Patriota "concordaram que representantes do Brasil e do Reino Unido permanecerão em contato sobre o tema".

Em Washington, Josh Earnest, vice-porta-voz da Casa Branca, admitiu que os Estados Unidos foram avisados da ação por Londres antes que Miranda fosse detido, mas afirmou que a medida em si "não foi feita a pedido ou com o envolvimento do governo americano".

Por sua vez, um porta-voz do Ministério do Interior britânico disse que não responderia a perguntas sobre as declarações de Earnest ou a decisão de deter Miranda, ressaltando que o artigo da Lei Antiterrorismo que autorizou que ele fosse detido, conhecida no país como Schedule 7, "forma uma parte essencial do esquema de segurança da Grã-Bretanha" e portanto seria "prerrogativa da polícia decidir quando é necessário e sensato aplicá-lo".

O Schedule 7 pode ser usado em aeroportos, portos e áreas de fronteira, permitindo a agentes deter e interrogar indivíduos sem a necessidade de um mandado. Durante o interrogatório, o acusado também não precisa ter acesso a um advogado.

Scotland Yard se limitou a explicar os critérios de aplicação da lei, por meio de comunicados divulgados desde domingo. "(A lei) é usada de maneira apropriada e devida e sempre está submetida ao escrutínio de um revisor independente das leis antiterroristas do Reino Unido", informou a Polícia Metropolitana.

Foto: Facebook

O casal está junto há mais de dez anos, desde que se conheceram em no Rio de Janeiro, em 2002.

UNIÃO ESTÁVEL

Glenn Greenwald, o americano nascido em Lauderdale Lakes, Florida, relaciona-se com o publicitário brasileiro, David Michael Miranda, há mais de 10 anos. Quando se conheceram numa praia no Rio, onde o jornalista estava de férias, o jovem brasileiro tinha apenas 18 anos.

Em parte por causa das leis americanas que impedem parceiros homossexuais obtenham cidadania ou visto permanente, Greenwald mudou para o Rio para ficar com Miranda. O casal morava na cidade maravilhosa há oito anos, numa confortável vivenda, com 10 cães resgatados.

Glenn Greenwald, aceitou convite e compareceu a audiência pública no Senado Federal no começo do mês, onde afirmou que o modelo usado para acessar ligações e e-mails pessoais começou no Afeganistão e no Iraque, países que foram alvo de invasão de tropas dos EUA em 2001 e 2003, respectivamente.

No início de julho, reportagem do jornal “O Globo” assinada por Greenwald revelou que, na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da NSA.

David Miranda deve se considerar um cara de sorte, pois no último encontro entre um brasileiro e a Scotland Yard, aconteceu em 2005, quando o mineiro Jean Charles de Menezes, , confundido com um terrorista, levou sete tiros na cabeça e um no ombro, numa estão do metrô de Stockwell (sul de Londres).

8 de ago. de 2013

Barack Obama cancela encontro com Vladimir Putin,
por conta do asilo político ao ex-espião Snowden

ESTADOS UNIDOS- RÚSSIA
Barack Obama cancela encontro com Vladimir Putin,
por conta do asilo político ao ex-espião Snowden
Era uma decisão esperada há uma semana, mas a confirmação oficial só chegou nesta quarta-feira. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai viajar para a Rússia em Setembro, para uma cúpula do G20 em São Petersburgo, mas não se reunirá com Putin em Moscou antes do evento, como está previsto. Motivo: a Rússia concedeu asilo temporário ao agente da CIA, Edward Snowden na semana passada, rejeitando os apelos dos EUA para extraditá-lo..

Foto: Jason Reed/Reuters.

Porta-voz da Casa Branca diz que 'decepcionante decisão' – do asilo político - motivou o cancelamento da reunião, por parte do presidente Obama

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Reuters, The Washington Post, BBC Brasil, Público

O presidente dos EUA, Barack Obama, cancelou nesta quarta-feira seu encontro agendado com seu par russo, Vladimir Putin, após a decisão de Moscou de oferecer asilo ao ex-funcionário da CIA (Agência de Inteligência Americana) Edward Snowden - evidenciando a crise entre as duas potências.

Segundo a Casa Branca, o asilo concedido a Snowden, que delatou à imprensa um sistema secreto de monitoramento de informações pessoais, aprofundou tensões bilaterais pré-existentes.

O Kremlin se disse "decepcionado" com o cancelamento do encontro bilateral, marcado para setembro, e afirmou que o convite ao diálogo permanece.

As relações entre Washington e Moscou já não andavam bem por conta de divergências diversas - a começar pelo apoio russo à Síria, envolta em uma guerra civil -, antes mesmo de Snowden fugir à Rússia, ressalta o analista de diplomacia da BBC, Jonathan Marcus.

Assim, segundo ele, a questão Snowden é um sintoma de uma crise mais ampla entre os países, apesar das tentativas de Obama, em seu primeiro mandato, de iniciar uma nova relação com Moscou.

"Os países não têm mais poder equivalente e até agora não encontraram formas de cooperar em termos que beneficiem ambos", aponta Marcus.

Charge: Steve Breen - San Diego Union-Tribune (USA)

'FORMAS DE COOPERAR'

Em comunicado para anunciar o cancelamento do encontro bilateral, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, citou "a falta de progresso (no diálogo mútuo) em temas como sistemas de defesa e controle de armas, relações comerciais, segurança global e direitos humanos".

Ele também disse que os EUA se "decepcionaram" com o asilo dado a Snowden.

"Acreditamos que será mais construtivo adiar o encontro até que tenhamos mais resultados em nossa agenda compartilhada", disse Carney.

O encontro entre Obama e Putin era previsto para setembro, quando Obama viaja à Rússia para a reunião econômica do G20 (grupo dos países mais ricos), na qual já confirmou presença.

Mas o encontro deve se tornar um cenário incômodo justamente por conta das divergências Moscou-Washington.

Foto: Reprodução

Obama com Joy Leno, no programa The Tonight Show: críticas a Moscou

'NÃO TENHO PACIÊNCIA'

A decisão de cancelar a reunião com Putin ocorre um dia depois de Obama ter dado entrevista ao programa de TV americano The Tonight Show, em que criticou uma recente lei antigay aprovada na Rússia.

"Não tenho paciência com países que tratam gays e lésbicas ou transgêneros de forma intimidativa ou prejudicial", disse Obama.

O último encontro entre os dois presidentes foi em junho, por conta da conferência do G8 na Irlanda do Norte.

Snowden, ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA e ex-funcionário da CIA, vazou em junho aos jornais The Guardian e The Washington Post documentos e detalhes sobre como a NSA tem acesso a dados sobre telefones e e-mails enviados ao redor do mundo.

Por meio do sistema, agentes da NSA teriam acesso direto a servidores de nove grandes empresas da internet, incluindo Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype e Apple.

Snowden fugiu de sua casa no Havaí rumo a Hong Kong e, depois, à Rússia. Nos EUA, ele é acusado de espionagem.

Após passar um mês em uma área de trânsito do aeroporto de Moscou - enquanto os EUA pressionavam países a não lhe conceder asilo -, ele obteve a concessão por um ano na Rússia.

Foto: Reuters

Putin continua divertindo-se com o fato dos americanos, que sempre cobraram de Moscou, estarem sendo acusados de violação de privacidade e direitos humanos

GUERRA FRIA

No Kremlin, o assessor especial de Putin, Yuri Ushakov, indicou ser hipócrita a promessa de Obama de manter com a Rússia uma relação em bases igualitárias. Mas assinalou estar o convite a Obama ainda em pé, assim como a vontade de Moscou de construir uma parceria com os EUA em questões bilaterais e multilaterais. "Está claro que essa decisão está relacionada à situação do ex-funcionário dos serviços especiais dos EUA, Snowden, que não fomos nós quem criamos", disse". "Esse problema sublinha o fato de os EUA não estarem ainda prontos para uma relação em bases iguais", completou, logo depois de ter recebido a comunicação formal sobre o cancelamento da visita das mãos do embaixador americano em Moscou, Michael McFaul.

A perguntas que não quer calar: se fosse um espião russo, pedindo asilo aos americanos depois de dedurar uma colossal sacanagem do Serviço Secreto da Rússia, os americanos o deportaria?

4 de ago. de 2013

A carta em que o embaixador americano no Brasil agradece espionagem da NSA

BRASIL – ESTADOS UNIDOS - Espionagem
A carta em que o embaixador americano
no Brasil agradece espionagem da NSA

(A Agência que monitora massivamente as comunicações para o governo EUA)
O documento ultrassecreto mostra como o governo americano se beneficiou das ações da Agência Nacional de Segurança na Cúpula das Américas de 2009

Foto: Juan Manuel Herrera Oas/AFP

"EXCEPCIONAL APOIO” - Os presidentes das nações americanas na Cúpula de 2009 (Obama é o quarto em pé na terceira fileira, da direita para a esquerda). Segundo o documento, a ação da NSA ajudou o governo americano

Postado por Toinho de Passira
Texto de Glenn Greenwald, Raphael Gomide e Leonardo Souza
Fonte: Época

No último mês de junho, o mundo tomou conhecimento do maior programa de monitoramento em massa de comunicações de que se tem notícia até hoje, promovido pela Agência Nacional de Segurança, a NSA, do governo dos Estados Unidos. As revelações foram feitas pelo ex-consultor Edward Snowden, que trabalhou para a NSA e copiou milhares de documentos sigilosos. Vazados inicialmente para o jornal britânico The Guardian (publicados pelo colunista Greenwald, que também assina esta reportagem), os papéis revelam a escala global da ação da NSA.

No mês passado, o jornal O Globo revelou que o Brasil era um dos alvos prioritários da ação da agência americana. Em Brasília, o porta-voz escalado pelo governo americano para tratar de um assunto tão delicado foi o embaixador Thomas Shannon Jr., no cargo desde fevereiro de 2010. Ele minimizou o conteúdo das reportagens. Afirmou que elas apresentaram “uma imagem que não é correta” do programa de inteligência da NSA.

Oficialmente convocado, Shannon reuniu-se com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, das Comunicações, Paulo Bernardo, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), José Elito Carvalho Siqueira. Shannon anunciou a criação de um grupo de especialistas para investigar as denúncias e se comprometeu a colaborar com o Brasil. Para o governo brasileiro, suas explicações foram consideradas “insuficientes”.

Um novo documento ultrassecreto da NSA, obtido por ÉPOCA com exclusividade, revela que o envolvimento de Shannon com a NSA é anterior a sua nomeação para o cargo de embaixador no Brasil. Shannon não apenas conhecia a ação de coleta de dados sobre representações diplomáticas de outros países da região, como se beneficiou dela. Fez isso no início da gestão do presidente Barack Obama quando, ao ocupar o cargo de secretário-assistente de Estado, respondia à secretária de Estado Hillary Clinton.

Foto: Foto: Reprodução/ÉPOCA

Em ofício de 19 de maio de 2009, cerca de sete meses antes de ser confirmado como embaixador do Brasil, Shannon agradece e parabeniza o diretor da NSA, general Keith Alexander, pelas “excepcionais” informações obtidas numa ação de vigilância de outros países do continente, antes e depois da 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, em abril daquele ano. Ele assina o documento, “em nome do Departamento de Estado” – portanto, em nome da então secretária Hillary Clinton. Procurado por ÉPOCA, o governo dos Estados Unidos, por intermédio de sua embaixada em Brasília, informou que não comenta nenhum tipo de atividade secreta e que, portanto, não se pronunciaria.

Shannon celebra, no documento, como o trabalho da NSA permitiu que os EUA tivessem conhecimento do que fariam na reunião os representantes de outros países. Afirma que tal trabalho foi essencial para manter o governo americano informado em seu mais alto nível. “Os mais de 100 relatórios que recebemos da NSA nos deram uma compreensão profunda sobre os planos e intenções de outros participantes da Cúpula e garantiram que nossos diplomatas estivessem bem preparados para aconselhar o presidente Obama e a secretária Clinton sobre como lidar com questões controversas, tais como Cuba, e interagir com contrapartes difíceis, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez”, escreveu Shannon.

A Cúpula das Américas de 2009 era considerada estratégica pelo governo Barack Obama. Para entender as razões, é necessário conhecer um pouco da história do encontro. A Cúpula das Américas foi criada em 1994 pelo então presidente americano, Bill Clinton, com o objetivo de se aproximar política e economicamente das demais nações do continente. Nas três primeiras reuniões – em 1994, 1998 e 2001 –, o assunto mais discutido foi o projeto de integração comercial, na forma da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso não era simpático à ideia. Preferia fortalecer sua liderança regional no Mercosul. Fez várias exigências para que a Alca se concretizasse. Depois de anos de negociações, os Estados Unidos atenderam a essas exigências em 2001 e abriram caminho para um diálogo mais aprofundado. O assunto virou tema da campanha presidencial do ano seguinte, quando a Alca foi repudiada pelo Partido dos Trabalhadores. Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e, por motivos políticos, deixou o assunto em segundo plano. Com o Brasil de fora, a Alca foi enterrada. E a Cúpula, esvaziada de seu principal objetivo, perdeu importância.

Sem objetivo concreto, os Estados Unidos, criadores da Cúpula, chegaram à quinta edição do encontro com um objetivo simbólico. Na reunião realizada em 2009, em Trinidad e Tobago, a intenção era apresentar o novo presidente dos EUA, Barack Obama, como um líder disposto ao diálogo com as demais nações americanas. Era também a primeira vez em que Obama se encontraria com dois desafetos declarados dos Estados Unidos: os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia). Em setembro de 2008, ainda no governo de George W. Bush, a Bolívia declarara persona non grata o embaixador dos EUA no país, Philip Goldberg, e o expulsara de La Paz, sob a acusação de conspirar e “fomentar separatistas” nas províncias opositoras ao governo. Seguindo o princípio da reciprocidade, Washington fez o mesmo com o representante boliviano em seu solo, Gustavo Guzmán. O venezuelano Chávez elevou ainda mais a tensão com o governo americano, ao ordenar a saída do país do embaixador americano em Caracas, “em solidariedade” à Bolívia. Em março de 2009, Morales expulsou mais um diplomata americano, Francisco Martínez.

Nesse período, cabia a Shannon a operação da diplomacia dos EUA na região, sempre sob as ordens de Hillary. Foi nesse contexto de adversidade e enfrentamento que ele enxergava Morales e Chávez como “rivais determinados a constranger” e a “desafiar os interesses” dos EUA, como se lê no documento obtido por ÉPOCA. Os dois tinham uma agenda para a cúpula: pregar contra o embargo americano a Cuba e tentar esvaziar o discurso de integração de Obama. Assim que tomou posse, em 2009, Obama demonstrou disposição em reconstruir laços no continente e a melhorar as relações com Cuba. Logo no começo do mandato, tornou mais flexíveis as limitações de viagens de americanos a Cuba, reduziu as restrições a remessas de dinheiro de cubanos residentes nos Estados Unidos e autorizou empresas de comunicações americanas a operar por lá. Acabar com o embargo, no entanto, não estava a seu alcance. Obama teria de contrariar vários interesses, firmemente estabelecidos no Congresso.

Fotos: Jim Watson/AFP, Saul Loeb/AFP e Anderson Schneider/Ed. Globo

Barack Obama cumprimenta Hugo Chávez na Cúpula das Américas de 2009 (na foto de cima). Chávez presenteou Obama com um exemplar do livro As veias abertas da América Latina e ganhou a guerra da propaganda. Abaixo, Hillary Clinton, secretária de Estado americana em 2009, e Thomas Shannon, então secretário-assistente. Ele enviou à NSA uma carta agradecendo, em nome do Departamento de Estado, o trabalho realizado na Cúpula das Américas

As intenções diplomáticas de Obama esbarraram no talento marqueteiro de Chávez, com suas conhecidas ambições regionais. A imagem que marcou a quinta Cúpula das Américas foi a fotografia de Chávez dando a Obama um exemplar do livro As veias abertas da América Latina, clássico da esquerda de autoria do uruguaio Eduardo Galeano. Num tom caro ao vitimismo político dos anos 1970, o livro mapeia a “exploração” dos países latino-americanos pelas “potências hegemônicas”. “Chávez conseguiu mudar a agenda do encontro e obteve uma vitória do ponto de vista da propaganda”, diz o professor José Augusto Guilhon Albuquerque, da Universidade de São Paulo. “A mensagem de Obama era a aproximação das demais nações do continente. O gesto de Chávez mudou o discurso para: ‘Todos contra os Estados Unidos’.”

Apesar disso, a avaliação de Shannon para o resultado da Cúpula foi positiva. “Nossa nova administração estava determinada a construir uma relação produtiva e positiva com nossos vizinhos, enquanto nossos rivais na região estavam igualmente determinados a nos constranger e desacreditar”, afirma o embaixador no documento obtido por ÉPOCA. “Tivemos êxito e nossos rivais fracassaram, e nosso sucesso se deve, em boa medida, às informações abundantes, detalhadas e no tempo certo que vocês forneceram.”

A história teve desdobramentos. No mesmo documento, Shannon diz: “Nosso trabalho está longe de terminar – a Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos, no próximo mês, provavelmente trará discussões renovadas sobre Cuba, e países como Venezuela e Bolívia permanecem com a intenção de desafiar os nossos interesses no curto prazo –, mas estou confiante de que as informações da NSA continuarão a nos dar a vantagem de que nossa diplomacia necessita”. Em 4 de junho, na Assembleia-Geral da OEA, em Honduras, foi anulado o ato que suspendia Cuba da organização. Foi uma derrota diplomática dos Estados Unidos. Houve tensão e discussões. Os países reunidos por Chávez em seu arremedo de pacto regional, a Aliança Bolivariana das Américas (Alba), defendiam, além da revogação, um pedido de desculpas a Cuba. Ao final, prevaleceu uma solução intermediária: foi anulada a suspensão a Cuba na OEA, mas Cuba ainda não pode integrá-la na prática.

O documento obtido por ÉPOCA não esclarece uma questão fundamental: a que tipo de dado Shannon e sua equipe tiveram acesso? Não informa se puderam ler e-mails de delegações de outros países. O governo americano nega que a NSA tenha acesso ao conteú­do de mensagens e ligações telefônicas. Afirma que o trabalho de inteligência eletrônica se limita à coleta de informações como dia e hora de uma ligação telefônica ou local de acesso a uma conta de e-mail. São informações conhecidas tecnicamente pelo termo “metadados”.

As revelações de Snowden lançam dúvidas cada vez maiores sobre essa versão. Na semana passada, ÉPOCA revelou que, em 2010, a então embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, teve acesso a pelo menos 100 relatórios da NSA sobre pelo menos oito integrantes do Conselho de Segurança da ONU antes da aprovação de sanções econômicas contra o Irã por causa de seu programa nuclear. Nas próprias palavras dela, os relatórios ajudaram-na a saber “quando os outros membros permanentes estavam dizendo a verdade”, revelaram “suas reais posições sobre as sanções” e deram a ela “uma posição de vantagem nas negociações”. “Todas as evidências indicam que fizeram escuta mesmo das conversas”, disse a ÉPOCA o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Foto Alexei Nikolsky/AP

Vladimir Putin, presidente da Rússia, e o visto de asilo concedido a Edward Snowden. O incidente criou um estremecimento diplomático entre Rússia e Estados Unidos

Na semana passada, o The Guardian revelou detalhes do programa XKeyscore, que permite a analistas saber quase tudo o que alguém faz na internet. O material de treinamento da agência diz se tratar do “sistema de mais amplo alcance para desenvolver inteligência baseada em dados virtuais”. Altamente sigiloso, o XKeyscore permite aos analistas fazer buscas sem autorização prévia em vastos bancos de dados, com acesso até mesmo ao conteúdo. De acordo com os documentos que Greenwald obteve com Snowden, o XKeyscore tem acesso a 700 servidores em 150 pontos do mundo, inclusive no Brasil. Ao longo dos últimos três anos, os Estados Unidos pagaram 100 milhões de libras (R$ 350 milhões) para ter acesso aos dados do Government Comunications Headquarters (GCHQ), a versão britânica da NSA. Segundo o Guardian, além de ter acesso aos dados, a NSA influenciou e direcionou as investigações do GCHQ.

Todos esses fatos, somados aos que envolvem particularmente o Brasil, vêm preocupando as autoridades em Brasília. A ÉPOCA, o Itamaraty afirmou, em nota, que “o governo brasileiro tem mantido contatos diretos com o governo dos Estados Unidos e está preparando uma missão técnica para que as denúncias de espionagem, seja de órgãos do governo ou de cidadãos brasileiros, sejam esclarecidas”. O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o caso “exige grandes cuidados”. “Essas suspeitas são, de fato, suspeitas recorrentes. Recordaria também que, quando houve a iniciativa da intervenção militar americana e britânica no Iraque, em 2003, surgiram várias notícias falando de espionagem na missão do México e do Chile, que eram membros não permanentes do Conselho de Segurança na época, e de outros países também, até alguns membros permanentes.”

Em 2003, de acordo com documentos publicados pelo jornal britânico The Observer, a NSA instalou escutas telefônicas nas casas e nos escritórios de Nova York de delegados da ONU. Isso ocorreu às vésperas de o Conselho de Segurança votar uma resolução que autorizasse os Estados Unidos a invadir o Iraque. A vigilância da NSA visava especialmente às delegações dos seis países do Conselho de Segurança considerados “indecisos”: Angola, Guiné, Camarões, México, Chile e Paquistão. A resolução nem chegou a ser votada, dada a ameaça de veto da França. No final, os Estados Unidos invadiram o Iraque sem aval da ONU.

A revelação de ÉPOCA na semana passada não foi isolada. As consequên­cias dos arquivos de Snowden parecem longe de acabar. Depois de fazer as primeiras revelações sobre a atuação da NSA em junho, ele foi processado pelo governo dos Estados Unidos. Os americanos pediram sua extradição à China, pois ele estava em Hong Kong. Temendo ser preso, Snow­den pegou um avião em 23 de junho e foi para Moscou, onde não desembarcou formalmente. Passou mais de cinco semanas na área de trânsito do aeroporto. Na quin­ta-feira passada, recebeu asilo por um ano do governo de Vladimir Putin. Pôde, finalmente, deixar a área de embarque e entrar em Moscou. O resultado foi uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Rússia. O debate aberto pelos arquivos de Snowden – até que ponto organismos de segurança, mesmo com finalidades defensáveis, podem se apropriar de informações privadas de representantes.

2 de ago. de 2013

O ex-espião da CIA ganhou asilo temporário na Rússia

RÚSSIA – ESTADOS UNIDOS
O ex-espião da CIA ganhou asilo temporário na Rússia
O americano, ex-consultor dos serviços de inteligência dos EUA, procurado pelas autoridades americanas após ter vazado informações sobre os programas de monitoramento de telecomunicações do governo federal. Está asilado temporariamente no território russo, longe do alcance das autoridades americanas. A decisão de Moscou pode mudar a abordagem da política americana, na tentativa de aproximação com Putin.

Foto: Associatede Press

Advogado russo Anatoly Kucherena exibe o passaporte temporário emitido pelos russos que permitir Edward Snowden atravessar a fronteira da Rússia depois de ficar retido no aeroporto de Moscou. No documento o seu nome em cirílico: Сноудена

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  Life News, G1, Reuters, Publico, US News, The Guardian

O ex-agente da Cia Edward Snowden obteve da Rússia, nesta quinta-feira concessão de um asilo temporário, com validade de um ano, fornecendo um passaporte provisório, o seu passaporte americano foi cassado pelo governo dos EUA, permitindo que ele deixasse a área de transito do aeroporto de Moscou, onde estava retido, por falta de documentação, há mais de um mês.

A Casa Branca não demorou em expressar contrariedade e consternação, logo que foi noticiado que o asilo temporário para Snowden. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que os EUA estavam "extremamente desapontados" com a decisão, até porque acredita que ela foi provavelmente tomada pessoalmente pelo presidente Vladimir Putin.

Deu a entender também, que Barack Obama pode cancelar uma reunião bilateral com Putin em setembro, quando o presidente dos EUA, estará na Rússia para a cúpula do G20, onde seriam tratados temas de interesses bilateral, como o desarmamento, a crise da Síria, as negociações com o Ira, entre outros.

Foto: Susan Walsh/Associated Press

Jay Carney, o porta-voz: Washington desapontado com a decisão de Putin

O porta voz acrescentou que Snowden tinha chegado na China e na Rússia, levando consigo milhares de documentos norte-americanos top-secrets.

"Simplesmente a posse desse tipo de informação classificada altamente sensível fora das áreas seguras é ao mesmo tempo um risco enorme e uma violação”

Enquanto isso, Snowden saiu do aeroporto de Sheremetyevo na quinta-feira à tarde. Seu advogado, Anatoly Kucherena, disse que o serviço de migração federal da Rússia lhe havia concedido asilo temporário por um ano. Snowden tinha deixado o aeroporto para ficar em um local não revelado com expatriados americanos, acrescentou.

Putin não fez nenhum comentário imediato. Mas ao que parece, após ter pesado os pós e contras por algumas semanas, decidiu que a repercussão positivas internas e externas de seu gesto, superam eventuais repercussões desagradáveis dos EUA.

Aposta também, que Obama, que tem tanto interesse quanto ele, na reunião bilateral, daqui para setembro, vai moderar o tom, e acabar participando da reunião.

Foto: Life News/Ru

O site de notícias russo "Life News" publicou uma foto do ex-agente norte-americano Edward Snowden deixando o aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, na Rússia, ao lado de de Sarah Harrison, do WikiLeaks, e do advogado Anatoly Kucherena, responsável por sua defesa na Rússia.

Em um comunicado divulgado pela WikiLeaks, Snowden agradeceu as autoridades russas e acusou os EUA de se comportar de forma ilegal.

"Nos últimos oito semanas temos visto a administração Obama não mostram respeito pelo direito internacional ou nacional, mas no final a justiça está sendo feita. " E acrescentou:

"Agradeço a Federação Russa por me conceder asilo, de acordo com suas leis e obrigações internacionais."

Autoridades de segurança disseram Snowden atravessaram oficialmente a fronteira com a Rússia a partir da zona de trânsito do aeroporto em cerca de 15:30 hora local. A Rússia, aparentemente, não havia informado aos EUA da decisão com antecedência.

O advogado Kucherena se recusou a fornecer o destino de Snowden, por preocupações de segurança. "Uma vez que ele é a pessoa mais caçado do mundo...”

Comentou também que de agora em diante o ex-espião está por conta própria, sem a proteção e contatos com autoridades russas, além daquelas obrigatórias de um asilado. Será ele que vai escolher o local do domicilio, e tomará as providências necessárias a sua segurança.

Putin já havia dito repetidamente que para permanecer na Rússia, Snowden devem parar as atividades de vazamento de documentos que prejudiquem os Estados Unidos.

Seu advogado sugeriu que novas revelações que vem sendo publicadas pelo jornal britânico The Guardian, são de documentos que Snowden havia entregue aos jornalistas, antes de Putin fazer as exigências.

Foto: Reuters

Putin fez ouvido de mercador aos apelos norte americanos

A decisão da Rússia encorajou a oposição republicana que tem considerado as tentativas de Obama para melhorar as relações com Putin como ingênuas e inapropriadas. Em um comunicado em seu site, o senador John McCain disse: "A ação do governo russo, hoje, é uma desgraça e um esforço deliberado para embaraçar os Estados Unidos. É um tapa na cara de todos os americanos. Agora é a hora de repensar fundamentalmente nosso relacionamento com ele.. Putin da Rússia. "

A pesquisas mostram que 43% dos russos apoiou a concessão de asilo Snowden e 51% aprovavam suas atividades denúncia de irregularidades. O advogado do americano disse ter recebido inúmeras ofertas de cidadãos russos disponibilizando moradia, proteção e dinheiro, bem como de mulheres interessadas romanticamente em Snowden.

Pavel Durov, o fundador da rede social mais popular da Rússia, VKontakte, ofereceu publicamente emprego ao espião, como programador na rede, em um post em sua página no VKontakte na quinta-feira.

16 de jul. de 2013

Snowden, espião americano, indicado ao Nobel da Paz

SUÉCIA - Prêmio Nobel
Snowden, espião americano, indicado ao Nobel da Paz
Em uma carta endereçada ao comitê norueguês do Nobel, professor de sociologia, Stefan Svallfors, indicou Snowden, o espião americano que delatou o sistema de espionagem do governo americano, ao Nobel, pelo seu "esforço heróico com grande custo pessoal" “Por causa de sua bravura, Snowden 'ajudou a tornar o mundo um pouco melhor e mais seguro", escreveu.

Foto: Reprodução

Para Edward Snowden, a indicação fortalece sua batalha pessoal, embora as chances de ganhar sejam remotíssimas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Opera Mundi, O Globo, Daily Mail, Expresso, Västerbottens-Kuriren

Um professor de sociologia sueco indicou Edward Snowden, o ex-analista da CIA responsável pelo vazamento de informações sobre programas de espionagem dos EUA, para o Prêmio Nobel da Paz, em carta endereçada ao comitê organizador e publicada no jornal Västerbottens-Kuriren, da Suécia.

Na carta, Stefan Svallfors escreveu que "Edward Snowden - num esforço heróico com altos custos pessoais - revelou a existência e a dimensão da vigilância que o governo dos EUA dedica às comunicações eletrônicas em todo o mundo, em violação das leis nacionais e dos acordos internacionais". Para o professor, essa ação “ajudou a tornar o mundo um pouco melhor e mais seguro”.

Svallfors diz ainda que o exemplo de Snowden é importante porque “desde os julgamentos de Nuremberg, em 1945, ficou claro que o slogan ‘eu só estava cumprindo ordens’ não pode ser usado como uma desculpa para atos contrários aos direitos e às liberdades humanas”.

Foto: Kenneth Sandelin/Folkbladet
O professor, Stefan Svallfors, é uma das pessoas "qualificadas" a fazer indicações de candidaturas para o comitê do Prêmio Nobel
Ele enfatizou ainda que a decisão de dar o prêmio ao norte-americano neste ano “ajudaria a salvar o Prêmio Nobel da Paz do descrédito em que incorreu pela decisão precipitada e mal concebida de atribuir ao presidente dos EUA, Barack Obama, o prêmio em 2009".

Entretanto, para Kristian Berg Harpviken, pesquisador sênior e vice-diretor do PRIO (Instituto Internacional de Pesquisa de Paz de Oslo, na sigla em inglês), é muito improvável que Snowden seja escolhido como vencedor do prêmio, segundo a agência de notícias Interfax.

De acordo com Harpviken, os prazos para inscrições de candidatos já passaram, o que significa que Snowden tem poucas chances de ser considerado nas listas finais. No entanto, quando questionado sobre se o norte-americano merece o prêmio, o professor respondeu com um “cuidadoso sim”.

Espera-se que a nomeação de Edward Snowden seja considerada para o prêmio do próximo ano, uma vez que as indicações de candidatos, restritas a um seleto grupo no qual se inclui Svallfors, devem ser feitas no máximo até o dia 1º de fevereiro. As indicações feitas após esse prazo geralmente são incluídas na competição do ano seguinte.

Se o ex-analista da CIA, de 30 anos, for o vencedor, ele será a pessoa mais jovem da história a ganhar um Prêmio Nobel da Paz.

Já o deputado russo Alexei Pushkov escreveu no Twitter que “nem em um milhão de anos os Estados Unidos vão permitir que Snowden ganhe o Nobel da Paz. Mas a indicação dele é significativa. Muitos no Ocidente o veem como um campeão da democracia”.

Durante seu encontro com ativistas de direitos humanos e advogados no aeroporto de Sheremetievo na última sexta-feira (12/07), Snowden afirmou que fez o que achava ser certo e começou “uma campanha para corrigir essas transgressões”. Ele também disse não se arrepender de sua decisão.

Outros envolvidos em casos de vazamento de informações já foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz no passado. Bradley Manning, o soldado norte-americano acusado de repassar material secreto do Exército dos EUA para o Wikileaks, foi nomeado no ano passado.

Já Julian Assange, fundador do Wikileaks e abrigado na embaixada do Equador em Londres há mais de um ano, foi indicado em 2011. Nenhum dos dois foi escolhido, entretanto.

Como um professor de sociologia na Universidade de Umeå, Stefan Svallfors, é uma das pessoas "qualificado" que podem enviar as suas candidaturas para o comitê do Prêmio Nobel.

O Prêmio Nobel da Paz foi instituído em 1901 e desde então foi atribuído a 100 indivíduos e 24 organizações.

Foto: AFP/Getty Images

PRECIPITAÇÃO: Muitos criticaram a concessão prematura do Nobel da Paz ao presidente Barack Obama em 2009. Seria uma tragédia americana, o espião que atormenta o governo Obama, ganhasse o mesmo prêmio que ele.