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14 de set. de 2014

Protógenes acha que atentado matou Eduardo Campos

BRASIL – Tragédia Eduardo Campos
Protógenes acha que atentado matou Eduardo Campos
O delegado Federal e deputado estranhou a não preservação do local e demora da Polícia Federal de comparecer ao local para começar as investigações

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Diário do Poder

Na sua coluna deste domingo, Claudio Humberto, Diário do Poder, reportou que o delegado federal e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), conhecido por haver prendido o banqueiro Daniel Dantas, suspeita que a morte de Eduardo Campos nada teve de acidental, foi um atentado, segundo segredou a colegas da PF.

Ele chegou a Santos logo após a tragédia, colheu indícios e depoimentos e os enviará à Procuradoria-Geral da República, com o pedido para aprofundar as investigações.

Protógenes disse a policiais ter ficado intrigado porque o local nem sequer foi preservado. Delegados da Polícia Federal somente apareceriam à noite.

Entre os objetos colhidos, o delegado Protógenes encontrou na lama a capa de um livro do piloto, intacta, mas sem as páginas internas.

No dia da tragédia, Protógenes estava na expectativa de rever Eduardo Campos, com quem se encontrou em 1o de maio e na Semana Santa.

A hipótese de atentado contra Eduardo sempre foi mencionada, mas ninguém a levou tão a sério quanto o delegado Protógenes Queiroz.

13 de set. de 2014

Avião que levava Eduardo Campos tinha apólice de seguro de US$ 50 milhões. Atingidos sem indenizações

BRASIL - Tragédia
Avião que levava Eduardo Campos tinha apólice de seguro de US$ 50 milhões. Atingidos ainda sem indenizações.
Irmão do ex-governador protocolou ofício no MPF para pedir à Cessna, fabricante do avião, e ao Bradesco que cumpram os termos da apólice

Foto: Futura Press

Local da queda de aeronave em Santos, no litoral paulista

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Mariana Zylberkan
Fonte:  Veja

Um mês após a queda do avião que matou Eduardo Campos, o irmão do ex-governador de Pernambuco, o advogado Antonio Campos, negocia para indenizar as famílias que tiveram suas casas destruídas no acidente. Nesta sexta-feira, ele protocolou ofício no Ministério Público Federal para pedir à Cessna, fabricante do avião, e ao Bradesco para confirmar a vigência de uma apólice de seguro com prêmio de 50 milhões de dólares para danos a terceiros.

O documento chegou às mãos de Campos nesta semana por meio da família do comandante Marcos Martins, que morreu na tragédia. Na apólice, a empresa AF Andrade como segurada. A validade se estende até dezembro deste ano e está condicionada à presença do comandante Martins e de Geraldo Magela, o copiloto, na aeronave.

No ofício, Campos pede que o valor do seguro seja revertido de imediato ao ressarcimento de danos sofridos pelas vítimas. Em nota, o advogado defendeu a divulgação, mesmo que inicial, das investigações sobre as causas do acidente. “É o que aguardam e pedem as famílias enlutadas e a sociedade brasileira”, diz o advogado em nota.

A advogada Wanda Maria Bittencourt, dona da casa onde o avião caiu, abrindo uma cratera no quintal, reclama de descaso do partido.

“O PSB não tem nos atendido. Está faltando boa fé, estão muito preocupados com as eleições”, diz. Ela estima que irá gastar até 600.000 reais só com material para reconstruir parte do imóvel que foi destruído. Procurado, o PSB afirmou que tem interesse em indenizar as vítimas e diz já ter contratado um escritório de advocacia para intermediar as negociações.

Apólice de seguro da aeronave é válida até fim de 2014
Na 7ª DP de Santos, há 56 boletins de ocorrência registrados por moradores afetados. Eles formaram uma espécie de associação que tem orientação jurídica de advogados que defenderam as vítimas do acidente da TAM, em 2007. Ao menos sete imóveis – três apartamentos e quatro casas – terão que ser parcialmente reconstruídos, entre eles, a academia do empresário Benedito Juarez Camara, destruída pela queda dos destroços.

O empresário diz que aguarda fim do prazo de 15 dias concedido pelo procurador-geral eleitoral Rodrigo Janot para o PSB comprovar as movimentações financeiras para a utilização da aeronave. Segundo levantamento prévio realizado pelos proprietários, estima-se que os valores das indenizações cheguem a 2 milhões de reais.

Nesta semana, os empresários João Carlos Lyra Pessoa Monteiro de Mello Filho e Apolo Santana Vieira, que arrendaram a aeronave da empresa AF Andrade, também se ofereceram a indenizar as vítimas.

INVESTIGAÇÃO

Procedimento administrativo aberto pelo Ministério Público Federal de Santos tem acompanhado as investigações sobre a causa do acidente, capitaneadas pela Polícia Federal e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.

Segundo pessoas ligadas à apuração, técnicos da Cessna e da Pratt & Whitney, empresa canadense fabricante do motor da aeronave, têm divergido sobre as possíveis causas do acidente e passaram a atuar separadamente.

O principal mistério a ser desvendado pelos técnicos é o fato de a caixa-preta não ter registrado as informações de voz dos pilotos no dia do acidente. Há registro de gravações somente até a véspera da tragédia.

A família de Campos tem acompanhado as investigações de perto e estuda questionar judicialmente a União pelo fato de o comando da Base Aérea de Santos ter autorizado o pouso da aeronave em condições climáticas altamente desfavoráveis. Segundo especialistas, a visibilidade dos pilotos no dia era de 250 metros.

29 de ago. de 2014

Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos

BRASIL - Investigação
Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos
”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato, por informações que recebeu do Ministério Público Federal

Foto: AP

Local onde aconteceu o acidente com o candidato Eduardo Campos e outros seis assessores

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Jamildo, Folha de S.Paulo, Blog do Merval

O Ministério Público Federal de São Paulo está investigando, entre outras, a possibilidade do avião que conduzia o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas no último dia 13 de agosto, ter sido abatido por um drone da Força Aérea Brasileira.

Não se trata de uma teoria de conspiração vinculada nas redes sociais. O procurador da República Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo acompanhamento da investigação do caso, encaminhou à Aeronáutica um ofício pedindo explicações sobre o uso de um Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT), popularmente conhecido como drone, no local onde aconteceu a colisão com o avião Cessna Citation 560 XL, que caiu em Santos.

Entre os questionamentos feitos pelo promotor ao Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do Ar Junini Saito, estão a permissão para o drone realizar sobrevoo no local do acidente. Nobre também questiona se existem relatos de algum drone, em específico o “Acauã”, da Aeronáutica, ter perdido o contato com os controladores no dia do acidente. O desaparecimento do veículo no mesmo dia da tragédia também é alvo dos esclarecimentos solicitados pelo promotor.

Para sustentar a tese, o promotor reuniu fotos do local do acidente e apontou a existência de rodas semelhantes às usadas nos drones do modelo Acauã. O MPF também quer saber quantos drones, do modelo VANT Acauã, existem nos quadros da força aérea e se todos estão em operação. Num questionamento direto o promotor pergunta se há notícia de que um equipamento do gênero que teria desaparecido na área do acidente no dia da queda, 13 de agosto.

Reprodução
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A jornalista Marcela Balbino, repórter do Blog do Jamildo, obteve cópia do Oficio enviado a Aeronáutica pelo Promotor Federal

O irmão do presidenciável Eduardo Campos, Antônio Campos, em Santos, nesta quarta-feira, 27, confirmou que tem conhecimento da possibilidade de um drone ter colidido com o avião e provocado o trágico acidente aéreo.

”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato.

Claro que até agora ninguém oficialmente aventou um atentado, mas numa investigação não se pode abandonar nenhuma possibilidade.

Se foi um ato criminoso, o serviço não teria sido completo, pois a perigosa Marina Silva escapou.

Logo após o acidente ela atribuiu a “providência divina” não se encontrar entre os passageiros do avião acidentado. Segundo o jornalista Merval Pereira, “na verdade, a razão de Marina não estar naquele avião fatídico é bem mais prosaica e humana: ela não queria se encontrar com o deputado Marcio França, do PSB, candidato a vice do governador tucano Geraldo Alckmin, coligação a que ela se opunha em São Paulo, que esperava o grupo em Santos.

Mesmo que tenha sido um drone da aeronáutica, não somos partidários da teoria de atentado, pelas características da nossa força aérea, mais provável seria uma teoria de uma fatalidade gerada por irresponsabilidade e incompetência.

Foto: Reprodução

Vant, ou drone, do modelo Acauã, utilizado pela Aeronáutica, pesa 150 kg e pode causar danos significativos e até derrubar uma aeronave caso se choquem durante voo.

18 de ago. de 2014

A guerra dos tronos - Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
A guerra dos tronos
Arraes morreu de morte morrida aos 89 anos de idade. Eduardo, de morte inesperada, trágica, aos 49 anos. Como o avô e o pai adotivo, Eduardo não deixa herdeiros. Primeiro porque não teve tempo para deixar. Segundo porque não fez questão de deixar. Marina disputará a vaga de Dilma porque era vice de Eduardo – não porque fosse sua herdeira.

Foto: Blog do Noblat

SEM HERDEIRO IMEDIATO - Tamanha era a força de Eduardo que ele se reelegeu em 2010 com 82% dos votos, ganhou a eleição em todos os municípios do Estado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Tal avô, tal pai adotivo e tal filho.

Há nove anos, pouco antes de morrer, o mítico Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco, cassado e exilado pela ditadura de 1964, ouviu a provocação feita por um amigo do seu neto, Eduardo Campos: “Não está na hora de passar o chapéu, doutor?”.

Arraes respondeu de pronto: “Quem quiser que pegue”.

Isto é: não indicarei um herdeiro. Quem quiser que conquiste o lugar.

Entre amigos, mais de uma vez nos últimos anos, Lula disse que considerava Eduardo uma espécie de filho adotivo seu.

Quem, dentro do PT, Lula formou para sucedê-lo no comando do partido? Por todos os meios possíveis, Lula sempre deu um jeito de apagar quem lhe pudesse fazer sombra.

Concorreu à presidência da República cinco vezes. Para substituí-lo por quatro anos apenas, Iluminou um poste chamado Dilma.

O poste rebelou-se, bateu o salto no chão com raiva e decidiu tentar se reeleger. Lula amaldiçoa a hora em que não abriu o jogo e combinou com Dilma que em 2014 seria novamente a vez dele.

Agora é tarde. Nem mesmo o fantasma de Marina Silva será capaz de remover Dilma do caminho de Lula. Se depender de Dilma, Lula brilhará em sua campanha e a seu serviço. Mas não dividirá o protagonismo com ela.

Arraes morreu de morte morrida aos 89 anos de idade. Eduardo, de morte inesperada, trágica, aos 49 anos.

Como o avô e o pai adotivo, Eduardo não deixa herdeiros. Primeiro porque não teve tempo para deixar. Segundo porque não fez questão de deixar.

Marina disputará a vaga de Dilma porque era vice de Eduardo – não porque fosse sua herdeira.

Pernambuco, um dos Estados mais politizados do país, ficou politicamente órfão.

Tamanha era a força de Eduardo que ele se reelegeu em 2010 com 82% dos votos, ganhou a eleição em todos os municípios do Estado, encabeçou nos últimos quatro anos a lista dos governadores mais bem avaliados do país, e juntou 20 partidos para derrotar fragorosamente o PT há dois anos e eleger prefeito do Recife quem jamais disputara uma eleição.

Os amigos, às suas costas, o chamavam de “O Imperador”. Pois bem: “O Imperador” indicou para seu lugar um ex-auxiliar que, como o prefeito, era novato em matéria de eleição – o técnico Paulo Câmara, ex-secretário da Administração e da Fazenda de Eduardo.

O Datafolha, no sábado passado, conferiu a Paulo 13% das intenções de voto contra 47% de Armando Monteiro Filho, candidato apoiado pelo PT.

Se estivesse vivo, Eduardo daria um jeito de animar seus seguidores.

Dotado de uma extraordinária autoconfiança, de uma capacidade de trabalho invejada por amigos e adversários e de um admirável poder de persuasão, para Eduardo não existia o talvez ou o quem sabe.

Parecia convencido de que nada o impediria de atingir de fato seus objetivos. E a se levar em conta sua curta, mas meteórica e bem-sucedida trajetória política, estava certo.

Eduardo morreu convencido de que elegeria seu candidato ao governo de Pernambuco, e de que venceria Dilma no segundo turno com a ajuda de Aécio Neves, do PSDB.

Da única vez que falou para milhões de brasileiros – cerca de 35 milhões, a audiência do Jornal Nacional na última terça-feira -, cunhou a frase pela qual começa a se tornar conhecido: “Não vamos desistir do Brasil”.

Pouco depois de dizê-la, e como não parasse de falar, ouviu de Patricia Poeta, apresentadora do telejornal, a advertência curta e grossa: “Seu tempo acabou, candidato”.

Morreu no dia seguinte. Virou história.

Foto: Toinho de Passira/thepassiranews

VAZIO, SOLIDÃO - Rua da Aurora, no centro do Recife, 10 da manhã, durante o velório de Eduardo Campos.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legendas a publicação original

A segunda viuvez eleitoreira de Marina - Reinaldo Azevedo

BRASIL - Opinião
A segunda viuvez eleitoreira de Marina
O velório e o sepultamento que acabou deixando de lado o decoro e se transformando em micareta eleitoral


Não há sofrimento no olhar - Marina, à beira do caixão de Campos, ergue o retrato do candidato morto: viúva política e rainha posta. Isso não é dor. É política.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Explico. Deixo textos fáceis para outros. Alinho-me com aqueles que preferem os difíceis, ainda que sob pena de desagradar a muitos, até mesmo a alguns leitores habituais. Não posso fazer nada. Penso o que penso. E meu único compromisso aqui no blog, na Folha ou na Jovem Pan é este: dizer o que penso. Vamos lá. De súbito, Eduardo Campos virou a versão masculina e brasileira de Inês de Castro, aquela “que, depois de ser morta, foi rainha”, na formulação imortal de Camões, em “Os Lusíadas”. Se tiverem curiosidade, pesquisem a respeito da personagem. As circunstâncias são outras, mas, nos dois casos, há uma espécie de coroação post mortem. Marina Silva, já apontei aqui, para a minha não supresa, fez-se a viúva profissional de mais um cadáver. Campos foi, sim, coroado rei. Morto no entanto, logo alguém se lembrou de dar vivas à nova rainha. Tudo bastante constrangedor para quem repudia a demagogia, o mau gosto e a exploração da morte como moeda eleitoral.

Vocês sabem que tratei aqui de modo muito decoroso — e não pretendo mudar a rota — a morte de Campos. Mesmo o comportamento da família me parecia correto a mais não poder. Havia dor genuína, mas também comedimento. Havia sofrimento, porém temperado pelo pudor. Afinal, morria o marido, o filho, o pai… Vi, bastante comovido, e comentei nesta página o vídeo que seus filhos fizeram em homenagem ao Dia dos Pais, tornado público três dias antes da tragédia. Renata, a viúva de verdade, preferia, então, o silêncio e, a despeito do aparato que a cerca, não vi partir dela nenhuma nota fora do tom. A cerimônia de sepultamento neste domingo, no entanto, fugiu, obviamente, ao controle. Assistimos ao enterro inequívoco de um político. E o que se via ali era muita gente organizada para fazer o cadáver procriar… votos.


Viatura do Corpo de Bombeiros com lema político da campanha de Campos, estampado também na camiseta de três de seus filhos: punhos cerrados

Não me peçam para compactuar com isso. Achei justo e correto que se organizasse um velório público. Campos era um governante popular em sua terra e morreu de forma trágica. Mas pergunto: o que fazia aquela faixa no veículo do Corpo de Bombeiros com a declaração “Não vamos desistir do Brasil”, lema idêntico ao que se lia na camiseta de seus filhos, três deles desfilando sobre a viatura, com os punhos cerrados, numa manifestação inequivocamente política? Não! Eu não posso me desculpar por estar aqui a apontar a inadequação da manifestação se eles próprios não souberam separar, como seria o correto, o domínio da dor, que creio ser verdadeira, daquele em que se aloja a pregação eleitoral. Os fogos de artifício, então, não deixaram a menor dúvida de que o velório e sepultamento haviam se transformado numa micareta política. Lamentável. Como era o esperado, houve tempo para vaias à presidente da República e a seu antecessor, Lula, aos gritos de “Fora, Dilma!”, “Fora, PT!” e, é óbvio, “Marina Presidente!”.

Infelizmente, para a tristeza do Brasil, no sentido mais amplo da expressão, o Campos morto ganhou uma projeção que o vivo jamais conseguiu. E Marina, mais uma vez, se apresentou como a viúva de plantão. O PSB ainda não fez dela a candidata, mas é só uma questão de tempo. A já presidenciável teve cinco dias ininterruptos de horário eleitoral gratuito. E, com seu ar sempre pesaroso, magro, quase quebradiço — mas sem se esquecer de acenar de vez em quando e de deixar escapar furtivos sorrisos —, empertigou-se quando necessário para vestir o manto da fortaleza moral e se apresentar para a batalha.

Não foi, assim, então, quando se transformou numa espécie de viúva oficiosa de Chico Mendes? Até hoje há quem acredite que ela era uma seringueira dos pés descalços quando ele foi assassinado, em dezembro de 1988. Não! Ela já tinha sido eleita vereadora um mês antes e, àquela altura, já era militante do PT e da CUT. Tinha fundado com Mendes, em 1985, a central sindical no Acre. Mas ficou com o espólio político do cadáver, como fica, agora, com o de Campos. Rei morto, viúva posta. Em vez de “Brasil pra frente, Eduardo presidente”, o grito de guerra dos campistas, ouviu-se, então, no velório, “Brasil, pra frente! Marina presidente!”.

Não foi um dia feliz para o comedimento, para o decoro, para o bom gosto e para o bom senso. Que Deus tenha piedade do Brasil se os eleitores não tiverem!

15 de ago. de 2014

Viúva relembra a última conversa com Eduardo Campos

BRASIL - Tragédia Eduardo Campos
Viúva relembra a última conversa com Eduardo Campos
Dona Renata surpreendia a todos. Ela se mostrava forte, até leve, andando entre as pessoas e conversando com os que lhe procuravam para apresentar condolências. Não caiu em prantos publicamente, apesar do olhar avermelhado, que carregava ainda na noite de ontem, de quem está sentindo a dor como uma força constante. Às vezes, parecia ser ela quem tranquilizava seus interlocutores.

Foto: Arquivo

Renata Campos e Eduardo no último carnaval

Postado por Toinho de Passira
Texto de Júnia Gama
Fonte: O Globo

No fim do dia de quinta-feira, o movimento na casa da família Campos estava intenso. Eram muitos os familiares, amigos e políticos que acompanharam desde sempre a trajetória de Eduardo Campos e queriam estar perto de “dona Renata”, como ele chamava a mulher, e dos cinco filhos do casal. O ambiente era dolorido e, em quase todos os rostos, olhos marejados e expressões de consternação. Eram dezenas de pessoas reunidas na parte externa, divididas entre a varanda e a área arborizada ao redor da piscina. Quase todas de pé. Em torno do bebê Miguel, filho caçula do casal, que passava de colo em colo, estavam os únicos sorrisos visíveis na casa.

Dona Renata surpreendia a todos. Talvez por ainda não ter realizado a perda tão inesperada, ela se mostrava forte, até leve, andando entre as pessoas e conversando com os que lhe procuravam para apresentar condolências. Não caiu em prantos publicamente, apesar do olhar avermelhado, que carregava ainda na noite de ontem, de quem está sentindo a dor como uma força constante. Às vezes, parecia ser ela quem tranquilizava seus interlocutores. Ela contou sua última conversa por telefone com o marido: haviam falado sobre o perfil das possíveis primeiras-damas, ela e Letícia Weber, mulher de Aécio Neves, que havia sido publicado no GLOBO no dia do acidente.

— Olhe, você saiu no jornal!

Ela, espirituosa, respondeu:

— Ah, é? E você, escapou? — pergunta que costumava fazer sempre que a família sabia que sairia uma reportagem sobre o marido.

Eduardo retrucou:

— Disseram lá que você manda em mim!

Dona Renata riu e pediu que ele lhe enviasse uma cópia do texto. Desligou o telefone e voou. Quando desembarcou em Recife, ligou o aparelho e a primeira mensagem que entrou foi a foto reproduzindo a reportagem. Também foi a última mensagem que recebeu do marido.

Ontem, ela contava essa história como se fosse mais uma conversa trivial e não a última entre marido e mulher.

— Não estava no script — concluiu Renata, repetindo uma expressão que vem usando a muitos que se aproximam para consolá-la.

CONSELHEIRA DE EDUARDO

Nesse momento, chegou outra viúva, que permaneceu em um abraço com Renata que durou mais que alguns minutos. Era Eliane Aquino, a mulher do ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda, falecido em decorrência de um câncer no final do ano passado. Campos e Déda eram amigos. Assim como Renata, Eliane também tem um filho pequeno com síndrome de Down e citou as semelhanças entre a história que se abateu sobre as duas:

— Os dois eram nordestinos, tão jovens, morreram em São Paulo e nos deixaram filhos especiais. Me disseram que um dia eu ia entender o porquê da vinda do meu filho. Você também, Renata.

Renata respondeu que um padre também lhe havia feito essa afirmação. E lembrou que o batizado do filho Miguel aconteceu em uma igreja pequenina, exatamente um mês antes do acidente de Eduardo:

— Eu sabia que ele seria eleito e não queria um batismo grande, de filho de presidente.

Renata é uma mulher discreta, de bastidores, conselheira fundamental de Eduardo, mas que deixava a ele a atuação na linha de frente. Outra frase que ela tem dito aos amigos nas conversas ao redor da piscina e na área externa da casa, onde estão concentradas as visitas, é sobre a paixão de Eduardo pela política:

— A política para ele não era só trabalho, era também um hobby.

Os quatro filhos mais velhos estão sentidos. Mas, talvez confortados na fortaleza da mãe, aguentam firme o momento. Causa surpresa perceber que, tão jovens, seus olhares sustentam serenidade. Em meio ao furacão de mudanças, o homem mais velho, João Henrique, de 20 anos, comentou com colegas que um grande desejo e preocupação da família nesse momento é encontrar o relógio e o cordão de ouro com medalhinhas que Eduardo carregava sempre. As medalhinhas foram sendo acumuladas ao longo da vida do político e têm um valor sentimental imenso para a família, apreensiva com a possibilidade de não conseguir resgatar dos escombros esse fragmento de lembrança.

José Henrique, de 9 anos, o filho caçula até a chegada de Miguel, parece ainda não entender bem o que está ocorrendo. Ele anda entre os irmãos e os amigos, depois vai para o colo da mãe. Abraça Renata, fala algo em seu ouvido, afunda a cabeça em seu peito e depois sai, sem aparentar ter chorado. João e Pedro, o filho do meio, de 18 anos, ficam orbitando perto da mãe e dos amigos e namoradas que vieram dar forças. A menina, Maria Eduarda, de 22 anos, tem lágrimas nos olhos, mas consegue sorrir ternamente sempre que conversa com alguém.

APOIO A OUTRA VIÚVA

No início da noite, a jornalista Cecília Ramos, esposa do assessor de Eduardo, Carlos Percol, que também estava no voo, chegou à residência. Muito jovem, recém-casada, Cecília mostrava seu luto com um vestido preto e choro constante. Coube a Renata, que usava calça jeans e uma bata branca, consolá-la. Assim que a viu chegar, a anfitriã dirigiu-se à entrada da casa e abraçou sua companheira de tragédia. Cecília foi se acalmando, e logo começou a missa em homenagem aos maridos e demais vítimas do acidente. Foram os filhos que fizeram as leituras na celebração, na varanda da casa. João foi encarregado pelo Padre Luciano Brito de ler um trecho do Livro de Jó, que fala sobre vida eterna.

O diretor de cinema Guel Arraes, tio de Campos, também aparentava estar muito sentido com a morte do sobrinho. A um grupo, dizia que Eduardo seria “insubstituível” na política:

— O Eduardo tem uma personalidade muito própria. Ele é neto do Miguel Arraes, foi muito próximo do Lula, e podia simplesmente ter imitado um dos dois. Mas não, ele tem uma personalidade brilhante, muito própria. Nem o sobrenome Arraes ele usou, adotou o Campos, só dele.

A mãe de Eduardo, Ana Arraes, externava de forma mais visível sua dor. Chorava bastante e era confortada pelos amigos. Padre Pedro Rubens, reitor da Universidade Católica de Pernambuco, que se dizia contagiado pela disposição política de Eduardo e foi prestar sua homenagem ao ex-governador, resumiu o sentimento, ainda incompreensível:

— É uma saudade do futuro.

14 de ago. de 2014

O Imponderável é o verdadeiro deus da história – Reinaldo Azevedo

BRASIL – Opinião – Tragédia Eduardo Campos
O Imponderável é o verdadeiro deus da história.
Ou: Os “engenheiros de gente” erraram mais uma!
Estamos a menos de dois meses do primeiro turno da eleição presidencial, e tudo pode acontecer, inclusive nada de novo no que diz respeito ao prognóstico. Ainda que a petista Dilma Rousseff venha a vencer a eleição — segundo apontava o retrato momentâneo até ontem —, será com outra narrativa, que não havia sido imaginada por nenhum roteirista, por mais criativo que fosse.

Charge: Frank - A Notícia -(SC)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Autoritários de direita e de esquerda não conseguem conviver com o mais severo e perigoso de todos os deuses — o Imponderável. Se é fato, retomo expressão que empreguei ontem, que podemos cercar as margens de erro para obter os resultados ambicionados, não é menos verdade que mais movem a história as circunstâncias que não estão sob nosso controle do que aquelas que podemos escolher. Ainda que alguns sociopatas imaginem que podem determinar a forma do futuro, este se faz de um emaranhado de sistemas que nos escapam.

O avião em que viajavam Eduardo Campos e outras seis pessoas foi planejado para não cair. Simulam-se situações de risco às quais a aeronave pode resistir. Mas fatores os mais diversos — naturais e humanos — podem se combinar e pronto! Nada mais será como se apostava antes.

Estamos a menos de dois meses do primeiro turno da eleição presidencial, e tudo pode acontecer, inclusive nada de novo no que diz respeito ao prognóstico. Ainda que a petista Dilma Rousseff venha a vencer a eleição — segundo apontava o retrato momentâneo até ontem —, será com outra narrativa, que não havia sido imaginada por nenhum roteirista, por mais criativo que fosse.

Parece-me difícil, apesar dos fatores contrários, que não são poucos, que Marina Silva, da Rede, não venha a ocupar o lugar de Eduardo Campos na cabeça da chapa da coligação “Unidos para o Brasil”. Ainda que as divergências sejam imensas, não se desprezam, assim, com tanta ligeireza alguns milhões de votos — e ela os tem, isso é inegável.

Não que a presidente Dilma Rousseff, o PT e outros potentados não tenham se movido nos bastidores para tentar inviabilizar a sua candidatura e criar dificuldades para a criação da Rede. Essas mesmas forças se mexeram, note-se, para facilitar a formação de legendas que hoje servem à base aliada. Os leitores sabem o que penso sobre Marina Silva. Tenho horror a seu pensamento — ou seja como se chamem as coisas que ela diz. Mas as manobras de bastidores para barrar a sua postulação são bastante conhecidas e asquerosas.

Vale dizer: os que se querem donos da história e do futuro decidiram operar com determinação para eliminar os adversários — fez-se de tudo, não custa notar, para impedir a candidatura do próprio Eduardo Campos. Vejam que coisa: estivesse Marina com a sua “Rede”, teria um tempo ínfimo na televisão, e o PSB, a esta altura, ungiria um nome apenas para não ficar fora da disputa. Os feiticeiros devem olhar para a realidade agora cheios de perplexidade. É grande a chance de Marina ser candidata à Presidência com uma força que, sozinha, certamente não teria.

A ex-senadora, por sua vez, é sabido, é melhor de voto e de “mídia” do que de articulação política. Campos era o grande organizador do PSB e sua maior figura. De tal sorte seu comando era unipessoal que não deixa nem sequer um candidato a herdeiro. A aproximação de setores importantes do partido com a candidatura do tucano Aécio Neves é uma possibilidade mais do que evidente.

Os “engenheiros do futuro” do PT comemoravam as dificuldades eleitorais de Campos, que não eram pequenas, e contavam com o início do horário eleitoral gratuito para tentar liquidar a fatura ainda no primeiro turno. A possibilidade me parecia remota, mas os petistas estavam bastante confiantes.

Se Marina for mesmo a candidata do PSB, o PT precisa ser muito otimista para apostar nessa possibilidade. Mais: Marina atrai com mais facilidade votos que, no que concerne aos valores ao menos, estão à esquerda e não se sentiam identificados com Aécio e com Campos. Acabariam, por inércia, caindo no colo de Dilma; agora, surge uma alternativa.

Pode haver um estresse também nas hostes tucanas? É claro que sim. Só disputa o segundo turno quem passa pelo primeiro, e é evidente que se justifica certo temor no PSDB de que Marina fique com a segunda vaga — e, nessa perspectiva, seu adversário imediato é Aécio. Vamos ver.

Mas o destino também colhe Marina de calças curtas. Como candidata a vice e representante da Rede na aliança, ela podia forçar a mão em favor do seus pontos de vista, contrastando com o PSB, na certeza de que Campos arbitraria o jogo. Esse árbitro, agora, desapareceu. Se for a candidata, passa a falar em nome da coligação, muito especialmente do partido ao qual está formalmente filiada. Vai se adaptar à nova realidade ou será aquela Marina de 2010, que se sentia mera hospedeira do PV? Está tudo embaralhado. Os “engenheiros de gente” erraram mais uma.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

Opção do PSB por Marina não será automática – Josias de Souza – Folha de São Paulo

BRASIL – Opinião – Tragédia Eduardo Campos
Opção do PSB por Marina não será automática
Mas o cacique socialista raciocinou em voz alta para o repórter: “Suponha que aceitássemos todas as condições de Marina, disse. Imagine que investíssemos nela recursos financeiros e energia política. Daqui a pouco, ela funda a Rede, pega tudo e vai embora. O PSB ficará com o quê? Nada! Nesse contexto, prossegue o líder socialista, talvez seja melhor lançarmos um nome nosso. Dificilmente deixaríamos de ter algo como 7% ou 8% dos votos”.

Foto: Divulgação

Nas palavras do dirigente partidário, Marina assumiu a condição de vice de Campos como se fizesse “um favor”. Avalia-se que, para virar cabeça da chapa, ela vai impor condições. Algo que provocará um “endurecimento” dos setores que vinham “tolerando'' Marina a pedido Eduardo Campos

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza para a Folha de São Paulo
Fonte: Blog do Josias de Souza

Não será automática a ascensão de Marina Silva à cabeça da chapa presidencial do PSB, que ficou acéfala com a morte de Eduardo Campos. Hoje, a maioria da Executiva reprovaria a solução, disse ao repórter, na noite passada, um dirigente do partido. Se apostarmos tudo na Marina, qual será o nosso legado?, perguntou. A herança será nula, ele mesmo respondeu. Logo, logo a Marina registra a sua Rede Sustentabilidade e vai embora, completou.

Alguns dos principais líderes do PSB já conversam sobre o futuro. Fazem isso por necessidade, não por opção. Pela lei, o partido terá de tomar uma decisão até sexta-feira (22) da semana que vem. Em respeito ao período de luto, o debate ocorre longe dos refletores. Nada será formalizado antes do funeral de Campos. O diálogo ainda não chegou a Marina, que se recolheu após manifestar respeito ao companheiro morto e solidariedade à família.

As restrições a Marina disseminaram-se pela cúpula do PSB. Hospedada na legenda há dez meses, ela não fez amigos. Ao contrário, colecionou desafetos. Substituto de Campos na presidência da agremiação, Roberto Amaral, não a suporta. O secretário-geral Carlos Siqueira, homem de Campos na coordenação nacional da campanha, decepcionou-se com a vice.

Secretário nacional de Finanças e presidente do diretório de São Paulo, Márcio França teve de atropelar a resistência de Marina para se tornar candidato a vice-governador na chapa do tucano Geraldo Alckmin. O mesmo sucedeu em outras sete Estados nos quais o PSB aliou-se ao PSDB. É contra esse pano de fundo que o partido de Campos discute o seu reposicionamento no jogo sucessório.

A ascensão de Marina dependeria de uma ampla negociação. Prevê-se, no entanto, que ela permanecerá refratária a acordos. Nas palavras do dirigente partidário ouvido pelo repórter, Marina assumiu a condição de vice de Campos como se fizesse “um favor”. Avalia-se que, para virar cabeça da chapa, ela vai impor condições, não o contrário. Algo que provocará um “endurecimento” dos setores que vinham “tolerando'' Marina a pedido Eduardo Campos.

Não há dúvidas no PSB quanto ao cacife de Marina. Mesmo os seus críticos mais cáusticos prevêem que o Datafolha a ser divulgado nos próximos dias confirmará a sua condição de candidata competitiva. Estima-se que a atmosfera de comoção pode inclusive vitaminá-la. Mas o cacique socialista raciocinou em voz alta para o repórter:

Suponha que aceitássemos todas as condições de Marina, disse. Imagine que investíssemos nela recursos financeiros e energia política. Daqui a pouco, ela funda a Rede, pega tudo e vai embora. O PSB ficará com o quê? Nada! Nesse contexto, prossegue o líder socialista, talvez seja melhor lançarmos um nome nosso. Dificilmente deixaríamos de ter algo como 7% ou 8% dos votos.

Sem a presença de Campos, que comandava o PSB com mão de ferro, o partido tornou-se uma federação de interesses dispersos. Ex-ministro de Lula, o presidente Roberto Amaral adoraria, por exemplo, se recompor com o PT e apoiar a reeleição de Dilma Rousseff.

Candidato ao governo do Distrito Federal, praça onde o prestígio de Marina é grande, o senador Rodrigo Rollemberg não se oporia à conversão automática da vice em cabeça de chapa. E o pedaço da legenda coligado ao tucanato nutre um inconfessado desejo de vingança. Dependendo da evolução do debate interno, a opção por uma candidatura alternativa à de Marina pode se converter na única forma de preservar a frágil unidade partidária.

Por ironia, as chances de Marina encabeçar a chapa do PSB serão maiores se o PSDB, interessado em levar a disputa presidencial para o segundo turno, pegar em lanças por ela. Um pedido do governador tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, demoveria as resistências do diretório do PSB de São Paulo. Que, associando-se às demais seccionais coligadas com os tucanos, poderia formar a maioria pró-Marina.
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Presidência é destino Merval Pereira, O Globo

BRASIL – Opinião - Tragédia Eduardo Campos
Presidência é destino
Campos pretendia liderar uma nova maneira de fazer política, e acreditava que com a propaganda oficial, a partir do dia 19, poderia, com a apresentação de sua proposta de governo, reverter o quadro sucessório em que aparecia em terceiro lugar.

Charge: Sinovaldo Jornal NH (RS)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira, para O Globo
Fontes: Blog do Merval

Nunca a frase atribuída a Tancredo Neves, de que a Presidência da República é questão de destino, foi tão apropriada quanto agora, diante da trágica morte de Eduardo Campos, que cortou uma carreira política ascendente e mudará necessariamente a eleição presidencial.

Quis o destino que o ex-governador de Pernambuco nem mesmo chegasse a disputar o cargo, para o qual se qualificou por meio de uma carreira política exitosa. E Marina Silva, que havia sido impedida de disputá-lo pela segunda vez, devido a manobras políticas, pode vir a ser a candidata na vaga aberta pela morte de Campos, de quem era companheira de chapa.

Campos pretendia liderar uma nova maneira de fazer política, e acreditava que com a propaganda oficial, a partir do dia 19, poderia, com a apresentação de sua proposta de governo, reverter o quadro sucessório em que aparecia em terceiro lugar.

A jogada política mais ousada da campanha eleitoral até agora foi dele, ao se aproximar de Marina Silva assim que a ex-senadora perdeu o direito de disputar a eleição por seu partido, a Rede Sustentabilidade. Essa imprevisível aliança política criou mais problemas do que soluções para sua candidatura, mas deu a Campos a possibilidade de disputar um espaço político maior e, sobretudo, expectativa de vitória devido aos 20 milhões de votos que Marina recebera na eleição de 2010.

A decisão sobre a campanha eleitoral do PSB tem que ser tomada em dez dias, segundo a legislação eleitoral, e num prazo tão curto será difícil criar uma candidatura do nada. Se aparentemente a substituição por Marina seria escolha natural, as disputas internas, no entanto, podem levar o PSB a outros caminhos.

Há um grupo à esquerda no partido que sempre preferiu o apoio à candidatura Dilma, dando continuidade a uma aliança histórica com o PT que Campos passou a renegar de uns anos para cá. O tom da campanha do ex-governador de Pernambuco, porém, torna difícil essa opção.

Dilma era sua adversária preferencial, ao mesmo tempo em que ele poupava Lula, por amizade e cálculo político, pois considerava provável que, a certa altura da campanha, vendo a impossibilidade de reeleger a presidente, o PT a cristianizaria e passaria a apoiá-lo a comando de Lula.

Também o PPS, que apoiava a candidatura de Campos, não aceitaria essa hipótese e passaria a apoiar Aécio Neves, do PSDB. O lançamento de Marina transformaria a terceira via em uma alternativa bastante viável, mas, embora seja filiada ao PSB, quem daria o tom da sua campanha seria a Rede, e este é o maior embaraço na costura dessa nova aliança, com Marina na cabeça da chapa. A ex-senadora já apareceu em pesquisas eleitorais com 27%, na última vez em que seu nome foi testado.

Uma hipótese pensada em setores do partido é simplesmente abrir mão de apresentar uma nova candidatura, o que representaria na prática um apoio branco à reeleição da presidente Dilma. Apresentar um candidato próprio, que seja do PSB e não da Rede, teria o mesmo efeito, pois dificilmente esse indicado conseguiria ter uma projeção nacional e, sobretudo, não contaria mais com o apoio nem de Marina nem da Rede.

Na hipótese de Marina não vir a ser a candidata, o que pode acontecer até mesmo por decisão dela de não participar da eleição nessas circunstâncias, a eleição se transformaria num duelo entre Dilma e Aécio Neves — numa antecipação do segundo turno, mas com a desvantagem para o candidato do PSDB, que continuará com três vezes menos tempo de televisão que a incumbente.

As recentes pesquisas eleitorais mostram, no entanto, que, no confronto direto com a presidente, o candidato tucano recebe grande parte dos votos que iriam para os demais candidatos, chegando a um virtual empate técnico.

Caso Marina venha a ser a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, a disputa ficará mais difícil para Aécio Neves, mas o segundo turno estará praticamente garantido, e, com ele, os riscos da presidente Dilma aumentarão bastante.
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